Arquivo para 17 de maio de 2017

MÍDIA NINJA: MAIS DE 20 MIL NA PAULISTA

Vejam o vídeo.

 

XADREZ DO FIM DO GOVERNO TEMER E DA VOLTA DAS DIRETAS

A delação de Joesley Batista, da JBS – divulgada pelo Globo – é a maior bomba política da história.

Joesley entregou gravações com Michel Temer e Aécio Neves, que revelam por completo o que foi a aventura do impeachment e dos vazamentos da Lava Jato na véspera das eleições.

Não se trata mais de corrupção política, captando recursos de caixa 2 para financiamento de campanha. As gravações mostram claramente duas organizações criminosas no topo da política brasileira, uma liderada pelo presidente Michel Temer, outra pelo presidente do PSDB Aécio Neves.

Peça 1 – o caso Temer

Não houve limites para a desfaçatez de Temer. Mal empossado, levou para dentro do governo seus principais operadores pessoais: José Yunes, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR); mais Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco, conhecidos pela enorme capacidade de sobrevivência aos escândalos mais variados.

As gravações mostram ele avalizando a decisão dos Batista, de pagar pelo silêncio de Cunha. E, mais ainda, indicando Loures para uma mega-propina de 20 anos de prazo.

O país ficou literalmente à mercê de uma quadrilha. Sob o comando de Temer e Padilha, montou-se o maior leilão e o maior aparelhamento da história, com parlamentares negociando emendas, colocando apaniguados em órgãos técnicos, negociando projetos de alto interesse estratégico – como o pré-sal, o satélite brasileiro, a nova lei geral de telecomunicações.

Não há salvação para Temer: os crimes ocorreram em plena vigência de seu mandato de presidente. Vai se livrar da prisão devido à idade.

No Mutirão “O caso do primeiro amigo”  (https://goo.gl/FlcCEE) juntamos as matérias levantadas a partir dos documentos enviados pelo Anonymous.

Peça 2 – o caso Aécio Neves

As denúncias contra Aécio Neves, definitivas, porque acompanhadas não apenas de gravações, mas de outras provas colhidas pela PF, como o rastreamento do dinheiro, jogam no centro da notícia o chamado helicoca, e pode abrir caminho para o levantamento das ligações do mundo político com os narcotraficantes.

O dinheiro entregue ao primo não era para o advogado de defesa, conforme alegou Aécio na conversa com Joesley. O dinheiro foi encaminhado para uma das empresas do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), justamente o dono do helicóptero encontrado com os 500 quilos de cocaína.

Não foi o primeiro episódio relacionando Aécio com o submundo.

O aeroporto de Cláudio estava na rota do helicóptero (https://goo.gl/OmFYYc) (https://goo.gl/XIoMdd).  E seu primo, Tancredo Tolentino (o único que herdou o nome do avô), e responsável pelas chaves do aeroporto de Cláudio, foi denunciado por esquemas armados com desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais visando libertar traficantes. Cada habeas corpus saia por R$ 120 mil.

Toda a blindagem montada ao longo dos últimos anos se esboroa com as denúncias dos irmãos Batista.

Peça 3 – o incêndio

Agora, se entra em um vazio complicado.

Os vazamentos da Lava Jato, às vésperas das eleições de 2014, quase entregam o país nas mãos do mais atrevido e inescrupuloso político brasileiro, Aécio Neves. O impeachment e a posse de Michel Temer tiveram como padrinhos a mídia, a Lava Jato, o juiz Sérgio Moro – autorizando a liberação das gravações de Dilma e Lula -, o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot – avalizando o vazamento, provavelmente por fraqueza -, o Ministro Gilmar Mendes – impedindo a posse de Lula -, os demais Ministros do STF, endossando todas as arbitrariedades. Ou seja, todos são pais do bebê de Rosemary.

Ao mesmo tempo, Aécio era blindado de todas as formas por Rodrigo Janot e Gilmar Mendes, desafetos, mas aliados no trabalho de procrastinar as denúncias contra ele.

A delação dos irmãos Batista desmonta todo o castelo erigido em torno do golpe.

Haverá muita especulação sobre as razões de O Globo – e o Jornal Nacional – terem dado tanto destaque à denúncia. Não se pense em teorias conspiratórias. A notícia viria de qualquer maneira à tona. E, se divulgada por outro meio, deixaria em maus lençóis a própria Globo, principal madrinha de Temer e do golpe. Tiveram pouco tempo para decidir, conforme se viu nos improvisos do JN.

Provavelmente o fato das investigações terem sido tocadas a partir de Brasília, impediu a blindagem de Aécio pela PF de Minas e pela força tarefa de Curitiba. Recorde-se que o próprio juiz Sérgio Moro impediu Eduardo Cunha de encaminhar perguntas incômodas a Temer. Foi necessário um juiz de Brasília para encaminhar as perguntas.

Em todo caso, foram as ameaças de Cunha – e provavelmente o escândalo da Carne Fraca – que precipitaram a delação.

Nesse episódio, PF e PGR mostraram como deve ser a verdadeira delação premiada, tornando o delator agente direto no levantamento de provas, na chamada ação controlada. PF e PGR atuaram em conjunto, documentando cada passo, rastreando o dinheiro e, aparentemente, juntando provas definitivas para desmantelar as duas organizações, em vez do rosário de irrelevâncias das delações tatibitates de Curitiba.

O ponto central é que, pela bomba apresentada – gravações com Temer e Aécio – nem as muralhas de Itaipu poderiam conter a enchente.

Peça 4 – e agora?

Não há a menor possibilidade da permanência do governo Temer. Definitivamente acabou, assim como acabaram as tentativas de reformas articuladas no Congresso.

A grande incógnita é o que virá pela frente. A delação pegou a todos de surpresa, não dando tempo de articular uma saída. Até vazar a delação, o que se tinha era um julgamento de cartas marcadas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenando Dilma e livrando Temer.

As alternativas pela frente são:

1.     A renúncia de Temer e o presidente da Câmara Rodrigo Maia assumindo interinamente a presidência. Mas haverá resistência do Congresso. E como fica? Aparentemente não haverá resistência no Congresso.

2.     Se Temer não renunciar rapidamente, o caminho mais razoável será a inelegibilidade de Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

3.      Não há a menor possibilidade de prolongar o interinato de Rodrigo Maia. Maia é a síntese de Temer com seu sogro Moreira Franco e seu pai César Maia.

4.     Tentativa de emplacar uma eleição indireta. Nesse caso, o nome de maior aceitação poderia ser o ex-Ministro Nelson Jobim, aliado dos tucanos mas que, nos últimos tempos, buscou aproximação com setores ligados a Lula.

5.     Não existe possibilidade da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia assumir a presidência. Não tem estrutura emocional nem traquejo para administrar os terremotos que virão pela frente até a terra se acomodar novamente.

6.     A única maneira de recompor a legitimidade do sistema político seriam eleições diretas em todos os níveis. Hoje à noite já começaram as manifestações por eleições diretas. Mas como convencer o sistema a convocar eleições sem inabilitar Lula? Por outro lado, como conseguir um mínimo de pacificação sem se valer do potencial de negociação de Lula? Finalmente, o que é o sistema, depois da implosão política de hoje?

Fosse um país minimamente civilizado, a esta altura as principais lideranças estariam amarrando um pacto em torno de pontos mínimos de consenso, permitindo que os grupos políticos se comportassem como náufragos em um barco salva-vidas, cuidando de não brigarem para o barco não virar.

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DENÚNCIAS CONTRA TEMER E AÉCIO LEVAM BRASILEIROS, OBSERVANDO ESSA IMAGEM, PERGUNTAR: O AMOR É LINDO?

 

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LULA EM SEU FACE: AS IMAGENS QUE EXPRESSAM O CASO TEMER E AÉCIO

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Em seu face Lula, com seu olhar filosófico-linguístico-politico, sintetiza o golpe parlamentar-jurídico-midiático.

As imagens que mostram o agora.

 

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 Imagens dos que se tomam acima de qualquer suspeita. Insuspeitos. Mas sempre há uma fissura.

O BRASIL EXPLODE DE ALEGRIA DEMOCRÁTICA COM AS DENÚNCIAS CONTRA TEMER E AÉCIO QUE PODEM SER PRESOS PELO STF

O Brasil inteiro explode de alegria democrática com a divulgação das denúncias contra o golpista-mor Temer e o ressentido Aécio, vulgo Mineirinho. Especula-se que os dois podem ser presos presos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

De nada adiantaram as muralhas levantadas pelas mídias-capitalistas, que participaram também do golpe, para protegê-los. Como diria Van Gogh: sempre há uma fissura para passar o movimento que destroça os muros. Até pela parte da tarde essa mídias ainda mantinham o despudor – que é sua condição comum – defendendo seu parceiro de trapaça.

Mas agora, não há volta nem revolta por parte dos golpistas para que o murro fissurado volte a ser uma muralha de proteção da sordidez.

O Brasil em festa democrática chama por eleições diretas já em outubro desse ano. E se houver não tem para ninguém. É Lula antecipando 2018.

O tema a gora é: Volta Temer para tua casa em São Paulo!

Veja os vídeos.

LINDBERGH: “FORA TEMER!” E “DIRETAS JÁ!”

Veja os vídeos.

 

 

DEPUTADO MOLON ENTRA COM PEDIDO DE IMPEACHMENT

QUEM CONHECE A MORAL DA SUBJETIVIDADE BURGUESA NÃO SE SURPREENDE COM A DENÚNCIA DO EMPRESÁRIO, DA JBS, JOESLEY DE TER GRAVADO TEMER PEDINDO O SILÊNCIO DE CUNHA

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   Só anestesiados sociais não sabem o que é a moral da subjetividade burguesa: total ausência de princípios de grandeza democrática. Psicopatologias gerais de aberrações onde a honra, a honestidade, a bondade, a clareza, a solidariedade, o altruísmo, a sinceridade, etc., não fazem parte desse corpo psicótico. 

    Alguns brasileiros ficaram surpresos com as declarações que empresário Joesley Batista, da JBS, e seu irmão Wesley fizeram ao relator da Lava Jato, Edson Fachin. Eles afirmaram que o chefe dos golpistas (sem eufemismo: calhordas), Temer comprou o silêncio de EDuardo Cunha para que ele não falasse nada que pudesse lhe implicar nas investigações sobre corrupção. Diante das denúncias alguns se expressaram chamando de Bomba! Não é bomba, é apenas a confirmação da moral da subjetividade burgesa.

     O também golpista-ressentido, vulgo Mineirinho, Aécio também foi denunciado por receber R$ 2 milhões pedidos pelo Mineirinho ao próprio Joesley. As provas irrefutáveis gravações feitas pelo empresário.

     Como os brasileiros esclarecidos já sabiam, não há qualquer condições para Temer permanecer no Palácio do Planalto, encenando seu papel de dublê de presidente. 

      Diante do incontornável, já estão chovendo pedidos diretos de impeachment do golpista-velhaco. 

BRASIL TEM POUCO A COMEMORAR NO DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA A LGBTFOBIA

Do site lula.com.br

Hoje, 17 de maio, é Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia. Infelizmente, o Brasil ainda apresenta altos índices de violência por motivação homofóbica, nos fazendo lembrar, todos os dias, que a luta contra a discriminação e a LGBTfobia precisa ser constante. 

Os governos de Lula e Dilma Rousseff se posicionaram na defesa de gays, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais do país, sendo responsáveis em implantar políticas públicas importantes para a garantia dos direitos LGBT. 

Relembre algumas conquistas:

Inicialmente, logo que chegou à Presidência da República, Lula deu à Secretaria de Direitos Humanos o status de ministério. Em 2004, numa iniciativa inédita, o governo Lula em parceria com os movimentos sociais, criou o Programa Brasil sem Homofobia. O objetivo do programa era promover a cidadania de gays, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais, a partir da equiparação de direitos e do combate à violência e à discriminação homofóbicas, respeitando a especificidade de cada um desses grupos populacionais.

Em 2008, o Governo Lula, por meio da hoje extinta Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, organizou a primeira Conferência Nacional LGBT com a participação de militantes LGBT de todo o país e de gestores de políticas públicas. A conferência definiu prioridades para o enfrentamento da discriminação e da violência, bem como estabeleceu metas para a ampliação da cidadania da população LGBT.

Em 2009, o Governo Lula tomou uma iniciativa pioneira na América Latina: a criação de uma estrutura para coordenar a elaboração e implementação de planos, programas e projetos relacionados aos direitos LGBT em âmbito nacional. Em 2011, já no Governo Dilma, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação passou a atuar voltado para o combate à discriminação e para a promoção e defesa dos direitos de LBGT. 

Entre outras ações importantes implementadas no Governo Dilma está o Relatório sobre Violência Homofóbica. A segunda edição do documento, divulgada em 2013, revela que o número de denúncias de violações cresceram, respectivamente, 166% e 46,6% em relação ao ano anterior, o que reforça a urgência de ampliação das ações de combate à homofobia.

A iniciativa é fundamental para sistematizar os dados oficiais e orientar a implementação de políticas públicas específicas para esta população, como o Sistema Nacional de Promoção de Direitos e de Enfrentamento à Violência contra LGBT.

Coube ao Governo Lula a realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT, em 2009 (a 2ª aconteceu em 2011, realizada pelo Governo Dilma). Em 2010, outro passo importante: a assinatura do decreto que instituiu o 4 de junho como o Dia Nacional de Combate à Homofobia, simbolizando o compromisso do Estado brasileiro com o enfrentamento da violência praticada contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. 

Em 2012, com Dilma, outro momento marcante: a Secretaria de Direitos Humanos, o Ministério da Justiça e diversos estados brasileiros assinaram o Termo de Cooperação para Enfrentamento à Homofobia, com o objetivo de implementar ações de capacitação de órgãos de segurança pública para o enfrentamento da homofobia.

Entre outras medidas importantes dos governos Lula e Dilma, estão o fortalecimento do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT; a sanção da Lei Maria da Penha, que passou a prever também a união homoafetiva feminina; a criação do módulo LGBT no Disque 100, além da criação da Coordenação Geral de Promoção dos Direitos de LGBT.

Saiba mais sobre as propostas e conquistas dos governos Lula e Dilma no site Brasil da Mudança.

PROFESSORES VÃO PARTICIPAR DAS MOBILIZAÇÕES CONTRAS AS REFORMAS DE TEMER EM BRASÍLIA

São Paulo – A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) confirmou participação nas mobilizações de centrais sindicais e movimentos sociais que pretendem ocupar Brasília na próxima quarta-feira (24) contra as reformas do governo Temer. 

Segundo Fátima Silva, secretária-geral da CNTE, a estimativa é de que se desloquem para Brasília cerca de 20 mil professores, que devem se unir a outros milhares de trabalhadores da educação da própria capital federal. Ela também defendeu a realização de nova greve geral para barrar a retirada de direitos. 

“Vamos para as ruas, novamente, contra a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e contra o projeto de terceirização. É uma tragédia que está colocada para o povo brasileiro, e não somente para os professores e funcionários de escolas, mas atinge a toda a classe trabalhadora”, afirmou Fátima, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta quarta feira (17). 

Ela ressalta que a reforma da Previdência é especialmente prejudicial às mulheres da educação, pois, com a proposta do governo Temer, o tempo mínimo de contribuição foi elevado em 10 anos para elas. Para contornar o alegado déficit da Previdência – argumento usado pelo governo Temer para justificar a reforma –, Fátima defende a realização de auditoria nas contas da Previdência, além da cobrança dos grandes devedores. 

Segundo Fátima, estudos apontam que a “vida útil” do professor em sala de aula, principalmente na educação infantil, é de 15 anos. Após isso, o profissional começa a apresentar acelerado desgaste, que inclui a Síndrome de Burnout (esgotamento extremo), muito comum entre os professores. “Qual professor vai aguentar estar na sala de aula com até 45 alunos aos 62 anos?”, questionou.

Além das reformas, a relação dos professores com o governo Temer vai de mal a pior, de acordo com a secretária-geral da CNTE. Ela criticou a “reformulação” do Fórum Nacional de Educação (FNE) determinada pelo ministério da Educação, que alijou do colegiado entidades também ligadas aos trabalhadores do setor e submeteu a indicação dos nomes para integrar o órgão à aprovação do governo. Por conta dessas alterações, ela anunciou que a CNTE não mais participará das reuniões do FNE. 

Fátima Silva criticou também alterações propostas na reforma do Ensino Médio que, segundo ela, pretendem privatizar o ensino técnico, e o não cumprimento por estados e municípios da lei que instituiu piso salarial nacional para os professores.

Ouça:

 
 

XADREZ DA LAVA JATO EM FAMÍLIA, PELO ILUSTRE, TALENTOSO JORNALISTA-MÚSICO-ECNOMISTA LUIS NASSIF

Peça 1 – as caixas pretas do Judiciário

Mais independente e sutil dos Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), assim que explodiu a disputa entre o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot e o Ministro Gilmar Mendes, sobre conflitos de interesse – de parentes em escritórios de advocacia com grandes causas no STF e na PGR – o Ministro Marco Aurélio de Mello declarou-se impedido de julgar qualquer processo em que atuasse o escritório de Sérgio Bermudes. Alegou que tinha uma sobrinha que lá trabalhava.

Foi um tapa com luva de pelica nas práticas históricas das altas cortes, de parentes de Ministros, desembargadores, Ministros do Tribunal de Contas e outros advogarem nos tribunais em que atuam seus padrinhos.

Hoje em dia, há duas caixas pretas rondando o Judiciário. Uma, das ações em família; outra, das palestras de cachês desconhecidos.

Uma terceira caixa preta surge com a Lava Jato.

Os maiores escritórios de advocacia do Rio e São Paulo, antes especializados nas áreas comercial, administrativa e de contratos, passaram a aceitar advogados criminalistas como sócios, para atender à enorme demanda provocada pela Operação Lava Jato.

São honorários milionários. Segundo advogados paulistas, conseguir uma causa de delação premiada de algum cliente mais poderoso pode render até R$ 15 milhões de honorários.

Peça 2 – o poder da Lava Jato

A instituição da delação premiada na Lava Jato, conferiu um poder extraordinário a juízes e procuradores envolvidos com a operação. Depende deles – exclusivamente deles – a liberdade ou a prisão dos réus. E como a decisão de aceitar ou não é eminentemente subjetiva, eles se tornam senhores absolutos do destino dos réus que caem em suas mãos.

Essa submissão dos réus gerou dois fenômenos distintos.

O que está em jogo não é pouco. Ou a prisão, ou a possibilidade de ser libertado e ainda usufruir de parte da riqueza amealhada com a corrupção. Alberto Yousseff, a arma sacada por Sérgio Moro, conseguiu a liberdade e ainda a possibilidade de receber comissões sobre quantias que ajudar a recuperar.

Depois que a Odebrecht quebrou a cara, quando seus advogados resolveram enfrentar a Lava Jato, houve mudança total no comportamento dos advogados de réus candidatos à delação. Advogados altivos, passaram a aceitar todas as imposições da força-tarefa e do juiz e ainda avalizar o jogo de cena, negando qualquer imposição no conteúdo das delações.

Ora, todo delator já sabe, de antemão, o que os procuradores – e o juiz – desejam: informações que ajudam nas ações contra Lula. Aliás, não apenas eles mas a torcida do Corinthians e do Flamengo. E do Atlético Paranaense, é claro.

A partir daí entra-se na caixa preta. Até que ponto a contratação de advogados ligados às autoridades se deve à sua competência, à tentativa de agradar a autoridade (agrado que pode ser correspondido ou não) ou barganha?

Trata-se de uma situação controversa, que merece uma segunda pergunta: até que ponto é lícito a um advogado aceitar uma proposta de uma empresa cujo destino está nas mãos de seu padrinho político?

Caso 1 – a filha de Janot

Filha do PGR Rodrigo Janot, Letícia Ladeira Monteiro de Barros é uma jovem advogada de cerca de 27 anos, especializada em direito econômico, que trabalha em um escritório de advocacia que conseguiu três contas relevantes: Petrobrás, OAS e Brasken.

Ela atua basicamente no CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). Apesar de Janot não ter nenhuma relação direta com o CADE, as três empresas estão em suas mãos. No caso da OAS e da Brasken, dependem dele para a aceitação da oferta de delação premiada de seus executivos, assim como dos acordos de leniência agilizados, para impedir a sua quebra.

O Estadão publicou que “atualmente, a OAS negocia acordo de delação de seus executivos com o Ministério Público Federal. A negociação foi suspensa no ano passado, por decisão de Janot, depois do vazamento de supostas informações que fizeram parte das conversas entre executivos da empresa e o MPF”.

Conforme o GGN mostrou na ocasião, eram fúteis os motivos invocados para a suspensão das negociações: suposto vazamento de informações irrelevantes para a Veja, em um universo em que não passa dia sem que um documento seja vazado.

Em sua defesa, Janot afirmou que as delações são propostas pelos executivos à PGR, não o contrário. Além disso, ele não atua contra a “pessoa jurídica” das empresas. Faltou falar que cabe à PGR dizer se aceita ou não. E quem decide pela “pessoa jurídica” são as pessoas físicas que dependem dele para aspirar a libertação.

Caso 2- Marlus Arns – Rosângela Moro

Conforme o GGN já vem mostrando há anos, as Federações das APAEs (Associação de Pais e Alunos dos Excepcionais) se trasformarm em um enorme sorvedouro de recursos públicos sendo parcamente fiscalizados.

No caso da Federação da APAE do Paraná, há um conjunto de episódios mal-cheirosos:

1.     Quando Secretário de Educação do Paraná, o ex-senador Flávio Arns – liderança maior da APAE – destinou R$ 450 milhões às APAEs do Estado, para poderem competir com a rede pública federal, que passou a atender crianças com deficiência.

2.     Na outra ponta, seu sobrinho Marlus Arns tornou-se o principal advogado das ações das APAEs no estado.

3.     Sua contraparte na Federação é a diretor jurídica Rosângela Moro, esposa do juiz Sérgio Moro. Ela é tão envolvida com as APAEs que palestrou na ONU em evento sobre educação inclusiva – sendo que a ala das APAEs que ela representa se constituem no maior obstáculo à educação inclusiva, para não abrir mão dos recursos públicos.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-lava-jato-e-a-influente-republica-dos-…

Marlus é um advogado encrencado, denunciado por problemas com as empresas estatais paranaenses. De repente, tornou-se o principal advogado das delações da Lava Jato.

Foi responsável pelas negociações dos empreiteiros da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, Eduardo Leite e Paulo Augusto Santos, além do empresário João Bernardi Filho. Arns também atuou na defesa de Ivan Vernon, ex-assessor de Pedro Corrêa (PP), assim como de Valério Neves, ligado ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF), e do ex-assessor de José Janene (PP – morto em 2010), João Cláudio Genu. Também representa Renato Duque deste agosto de 2015. Recentemente, Duque rompeu o silêncio e pediu para falar com Moro sobre a Petrobras. Ele acusou Lula de mandar destruir provas. Outros clientes ilustres de Arns são o deputado cassado Eduardo Cunha e sua esposa, Cláudia Cruz.

É possível que os honorários de Marlus passem dos R$ 50 milhões.

A relação da família Arns com Moro e a equipe da Lava Jato se estende: o irmão de Marlus, Henrique Arns de Oliveira, é diretor-geral do Centro de Estudos Jurídicos Luiz Carlos, que teve como professores no módulo de Direito Penal Econômico o procurador Deltan Dallagnol e Sérgio Moro.

http://jornalggn.com.br/noticia/quem-e-o-advogado-de-eduardo-cunha-marlu…

Caso 3 – os Castor de Mattos

O escritório do advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos, participou, ainda que informalmente, da delação premiada do marqueteiro João Santana e sua esposa Mônica Moura.

O GGN mostrou que o estagiário Felipe Pedrotti Cadori, que foi a um cartório de Curitiba registrar, em julho de 2016, uma conta de Gmail atribuída à Dilma Rousseff, trabalha, atualmente, no escritório Delivar de Mattos Advogados Associados.

http://jornalggn.com.br/noticia/escritorio-de-irmao-de-procurador-da-lava-jato-atuou-em-delacao-contra-dilma

Procurada, a Lava Jato em Curitiba afirmou que o procurador Diogo não participou da delação dos marqueteiros e que o escritório de seu irmão pediu procuração para representar o casal recentemente (o ofício foi enviado a Moro em abril de 2017), quando o acordo de colaboração já estava encerrado.

Mas o registro em cartório feito pelo estagiário, cerca de um ano atrás, prova a atuação informal e por baixo dos panos, já que quem assina a delação dos marqueteiros são os advogados Alessi Brandão e Juliano Campelo Prestes.

Rodrigo Castor de Mattos também representou o advogado de Alberto Youssef, Carlos Alberto Pereira da Costa, que, em 2014, confirmou elo entre o doleiro com o mensalão e petrolão.

A empresa de Carlos Alberto, a CSA Project Finance Consultoria, foi usada por Youssef para lavar dinheiro de José Janene, admitiu a Moro.

O depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, que presenciou o entra e sai de políticos no escritório de Youssef, afundou de vez Luiz Argolo na Lava Jato. Também implicou Paulo Roberto Costa e empresas como a Engevix e Mendes Junior.

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/09/o-elo-entre-o-bmensalao-e-propina-da-petrobrasb.html

Procurada pelo Conjur, que questionou o laço familiar entre procurador e advogado do réu, a força-tarefa de Curitiba sustentou que “o advogado Rodrigo Castor de Mattos foi defensor do réu Carlos Alberto Pereira da Costa até 7/10/2014. Posteriormente, quando já era assistido pela Defensoria Pública da União, o réu celebrou acordo de colaboração com o Ministério Público Federal em 27/4/2016, sendo homologado em audiência na data de 6/6/2016.”

http://www.conjur.com.br/2017-mai-09/impedimento-criado-janot-anularia-atuacao-mpf-lava-jato

Mas há reportagens sobre as revelações feitas pelo delator ao juiz Moro e à Polícia Federal desde 2014. No processo sobre a Labogen, por exemplo, Youssef ficou em silêncio diante de Moro, orientado pelo defensor Antônio Figueiredo Basto, enquanto Carlos Alberto Pereira da Costa decidiu, segundo Rodrigo de Mattos, fazer uma “colaboração espontânea”.

http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/08/doleiros-sao-chamados-para-depor-sobre-lava-jato-no-parana.html

Caso 4 – Saab – Miller

 Membro da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Marcelo Miller abandonou a carreira e se mudou para o prestigioso escritório Trech, Rossi e Watanabe que atua na defesa da SAAB-Scania no caso da licitação F-X da FAB (compra de caças). Detalhe: no MPF, Miller foi o principal procurador no processo sobre a FX. Antes disso, Miller atuou na Operação Norbert – que identificou contas da família de Aécio Neves em Liechtenstein.”

http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-lava-jato-se-fosse-investigada…

Miller disse estar afastado da Lava Jato, colaborando apenas eventualmente, desde o segundo semestre de 2016. “O procurador da República deve se dedicar à área de compliance, que trabalha na prevenção de práticas criminosas dentro de empresas. Procurado, ele não quis comentar a saída da instituição”, publicou o Estadão.

Peça 3 – os ensinamentos de Montesquieu

Todo aquele que detém poder tende a dele abusar, até que encontre um limite.

São três os princípios, cada um correspondendo a um governo: o da monarquia é a honra; o da república é a virtude; e o do despotismo é o medo.

Só pode existir liberdade quando não há abuso do poder. 

O que parece indicar que o poder judiciário sendo essencialmente o intérprete das leis deve ter tão pouca iniciativa e personalidade quanto possível (o juiz é apenas a boca que pronuncia as sentenças da lei, sem moderar sua força ou rigor). Não é o poder de pessoas, é o poder das leis, “teme-se a magistratura e não os magistrados”.

O que o interessa é a rivalidade entre as classes. Esta competição social é a condição do regime moderado porque as diversas classes são capazes de se equilibrar.

Do Procurador da República Ercias Rodrigues de Souza, em encontro da Associação Nacional dos Procuradores da República para discutir “Direito e Democracia”

A democracia moderna não é, simplesmente, representativa, ela é, acima de tudo, participativa. Além de se contar com os fiscais constitucionais, a própria sociedade organizada em conselhos e associações deve exercer, diuturnamente, o controle do exercício do poder de seus representados políticos.

Exatamente neste ponto é preciso voltarmos ao Ministério Público: por não sermos menos democráticos do que o parlamento e, também, por não sermos menos republicanos, deve seguir-se a conclusão de que também devemos contas aos titulares do poder. O certo é que o fato de tomarmos nossas atribuições diretamente do Texto Constitucional, por meio de habilitação em concurso público extremamente dificultoso, não implica sermos detentores de um poder de outra natureza, afinal, todo o poder emana do povo, como sabiamente o diz nossa Constituição, logo em seu começo.

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‘HOMEM ASTUTO QUE SOU, CONQUISTEI-VOS PELA FRAUDE’ TEXTO DO TALENTOSO JORNALISTA HUGO RANGEL DE CASTRO SOUZA,NO SITE JUSTIFICANDO

‘Homem astuto que sou, conquistei-vos pela fraude’

Dois mil anos de difamação pelas classes dominantes foi o resultado.

– Brecht, sobre Catilina

Está certo que, como já foi dito pelo grande jurista e notável ministro do tribunal constitucional da Argentina Eugenio Raúl Zaffaroni, a Idade Média não terminou e está longe de terminar, inferência feita a partir da compreensão de que perdura nos modernos Estados democráticos de Direito uma forma de saber jurídico inaugurada por tribunais cujos processos terminavam, via de regra, no fogo que arrasa e purifica: o estabelecimento da verdade pela via do interrogatório.

Mais evidente é o paralelo que pode ser traçado no campo do “espírito dos tribunais” entre os métodos acusatórios da Santa Inquisição e o moderno instituto da delação premiada em sua curitibaníssima versão. A quem costuma dar boas-vindas à operação Lava Jato como um belo sinal de progresso, como a engrenagem que trará as maiores mazelas nacionais à luz do dia, seria o caso de indicar a leitura do capítulo sete da seção B da segunda parte do “Manual dos Inquisidores” de Nicolau Eymerich, compêndio de admoestações persecutórias escrito no ano de 1376 de Nosso Senhor, e, portanto, na Idade das Trevas. Naquela passagem desta famigerada cartilha, o obstinado frei dominicano recomenda ameaçar com os rigores da excomunhão e acusar previamente de cumplicidade com as raposas que devastaram as videiras do senhor dos Exércitos “quem — Deus nos livre! — negligenciando sua própria salvação, não se curvar às nossas ordens de delação”.

Por outro lado, acenava-se com três anos de indulgência, sem tornozeleira nem nada, para os fiéis que denunciassem o que soubessem, ou que soubessem perfeitamente, diante do inquisidor, o que melhor convinha-lhes fazer.

E ainda que esteja prestes a entrar em cartaz nos Cinemarks e UCIs (estreia em julho) uma espécie de Jornal Nacional em película, em linguagem dramatizada, e financiado por um “investidor secreto”, a definitiva obra cinematográfica sobre a operação Lava Jato continuará sendo “As Bruxas de Salém”, filme de mais de 20 anos atrás baseado numa peça de Arthur Miller, que a escreveu na década de 1950 como alegoria para denunciar o macartismo, e cuja ação se passa no longínquo ano de 1692. O filme conta a história de um sanha acusatória irracional que toma conta de um pequeno povoado do Massachussets quando meninas travessas que se veem em maus lençóis ante a Inquisição percebem que, para escapar dos seus castigos, bastava dizer ao juiz o que o juiz estava predisposto a ouvir com interesse.

É especialmente didática a cena de “As Bruxas de Salém” em que, depois de ver passar pelo patíbulo uma dúzia de pessoas que delatou de resto por revanches pessoais, Abigail Willians, esta Mônica Moura do século XVII, vai ao inquisidor dizer que o espírito da esposa de um membro do tribunal do Santo Ofício (um reverendo que desconfiava de sua farsa) aparecia-lhe todas as noites em seu quarto, para tentar arrancar-lhe os olhos, e, ouvindo aquilo, o inquisidor enfim decide, digamos, estancar aquela sangria: “Está enganada. Você entendeu? Está enganada”.

Mesmo com tudo isso em mente, ainda assim causa assombro, ainda que já não cause mais surpresa, constatar que o processo movido contra Lula sob o libelo de Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon parece por vezes obedecer menos ao Código de Processo Penal do que àquele famigerado manual trecentista de caça às bruxas. Nestas condições, um interrogatório, e nomeadamente o interrogatório do grande ímpio da “propinocracia”, no dia 10 de maio, antes de ser “ato normal do processo”, é a hora agá do inquisidor, o momento em que ele fica frente a frente com o suspeito, nunca para ouvi-lo sobre as provas colecionadas, “em que pese algumas alegações nesse sentido”, mas sim, e sempre, determinado a derrotá-lo, a arrancar-lhe a confissão, ou pelo menos a contradição, em um verdadeiro duelo de astúcias.

Desavenças e desavenças

Tendo em vista que o inquisidor do medievo sabia (e até o inquisidor do medievo sabia, e tomava cuidados a respeito) “que os depoimentos das testemunhas não são suficientes como provas”, Eymerich enumerou “10 truques do inquisidor para neutralizar os truques dos hereges”, a fim de arrancar-lhes, “com elegância”, a verdade, sem recurso à tortura. Aconselhou, por exemplo, com o intuito de escutar confidências do réu a terceiros, colocar testemunhas e um escrivão escondidos pelos cantos, de orelhas em pé, “com a cumplicidade da escuridão”, quase 500 anos antes da invenção do telefone, e mais de 600 anos antes de um grampo telefônico derrubar um ministro no Brasil pela primeira vez: Rogerio Magri, ministro do Trabalho de Collor, em 1992.

Pois foi com a cumplicidade do obscurantismo que Sergio Moro sentou-se na sala de audiências da República de Curitiba, no último dia 10, não exatamente com a tão especulada bala de prata (prova cabal contra Lula) enfiada na cartucheira, mas sim armado com truques pelos vistos pinçados da lista das 10 melhores pegadinhas anti-hereges feita por Nicolau Eymerich, desde aquela em que “o inquisidor segura um papel [certamente não assinado, ou quem sabe rasurado] e, quando o réu começar a negar, o inquisidor, espantado dirá: ‘Como podes negar: ainda não está bastante claro?’”, até aquela outra em que “se o acusado continuar negando, e o inquisidor achar que ele omite seus erros — embora não haja provas — intensificará o interrogatório intensificando as perguntas. Obterá, deste modo, ou a confissão, ou, então, respostas discrepantes”, passando pelo ardil de dirigir-se ao herege “com calma, sem irritação, e considerando sempre o acusado como culpado”, seja por um crime que quase aconteceu (a quase propina disfarçada da quase compra do triplex do Guarujá), seja por um crime que pode vir a acontecer (“mas o senhor pretende mandar prender agentes públicos?”).

Eymerich aconselha ainda o Santo Ofício a enviar emissários junto ao réu a fim de tentar convencê-lo de que “o inquisidor é um homem honesto”. Sabia, o dominicano, que não poderia fazê-lo o próprio juiz do tribunal da Inquisição, por motivos óbvios, tendo ele mesmo construído fama de encarniçado quando Inquisidor Geral de Aragão. Era um tempo em que ainda não se cultuava o ídolo da senhora Justitia exibindo sua balança sem vícios e com uma venda tapando-lhe os olhos. Pois Sergio Moro, neste ponto, não apenas atrasa em mais de seis séculos o relógio da história da Justiça, mas também ousa ele em pessoa dizer, sem intermediários, que de sua parte não há qualquer “desavença pessoal” em relação ao réu.

Que o juiz que “faz diferença” personifique o lado oposto ao que Lula representa na retumbante dissensão política que tomou conta do país, que simbolize o açulamento do ódio de classe, que encarne todos os anelos das forças político-econômicas que ora tentam sedimentar no Brasil um despótico projeto de retrocesso social, sem arriscá-lo nas urnas, tudo isso parece não vir ao caso para os seus vigilantes “apoiadores”, estes que, junto com as instâncias judiciárias superiores, conferem a Moro poderes “excepcionais” para fazer antes o papel de carrasco que de juiz de Direito — coisa de fazer ciúme a Torquemada e Bernardo Gui.

A defesa e outros fatores de atraso da sentença

Não exatamente enciumados, mas talvez ruborizados, pareceram ter ficado os desembargadores do TRF da 4ª Região diante da tentativa de Sergio Moro de limitar o número de testemunhas arroladas pela defesa de Lula mediante a arbitrariedade de obrigá-lo a comparecer em Curitiba para acompanhar a tomada de cada um dos seus muitos depoimentos. Derrubaram, em raro freio da segunda instância às investidas contra a lei por parte da 13ª Vara Federal de Curitiba, mais um tributo que seu juiz titular tentou render ao manual de Eymerich, em cujo capítulo sobre os “obstáculos à rapidez de um processo” inquisitorial aparece em primeiríssimo lugar como fator de “atraso na proclamação da sentença” o “número excessivo de testemunhas”, seguido do grave “motivo de lentidão” do processo que é o fato mesmo de “dar direito de defesa ao réu”.

Sobre isso, e na mesma ocasião em que apontou a continuidade capciosa da Idade Média nos tempos modernos, Zaffaroni disse ainda sobre esta figura, a do inquisidor, que nasce com o renascimento do poder punitivo nos séculos XII e XIII e substitui uma outra, a do juiz que era uma espécie de árbitro que zelava pelo respeito às regras da luta pela verdade sobre a autoria do dolo: “como se supõe que seu saber (poder) sempre se dirige ao bem, todo poder que se exerce na procura desse saber não deve ser obstaculizado, uma vez que o mau significa, justamente, obstaculizar o bom. Deste modo o uso da violência fica autorizado — e inclusive se impõe — contra qualquer objeto que se lhe oponha”.

Não é por outro motivo senão a certeza de que toda violência jurídica lhe está autorizada — aquela certeza da cumplicidade do obscurantismo — que o “juiz que confessa” sente-se à vontade para enunciar em audiência que “o senhor ex-presidente pode ficar absolutamente tranquilo” sobre o bem que governa seu probo tribunal, mesmo que desde a denúncia do Ministério Público (aquele feita sem nenhuma prova, mas com a firme convicção dos que se supõem predestinados a fazer justiça), a rigor desde antes dela — desde o clima criado para que fosse possível fazer passar o Power Point –, todo o processo contra Lula seja governado, isto sim, pela certeza de uma condenação que não deve ser obstaculizada, que se impõe contra qualquer objeto que se lhe oponha.

Para a encenação do auto-de-fé ficar completa, só faltou mesmo que Dallagnol e Pozzobon (ou quem sabe a própria Paschoal, voltando à cena em grande estilo) apelassem a Sergio Moro que seguisse um conselho dado pelos redatores de uma outra cartilha pré-cartesiana, um outro repositório normativo sobre os esforços para deitar por terra o maléfico “Martelo das Feiticeiras”: o de que as bruxas deveriam ser conduzidas de costas à presença do juiz”, a fim de evitar que “a velha serpente”, com as suas astúcias (a jararaca está bem viva, afinal), fizesse que o juíz “perdesse o ódio que alimenta” contra ela.

A mídia: do sacerdócio ao Santo Ofício

Mas ninguém poderá falar de autos-de-fé contemporâneos comendo soltos por aí em lombos tão simbólicos, e sob os holofotes da mídia, sem falar no papel que nestes tempos de tão flagrante interlocução com as sombras cabe a ela própria: a mídia de massa. Com suas engrenagens funcionando, de forma não menos patente, em linha com a agenda das forças político-econômicas dominantes, o que, neste momento, no Brasil, significa alinhar com a lógica liberal levada ao seu máximo limite, é também até o extremo que essa mídia, formada por empresas estruturadas nos moldes capitalistas, mobiliza-se para uma tutela à sua maneira violenta dos dogmas de que é tributária a sua profissão de fé original. São os dogmas da religião de um Deus, afinal, em crise, e cujas “máximas de sabedoria divina” elencadas por Paul Lafargue 130 anos atrás incluem uma à parte reveladora sobre o indicativo presente: “Não poupes nem o bom nem o mau operário, porque tanto o bom como o mau cavalo precisam de espora”.

Igualdade, justiça, liberdade. São esses, e ainda a verdade, alguns dos ideais editados pela burguesia, por necessidade, quando de sua ascensão e consolidação como classe dominante, encarregando os intelectuais, e especialmente os jornalistas, de cuidar de sua propagação. Não poucas vezes a missão recebida foi comparada, ou confundida pelos próprios missionários, com uma espécie mesmo de sacerdócio, essa tão romântica acepção do próprio ofício que, perene, além de tudo confere uma aura de santo martírio às conclusões de recentes pesquisas que apontam o jornalismo como a pior profissão do mundo, inclusos que estão, os jornalistas, no escopo da lei geral de pauperização franciscana das classes trabalhadoras.

Contracheques à parte, esta noção, a do jornalismo como sacerdócio, tornou-se difundida mesmo nos países com desenvolvimento histórico marcado pela revolução burguesa inconclusa, como o Brasil, onde as classes dominantes jamais sentiram-se à vontade com a ideia de dividir sua jurisdição com um mínimo de Democracia.

Pois no Brasil de aqui e agora, quando essa burguesia parasitária e adepta das políticas de subjugação nacional rejeita aberta e cinicamente os valores democráticos que a rigor jamais cogitou abraçar, quando essa burguesia atrasada patrocina um golpe de Estado a fim de impor um draconiano arrocho às massas laboriosas, neste momento aflora com força a verve antidemocrática dos órgãos da mídia de massa, compelidos a atuarem na luta política para além, muito além dos seus costumeiros e jesuíticos esforços de catecismo dos trabalhadores na religião do capital, assumindo nesta luta um papel, digamos, dominicano, aberta e ferozmente reacionário, muitas vezes cruento, tendendo assim de maneira raramente tão clara, o trabalho da imprensa, do sacerdócio ao Santo Ofício.

A exemplo, aliás, de onde tende a dar o percurso traçado pelo combate à corrupção quando feito à moda Dallagnol: à base de um moralismo raso e encarado como incumbência divina; sem provas, mas repleto de convicções que mal resistem ao contato com o ar, como bolinhas azuladas de sabão.

Senão pela capa de O Estado de S.Paulo mostrando Dilma, a bruxa, ardendo na fogueira; senão pela cabeça decepada de Lula na capa da revista Veja (a decaptação era uma pena que a Inquisição costumava reservar aos condenados importantes); senão, enfim, por causa dessas manifestações mais grotescas daquele itinerário; senão por essas e outras, a imprensa ora transita tão evidente quanto tragicamente do sacerdócio ao Santo Ofício porque, de resto, as pressões ideológicas que são fruto dessa conjuntura sombria, bem como as rotinas de produção a cada dia mais incompatíveis com a ética da profissão, umas tanto quanto as outras, comprometem o pensamento e o trabalho críticos que a Democracia espera e precisa como contribuição das diversas formas de conhecimento (sendo uma delas o jornalismo), sob pena de se ver infelicitada, senão inviabilizada, pelas mais profundas trevas, que são as da ignorância.

Se é com maior ou menor consciência de sua posição e de sua responsabilidade na arena da luta de classes; se é com alegria, cinismo ou contrição que os jornalistas da mídia mainstream se posicionam diante do tribunal sumário em que se transformou a produção de sentidos do seu mister nos momentos nevrálgicos destes tempos intrincados, será este o índice do quanto a corrupção do ofício, que se dá a olhos vistos, será ou não será fruto de conspiração.

Agora mesmo, no mais recente exemplo do papel que cabe à mídia nas inquisições hodiernas, não se teve notícia de pudores, quiçá de protestos, quando, a despeito da insistência do juiz em pôr o cadáver de Marisa Letícia bem no meio do “ajuste de contas” em Curitiba, nos dias seguintes o conjunto do trabalho da chamada “grande imprensa” confluiu, quase em uníssono, para tentar fazer crer que Lula sordidamente tentou atribuir o enrosco do Triplex à esposa morta. O que, ademais, é uma homenagem especial que esta imprensa, também ela, presta a Emerych, que no seu “Manual dos Inquisidores” adverte sobre as “astúcias dos hereges para responder sem confessar”.

Mais esta avalanche noticiosa ignóbil foi coroada com mais um daqueles exemplos de até que ponto essa imprensa tem sido capaz de chegar para garantir que todo mau operário será passado na ponta da espora: “a morte dupla” da ex-primeira-dama na capa da Veja. Resultou, também, em propaganda antiética das lojas Marisa para o Dia das Mães, sinal particularmente clamoroso de como a degeneração midiático-judiciária, para não dizer institucional, já se espalha como praga para outras esferas da vida no país.

Perseguir a todos? ‘Evidentemente que sim’

Em que pese a força das correntes de oração convocadas pelos “apoiadores” de Sergio Moro para que fosse abençoada sua hora agá com o senhor ex-presidente, é quase de dar piedade saber da sina do inquisidor, definida assim por Nilo Batista: “para sempre condenado a jamais descobrir a prova do crime ao qual dedicou sua vida, porém torturado ele mesmo pelo dever insaciável de extrair da boca do réu a confissão de sua própria inocência”.

Mas, para além de notar os tormentos íntimos no seio do Santo Ofício, convém recorrer mais uma vez a Nilo Batista para esclarecer o que significa exatamente para a coletividade assistir a instituições do Estado supostamente democrático comportando-se como aquele velho tribunal eclesiástico: “a inquisição nos revela com nitidez os laços íntimos que se estabelecem entre um projeto político e o sistema penal que lhe dá sustentação, e de que forma o segundo se adapta plasticamente aos movimentos do primeiro, dissimulando frequentemente no discurso judiciário condenatório a manobra política agressiva”.

E se há mais de 500 anos “a dissidência na fé implicava dissidência política”, hoje, a dissidência política implica dissidência na doutrina, no credo do “rombo” da previdência, das leis trabalhistas “ultrapassadas”, do impeachment por causa de “pedaladas fiscais”, e nada menos que o castigo expiatório é o que se quer reservar a quem se opuser à Igreja de Roma, por assim dizer.

Aliás, àqueles que ora celebram o advento de um novo e glorioso tempo no Brasil, um tempo em que supostamente “ninguém está acima da lei”, em que “a lei é para todos” (“Polícia Federal – A Lei é Para Todos” é o título do filme que estreia nas férias de julho), nunca será demais lembrar que “perseguir” qualquer um, “independente de posição ou condição”, era já uma preocupação dos tribunais do Santo Ofício da Inquisição, tanto que à 18ª das dúvidas referentes à sua prática, esclarecidas no “Manual dos Inquisidores”, e que é: “O inquisidor pode perseguir a todos, indistintamente, do rei ao último dos leigos?”, a resposta vem firme: “evidentemente que sim”. Ainda que Eymerich faça quanto a isso uma ressalva fundamental: “eu aconselharia, porém, aos inquisidores, não perseguir publicamente os reis ou pessoas da realeza”.

Quando listou os seus truques para tentar provar a fórceps que um herege esteve mancomunado com o demônio, o antigo Inquisidor Geral de Aragão prometeu àqueles juízes mais atentos às suas instruções que, seguindo-as, mais tarde poderiam dizer como o apóstolo: “Homem astuto que sou, conquistei-vos pela fraude”.

Quando John Proctor (encarnado por um estupendo Daniel Day-Lewis) tenta ingenuamente chamar o inquisidor à razão, em meio à estupidez coletiva e à expiação descarrilada em Salém, recebe do juiz Danforth um indeferimento nestes termos: “O senhor não entendeu. Ou se está a favor deste tribunal, ou contra. Não há meio-termo. Estamos numa nova era, numa era definida. Já não vivemos nos tempos obscuros, em que o mal se misturava com o bem e baralhava o mundo. Agora as pessoas de Bem e as de Mal estão totalmente separadas. Espero que encontre o vosso lugar entre nós”.

Proctor, no entanto, “negligenciando sua própria salvação”, não se curva às fortes pressões que o Santo Ofício lhe faz para que diga que seus vizinhos andam com o Diabo, para que confesse ele próprio que tinha visto o Diabo “e se prestado ao seu serviço”. Tendo chegado mesmo a assinar uma confissão fictícia, mas que lhe permitiria escapar à forca (“É um nome de peso. Sua confissão impressionará”, diz um membro da operação em Salém), arrepende-se, arranca-a das mãos do meirinho e a rasga em pedaços, para desespero de sua esposa, que leva as mãos à cabeça e não segura mais o pranto. Proctor ergue-lhe o rosto, olha firme nos seus olhos, e diz, antes de rumar ao cadafalso: “Não lhes mostre lágrimas! mostre-lhes honra! Mostre-lhes um coração de pedra e afunde-os com ele”.

Hugo Rangel de Castro e Souza é Jornalista.

 

LÖWY: HISTÓRIA, RAZÕES E ÉTICA DO ECOSSOCIALISMO

Do site Outras Palavras.

Por que reorganizar a produção e o consumo, em bases não-mercantis. As divergências em relação ao “capitalismo verde” e ao “socialismo” burocrático. A luta para superar o sistema não precisa esperar pela conquista do poder. Marx, um produtivista?

Por Michel Lowy, em entrevista a Miguel Fuentes | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Marc Chagall

O sociólogo e filósofo Michael Lowy, uma das referências mais importantes do pensamento anticapitalista, concedeu há poucos dias entrevista sobre o perigo crescente da crise ecológica e sua importância como problema estratégico central para o marxismo.

Refletindo sobre uma série de questões tais como as mudanças climáticas, o ecossocialismo e os desafios do movimento revolucionário durante as próximas décadas, as ideias deste intelectual constituem um claro chamado de advertência. Segundo ele, dependerá da capacidade que tenham as organizações de esquerda para integrar esses debates em seus seus respectivos eixos estratégicos, a possibilidade (ou não) de enfrentar o último desafio programático da revolução socialista: o perigo do colapso da civilização e da extinção humana, ou melhor, nas palavras de Lowy… a ameaça de um ecossuicídio planetário.

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O que é o Ecossocialismo e quais suas referências?

TEXTO-MEIOO ecossocialismo é uma alternativa radical ao capitalismo que resulta da convergência entre a reflexão ecológica e a reflexão socialista (marxista). Sua premissa fundamental é que a preservação de um ambiente natural favorável à vida no planeta é incompatível com a lógica expansiva e destrutiva do sistema capitalista. Não se podem salvar os equilíbrios ecológicos fundamentais do planeta sem atacar o sistema, não se pode separar a luta pela defesa da natureza do combate pela transformação revolucionária da sociedade.

Existe hoje uma corrente ecossocialista internacional que, por ocasião do Foŕum Mundial de Belém (janeiro de 2009), publicou uma declaração sobre as mudanças climáticas, assinada por centenas de pessoas de 45 países. Entre seus precursores se encontram figurais tais como Manuel Sacristán (Espanha), Raymond Williams (Inglaterra), André Gorz (França), James O’Connor (Estados Unidos), e entre seus representantes atuais estão o coautor do “Manifesto Ecossocialista Internacional” (2001) [1] Joel Kovel (Estados Unidos), o marxista ecológico John Bellamy Foster (ibidem), o indigenista peruano Hugo Blanco, a ecofeminista canadense Terisa Turner, o marxista belga Daniel Tanuro, e muitos outros.

O ecossocialismo dissocia-se de dois modelos inoperantes: 1) A ecologia conformista, que adapta suas propostas ao mercado e busca desenvolver um “capitalismo verde” — quer dizer, uma ilusão nefasta ou, em muitos casos, uma mistificação. 2) O pretendido “socialismo real” (da falida URSS, China etc.), o qual não foi mais que uma caricatura burocrática do socialismo baseada numa imitação servil do aparato técnico capitalista e num produtivismo antiecológico tão destruidor da natureza como seu equivalente ocidental.

O ecossocialismo propõe uma reorganização do conjunto do modo de produção e de consumo baseado em critérios exteriores ao mercado capitalista: as necessidades reais da população e a defesa do equilíbrio ecológico. Isso significa uma economia de transição ao socialismo, na qual a própria população – e não as “leis de mercado” ou um Birô Político autoritário – decidam, num processo de planejamento, as prioridades e os investimentos.

Esta transição poderá conduzir não só a um novo modo de produção e a uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais democrática, mais também a um modo de vida alternativo, uma nova civilização ecossocialista para além do dinheiro, dos hábitos de consumo artificialmente induzidos pela publicidade, e da produção ao infinito de mercadorias inúteis. O “Bem Viver” da tradição indígena das Américas é uma importante fonte de inspiração para esta alternativa.

Quais são os principais aportes do Ecossocialismo à teoria marxista e à prática das organizações de esquerda?

Muitos ecologistas criticam Marx por considerá-lo produtivista. Tal crítica nos parece completamente equivocada: ao fazer a crítica do fetichismo da mercadoria, é justamente Marx quem coloca a crítica mais radical à lógica produtivista do capitalismo, a ideia de qua a produção de mais e mais mercadorias é o objeto fundamental da economia e da sociedade.

O objetivo do socialismo, explica Marx, não é produzir uma quantidade infinita de bens, mas sim reduzir a jornada de trabalho, dar ao trabalhador tempo livre para participar da vida política, estudar, brincar, amar. Para tanto, Marx proporciona as armas para uma crítica radical do produtivismo e, particularmente, do produtivismo capitalista. No primeiro volume de O Capital, Marx explica como o capitalismo esgota não só as forças do trabalhador, como também as próprias forças da terra, esgotando as riquezas naturais. Assim, essa perspectiva, essa sensibilidade está presente nos escritos de Marx. No entanto, não foi suficientemente desenvolvida.

É verdade, entretanto, que alguns escritos de Marx, e sobretudo de Engels (o Anti-Dühring, por exemplo) propõem que a tarefa de uma revolução seria unicamente mudar as relações de produção, que se converteram em travas ao livre desenvolvimento das forças produtivas. Cremos que, desde uma perspectiva ecossocialista, necessita-se de uma visão muito mais radical e profunda do que deve ser uma revolução socialista. Trata-se de transformar não só as relações de produção e as relações de propriedade, como a própria estrutura das forças produtivas, a estrutura do aparato produtivo. É preciso que aplicar ao aparato produtivo a mesma lógica que Marx pensava para o aparato de Estado a partir da experiência da Comuna de Paris quando ele dizia o seguinte: “os trabalhadores não podem apropriar-se do aparato do Estado burguês e usá-lo a serviço do proletariado, não é possível, porque o aparato do Estado burguês nunca vai estar a serviço dos trabalhadores. Então, trata-se de destruir esse aparato de Estado e criar outro tipo de poder”.

Essa lógica tem de ser aplicada ao aparato produtivo que deve ser, se não destruído, ao menos radicalmente transformado. Este não pode ser simplesmente apropriado pelas classes subalternas, e posto a trabalhar a seu serviço, pois necessita ser estruturalmente transformado. Por exemplo, o sistema produtivo capitalista funciona com base em fontes de energia fósseis, responsáveis pelo aquecimento global – o carbono e o petróleo. Um processo de transição ao socialismo só seria possível quando se der a substituição dessas formas de energia por energias renováveis — por exemplo a água, o vento e, sobretudo a energia solar.

Por isso, o ecossocialismo implica uma revolução do processo de produção, das fontes energéticas. É impossível separar a ideia de socialismo, quer dizer, de uma nova sociedade, da ideia de novas fontes de energia, particularmente do calor – alguns ecossocialistas falam já de um “comunismo solar”, pois entre o calor, a energia do Sol, o socialismo e o comunismo haveria uma espécie de afinidade eletiva.

Mas não basta transformar o aparato produtivo e os modelos de propriedade, é necessário transformar também o padrão de consumo, todo o modo de vida em torno do consumo, que é o padrão de capitalismo baseado na produção maciça de objetos artificiais, inúteis e perigosos. Por isso trata-se de criar um novo modo de consumo e um novo modo de vida, baseado na satisfação das verdadeiras necessidades sociais, algo completamente diferente das supostas e falsas necessidades produzidas artificialmente pela publicidade capitalista. Dele se depreende pensar a revolução ecossocialista como uma revolução da vida cotidiana, como uma revolução pela abolição da cultura do dinheiro e da mercadoria imposta pelo capitalismo.

O ecossocialismo não é só a perspectiva de uma nova civilização, uma civilização da solidariedade – no sentido profundo da palavra, solidariedade entre os humanos, mas também com a natureza –, é também uma estratégia de luta, desde já, aqui e agora. Não se trata de esperar até o dia em que o mundo se transforme, mas de começar desde já, agora, a lutar por esses objetivos. Trata-se de promover a convergência, a articulação entre lutas sociais e lutas ecológicas, as quais têm o mesmo inimigo: o sistema capitalista, as classes dominantes, o neoliberalismo, as multinacionais, o FMI, a OMC. Os indígenas da América Latina, desde as comunidades andinas do Peru até as montanhas de Chiapas, estão na primeira linha de combate em defesa da Mãe Terra, da Pachamama, contra o sistema.

Noam Chomsky tem afirmado nos últimos anos que a crise ecológica é mais importante que a crise econômica [2]. Qual sua opinião sobre essa frase?

Estou inteiramente de acordo com Chomsky! A crise econômica é grave, porque serve às classes dominantes, ao capital financeiro, para aplicar suas receitas neoliberais, agravando o desemprego, destruindo conquistas sociais, privatizando os serviços públicos etc. Mas a crise ecológica é algo muito mais importante e muito perigoso, porque ameaça as condições de vida da humanidade no planeta.

A que se você refere quando fala de um possível ecossuicídio planetário?

A civilização capitalista industrial moderna é um trem suicida que avança, com rapidez crescente, em direção a um abismo: as mudanças climáticas, o aquecimento global. Trata-se de um processo dramático que já começou, e que poderá levar nas próximas décadas a uma catástrofe ecológica sem precedentes na história humana: elevação da temperatura, desertificação das terras, desaparecimento da água potável e da maioria das espécies vivas, multiplicação dos furacões, elevação do nível do mar – até que Londres, Amsterdã, Veneza, Xangai, Rio de Janeiro e demais cidades costeiras fiquem debaixo d’água. A partir de um certo nível de elevação da temperatura, será ainda possível a vida humana neste planeta? Ninguém pode responder com segurança a esta pergunta.

O dito ecossuicídio planetário é uma situação hipotética, ou uma possibilidade concreta para as próximas décadas?

Cientistas como James Hansen – durante muitos anos o climatólogo da NASA, nos EUA – explicam-nos que as mudanças climáticas não se desenvolvem de forma gradual, mas sim com saltos qualitativos. A partir de um certo nível de aquecimento – 2 graus centígrados além das temperaturas pré-industriais – o processo se tornará irreversível e imprevisível. Isso pode acontecer nas próximas décadas, sobretudo se se confirmam uma série de evidências científicas recentes: derretimento do gelo dos polos mais rápida do que o prevista; maciças emissões de metano (um gás com muito maior efeito de aquecimento do que o CO2) pelo derretimento do permafrost na Sibéria, Canadá etc. Ninguém pode prever quando se dará a inversão, e portanto não têm sentido as previsões que se referem ao ano 2.100.

Uma série de cientistas começaram a alertar sobre uma grande crise planetária no caso de que o aquecimento global supere os 2 graus centígrados, produzindo com ela uma importante quebra nos sistemas agrícolas. Ideias semelhantes têm sido discutidas no âmbito dos estudos energéticos, projetando-se a possibilidade de uma crise estrutural próxima do capitalismo como produto do esgotamento do petróleo e dos combustíveis fósseis (fenômeno conhecido como Peak Oil). [3] Como se relacionaria a ideia do perigo de um ecossuicidio planetário com a possibilidade de um fenômeno de colapso capitalista, aquele como consequência do avanço da crise ecológica no futuro próximo?

Em primeiro lugar, não tem sentido discutir o Peak Oil como se fazia ainda há alguns anos. O problema não é o esgotamento do petróleo, mas que há muitas reservas de petróleo e carvão. Se elas forem queimadas, o aquecimento global será inevitável e catastrófico.

Pois bem, a crise ecológica, por si mesma, não leva a um colapso do capitalismo. O capitalismo pode sobreviver nas piores condições energéticas e agrícolas. Não há menhum mecanismo automático que leve a um colapso capitalista. Haverá crises terríveis, mas o sistema encontrará alguma saída, em forma de guerras, ditaduras, movimentos fascistas etc. Assim foi nos anos 1930 e assim pode ocorrer no futuro. Como dizia Walter Benjamin: “o capitalismo nunca vai morrer de morte natural”. Se queremos por um fim no sistema capitalista, isso só será possível por um processo revolucionário, uma ação histórica coletiva anticapitalista. O capitalismo só desaparecerá quando suas vítimas se levantarem contra ele e o eliminarem.

Marx afirmou no Manifesto Comunista que a história da humanidade foi até hoje a história da luta de classes, e que esta luta terminou sempre com a vitória de uma classe sobre outra… ou então “na destruição das classes em conflito”. Em nossos dias, mais de um século e meio após aquela afirmação, uma equipe de pesquisadores financiados parcialmente pela NASA divulgou um estudo no qual se sugere, entre outras coisas, que a combinação dos efeitos das mudanças climáticas e dos níveis de concentração extrema de riqueza, assim como também de uma futura escassez de recursos em nível mundial estariam a ponto de produzir a ruína da civilização contemporânea. [4] Poderíamos hoje dizer que a sincronia entre as crises ecológica, econômica e social constituiria a materialização histórica daquela possibilidade prevista por Marx em torno de uma possível autodestruição das classes fundamentais do capitalismo?

Creio que se trata de realidades distintas. A concentração extrema de riquezas não conduz à “destruição das duas classes de luta”: é simplesmente a vitória de uma das classes, a burguesia financeira parasitária contra as classes subalternas…

Pois bem, a crise ecológica pode, sim, ter como resultado a ruína da civilização atual e a autodestruição das classes da sociedade moderna, segundo a previsão de Marx. Se se permite ao capitalismo destruir o planeta, todos os seres humanos serão vítimas. Mas a mentalidade dos capitalistas, em particular a oligarquia fóssil – os interesses da indústria do carbono, do petróleo e suas associadas da eletricidade, do transporte, da indústria química etc – poderia ser resumida com a famosa frase do rei francês Luís XIV: “Depois de mim, que venha o dilúvio”.

Durante as primeiras décadas do século XX, algumas importantes figuras do marxismo tais como Lenin, Trotsky ou Gramsci tiveram de enfrentar os horrores das Guerras Mundiais e do Fascismo. Em nosso caso, em troca, pareceria que temos diante de nós um horizonte destrutivo muito superior ao que ditos revolucionários poderiam ter sequer imaginado. Um exemplo disso pode ser visto nos efeitos hipercatastróficos que podem chegar a ter as mudanças climáticas, assim como também no começo do que algumas importantes referências científicas denominaram como a sexta extinção maciça de espécies. Outra denominação em voga deste fenômeno é a do Antropoceno e sua possível relação com um fenômeno de extinção iminente da própria espécie humana. [5] É correto, para você, afirmar que nos encontraríamos às portas de um salto destrutivo inédito da dinâmica capitalista?

Há um consenso crescente entre os cientistas de que entramos numa nova era geológica, o Antropoceno, uma era na qual a ação humana – na verdade, a civilização capitalista industrial moderna – determina os equilíbrios do planeta, inicialmente o clima. Uma das características do Antropoceno é o processo da sexta extinção maciça das espécies, que já começou.

A elevação da temperatura global acima de 2 graus centígrados terá sem dúvida efeitos “hipercatastróficos”, que não se podem comparar com outros eventos históricos (guerras etc.), mas somente com eventos de outras eras geológicas quando, por exemplo, a maioria das costas dos continentes atuais estava sob o mar.

Não creio que se possa afirmar que a extinção da espécie humana seja “iminente”. É um perigo real, uma ameaça, mas para as próximas décadas.

Há mais de um século Rosa Luxemburgo lançou uma das talvez mais obscuras advertências da tradição marxista: isto é, sua famosa frase “Socialismo ou Barbárie”. No caso de Walter Benjamin é igualmente conhecida sua advertência em torno da necessidade de “cortar o pavio antes que a fagulha chegue à dinamite”, em alusão à possibilidade de um “fim catastrófico” (negativo) do desenvolvimento capitalista. Hoje, já passado mais de um século no qual o capitalismo seguiu impondo sua vontade às expensas de toda a humanidade… é possível dizer que a barbárie triunfou… ou então que se encontraria perto disso?

A barbárie ainda não triunfou. Tampouco sabemos se se encontra perto de fazê-lo. Tudo depende da capacidade de resistência das vítimas do sistema: quer dizer, também de nós. O fatalismo é um erro político. Como dizia Gramsci, precisamos de pessimismo na razão e de otimismo na vontade.

Nas últimas décadas, algumas das ideias-força mais importantes que a intelectualidade capitalista integrou em seu programa ideológico foram aquelas em torno dos conceitos de “fim da história”, “fim da luta de classes” e “fim da classe trabalhadora”. Deixando de lado o evidente triunfalismo capitalista que acompanhou o desenvolvimento de tais ideias, estes conceitos podem hoje ser considerados, diante do possível ecossuicídio planetário? O “fim da história” é hoje um perigo real?

O possível econssuicídio planetário é um perigo real, mas nada tem a ver com os discursos ideológicos do “fim da história” ou da luta de classes, que proclamavam a eternidade do capitalismo neoliberal. Ao contrário, a luta de classes é o método para por fim à dinâmica autodestrutiva do capital.

Como podemos pensar essa situação a partir do marxismo e nos preparar para um cenário de crise com uma dimensão possivelmente muito superior à que o campo das lutas sociais enfrentou nos últimos séculos?

O marxismo nos permite compreender a natureza destrutiva do capitalismo, sua tendência inexorável à expansão perpétua, e portanto sua contradição com os limites naturais do planeta. O marxismo nos permite colocar nas vítimas do sistema, nas classes e grupos oprimidos e explorados o sujeito possível de uma transformação anticapitalista. Finalmente, o marxismo nos propõe, com o programa socialista, os fundamentos de uma alternativa radical ao sistema. Mas, sem dúvida, como expusemos acima, necessitamos de uma reformulação ecossocialista das concepções marxistas.

A Revolução Social é uma política anticapitalista que coloque a expropriação da burguesia e a tomada do poder pelos trabalhadores como um passo necessário para deter o desastre que se avizinha, ou para nos preparar para resistir ao colapso?

Deter o desastre é uma tarefa imediata. Cada tubulação de petróleo que se interrompe, cada central elétrica de carbono que se fecha, cada mata que se protege contra a voracidade destruidora do capital, detém o desastre. Mas só será possível impedir a ruína da civilização humana destruindo o sistema com uma revolução socioecológica.

É necessário adaptar o programa e a política da Revolução Socialista diante dos novos perigos que supõe a combinação entre crise ecológica, econômica e social durante o século atual? Que elementos o Manifesto Ecossocialista nos oferece para esta tarefa?

O Manifesto Ecossocialista não tem a resposta a todas estas perguntas. Simplesmente expõe que o socialismo do século 21 tem que ser um socialismo ecológico, e vice-versa: de pouco nos serve uma ecologia que não seja socialista. Sua principal tese é que o sistema capitalista é incompatível com a preservação da vida em nosso planeta. O programa socialista tem que transformar-se em programa ecossocialista, integrando de maneira muito mais central a questão da relação com a natureza do que na tradição socialista ou comunista do século 20.

Um dos princípios fundamentais do marxismo revolucionário foi o de defender o papel da classe trabalhadora como sujeito social da Revolução Socialista. Agora, se considerarmos que um possível colapso civilizatório iminente se associaria à ruína da sociedade industrial e, consequentemente, à desintegração do próprio sujeito trabalhador em vastas regiões do planeta… é possível continuar defendendo a centralidade do movimento trabalhador na luta de classes e do projeto socialista?

A combinação das crises “tradicionais” do capitalismo e da crise ecológica cria as condições para uma ampla aliança de forças sociais contra o sistema. Potencialmente, como expunha o “Occupy Wall Street”, os 99% que não têm um interesse fundamental na manutenção do sistema, são atores possíveis para sua superação. Desde a Conferência Intergalática dos Zapatistas em Chiapas em 1996, e os eventos de Seattle em 1999, até os movimentos recentes de Indignados, vemos os primeiros elementos desta coalisão antissistêmica. Participam dela sindicalistas, ecologistas, movimentos indígenas, camponeses, movimentos de mulheres, associações cristãs, correntes revolucionárias, movimentos da juventude, associações de bairro, militantes socialistas, comunistas e anarquistas. Hoje em dia na América Latina as comunidades indígenas e camponeas estão na vanguarda das lutas socioecológicas, antineoliberais, anti-imperialistas e anticapitalistas. Mas, em última análise, a principal força desta coalizão são os trabalhadores, no sentido amplo: os que vivem da venda de sua força de trabalho, ou do seu próprio trabalho individual ou comunitário. Esta ampla classe de trabalhadores, que não deve ser confundida somente com os operários industriais, constitui a maioria da população, e sem sua ação coletiva nenhuma revolução será possível.

Outro princípio tradicional do marxismo durante o século 20 foi defender a necessidade do controle operário da produção, do planejamento mundial da economia e da distribuição socialista das riquezas como meios possíveis para satisfazer, entre outras coisas, as necessidades materiais do conjunto da humanidade. Agora, se considerarmos que a crise ecológica que se avizinha (e o tipo de quebra alimentar global que trará consigo) poderia implicar que inclusive tais medidas sejam já insuficientes (ineficazes) para dar resposta às necessidades da população mundial, isso devido à própria gravidade da crise que se avizinha e à inexistência de tecnologias capazes de assegurar uma adequada produção agrícola ante um cenário hipercatastrófico de mudanças climáticas… O que fazer? Como resolver esse aparente paradoxo no qual um setor da humanidade pareceria já estar perdido (morto) para o projeto socialista? Mas ainda… é possível resolvê-lo?

Penso ser prematuro discutir o que fazer quando o aquecimento global superar os 2 graus centígrados… Nossa tarefa nas próximas décadas é tratar de impedir isso, promovendo as lutas socioecológicas, as várias resistências anticapitalistas e a consciência ecossocialista. O objetivo é a abolição do capitalismo, o planejamento ecossocialista – em escala local, nacional, continental e, em algum momento, mundial – a distribuição da riqueza e o controle democrático (não apenas “operário”) da população sobre a produção e o consumo.

Evidentemente, é possível que sejamos derrotados e que a humanidade seja levada pelo capitalismo a uma catástrofe. Mas, no momento histórico atual, temos de levar adiante, com todas as nossas forças, este combate decisivo para evitar o desastre.

Tendo em conta a gravidade das ameaças implicadas na crise ecológica atual… por que elas têm sido tão escassamente tratadas no âmbito das organizações de esquerda?

Há várias explicações possível para a demora da tomada de consciência ecológica da esquerda:
1) O dogmatismo, a repetição do tradicional, a resistência a aceitar mudanças na teoria e na prática.
2) O economicismo, a redução da política a interesses corporativos imediatos: por exemplo “salvar o emprego”, isso sem questionar as consequências humanas, sociais ou ecológicas desses “empregos”.
3) A influência da ideologia burguesa do “progresso”, identificado com a expansão, o “crescimento” da economia, a produção de mais e mais mercadorias, e o consumismo.
4) O caráter futuro das ameaças ecológicas – colapso da civilização – em comparação com os problemas econômicos imediatos: a crise, o desemprego etc.

Notas:

[1]Nota sobre o Manifesto Ecosocialista: https://www.rebelion.org/hemeroteca/sociales/lowy090602.htm.
[2] Entrevista a Noam Chomsky: http://www.jornada.unam.mx/2015/09/12/cultura/a36n1cul.
[3] Notas complementares sobre esses temas nos siguintes links:
(1) http://www.eldesconcierto.cl/2017/03/15/manuel-casal-lodeiro-y-su-libro-sobre-la-izquierda-ante-el-colapso/
(2) http://www.eldesconcierto.cl/2017/02/24/entrevista-a-peter-wadhams-el-artico-esta-en-peligro/.
[4] Estudo cofinanciado pela NASA sobre um possível colapso capitalista iminente: https://www.theguardian.com/environment/earth-insight/2014/mar/14/nasa-civilisation-irreversible-collapse-study-scientists.
[5]Link:http://elpais.com/elpais/2015/06/19/ciencia/1434727661_836295.html.


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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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