Arquivo para 15 de junho de 2018

STF PODE JULGAR LIBERDADE DE LULA NO PRÓXIMO DIA 26

#LULALIVRE
Defesa quer suspender condenação em segunda instância do ex-presidente
por André Richter, da Agência Brasil.
MARCELO CAMARGO / ABR

ministro edson fachin.jpgFachin liberou o caso para ser julgado: se condenação for suspensa, o ex-presidente poderá deixar a prisão

Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin liberou para julgamento recurso protocolado pela defesa para suspender a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso deve ser julgado pela Segunda Turma da Corte no dia 26 de junho, conforme sugestão do ministro. Se a condenação for suspensa como foi pedido pelos advogados, o ex-presidente poderá deixar a prisão e também se candidatar às eleições.

O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril, por determinação do juiz Sérgio Moro, que ordenou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex em Guarujá (SP). A prisão foi executada com base na decisão do STF que autorizou prisões após o fim dos recursos segunda instância da Justiça.

Na petição enviada ao Supremo, a defesa do ex-presidente alega que há urgência na suspensão da condenação, porque Lula é pré-candidato à Presidência e tem seus direitos políticos cerceados ante a execução da condenação, que não é definitiva. 

“Além de ver sua liberdade tolhida indevidamente, corre sério risco de ter, da mesma forma, seus direitos políticos cerceados, o que, em vista do processo eleitoral em curso, mostra-se gravíssimo e irreversível”, argumentou a defesa. 

Além de Fachin, a Segunda Turma do STF é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewadowski, Dias Toffoli e Celso de Mello.

JURISTAS AFIRMAM QUE LULA PODE SER CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

ELEIÇÕES 2018
‘Portal CUT’ entrevistou Dalmo Dallari, Celso Bandeira de Mello, Eugênio Aragão e William Santos. Todos afirmam que a Lei da Ficha Limpa não impede o ex-presidente de registrar a sua candidatura
por Rosely Rocha, especial para Portal CUT.
© RICARDO STUCKERT/IL
lula ficha limpa.jpg

Portal CUT – Nos últimos dias, a grande imprensa vem afirmando que o ex-presidente Lula, mantido como preso político há mais de dois meses na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, pode não ter sua candidatura à presidência da República registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa da Lei da Ficha Limpa. Os juristas consultados pelo Portal CUT desmentem a versão da imprensa e esclarecem que, somente com a sentença em transitado em julgado Lula poderia ser impedido de se candidatar.

O jurista Dalmo Dallari, formado pela Universidade de São Paulo (USP), professor emérito e ex-diretor da Faculdade de Direito da USP e professor catedrático na cadeira de Educação para a Paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância da Unesco, órgão das Nações Unidas (ONU), é categórico ao afirmar: “Lula continua candidato. Tenho examinado e conheço as normas constitucionais e a legislação aplicável.”

Segundo o jurista, está havendo uma deturpação jurídica, já que a condenação pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), sem a confirmação das instâncias superiores, não tem valor judicial definitivo. Para ele, a decisão final ainda não existe.

Outro decano do judiciário brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello diz não acreditar que a candidatura de Lula possa ser impugnada. Ele critica ainda a posição da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmén Lúcia, que não coloca em pauta o julgamento das duas Ações Diretas de Constitucionalidade (ADC’s) 43 e 44 sobre a revisão da prisão após condenação em segunda instância, o que contraria a Constituição Federal.

Segundo Dallari, está havendo uma deturpação jurídica, já que a condenação pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), sem a confirmação das instâncias superiores, não tem valor judicial definitivo. Para ele, a decisão final ainda não existe.

“Tudo tem um limite. Lula vem sendo perseguido, não há dúvida e será muito ridículo para eles tentarem impugnar a sua candidatura, que tenho a certeza de que vai ganhar “estourado” essa eleição”, afirma Bandeira de Mello.

O mesmo sentimento de perseguição ao ex-presidente Lula têm os juristas Eugênio Aragão, ex-integrante do Ministério Público Federal e ex-Ministro da Justiça em 2016, no governo Dilma Rousseff, e William Santos, da Frente Brasileira de Juristas pela Democracia e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG.

William Santos explica que, mesmo preso e condenado em segunda instância, não significa que os direitos políticos de Lula foram cassados ou suspensos.

“A condenação de Lula não saiu em definitivo. Os direitos políticos dele não foram suspensos, já que ele tem recursos, e a Lei da Ficha Limpa que vigora hoje é clara: só com a sentença em transitado em julgado ele poderia ser impedido de se candidatar”, afirma.

Segundo ele, como ainda cabe recurso ao STF, o ex-presidente tem as chamadas certidões negativas – ou seja, não tem nenhum impedimento jurídico ou nome sujo – necessárias para a sua candidatura, além de endereço fixo e filiação partidária.

Outro fator a que o jurista chama a atenção é que o registro de candidatura é feito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, e é este órgão que vai discutir se uma pessoa pode ou não ser candidato.

“Não é o TRF4, de Porto Alegre, que condenou o ex-presidente, nem o juiz Sérgio Moro que decidirão sobre o futuro da candidatura de Lula.”

É o que explica o jurista Eugênio Aragão, que também é professor titular de Direito Internacional da Universidade de Brasília (UnB), mestre em Direito Internacional pela Universidade de Essex (Inglaterra) e doutor em direito pela Ruhr-Universität Bochum (Alemanha).

Segundo ele, a Lei diz que o TSE não pode impugnar qualquer candidatura se o Tribunal não for “provocado” por um partido político ou pelo Ministério Público, no prazo máximo de cinco dias após o registro da candidatura, para analisar um pedido de impugnação.

“E mesmo depois do julgamento no TSE ainda há recursos que podem ser impetrados junto ao STF e, com isso, a campanha eleitoral do ex-presidente Lula poderá continuar”, esclarece Aragão.

“Eu imagino que, se tudo for feito dentro dos trâmites, teremos uma decisão entre a primeira e segunda quinzena de setembro, se for o caso”, diz.

Para William Santos, da Frente Brasileira de Juristas pela Democracia, é “inimaginável que o TSE faça prevalecer uma nova regra só pra cassar a candidatura de uma única pessoa, neste caso, do ex-presidente Lula.”

“O TSE tem de ter a serenidade de respeitar as normas e as resoluções que o próprio Tribunal fez no ano passado. Não existe regra nenhuma que possa impedir Lula de sair candidato. O julgamento terá um trâmite de produção de provas, não é automático.”

A parcialidade do poder Judiciário

Advogados do ex-presidente Lula questionam no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o ritmo agora implantado pelo TRF-4 para apreciar o recurso que permitiria levar a discussão sobre a injusta condenação, sem crimes nem provas, do ex-presidente às instâncias superiores. 

Os juízes do TRF-4 foram céleres ao analisar a condenação imposta pelo juiz Sergio Moro a Lula. Mas, para apreciar os recursos da defesa do ex-presidente, o mesmo Tribunal não teve a mesma pressa.

O relator do processo, desembargador João Pedro Gebran Neto, levou 36 dias para concluir sua análise. O revisor, Leandro Paulsen, liberou o seu parecer em seis dias. No total, os dois demoraram 42 dias para analisar todas as acusações e as peças da defesa.

Já a intimação eletrônica para que o Ministério Público Federal apresentasse resposta aos recursos de Lula demorou, apenas para ser efetivada, o mesmo tempo que os desembargadores levaram para ler todo o processo: 42 dias.

“Isso mostra claramente a irresponsabilidade e o total descompromisso com a Justiça por parte dos juízes do TRF4”, critica o jurista William Santos.

Segundo ele, essa pressa em julgar Lula nada tem a ver com jurisprudência e, sim, com decisão política. “Existe uma ordem cronológica, um tempo de leitura e, inclusive, o acesso de advogados de defesa ao processo”, diz.

“Lula foi preso antes mesmo de a sentença ser publicada, numa situação anômala”, reforçou William.

A mesma linha de entendimento tem o jurista Dalmo Dallari. Para o professor da USP, essa decisão é “antijurídica pelo conjunto das circunstâncias”.

“Tenho a convicção de que essa demora é influenciada por fatores políticos. É mais um artifício para tentar impedir a candidatura do ex-presidente Lula. O STJ e STF têm de dar uma resposta”, cobra o jurista.

Já para Celso Bandeira de Mello, o TRF-4 faz uma notória perseguição ao ex-presidente Lula.

VELHO HOMEM NOVO: 90 ANOS DE CHE GUEVARA

ANIVERSÁRIO
Como o amor pelos povos e por sua libertação guiou a trajetória andarilha do revolucionário que faria aniversário ontem (14)
por Júlia Dolce.
WIKKICOMMONS

che1.jpg

Che sempre acreditou que seu lugar era com aqueles que lutavam, ‘hasta la victoria siempre’

Brasil de Fato – Foi itinerante, entre cidades, levado pela correnteza incartografável de um rio, que Ernesto “Che” Guevara nasceu há 90 anos. Ainda em deslocamento ininterrupto e com desprezo absoluto pelas fronteiras, Che viveu os 39 anos seguintes, fosse sobre a cinematográfica motocicleta La Poderosa II, com a qual percorreu paisagens e vivências latino-americanas; à bordo do Granma, embarcação que devolveu a Cuba seus filhos exilados que fariam a Revolução; ou caminhando de vila a vila, na última campanha que faria antes de ser assassinado, na Bolívia.

A natureza errante do Che – médico, jornalista, escritor, diplomata e líder revolucionário – estava em perfeita sintonia com os valores e teorias internacionalistas que permeiam suas principais contribuições para a esquerda. Contribuições essas que, justamente por serem tão pautadas em experiências reais, foram ofuscadas, com o tempo e verniz próprio dos mártires, pela imagem única de guerrilheiro. Para muitos, no entanto, a prática intransigente do internacionalismo por parte de Guevara é exatamente o que torna seu legado filosófico tão sólido.

Neste aniversário póstumo, O Brasil de Fato entrou em contato com pesquisadores, militantes e jornalistas que estudam a história de Che Guevara para resgatar e entender seu pensamento e os conceitos que guiaram sua prática revolucionária. Para uma dessas entrevistadas, a historiadora Cláudia Furiati, há uma aspiração histórica das elites de apagar a contribuição teórica do Che.

“Todos os escritos de Che, artigos, memórias, diários, foram publicados. Minha geração sofreu um bloqueio desse conhecimento, conhecemos pouco, porque criaram vários obstáculos para que esse esse legado não fosse divulgado. Ele foi um teórico, um formulador da libertação do terceiro mundo, através de uma visão muito testemunhal, porque ele criou conceitos e concepções a partir de uma vivência”, explica a historiadora.

Furiati é autora da única biografia consentida do líder cubano e companheiro revolucionário de Che, Fidel Castro. Após viver cinco anos em Havana para realizar essa pesquisa, a historiadora conta que entendeu o tamanho da importância desse processo revolucionário para além dos limites da ilha caribenha.

“É impossível você contar a história da libertação e emancipação do terceiro mundo sem contar o episódio do cruzamento desses dois personagens e histórias, Fidel e Che Guevara. Por essa razão, Che se transforma em um grande embaixador do Fidel para o terceiro mundo depois da vitória da revolução. Che é o chanceler verdadeiro de Fidel para a costura com os movimentos de libertação da América Latina, África e Ásia”, explicou Cláudia.

A aproximação profunda e quase instantânea entre Che e os guerrilheiros cubanos exemplifica essa característica. Argentino na certidão de nascimento, Guevara conheceu os revolucionários que lutavam para derrubar o regime do ditador cubano Fulgêncio Batista enquanto trabalhava como repórter fotográfico no México, em 1954, após cobrir o golpe que derrubou o presidente da Guatemala, Albenz Guzmán.

Socialistas, comunistas e anarquistas de todo o mundo haviam se somado à luta dos guerrilheiros guatemaltecos em defesa da reforma agrária radical proposta pelo presidente e rechaçada por poderosas multinacionais. Esses mesmos guerrilheiros apresentaram Che a Raul Castro, que eventualmente o levou a Fidel. A essa altura, Guevara já havia estabelecido que sua causa era a libertação dos povos em âmbito global.

REPRODUÇÃO/BRASIL DE FATOche 2.jpg
‘É impossível você contar a história da libertação e emancipação do terceiro mundo sem contar o episódio do cruzamento desses dois personagens e histórias, Fidel e Che Guevara’

“Para o Che, o internacionalismo significava sentir-se solidário com todo sofrimento dos explorados e oprimidos no mundo, e com toda luta emancipatória em qualquer pais que seja. Mas se tratava para ele de uma solidariedade ativa, concreta, revolucionária. Sua visão da luta pelo socialismo em Cuba e na América Latina era inseparável de uma visão do combate internacional contra o imperialismo e o sistema capitalista”, explica afirma o sociólogo franco-brasileiro Michael Löwy, diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique, em Paris.

Quatro anos depois, no Reveillon de 1959, a revolução cubana triunfou, e, após a instalação de um governo comunista, Che passou os anos seguintes estudando e elaborando um novo projeto de sociedade. Antes de se tornar embaixador cubano, Che dirigiu o Instituto Nacional da Reforma Agrária, presidiu o Banco Nacional e o Ministério da Indústria. Com a bagagem acumulada em cada uma das missões no governo revolucionário, Guevara publicou em 1965 a obra “O Socialismo e o Homem em Cuba”, na qual expôs um de seus principais axiomas, o de que a revolução deve acontecer, em primeiro lugar, por meio da transformação humana.

A esta ideia, que desenvolveu como o conceito do “Homem Novo”, Che somou todos seus valores de cooperação e amor para além das nacionalidades. “Nossos revolucionários da vanguarda têm que idealizar esse amor aos povos e às causas mais sagradas. Nessas condições, têm que ter uma grandiosa humanidade, um senso de justiça e humanidade. Todos os dias, têm de lutar para que esse amor à humanidade se transformem em feitos concretos, um ato de exemplo e mobilização. A revolução se faz através do homem, mas o homem tem que forjar dia-a-dia seu espírito revolucionário. O caminho é grande e desconhecido, como o ser humano e suas limitações, faremos, nós mesmos, o homem do século 21”, disse Che certa vez, em discurso lembrado pelo documentário argentino “Che, un Hombre Nuevo”.

“Sem dúvida, Che parte de Marx, mas o ‘Homem Novo’ é antes de tudo um conceito ético, se refere à moral comunista, à superação do egoísmo e do individualismo do passado, a uma atitude de solidariedade e de partilha igualitária, de disposição ao sacrifício pessoal”, afirma Löwy.

Na opinião de Djacira Araújo, integrante do coletivo de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto (MST) e da Direção Nacional da Consulta Popular, o conceito do Homem Novo, para Che, está enraizado em uma convicção profunda de que a sociedade capitalista é desumana e, sobretudo, desumanizadora.

“Compreender a profundidade dessa estrutura social desagregadora, violenta, baseada na exploração do homem pelo homem, dos trabalhadores, na dominação de nações sobre os povos de outras nações, fez com que Che compreendesse que essa sociedade é produto do ser humano, seu comportamento político e social, e portanto exige uma transformação profunda estrutural e também das pessoas. Por isso Che colocou a necessidade de se auto-construir na sua prática revolucionária. Ele buscou viver isso na prática, sendo um exemplo de solidariedade e internacionalismo, porque o sistema capitalista é um sistema mundial”, explicou Djacira.

Para Pâmela Cecília Zerosa, coordenadora do Centro de Estudos Latinoamericanos Ernesto Che Guevara (CEL-CHE), um aparelho do governo municipal de Rosário, na Argentina, o debate internacionalista proposto pelo revolucionário é inspirador até os dias de hoje, principalmente para os mais jovens.

“Eu gosto muito de um discurso que Che fez aos jovens comunistas, no qual ele afirma que temos que ficar felizes quando, em algum rincão do mundo, não importa qual seja, pode-se alçar uma bandeira de liberdade, e nos sentirmos angustiados quando em outro lugar há necessidade ou sofrimento. E essa ideia que queremos passar aos jovens que frequentam nosso centro. Para o CEL-CHE, o principal legado teórico de Che é esse internacionalismo. Quando tomamos a questão do humanismo e da solidariedade que ele propunha, podemos criar um diálogo a nível continental de que somos todos irmãos de uma mesma história”, afirmou.

Coerente, Guevara acabou deixando o importante cargo de embaixador e mais uma vez colocou-se em trânsito pelo mundo, como viajante e guerrilheiro, a partir de 1965. Somou-se, primeiramente, à luta por independência dos congoleses herdeiros do projeto descolonizador do presidente Patrice Lumumba, deposto por um golpe de Estado e assassinado em 1961. Com mais de cem internacionalistas cubanos, Che viajou com o objetivo de compartilhar as experiências da guerrilha cubana, mas se frustrou com as dificuldades de mobilização de uma conjuntura política fragmentada em múltiplas frentes. O “Diário do Congo”, que escreveu sobre a experiência, tem como primeira frase: “esta é a história de um fracasso”. A contragosto, Che cedeu e deixou o país africano.

Mesmo abalado pela experiência, no entanto, seguiu acreditando que seu lugar era com aqueles que lutavam, “hasta la victoria siempre” (até a vitória, sempre). Procurado por anticomunistas, se refugiou por meses em Tanzânia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental. Em julho de 1966, voltou secretamente a Cuba pela última vez, disfarçado como um diplomata uruguaio com o nome de Adolfo Mena. Em novembro do mesmo ano, ainda disfarçado, viu a esposa Aleida March e seus filhos pela última vez e deixou o país para somar-se ao Movimento Nacionalista Revolucionário Boliviano (MNR).

Sua entrada na Bolívia se deu pelo Brasil. Chegou a São Paulo em 4 de novembro de 1966 e hospedou-se em um hotel na região central, onde se reuniu com os militantes Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Daqui, utilizando a hoje turística rota do “trem da morte”, partiu para a selva boliviana, onde treinou e lutou por um ano, com outros 47 combatentes, que se auto-nomearam Exército da Liberação Nacional da Bolívia (ELN). Ao longo de 11 meses, antes de ser capturado a mando da CIA, Che escreveu seu último livro, o “Diário da Bolívia”, e a memorável “Mensagem aos Povos do Mundo”.

O texto foi um dos elementos centrais de uma catarse revolucionária internacional impulsionada pelo sucesso das revoluções Cubana e Argelina (1962), além da resistência vietnamita à guerra de aniquilação empreendida pelos EUA, que já durava mais de uma década. Em sua mensagem, Che conclamou a Conferência de Solidariedade aos Povos da África, Ásia e América Latina, mais conhecida como a Tricontinental, a “construir um, dois, três Vietnãs” em apoio à luta antimperialista em curso na Ásia.

Como legado da Tricontinental, foi criada a Organização de Solidariedade com os Povos da África, Ásia e América Latina (OSPAAAL), que até hoje funciona em Havana, e já engajou em uma série de campanhas de apoio aos processos internacionais de resistência. Em entrevista a essa reportagem, o intelectual e jornalista cubano, integrante da OSPAAAL, Santiago Feliú, destacou que a mensagem de Che continua com uma “vigência notável”.

“A vida provou que ele estava certo, porque na década de 1990 e neste século dezenas de nações foram libertadas dos seus colonizadores e dos jogos neocoloniais, e assumiram claramente posições anti-imperialistas, mesmo que não sejam anticapitalistas. Nos últimos 50 anos, desde que Che foi assassinado, o mundo mudou por completo, e infelizmente, nem sempre para melhor. A OSPAAAL foi se adequando para acionar sua solidariedade com as lutas. Não houve uma só causa libertadora, ao mais genuíno conceito guevariano de internacionalismo proletário, que a OSPAAAL não esteve envolvida. O que foi colocado por Che, com um sentido claro cada vez mais generalizado, é a rejeição de qualquer tipo de imperialismo”, afirmou.

Löwy ressalta que a síntese entre a práxis antiimperialista internacionalista e a reflexão sobre a ética pós-capitalista do “Homem Novo” é o que se pode chamar de “guevarismo”, e o sociólogo também acredita que essa filosofia se encontra mais atual do que nunca. “Com o fim do chamado ‘socialismo real’, ganham nova atualidade a critica de Guevara ao modelo soviético e sua busca de um novo paradigma socialista, em particular em seus últimos escritos”, pondera o professor.

Feliú destacou ainda a famosa advertência de Che feita em um discurso realizado na Organização das Nações Unidas (ONU) em 1964. “Não se pode confiar no imperialismo nem um tantinho assim. Nada! Porque a natureza do imperialismo é a que bestializa os homens”. “Cada etapa de todas as atividades do próprio Che e seus seguidores ao longo dos anos foi marcada pela solidariedade internacional, pela unidade imperiosa das forças internas de cada nação para lutar pela cooperação dos países mais fortes progressistas. Não havia falsidades, nem imitações ou demagogias. Che não exigia o que ele próprio não fora capaz de cumprir”, conclui Feliú.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.240.682 hits

Páginas

Arquivos