Arquivo para 15 de maio de 2018

CARTA MAIOR: RECADO DE 1968 PARA 2018: ‘QUANDO AS RUAS FALAM, A HISTÓRIA OUVE’

Por Joaquim Ernesto Palhares

Bruno Barbey/Magnum Photos
Créditos da foto: Bruno Barbey/Magnum Photos

A Assembleia Nacional é dissolvida e a esquerda partidária, com receio de perder espaço político, entra nas manifestações. Semanas depois, os trabalhadores obtêm aumento de 35% do salário mínimo e de 10% em média para os restantes níveis salariais. Comissões de fábrica, antes proibidas, foram conquistadas e passam a ser abertas em cada empresa. 

O espírito contestatório, impulsionado por manifestações que ocorrem em vários países, agora se espraia e impulsiona tantas outras manifestações na Europa, Estados Unidos e América Latina. A sublevação é global e o desejo de transformação social, econômica, política e cultural ruma na direção de uma sociedade socialista e libertária.

Sonho?

Isso aconteceu, tem nome e endereço: 

Paris, Maio de 1968.

“Pensar a grande fecundidade daquele tempo histórico, os atos fundamentais daquela época, pode dar um sentido mais empolgante ao tempo presente”, destaca o economista Enéas de Souza no artigo “É indispensável recuperar o sentido dos gestos de renovação dos anos 60”. 

O Maio de 68 tem muito a dizer aos jovens de hoje. 

Qual foi sua mensagem e seus principais ensinamentos é o cerne do Especial Maio de 68 que oferecemos a vocês neste mês. Tratam-se de análises e entrevistas, de especialistas e/ou protagonistas daquele momento, por exemplo, o artigo do historiador Rui Tavares “Duas memórias sobre hoje e não o Maio de 68”, as entrevistas com Jacques Sauvageot, então vice-presidente da UNEF (União nacional dos estudantes de França) e com Edgar Morin, “Maio de 68 é algo como um momento simbólico de crise da civilização”, entre outros. 

Onde foram parar os ideais de Maio de 68? 

No Brasil, influenciados pela revolta de Paris, os estudantes promoveram a Marcha dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em junho daquele mesmo ano, com forte participação das mulheres (leia mais). Nós também gritávamos a plenos pulmões “é proibido proibir” e tantas outras frases grafadas nos muros franceses. 

Ao contrário da França, vivíamos a restrição das liberdades coletivas em pleno avanço da ditadura militar. A cultura explodia e reagia por todos os poros: teatro, cinema, música popular, artes plásticas, literatura… 

A cultura se insurgia contra o fascismo e o autoritarismo, expressão primeira da revolução comportamental. A crítica incidia contra o sistema capitalista, a desigualdade social, a família patriarcal, a tradição e a moral que cerceavam nossas liberdades com proibições de diversas ordens. Em dezembro daquele ano, porém, o AI-5 cairia pesado sobre toda essa efervescência. 

“Cinquenta anos nos contemplam”.

Vivemos uma “paisagem sinistra”, como tão bem sintetiza a filósofa Suely Rolnik, em artigo imperdível – “Um novo tipo de golpe de estado, um seriado em três temporadas” – sobre “a tomada de poder mundial pelo regime capitalista em sua nova dobra – financeirizada e neoliberal –, poder que leva seu projeto colonial às últimas consequências, sua realização globalitária”.

Ao domínio desse capitalismo financeiro e neoliberal soma-se a “ascensão ao poder de forças conservadoras por toda parte, cujo teor de violência e barbárie nos lembra os anos 1930”, aponta Rolnik. 

Em sua avaliação, o neoliberalismo e o neoconservadorismo vêm atuando, no atual contexto do capitalismo financeirizado, como “capangas que se incumbirão do trabalho sujo: destruir todas as conquistas democráticas e republicanas, dissolver seu imaginário e erradicar da cena seus protagonistas – o que inclui as esquerdas em todos seus matizes, mas não só elas”.

Daí a importância de nos voltarmos às lições de Maio de 68.

Em 1968, a França era um país sólido, com um presidente herói de guerra, uma sociedade estruturada, grandes e excelentes Universidades, um parque industrial de dar inveja, muita ciência e tecnologia e uma economia funcionando a pleno vapor. Apesar de tudo isso, AS RUAS FORAM CAPAZES de fazer o grande líder recuar e pensar em renunciar. 

Não nos enganemos: as ruas precisam ser ocupadas novamente. 

É preciso salientar que, em 2013, o que aconteceu no Brasil foi muito diferente do que aconteceu no Maio francês. 

Em meio à enorme crise social, cultural, econômica e política, a fragilidade do governo Dilma e a inabilidade dos quadros de esquerda em fazer política foram explorados, com máxima eficiência, pela Rede Globo que ali derrubou os governos petistas, conferindo poder a um bando de fascistas, despolitizados e totalmente desconhecidos, sem histórico político.

Resultado: Dilma Rousseff que obtinha 79% de aprovação popular em março de 2013, índice superior a Lula e a FHC, após as manifestações de junho, despencou para 30% no final daquele mês, conforme revelam pesquisas daquela época. E isso tudo em ano pré-eleitoral. 

Aliás, as manifestações bombadas pela Globo, somadas à ação da Lava Jato, iniciada em março de 2014, foram decisivas para comprometer o projeto eleitoral dos governos petistas. Tanto que Dilma quase perde nas urnas para um playboy, arroz de festa das noitadas cariocas e hoje, comprovadamente, um criminoso.

Vejam como refletir sobre 1968 é importante.

A Revolta de Paris teve início a partir de uma discussão banal entre Daniel Cohen-Bendit, que viria a se transformar no grande líder dos estudantes, e o ministro da Juventude e Desportos, François Missoffe sobre a inauguração da piscina da universidade. 

As manifestações em 2013, da mesma forma, tiveram início a partir da reivindicação legítima da juventude contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens de ônibus da cidade. Em pouco tempo, porém, a inabilidade política e a esperteza da mídia transformaram o protesto em manifestação com mais de 500 mil pessoas levando, notadamente, à derrocada do governo Dilma.

A pergunta se impõe: 

Em meio à destruição do país, à prisão política do maior líder popular do país, assassinato de lideranças sociais e populares, invasão de universidades, retirada de direitos trabalhistas e sociais: o que mais é necessário para que a massa saia às ruas? 

O Brasil de 2018 precisa da sua juventude, dos movimentos sociais e populares, de todas as centrais sindicais e organizações de trabalhadores, de todos os cidadãos e cidadãs que se sentem lesados pelo golpe NAS RUAS. 

Não há outra saída. 

Somente a luta popular promove as transformações que o mundo precisa. Essa é a principal mensagem do Especial Maio de 68 e, também, do Especial 200 anos de Karl Marx. O que está em jogo é o país. É o nosso futuro como pessoas e como brasileiros. 

Carta Maior, na trincheira da esquerda, desde a primeira hora de seu surgimento, continuará produzindo novos especiais. Em breve, lançaremos um especial voltado ao debate da universidade brasileira; e outro sobre a atual crise da Argentina, que já foi nosso principal parceiro econômico.

Aliás, pouco tempo atrás, os colunistas da grande mídia, Miriam Leitão, Sardenberg, Merval e os “especialistas” enalteciam o governo Macri como exemplo a ser seguido pelo Brasil. Hoje, a Argentina está quebrada. O FMI, que também tecia elogios ao programa econômico argentino, reluta em emprestar ao país US$ 30 bilhões, exigindo mais suor e sangue do povo argentino.

E mais:

Durante os governos Lula e Dilma, o Brasil nunca manifestou interesse em fazer parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Hoje, o governo golpista de Michel Temer implora pela entrada do país na OCDE. Em vão: o pedido de Temer foi vetado pelos Estados Unidos que preteriram a Argentina (agora quebrada). Ela foi convidada a participar da reunião dos países mais ricos do mundo juntamente com o Chile e o México (também quebrado).

Vocês sabiam disso? 

Não se culpem, a maioria não sabe. 

Estamos todos cerceados pela desinformação e em meio à realidade dissimulada pela grande mídia. É por isso que precisamos fazer o contraponto a ela. Carta Maior vem mostrando que é possível fazê-lo e com muita qualidade. A editoria Poder e ContraPoder, com análises de primeira linha sobre Estados Unidos, Rússia e China, segue de vento em popa. 

Desenvolvemos um projeto editorial, já pronto para ser produzido, com a participação de jornalistas e intelectuais brasileiros e de vários países. O projeto Cartas do Mundo é só o início, já contamos com colaboradores de 17 capitais do mundo que trazem, semanalmente, informações exclusivas sobre a situação de seus países, apresentando aos nossos leitores a realidade que acontece no mundo da “realização globalitária” neoliberal. 

Manter essa qualidade custa dinheiro, tempo e dedicação exclusiva. Nós precisamos dos nossos leitores e pedimos: DOEM R$1,00 por dia (R$30,00/mês), quem puder DOE MAIS (clique aqui a confira opções de doação). 

Sigamos juntos, disseminando o contraponto à ideologia neoliberal e combatendo esse aparato político-midiático que sequestrou a Comunicação brasileira. 

Antes de terminar, mais uma dica: assistam no Canal Curta! ao especial Maio de 68, em particular, o documentário de William Klein ˜Quartier Latin – Maio de 68”. Certamente, os que viveram a efervescência daqueles anos, lembrarão com saudades. Os que não viveram aprenderão muito.

Mas também não deixem de ler o nosso Especial Maio de 68, segundo o grande intelectual Eduardo Galeano, tempos de “busca da utopia”.

Boas leituras. 

Joaquim Ernesto Palhares

Diretor da Carta Maior

ROVAI ENTREVISTA HILDEGARD ANGEL QUE AFIRMA QUE O GOLPE E A PRISÃO DE LULA TEM CONEXÃO COM A DITADURA

 

Renato Rovai – Eu tenho defendido a tese de que essas novas revelações sobre os assassinatos da ditadura não foram surpreendentes, que a imagem que eu tinha do Geisel já era essa que foi revelada, mas eu queria ouvir de você, que teve um envolvimento mais direto com tudo isso, o que você achou dessa desclassificação dos documentos e da história que foi revelada?

Hildegard Angel – Eu achei que demorou muito para o Brasil e a mídia saberem deste fato. Havia uma negação da mídia, muito induzida pelo Elio Gaspari, de reconhecer o Geisel como um ditador. Vamos dizer a verdade, se houve uma abertura, um ritual de passagem, foi no governo de outro tirano, que foi o Figueiredo, porque no Geisel, o ritual das mortes se manteve igual, não houve diferença. Eu tive a experiência familiar. O (Vladimir) Herzog foi morto também e tantos outros. A gente continuou sabendo de mortes, prisões e de torturas durante o governo Geisel. A diferença é que o Geisel, com aquele patriotismo dele, a política da soberania, ele dava uma impressão de maior competência, tudo isso blindava o Geisel. Mas ele foi tão tirano quanto os outros. Eles eram um colegiado de homens maus.

Renato Rovai – Você acha então que a Zuzu foi assassinada a mando de Geisel? 

Hildegard Angel – É. Foi essa a declaração desse delegado, Cláudio Guerra, e que não me surpreendeu porque a gente sempre intuiu que fosse uma coisa desse porte. Fazer uma emboscada pra matar a Zuzu Angel era muito atrevimento, muita ousadia, porque ela estava mobilizando forças muito importantes, então teria que vir, realmente, lá do alto. Agora, é engraçado que depois do Costa e Silva, que era um militar mais bonachão, que gostava de jogar, recebia o Ibrahim Sued na casa dele, tinha um perfil carioca e, quando ele morreu, a esposa era uma mulher mais desfrutável, frequentava a noite, arrumou um namorado, fez plástica, gostava de mostrar que ela estava sem soutien, umas coisas que os militares não apreciavam. E ai, em contraponto, vieram o Médici e o Geisel pra impor essa sobriedade, essa moral que eles achavam que projetaria o respeito, a dignidade que o povo apreciava. Dona Scila Médici era considerada a primeira dama ideal porque ela não emitiu ruído. Nisso tudo a Dona Iolanda era bem mais simpática, porque era uma boemia e transgredia, se é que se possa chamar isso de simpatia. E o Geisel veio dentro dessa proposta de militares austeros e que, por trás daquela capa de austeridade, religião, bons pais de família, bons brasileiros, grandes patriotas, estava uma alma de homens perversos. Que queriam, de certa forma, se manter no poder e, pra justificar isso, precisavam ter antagonistas, mesmo que fossem antagonistas frágeis, jovens, que não tinham nenhuma estrutura grande de poder. Eles sabiam disso. Porque eles tinham uma estrutura também de terror, de torturas, de mortes, montada, cara e que eles precisavam utilizar.

Renato Rovai – E, com tudo isso sendo revelado, ficando bem claro que não teve “ditabranda” nenhuma. Que nós tivemos uma ditadura que, quando precisou foi sanguinária, como você assiste a defesa do retorno desses dias, a partir de um discurso articulado inclusive por um dos candidatos, que só não está em primeiro quando o Lula participa das pesquisas, mas quando o Lula entra ele aparece em primeiro, que é o Jair Bolsonaro?

Hildegard Angel – Eu acho que isto acontece, primeiro porque não houve uma revisão histórica correta desses momentos brasileiros. Segundo que isso não foi absorvido pela história do Brasil, não foi ministrado nas salas de aula. Quando é que esses episódios da história brasileira vão estar contados pela história brasileira? Que não seja a história da academia de graduação. Quando é que vai estar contado nos livros de sala de aula dos colégios, ensino fundamental? Quando é que as nossas crianças vão poder aprender a verdadeira história do Brasil? Elas ainda estão no Tiradentes, que é uma história que levou quase 200 anos para ser contada. Essa história tem que ser contada já pra nossa população ser formada e crescer consciente do que é uma ditadura. Enquanto ela não for contada, vai se contar a história que se quiser. Eu posso estar contando uma história da carochinha. É o meu sentimento, é a minha versão individual. Ela tem que ser educação, uma história oficial que não seja só de documentos, de comissões. Tem que se transformar numa história oficial do Ministério da Educação.

Renato Rovai – A partir dessas revelações você pretende tomar alguma atitude? Já conversou com os seus advogados? Ou pretende tomar uma atitude que não seja jurídica, mas do ponto de vista de tentar provocar alguma universidade pra fazer uma pesquisa em relação a isso, pra que essa história seja revelada de forma mais ampla?

Hildegard Angel – A minha mãe sempre foi muito criticada pelos grupos por agir individualmente. Ela não era admirada na época por pessoas que militavam, que sofreram os mesmos sofrimentos, porque achavam que ela agia individualmente. E ela agia individualmente e fez muito assim, porque ela achava que tinha que fazer. Então eu aprendi essa lição. Eu não vou agir individualmente, eu vou agir coletivamente. Eu estou esperando baixar um pouquinho essa água e vou procurar o movimento Tortura Nunca Mais, o advogados que me aconselharam em várias ocasiões. O Nilo Batista, que foi o advogado do Stuart, que defendeu o Stuart à revelia, como assistente do Dr. Fragoso, e ele ia aos tribunais com o Stuart ausente. O Nilmário Miranda eu vou procurar também, que foi o que defendeu o caso da mamãe na primeira comissão dos desaparecidos e o Pedro Dallari. Essas pessoas é que vão me orientar.

Renato Rovai – E nesse contexto todo de novas revelações a respeito do golpe militar, você consegue fazer algum tipo de paralelo daquela ditadura com o que está acontecendo hoje, que levou ao impeachment da Dilma e à prisão do Lula, ou você acha são dois momentos absolutamente distintos e que não tem nenhuma intersecção?

Hildegard Angel – Não, eu acho que as coisas têm vínculo e eu vejo isso com muita clareza. Quando houve o mensalão, que eu chamo de mentirão, eu vi naquilo o propósito, o primeiro gesto de desqualificar aqueles homens que tinham vínculo com 68, com a militância contra os governos militares. Desqualificar aquele sonho daquele grupo. Desqualificá-los como heróis, as suas torturas, seu movimento, seus anseios, seus propósitos e suas ideologias e sua presença na vida brasileira. E fizeram isso, conseguiram tirar deles a imagem de heróis e colocar a de corruptos. E ai poder desenvolver essa estratégia que culminou na Lava Jato, no impeachment de Dilma e agora nesse recrudescimento da direita e esse extremismo, porque o golpe, a ruptura democrática, constitucional, você não consegue controlar. Tolos e arrogantes os que pensam que podem controlar um processo desses. E hoje nós vemos ao que está levando. Ao fascismo, ao bolsonarismo, ao desconhecimento total dos fatos, a uma catástrofe do Brasil.

Renato Rovai – Você que vivenciou e teve que lutar contra aquela ditadura, e enfrentou na carne da sua família a perversidade, como você acha que o país, que essa juventude pode construir a saída pra esse novo golpe que a gente está vivendo hoje?

Hildegard Angel – Eu vejo com um certo pessimismo e muita tristeza, mas eu acredito em milagres, eu sou católica (risos). Eu tenho sempre a esperança, o brasileiro é um esperançoso. Eu quero que isso se reverta, mas é tão difícil. Quando eu era pequena diziam que o Brasil era o país do futuro e que a esperança é a última que morre e que tem luz no fim do túnel. Todos esses mitos se esvanecem agora com esse impeachment da Dilma e com esse golpe. É como se o mundo, como se o Brasil virasse pelo avesso. A entrega das nossas riquezas, quando nós descobrimos o petróleo, o Pré-Sal, uma riqueza incomensurável, ela é entregue ao estrangeiro. Agora que nós temos milhares de engenheiros desempregados, nós estamos importando engenheiros estrangeiros, dando licença pra milhares deles virem trabalhar no Brasil porque são as empresas estrangeiras que estão entrando aqui, porque seus países compraram as nossas riquezas. Nós, os brasileiros, vamos servir só pra subemprego deles. Foi isso que fizeram com o Brasil (emocionada) nesses dois anos. Acabaram com a nossa esperança.

Renato Rovai – É muito simbólico ouvir da sua voz esse tipo de reflexão. E ai, pra gente encerrar a conversa, que eu posso imaginar o quão dura é pra você, se é pra mim, que não tenho um milésimo das passagens de vida que você teve, como você percebe, com tudo isso acontecendo, com o país desmontando, a gente tendo uma sensação de que vai ser quase impossível sair desse atoleiro, o povo, resistindo a todas as análises políticas, a todos os estrategistas, a todos os intelectuais e dizendo: “Eu quero o Lula presidente”, concedendo 33% em pesquisas recentemente feitas depois de mais de 30 dias de prisão que o Lula teve que enfrentar.

Hildegard Angel – Mas esse povo é o povo que não tem voz. Não é o povo formador de opinião e está se manifestando de forma tão expressiva nas pesquisas. É o povo sem voz, o povo que está mudo, que receia falar porque se falar perde o emprego. É o povo que se omite, que não sai na rua, que sai só se for em multidão, mas não toma iniciativa. É a maioria silenciosa. E essa minoria, que não quer o Lula, faz muito barulho. E é essa minoria que tem o poder, os meios de comunicação, o mercado, as finanças, tem as artes, nós vemos os artistas populares se manifestando contra o Lula, não os mais refinados. E essa massa muda só se expressa no voto. E ela é uma massa intimidada, porque ela é historicamente reprimida. E historicamente derrotada, acostumada a levar no lombo, como disse aquela senadora, que tem que levar no lombo, né? Aquela senadora gaúcha. É uma massa domesticada. Ela só fala alto nas urnas.

Renato Rovai – Do ponto de vista do que aconteceu com as revelações do Geisel, há também uma clara percepção de que o Roberto Marinho sempre foi um cara muito influente nos processos de ditadura, principalmente nesta reta final de Geisel e Figueiredo, o protagonismo da Globo já era muito grande. Hoje, olhando isso em retrospectiva, você consegue dizer ou imaginar que o Roberto Marinho pudesse ter sabido do assassinato da Zuzu?

Hildegard Angel – Eu acho que não. Eu trabalhava no Globo. E eu me lembro que, quando eu trabalhava lá, o Rogério Marinho me chamou e falou: “Olha, Hilde, vou falar com o Armand Falcão. Ele vai descobrir onde está o seu irmão”. O Armando Falcão estava sempre pelos corredores.

Renato Rovai – Ele era ministro da Justiça na época, né?

Hildegard Angel – Mas antes de ser ministro da Justiça ele vivia pelos corredores, porque ele era funcionário do Roberto Marinho, advogado. Ele era móveis e utensílios lá na redação. Ai ele voltou e disse: “Olha, o Falcão disse que o seu irmão não foi preso, disse que não é nada disso”. Quer dizer, eles mesmos falavam qualquer coisa, entendeu? Eles mesmos também tinham núcleos, né? Núcleos de maldade. O Dr. Rogério me tratava como se eu fosse uma criança. Eu entrei muito jovem pro Globo: “Fique tranquila, seu irmão está muito bem. Deve estar escondido”.

EM NOVA YORK MORO FOI RECEBER PRÊMIO DAS MÃOS DE SEUS PARCEIROS-GOLPISTAS E FOI ESCRACHADO COMO O “CRIMINOSO DO ANO”

 

SEIS LÍDERES EUROPEUS DECLARAM APOIO A LULA E COBRAM SUA PARTICIPAÇÃO NAS ELEIÇÕES

Foto: Ricardo Stuckert

A prisão apressada do presidente Lula, incansável arquiteto da redução das desigualdades no Brasil, defensor dos pobres de seu país, só pode despertar nossa emoção.

O impeachment de Dilma Rousseff, eleita democraticamente por seu povo e cuja integridade nunca foi questionada, já era uma preocupação séria. A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos de eleger os seus governantes.

Nós solenemente solicitamos que o presidente Lula possa se submeter livremente ao sufragio do povo brasileiro.

François HOLLANDE, ex presidente da República francesa

Massimo D’ALEMA, ex presidente do Conselho de ministros da República italiana

Elio DI RUPO, ex Primeiro-ministro da Bélgica

Enrico LETTA, ex presidente do Conselho de ministros da República italiana

Romano PRODI, ex presidente do Conselho de ministros da República italiana

José Luis RODRIGUEZ ZAPATERO, ex presidente do Governo da Espanha

DA UNIDADE À RADICALIZAÇÃO, OS CAMINHOS PARA ‘RETORNAR’ A DEMOCRACIA E O PAÍS

JORNADA PELA DEMOCRACIA
Evento em São Paulo reafirma apoio a Lula e união do campo progressista, mas defende fortalecimento do processo político para evitar novas rupturas
por Vitor Nuzzi, da RBA.
TWITTER @PAULOTEIXEIRA
Jornada Lula Livre

Jornada Pela Democracia #LulaLivre no Sindicato dos Engenheiros em São Paulo lotou auditório em defesa da democracia e da candidatura Lula, além de lembrar Marielle e Paul Singer

São Paulo – Às 22h45, Renato Braz começa a cantar. Ele interpretaria duas canções representativas do período da ditadura e uma que já espelha tempos de mais esperança no futuro, apesar de composta ainda no período repressivo: Cálice (1973), Pesadelo (1972) e Coração Civil (1981). Uma síntese em forma de música ao final da oitava edição da Jornada pela Democracia, que reuniu na noite desta segunda-feira (14) artistas, religiosos, comunicadores, acadêmicos e líderes de movimentos sociais para reafirmar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apontar riscos ao processo político, das fake news às permanentes tentações autoritárias. Apenas três anos separam a primeira e a oitava edições da jornada, período historicamente curto, mas suficiente para que o país sofresse uma reviravolta.

“Não são tempos fáceis para quem é jovem”, disse, logo no início, a vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jessy Daiane, militante do Levante Popular da Juventude, falando de forças que “estão saindo da escuridão”. Na primeira edição da Jornada pela Democracia, em 12 de abril de 2015, uma das discussões era justamente sobre os riscos de um avanço conservador. Já se organizavam atos contra o governo Dilma Rousseff, eleita para um segundo mandato. Para o organizador do evento, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), é necessário “retomar um ciclo de direitos” e a pessoa que pode “reconciliar o Brasil” é Lula: “Ele é o alvo maior desse golpe”. 

Normalmente refratário a declarações públicas, o escritor Raduan Nassar, após alguma insistência, subiu ao palco do auditório no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, na região central da cidade, para manifestar preocupação. “Eu ando pensando o seguinte: que quem defende o Estado democrático de direito está correndo o risco de perder a sua liberdade”.

Minutos depois, pediu a palavra novamente: “Levando em conta as arbitrariedades do Ministério Público, mais as arbitrariedades do Supremo Tribunal Federal, como se isso não bastasse, as forças mais poderosas do país estão agora tomando as decisões em relação à política. Seja como for, acho que Lula está presente. Seja o que for, Lula livre, Lula presidente”.

A jornalista e analista Maria Inês Nassif ponderou sobre a importância de se pensar no futuro político do Brasil. “Estamos nos deixando muito nos levar pelas eleições de outubro sem saber o que será de nós até lá. Temos de preparar nossa unidade, nosso discurso e nossas forças para o que for. Não basta ganhar eleição. O que temos de fazer é radicalizar a democracia e torná-la realidade”, afirmou.

Direita dividida

Representante do Psol em um evento marcantemente petista, Gilberto Maringoni destacou exatamente a unidade entre forças de esquerda. “Dos 15 candidatos (ou pré-candidatos à Presidência), 11 apoiaram o golpe. É a direita que está dividida, e nós estamos fazendo uma campanha convergente”, afirmou o também professor e ex-candidato a governador.

A questão é que as intenções majoritárias de voto em Lula, conforme demonstrou nova pesquisa, divulgada ontem, ainda não se materializaram em apoio nas ruas. É preciso, diz, “transformar intenções de voto em intenção de volta, Lula”, para garantir o direito de participação do ex-presidente.

Metade do golpe consiste em impedir a participação eleitoral de Lula, avalia Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo que comandou ato ecumênico em São Bernardo no dia 7 de abril, quando o ex-presidente deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC rumo a Curitiba. Ele destacou a influência do poder econômico, com o trocadilho econômico-religioso “capetalismo”. 

Em 1964, também se derrubou um governo (João Goulart), por influência externa, para barrar as chamadas reformas de base. “Nunca houve esse perigo do comunismo no Brasil, como queriam alardear”, disse Dom Angélico, defendendo uma “mensagem de paz e amor em tempos árduos” como os atuais. Para ele, a prisão de Lula “é um desserviço terrível à causa do povo brasileiro”.

Para o economista Guilherme Mello, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é preciso combater algumas fake news (notícias falsas) que ainda circulam. Uma tenta “naturalizar” a exclusão de Lula do processo eleitoral. Outra, também comum, busca “vender” a ideia de que após o impeachment todos os problemas da economia estariam resolvidos.

As várias faces do impeachment que derrubou são discutidas por autores dos dois volumes do livro A Enciclopédia do Golpe e por um grupo de cineastas, incluindo Maria Augusta (Guta) Ramos, diretora do documentário O Processo, que entrará em cartaz na próxima quinta-feira (17) e teve o trailer exibido ontem. O evento também teve homenagens à vereadora Marielle Franco (sua companheira, Monica Benício, gravou um vídeo) e ao economista Paul Singer.

A jornalista Eleonora de Lucena, representante do Projeto Brasil Nação, citou a notícia divulgada ontem de que a mortalidade infantil voltou a crescer no país, depois de 13 anos. “Isso é trágico. A gente estava vendo uma curva descendente, constante”, comentou, lamentando o corte de programas sociais. “Esse é o golpe da destruição.

Plano B

Coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e líder da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim ressaltou a importância de candidaturas como as de Manuela d´Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol), mas acrescentou que “neste momento não existe outra saída a não ser lutarmos por Lula livre, Lula presidente”. Pouco depois, João Paulo Rodrigues, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reforçou esse posicionamento, relatando reunião da direção nacional na semana passada: “Reafirmamos o compromisso de que o candidato do MST a presidente da República é o Lula. E que plano B é lutar pra valer”. 

Segundo ele, “o lado de lá” enfrenta problemas para se viabilizar no processo eleitoral. “Não têm voto, não se acertaram com o candidato deles. Do lado de cá, temos candidato e temos voto.”

Prestes a lançar o livro O voto do brasileiro, o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida acredita em uma nova eleição polarizada por PT e PSDB. Sem falar em nomes, ele avaliou que o candidato petista tende a chegar ao segundo turno impulsionado pela região Nordeste, que concentra 27% dos votos válidos, pouco mais que os 23% de São Paulo. Segundo ele, o eleitorado se inclina a votar no candidato “que estiver menos associado com o governo”.

“Hoje ninguém duvida que é um golpe. Essa narrativa nós ganhamos”, disse o professor e advogado Wilson Ramos Filho, um dos organizadores da Enciclopédia. Mas é preciso se preocupar com o que, daqui a alguns anos, contarão os livros de História. Há um terceiro volume em preparação, com tema específico: “Este golpe não existiria sem o Poder Judiciário. Apenas 11 pessoas comprometeram o futuro de 200 milhões de brasileiros”.

Onze é o número de ministros do Supremo Tribunal Federal, mas Ramos também falou em “juizecos de primeiro grau”. Para ele, é preciso que o país “saiba quem são os verdadeiros destruidores da nação”.

Outra coordenadora da obra, a advogada Maria Luiza Tonelli fez referência ao “triplex do golpe”, composto do Congresso, Judiciário e mídia. “Temos a hegemonia do Poder Judiciário solapando a soberania popular. Que país é este em que Lula está preso e Paulo Preto está solto?”, afirmou, citando o engenheiro Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa em São Paulo e apontado como operador do PSDB.

O professor Laurindo Lalo Leal Filho destacou a importância de trabalhos como livros e filmes, além de veículos de comunicação alternativos, para garantir uma versão mais realista do processo de impeachment e suas consequências. “Seria muito ruim se daqui a alguns anos o pesquisador ficasse refém da mídia oficial. São documentos que nos ajudarão nestes dias difíceis a entender o golpe e a continuar lutando.”

Guta Fernandes disse esperar que o filme O Processo “contribua para a nossa luta em favor da democracia e contra esse golpe nefasto”. Ao lado dela, as também diretoras Tata Amaral e Laís Bodanzki falaram sobre as greves dos metalúrgicos do ABC, o processo de anistia, as fragilidades da democracia brasileira e comunicação alternativa. “Nosso exercício é pegar informação e passar adiante”, afirmou Laís.

O ator e diretor Tadeu di Pietro lembrou da conquista do reconhecimento profissional do artistas, em 1978, em movimento liderado por Lélia Abramo, direito agora ameaçado por uma ação no Supremo Tribunal Federal. E retomará o tema da informação. “Quando a gente fala em democracia, não pode esquecer da comunicação”, afirmou. Segundo ele, é preciso “construir um projeto de comunicação que vá além da bolha”. A resistência não pode se limitar ao Facebook e às redes sociais, mas precisa atingir inclusive pessoas que “bateram panelas” e foram à Avenida Paulista contra o governo Dilma.

Há pouco mais de 25 anos administrando um pequeno café no bairro paulistano da Bela Vista, o popular Bixiga, Segismundo Bruno resiste, sem perder a tranquilidade de quem o conhece no balcão do Sabelucha, perto da igreja de Nossa Senhora Achiropita. “É um local de batalha”, disse Bruno, que enfrentou antipatias e hostilidades por manifestar seu apoio ao PT, Lula e Dilma.

“Já passei por muitas coisas, mas não me importo, porque a gente só tem argumento verdadeiro”, afirmou Bruno. “Nós não estamos sozinhos.”

Confira as letras das canções cantadas ontem:

Cálice (Chico Buarque/Gilberto Gil)

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

 

Pesadelo (Maurício Tapajós/Paulo Sérgio Pinheiro)

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí

 

Coração Civil (Milton Nascimento/Fernando Brant)

Quero a utopia, quero tudo e mais 
Quero a felicidade dos olhos de um pai 
Quero a alegria, muita gente feliz 
Quero que a justiça reine em meu país 

Quero a liberdade, quero o vinho e o pão 
Quero ser amizade, quero amor, prazer 
Quero nossa cidade sempre ensolarada 
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver 

São José da Costa Rica, coração civil 
Me inspire no meu sonho de amor Brasil 
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real 
Bom sonhar coisas boas que o homem faz 
E esperar pelos frutos no quintal 

Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu vou viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar

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QUASE 40 ANOS DEPOIS, GREENHALGH VOLTA A DEFENDER LULA: ‘VISÃO POLÍTICA DO PROCESSO’

IGUAL A ANTES
Advogado do então sindicalista no início do anos 1980, ele afirma que não irá “sossegar” enquanto ex-presidente não estiver livre e “subindo a rampa’
por Vitor Nuzzi, da RBA.
ARQUIVO CPDOC-JB / RICARDO STUCKERTlula1e2.jpg

Lula sindicalista, Lula candidato. Perseguição política desde que surgiu como liderança da classe trabalhadora na luta por direitos

São Paulo – Em abril de 1980, Lula e outros sindicalistas metalúrgicos do ABC foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional, um dos vários instrumentos do período de exceção, por “incitação à desobediência coletiva”. Na sexta-feira anterior ao julgamento, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que acabara de completar 32 anos, foi ao prédio da Auditoria Militar, no centro de São Paulo, e acabou surpreendendo um escrivão, em tempos pré-computador, já datilografando a sentença – ele adiantou, inclusive, qual seria o tempo de prisão de um deles. Diante do que consideraram uma farsa, acusados e defensores decidiram não comparecer à sessão. Greenhalgh, agora aos 70, lembra disso no momento em que novamente integra a defesa de Lula.

Se naquele tempo a condenação estava decretada mesmo antes do julgamento, agora é preciso dar dimensão política ao processo que envolve o ex-presidente, preso desde 7 de abril em Curitiba, na Superintendência da Polícia Federal. “O que eu quero é que você dê uma visão política ao meu processo. O meu assunto é político, não é jurídico”, disse Lula a Greenhalgh, segundo o advogado, que participou na noite desta segunda-feira (14) da Jornada pela Democracia, em São Paulo. Durante as quatro horas do evento, no auditório do Sindicato dos Engenheiros, não foram poucas as referências à ditadura iniciada em 1964. 

Na platéia, estava a também advogada Maria Luiza Bierrenbach, também defensora de presos políticos. E também vítima de torturas, ao ser presa, em 1971. Perto dela, a jornalista e ativista de direitos humanos Rose Nogueira, presa e torturada em 1969.

“Foi a primeira vez que o Superior Tribunal Militar teve de reconhecer uma coisa chamada pré-julgamento. E a Lei de Segurança Nacional nunca mais foi aplicada”, disse Greenhalgh ao recordar o processo de 1980, que teve julgamento à revelia, já em 1981, condenação dos sindicalistas (Lula, por exemplo, pegou três anos e meio de prisão) e posterior anulação do processo pelo STM, em 1982.

Quase 40 anos depois, o advogado recebeu novamente uma procuração para defender Lula e diz que não irá “sossegar”. “Pode ter certeza de que vou fazer tudo para ele estar livre, ser candidato e subir aquela rampa (do Palácio do Planalto)”, afirmou Greenhalgh.

FEIJÓO: GLOBO TAMBÉM É RESPONSÁVEL PELAS MORTES DA DIDATURA

‘NÃO SE EMENDA’
Repercussão sobre política de extermínio de opositores comandada pelos generais ditadores serve para encobrir a participação efetiva de Roberto Marinho junto aos militares na derrubada da democracia
por Redação RBA.
REPRODUÇÃO/TVTDitadores militares e Globo

De golpe em golpe: após pedir desculpas pelo apoio aos militares no golpe de 1964, Rede Globo segue atentando contra a democracia

São Paulo – A Rede Globo vem dando ampla cobertura às recentes revelações que dão conta que o ex-presidente general Ernesto Geisel não só sabia da política de eliminação de opositores políticos da ditadura, como deu aval para que os assassinatos tivessem prosseguimento durante o seu governo. No entanto, documentos do Departamento de Estado norte-americano revelados há mais de três anos também mostraram que Roberto Marinho, fundador da emissora, foi um dos principais articuladores do regime liderado pelos militares, que durou 21 anos e deixou oficialmente 434 mortos e desaparecidos, além de milhares de torturados. 

O comentarista político do Seu Jornal, da TVT, José Lopez Feijóo lembra que Marinho “era assíduo frequentador da roda de decisões dos ditadores generais, influindo inclusive na nomeação de ministros da Justiça e na sucessão dos generais” no comando da República usurpada. 

Telegrama do embaixador norte-americano no Brasil durante a ditadura civil-militar, Lincoln Gordon, relata que Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco. Na ocasião, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça.

“Quando a ditadura terminou, demorou muito tempo para a Rede Globo produzir um editorial dizendo que errou (por apoiar o golpe). Mas a verdade é que até hoje não pagou pelos seus crimes. Porque, sim, também é de responsabilidade dela as mortes que ocorreram daqueles que não concordavam com o regime”, diz Feijóo.

O analista afirma ainda que a Rede Globo “não se emendou”, pois, apesar de pedir desculpas pelo apoio editorial à ditadura, voltou a apoiar novamente um golpe, agora contra a presidenta Dilma Rousseff. “É a principal articuladora do golpe de 2016, é a sua fiadora pública, e é a principal arma e instrumento de pressão sobre juízes, sobre o Ministério Público, na tentativa de formação de opinião para garantir e manter o estado de exceção em que nós estamos vivendo.”

Assista ao comentário no Seu Jornal, da TVT:


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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