Arquivo para 12 de junho de 2018

SITE OFICIAL DO VATICANO CORRIGE A CORREÇÃO E AGORA ADMITE QUE JUAN GRABOIS LEVARIA A LULA “AS PALAVRAS DO SANTO PAPA”

Precisação sobre o caso Grabois-Lula

Corrigindo um nosso serviço precedente sobre o caso Grabois-Lula, devemos ressaltar que havia imprecisões na tradução e nas transcrições que induziram a alguns erros

do Vatican News

Cidade do Vaticano

Corrigindo um nosso serviço precedente sobre o caso Grabois-Lula, devemos ressaltar que havia imprecisões na tradução e nas transcrições que induziram a alguns erros. Abaixo apresentamos a notícia correta.

O advogado argentino Juan Gabrois é Consultor do ex-Pontifício Conselho Justiça e Paz, que passou a fazer parte do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e é o coordenador do encontro mundial dos movimentos sociais em diálogo com o Papa Francisco.

Grabois concedeu uma entrevista (https://youtu.be/A7F-C1Bi5Q0) depois de ter sido impedido de visitar o ex-presidente Lula no Cárcere de Curitiba, onde está detido há mais de dois meses.

Grabois definiu inexplicável a rejeição de não ter podido se encontrar com Lula a quem queria levar um Terço abençoado pelo Papa, as palavras do Santo Padre e as suas reflexões com os movimentos sociais e discutir assuntos espirituais com o ex-chefe de Estado.

Grabois disse que está muito preocupado com a situação política no Brasil e em vários países da América Latina.

Enfim, disse estar muito triste pela proibição de realizar esta visita, mas que o importante é ter conseguido levar a Lula o Terço.

PS do Viomundo: Desculpem-nos os colegas jornalistas do Vaticano, mas não nos parece que tenha sido um problema de traduções ou transcrições. A nota anterior, que publicamos, tratava de diminuir a visita, dizendo que se tratava de uma iniciativa PESSOAL de Grabois. Alguém tomou um puxão de orelhas no Vaticano. É notória a existência de uma franja considerável da igreja que faz oposição ao papa Francisco, às vezes de forma aberta, mas não dá para cravar que tenha sido este o caso.

PAÍS SEM DEMOCRACIA, CARTOLAGEM SEM COMPROMISSO, COPA DO MUNDO SEM TORCIDA

Após o fiasco de 1966, a seleção fez cera no aeroporto para desembarcar no Brasil de madrugada e longe da torcida. Se fosse hoje, nem precisaria: só três voltariam para ‘casa’

 

O torcedor de futebol em tempos não muito distantes tinha outra diversão além de comemorar as vitórias do seu clube. Esperava com alguma ansiedade a convocação das seleções brasileiras para saber quantos jogadores de cada time haviam sido convocados. Depois, claro, comemorava a presença dos seus ídolos na seleção, ou não.

Isso acontecia em São Paulo e no Rio, uma vez que os jogadores convocados vinham apenas de clubes desses estados. Em 1958, na primeira conquista de um mundial pelo Brasil, eram 12 cariocas e 10 paulistas. Do Rio, o Flamengo cedia quatro atletas, Vasco e Botafogo três cada um, Fluminense e Bangu, um cada um. De São Paulo, o Santos e o São Paulo lideravam com três jogadores cada um, seguidos do Corinthians com dois e do Palmeiras e Portuguesa de Desportos com um.

A torcida não se limitava às convocações. O torcedor, primeiro pelo rádio e depois pela televisão, seguia atentamente os jogadores do seu clube. Queria vê-los no time titular da seleção e jogando bem. Campeões do mundo em 58, 62 e 70 passaram a ser vistos em seus clubes como ídolos internacionais de primeira categoria. A identificação do torcedor com o jogador, o clube e a seleção era intensa. Havia um certo orgulho de ver o craque do time do coração, bem conhecido e admirado, vestindo a camisa da seleção nacional.

Tudo isso acabou. Em 1966, quando a seleção saiu do Brasil rumo a Copa da Inglaterra, a mídia dava como favas contadas a conquista do tricampeonato.

Essa expectativa abriu apetites político-esportivos. Foram chamados mais de 40 jogadores e se sucederam treinos e jogos em diversos estádios para atender interesses locais. Ao final foram selecionados 22, sendo 10 do Rio, 10 de São Paulo, um de Minas Gerais e outro do Rio Grande do Sul. Mineiros e gaúchos já rivalizavam com paulistas e cariocas nas competições nacionais e, para não reclamarem, receberam esse prêmio de consolação. 

O resultado foi uma das mais bisonhas participações do Brasil em copas do mundo: eliminação na primeira fase, depois de apenas três jogos, com uma vitória e duas derrotas. A relação com o torcedor era tão grande que, num momento negativo como esse, temia-se algum tipo de hostilidade no retorno ao Brasil. Tanto que o voo de volta da Inglaterra foi atrasado em várias horas para que a chegada no Rio e em São Paulo ocorresse na alta madrugada.

Hoje nem esse risco os jogadores correm mais. Primeiro porque há problemas muito maiores no país com que se exaltar do que por conta de uma derrota futebolística. E depois porque os jogadores podem ficar pela Europa, já que a maioria mora por lá. Dos 23 convocados, só três atuam em clubes brasileiros e devem ficar na reserva nos jogos da Rússia. Um joga na China. 

A distância entre torcedor e jogador é resultado da concentração econômica do futebol, com os clubes europeus (e agora também alguns do Oriente Médio e da Ásia) acumulando recursos capazes de levar para as suas casas qualquer jogador que se destaque em qualquer parte do mundo. Com isso a relação dos jogadores com o país natal se esvai e ela só é revivida, de uma forma muito tênue, quando a seleção é convocada. De nada adianta o esforço da mídia, movida a interesses comerciais, em querer tornar familiar ao torcedor o jogador que saiu adolescente do Brasil e fez toda a carreira fora do país sem nunca vestir a camisa de um clube brasileiro.

As causas econômicas globais para essa situação são reais, mas não impossíveis de serem enfrentadas. O Brasil, graças a qualidade do seu futebol, ganhou um prestígio que lhe deu condições de controlar a Fifa por décadas. Uma ação política que contribuiu apenas para atender aos interesses escusos dos dirigentes que ocuparam postos de mando na entidade internacional, como revelam os escândalos recentes documentados em reportagens, livros e investigações policiais.

Nenhum esforço foi feito para proteger o futebol brasileiro. Investimentos e formas competentes de gestão poderiam impor aos clubes condições para manter em seus quadros os jogadores aqui formados.

Uma relação não corrompida entre clubes, federações, mídia (especialmente a televisão) e anunciantes poderia ter dado ao Brasil a possibilidade de enfrentar a concorrência internacional no futebol, como ocorreu em outras áreas da economia e que agora estão sendo desmanteladas pelos golpistas. O reerguimento estrutural do futebol brasileiro só acontecerá com a volta da democracia ao país e sua apropriação pelo esporte, o retorno a altivez internacional e a refundação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pondo fim a sua histórica incompetência.         

Nesta Copa, infelizmente, o torcedor será mais uma vez apresentado a jogadores vindos de clubes ingleses, espanhóis, ucranianos, entre outros países. Somando-se a isso a atual crise política por que passa o país, tem-se como resultado o desinteresse do público pelos jogos da Rússia. O que, pensado bem, não é de todo mal.

ESTUDANTE DE DIREITO DE SALVADOR REPROVA O INGLÊS MACARRÔNICO DE MORO E O CHAMA TRAIDOR

JUDICIÁRIO, A MÁQUINA DE TRITURAR DIREITOS. POR MÁRCIO SOTELO FELIPPE

Judiciário, a máquina de triturar direitos

Segundo a Constituição, o Judiciário é um dos três Poderes da República e sua relação com os outros Poderes deve ser independente e harmônica. Isto é cláusula pétrea. Esta independência importa, fundamentalmente, para que assegure os direitos e garantias fundamentais e seja o guardião da Constituição. Isto é o que está na esfera do dever ser.

Harmônico, certamente. Quanto à independência, considerando o papel que o Judiciário desempenhou no golpe e vem desempenhando nesse regime que se instaurou pós-golpe, falar da doutrina clássica e liberal da separação dos Poderes é mistificação. Também é mistificação entender o que ocorreu como uma anomalia, uma contingência, um ponto fora da curva. Só escapamos da mistificação analisando a natureza, a que está na esfera real do ser, não do mundo ideal do dever ser, do Judiciário e do Estado representativo democrático.

Mais uma vez e sempre, voltemos a Marx. À célebre passagem da Contribuição à crítica da economia política: “As relações jurídicas, assim como as formas do Estado, não podem ser explicadas nem por elas mesmas, nem pela chamada evolução do espírito humano. Elas se originam nas condições materiais da existência”. Aqui, Marx marca mais uma vez seu distanciamento de Hegel, que via no Estado moderno (ou no Estado prussiano que ele conheceu) o produto final da Ideia, o auge do autônomo desenvolvimento do espírito humano.

As formas políticas e jurídicas não são uma manifestação autônoma e racional do espírito humano que pairam acima das contradições da sociedade civil e as resolvem. Esta é a clássica visão liberal. Elas estão em um dos polos da contradição fundamental de classe entre proprietários dos meios de produção e aqueles que somente podem vender sua força de trabalho. Elas são parte do conflito e não a solução do conflito.

Seria possível imaginar, por exemplo, que o regime escravocrata do Brasil imperial poderia ser abalado radicalmente pela invocação do direito natural, segundo o qual todos os homens nascem livres e iguais? Em Judiciário e cidadania na Constituição da República Brasileira (1998), o pesquisador Andrei Koerner conta um episódio que, abstraídas circunstâncias e alterando alguns termos, ainda é essencialmente algo que acontece em 2018. Em 1854, um Juiz de Direito mandou abrir investigação sobre um escravo para determinar se havia entrado no país depois da lei que proibiu o tráfico, do que resultaria sua libertação. O Ministro da Justiça Nabuco de Araújo advertiu o juiz por aplicar a lei com um “rigor contrário à utilidade pública”. Não bastam indivíduos de boa fé e mentes abertas isoladas diante da força da estrutura, não obstante desempenhem um papel importante e necessário.

Dando um enorme salto no tempo, seria possível imaginar que uma reforma da Previdência que obrigue milhões de brasileiros miseráveis a trabalhar quase 50 anos pudesse ser declarada inconstitucional com base no princípio da dignidade humana, que é um dos fundamentos da República? O Judiciário não é uma estrutura autônoma, racional e moral.

O Judiciário tem uma relativa autonomia em momentos mais democráticos, como no dos regimes sociais-democratas da Europa no pós-guerra e, entre nós, após a Constituição de 1988 – como na decisão favorável às cotas, por exemplo. Mas esta relativa autonomia está em função do jogo de forças políticas e sociais. O papel do Judiciário em momentos de plena hegemonia de forças conservadoras (e quando interesses relevantes da classe dominante estão em jogo) é mais do que coadjuvante ou acessório (como tradicionalmente acontece nos regimes de exceção ou em ditaduras): ele torna-se protagonista e condutor de um golpe – como vimos no Brasil entre 2016 e 2018.

Um juiz de província divulga, violando a Constituição e uma norma penal, uma conversa entre a presidenta da República e o ex-presidente, criando o clima político necessário para um golpe. Uma sentença criminal bizarra, digna de Alice no país das maravilhas, sustenta que um contrato de 3 bilhões de reais gerou uma propina de 1,2 milhão de reais corporificada em uma cozinha mequetrefe, em troca de não se sabe qual ato administrativo – e encarcera o candidato amplamente favorito às eleições presidenciais. A pauta da corte suprema é manipulada para que esse candidato, preso, não possa disputar as eleições. Se antes tanques nas ruas depunham e forçavam ao exílio o presidente constitucional, hoje o futuro presidente é deposto por antecipaçãocom uma simples sentença de primeiro grau.

Passemos a um outro plano do papel do Judiciário, tomando ainda como ponto de partida a frase de Marx – as relações jurídicas se originam nas condições materiais da existência. O capitalismo não pode, pela sua própria natureza, dar conta dos interesses da totalidade da sociedade. Ele tem que colocar à margem uma massa de excluídos e tem que controlar trabalhadores privados de condições mínimas de sobrevivência, mergulhados no medo e na necessidade. Para que a estrutura opere, é preciso um complexo, tanto ideológico quanto de violência e força, de controle e dominação. Parte desse complexo é o Direito Penal.

John Ehrlichman foi conselheiro de Richard Nixon. Cumpriu um ano e meio de prisão por envolvimento no escândalo Watergate. A revista Harper’s publicou em 2016 parte de uma entrevista de Ehrlichman, concedida em 1994 ao jornalista Dan Baum, que então escrevia um livro sobre a política de proibição de drogas e que não constou da publicação original. O que disse Ehrlichman em 1994: “Quer saber realmente do que se tratava? A campanha de Nixon em 1968 e a Casa Branca, depois, tinham dois inimigos: a esquerda contrária à guerra (do Vietnam) e os negros (…) Sabíamos que não podíamos tornar ilegal ser contra a guerra ou ser negro, mas ao fazer com que as pessoas associassem aos hippies a maconha e aos negros a heroína, e penalizar severamente ambas as substâncias, podíamos pegar as duas comunidades. Podíamos deter seus líderes, realizar incursões em suas casas, interromper suas reuniões e difamá-los noite após noite nos noticiários. Sabíamos que estávamos mentindo sobre as drogas? Claro que sim”.

Essa declaração pode substituir toneladas de tinta e papel e incomensuráveis bits de análises e críticas à sociedade burguesa, ao capitalismo e ao Estado “democrático” representativo. Está tudo aí. A iniquidade do capitalismo, suas guerras estúpidas, a violência do Estado, a necessidade de controlar massas para garantir os privilégios de uma parcela ínfima da sociedade e o que nos interessa aqui: o papel do Judiciário na estrutura de dominação.

É preciso que o Parlamento elabore leis. É preciso que o Executivo opere a violência e a coerção. É preciso que o Judiciário aplique leis que ao fim e ao cabo tem a finalidade de controlar a massa de excluídos e também de opositores políticos. Eles são, ao contrário da clássica fórmula liberal, harmônicos e dependentes um do outro ao comporem uma estrutura de dominação e aniquilação de direitos. Os EUA têm, hoje, cerca de 2,2 milhões de presos. O Brasil, a terceira maior população carcerária do mundo: 726 mil. 40% são presos provisórios, metade é de jovens de 18 a 29 anos e, escancarando a herança escravocrata, 64% negros. Trata-se da necessidade, que é da estrutura, de controle e domínio da massa excluída e explorada.

Abandonemos a crítica ao Judiciário apenas no interior da lógica jurídica em si mesma porque isto apenas reforça o conceito falho, ideológico, mistificador, de que o Judiciário é uma estrutura autônoma e racional criada pelo espírito humano. Não basta dizer o que foi a decisão jurídica e apontar erros hermenêuticos, como se tudo não passasse de equívocos, de ignorância ou da má-fé localizada, de um contingência anômala de um sistema que é idealmente justo e racional. O porquê da decisão judicial que nos desgraça, que em um plano mutila a democracia e em outro plano desgraça a vida de milhões de miseráveis e excluídos não está na lógica jurídica porque ela é, justamente, parte da estrutura de dominação. A máquina de triturar direitos.

*****

Este artigo foi concluído na sexta-feira, 8 de junho. Na edição de 9 de junho da Folha de S.Paulo, Oscar Vilhena Vieira trouxe a público o caso de Janaína, a mulher esterilizada em Mococa por sentença judicial. O advogado Marcio Augusto D. Paixão postou em sua página no Facebook mais alguns detalhes: “atualmente, Janaína encontra-se presa, cumprindo pena por tráfico e associação para o tráfico. Examinei, também, os autos do processo criminal, que curiosamente foram impulsionados pelos mesmos promotor e juiz que atuaram efetivamente na ação civil pública relativa à laqueadura. O caso é grotesco: polícia ingressa em uma moradia e localiza 45 pinos de cocaína no bolso de uma calça masculina guardada no banheiro. Polícia então prende TODOS os moradores da casa (duas mulheres, dois homens e uma adolescente) indiscriminadamente, conquanto seja presumível que a droga pertencia a um homem; e todas as pessoas acabam condenadas em audiência conduzida pelo mesmo juiz que determinara a laqueadura”. Deixo aos leitores as conclusões.


MARCIO SOTELO FELIPPE é advogado e foi procurador-geral do Estado de São Paulo. É mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP

BRASIL DE FATO – DILMA: “O PROCESSO DO GOLPE QUE INICIOU O IMPEACHMENT É UM FRACASSO POLÍTICO”

Em entrevista ao Brasil de Fato, ex-presidenta fala sobre os desafios para o processo eleitoral de 2018

Nina Fidelis e Leonardo Fernandes

Brasil de Fato | São Paulo

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Dilma Rousseff visita a Escola Nacional Florestán Fernandes, em São Paulo, nesta segunda-feira (11) - Créditos: Foto: Leonardo Fernandes
Dilma Rousseff visita a Escola Nacional Florestán Fernandes, em São Paulo, nesta segunda-feira (11) / Foto: Leonardo Fernandes

Os desafios da eleição presidencial brasileira de 2018 foi um dos temas abordados na conversa que o Brasil de Fato teve com a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), na Escola Nacional Florestan Fernandes, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nesta segunda-feira (11). 

Na visita ao espaço de formação, Dilma tomou um café da manhã com os militantes, conheceu os espaços, a horta, e falou aos mais de 200 estudantes presentes. 

Na entrevista, ela defendeu a eleição de Lula como o único caminho para barrar o golpe e como uma forma de radicalizar a democracia.”Recuar disso é aceitar que ele seja culpado, e isso não aceitaremos. Ele não é culpado nem jurídica, nem politicamente”, ressalta. 

Além das eleições, Dilma falou sobre a política de privatização da Petrobras, que nos levou à crise dos combustíveis, e o papel dos movimentos populares neste período.

Confira a entrevista:

Brasil de Fato – Presidenta, na sua opinião, qual é o papel dos movimentos populares em eleições como as que teremos nesse ano?

Dilma Rousseff – Eu acredito que nessa eleição os movimentos populares terão ainda mais importância. Mesmo considerando que naquela eleição eles já tiveram uma importância decisiva, estratégica, porque nos ajudaram a decidir a eleição, eu acho que hoje têm uma importância ainda maior.

Nós não tínhamos uma ameaça aberta à democracia. Nem tampouco tínhamos um conflito tão acirrado como o que temos hoje. Quando se tem um conflito acirrado, não podemos permitir que isso se transforme em um alimento da direita e do fascismo, porque as pessoas no Brasil estão perdendo a esperança. Nós somos os que temos que dizer: não, a esperança resiste! E a esperança significa apostar no Brasil, numa radicalização democrática.

Em primeiro lugar, desta vez, a pauta passa claramente pela questão da democratização da mídia. A questão da democratização da mídia faz parte da radicalização da democracia, que não é simplesmente o acesso a meios diversos e plurais, é também combater a oligopolização, o cartel de mídia que existe no Brasil.

Quando, na eleição de 2014, eles queriam que nós negássemos essa questão da democratização da mídia, diziam que queríamos fazer censura. Eles queriam tirar o foco de que a mídia é um setor econômico como qualquer outro. Tanto é assim que entre os mais ricos do Brasil, estão quem? A família Marinho. Fazer um combate acirrado ao papel da mídia como sendo o pensamento único, passa necessariamente por quebrar o monopólio e a estrutura oligopólica da mídia, porque senão os órgãos mais fracos sempre serão obrigados a fechar, como várias boas revistas e bons jornais, porque a mídia oligopolizada sufoca, como em qualquer outra atividade econômica.

A segunda coisa que eu acredito que seja muito importante para o Brasil é que nós demos vários passos no sentido do acesso à renda e do aumento de oportunidades. Eu acho que a desigualdade no Brasil não pode ser vista só a partir de uma distribuição de renda. Ela foi e continuará sendo fundamental. Mas é preciso também dar conta de distribuição de riqueza. Na próxima etapa do Brasil, vamos ter que falar da distribuição da riqueza. E isso é agora, nessa eleição.

E o que é distribuição de riqueza? A distribuição de riqueza que estamos falando é a distribuição do estoque de riqueza. E o que é isso? Primeiro é o patrimônio. É a casa e  a terra. Segunda coisa é o patrimônio que você incorpora às pessoas, que é a educação de qualidade. E pra dar educação de qualidade nós não podemos aceitar aquela velha história de que é possível fazer mais com menos. Para ter educação de qualidade é preciso ter mais dinheiro.

E a terceira coisa que eu acho fundamental é previdência. É necessário que haja um sistema previdenciário que dê uma vida digna para as pessoas que trabalharam duramente e chegaram à idade de não poder mais trabalhar.

Quando nós estávamos tratando do nosso passaporte para o futuro, que é o pré-sal, o Fundo Social, houve dentro do governo uma defesa da gente colocar uma parte do fundo social para a previdência. Sendo a previdência um benefício maior para a sociedade. Mas não foi possível, e terminou ficando a questão correta da educação e da saúde.

Mas tudo isso que apontei não se faz sem reforma tributária. É preciso uma reforma tributária. Não é possível a gente entrar na conversa neoliberal de que o Brasil paga muito imposto. O Brasil, não. Quem paga muito imposto é o trabalhador e as classes assalariadas. 

No Brasil, há uma estrutura tributária altamente regressiva, que penaliza os que trabalham e alivia o capital. Então, nós temos que passar para a tributação do capital. Não é possível que dividendo no Brasil não seja tributado. Não é possível que juros sobre capital próprio exista. É uma jabuticaba brasileira.

No Brasil não se pode falar em meritocracia quando existe tamanha concentração de riqueza. Quando você tem pessoas que, sem trabalhar, nem nada, herdam uma quantidade de riqueza que não tem justificativa, não foi devido ao seu trabalho. E o mais interessante é que os bilionários são os que mais falam em meritocracia.

Então, uma reforma tributária tem que ser discutida abertamente no Brasil. Eu lembro que quando houve todo o processo pré-impeachment, quando colocaram o pato amarelo ali na Avenida Paulista, que é o centro financeiro do país, em frente à Fiesp [Federação da Indústria do Estado de São Paulo], a fala tradicional deles foi de que o Brasil paga muito imposto… O Brasil quem, cara pálida? Porque vocês não pagam, os bancos não pagam, os grandes conglomerados financeiros, industriais e agrícolas não pagam. 

Em relação à Petrobras, qual a diferença entre o plano de desinvestimento aplicado pelo seu governo e esse defendido pela gestão Temer?

Em 2015 não houve uma política de desinvestimento. O que houve foi que nós priorizamos o pré-sal, radicalmente. Porque se formos olhar o investimento da Petrobras, no acumulado durante os anos, nós começamos a aumentar os investimentos entre os anos de 2011 e 2013.

Quando chegou em 2014, nós tínhamos uma concentração de pagamentos de tudo o que tínhamos investido nos anos anteriores. Então, para dar continuidade ao investimento mínimo, nós abrimos mão de alguns investimentos que não eram estratégicos. Nós priorizamos os investimentos estratégicos porque precisávamos aumentar a produção do pré-sal. Se nós não tivéssemos feito isso, o pré-sal não seria o que é hoje.

O que eles estão fazendo é completamente diferente. Eles estão vendendo dutos da Petrobras. E o que são os dutos? São todo o sistema de logística e distribuição de óleo e derivados que a Petrobras tem e que é fundamental que ela mantenha. Com isso, eles querem quebrar o mercado da Petrobras, querem colocar as refinarias à venda.

É absolutamente equivocado colocar as refinarias à venda porque, feito isso, você coloca a Petrobras numa situação esdrúxula, porque ela deixa de ser verticalizada. E sem essa verticalização, as multinacionais comem o nosso mercado. Ela pode abrir mão de algumas atividades que ela tem em outros países e concentrar aqui. Aí é uma questão de priorizar investimento. Nós achávamos que era mais importante priorizar dentro do Brasil do que fora do Brasil.

A senhora acredita que o Lula, caso seja eleito, poderia reverter os efeitos do golpe?

Olha, eu acho que o Lula é hoje fundamental porque ele é a única liderança política capaz de barrar o golpe. E não se trata de uma questão pessoal, mas de uma história construída. História com os movimentos sociais, na liderança do país, em relação ao resto do mundo.

Lula significa a única chance de barrar o golpe e recompor, reconstruir a democracia no nosso país. Este é o governo que nós queremos. Um governo que radicalize a democracia. Não só no sentido dos direitos formais, mas dos direitos reais e das oportunidades.

Além disso, acho que tem outra coisa que precisamos perceber: o golpe foi iniciado, o seu ato inaugural foi o impeachment, e o que foi o impeachment? O impeachment é uma derrota aos movimentos. Não é só a minha retirada. É a retirada de uma política e de uma pauta no Brasil. Mas esse impeachment fracassou. O processo do golpe que inicia com o impeachment é um fracasso político, expresso no fato de que não existe uma única liderança golpista viável hoje. Ela se auto destruiu. De uma certa forma, é um processo autofágico. 

O PSDB e o PMDB ruíram e agora não têm candidato. No lugar, abriram uma caixa preta. Cada país tem seus monstros, e o nosso monstro é o neoliberalismo, a financeirização e a escravidão, que instituiu uma forma de controle social violenta e o privilégio junto com a exclusão. O que ocorre é que o Lula representa a possibilidade de recolocar isso sobre os trilhos, e por isso o prenderam. Nós sabemos que sem crime, sem base jurídica, e sabemos que a condenação significa justamente uma resposta à derrota do golpe, à derrota política.

Eles tiveram algumas vitórias, quando eles aprovam o teto dos gastos, a reforma trabalhista, terceirização e começam a vender a Petrobras por partes, mas não conseguem dar continuidade a isso. E é esse o impasse do Brasil.

Eu acho interessantíssimo que eles fiquem preocupados com o destino da esquerda, dizendo que nós estamos tardando a indicar um candidato no lugar do Lula. Essa conversa nós já conhecemos. Quando começaram o meu impeachment, passaram o tempo inteiro pedindo para eu renunciar. Como se isso fosse digno. A um impeachment daquele é preciso responder com a nossa narrativa.

Por isso que nós brigamos do primeiro ao último dia em denominar esse processo como um golpe, em dizer que é um processo que não se esgotava com o meu impeachment e que teria continuidade. Então esse processo se expressa no Lula. Ele pode barrar isso. E por isso nós vamos até o fim. Eles que façam com as mãos deles, se quiserem continuar com o golpe.

Aí nós teremos uma resposta política a isso também. Mas o Lula é o nosso candidato. Não tem recuo em relação a isso. Recuar disso é aceitar que ele seja culpado, e isso não aceitaremos. Ele não é culpado nem jurídica, nem politicamente. 

Edição: Diego Sartorato


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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