Arquivo para 23 de agosto de 2017

LULA ENCONTRA MOVIMENTOS SOCIAIS EM ALAGOAS

“VIEMOS AQUI SÓ DIZER A ELE: MUITO OBRIGADO!”

Em Arapiraca (AL), inúmeras pessoas buscam conhecer Lula pessoalmente, uma cena que tem se tornado rotina na caravana do ex-presidente pelo Nordeste
por Cláudia Motta, especial para a RBA.
 
RICARDO STUCKERT
Lula em Arapiraca

Condutores de carro de boi viajaram para Arapiraca com o objetivo de ver o ex-presidente pessoalmente

Arapiraca (AL) – Dona Maria Cícera dos Santos Rodrigues, 63 anos, acordou cedo nesta quarta-feira (23) e saiu do seu bairro, Santa Esmeralda, em direção ao Parque Ceci Cunha, centro de Arapiraca. Às 8h30, já estava a postos na arquibancada do Ginásio Municipal João Paulo II. Ela queria ver o homem que “ama” receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). De pé por horas para não perder nem um segundo da homenagem – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só chegaria por volta de 10h, e a cerimônia iria até as 13h30 –, ela mostrou as pernas com meias de compressão, para enfrentar as varizes. “Mas nem estou sentindo”, disse.

“Hoje é um dos dias mais importantes da minha vida. Lula olhou para os pobres, deu comida a quem tem fome, água a quem tem sede.” Chorando, contou já ser aposentada e hoje atua como conselheira de saúde em seu bairro. “E esse povo de hoje, nunca mais, que homem ruim!”, disse, referindo-se ao presidente Michel Temer e às mudanças que quer fazer na Previdência para dificultar o acesso dos trabalhadores brasileiros à aposentadoria a pretexto de “enfrentar o déficit”.

A paixão que se via nos olhos de Cícera é a mesma que se vê nos olhos de milhares de pessoas que lotam os atos em que Lula recebe homenagens e presentes como fotos, cestas com frutas, doces e hortaliças. Nesta quarta, a caravana completa uma semana chegando a Maceió.

Ao receber seu título das mãos do reitor Jairo José Campos da Costa, Lula saudou sua coragem, ao manter a titulação oferecida ao ex-presidente mesmo depois de ser ameaçado de morte pelo gesto – uma prerrogativa da direção da universidade. “Nenhum agressor tem a dignidade de andar nessas ruas como você tem”, disse, ao destacar que a homenagem recebida “é mais para o povo do país”. Quando fala aos trabalhadores que acompanham sua jornada, o petista ressalta a força dos sertanejos, dos nordestinos, do povo brasileiro “que não desiste nunca”.

Dona Maria José Lins, a Marili, é uma dessas guerreiras. Aos 92 anos, paramentada em sua vestimenta colorida da Dança do Guerreiro, fez questão de participar da apresentação organizada pela associação de idosos, aposentados e pensionistas de Arapiraca. “Eu admiro ele e tive o maior prazer em conhecer pessoalmente”, disse dona Marili, que ganhou um abraço especial do ex-presidente. “É um homem de capacidade.”

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Dia de aula

Alex Gomes da Silva, o Pai Alex, presidente da ONG Casa de Caridade, não cabia em si ao ganhar um abraço especial do presidente. Sua organização atende 110 famílias de catadores de material reciclável. A ONG se qualificou como ponto de cultura – outro programa criado pelo governo Lula –, o Ponto de Luz, a partir de 2015, e tem em seu público alvo dezenas de crianças. “Somos o primeiro ponto de cultura do interior de Alagoas ligado a uma casa de candomblé. Tudo isso graças ao governo de Lula. E viemos hoje aqui só dizer a ele: muito obrigado”, disse o babalorixá, revelando o sonho de abraçar o presidente.

“Nem que ele não escute nossa voz, vai ouvir a voz dos nossos tambores e saber que muitas dessas crianças que estão aqui são filhos de catadores de reciclagem e que, no passado, alguns também eram ‘aviõezinhos’ de droga. Muitos perderam irmãos mortos pela violência. Mas graças à cultura, graças ao ponto de cultura, graças ao Lula, foram resgatados da marginalidade e estão caminhando para compor a sociedade arapiraquense, alagoana e brasileira, com esforço”, conta.

Os tambores dos pequenos do Ponto de Luz começaram a soar com toda força: Lula tinha chegado. O ex-presidente entrou na quadra, e quando viu as crianças tocando, mudou o rumo que o levava em direção ao palco e abraçou Alex. O babalorixá, que momentos antes tinha revelado o sonho de poder abraçar o ex-presidente, chorava emocionado. As crianças também ganharam beijos e abraços.

O dia especial de Lula, pela 29ª vez reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa por seus feitos como presidente do Brasil, terminava ainda mais especial para Pai Alex e as crianças do Ponto de Luz. Mas tão logo Lula subiu ao palco, os tambores cessaram. Era hora de ir para a escola. Por mais diferente que fosse essa quarta-feira, a exigência para participar do grupo Afoxé Mirim é não faltar às aulas e ter um bom rendimento.

Assim, no futuro, a pequena Celinha, de 6 anos, poderá vir a ser uma Chirlene Oliveira de Jesus Pereira, a filha de quilombolas de Cruz das Almas que foi levar seu diploma a Lula em homenagem num dos primeiros atos da caravana, em 18 de agosto, e é mencionada pelo ex-presidente em todos os discursos que tem feito desde então.

Naquele dia, Lula foi proibido de receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, após a concessão de uma liminar solicitada pelo vereador soteropolitano Alexandre Aleluia, do DEM. “Percebi que a atitude do vereador, além de mesquinha, foi inútil. Meu verdadeiro título foi o diploma daquela menina. E ninguém vai conseguir tirar isso dela. Toda vez que um filho do povo se formar na universidade, esse é o maior de todos os títulos para mim”, voltou a dizer o ex-presidente.

CLÁUDIA MOTTA/TVT/RBA E RICARDO STUCKERT (MARILI)povo
Maria Cícera aguentou horas em pé, como Pai Alex. Dona Marili, efeitada para a dança do guerreiro, ganha beijo

LULA RECEBE TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA DA UNEAL

 

 

TEMER EXTINGUE RESERVA NO AMAPÁ E PARÁ E LIBERA MINERAÇÃO PRÓXIMA À TERRAS INDÍGENAS

Temer entrega uma área de reserva florestal do tamanho do Estado do Espírito Santo e libera a região para atividade mineradora, pondo em risco as tribos indígenas e a biodiversidade

A área tem quase 4 milhões de hectares e fica na divisa entre o Sul e Sudoeste do Amapá com o Noroeste do Pará. Rica sobretudo em ouro, mas também em minérios como tântalo, minério de ferro, níquel e manganês, tem grandes reservas naturais e fica próxima a áreas indígenas.

A Renca foi criada em 1984, ainda durante o regime militar. O governo mantinha em posse da União a área com alto potencial para exploração de ouro e outros minerais e restringia a busca por cobre, que era monopólio do governo.  A extinção, proposta pelo Ministério de Minas e Energia em março, permite a concessão para exploração mineral. O argumento da pasta era de que a medida seria necessária para viabilizar o potencial mineral da região e estimular o desenvolvimento econômico da região.

Mineração na Amazônia (Foto: Reuters)

Segundo reportagem do jornal O Globo, a expectativa do governo é iniciar os leilões das áreas para as empresas interessadas em explorar a área. No decreto, o governo destaca que a extinção da Renca “não afasta a aplicação de legislação específica sobre proteção da vegetação nativa, unidades de conservação da natureza, terras indígenas e áreas em faixa de fronteira”.

A área engloba nove áreas protegidas: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d`Este.

Segundo ambientalistas, com a extinção da Renca e a liberação da mineração na área, os riscos de conflitos na região aumentarão drasticamente, além de por em risco a biodiversidade natural e a existência das tribos indígenas que habitam a área.

NA CHEGADA A ALAGOAS, LULA CRITICA TEMER POR PRIVATIZAÇÃO

Foto: Ricardo Stuckert
A cidade de Penedo recebeu o ex-presidente Lula, que chegou de barco pelas águas do rio São Francisco,

A Caravana Lula Pelo Brasil chegou na tarde desta terça-feira (22) ao estado de Alagoas. A cidade de Penedo recebeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou de barco pelas águas do rio São Francisco, após a passagem de três dias em Sergipe. Ao desembarcar na cidade, Lula fez duras críticas ao atual governo e afirmou que Temer “parece marido que não trabalha e sai vendendo as coisas da casa”, ao comentar a intenção do governo federal de privatizar a Eletrobras. 

Veja as fotos do evento em alta resolução no Flickr do Instituto Lula.

“Quero saber por que os 22 milhões de empregos que criamos hoje são 14 milhões de desempregados. O Temer não sabe governar, o país era respeitado e hoje está avacalhado lá fora”, criticou Lula. Para o ex-presidente, a intenção daqueles que tiraram a presidenta eleita Dilma Rousseff é clara. “Eles não querem que eu seja candidato. Mas se eu puder ser eu vou ser pra ganhar as eleições e mostrar pra eles como se governa”, disparou.

O ex-presidente também comentou as ameaças à previdência e a política de cortes do governo Temer. “Quero saber porque querem cobrar a crise de quem tem aposentadoria rural. Eles precisam saber que o que a gente gasta com aposentadoria rural é menos do que os R$ 14 bilhões que ele gastou pra se fixar no poder”, criticou Lula. A extinção do programa Farmácia Popular também foi condenada pelo ex-presidente. Além disso, apenas em Alagoas, 21 mil famílias perderam o benefício do Bolsa Família recentemente.

Visita ao acampamento do MST

Mais cedo, Lula se despediu de Sergipe com uma passagem pelo assentamento Maria Lindaura Santos, do MST, onde 250 famílias aguardam a regularização das terras. A atividade, na cidade de Japoatã, foi acompanhada por trabalhares rurais, quilombolas e pelo o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores). 

Roteiro

A caravana Lula pelo Brasil segue de Penedo para as cidades Arapiraca e Maceió, para depois partir para o estado de Pernambuco.

ESPERANÇA E TORMENTA

 

Lula acerta ao escancarar vigor e agenda de um Brasil asfixiado pela demência neoliberal, essa que está empurrando a classe média aqui, e alhures, ao fascismo.

 por: Saul Leblon
A irrupção nazista nos EUA –aqui e lá edulcorada com o eufemismo de ‘movimento supremacista’, talvez não seja, infelizmente, apenas mais uma brotoeja racista de recorrente presença na história norte-americana.

 
Embora seja isso também, compreender e enfrentar a real dimensão do que foi enunciado em Charlestonville, na Virgínia, pode exigir mais do que reportar à tradição escravocrata dos sulistas que preferiram a guerra civil, travada entre 1861 e 1865, a aceitar a abolição da escravatura.
 
É certo que os conflitos aguçados durante a secessão nunca terminaram. Nem foram menos violentos que agora.
 
Em 1963, por exemplo, os ditos ‘supremacistas’, mais conhecidos então como Ku Klux Klan ( clube de confederados de extrema direita nascido em 1866, ao final da guerra civil), dinamitou uma Igreja Batista, em Birmingham, no Alabama, em pleno culto.
 
As bananas explosivas colocadas sob o banheiro feminino da igreja mataram quatro meninas de 11 e 14 anos.
 
Duas dezenas de pessoas ficaram gravemente feridas
 
Era o terceiro atentado em dez dias no Alabama.
 
O estado sulista tinha então como governador o ultradireitista, George Wallace, uma versão gringa de Bolsonaro antes de sua consubstanciação tropical. 
 
Sugestivamente, Wallace funcionava como um megafone da resistência às políticas federais de inclusão dos negros, entre as quais a plena integração no sistema escolar.
 
Nos protestos que se seguiram à explosão da igreja de Birmingham, a polícia de Wallace matou mais uns negros e feriu vários outros em parceria funcional com a Ku Klux Klan.
 
Era esse o diapasão da coisa e, ao que parece, ainda é.

Grandes líderes negros da luta por direitos civis, como o pastor Martin Luther King, assassinado em 1968, emergiram do Sul racista (Luther King é de Menphis, do não menos segregacionista Tenessee) para se projetarem nacionalmente em protestos que se espalharam pelos EUA nos anos 60.
 
De certa forma, o tempo histórico foi curto para fechar a cicatriz racial, turbinada no meio do caminho por novas dinâmicas de exclusão inerentes ao capitalismo.
 
Antes que os negros conseguissem incorporar seus pobres, seus bairros e, sobretudo, a sua juventude ao Wellfare State, o Estado do Bem Estar social norte-americano, a janela de convergência social que se abriu a partir do pós-guerra, com Franklin Roosevelt e o New Deal, voltou a se fechar.
 
O nacional desenvolvimentismo nos EUA, empurrado pela ascensão das ideias socialistas no mundo, duraria cerca de duas décadas. Ao final dos anos 70, já se estreitava para cerrar novamente o acesso aos excluídos.
 
Quando a mola mestra da política econômica em Washington terceirizou a questão social aos ‘atributos equalizadores dos livres mercados’, e o Estado mínimo ascendeu ao poder com Ronald Reagan –que governou os EUA entre 1980 e 1986, em sintonia com Thatcher, a Dama de Ferro que desmontou o Estado Social inglês entre 1979 e 1990, os próprios brancos pobres passaram a ter dificuldade de acesso e manutenção de direitos. 
 
Os negros que nunca haviam sido plenamente integrados sentiriam então as barreiras seculares se enrijecerem ao seu redor. 
 
Evidencias dessa coagulação da desigualdade estão marmorizadas em todas as dimensões da vida social norte-americana.
 
Não é um estoque. 
 
A engrenagem se reafirma em adicionais de perdas a cada ajuste sistêmico: desde a crise de 2008, por exemplo, a riqueza média dos negros diminuiu em um terço (31%); a dos brancos, em 11%.
 
Segue-se daí para o resto.
 
Embora representem 12% da população, os negros formam 40% da massa carcerária norte-americana.
 
As penas que recebem são, em média, 19,5 vezes maiores que as aplicadas aos brancos em situações semelhantes. 
 
Assim sucessivamente. 
 
O patrimônio dos brancos é seis vezes, em média, maior que o dos negros, cujos ganhos são a metade do dos brancos. 
 
Negros sofrem mais com o desemprego, suas crianças são expulsas das escolas três vezes mais que os filhos dos brancos. 
 
Hoje há mais negros encarcerados e sob regime de liberdade condicional nos EUA do que o contingente de escravos em 1861, quando os ‘ruralistas’ confederados pegaram em armas para impedir o estatuto do trabalho livre em suas terras.
 
Troque ‘direitos dos negros’ por ‘assentamentos’ nas terras de cana, soja e boi aqui. Ou por ‘gastança’, ‘dependência do Bolsa Família’, ‘lulopopulismo’, ‘desequilíbrio fiscal’ aqui
 
É um exercício de transposição útil.
 
Permite aquilatar o teor de nitroglicerina política e econômica subjacente à questão racial nos EUA e a dimensão tectônica que poderia ter assumido a eleição de um Barack Obama lá, em 2008, tivesse ele um grão, ao menos, do desassombro exibido por Roosevelt nos anos 30.
 
O fato de que não tenha tido explica em boa parte a derrota de sua candidata (Hillary), em novembro de 2016 para a caricatura plástica perfeita do que de pior borbulha no sistema biliar da direita na principal trincheira capitalista da terra.
 
Com Donald Trump a regressão oficializada por Reagan retoma sua marcha batida. Radicalizada agora, a ponto de incluir a revogação de um plano de saúde mínimo (Medicare), legado por Obama aos pobres, negros, velhos e desempregados.
 
O histrionismo do novo ocupante da Casa Branca inclui outros ícones dessa cepa, como a intenção surrealista de erguer um muro na fronteira mexicana para conter a migração ilegal; ou barrar o ingresso de muçulmanos no país, em nome da segurança nacional.
 
O fato de que esse apelo xenófobo, visto com reservas pelo próprio partido republicano, tenha conseguido sacudir o tabuleiro político gringo envolve explicações que vão muito além da questão racial.
 
São elas que desenham a especificidade e a gravidade histórica da nova onda de radicalização branca nos EUA em relação às anteriores.
 
Dados demográficos são importantes à compreensão do biombo racial que recobre o novo tabuleiro.
 
As chamadas ‘minorias’, em avanço palatável há décadas no setor de serviços norte-americano, nas atividades desdenhadas pela aspereza e os baixos salários, passaram a figurar como estorvo, quando a crise de 2008 empurrou desempregados brancos a disputarem vagas no mesmo socavão.
 
Não é uma colisão de magnitude negligenciável.
 
Os latinos, por exemplo, somam atualmente 56 milhões de pessoas numa população total de 320 milhões. É mais que o contingente de negros (46 milhões); mais que o dobro dos asiáticos (21 milhões).
 
No conjunto, as minorias representam 38% da demografia norte-americana. 
 
Em 2050, um em cada três norte-americanos será hispânico.
 
Em 2019 essa ‘minoria’ já predominará no registro de nascimentos no país de Trump e dos ‘supremacistas’.
 
Parece linear. Mas não é.
 
Movimentos de extrema-direita também arrebanham segmentos da classe média fora dos EUA, espalham-se por várias outras metrópoles do mundo, inclusive no Brasil d MBL.
 
Em alguns casos, o estopim da radicalização são os refugiados muçulmanos, os imigrantes africanos, ‘os turcos’ etc.
 
Em outros, o ‘lulopetismo’, ‘a gastança’, ‘a dependência do Bolsa’,’ os nordestinos’, ‘o lavajatismo’ empunhado pelos juízes particularizadores da impessoalidade e universalidade da lei.
 
Trump não pode ser apontado como o criador das criaturas de tochas nas mãos e ódio no peito que alhures perseguem refugiados e já se abalam em cerca-los no mar para impedir o desembarque em algum pontão ou cemitério europeu.
 
Transformações estruturais registradas desde o final dos anos 70 nas engrenagens financeira e produtiva do capitalismo global, com forte incidência na meca norte-americana, mas não só, impulsionam a grande marcha da intolerância –respondida e acentuada pela onda de atentado nos quatro cantos do mundo.
 
A verdade é que Trump, os nazistas americanos e europeus, assim como a ressonância de bolsonaros e dórias aqui, a epidemia de atentados, as legiões dos náufragos das guerras, das catástrofes ambientais e da fome, são faces de uma mesma erupção da desordem capitalista mundial, agravada de forma assustadora a partir de 2008.
 
Assustadora, em primeiro lugar, porque não tem solução política à vista.
 
Em segundo lugar, porque as soluções oferecidas pela direita, por Trump, por exemplo –‘America First’— ao não entregarem o retorno à bonança do pós-guerra, desencadearão uma onda ainda maior de ressentimento, levando corredeiras brutas aos moinhos de cruz de malta.
 
A engrenagem comum que articula esse circo de horrores precisa ser entendida para ser desmontada a tempo.
 
Antes que seja tarde demais.
 
Nas últimas quatro décadas, a criatividade democrática –aqui e em todos os lugares– teve sua voz esganada pelas mãos da supremacia dos livres mercados, enquanto prosperava a desintegração silenciosa dos contrapesos ao fascismo.
 
Nos EUA, os segmentos de renda média –famílias operárias e a classe média intermediária– foram debulhados em três golpes sucessivos.
 
Nos anos 70/80, com o encolhimento da indústria norte-americana e dos empregos, deslocados para a fronteira asiática de mão de obra barata e alta produtividade.
 
Em 2008, com o fechamento da válvula de escape do crédito farto e barato ancorado em boa parte na ‘corrente’ imobiliária, cuja implosão submeteu amplos segmentos médios e pobres a um novo regime de orfandade financeira, social e patrimonial.
 
Finalmente, nos anos recentes, com a revolução 4.0, a da robotização e da inteligência artificial; na sua esteira, o mercado de trabalho global vive um novo upgrade de eliminação de vagas, especialmente nas faixas de média e baixa especialização.
 
As três bombas desfechadas contra o chão econômico do sonho americano –simbolizado nas imagens da classe média afluente e confiante dos anos 50, 60 e 70– esfarelaram o centro político, econômico, simbólico, imagético e real do capitalismo. 
 
Dessa corrosão histórica emergem novas e velhas formas de incerteza, medo, ressentimento e ódio contra o pobre, as políticas sociais, os partidos, os líderes que expressam a voz dos de outra cor, outra origem social, outra língua, outra religião, outra cultura. 
 
Trump assentou nesses escombros a promessa nostálgica da sua ‘América First’ que dificilmente cumprirá. 
 
Entre outras coisas, ela exigiria uma diáspora de retorno impossível do parque industrial americano instalado na China e, mais remoto ainda, devolver a pasta de dente da financeirização hegemônica no capitalismo norte-americano e global ao tubo amarrotado da era produtiva.
 
Nessa tensão entre a promessa utópica e a impossibilidade estrutural de o sistema andar para trás, reside a singularidade de uma irrupção nazista de preocupante aderência histórica, a transcender largamente o fôlego do conflito racial, ainda que se expresse através dele.
 
Que isso lembre um pouco os anos 30 e o sentimento de orfandade que a dilapidação imposta pelo Tratado de Versalhes gerou na classe média e operária alemã, com as consequências sabidas, não é um despropósito.
 
O sentimento de desigualdade nunca foi tão onipresente nos EUA.
 
Exceto a classe média alta que engatou seu destino ao fastígio financeiro, a renda das camadas médias norte-americanas encontra-se praticamente estagnada, em termos reais, desde 1977, mesmo com um PIB 60% maior.
 
Curto e grosso: o sistema capitalista mais poderoso da terra vive uma ruptura de padrão social. 
 
A legião dos ‘loosers’, os perdedores, passou a ocupar a centralidade que a ‘afluência’ exercia na vida da nação.
 
As consequências são imponderáveis.
 
Trump personifica essa imprevisibilidade que já assusta até os generais do Pentágono.
 
As vísceras da nação capitalista mais poderosa da Terra não param de se contorcer.
 
Desde a depressão dos anos 30, a clientela predominante das políticas sociais nos EUA era formada de crianças e idosos.
 
Desde os anos 80, o segmento que mais cresce dentro dela é a dos trabalhadores com alguma formação universitária.
 
Salários baixos, empregos precários foram responsáveis por 13% da expansão recente do programa – contra 3,5% entre 1980 e 2000.
 
O único segmento de trabalho que cresce ininterruptamente nos EUA nos últimos sete anos e meio é o de garçom e barman. Salário médio: US$ 330 por semana.
 
O ovo foi chocado no fastígio do ciclo, de 1997 à crise de 2008, quando 90% dos lares norte-americanos viram sua renda cair.
 
O neoliberalismo semeava perdedores em massa, anestesiados por doses cavalares de crédito, enquanto a mídia incensava as virtudes do Estado mínimo instaurado por Reagan, e das finanças desreguladas –obra ciclópica do democrata amigo de FHC, Bill Clinton.
 
Apenas 1% das famílias norte-americanas ascendeu à faixa de renda superior a meio milhão de dólares anuais na grande festa neoliberal dos últimos quarenta anos. 
 
Aos demais coube a decadência, em suas variadas manifestações. Do holerite perdido, à casa hipotecada, passando pelo sofá puído –e os laços familiares esgarçados.
 
Pelo dilúvio de opiáceos, por exemplo.
 
Segundo o The New York Times, em 2016 as drogas mataram mais do que nunca no país: mais que as vidas perdidas nos 19 anos de Guerra no Vietnã. 
 
Foram trinta e cinco mil mortes decorrentes do consumo de heroína pura ou misturada com opiáceos sintéticos, informa o El País. 
 
O composto de uso mais comum desde 2010, 50 vezes mais forte do que a heroína, é o fentanil –que matou Prince, em 2006. Outro, o carfentanil, 100 vezes mais potente, é capaz de sedar um elefante de seis toneladas. Com uma pitada.
 
Esse é o calibre do desespero que eventualmente transborda em ódio nazista nas ruas de Charlestonville.
 
Distribuir riqueza nunca foi o forte do capitalismo. 
 
Mas nas últimas décadas a supremacia da desregulação econômica e financeira conseguiu dar envergadura inédita à palavra desigualdade.
 
Quarenta anos de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associados a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados e o endividamento suicida de famílias e de Estados ‘mínimos’ –coagidos a emprestar de quem deveriam tributar, romperam o circuito de formação da renda.
 
Os empregos formais estáveis, com bons salários, murcham e murcharão a tal ponto que deles já não se esperar mais que funcionem como pivô de irrigação da demanda e da convergência social.
 
Nada disso é obra de Trump.
 
Foi o esfarelamento anterior –estrutural– que produziu a atual ‘estagnação secular’ feita de baixa demanda e investimento, elevada incerteza e explosivo ressentimento com a política, o Estado e a democracia.
 
A ordem dos fatores lança um alerta à encruzilhada brasileira atual.
 
A demanda por recheios distintos da rendição aos mercados vai crescer e acabará produzindo a sua oferta.
 
Para o bem, ou para o mal, como se vê nos EUA, na epidemia de atentados na Europa, no impasse dos refugiados no mundo e na radicalização conservadora na América Latina.
 
Uma heroica reorganização das forças progressistas, ou a sua não menos ciclópica derrota diante de manifestações direitistas ascendentes, é o que pulsa no monitor da história.
 
A caravana de Lula pelo Nordeste nesse momento tem um valor inestimável.
 
Ela escancara o rosto, a energia e a agenda de um outra lógica asfixiada pela narrativa conservadora, escondida pela mídia, reprimida pelo martelete fatalista da redenção pelo arrocho e a expropriação de direitos.
 
A simples imagem desse Brasil irredutível às promessas de uma eutanásia social regeneradora já desautoriza e estremece a narrativa dominante.
 
Sobretudo, porém, evidencia a eficácia do desassombro no repto ao cerco conservador.
 
O passo seguinte da caravana da esperança é desafiar esse bunker nos domínios de sua pedra angular.
 
Com a dose necessária de desassombro para trazer uma parte da classe média brasileira para fora da agenda do golpe.
 
Sim, não é fácil.
 
Convencer uma sociedade a abraçar uma experiência ainda não vivida costuma ser assunto para revoluções.
 
Mas a façanha que se exige para afrontar a engrenagem fascistóide em marcha não pode se pautar pelo acanhamento ou fracassará esfericamente.
 
Contra a espiral descendente vivida globalmente pelas faixas de renda média, é inútil prometer uma ‘volta’ a uma estabilidade fiscal que na verdade nunca existiu.
 
Nem existirá, sem uma reforma tributária corajosa que erga linhas de passagem à classe média e aos pobres, aliviando seu fardo para taxar os endinheirados, patrocinadores seminais do golpe e do arrocho brasileiro.
 
Como mostrou em recente artigo (Folha,12/08) o economista Sergi Gobetti, a classe média aqui, com renda de R$ 7.000 mensais, considerada rica, é tão vítima da injustiça fiscal quanto os pobres. 
 
Ambos são proporcionalmente mais taxados que os ricos, sem obter retorno equivalente de serviços públicos dignos.
 
‘Os realmente ricos, que vivem de expressivos lucros obtidos das empresas em que são acionistas e do dinheiro aplicado no mercado financeiro -cuja tributação é menor do que sobre salários’, explica Gobetti, ‘somam 70 mil pessoas (0,05% da população ativa) ganham, em média, R$ 5 milhões anuais e concentram 8,2% da renda nacional’.
 
Pouco taxados, são eles também, junto com bancos e corporações, os que emprestam ao Estado adquirindo títulos de uma dívida pública que avança para atingir 80% do PIB e lhes devolve 6,9% do PIB em juros, todos os anos.
 
É nesse sumidouro rentista que se degradam e escasseiam os serviços públicos, de cuja qualidade os pobres e a classe média que paga imposto se ressentem com razão.
 
À descrença, ao medo, à incerteza e à angústia que flertam com o autoritarismo trata-se, portanto, de contrapor o horizonte de uma rede de segurança feita de serviços públicos e de espaços públicos de inédita audácia e qualidade. 
 
Cidadania abrangente e enriquecedora, capaz de recompensar em larga medida as oscilações e revezes de um mundo profissional, e de renda, globalmente cada vez mais adverso à classe média e aos pobres.
 
Não é fácil, repita-se, vencer o descrédito e a resistência ao novo, quando a matraca conservadora emite falsos salvo-condutos de regressividade e apartheid.
 
Mas quando se tem como alternativa, pela enésima vez, a receita embolorada de um arrocho que antecipa no fracasso da meta atual o desastre da seguinte, a demanda pelo novo torna-se quase visceral.
 
O instinto de sobrevivência de amplas camadas sociais aderna entre o novo e o fascismo.
 
A ‘des-emancipação’ social em massa preconizada pelo golpe de 2016 no Brasil atingirá a presente geração, a anterior, dos idosos, e a futura, da juventude.
 
E não apenas dos pobres, mas também das faixas médias de renda, seus filhos e netos, que já patinam no meio fio do mercado e da cidadania. 
 
Refém de uma armadilha ideológica que transfere ao mercado tarefas das quais ele não pode se desincumbir, a população brasileira pode ser arrastada a uma liquefação da economia e da sociedade na qual não haverá ganhadores, só derrotados.
 
Um recomeço efetivo exige outra coisa. 
 
Exige uma repactuação política fiadora de um novo ciclo de investimentos estatais e privados, que afronte o esgarçamento industrial ali onde o país ainda dispõe de competitividade. E, sobretudo, expanda e renove maciçamente a infraestrutura e os serviços públicos, para erguer um abrigo de direitos no qual a cidadania se reconcilie e resgate a confiança no poder da democracia para construir uma nação verdadeiramente de todos.

CONTRA O FASCISMO, A SAÍDA É PELA ESQUERDA

Movimento de supremacia branca é o estado de barbárie pura. Nazismo e fascismo não são de esquerda, a saída é que é pela esquerda.

 

Antes de começar este vídeo eu tenho duas ressalvas. A primeira é: se você é desses que acha que nazismo e o fascismo são movimentos de esquerda, desliga este vídeo e vai ver outro vídeo explicando que o nazismo e o fascismo não são de esquerda. São de extrema-direita.

O que eu vou falar não quer dizer que eu estou defendendo regimes totalitários. Tá? A esquerda não é sinônimo de regime totalitário. Assim como a direita não é. Regimes totalitários são regimes totalitários, e eles podem acontecer tanto na direita quanto na esquerda.

Regimes democráticos, por sua vez, também. Eu já estou respondendo previamente a qualquer idiotice que falarem depois.

Dá muito horror, um estado de barbárie pura, movimento de supremacia branca. Gente falando “eu sou nazista mesmo”. O crescimento de um discurso racista, de um discurso homofóbico, de um discurso contra políticas sociais e contra os direitos humanos.

A gente já falou isso várias vezes. Mas por mais que a gente fale, parece que o negócio só cresce. No Brasil, a luta pelos direitos, pela diversidade, pelo livre culto, pelos direitos da mulher, pela igualdade de gêneros, pela igualdade de raças, de etnias é uma pauta encampada pela esquerda.

Por mais que você se ache liberal, atualmente, vocês liberais, cultuadores do deus mercado, estão associados ao pior tipo de gente que existe.

Eu não sei direito como vocês fazem essa associação, mas vocês estão associados a isso. E eu colocaria a minha mão na consciência um pouquinho para sair dessa.

Quando a gente rege todo governo e toda política e todas as benfeitorias que um governo tem que fazer por um discurso liberal, que é um discurso do livre mercado onde o mercado regula tudo, a gente automaticamente despessoaliza a discussão. A gente começa a olhar só para índices, para a queda da bolsa de Tóquio, para a alta do dólar ou baixa do dólar. Para uma entidade abstrata que vocês cultuam que chama mercado, que não existe, pessoal!

Se você coloca essa invenção humana na frente do humano, não tem como dar certo. Aí você abre campo para uma discussão contra o humano passar batida. Porque o que interessa é o livre mercado. Então sai desse transe do livre mercado, amor.

É sobre lutar contra o fascismo, sim. É sobre defender a vida, sim. É sobre defender direitos iguais para todo mundo, sim. Eu vou repetir: se você não acredita em direitos iguais para todos, se você diz essas bobagens de “direitos humanos para humanos direitos” não tenho o que te falar. Dar reboot no seu cérebro. Falar de supremacia branca no Brasil, risos.

Então, contra o fascismo, a saída é pela esquerda.

COLLOR VIRA RÉU EM PROCESSO DA LAVA JATO NO SUPREMO

Collor vira réu em processo da Lava Jato no Supremo

Site Justificando.

Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou hoje (22) denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Fernando Collor (PTC-AL) pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Com a decisão, Collor vira réu nas investigações da Operação Lava Jato.

A PGR acusa o parlamentar de receber R$ 29 milhões em propina pela suposta influência política na BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, além de Collor, estão envolvidos no suposto esquema a mulher do senador, Caroline Collor, e mais seis acusados que atuavam como “operadores particulares” e “testas de ferro” no recebimento dos valores.

Os ministros  Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello seguiram o voto do relator, Edson Fachin. Sem entrar no mérito das acusações, que serão analisadas ao fim do processo, Fachin entendeu que a denúncia contém os indícios legais que autorizam a abertura de ação penal contra o senador.

Leia mais: União deve readmitir servidores públicos demitidos na reforma do governo Collor

Supremo retoma julgamento de denúncia da PGR contra Collor

A denúncia afirma que o senador comprou carros de luxo com o dinheiro da suposta propina. Entre os veículos estão um Lamborghini, avaliado em R$ 3,2 milhões, uma Ferrari (R$ 1,4 milhão), um Bentley e duas Land Rover. Em julho de 2015, os carros de luxo foram apreendidos na residência particular do senador em Brasília, conhecida como Casa da Dinda.

Outro lado

Na semana passada, durante a primeira parte do julgamento, os advogados de Collor defenderam a rejeição da denúncia. O defensor de Collor sustentou durante o julgamento que não há provas de que o parlamentar teria recebido dinheiro desviado. Para o advogado Juarez Tavares, não há ato de ofício que possa comprovar contrapartida por parte do senador para receber a suposta propina.

“Não há prova efetiva de que o senador Collor de Mello tivesse recebido dinheiro destas entidades às quais estaria vinculado, ou seja, a BR Distribuidora, os postos de gasolina ou as empresas privadas às quais fazia contrato. Não há uma prova de que o ingresso nas contas do senador advém dessas empresas ou de atos vinculados à realização desses contratos”, disse o advogado.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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