Arquivo para 22 de fevereiro de 2018

LUIS NASSIF: A PANTOMIMA DE MORO E DOTRF4 COM OS E-MAILS DE MARCELO ODEBRECHT

A pantomima em torno da delação da Odebrecht não para de criar fatos novos.

Ontem, os e-mails entregues por Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro vieram acompanhados das seguintes curiosidades:

  1. Foram apresentados na véspera do encerramento da ação, após a oitiva de todas as testemunhas.
  2. Foram entregues no mesmo dia em que o Tribunal Regional Federal da 4a. Região se negou a ouvir o advogado Rodrigo Tacla Durán, que afirmou à CPMI que pode demonstrar adulterações feitas nos documentos entregues pela Odebrecht na delação de seus executivos.
  3. Foi entregue na véspera do prazo para que a Polícia Federal conclua a perícia sobre os sistemas utilizados pela contabilidade paralela da Odebrecht.
  4. Vieram desacompanhados das vias eletrônicas. Apenas um pdf foi entregue. E aqui o fundamental. Nas propriedades do pdf consta que ele foi criado em 07/02/2018, mesmo data em que, originariamente, a Polícia Federal deveria ter entregue o laudo sobre os sistemas de contabilidade paralela do grupo.

 

NOCAUTE: MAIOR ESPECIALISTA EM ENTORPECENTE DO BRASIL É INTIMADO A DEPOR POR APOLOGIA AO CRIME

O psicofarmacologista Elisaldo Carlini prestou depoimento à polícia de São Paulo. É pesquisador da Unifesp e estuda os efeitos medicinais da maconha há 50 anos

 Dr. Carlini, hoje com 88 anos, é professor emérito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid). Ele foi um dos pioneiros no Brasil na pesquisa sobre o efeito da maconha no organismo humano, tema ao qual se dedica há 50 anos.

Nas décadas de 1970 e 1980, liderou na Unifesp um grupo de pesquisa que, junto a outros estudos internacionais, possibilitou o desenvolvimento de medicamentos à base de Cannabis sativa, utilizados em vários países para tratamento de epilepsia e esclerose múltipla, por exemplo.

Pelo seu trabalho como pesquisador, foi condecorado duas vezes pela Presidência da República durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Está no sétimo mandato como membro do Expert Advisory Panel on Drug Dependence and Alcohol Problems, da Organização Mundial da Saúde (OMS), e é ex-membro do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos (INCB), eleito pelo Conselho Econômico Social das Nações Unidas.

Contrário ao uso recreativo da maconha, é defensor ferrenho da aplicação medicinal da planta.

“Bom, por tudo isso não parece que eu seja um criminoso, né? Mas ontem eu fui prestar declarações à polícia por apologia ao crime. (…) Fiz a declaração, não tenho medo nenhum, mas me dá pena, fico sentido que o Brasil esteja nessa situação. Não sou eu que não mereço, é a ciência brasileira que não merece, porque tem outros que estão em igualdade comigo. É um trabalho seríssimo”, disse Carlini em entrevista ao Nocaute. Assista ao trecho abaixo:

Transcrição:

Eu fui citado mais de 12 mil vezes pelo mundo. Eu fui condecorado duas vezes pelo presidente da República. Nas duas vezes foi uma recepção de honra, no Palácio do Planalto, e FHC me entregou pessoalmente uma condecoração Grande Cavaleiro da Ordem do Rio Branco, especial do Itamaraty, a outra foi um medalhão científico. Duas universidades me deram título de doutor honoris causa, o ministério da Justiça me deu o título de pesquisador emérito e a Unifesp, de professor honorário.

Bom, isso tudo não me faz parecer um criminoso. Mas ontem prestei declarações na delegacia de polícia por apologia ao crime. Um juiz qualquer, não sei quem. A lei brasileira diz exatamente isso. É crime quem propagandeia, produz, fuma. Eu cometo então realmente um crime que não era seguido, né? Mas me pegaram e agora tenho que responder. Não culpo muito o juiz e o delegado que fizeram isso, não. Porque, na realidade, se eu fosse um juiz ou um delegado, 100% fiel às leis, e realmente não olhasse o legal e o legítimo, só o que vale é a lei, o legal, eles tinham que me pegar.

Ninguém faz isso mais. O mundo inteiro me chama. Fui chamado inúmeras vezes, dei conferência na faculdade de direito, 3 ou 4 conferências para os advogados da OAB, a convite deles. Então na verdade deve ser alguém que estava de muito mau humor que fez isso. Fiz a declaração, não tenho medo nenhum, mas me dá pena, fico sentido que o Brasil esteja nessa situação. Não sou eu que não mereço, é a ciência brasileira que não merece, porque tem outros que estão em igualdade comigo. É um trabalho seríssimo.

CÁRMEN LÚCIA É PRESSIONADA A PAUTAR PRISÃO APÓS CONDENAÇÃO EM 2ª INSTÂNCIA

Celso de Mello e Marco Aurélio defendem que tema volte à pauta do STF. “Estamos na expectativa do julgamento”, diz criminalista Kakay
por Eduardo Maretti, da RBA.
 
                                                    ROSINEI COUTINHO/STFCármen Lúcia

Colocar o tema em pauta é uma atribuição da presidenta do tribunal, Cármen Lúcia, que tem se esquivado

São Paulo –  Depois das declarações dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, defendendo que o plenário da corte volte a decidir se condenados devem ou não cumprir pena imediatamente depois de julgamento em segunda instância, cresce a expectativa de que o tema volte à pauta. Isso depende da ministra Cármen Lúcia, presidenta do STF.

“Essa é uma questão extremamente delicada, porque envolve a preservação da liberdade individual, então é preciso que o Supremo Tribunal Federal realmente delibere”, disse Celso de Mello na quarta-feira (21). A declaração do ministro é considerada relevante por ele ser o decano da corte.

No mesmo dia, o ministro Marco Aurélio Mello também defendeu a necessidade de o tribunal se posicionar. “Tem que colocar em pauta, haja a repercussão que houver”, afirmou. No entanto, à RBA, o ministro preferiu não se pronunciar sobre o tema. “Vamos aguardar a posição da presidente”, disse. Marco Aurélio é relator das ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, as quais liberou para julgamento no dia 7 de dezembro.

Colocar o tema em pauta é uma atribuição de Cármen Lúcia. Questionado sobre por que a ministra não coloca a matéria em pauta de julgamento, Marco Aurélio afirma que “precisa conversar com ela”. 

Na terça-feira (20), por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo encaminhou ao plenário dois habeas corpus que discutem a questão, o que aumenta a pressão sobre Cármen.

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que no início do mês entrou com pedido de liminar para que o STF volte a julgar a matéria, considera importantes as declarações de Celso de Mello e Marco Aurélio, mas discorda de que haja pressão sobre a presidenta da corte.

“Eu não diria pressão, presidente do Supremo não sofre pressão. Mas pode ser um motivo para que ela leve em consideração, porque afinal de contas Celso de Mello é o decano da casa”, diz Kakay. “Estamos na expectativa do julgamento. A nossa espera é a ministra Cármen Lúcia pautar.”

O tema, que já era importante por envolver garantias individuais, ganhou ainda mais relevância após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 24 de janeiro, por unanimidade.

Sem citar nomes, Celso de Mello negou que novo julgamento da matéria serviria para beneficiar Lula. “A questão não é partidária, a questão não é política, é eminentemente constitucional e assiste a um direito que é de cada um de nós.” Já Cármen Lúcia chegou a dizer, em jantar com empresários, que pautar a matéria por um caso específico (referindo-se a Lula) “seria apequenar muito o Supremo”.

Em julgamento de outubro de 2016, o plenário do STF consolidou entendimento ao decidir favoravelmente à prisão após condenação em segunda instância, por 6 votos a 5. O ministro Gilmar Mendes votou a favor da tese vencedora, no entanto, ele sinalizou, em mais de uma ocasião, inclusive em despacho posterior à decisão, que pode mudar de posição se houver novo julgamento. Se isso acontecer, a prisão após decisão de segunda instância fica vedada.

O posicionamento de Marco Aurélio sobre o tema é conhecido. Ele é contra a prisão do réu após julgamento em segunda instância. Ao proferir seu voto em 2016, ele invocou o inciso LVII do art. 5º da Constituição, que estabelece a presunção de inocência “até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Marco Aurélio e Celso de Mello foram voto vencido no julgamento de outubro de 2016, junto com Rosa Weber, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. A favor da execução da pena, votaram a própria Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Teori Zavascki, substituído por Alexandre de Moraes, que é da mesma corrente.

Crise brasileira

Marco Aurélio afirmou à reportagem que “a crise brasileira é muito séria e precisamos evoluir, mas sem atropelos”.

Sobre o fato de diversos juristas considerarem que a Constituição está sendo “rasgada” no país, o ministro comentou: “eu já disse no plenário várias vezes que precisamos amar um pouco mais a Constituição, a lei das leis e, se eu disse que precisamos, é porque evidentemente tenho dúvidas”.

“Não podemos atuar sob o critério de plantão, cada qual idealizar um critério. O critério é o da ordem jurídica. Como dizia Rui Barbosa, fora da lei não há salvação. O avanço, visando melhores dias, pressupõe a observância da ordem jurídica, principalmente constitucional”, acrescentou.

Marco Aurélio não quis comentar a questão dos mandados de busca e apreensão coletivos e a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro.

PAPO COM ZÉ TRAJANO

DEFESA DE LULA PEDE RETIRADA DE DOCUMENTOS DE MARCELO ODEBRECHT

Sem Título-1

Além de manifestamente extemporânea, a juntada de novos documentos pelo corréu e delator Marcelo Odebrecht ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou à defesa do ex-presidente Lula ouvir o testemunho do advogado Rodrigo Tacla Duran.

Tacla Duran afirmou à CPMI da JBS e em videoconferência com advogados de Lula a ocorrência de adulteração em documentos relacionados à Odebrecht.

Perícia contratada pela defesa de Lula também constatou que documentos anteriormente juntados por Marcelo Odebrecht e que estão sendo usados pelo Ministério Público Federal contêm elementos que permitem afirmar que não são inidôneos. O assunto é discutido em incidente de falsidade ainda pendente de julgamento.

De acordo com a lei os novos documentos deverão ser retirados do processo. Se isso não ocorrer, a defesa de Lula irá questionar a idoneidade do material, além de pedir a reabertura da fase de instrução, para que todas as testemunhas sejam novamente ouvidas.

Além dos vícios que poderão anular o processo, os documentos juntados hoje por Marcelo Odebrecht em nada mudam a realidade de que Lula jamais solicitou ou recebeu a propriedade ou a posse de qualquer imóvel para o Instituto Lula. Tampouco demonstram que qualquer recurso ilícito tenha sido direcionado a Lula.

A iniciativa é mais um factoide que tem por objetivo mascarar que nenhuma prova foi produzida contra Lula após a coleta de inúmeros depoimentos e diversas diligências.

CRISTIANO ZANIN MARTINS

VIOMUNDO: DE OLHO NA SAUDADE DO ELEITOR, PT TRAZ DE VOLTA O JINGLE DE 1989 E LULA RELEMBRA AS VOLTAS POR CIMA DO PARTIDO

Lula com mulheres e bebês, ao som do jingle da campanha de 1989. No encontro com hansenianos, a lembrança da lei que os beneficiou no governo

Passa o tempo e tanta gente a trabalhar/De repente essa clareza pra votar/Sempre foi sincero de se confiar/Sem medo de ser feliz/Quero ver você chegar

Lula lá, brilha uma estrela/Lula lá, cresce a esperança/Lula lá, o Brasil criança/Na alegria de se abraçar/Lula lá, com sinceridade/Lula lá, com toda a certeza pra você

Seu primeiro voto/Pra fazer brilhar nossa estrela/Lula lá, é a gente junto/Lula lá,Valeu a espera/Lula lá, meu primeiro voto/Pra fazer brilhar nossa estrela

Da Redação

Diante de uma multidão em Belo Horizonte, ontem à noite, o ex-presidente Lula deu um exemplo de como seria um comício de sua campanha: o jingle era de 1989 (quando foi derrotado por Fernando Collor), mas os olhos estão voltados para 2018.

Talvez uma forma de explorar a saudade do eleitor, especialmente das classes C,D,E, os maiores perdedores sob Michel Temer.

Foi no lançamento da pré-candidatura de Lula.

O PT reafirmou que, ao menos em público, não existe Plano B, ainda que o juiz Sergio Moro possa determinar a prisão do ex-presidente em meados de março, se o TRF-4 rejeitar os embargos de declaração apresentados pela defesa.

A presidenta do STF, Cármen Lúcia, está sob pressão interna para pautar a análise da prisão em segunda instância, que poderia ser derrubada pelo estimado placar de 6 a 5, o que livraria Lula de cumprir pena até que se esgotem todos os recursos ao STJ e ao próprio STF.

Mais cedo, em Belo Horizonte, o ex-presidente reencontrou hansenianos de uma antiga colônia de Betim, alguns dos quais tinham estado com ele no Palácio do Planalto, em 2007, quando Lula assinou a lei que concedeu pensão aos afetados pela doença e pelo antigo isolamento compulsório.

Outro ato simbólico: no meu governo, como no passado, todos serão incluídos. Lula disse que o gesto foi uma forma de dizer a todos os brasileiros que é preciso olhar para os que estão “pior do que nós”.

Em entrevista à rádio Itatiaia, Lula continuou sua guinada para ocupar o centro: disse que faria alianças com o MDB, que articulou a derrubada de Dilma Rousseff, e afirmou que, diferentemente do que pensa João Pedro Stédile, do MST, o filho do ex-vice-presidente José Alencar, Josué (cogitado para ser o vice) é “uma pessoa extraordinária”. [Veja detalhes aqui]

Para qualquer observador arguto da cena política brasileira já ficou claro: com alianças regionais, Lula mira numa votação maciça no Nordeste, onde o apelo de um líder popular perseguido e, possivelmente, preso, faz lembrar episódios históricos em que os do andar de baixo foram eliminados, de Canudos a Lampião.

Mesmo retirado do jogo antecipadamente pela justiça eleitoral, esta votação seria capaz de impulsionar um candidato indicado por Lula ao segundo turno.

No evento de Belo Horizonte, grandes cartazes de Lula livre emolduravam o cenário, no que pode ser a antevisão de uma campanha pela libertação do ex-presidente.

No discurso de pré-candidato, Lula enfatizou as voltas por cima do PT, um tema que ressoa com qualquer pessoa que tenha passado por alguma dificuldade na vida mas se levantou:

Lula em BH: “Estou candidato, aprendam a respeitar a democracia e as urnas”

do Lula.com

Em Belo Horizonte, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta quarta-feira (21) que a oposição teme sua candidatura porque se recusa a ouvir a voz do povo.

Lula participou do lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições deste ano no Expo Minas, no centro da capital mineira, ao lado do governador Fernando Pimentel e da senadora e presidenta do PT Gleisi Hoffmann.

“Aprendi a não baixar minha cabeça. Quero dizer pra aqueles que não querem que eu seja candidato: aprendam a lamber suas feridas e permitam que a democracia vença”.

Lula disse ainda que a perseguição jurídica a ele nunca terá o efeito desejado, porque “é impossível prender ideias”.

“Quero dizer aos meus algozes: Prendam minha carne, mas as minhas ideias continuarão soltas. Não vão prender nossos sonhos”.

E completou: “Quando prenderam Genoíno e Zé Dirceu, nós elegemos o Haddad. Quando acharam que tinham nos destruído elegemos a Dilma e o Pimentel. Toda vez que eles tentam destruir o PT nós nos reerguermos. O problema não é o Lula, são os milhões de Lulas”.

A senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann falou em nome do partido e disse que “o país é refém de uma elite que não aceita as melhorias da classe mais pobre, mas o Lula será candidato e continuará essas mudanças. O PT não tem plano B.”

O governador Fernando Pimentel comparou, assim como Lula, os desrespeitos à democracia com a época da ditadura militar.

“Ao invés de tanques e fuzis eles usam mandatos de busca e apreensão. Eles estão tentando jogar o povo contra as Forças Armadas e as Forças Armadas contra o povo. O povo brasileiro resolveu resistir e nós vamos pra cima deles para exercer nossos direitos democráticos, nós vamos votar no Lula para presidente da República. Não existe nenhuma sentença fajuta que vai nos impedir”.

Ao fim de sua fala, Lula revelou seu desejo de voltar para garantir ao povo o direito de viver melhor.

A FAMÍLIA MARINHO, SEU APREÇO AOS MILITARES E INTERVENÇÃO NO RIO

ONTEM E HOJE

“Jornal Nacional” faz cobertura “dramática” da violência, como se afetasse apenas o Rio de Janeiro, para legitimar a ação dos militares, assim como fez ao apoiar o golpe de 1964
por Renata Mielli, na Mídia Ninja.
 
MÍDIA NINJA
Globo Ditadura

Globo demorou exatos 49 anos para fazer o seu “mea culpa” por ter apoiado a ditadura

Mídia Ninja – Um ditado popular bem conhecido por aqui é “nunca cuspa no prato em que você comeu”. Digamos que trata-se de uma maneira bem tosca de dizer que é preciso sempre manter a gratidão para os que te ajudaram. Nos “dez mandamentos” da Família Marinho, este talvez seja o número um.

As organizações Globo cresceram de mãos dadas com a ditadura militar. Ela serviu ao projeto de unificação nacional promovido pelos generais do “Brasil grande”. Foi a correia de transmissão e legitimação do poder autoritário e se beneficiou disso.

Representante genuína da elite política e econômica, a Família Marinho nunca vacilou em se posicionar na cena política alinhada a esses interesses, que na esmagadora maioria das vezes não é o interesse da população, e nem do país. Democracia, liberdade, direitos sociais, distribuição de renda, soberania, não são objetivos que constem dos mandamentos da Globo, e nem da elite nacional.

Então, não é de se espantar o apoio da Família à intervenção militar no Rio de Janeiro, manifesto em editorial do jornal O Globo – o porta-voz oficial dos Marinho – nesta terça-feira (20): “Intervenção é oportunidade para sanear instituições (…) Sanear essas instituições (polícia militar, civil, e segurança pública) é fundamental para que as ações coordenadas entre as forças federais e as polícias do estado possam surtir efeito, o que não vinha acontecendo. Mas é preciso que elas sejam duradouras. Operações tópicas, realizadas no varejo, já se mostraram ineficazes. Podem funcionar por algum tempo mas, quando as forças se retiram, tudo volta a ser como era antes. Portanto, não se pode cometer o mesmo erro”.

Já preparava esta coluna para falar de como a Rede Globo, através de seus telejornais – particularmente o Jornal Nacional – criou um clima de terror que certamente impulsionou a intervenção. O editorial só veio confirmar o que já estava evidente – a organização que apoiou a ditadura militar, apoia a intervenção militar no Rio de Janeiro.

A história vai mostrar se este apoio foi apenas passivo ou ativo. Infelizmente, sabe-se que, sai presidente, entra presidente (me refiro aos da República mesmo), a Globo tem sido uma eminência com presença constante no Palácio do Planalto (primeiro o pai, Roberto Marinho, agora os filhos). Por isso, duvido que uma decisão como esta, a de decretar uma intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro, sede das Organizações Globo, tenha sido tomada sem que os chefões do maior grupo de comunicação do Brasil tenham sido consultados.

Um telejornal focado na violência carioca

Para não suscitar dúvidas: é claro que há uma crise social gravíssima no Rio de Janeiro. Essa crise social, por questões históricas, geográficas e populacionais criou as condições para a consolidação de um sofisticado sistema criminoso. A falência do Estado, a inépcia dos governos, a falta de uma política de segurança pública são um alimento para a violência na capital fluminense.

E, esse cenário foi piorado diante de um governo federal que congela gastos por 20 anos e impõe uma agenda de desmonte dos serviços públicos. Vale lembrar que o Rio de Janeiro é uma cidade com forte presença de equipamentos públicos federais (por ter sido até a década de 50 a sede do governo federal). A devassa contra a Petrobras também impacta fortemente a dinâmica da economia no Rio de Janeiro e tudo isso é preciso se avaliar quando se discute os problemas do Rio.

Mas, esta situação de crise social e violência não é, nem nunca foi exclusiva do Rio de Janeiro. O Brasil possui 27 Estados e em todos eles – e em alguns até mais do que no Rio – os índices de violência são alarmantes.

Segundo dados do 11º Anuário de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no final de setembro de 2017, o estado do Rio de Janeiro ocupava o 10º lugar no ranking dos estados mais violentos do país (se considerada a taxa de assassinatos por 100 mil habitantes). Em números absolutos, o Rio de Janeiro ocupa a segunda posição, atrás da Bahia. Já, se olharmos apenas para os municípios, a capital fluminense não aparece nem mesmo entre as 30 cidades com maior taxa de homicídios no país, segundo o Atlas da Violência publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, em 2016.

Ranking Violência

Mas quem vê o Jornal Nacional pensa exatamente o contrário disso. Para a principal vitrine jornalística do país, a violência do país praticamente se restringe ao Rio de Janeiro.

Assisti pacientemente a todas as reportagens sobre violência veiculadas pelo JN de 01 de janeiro até 16 de fevereiro de 2018, dia em que o desgoverno Temer decretou a intervenção militar no Rio. Em 41 edições do JN, apenas 8 não abordaram temas relativos à violência e segurança. Das outras 33, dez não trataram de questões envolvendo o Rio de Janeiro. Vale registrar que até 9 de janeiro, uma greve da polícia militar no Rio Grande do Norte mereceu a atenção do noticiário. Outro assunto foi a crise envolvendo os presídios de Goiás no início do ano.

Ou seja, de 41 edições do Jornal Nacional, vinte e três trouxeram reportagens sobre a violência do Rio de Janeiro. Na maioria delas, o tom das matérias eram dramáticos, com uma narrativa que destoa do tratamento dado aos demais casos de violência.

A Globo enquadrou este carnaval carioca como o mais violento dos últimos anos. Apesar dos casos mostrados pelo noticiário da emissora – arrastões na praia e roubos de turistas – não ser diferente do que se passou em outros estados. Nenhuma reportagem da emissora buscou mostrar a violência durante o carnaval em Salvador, Recife, Olinda, São Paulo – isso para citar apenas quatro cidades que tiveram grandes blocos de rua.

Ao escolher o Rio de Janeiro como capital da violência e ocultar da sua cobertura os casos de violência que acontecem no restante do país, a Globo criou uma narrativa de pânico e sublinhou na sua cobertura a falta de ação e comando para enfrentar o “crime organizado” no Rio de Janeiro.

O tom de cobrança de ações efetivas estava subjacente a toda a cobertura. Até desembocar no anúncio da intervenção. No dia 16 de fevereiro, mais da metade do tempo do JN foi dedicado ao decreto de Temer. Entre os parlamentares, especialistas e pessoas ouvidas sobre a medida, praticamente todos avalizaram a decisão do governo federal.

As considerações e ponderações, quando apareciam, não eram para alertar para os perigos à democracia ou aos direitos das pessoas, mas sim para os limites da intervenção. A única posição contrária, foi a leitura no final da reportagem pela apresentadora Renata Vasconcelos, em segundos, da posição da ONG Human Rights Watch.

A intervenção militar na segurança pública no Rio de Janeiro pode até não ter – diretamente – o envolvimento da família Marinho. Mas, indiretamente, é certo que o tratamento dispensado pela Rede Globo à cobertura da violência no Rio contribuiu para essa decisão. Que, como já foi amplamente dito, tem graves consequências para a democracia e provavelmente não vai resolver a situação dramática da violência no Rio de Janeiro que sim, precisa de respostas na área da segurança, mas precisa em primeiro lugar de respostas políticas e econômicas para recuperar o papel do Estado como indutor da economia, para gerar empregos e renda e reduzir a situação de penúria do povo fluminense.

A Globo demorou exatos 49 anos para fazer o seu “mea culpa” por ter apoiado a ditadura que se instalou com o golpe de 1964. Em editorial publicado no dia 31 de agosto de 2013, o jornal finaliza afirmando que “À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”

Ao que parece, precisaram menos de cinco anos para que a Família Marinho mudasse sua opinião e se esquecesse do que escreveu. Ou, talvez, aquele editorial foi apenas uma posição bastante oportuna para o momento político e não revelasse, de fato, a opinião do grupo.

Talvez daqui a 50 anos vejamos outro “mea culpa” por aí, isso se as Organizações Globo ainda existirem.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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