Arquivo para 22 de dezembro de 2017

MAURO SANTAYANA: LULA, A CAÇA E OS CAÇAS

ABSURDOS

É cristalina a obviedade: as diferentes ações contra Luiz Inácio Lula da Silva visam interferir com o curso da História – desrespeitando a vontade popular –, e mudar o resultado das eleições de 2018
por Mauro Santayana.
 
RICARDO STUCKERT

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Contra favoritismo apontado por todos os institutos para 2018, parte do judiciário e da mídia disparam ações e processos judiciais sem fundamentações contra Lula, desmoralizando o país e os brasileiros no cenário internacional

Um juiz de Brasília marcou para o dia 20 de fevereiro do ano que vem o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo em que o petista é réu na Operação Zelotes – no caso do desenvolvimento conjunto com a Suécia dos novos caças-bombardeios Gripen NG-BR – por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e “organização criminosa”.

A acusação é absurda por várias razões.

A primeira, porque se dependesse de Lula, a escolha recairia sobre os caças franceses Rafale, cuja compra ele chegou a sinalizar logo após a visita do presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2009, em troca, entre outras coisas, da aquisição de 12 aeronaves Embraer de transporte militar KC-390 pela França.

A segunda é que a decisão foi técnica – e nela os franceses foram derrotados – e esteve a cargo de uma numerosa comissão de funcionários de carreira da Força Aérea, como já afirmaram, judicialmente, o atual e o então ministro da Aeronaútica, brigadeiros Nivaldo Luiz Rosseto e Juniti Saito, em depoimento.

A terceira, é que a decisão em favor dos caças Grippen não foi tomada em seu governo, mas sim no governo Dilma Roussef, em 2013, depois que Lula já tinha deixado a Presidência da República.

Então, o que está por trás desse processo?

A vontade de aparecer, que garante a quem processa Lula, com rapidez e brilho – mesmo que fugaz – seus cinco minutos de fama?

O afã de corroborar, quantitativamente, o discurso de quem diz, nas redes sociais, que um sujeito com tal número de acusações só pode ser mesmo um bandido, ainda que todas sejam furadas, seguindo a peculiar atitude moral – ou rasteiramente imoral ?– de um país em que a mera delação de qualquer vagabundo, ou de sujeitos ameaçados de prisão indefinidamente prorrogada, virou atestado – passado em cartório – de culpabilidade?

Ou a intenção da “justiça” é tentar jogar o maior número possível de acusações contra Lula, para ver se, no final, pelo menos uma delas “cola”, justificando não apenas a cassação indireta de sua candidatura, mas também a sua ida para a cadeia, como ocorria nas fábulas lupinas de Jean de La Fontaine?

O “novo” episódio dos caças apenas demonstra, com clareza cristalina aos olhos do mundo, a obviedade de uma situação que não pode mais ser ignorada: Luiz Inácio Lula da Silva transformou-se em caça de um processo múltiplo de diferentes ações de uso político da justiça, cuja consequência final e somada será a de se interferir com o curso da História – desrespeitando a vontade popular, já manifestada em inúmeras pesquisas, conduzidas pelos maiores institutos do país – e mudar o resultado das eleições presidenciais no Brasil de 2018.

Desse processo de caça toma parte o deslavado adiantamento, em tempo recorde, do julgamento em segunda instância dos recursos apresentados pela defesa de Lula, no caso da estapafúrdia condenação de uma pessoa pela posse de um apartamento que não está nem nunca esteve em seu nome, em uma espécie de justiça supostamente antecipada só comparável às ações de combate ao “pré-crime” da polícia norte-americana do ano de 2054 do filme de ficção científica Minority Report.

Uma decisão surreal e fantasiosa da justiça, que, condenando Lula por uma suposta tentativa de ilícito, deveria, pela mesma razão, condenar o segundo colocado nas pesquisas, por receber e estornar dinheiro de financiamento de campanha oriundo de uma empresa investigada de volta aos cofres de seu partido.

Configurando tudo isso um claro e grotesco golpe político que está ridicularizando o judiciário nacional aos olhos de seus pares de outros países.

É esse também o caso da ação relativa ao aluguel do apartamento do Sr. Glauco Costamarques, que, ou mentiu para a Receita Federal, ou está mentindo agora – sabe-se lá em razão de que tipo de ameaça – quando diz que não recebeu da família Lula o valor dos aluguéis – tornando-se, portanto uma testemunha ou delator não confiável, em um processo polêmico e controvertido.

Logo, eivado de dúvidas, em que abre-se mão da perícia de documentos para ficar, nas palavras do Ministério Público, com uma suposta “prova oral” – eufemismo para ‘disse me disse’ ou para deduragem condicionada, que todo mundo sabe que não pode ser usada como prova – como se a justiça brasileira tivesse se transformado subitamente em uma espécie de colégio onde, para “passar”, o indivíduo tenha que fazer, como aluno obediente à gigantesca farsa que tomou conta do país, prova “oral” ou prova “escrita”, sempre que não se consegue comprovar, indubitavelmente, coisíssima nenhuma.

Finalmente, com relação às decisões do Ministro Gilmar Mendes, do STF, Deus – antes tarde do que nunca – também escreve certo por linhas tortas.

E, como ocorre desde o início desse nefasto processo político-judicial-midiático, quem cair na defesa fácil e demagógica do pseudo moralismo hipócrita que tomou conta do país estará defendendo – independentemente de sua opinião pessoal sobre o personagem em questão – o fascismo e a arbitrariedade.

Ao proibir a realização de conduções coercitivas, “nazistamente” utilizadas em mais de duas centenas de casos pela Operação Lava-Jato, em “redadas” só comparáveis às realizadas pela Gestapo ou pela KGB nos piores tempos de Stalin, e sequer autorizadas nem mesmo nos Estados Unidos da época do Macartismo, Gilmar Mendes abre caminho para que o STF, se quiser, recoloque, no Brasil, os pingos nos is, restituindo, ao menos em parte, o império da lei e do Estado de Direito e escape – segundo o próprio ministro – do implacável julgamento da História, que não é feito pelo abjeto e oportunista jornalismo do dia seguinte, mas por verbetes como este, relacionado ao próprio macartismo, que não está longe – muito pelo contrário – do retrato do que o Brasil tem vivido nos últimos quatro anos:

“Durante o macartismo, milhares de americanos foram acusados de ser comunistas ou simpatizantes e tornaram–se objetos de agressivas investigações e de inquéritos abertos pelo governo ou por indústrias privadas. O principal alvo das suspeitas foram funcionários públicos, trabalhadores da indústria do entretenimento, educadores e sindicalistas.

As suspeitas eram frequentemente dadas como certas mesmo se fossem baseadas em evidências inconclusivas e questionáveis e se o nível de ameaça representado pela real ou suposta afiliação do indivíduo a ideias ou associações de esquerda fosse exagerado. Muitas pessoas perderam seus empregos e/ou tiveram suas carreiras destruídas e muitos foram presos.

A maioria das punições foram baseadas em julgamentos que mais tarde foram anulados, leis que foram declaradas inconstitucionais, demissões por justa causa que foram declaradas ilegais [ou contestáveis] e procedimentos extrajudiciais que entrariam em descrédito geral no futuro.”

Alguma dúvida de que isso ocorrerá também com a Lava Jato ?

registrado em:          

 

PAPO COM ZÉ TRAJANO

MENSAGEM DE BOAS FESTAS DE LULA AO POVO: “UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO MELHOR PARA TODOS OS BRASILEIRO! 2018 ESTÁ CHEGANDO!

É A PERCEPÇÃO DO POVO, ESTÚPIDO. POR LAUREZ CERQUEIRA

opinião pública

Por Laurez Cerqueira

Diálogo num posto de gasolina:

– Ponha vinte contos.

– Cartão ou dinheiro?

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– A gasolina tá cara, né?

– Rapá! E o gás?

– Tiraram a Dilma dizendo que ia melhorar, mas piorou! …

Aqui no posto é carteira assinada?

– Era. O patrão demitiu todo mundo. Agora a gente trabalha por hora.

– Na padaria, onde eu trabalho, também. Até eu, padeiro, trabalho por hora.

– Todo mundo aqui está recebendo metade do que recebia com carteira assinada. E não tem mais tiket alimentação, transporte, férias, décimo terceiro, aquelas coisas que tinham, né?

– Voltou a escravidão.

– Eu sou solteiro, me viro, mas já pensou quem tem mulher e filhos?

– Meu patrão é mau. Vive gritando com a gente como se nós fossemos escravos. Só falta o chicote.

– O meu, nem aqui vem. Ele tem 12 postos de gasolina. Botou um gerente que anota até o tempo que a gente vai ao banheiro. Desconta tudo. Chega no fim do dia a gente recebe sem saber quantas horas trabalhou.

– Rapá! Lá na padaria também está assim. E se reclamar vai demitido. Tem hora que eu fico tão nervoso, revoltado, que me passa umas coisas malucas na cabeça.

– É muita humilhação! A gente virou escravo mesmo. Não temos mais direitos. Tive que vender meu Monza. Meu ganho aqui caiu muito. A gasolina e o gás diapararam, e eu não estava conseguindo pagar conta de celular e as prestações.

– Escravidão? Mate o patrão!

– Tá doido, véi!

– Não estou doido não.

Hoje mesmo o gerente me chamou pra conversar. Disse que eu estou muito lerdo, que tem muita gente querendo meu lugar.

Eu me matando de trabalhar, chego em casa morto de cansado, no dia seguinte pego dois ônibus, venho pra cá e fico ouvindo essas coisas do gerente o dia inteiro, ganhando uma miséria. Tem hora que dá vontade mesmo, de fuzilar.

– Eu, tenho que chegar na padaria quatro horas da manhã, e é a mesma coisa: o patrão gritando comigo e me ameaçando.

Tem hora que dá vontade mesmo.

(*) O gerente grita com o frentista, manda ele encerrar o atendimento e o chama para lavar carro, no Lava-Jato.

A gangorra política está se invertendo. O manto da mentira, que cobria o golpe de estado, se esfarrapou.

A reforma trabalhista, a terceirização, e a perseguição implacável da “operação Lava-Jato” ao ex-Presidente Lula, parecem ser os fatores causadores do maior desgaste do golpe, na opinião pública, por baterem na porta das casas dos trabalhadores brasileiros como anúncio de empobrecimento, de roubo da renda e de direitos, e pelo fato de juízes e procuradores mergulharem a justiça no pântano da descrença nas instituições.

A divulgação da folha de pagamento mostrando a corrupção de juízes, desembargadores e procuradores recebendo muito acima do teto salarial determinado por lei tem causado revolta e indignação na sociedade, e, evidentemente, a perda de confiança e respeito pela justiça, um dos mais preciosos bens da democracia.

A demissão em massa, em todo o país, de quem tinha carteira de trabalho assinada, para contratação em regime de trabalho intermitente (por hora), está reduzindo drasticamente o ganho dos trabalhadores e bloqueando a mobilidade social.

Enquanto isso, a mídia mente, afunda também no descrédito, dizendo que a economia está crescendo e o Brasil saindo da crise.

Os órgãos que cuidam das informações oficiais, por sua vez, desmentem o noticiário.

A construção civil, por exemplo, setor que mais emprega, teve uma queda neste ano de 6%, com demissão de 105 mil empregados. O setor de serviços, até outubro já havia acumulado queda de 3,4%. Na comparação do acumulado no ano até setembro de 2017 e igual período de 2016, a queda da indústria chega a 3,4%.

As mentiras do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallangnol também estão na praça, à luz do dia. A injustiça deles está nua. Ficaram claras a perseguição ao ex-Presidente Lula e a proteção a Aécio Neves, um dos principais conspiradores do golpe, e dos tucanos envolvidos em corrupção, todos impunes.

A credibilidade da “operação Lava-Jato” e de Sérgio Moro estão ruindo, segundo pesquisa do Instituto Ipsos, enquanto o ex-Presidente Lula dispara na preferência do eleitorado, em todos os institutos de pesquisa, podendo ser eleito no primeiro turno das próximas eleições.

É sintomático o fato de os magistrados do Tribunal Federal de Recursos (TRF-4) apressarem o julgamento do recurso do ex-Presidente Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo, sem provas, e marcarem para o próximo dia 24 de janeiro. Eles perceberam o desmoronamento da credibilidade da Lava-Jato.

Outro fato relevante foi a atitude do procurador Deltan Dallangnol, que, por não conseguir nenhuma prova, recusou os recibos originais e periciados apresentados pelos advogados de defesa, de pagamento do aluguel de um apartamento que prova não ser o ex-presidente proprietário do imóvel.

Por outro lado, as redações da grande mídia se desesperam. Recorrem ao estoque de mentiras e crueldades de autoridades da Lava-Jato para disseminar, dia e noite, ódio contra o ex-Presidente Lula, a fim de legitimar as ações de Moro e Dallangnol.

Âncoras e comentaristas, nas telas, não se conformam e não conseguem conter a aflição ao verem a gangorra virar contra eles.

Se fosse apenas um ou outro instituto de pesquisa que tivesse revelado a opinião pública e a avaliação política dos brasileiros sobre o golpe, a operação Lava-Jato e a preferência eleitoral para a próxima eleição, poderia até ser questionado.

Mas são todos os institutos de pesquisa que demonstram claramente uma mudança rápida e radical da percepção da população sobre o que está acontecendo no Brasil.

Por mais dinheiro que Temer tenha injetado nas grandes corporações de mídia, para garantir apoio ao golpe, a realidade se impõe e o povo percebe o jogo político.

Os grupos Abril e Globo, por exemplo, andam mal, beirando o precipício, tendo que reduzir custos, mais uma vez, e demitir empregados.

A revista encalha nas bancas e os telejornais despencam os índices de audiência.

Algo parecido acontece com os livros sobre o juiz Sérgio Moro e a operação Lava-Jato, e com o filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”: um fracasso.

É a percepção do povo, estúpido!

“DESIGUALDADE EXISTE PORQUE O CAPITAL É A PRIORIDADE, NÃO OS DIREITOS HUMANOS”

VOO BAIXO

Vinte e cinco anos após a descoberta dos Arquivos do Terror, que denunciaram a existência da Operação Condor, o advogado paraguaio Martin Almada diz que seus princípios da ação continuam vigentes
por Sarah Fernandes, para a RBA.
 
GOVERNO EUA – DEPTO. DE ESTADO
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Manifestação de apoio ao governo progressista de Salvador Allende, no Chile. Após golpe que levou Pinochet ao poder, país promoveu perseguições, torturas e mortes, sob comando da Operação Condor

São Paulo – Em 22 de dezembro de 1992, há exatos 25 anos, ocorria um fato que mudaria para sempre a história política da América Latina: o advogado paraguaio Martín Almada, acompanhado pelo juiz José Agustín Fernández, encontrava quatro toneladas de documentos sobre atividades da polícia secreta paraguaia na ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o país por 35 anos (de 1954 a 1989). Os papéis ficaram conhecidos como Arquivos do Terror e denunciaram ao mundo à existência da Operação Condor, uma aliança política entre os vários governos militares da América Latina, com respaldo da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), para coordenar a repressão a opositores e eliminar seus líderes.

Dias antes, Almada havia recebido uma ligação de uma testemunha que o orientou onde estariam os arquivos: em uma pequena delegacia no interior do país. O advogado apenas buscava provas de que ele próprio havia sido torturado e que sua mulher, Celestina Pérez de Almada, fora assassinada. Porém, comprovou a existência de uma aliança multinacional para aniquilar opositores políticos. Anos depois, restabelecida a normalidade democrática naqueles países, os mesmos documentos serviram de base para a atuação das respectivas Comissões da Verdade, que por sua vez levaram à punição de diversos militares.

A descoberta rendeu a Almada o Prêmio Nobel Alternativo em 2002 e marcou sua trajetória de décadas de luta pelos direitos humanos.

Em entrevista à RBA, Almada, 80 anos, defende que parte dos interesses da Operação Condor continua vigente na América Latina, interferindo em governos populares para fortalecer grandes grupos econômicos estrangeiros e neoliberais. “Essa é a característica da nova fase do Condor: permitir que grandes empresas ocupem as ruas e os meios de comunicação de massa”, diz o advogado, que publicou em 2015 seu último livro sobre o tema, chamado O Condor Segue Voando. “Impera uma concepção econômica e neoliberal vinculada ao endividamento externo”, explica.

A atual crise política de Honduras, o golpe parlamentar contra o presidente paraguaio Fernando Lugo, em 2012, e o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016 são, para Almada, “golpes brancos” com interesse de devolver a América Latina à posição de colônia. “Os governos atuais do Brasil e da Argentina estão alinhados com grandes empresários”, diz. “Fundações dos Estados Unidos se articulam para enfraquecer governos de esquerda e abrir espaço para empresários defensores do livre mercado. A derrubada de Dilma foi apoiada por organizações como o Instituto Millenium, que recebe recursos do Bank of América Merrill Linch.”

Confira a entrevista:

Como esta descoberta (sobre os Arquivos do Terror) influenciou o desenvolvimento da democracia nestes países?

A Argentina foi o país que até pouco tempo atrás liderou a defesa dos direitos humanos na América Latina. Outros países do Cone Sul seguiram com militares nostálgicos da ditadura e promoveram uma transição de regimes supostamente democrática, gradual e segura. Apesar do descobrimento dos Arquivos do Terror e da Operação Condor, que comprometem os genocidas da região, impera em muitos países um pacto de silêncio, que na prática significa um pacto de impunidade. O descobrimento dos Arquivos do Terror deu lugar a uma democracia de fachada.

Em muitos países da América Latina o Judiciário acaba dando suporte ao Poder Executivo e ao Congresso Nacional e criando brechas jurídicas, algumas inclusive para atender interesses estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos. O Poder Judiciário no Cone Sul é o mais caro do mundo, apesar de não ser um dos mais eficientes e de não ter promovido o desenvolvimento esperado da democracia.

O senhor afirma em seu livro que a Operação Condor não acabou. De que forma ela segue atuando na América Latina hoje em dia?

ARQUIVOMartin Almada 1.jpgO advogado Martín Almada, que descobriu documentos que comprovaram a existência da repressão coordenada entre países da América LatinaUma das provas de que o “Condor segue voando” são os sucessivos ataques à democracia na região. Entre eles estão o golpe militar em Honduras em 2009 contra o então presidente Manuel Zelaya, o golpe parlamentar contra o governo constitucional de Fernando Lugo no Paraguai em 2012 e, nas últimas três semanas, a vitória contestável do conservador Juan Orlando Hernández para a presidência de Honduras, um candidato apoiado pelo governo norte-americano que se impôs provocando repressão e mortes.

A cada dois anos, exércitos de pelo menos 20 países das Américas se reúnem na Conferência de Exércitos Americanos (CEA). Há fortes indícios de que na 21ª edição, ocorrida em 1995, em Bariloche (Argentina), os participantes trocaram listas de nomes de pessoas de toda a América Latina consideradas subversivas. Esteve presente o ditador chileno Augusto Pinochet, que foi o único a não apoiar a democracia, com o argumento que o comunismo poderia se esconder atrás dela. A conferência se apresenta publicamente como uma ação para levar apoio aos mais necessitados, mas se omite totalmente da reparação de pessoas vítimas de terrorismo de Estado.

Outro indício de que os interesses da Operação Condor persistem é o funcionamento da Escola das Américas (instituição fundada em 1946, no Panamá, para treinar soldados latino-americanos em técnicas de guerra e contra insurgências. O centro funciona na Geórgia, nos Estados Unidos, desde 1984 e atualmente foi rebatizada de Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental). O padre católico norte-americano Roy Bourgeois – que há 25 anos montou um movimento contra a instituição, a chama de “Escola de Assassinos” – e defende que diversos torturadores e violadores de direitos humanos se formaram ali.

Que tipo de interferência os Estados Unidos exercem sobre a América Latina hoje e como ela se alterou desde a Operação Condor?

Algumas fundações norte-americanas se articulam para enfraquecer a permanência de governos de esquerda na América Latina, para abrir espaço para empresários reacionários defensores do livre mercado. A derrubada da ex-presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, foi apoiada por organizações não governamentais como o Instituto Millenium, do Rio de Janeiro, que desde 2006 recebe apoios financeiros de grandes corporações, como o Bank of América Merrill Linch, Grupo RBS e Grupo Gerdau.

Ainda no Brasil, foi fundado o Instituto Liberal pelo magnata Donald Steward, cuja fortuna se deve em parte a contratos firmados com governos ditatoriais. Vale recordar que a General Motors facilitou a Stroessner, os centros móveis de tortura, com carros do modelo Chevrolet Custom. Foi lá que me acusaram de organizar um atentado contra a vida do ditador e de sequestrar seus colaboradores para prendê-los em uma suposta prisão. Essa é a característica da nova fase do Condor: permitir que grandes empresas ocupem as ruas e os meios de comunicação de massa.

Em seu livro, o senhor cita os trabalhos dos ciberativistas Edward Snowden e Julian Assange. Qual seria a relação de seu trabalho com o deles?

Tanto eu como Assange e Snowden nadamos contra a corrente imperial e nos propusemos a defender a privacidade das pessoas e suas liberdades básicas, como o uso de telefone e e-mail. Entre 1972 e 1974 desenvolvi minha tese de doutorado na Universidade argentina de La Plata, chamada Paraguai: Educação e Dependência, na qual denunciei um processo de vigilância massiva dos Estados Unidos no Paraguai para espionagem política, a fim de evitar explosões sociais e a derrubada da ordem política e econômica. Tratava-se do Plano Camelot, uma ação norte-americana desenhada para evitar revoltas sociais e supostamente garantir a paz. Como resultado da denúncia foi constituído, entre 26 de novembro de 1974 e 26 de dezembro do mesmo ano, em Assunção, um tribunal militar que incluía representantes da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.

Edward Snowden, em julho de 2013, utilizando alta tecnologia e por meio dos jornais The Guardian e Washington Post, tornou público documentos considerados altamente secretos da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana sobre vigilância. Com provas, ele demonstrou como os Estados Unidos espionam o mundo. O programador Assange é especialista em filtrar documentos secretos em nível mundial e é o criador do site Wikileaks, um farol de transparência a serviço da humanidade. De alguma forma, ele e Snowden confirmaram o descobrimento realizado várias décadas antes por mim.

Essas denúncias tiveram um preço, não?

A ousadia foi paga com o exílio: o meu, em Paris, em 1980, o de Assange, em Londres, em 2012, e de Snowden. em Moscou, em 2013. A mim a denúncia custou também 30 dias em uma sala secreta, o assassinato da minha primeira esposa, Celestina Perez Almada, e o confisco de nossos bens. Passei meses em condições sub-humanas em delegacias e no campo de concentração “Emboscada”, que ficava a 45 quilômetros de Assunção, junto com minha filha Celeste, então com seis anos. Sofri um exílio de pelo menos 15 anos, primeiro no Panamá e depois, na França.

Minha detenção e tortura ocorreram em 26 de dezembro de 1974. O tribunal militar classificou meu delito como terrorismo intelectual. Na época, parte da Igreja Católica lutava contra a ditadura e o tribunal responsabilizou a Universidade Católica de ter me facilitado o acesso aos livros de Paulo Freire, que pregava um modelo de educação que eu aplicava na escola Instituto Juan B. Alberdi, no Paraguai, onde era diretor. Nunca denunciei ninguém, nem durante a tortura com choques elétricos.

Como você vê a ascensão de movimentos de direita e extrema-direita na América Latina?

É evidente que o futuro da humanidade está ameaçado, assim como a própria democracia. Existe um domínio absoluto dos mercados sobre o Estado e o dinheiro passou a ser um valor supremo sem princípio ético e sem respeito à dignidade humana. Vivemos em uma democracia de baixa intensidade, em uma sociedade manejada por escravocratas que enganam o povo. São exemplos Carlos Menem e Mauricio Macri, na Argentina, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet (Chile), Juan Manuel Santos (Colômbia), Enrique Peña Nieto (México), que se mantiveram no poder com apoio dos Estados Unidos.

Concordo com o pesquisador argentino Atilio Boron, que defende que o objetivo estratégico de Washington, com seus “golpes brancos”, é fazer com que a América Latina regresse à sua condição neocolonial. Esta desigualdade vem de um sistema que tem o capital como prioridade e não os direitos humanos. Já não é tempo de impérios coloniais, nem colônias, nem ditadura de grandes empresas multinacionais. É tempo de povos livres e de dignidade.

Que cicatrizes nos deixou a Operação Condor?

São muitas. Os detidos desaparecidos fazem falta a todos. Tentamos aceitar a ausência e sentimos uma dor que se dissemina no mundo como um pecado. A vida continua, mas com um vazio enorme e um dano permanente. Os desaparecimentos e as torturas nunca foram um fim em si mesmos, mas sim uma ferrenha medida para disciplinar. O esquecimento é como uma estranha morte que nos ausenta da história.

Há muita memória, mas pouca história sobre a Operação Condor. É preciso ter claro que o Condor de ontem e de hoje são uma obra coletiva. Altos funcionários dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além das empresas multinacionais, são responsáveis pelas violações de direitos humanos na América Latina. Os que estão mais próximos ao poder são ainda mais responsáveis.

Os governos da Argentina e do Brasil estão fazendo reformas sociais muito criticadas por sindicatos, movimentos sociais e pela população em geral. Como o senhor avalia esse tipo de retirada de direitos e essa sinalização de retorno ao neoliberalismo?

Lamentavelmente, ambos os países estão sofrendo uma involução de suas conquistas sociais e econômicas porque seus governos atuais estão alinhamos com grandes empresários e grandes proprietários. Impera uma concepção econômica e neoliberal vinculada à lógica financeira e ao endividamento externo, escravo dos interesses das metrópoles estrangeiras. Tudo isso nos obriga a sair e tomar as ruas, como na época das ditaduras militares. A rebeldia dos oprimidos e explorados não é um delito, mas sim um legítimo protesto por justiça.

No Brasil tivemos o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que muitos consideram ter sido um golpe. O senhor acredita que os novos golpes se darão por meios jurídicos e pela imprensa?

Hoje enfrentamos um inimigo diferente: não são os militares, mas sim os grupos multinacionais e os grandes meios de comunicação social que foram desenvolvendo diferentes formas de violar a Constituição nacional e a Declaração Universal de Direitos Humanos.

Vivemos em uma época difícil porque muitas mentes se renderam ou simplesmente estão a venda pelo melhor preço. Repressores da ditadura passaram a ser, no Brasil e no Cone Sul, funcionários da suposta democracia. Por isso, não mudou a natureza corrupta do Estado e das grandes empresas privadas, mesmo que o regime tenha mudado. Eles seguem legitimando a violência que vivemos desde a década de 1960. Devemos globalizar a luta contra a Operação Condor. Devemos globalizar a esperança.

registrado em:              

 

ANÁLISE | 2017: UM ANO COM MAIS DERROTAS DO QUE VITÓRIAS PARA OPERADORES DA LAVA JATO

JUDICIÁRIO

Período foi marcado por ofensiva contra Lula, mudanças no comando da operação e tentativas de “estancar a sangria”

Daniel Giovanaz

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

Ouça a matéria:

Reputação do juiz Sérgio Moro foi atingida no segundo semestre por denúncias de Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht - Créditos: José Cruz - Agência Brasil
Reputação do juiz Sérgio Moro foi atingida no segundo semestre por denúncias de Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht / José Cruz – Agência Brasil

O ano que está prestes a terminar teve mais derrotas do que vitórias para os operadores da Lava Jato.

Em janeiro, ficou claro que Michel Temer (PMDB) estava disposto a “estancar a sangria”. Após a morte do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, o presidente golpista indicou Alexandre de Moraes para a Corte. Moraes era ministro da Justiça, e precisou se desfiliar do PSDB para assumir o cargo.

Temer também mudou o comando da Procuradoria-Geral da República(PGR) e da Polícia Federal (PF). Em nenhum dos casos, escolheu o profissional mais votado pelos colegas. Pelo contrário, colocou dois nomes de sua confiança: Fernando Segóvia, na Polícia Federal, e Raquel Dodge, na PGR. Para completar, o golpista distribuiu emendas bilionárias no Congresso Nacional e conseguiu barrar duas denúncias que poderiam derrubá-lo.

No segundo semestre do ano, o resultado desastroso da operação Ouvidos Moucos chamou a atenção para o risco das violações popularizadas pela República de Curitiba. Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, se suicidou após a prisão arbitrária ordenada por uma ex-delegada da Lava Jato, Érika Marena.

Em seguida, explodiu a “bomba” de Tacla Durán: o ex-advogado da Odebrecht que acusou Carlos Zucolotto Jr., amigo pessoal do juiz Sérgio Moro, de cobrar propina para negociar acordos de delação.

De nada adiantou o lançamento de um filme sobre a Lava Jato, nem o apoio diário da mídia comercial. A ofensiva contra o ex-presidente Lula e os sinais cada vez mais evidentes de partidarização da operação custaram caro. Nas duas passagens do petista por Curitiba, para prestar depoimento, os gritos de ódio foram abafados por manifestações de solidariedade.

Condenado por Moro sem provas no “caso triplex”, Lula termina o ano como favorito para as eleições presidenciais, e com julgamento em segunda instância marcado para o dia  24 de janeiro em Porto Alegre.

A queda de braço continua em 2018, e é cada vez mais difícil estabelecer previsões. O que não se pode negar é que, para bem ou para mal, a Lava Jato respira por aparelhos.

Edição: Camila Salmazio


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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