Arquivo para 9 de junho de 2018

LUIS NASSIF: XADREZ DA ALIANÇA CIRO GOMES E LULA

Nas próximas eleições há apenas duas balas na agulha para interromper o desmonte do país e o fantasma de Bolsonaro: um candidato indicado por Lula ou Ciro Gomes, mas ambos os grupos caminhando juntos no segundo turno.

Há toda uma engrenagem montada em torno do impeachment, pronta a detonar “inimigos”. É o arco constituído pelo mercado, mídia e sistema judiciário. Mesmo assim, o aprofundamento da crise e o risco Bolsonaro estão tornando dois candidatos gradativamente palatáveis ao epicentro do golpe, em São Paulo: Fernando Haddad e Ciro Gomes.

Não significa necessariamente que Haddad será o candidato de Lula. Há também os nomes de Jacques Wagner, Celso Amorim e Patrus Ananias. Mas são as duas hipóteses levantadas pelas últimas pesquisas.

A disputa tem três tempos.

O segundo turno, e as alianças que resistirem à disputa do 1º turno.

A estratégia depois de eleito, assegurando a governabilidade.

Peça 1 – a estratégia de Lula

Para as eleições, a estratégia aparente de Lula consiste em manter sua candidatura até o último momento. Perto do prazo fatal, ficando claro que o golpe não permitirá que se candidate, haverá a indicação do vice, que assumirá seu lugar na chapa como seu candidato.

A lógica é clara.

Primeiro, manter viva a chama do lulismo e conseguir o impacto da proibição de se candidatar, em um momento em que cada vez mais cai a ficha da opinião pública sobre a perseguição política de que é vítima. Com isso, aumenta seu cacife e do PT para negociar alianças.

Depois, porque se o vice for apresentado antes, será fuzilado pela estrutura Lava Jato-mídia-Judiciário.  Em cima da bucha, o PT terá o horário gratuito para defender-se dos ataques.

Para ser vitoriosa, no entanto, essa estratégia depende de algumas variáveis indefinidas ainda:

  1. A capacidade de Lula de transferir votos.
  2. O tiroteio que se abaterá sobre seu candidato.

É um jogo de apostas. Se a estratégia der errado e houver o segundo turno com dois candidatos de direita, serão destruídos os últimos pontos de resistência das esquerdas e da incipiente social-democracia brasileira.

Daí as últimas orientações de Lula – após encontro com Jacques Wagner – de mandar emissários conversarem com Ciro, para esvaziar as tensões acumuladas entre ele e o PT. A orientação de Lula foi a de tratar Ciro Gomes como parceiro do mesmo lado político.

Tem lógica.

Peça 2 – a estratégia Ciro Gomes

Ciro Gomes vai montando sua estratégia política dentro da seguinte lógica:

  • Estratégia da redução de dano: a esquerda não o vê como um dos seus, nem a direita do DEM e assemelhados. Mas, para a esquerda, é garantia de suspensão do desmonte montado por Temer e, para a direita do DEM, a possibilidade de compor um novo bloco de coalizão, papel desempenhado pelo DEM com FHC e MDB com Lula.
  • Identificação dos inimigos externos, de forma alinhada com a opinião pública de esquerda e centro: a quadrilha Michel Temer, o MDB e Bolsonaro.
  • Recuperação de propostas desenvolvimentistas e interrupção da destruição empreendida por Temer.
  • Apropriação do discurso anticorrupção, tentando uma vacina contra o antipetismo. Mas, com isso, criando resistência junto à militância do partido, que Lula tenta diluir.
  • Um discurso articulado. Ciro tem na ponta da língua o manual dos bons princípios da social-democracia, assim como Fernando Haddad. A diferença é que, até agora, Haddad tem evitado se expor.
  • Cada vez mais tenta se apresentar como o anti-Bolsonaro, usando a retórica virulenta do seu opositor. É uma briga de machos-alpha, claramente definida para arrostar Bolsonaro no seu único terreno: a truculência.
  • A fala impositiva, autoritária até, em um momento em que parte relevante da opinião pública clama por um mínimo de disciplina institucional, só possível com a recuperação do protagonismo pelo Executivo.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, Ciro não está disputando o espaço político com

Lula, mas com Geraldo Alckmin. O espaço em questão consiste em juntar setores mais liberais, assustados com a hipótese Bolsonaro, os órfãos do velho PSDB; e, na hipótese de um segundo turno com Bolsonaro ou Alckmin, o apoio das esquerdas.

A provável frente que se desenha em torno de Ciro, caso sua candidatura decole, ficará mais ou menos assim:

  1. Apoio dos governadores nordestinos, que temem a demora na definição do lulismo.
  2. Possível adesão de parcelas relevantes do PSDB, órfãos de uma liderança forte, depois do esvaziamento da banda barra-pesada – Serra-Aécio-Marconi-Richa.
  3. Aproximação com o clube dos bilionários e com os grandes grupos paulistas que sabem o desastre que seria Bolsonaro, e não tem confiança no fôlego e na competência de Alckmin.
  4. Com o discurso anticorrupção, aproximação com o Partido do Judiciário, que será crucial em dois momentos: para garantir votos da parte punitiva do eleitorado; e como aliados na guerra mortal contra o MDB.
  5. Montagem de um novo bloco de coalizão, com o DEM e outros partidos menores fornecendo a base de apoio, mas com uma incógnita sobre com quem dividirá a governabilidade: se com o PT ou um bloco mais alinhado com o PSDB.

Analistas respeitáveis sustentam que, a exemplo de outras eleições, na reta final do primeiro turno vencerão os candidatos que tiverem atrás de si mais estrutura partidária. Ou seja, haveria a reedição da disputa PSDB, com Alckmin, e PT, com o candidato indicado por Lula.

Mas será que os tempos atuais repetem as mesmas características de outras eleições? Têm-se o PT e o PSDB baleados junto a parcelas da opinião pública; novas formas de mobilização com as redes sociais, e um eleitorado consolidado de Bolsonaro. A rigor, há duas únicas forças se movimentando: o lulismo e o antilulismo.

Peça 3 – os fatores de instabilidade

Além disso, há um conjunto de fatores aleatórios no ar. Têm-se um quadro de caos, um cenário aberto para novas tentativas de instabilização.

Graças à Globo e ao Supremo Tribunal Federal (STF) o país experimenta a situação esdrúxula, de estar sendo governado por um presidente que será preso, assim que deixar o cargo, mas com plena liberdade até lá para continuar montando negócios.

Do lado do grupo de Temer, a contagem regressiva para a prisão induzirá a novas tentativas de endurecimento político. Até agora, duas delas foram tiro n’água graças à baixíssima credibilidade do grupo: a intervenção militar no Rio de Janeiro e a tentativa de militarização na greve dos caminhoneiros.

Mesmo assim, se tem no STF uma presidente inconfiável, como ficou claro no episódio de desengavetamento do julgamento do parlamentarismo. Logo depois, Carmen Lúcia o tirou novamente de pauta. Imaginou-se que tivesse recuado devido às críticas recebidas, mas foi apenas porque o propositor da ação, deputado Arlindo Chinaglia, a retirou.

Continua pendente no ar a possibilidade de um novo golpe jurídico-midiático, mesmo porque o STF está dominado pela politização, com os Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Luiz Fux, Alexandre Morais, Rosa Weber e Carmen Lúcia atuando com despudor, e o antipetismo explícito condicionando a atuação dos garantistas Celso de Mello e Gilmar Mendes.

De qualquer modo, o fator Temer promoveu um desgaste também no coração do impeachment – a própria mídia.

Ao contrário de outros tempos, as tentativas de desenhar cenários esbarra em fatores de imprevisibilidade inéditos. Ninguém pode ter certeza de nada.

PORTAL FORUM: THE GUARDIAN, MELHOR JORNAL INGLÊS, DENUNCIA AO MUNDO PRISÃO POLÍTICA DE LULA

Considerado o principal jornal britânico, o The Guardian, publicou nesta sexta-feira (8) uma carta de acadêmicos de importantes universidades inglesas, denunciando os abusos da prisão ilegal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, eles destacam que o ex-presidente é mantido em reclusão para que não participe como candidato nas próximas eleições. “Lula é um preso político e uma vítima de ‘lawfare’ – o uso indevido da lei para fins políticos”, ressaltam.

Foto: Reprodução

Acompanhe a íntegra da carta:

Leia aqui a versão original em inglês

MAURO SANTAYANA: AUSTRÁLIA? NÃO SE ILUDAM, COXINHAS! O QUE NOS ESPERA É A MEXICANIZAÇÃO

MAURO SANTAYANA
Ilude-se quem acredita que entregar o Brasil de mão beijada aos EUA e Europa, abandonando qualquer desenvolvimento autônomo e digno, tornará o país Oceania quando crescer
por Do blog. com equipe
máquinas voadoras

Se tivesse tempo, um artigo cada vez mais escasso no meu caso, gostaria de escrever um livro que poderia se chamar “garrafas ao mar” ou “notas ao pé da história” na esperança de que essas linhas fossem lidas por alguém daqui a algumas décadas. Dele constaria um extenso capítulo chamado “diários” ou “protocolos” da capitulação, para descrever – com nomes, datas e fatos – os tempos vergonhosos que estamos vivendo. Tempos irresponsáveis e temerários com relação ao que estamos fazendo com o nosso futuro como nação.

Só a janela aberta, por meio de um impeachment espúrio, para a repentina ascensão de um governo ilegítimo e antinacional ao poder, consegue explicar a ofegante sofreguidão com que o Brasil tem sido entregue a seus concorrentes e a eventuais controladores externos, nestes anos de sabotagem da democracia que podem levar o país ao fascismo, a partir do próximo ano.

De um país que saiu da 14ª economia do mundo em 2002 para sexta em 2011, que lançou o Brics, quintuplicou o PIB, pagou a dívida com o FMI, que estava construindo tanques, submarinos – incluído um de propulsão atômica –, aceleradores de partículas, caças supersônicos, aviões de transporte militar, radares, fuzis de assalto, mísseis de saturação e até mesmo de cruzeiro, nos transformamos em uma republiqueta de bananas, quase da noite para o dia.

A cargo de uma administração que, embora não consiga assegurar a chegada de combustíveis aos postos de gasolina, assinou documentos garantindo a entrega de centenas de milhões de barris das reservas de petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras, algumas delas estatais, ou sob controle de governos de outros países.

Que negocia a entrega da Embraer para a Boeing, com o estabelecimento de uma parceria que lembra aquela que o porco firmou com a galinha para vender ovos com bacon.

Que, em um momento em que os Estado Unidos repassam seu programa espacial para a iniciativa privada – vide a Space-X, de Elon Musk –, pretende entregar o controle da Base Espacial de Alcântara para os norte-americanos sem ao menos pensar em equilibrar essa doação com a negociação da construção de outras bases espaciais em nossa linha do Equador em aliança com outras nações, muito mais propensas a nos transferir tecnologia, como a Rússia, a Índia e a China.

Que pretende também entregar os nossos céus, agora, sem restrições, com a cumplicidade do Congresso, a companhias aéreas estrangeiras.

Em um país que desfila – em discutíveis marchas em que todos os fascistas comparecem, menos Jesus, porque esse nunca foi fascista – defendendo a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, com bandeiras de Israel, saudando a direita sionista.

Um governo que abandona a doutrina de não interferência em assuntos internos de outras nações, para comandar na Organização dos Estados Americanos, lado a lado com os EUA, ao contrário do que fizemos com Cuba, em 1962, quando nos abstivemos, o indecente processo de cerco contra a Venezuela.  

Enquanto isso, as verdadeiras intenções do “ocidente” com relação ao Brasil, ficam cada vez mais claras, com o processo de “ucranização” da Colômbia e sua entrada na Otan e também na OCDE, aqui celebrado por vira-latas inquietos como um sinal do sucesso daquele país e do “atraso” brasileiro nas relações internacionais.

Não se entende que da mesma forma que o avanço do processo de entrada de Kiev na Otan – no dia 10 de março de 2018 essa organização reconheceu o status da Ucrânia como “país candidato” – está voltado para completar o cerco do “ocidente”, por meio de países satélites, contra a Rússia; a entrada da Colômbia na organização, longe de estar sendo feita contra a Venezuela, dá início a cerco semelhante do Brasil por nações sob o mando militar da Europa e dos Estados Unidos, com a possível instalação, no futuro, de mísseis do outro lado das nossas fronteiras – como ocorreu com a recente colocação de foguetes Patriot na Lituânia dirigidos contra a Rússia – que estarão voltados não para Caracas, mas para as principais cidades e alvos militares brasileiros.

A estratégia geopolítica “ocidental” é clara. Sabotar e cooptar o Brasil ou nos cercar militarmente, espalhando bases em países que estiverem em nossas fronteiras.

Assegurar a eleição de governos fantoches de direita – no caso da Ucrânia foram governos de inspiração neonazista –, assim como estão tentando fazer em volta da Rússia de Putin e, em menor escala, com a China, que está fortalecendo sua presença na Ásia e no Pacífico e não lhes permite essa ousadia.

Para inviabilizar, com isso, a continuidade do Brics, a única alternativa multilateralista capaz de desafiar a hegemonia anglo-saxã no mundo e a principal razão de ordem externa por trás dos golpes sofridos pelo PT, nos últimos anos, e de Lula estar sendo mantido na cadeia, afastado das eleições presidenciais.

Uma missão cumprida por uma justiça dócil, ou, no mínimo simpática aos interesses norte-americanos e “ocidentais”, treinada, manipulada e corrompida, pelos gringos, com cursos de “liderança”, seminários de “cooperação”, espelhinhos e miçangas, como vemos com os regabofes para Moro promovidos pelos Estados Unidos e países satélites, em terras estrangeiras.

O objetivo é controlar o Brasil tirando-nos todos os instrumentos – como os bancos públicos, a Embraer, a Base Espacial de Alcântara, a Petrobras e o pré-sal – que possam possibilitar o nosso desenvolvimento autônomo, consolidando, a partir disso, do fim da Unasul e do Conselho de Segurança da América do Sul, o domínio do nosso subcontinente, já que, como disse Richard Nixon, certa vez, “para onde for o Brasil, também irá a América Latina”.

Quanto à OCDE, aqui celebrada pela coxinhice ignorante e viralatista como um clube de países desenvolvidos, é mais uma organização factoide, criada para enfraquecer a cooperação sul-sul, sem nenhuma importância geopolítica concreta, a não ser a de ajudar a manter sob controle os países menores que se candidatam a entrar nela.

Se fosse um clube de ricos, a OCDE não contaria com o México – a não ser como mordomo. Um país que, apesar de ser membro dessa organização e do Nafta há muito tempo, tem hoje mais pobres do que tinha há 20 anos, como afirma, apoiado pelas estatísticas de praxe, o candidato às eleições presidenciais de julho naquele país, Ricardo Anaya.

Iludem-se aqueles que acreditam que, entregando de mão beijada o Brasil ou entrando como “sócio global”, e nos alinhando geopoliticamente aos Estados Unidos e à Europa, abandonando qualquer veleidade de desenvolvimento autônomo, iremos nos transformar, daqui a uns 50 anos, em uma espécie de Austrália.

Acorda, Muttley! Não se iludam, coxinhas!

Por aqui não temos cangurus, nem somos todos branquinhos, de olhos verdes e azuis, não merecemos ser súditos da Rainha, não temos entrada franca nos EUA, nem pertencemos à Commonwealth – somos devolvidos dos aeroportos europeus, aos magotes, mesmo quando estamos indo a turismo, gastar dinheiro.

Independência, altivez, soberania?

“Never more”, diria o corvo de Edgar Allan Poe.

Neste caminho, o que nos espera é o glorioso destino mexicano – tão longe de Deus e tão perto dos EUA, segundo Porfírio Diaz, coitados. Um “sócio” ocidental em vias de ser aprisionado por um muro em que poderia ser perfeitamente afixado, do lado norte-americano, um cartaz com um “mantenha do outro lado os animais” escrito, e que por mais que exporte maquilas não consegue ter os superávits brasileiros, no qual o salário mínimo em janeiro de 2018 foi de US$ 4,6 dólares por dia, excluídos finais de semana.

Não há nada mais indecoroso do que entregar um país depois de exterminar seus sonhos, com um banho altamente tóxico de mentiras e hipocrisia.

Ao fazer o que está fazendo – o que inclui a provável desnacionalização da Eletrobras, uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do mundo, também a preço de banana –, apesar de ter arrecadado em impostos cerca de R$ 1 trilhão no primeiro semestre e de estar sentado sobre US$ 380 bilhões em reservas internacionais herdadas, em mais 95%, dos governos Lula e Dilma, o atual governo assina, sob o olhar implacável da História, os protocolos da capitulação de uma nação que há alguns anos pretendia ser grande, independente e forte, e que, devido ao avanço da subserviência e de um movimento de extrema-direita abjeto, derivado das costelas do lawfare, do golpismo e do entreguismo apátrida, tão em voga na internet nos dias de hoje, está cada vez menor, tanto no contexto moral quanto no geopolítico.

MANIFESTO DE LULA AO POVO BRASILEIRO NO DIA DO LANÇAMENTO DE SUA CANDIDATURA

eleição

MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO

Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum.
Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a
mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades
para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública.
Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus
netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho
dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha
grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que,
do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas,
abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.
De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em
nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises
econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o
desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de
seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da
desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos
indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da
cidade e do campo.
Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser
considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa
democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a
criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os
países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns
mundiais.
Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com
uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando.
Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que
está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me
conformo com minha situação.

 Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova docrime de que me acusam.

Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4
como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo.
Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir
com a consciência tranquila.
Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em
liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo
de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.
Por isso me considero um preso político em meu país.
Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas,
decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e
sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de
que a Justiça fará prevalecer a verdade.
Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos
das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da
fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos
roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social
constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.
É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à
Presidência da República.
Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o
Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto
de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de
integração latino-americana.
Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral
manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002,não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direitodos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o
compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar
em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não
pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente.
Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as
últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo.
Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi
imposto pelo golpe de 2016.
Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita.
Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria
mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa
derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de
erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo.
Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do
poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo,
manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco.
Está chegando a hora da verdade.
Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível
construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode
crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e
os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses
dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de
pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar.
Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o
governo dos nossos adversários, a serviço dos financistas e das
multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o
salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo
programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra
Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.
Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não
tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha
para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.

A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de
Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de
petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A
Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos
acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das
multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no
desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-
sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.
Podem estar certos também de que impediremos a privatização da
Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de
todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o
desenvolvimento e o bem-estar social.
Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à
Constituição e menos às manchetes dos jornais.
Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção.
Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o
monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.
Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e
ninguém tenha privilégios.
Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em
que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao
trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo
trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento
e assistência técnica.
Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança
no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente,
volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África,
e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o
comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos. 

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele
passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de
todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas
determinado candidato.
Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes
desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo
voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura
presidencial pelo Partido dos Trabalhadores.
Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em
que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais
pobres e dos trabalhadores.
Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União,
com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos
mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das
mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais
educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais
acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do
futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas
cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos
de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e
quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos
trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e
organizações empresarias e menos conflitos sociais.
Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na
história.
Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode
avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do
povo.
Para alcançar este objetivo, temos de unir as forças democráticas de todo
o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas
sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais
justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho
certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.
Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os
cantos do Brasil e do mundo, posso assegurar que continuarei trabalhandopara transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando,com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o queridopovo brasileiro.E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente

Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 8 de junho de 2018

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BRASIL DE FATO: PT LANÇA PRÉ-CANDIDATURA DE LULA E REAFIRMA: NÃO HÁ PLANO B PARA VENCER A CRISE

Lideranças partidárias e de movimentos populares discursaram em nome do ex-presidente em ato político em Minas Gerais

Redação*

Brasil de Fato | Contagem (MG)

"Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação", escreveu Lula em carta lida por Dilma no ato - Créditos: Ricardo Stuckert
“Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação”, escreveu Lula em carta lida por Dilma no ato / Ricardo Stuckert

https://www.facebook.com/Lula/videos/1738771926191800/

O Partido dos Trabalhadores lançou oficialmente a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente na noite desta sexta-feira (8), em Contagem, Minas Gerais. Cerca de 3 mil pessoas acompanharam o ato político no auditório do hotel Actuall Convention.

O ex-presidente, detido há dois meses na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, foi representado no evento por um jogral de discursos de lideranças partidárias e de movimentos populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), representado por Guilherme Boulos, pré-candidato a presidente pelo PSOL.

No início do ato, foram transmitidas ao vivo, pelo telão do auditório, imagens da Vigília Lula Livre, que mantém pressão permanente pela libertação de Lula do lado de fora da PF no Paraná. Em coro, a militância que acampa no local desde a chegada de Lula desejou boa noite ao ex-presidente, como tem feito todos os dias.

A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, reafirmou que Lula é o candidato do partido para estas eleições, e terá sua candidatura confirmada em 15 de agosto, prazo final da Justiça Eleitoral para registro de candidaturas.

“Nós podemos registrá-lo, podemos manter a candidatura de Lula, pois ele é inocente e está no gozo de seus direitos”, disse. “Lula é a grande liderança popular deste país, o único capaz de conduzir o país à paz social”, completou.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), lembrou que, desde o golpe parlamentar que interrompeu o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016, “o Brasil virou o país da incerteza jurídica”. “Fala-se da incerteza, da crise, da instabilidade. Lula é o único candidato capaz de acalmar o mercado. Lula é o nome que pode retomar a geração de empregos, e também os lucros das empresas. Ele precisa voltar pra reconstruir o Brasil. Não à toa já está preso há tantos dias e continua liderando as pesquisas de opinião”, afirmou.

“Estou emocionado desde ontem de saber que nós estamos aqui e Lula está lá, só. Mas também me emociono de saber que o sofrimento do Lula está mexendo com esse Brasil, e é disso que eu tiro uma certeza: que nós vamos vencer em outubro de 2018”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

“Eu queria que ele tivesse aqui para dizer que ‘não é porque eu quero, porque o PT quer, mas porque o povo mais pobre desse país precisa’. O Brasil voltou ao mapa da fome, há famílias cozinhando a lenha porque o gás está muito caro e 170 mil estudantes deixaram a universidade desde o golpe”, ressaltou o senador fluminense.

O senador defendeu que, caso seja vitorioso nas eleições, o PT inicie um processo constituinte no Brasil, de forma a revogar os retrocessos impostos pelo governo golpista e realizar reformas necessárias para retomar o desenvolvimento social do país.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, anunciou que os sindicatos ligados à central articulam uma grande greve por todo o país no dia 10 de agosto, cinco dias antes do prazo da Justiça Eleitoral, para denunciar a condição de preso político de Lula e exigir sua liberdade para concorrer às eleições.

“Nós vamos tirar o Lula da cadeia direto para o Palácio do Planalto”, disse João Paulo, dirigente nacional do MST.

Confira o jingle de campanha de Lula, lançado nesta sexta-feira.

Carta de Lula

A ex-presidenta Dilma foi homenageada pela militância entre cada discurso, com coro de “volta, querida!” e “uai, uai! Que coisa boa, Minas Gerais vai ter Dilma senadora!”. A ex-presidenta mudou seu domicílio eleitoral para poder concorrer em Minas contra o pré-candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB), reeditando a disputa presidencial de 2014.

Ela participou de ato com mulheres anterior ao lançamento da pré-candidatura de Lula. Durante o encontro Elas por Elas, que integra a agenda do Congresso do Povo –iniciativa da Frente Brasil Popular para apresentar propostas para retomar o desenvolvimento do país a partir de 2019– Dilma reafirmou a necessidade de fortalecer o feminismo no país para trazer mudança efetiva na política e na sociedade.

Dilma também leu mensagem escrita enviada pelo ex-presidente Lula à militância, que a ex-presidenta classificou de “manifesto ao povo brasileiro”.

“Há dois meses, estou preso injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses, estou impedido de percorrer o país que amo, levando a mensagem de esperança e de um Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre quis, em 45 anos de vida pública. Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e bisnetos, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para impedir de me reunir com minha grande família, o povo brasileiro”, escreveu Lula.

“Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as pressões do capital internacional e seus representantes no país. Chegamos a ser considerado o povo mais otimista do mundo, aprofundamos nossa democracia e com isso atingimos o protagonismo internacional”, prosseguiu.

“Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando. Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre nossa classe trabalhadora. Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca passei uma noite no tal apartamento no Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois provei minha inocência no processo, e eles não provaram nenhum crime”, disse Lula.

“Sei do meu lugar na história, e sei o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Sei que minha candidatura representa a esperança, e vou levá-la às últimas consequências”, concluiu.

* Com informações de Rafaella Dotta

Edição: Diego Sartorato

“JUDICIÁRIO MIDIÁTICO” QUEBROU A CONFIANÇA DA SOCIEDADE NO JUDICIÁRIO, AFIRMA ADVOGADO

Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros considera a atuação da Justiça no país como “ruim ou péssima”

Pedro Rafael Vilela

Brasil de Fato | Brasília (DF)

  - Créditos: Reprodução
/ Reprodução

No mês passado, um levantamento do Instituto MDA Pesquisa, contratado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), trouxe um dado revelador sobre o apoio ao Poder Judiciário pela sociedade brasileira.

Segundo a pesquisa, a avaliação sobre a atuação da Justiça no Brasil é negativa para 55,7% (ruim ou péssima) dos entrevistados. Outros 33,6% avaliam a Justiça como sendo regular e 8,8% dos entrevistados avaliam que a atuação da Justiça no Brasil é positiva (ótima ou boa). Foram ouvidas 2 mil pessoas em 137 municípios, entre os dias 9 e 12 de maio.

Os dados vão além. Pouco mais de 52% dos entrevistados consideram o Poder Judiciário pouco confiável; 36,5% nada confiável; e 6,4% muito confiável. Para 90,3%, a Justiça brasileira não age de forma igual para todos. Apenas 6,1% consideram que age ela de forma igual. Esses resultados aparecem mesmo depois de setores do Judiciário atuarem com forte visibilidade, em meio a operações de grande apelo midiático, como a Lava-Jato.

Para o advogado e jurista Pedro Estevam Serrano, que é professor de Direito Constitucional da PUC/SP, “há um excesso de exposição dos juízes e dos julgamentos”. “Aparenta ser positivo porque eles [os juízes], individualmente, ganham muito prestígio, mas no médio e longo prazo acaba dando uma má imagem para a Justiça”, avalia. Para ele, o “juiz midiático” presta um desserviço ao estado democrático de direito.

“O Judiciário midiático, o juiz que quer ir pra mídia, ele o faz a título de adotar um discurso acusatório e punitivista. Num primeiro momento ganha a simpatia social, mas com o tempo a sociedade vai percebendo que é o direito de cada um que está com o risco de ser vulnerado. Começa a entender que o Judiciário não está cumprindo sua função de forma adequada”, argumenta.

Para o jurista, que é doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade católica de São Paulo (PUC-SP) com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa (POR), o papel do Judiciário no Estado Democrático é proferir decisões que podem ser, em muitos casos, anti-majoritárias, e em favor dos direitos da minoria e dos indivíduos. “O Judiciário deve ser um guardião dos direitos fundamentais, o que significa ir contra a simpatia da sociedade, muitas vezes”, diz.

Quando o Judiciário começa a adotar decisões contra a maioria e em defesa dos direitos, afirma Serrano, pode haver uma reação negativa inicial da sociedade, mas que se esvai com o tempo. “No médio prazo e longo prazo, a sociedade começa a entender o sentido desse tipo de comportamento e passa a confiar na Justiça, porque ela sabe que um dia que tiver vulnerado o seu direito, ela encontrará no Judiciário uma salvaguarda”, explica.

Instituições

Na contramão o Judiciário, que tem o apoio de 8,6%, a Igreja é a instituição que goza de maior prestígio no país, sendo considerada confiável para mais de 40% da população. Em seguida, aparecem as Forças Armadas, com apoio de 16,2% dos entrevistados. A imprensa é apoiada por 5%, seguida da polícia (4%), governo federal (2,2%), Congresso Nacional (0,6%) e partidos políticos (0,2%).

“Há uma desconfiança geral no Estado brasileiro, nos servidores públicos. Creio que uma desconfiança que foi estimulada por décadas, por interesses de degradar a imagem que o Estado tem perante a sociedade”, analisa o jurista Pedro Estevam Serrano.

Edição: Simone Freire


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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