Arquivo para 19 de janeiro de 2018

JURISTA PEDRO SERRANO: UM DESAFIO AOS JURISTAS QUE DEFENDEM A SENTENÇA DE MORO

Por Pedro Estevam Serrano*

A sentença e o processo contra Lula, o do apartamento no Guarujá, não fazem qualquer sentido no plano jurídico.

Tenho pedido aos eventuais e poucos colegas que insistem em defender a decisão, a meu ver não encontro motivo que não o ideológico para tanto, que parem de polemizar em partes, que tragam argumentos defendendo processo e decisão como um todo. As principais peças, mais que suficientes para qualquer juízo, estão disponíveis na internet.

Que parem com argumentos de baixa envergadura, do tipo que os muitos juristas, que criticam abertamente a sentença como um todo, são ” petralhas”, “defensores de corruptos “, “detratores de um bom trabalho da Justiça” ( como se não houvesse o erro judicial e como se persecução a crime fosse função da jurisdição, numa sociedade que se pretende democrática).

Assim peço, com toda lealdade, que os colegas que, eventualmente, são favoráveis à decisão, que ajam com a honra e a dignidade dos que argumentam nesse tipo de situação pública, por razões de justiça e não de adulação das maiorias e do Poder.

Leiam a sentença no todo, a denúncia, a defesa e os principais depoimentos, facilmente encontráveis na net, façam uma análise desse todo, argumentem em favor da decisão de forma completa, face ao que determinam a Constituição, as leis e os valores mínimos inerentes aos direitos do homem e da democracia, assinem e publiquem como nós o fizemos e temos feito, para que possam ser cobrados no futuro, quando forem julgados, em situação juridicamente equiparável, os que gozem de sua simpatia, eles mesmos, seus parentes, entes queridos clientes e amigos.

Para que a história registre. Quem tem certeza da correção do que argumenta, não tem medo da história.

Digo que não terei pejo algum em voltar atrás, frente a argumentos que me pareçam sólidos, não seria nem a primeira vez nem algo meramente ocasional em minha vida, mas, francamente, duvido até a alma que eles sejam possíveis, não face a Constituição de 88, não numa democracia liberal.

O que está em jogo não é apenas Lula, sua candidatura, a esquerda etc . É a democracia, mas é mais que a democracia, é a vida civilizada em seus valores mais rudimentares e mais relevantes.

Nós, profissionais e acadêmicos do direito somos chamados, nessas horas, a expressarmos opinião, e influenciamos o público leigo

O que convoco aqui não é a expressão de uma opinião semelhante À minha. É que se ofereça opinião de forma completa, meditada, jurídica, publicada e assinada. Ou se calem, para que não sejam indignos do grau que ostentam.

Esse não é um caso qualquer. É um caso simbólico. Não porque se condena Lula, mas pelo modo que se o faz, com integral desconsideração pela ordem Constitucional, pela democracia e pela relação civilizada entre Estado e ser humano.

*Pedro Estevam Serrano é Advogado, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC/SP com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa

‘JULGAMENTO DE LULA É PROBLEMA DE TODOS QUE LUTAM PELA DEMOCRACIA”, DIZ APEOESP

#ELEIÇÃOSEMLULAÉFRAUDE

Professores e estudantes do estado de São Paulo se posicionam a favor do direito de Lula concorrer a eleição. “Hoje é o Lula, amanhã pode ser com qualquer um de nós”, afirma a presidenta do sindicato
por Redação RBA.
 
REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Com show de Chico César, ato integrou agenda de apoio a Lula nas vésperas do julgamento no TRF4

São Paulo – Menos de 24 horas depois do grande atoocorrido na Casa de Portugal, região central de São Paulo, em apoio ao direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser candidato à Presidência da República, desta vez foram os docentes que se manifestaram em defesa da democracia e do ex-presidente, reunidos na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

“O julgamento de Lula é um problema de todos nós que lutamos pela democracia”, afirma a presidenta da entidade, Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel. Destacando a importância dos educadores mostrarem qual seu papel na atual conjuntura política, Bebel disse ser difícil estar “pretensamente” vivendo em um Estado de direito, mas sem democracia. “Se não fizermos essa luta, se o princípio da democracia não estiver assegurado para todos, hoje é o Lula, mas amanhã pode ser com qualquer um de nós.”

O ato contou com a participação do músico e compositor Chico César, que iniciou sua participação cantando Beradêro, um clássico do seu repertório, e seguiu com Negão; Respeitem meu cabelos, brancos e À primeira vista, até encerrar com Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. O artista, que na noite anterior também esteve no ato na Casa de Portugal, se disse feliz por estar na luta pela democracia e elogiou a atitude dos professores de São Paulo de estarem na defesa do direito de Lula se candidatar.

A canção imortalizada por Vandré em 1968 fez a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci voltar ao passado. “É duro, aos 73 anos, estar cantando essa música novamente. Nossa geração deu o sangue pela democracia e é duro perceber que estamos à beira do que aconteceu com o AI-5, em 1968”, ponderou. “Defender o direito de Lula ser candidato, é defender a democracia até que ela esteja consolidada, porque não está.”

A ex-ministra ainda propôs uma moção de apoio à senadora e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que nos últimos dias “têm sido agredida de forma violenta, machista e misógina” pela imprensa tradicional e parte do Judiciário.

Já o presidente estadual do PT, Luiz Marinho, reforçou a ideia de que não é apenas o direito de Lula ser candidato que está em jogo, e sim o direito do povo votar. “Querem impedir o direito do povo eleger quem ele quer para governar. Queremos ter liberdade para votar livremente”, destacou.

Na próxima quarta-feira (24), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, julgará recurso de Lula, condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão, pela suposta posse de um apartamento tríplex em Guarujá, litoral sul paulista.

registrado em:     

PAPO COM ZÉ TRAJANO

ADVOGADO DE LULA NA ONU E CONSELHEIRO DA RAINHA, GEOFFREY ROBERTSON, ESTARÁ NO JULGAMENTO DE LULA. AUTORIZAÇÃO FOI FEITA POR DESEMBARGADOR DO TRF-4

Defesa de Lula.

O desembargador Leandro Palsen, do TRF-4, autorizou a presença do advogado britânico e conselheiro da rainha Geoffrey Robertson na sala de julgamento no próximo dia 24.

O pedido foi feito pela defesa porque o Geoffrey representa o ex-presidente na Comissão de Direitos Humanos da ONU e o tema lá tratado envolve grosseiras violações a garantias fundamentais ocorridas nesse processo que será julgado.

Abaixo, a íntegra da decisão do desembargador Palsen.

 

DCM: QUEM ESTÁ SENDO JULGADO É O JUIZ: O CASO LULA VIROU, DEFINITIVAMENTE, O CASO MORO. POR KIKO NOGUEIRA

O Caso Moro, não o Caso Lula

Em seu excelente artigo sobre o julgamento de Lula no dia 24, a ex-ministra da Justiça da Alemanha, Herta Däubler-Gmelin, escreveu o seguinte:

“O TRF-4 de Porto Alegre deve cassar a sentença de Moro, mesmo se ele com isso admitir que essa ação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto matéria política, há muito tempo já se transformou no ‘Caso Moro’”.

Ela mesma admite que isso não vai acontecer, já que os desembargadores do tribunal “também estão demasiado enredados nos conflitos e nas campanhas políticas em curso no Brasil”.

 Herta acertou na mosca quando se refere ao Caso Moro. A formulação é perfeita.

Há muito tempo — definitivamente desde que o imbroglio Zucolotto veio à tona — que Lula não é o centro de seu processo, e sim o juiz.

As provas e convicções que apareceram foram contra Sergio Moro, e não sua nêmesis. O texto da condenação tem mais furos do que um queijo suíço ou do que as ruas de São Paulo.

Nenhum jurista sério repetiu o veredito patético do presidente do Tribunal Regional da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores, que classificou em agosto o trabalho de Sergio Moro como “irretocável” e “tecnicamente irrepreensível”.

A penhora do famoso triplex do Guarujá para pagar uma dívida da OAS, por ordem da juíza do DF Luciana Corrêa Torres de Oliveira, é a cereja de um bolo malcheiroso.

A mídia não consegue mais blindar seus protegidos.

Numa série publicada no site Justificando, o criminalista Juarez Cirino dos Santos, professor de Direito Penal da UFPR, presidente do Instituto de Criminologia e Política Criminal e autor de vários livros, aponta que “a investigação policial foi instaurada com base em simples suspeita de autoria de fatos indeterminados”.

“A denúncia do Ministério Público foi apresentada sem nenhuma prova de materialidade dos fatos imputados e, por isso, com imaginários indícios de autoria dos inexistentes fatos imputados”, afirma.

“Enfim, a condenação criminal proferida pelo Juiz Moro foi o desfecho antecipado da hipótese judicial anunciada, que impulsionou um processo inquisitorial de fazer inveja à justiça penal medieval”.

Lula será condenado em Porto Alegre porque a fraude já se encaminhou para um ponto sem retorno.

Ele vai seguir em campanha e, provavelmente, crescendo nas pesquisas. Moro vai continuar tentando se justificar e correr atrás do que não conseguiu fazer em quatro anos.

Ninguém se lembra das interpretações do Apocalipse ou das profecias de Savonarola, mas da barbárie que ele instalou em Florença montado em seu fanatismo moralista.

O magistrado maringaense vai se imortalizar na história brasileira, mas no sentido oposto do que sonhava quando embarcou em sua cruzada.

A VERDADE DE LULA: CRISTIANO ZANIN, ADVOGADO DE LULA, MOSTRA QUINZE FALSOS INDÍCIOS NA SENTENÇA ARBITRÁRIA DE MORO

O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva desmonta os 15 indícios usados pelo juiz Sérgio Moro na sentença que condenou o ex-presidente no caso Triplex.

NOCAUTE: MÍDIA PREPARA O JULGAMENTO DE LULA: A SENTENÇA É IRRETOCÁVEL E CONTESTÁ-LA SERIA BADERNA

Na próxima quarta-feira, 24 de janeiro, vai se jogar uma partida decisiva para os destinos do país.

No julgamento do recurso de Lula, em Porto Alegre, vão se definir não apenas a situação do ex-presidente, mas o futuro de uma nação que está em guerra política desde 2013 e precisa urgentemente de paz, para enfrentar uma crise econômica e institucional de enormes proporções.

Não é possível contar com isenção e serenidade da mídia hegemônica nesse momento.

Ao contrário, como acontece desde o caso do Mensalão, em 2005, ela aposta no conflito, insufla a beligerância, induz o ranger dos dentes.

A mídia corporativa joga tudo contra Lula porque não está disposta, de forma alguma, a admitir um novo período desenvolvimentista de governo, voltado à redução das desigualdades sociais.

Quer que governe o mercado, pelo mercado, para o mercado. Quer paz e prosperidade exclusivamente para o dinheiro, num ambiente de negócios que taxe o pobre para remunerar o rico.

Porque esta seria a ordem natural das coisas e contestar a sua escandalosa, obscena injustiça, seria coisa de esquerdistas atrasados.

Para o julgamento da quarta, o roteiro e o cenário da farsa já estão montados.

Os bravos desembargadores gaúchos tentarão validar o impecável julgamento do infalível juiz paranaense, esse brasileiro superior, abençoado pela onisciência e a perfeição divina.

Mas apenas se forem contidos os insidiosos lulo-bolivarianos-petralho-comunistas, inimigos da justiça, da moralidade e da ordem pública, que farão o impossível para badernar.

Anuncia-se aos quatro ventos que os insidiosos ameaçam os desembargadores, sem que se revele quais são as ameaças e de quem partiram.

Repercute-se como declaração de guerra uma tolice falada pela presidente do PT, tão belicosa quanto uma bravata impotente pode ser.

Enquanto isso, de críticas à sentença do semideus de Maringá, não veiculam absolutamente nada. Simplesmente não debatem o processo, mesmo que se trate do julgamento de um recurso, ou da contestação de uma sentença.

Porque, se o semideus julgou, está julgado. Nada há a acrescentar. Basta dizer isso à manada, para que ela se convença.

É por isso que, nos debates das redes sociais, os fregueses dessa mídia hegemônica, que jamais são expostos a qualquer contraditório, simplesmente não entendem os argumentos de quem contesta a condenação sem provas, em julgamento 100% político de Lula.

“Cumprir a Lei”, diz um freguês. “É o que está sendo feito. Ninguém pode estar acima dela. Ninguém pode ser injulgável”.

Não pode, claro que não pode. Desde que esse “ninguém” seja o reles Lula, evidentemente – e não Sua Excelência Meritíssima e Reverendíssima, o augusto e supremo Doutor Sergio Fernando Moro.

Esse pode fazer da lei o que quiser, porque condena o odiado inimigo de classe que todo bom juiz deve condenar…

“SUPER-MORO”: AS ORIGENS DE UM JUIZ ACIMA DA LEI

Apoio da grande mídia e de páginas de fake news legitimou arbitrariedades cometidas pelo juiz na Lava Jato

Júlia Dolce

Brasi de Fato | São Paulo (SP)

A Lava Jato praticamente ganhou o rosto do juiz Sérgio Moro como marca - Créditos: Marcelo Camargo / Agência Brasil
A Lava Jato praticamente ganhou o rosto do juiz Sérgio Moro como marca / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Há dezenas de páginas nas redes sociais homenageando o juiz de primeira instância da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Moro. Ao pesquisá-las, a primeira que aparece, com 1,6 milhão de curtidas e postagens constantes contra o Partido dos Trabalhadores (PT), leva apenas o nome do juíz, podendo ser confundida com uma página oficial. A segunda é “Juiz Sérgio Moro — O Brasil está com você”, com 1,5 milhão de seguidores, que se define como uma página de “causa”. A terceira é sobre um psicólogo canino que também se chama Sérgio Moro.

A repercussão das páginas de apoio a Moro é maior do que a de alguns presidenciáveis. Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, não chega a um milhão de seguidores. É, talvez, a segunda vez na história brasileira em que um juiz ganha tanta fama. Antes de Moro, apenas Joaquim Barbosa havia adquirido um acervo de fãs, ainda que muito menor, e ambos foram cogitados como candidatos à Presidência.

Vale apontar que boa parte dessas páginas de apoio se sustentam por meio do compartilhamento de fake news. “Juiz Sérgio Moro — O Brasil está com você” está em quinto lugar entre as páginas que produzem e compartilham mais notícias falsas nas redes brasileiras, de acordo com o “Projeto M”, do portal Manchetômetro, que analisa a veracidade dos conteúdos jornalísticos sobre política no país.

De acordo com a análise de muitos juristas, o juiz utiliza desse apoio virtual para sua promoção pessoal, e, mais grave, para a formação da opinião pública sobre o principal e maior caso sob responsabilidade do juiz: a Operação Lava Jato. Inclusive, sua própria esposa, a advogada Rosângela Wolff Moro, chegou a criar uma página pessoal do casal, que teve como nome o trocadilho “Eu Moro com ele”. A página foi amplamente repercutida, chegando a ter quase um milhão de seguidores e, de acordo com o casal, tinha como objetivo “retribuir o carinho e apoio do povo brasileiro” ao juiz.

No dia 30 de novembro de 2017, logo após a explosão das declarações do ex-advogado da Odebrecht Tacla Duran, que denunciou diversos crimes nas investigações da Operação Lava Jato, a página foi apagada, sob a justificativa de que já tinha “cumprido seu papel”. Para além da página de Rosângela, Moro não possui outras contas próprias nas redes sociais.

Personalidade do ano

A Lava Jato não apenas teve grande parte de seus julgamentos em primeira instância sob a comarca do juiz, mas praticamente ganhou seu rosto como marca. Para o advogado da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), Patrick Mariano Gomes, esse processo serviu para legitimar uma série de ilegalidades jurídicas cometidas durante a Operação.

“O que justificava e sustentava a figura do juiz Sérgio Moro era a mídia, um se retro-alimentava do outro. Funcionava assim: o juiz praticava ilegalidades, mas a mídia o exaltava, não só como uma grande personalidade jurídica, mas também como um grande personagem nacional. Então ele era incitado a falar sobre cultura, sobre shows, virou uma personalidade, porque interessava ao sistema político um personagem como esse”, afirmou.

Mesmo sob os holofotes da grande mídia e das redes sociais, Moro construiu uma imagem supostamente discreta. Poucas informações sobre ele foram mapeadas em perfis jornalísticos nos últimos anos, e a vida pessoal do juiz, que nasceu em Maringá (PR) em 1972, e estudou direito na Universidade Estadual de Maringá e na Universidade Federal do Paraná (UFPR) — onde hoje leciona direito processual penal — é blindada.

Para especialistas, no entanto, não há nada de recatado em relação a Moro. O juiz já recebeu diversos prêmios e homenagens, inéditos para um magistrado brasileiro. Foi citado como uma das pessoas mais influentes e uma das maiores lideranças do mundo pelas revistas internacionais FortuneTime. Esta última o caracterizou como “Super-Moro” logo na primeira linha do texto. O juiz também recebeu o prêmio Brasileiros do Ano pela Revista Istoé em dezembro de 2017 — ocasião em que foi definido como “herói brasileiro” em um discurso do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB).

De acordo com Ricardo Costa de Oliveira, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que produziu um artigo acadêmico sobre o perfil social dos personagens da Lava Jato e suas relações com as estruturas de poder no país, a construção da imagem de Moro está relacionada às conexões que o juiz possui com a elite.

“Todas as conexões de Moro são com o campo político da direita no Brasil, com meios empresariais e da grande mídia. Há a tentativa de construção ideológica do juiz como um símbolo da luta contra a corrupção, quando ele sempre representou setores da elite, um homem branco, de família inserida na elite estatal, casado com uma mulher de uma das principais famílias do poder no Paraná. Além do mais, há essa produção ideológica na grande mídia, que também é oligárquica familiar, já que ele recebe prêmios e tem sua imagem projetada na Rede Globo e outras emissoras”, explicou.

Super-Moro

O juiz não costuma negar o título de herói, e a página “Eu Moro com ele” frequentemente compartilhava fotos de crianças segurando cartazes que relacionavam o juiz aos super-heróis dos quadrinhos, dos quais ele próprio também é fã. Em um discurso realizado em 2015, durante um Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Moro chegou a mencionar uma famosa citação da Marvel, uma das maiores editoras de histórias em quadrinhos de super-heróis, relacionando seu poder ao do personagem Homem-Aranha. “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, afirmou, arrancando risos da plateia.

No mesmo ano, durante uma palestra do evento Exame Fórum, Moro utilizou outra conhecida citação do universo dos quadrinhos, dessa vez do Batman, para definir a importância da Operação Lava Jato. “A noite é sempre mais escura antes do amanhecer”, afirmou.

Coincidência ou não, a imagem do juiz é frequentemente atrelada à de Batman, em montagens online e cartazes de manifestações. O interesse no personagem, conhecido por fazer justiça com as próprias mãos, pode ser considerado um sintoma da visão do Direito compartilhada por Moro, e colocada em prática pela Lava Jato. De acordo com Patrick Gomes, a Operação, considerada a maior da história brasileira, é baseada em uma série de arbitrariedades e ilegalidades, mas continua sendo defendida pela mídia como uma cruzada contra a corrupção.

“Não é tarefa dele condenar alguém, mas você pode ver que não é raro o discurso de que o Judiciário tem que combater a corrupção, quando, na verdade, ele não tem que combater nada, tem que julgar, porque a polícia investiga, o MP denuncia, e se o juiz for combater, quem vai julgar? Então o papel do juiz foi completamente transfigurado”, denunciou o advogado.

Juiz condenador

Além dos personagens dos quadrinhos, Moro tem outras referências polêmicas de entendimento de Justiça. Uma de suas principais inspirações é a mega-operação italiana “Mãos Limpas”, que nos anos 1990 desvendou um enorme esquema de corrupção no país, emitindo quase 3 mil mandados de prisão contra parlamentares e empresários.

Moro já escreveu uma tese acadêmica sobre a operação e praticamente transpôs sua estrutura jurídica para a Lava Jato. Na sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no chamado processo do triplex, Moro defendeu o uso das delações fazendo referências ao juiz italiano Piercamillo Davigo, que participou da “Mãos Limpas”. A operação italiana é amplamente criticada por juristas do mundo todo pelos seus excessos, e também utilizou e dependeu do espetáculo midiático para “condenar” suspeitos antes do julgamento. Para Patrick Gomes, os institutos de negociação que estão por trás da ferramenta da delação premiada estão sendo usados sem nenhuma forma de regulamentação.

“A delação, por ser negocial, dá margem a muita arbitrariedade. Você vê que os procuradores da Lava Jato negociam coisas que não poderiam negociar. Hoje, o empresariado que fez delação está em Nova York, ou cumprindo prisão domiciliar. Esse é o problema dos institutos negociais, porque no capitalismo, eles acabam reproduzindo o modo de atuação do capital: quem tem mais dinheiro escapa, quem não tem, fica para trás”, explicou.

De acordo com o advogado, a utilização indiscriminada de delações é prática comum do direito estadunidense, no qual Moro também se inspira. O juiz chegou a estudar direito na universidade de Harvard, nos EUA, e, em 2009, como foi vazado pelo site Wikileaks, chegou a participar de treinamentos do Departamento de Estado Norte-Americano para juristas brasileiros, um dos pontos mais polêmicos e questionáveis de seu currículo.

“Moro faz parte de uma geração de juízes, de uma faixa de idade de 40 anos, que meio que se encantou com uma visão do direito norte-americano. Talvez influenciado por séries de TV norte-americanas, acabou bebendo dessa fonte. O problema é o transplante de institutos norte-americanos no direito brasileiro sem nenhuma adaptação e crítica em relação ao nosso sistema. Nos EUA, se você divulgar a conversa de um presidente da república [Como Moro fez com a ex-presidenta Dilma Rousseff] você é preso, por exemplo”, critica.

Jurisdição universal

Um dos principais excessos praticados por Moro é a forma como grande parte dos julgamentos das mais de 40 fases da Operação Lava Jato caem na sua comarca, mesmo que os casos não tenham sido cometidos em Curitiba. O fenômeno, conhecido como “jurisdição universal”, fere a Constituição Federal brasileira e é uma das principais linhas da defesa de Lula, uma vez que o caso do triplex aconteceu no Guarujá, litoral de São Paulo. Além do uso da jurisdição universal, o papel do juiz se torna um pouco difuso, se misturando às atribuições de investigadores de polícia e dos promotores do Ministério Público (MP), tornando Moro um “líder” supremo de uma investigação de proporções gigantescas.

Além dos prêmios recebidos nestes quatro anos de Operação, o juiz Sérgio Moro, agora ultra-especializado em crimes de “colarinho branco”, já percorreu mais de 13 cidades de nove estados brasileiros, e outras seis no exterior, para realizar mais de 50 palestras sobre sua atuação. Na cidade de Coimbra, em Portugal, uma palestra com o juiz chegou a ter ingressos vendidos por R$ 8,5 mil.

Por fim, é irônico ressaltar que qualquer uma dessas manifestações do juiz, das palestras, aos prêmios, à página “Eu Moro com ele”, não são, tampouco, constitucionais. O artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman) proíbe os juízes brasileiros de manifestarem, por meio de qualquer meio de comunicação, sua opinião sobre processos pendentes de julgamento. Em seu artigo sobre a operação “Mãos Limpas”, entretanto, Moro prova que pouco se importa com isso ou com o princípio de imparcialidade que rege a magistratura. No texto, ele destaca que “a opinião pública, como ilustra o exemplo italiano, é essencial para o êxito da ação judicial”.

Edição: Nina Fideles

“TEMOS DE ESCOLHER OS GOVERNANTES NAS URNAS”, DIZ ODAIR JOSÉ

JULGAMENTO

“Estou participando de um ato político pela primeira vez em 40 e tantos anos. A minha participação sempre foi pela música”, disse o artista, apresentando-se como “pró povo e, por isso, pró Lula”
por Vitor Nuzzi, da RBA.
 
RAFAEL VILELA/MÍDIA NINJA

Cantor símbolo da era brega participa pela primeira vez de um ato político

São Paulo – O cantor Odair José participa nesta quinta-feira (18) de ato em São Paulo em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estou participando de um ato político pela primeira vez em 40 e tantos anos. A minha participação sempre foi pela música”, disse o artista, pouco antes do início do evento.

Ele considera que não é certo impedir uma candidatura e que o povo deve ser livre para escolher. “Nós temos o direito de tirar os governantes nas urnas.”

Odair vê o momento político com preocupação. “Corremos o risco de levar o futuro de volta ao passado”, afirmou, fazendo menção à música Gatos e Ratos. Já no ato, ele cumprimentou Lula, que não conhecia pessoalmente, e disse que estava presente para ficar com a consciência tranquila. “Eu tenho certeza que o poder está nas pessoas. Eu sou pró povo, por isso sou pró Lula.”

O evento começou às 20h15, na Casa de Portugal, na Liberdade, região central de São Paulo. Já chegaram os atores Ailton Graça, Celso Frateschi e Sérgio Mamberti, entre outros, além do escritor Raduan Nassar.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.245.481 hits

Páginas

Arquivos