Arquivo para 2 de julho de 2018

CARTA CAPITAL: ESQUERDA DEBATE CANDIDATO ÚNICO, MAS PT NÃO VÊ SAÍDA ALÉM DE LULA

Eleições 2018

por Marina Gama Cubas — 

Fernando Haddad (PT), Luis Fernandes (PCdoB), Nelson Marconi (PDT) e Natalia Szermeta (PSOL)

Representantes de Manuela e Ciro defendem consenso, mas Haddad afirma que união não ocorrerá se o escolhido não for o ex-presidente

iMarina Gama Cubas

Fernando Haddad (PT), Luis Fernandes (PCdoB), Nelson Marconi (PDT) e Natalia Szermeta (PSOL) durante debate ‘O Que Nos Une’

O debate entre representantes dos pré-candidatos da esquerda e progressistas à Presidência, na sexta-feira 29, deixou claro que as ideias programáticas do PT, PSOL, PDT e PCdoB têm muitas semelhanças. A crítica ao governo Temer, também. No entanto, a sintonia pareceu parar por aí.

O encontro promovido pelo movimento Quero Prévias e que reuniu Fernando Haddad (PT), Luis Fernandes (PCdoB), Nelson Marconi (PDT) e Natalia Szermeta (PSOL) mostrou que não há uma concordância sobre uma união entre eles em torno de um único candidato já no primeiro turno. O assunto permeou todo o debate e incomodou inclusive parte da plateia que assistia ao encontro na Casa do Povo, em São Paulo.

Enquanto os representantes de Manuela D’Ávila e Ciro Gomes, em falas mais que afinadas, defendiam o candidato único nas eleições majoritárias – mesmo que essa candidatura não fosse a do ex-presidente Lula -, Haddad deixou claro do início ao fim que essa união não acontecerá se o ex-presidente não for o nome escolhido.

“Acho que nós deveríamos estar hoje debatendo um programa de um único candidato do nosso campo no primeiro turno das eleições. O Brasil está enfrentando um período gravíssimo e que está em causa a própria existência da nação enquanto país soberano”, argumentou Luis Fernandes, coordenador da campanha presidencial do PCdoB.

“A ameaça que paira sobre nós é gravíssima. Se a violência da cassação da legislatura do companheiro Lula à Presidência da República for confirmada, assim mesmo nós temos condições de ganhar as eleições. Mas para a gente  ganhar as eleições precismos estar unidos no primeiro turno para poder chegar no segundo turno”, completou sob aplausos.

A fala foi seguida de Nelson Marconi, que representou a campanha de Ciro Gomes no encontro. “Realmente a gente tem que pensar nessa união porque no fundo o que está em jogo hoje é que se a esquerda ou os progressistas não ganharem a eleição, o projeto liberal vai ser realmente consolidado nesse país dessa questão de legitimidade.”

Ele afirmou que o projeto neoliberal não possui legitimidade por causa do contexto de golpe, o que pode mudar caso o campo conservador vença a disputa. “A partir do momento em que eles ganham a eleição, aí sim a plataforma liberal pode vir a ser implementada com legitimidade. Então, essa é a questão principal que está em jogo nessa eleição, por isso acho que temos que pensar na união das esquerdas e dos partidos progressistas.”

Szermeta, que apresentava as proposta de Boulos do encontro, não levantou a bandeira de seus antecessores e focou nas propostas de sua legenda, mas sua postura não foi suficiente para finalizar o assunto, que permeou o bloco seguinte e deixou de lado discussões mais aprofundadas sobre estratégias para colocar em prática as reformas que todos os partidos lá representados concordam ser essencial ao país.

Representante petista, Haddad se mostrou confiante nos resultados eleitorais. “Um dos nossos candidatos certamente vai ganhar essa eleição na minha opinião. Acho que essa esquerda vai ganhar a eleição. E acho que as forças progressistas têm que estar unidas em torno de um projeto nacional, inclusive para garantir a sustentabilidade desse governo e a agenda desse governo que vai ter muita coisa em comum.”

A declaração do coordenador de campanha do PT foi rebatida por Marconi. “Tenho um pouco de receio que, se a gente não se unir, não tenho tanta certeza que a esquerda ganhe o primeiro turno. Quero pensar assim de forma otimista, mas não tenho tanta certeza.”

O grau de desesperança foi corroborado por Fernandes. “Certamente se qualquer um de nós consultar mais amplamente os movimentos sociais, as bases de apoio de nossos partidos, na sua maioria, eles acham que deveríamos estar unidos na campanha eleitoral. E que nós estivéssemos unidos já no primeiro turno.” E complementa dizendo que “queria comungar da confiança do Fernando Haddad”.

No quinto e último bloco, insistentemente o representante de Manuela D’Ávila fez questão de concluir sua fala da onde começou. “Do que foi apresentado aqui, há sentido essas candidaturas não estejam unificadas no primeiro turno das eleições?”.

A fala de Luis Fernandes foi aplaudida, porém interpretada por uma senhora como uma desistência à candidatura de Lula. Interrompendo a fala de Fernandes, ela puxou o coro da plateia com o jingle “Ole, ole ole, olá! Lula, Lula” e disse: “essa é uma palavra mágica para unificar a esquerda”.

Em resposta, o representante do PCdoB disse defender o direito do petista “ser candidato e do povo votar nele”. “Mas o ponto que quero levantar é que tenho certeza que estaremos juntos no segundo turno. Mas temo que estejamos juntos fora das urnas.”

Com a palavra final do encontro, Haddad não arredou o pé, Em uma fala que soou como música aos ouvidos do próprio partido – que alimentava desconfiança de parte de seus pares após conversar com Ciro Gomes – manteve a posição da alta cúpula de sua legenda. “Como nós do PT podemos abrir mão do Lula? Não temos condição política, eleitoral, moral, programática. O PT não pode e não vai abrir mão de Luiz Inácio Lula da Silva”.

PAI DE SANTO VISITA LULA E DIZ QUE ELE VAI RESISTIR, PORQUE ELE É A VITÓRIA DO AMOR CONTRA O ÓDIO E O PRECONCEITO

VIOMUNDO: MORO É DERROTADO: TOFFOLI BARRA TORNOZELEIRA DE DIRCEU

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, cassou nesta segunda-feira (2) a decisão do juiz Sérgio Moro que impôs uso de tornozeleira eletrônica para o ex-ministro José Dirceu, solto em razão de uma decisão da Segunda Turma do STF.

Na última sexta (29), Moro determinou que Dirceu fosse até Curitiba para colocação da tornozeleira até dia 3 de julho.

Três dias antes, uma decisão liminar (provisória) da Segunda Turma, da qual Toffoli faz parte, libertou o ex-ministro.

Moro justificou que, como a prisão havia sido suspensa pela Segunda Turma do STF, seriam retomadas as medidas cautelares impostas ao ex-ministro, entre as quais o uso da tornozeleira.

“Considerando que a decisão proferida pela Segunda Turma, por maioria de três votos a um, em nenhum momento restabeleceu a prisão provisória do reclamante, tratando-se, no caso, de prisão-pena, a qual foi suspensa para assegurar a liberdade plena do ora reclamante, em razão da plausibilidade jurídica dos recursos interpostos e, mais ainda, por não subsistir nenhuma esfera de competência do Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba – que sequer foi comunicado da decisão desta Corte –, casso, até posterior deliberação da Segunda Turma, a decisão”, escreveu Toffoli.

Conforme o ministro, o juiz Sérgio Moro “agindo de ofício, impôs ao reclamante medidas cautelares diversas da prisão, em claro descumprimento de decisão desta Suprema Corte”.

Além da tornozeleira, Dirceu ficou proibido, por exemplo, de deixar o país e de se comunicar com outros acusados ou testemunhas. Com a decisão de Toffoli, caem também essas restrições.

ABAIXO ASSINADO PEDE QUE STF E STJ ANULEM PRISÃO DE LULA

O documento, lançado nesta segunda-feira (2), começa a correr o país e será entregue em mãos às presidentas do STF Carmem Lúcia e do STJ Laurita Vaz
Ricardo Stuckert

Diante da série de arbitrariedades, injustiças e inconstitucionalidades promovidas contra o ex-presidente Luladesde o início do “caso triplex”, o comitê Lula Livre lançou, nesta segunda-feira (2), um abaixo assinado que pede diretamente ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça que a legalidade seja retomada e Lulalibertado.

Já são flagrantes para a sociedade as ilegalidades cometidas contra ele desde a denúncia vazia pela turma daOperação Lava Jato, sem provas, até a condenação pelo juiz Sergio Moro, que já assumiu não haver ligação entre o tal imóvel do Guarujá e supostos desvios na Petrobras, o que por si só já anularia o processo.

Líder em todas as pesquisas, Lula pode e será candidato registrado no dia 15 de agosto, independente manobras jurídicas que tentam inviabilizar sua candidatura.

Preso político desde o dia 7 de abril, os atropelos à lei não cessaram mesmo depois de seu encarceramento ilegal. “O cárcere açodado do ex-presidente Lula fere de morte a Constituição brasileira que prevê ser qualquer pessoa considerada inocente até transitada em julgada a sentença condenatória. […] A se manter esse estado de coisas a Justiça brasileira ficará irremediavelmente exposta como jurisdição política, carente de seriedade e entrará na história como protagonista de um dos mais vergonhosos episódios da sua vida pública”.

Acesse o abaixo assinado:

http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2018/07/abaixo-assinado-lula-livre-1.pdfDa Redação da Agência PT de Notícias

GGN: PERÍCIA DO SISTEMA ODEBRECHT MOSTRA QUE NÃO HÁ PAGAMENTOS OU REFERÊNCIAS A LULA

Jornal GGN – A defesa de Lula vai entregar ao juiz Sergio Moro, nos autos da ação penal sobre o sítio de Atibaia, o resultado de uma perícia no MyWebDay, um dos sistemas que a Odebrecht usava para efetuar pagamentos de propina no exterior. Segundo Painel da Folha desta segunda (2), a perícia mostra que “não há referência ao petista nos arquivos nem informações que o vinculem a atos ilícitos relacionados à Petrobras.”
No processo do sítio, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo as obras no imóvel que pertence, na verdade, aos empresário Jonas Suassuna e Fernando Bittar. As empreiteiras OAS e Odebrecht teriam feito reformas no espaço em troca de contratos com a Petrobras, dizem os procuradores de Curitiba.
Assim como ocorreu no caso triplex, a defesa de Lula tenta evidenciar que não há provas ligando os contratos entre as empreiteiras e a estatal de petróleo e dinheiro destinado ao ex-presidente.
Ao lado do MyWebDay, o sistema Drousys é o que rende mais polêmica. O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran afirma que ele foi adulturado antes e depois da Lava Jato ter sido deflagrada, o que coloca em xeque todas as provas que os procuradores extraem dos sistemas para corroborar denúncias apresentadas a Moro.

MARCELO SEMER: A LÓGICA DA LAVA JATO DILACERA RACIONALIDADE DO STF

Lógica Lava Jato dilacera racionalidade do STF

por Marcelo Semer, na Cult

A ministra Carmen Lúcia está a poucas semanas de encerrar seu mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal e aparentemente não vai conseguir realizar o principal de seus intentos: evitar que a Corte se apequene.

Uma contribuição considerável a este fracasso se deu justamente pela adesão desenfreada em busca do prestígio popular a que parte do Judiciário se entregou sem perceber o seu potencial corrosivo.

A luta por engrandecer a Justiça, em resumo, se transformou em uma corrida do cachorro em busca do próprio rabo.

Por mais serviços que tenha prestado ao erário e mesmo à autoestima dos promotores, como resgate de uma tradicional noção de impotência contra réus poderosos – e não pretendo aqui discutir o mérito de nenhum das dezenas de processos dela derivados – é a lógica da chamada Operação Lava Jato, sobretudo, que tem dividido a Corte.

A ideia de que é preciso flexibilizar a lei para que se faça justiça, de que é necessário fragilizar os mecanismos de defesa para dar correto trâmite às acusações, de que o apoio popular é essencial para a obtenção de resultados justos.

A lógica Lava Jato envolve uma transposição da atuação dos operadores do direito de guardiães da lei, nos quais devem coexistir tanto os fundamentos quanto os limites da acusação, para um arranjo que mistura coragem, arrojo e, sobretudo, obstinação para alcançar o resultado.

Se é difícil obter a prova que demonstra autoria, suplanta-se por uma que apenas a insinua; se os mecanismos da lei impedem que se constranja a defesa, uma leitura inovadora pode abrir caminhos; se o apelo popular depende do conhecimento de dados sigilosos, fundamenta-se a divulgação.

Enfim, se o sucesso da operação pode não ser replicado com segurança em outros processos, crie-se uma nova lei à sua imagem e semelhança –e falo aqui das malsinadas dez medidas do MPF, que sem sucesso pretendeu fazê-lo.

Parte considerável da procedência nas ações deveu-se às chamadas colaborações premiadas, por intermédio das quais a verdade é adquirida em troca de penas mais leves, regimes mais brandos e até reembolso de valores.

Tal qual uma cascata, a ideia de delação acabou por entronizar a prisão provisória como regra de um processo penal para o qual havia sido criada como hipótese de exceção.

Foi justamente para preservar a higidez e a continuidade das delações que a ideia de “prisão após julgamento de segunda instância” foi incorporada artificiosamente às decisões, como se estivesse no texto constitucional desde sempre. E não fosse ela uma fissura no horizonte que o legislador havia imposto como cláusulas pétreas, inclusive a si mesmo.

É possível prender provisoriamente a qualquer momento do processo, até mesmo antes dele começar, desde que demonstrada a necessidade cautelar, como uma espécie de garantia para a normal realização do processo ou para a aplicação de suas penas.

Mas porque era necessário que réus se sentissem fortemente intimidados com a proximidade da prisão e não pudessem apostar eles mesmos em uma decisão dos tribunais superiores, operou-se uma mudança de entendimento, muito mal absorvida pelos membros da Suprema Corte.

A ética de resultados pode estar contaminando decisões processuais. O ministro Marco Aurélio, há 28 anos na Corte, afirmou recentemente que nunca viu manipulação da pauta como esta.

Os fatos podem lhe dar razão. Dependendo da decisão que se espera, julga-se um processo individual ou uma ação direta com efeitos para todos; de acordo com a sentença que se aguarda, a competência para o julgamento vagueia das turmas para o plenário ou vice-versa.

Independente do lado que se esteja, das preferências ideológicas ou visões jurídicas que se tenha, é muito difícil não constatar que o STF está perto de se transformar em um tribunal ad-hoc, daqueles que julgam de acordo com as partes, o momento político ou a pressão da mídia.

Os juízes, efetivamente, têm pensamentos diferentes e isso é parte integrante da democracia.

A independência, como dizia Eugenio Raul Zaffaroni, é uma premissa da jurisdição –existe, mesmo que não venha escrito em canto algum. E junto com o pluralismo que a Constituição também agasalha, impedem que um juiz seja punido por decisões jurisdicionais, ainda que o apelo ao controle ideológico e as tentativas de tutela do pensamento permaneçam extemporaneamente resistentes.

Mas o STF é um desaguadouro natural destas diferenças. Aos poucos, elas vão sendo corporificadas em jurisprudências que, diante da construção eminentemente coletiva, do amadurecimento judicial, costumam angariar respeito.

Assim foi o STF quando firmou em 2009 que, diante da interpretação que, em outros processos e temas correlatos já vinham fazendo os ministros, que não podia haver, como é expresso o texto constitucional, tratamento ao réu como culpado, antes de sua condenação definitiva – exceto quando presentes as exigências cautelares.

Com base nesta interpretação, fruto de um amadurecimento gradual nos vinte anos de aplicação da Constituição, a própria lei foi alterada, aprovando projeto encaminhado ainda em 2001, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que congregava o pensamento consolidado dos doutrinadores de processo constitucional.

Foi assim que se mudou o artigo 283 do Código de Processo Penal que vincula a prisão provisória à condenação definitiva, quando não presentes outros fundamentos.

Mas justamente a pressão política, jurídica e midiática da Lava Jato fez com que o STF decidisse, de afogadilho, alterar seu próprio e refletido entendimento: porque isso, enfim, poderia obstar futuras delações –o que foi defendido expressamente pelo ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot.

Nessa época, Gilmar Mendes era o ponto de contato com o STF nesse campo – e foi ele justamente quem mudou de opinião.

Foi tanto de afogadilho a mudança que o STF nem se preocupou em dizer, enfim, se o artigo 283, do Código de Processo Penal – e outro de mesmo teor da Lei das Execuções Penais – estavam ainda valendo. E até hoje não se conseguiu saber porque o tema nunca é pautado.

O resto da história é mais ou menos conhecido. Com a deposição de Dilma Rousseff, Gilmar Mendes voltou ao garantismo que havia marcado seus votos (e algumas das principais decisões do plenário do STF) e teve que se desdizer até em certos processos em andamento, como foi na apreciação da perda de mandato da chapa vencedora no TSE, quando isto significaria não mais a deposição da presidenta, como supunha até então, mas agora de seu vice.

A partir desta decisão, Gilmar incorporou, sem pudores e até com coragem, que isso fique consignado, o figurino de inimigo do povo, reassumindo, de uma forma um pouco inusitada, a função contramajoritária que é da essência do papel do juiz criminal.

O julgamento ad-hoc, o controle da pauta, a estratégia de alteração de competência, o apelo ao sentimento popular. A ética de resultados é a convidada indesejada na agenda de um tribunal que jamais pode se apequenar.

Mas a verdade é que o se pode chamar de lógica Lava Jato dilacerou a racionalidade do STF. E ainda vai demorar um pouco para juntar os cacos.

Marcelo Semer é uiz de Direito e escritor. Mestre em Direito Penal pela USP, é também membro e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

DILMA VÊ STF SUBMISSO A ARBÍTRIOS DE MORO E DENUNCIA ‘VALE-TUDO’ CONTRA LULA

PERSEGUIÇÃO
Segundo ex-presidenta, “a história vai registrar” que tribunais superiores se curvaram à vontade de um juiz de primeira instância
por Redação RBA.
RICARDO STUCKERT
Lula Livre

Se algum julgamento pode beneficiar Lula, “é adiado, suspenso e sequer entra na pauta”, ressalta Dilma

São Paulo – Instaurou-se no Brasil “uma espécie de vale-tudo judicial” para impedir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de disputar as eleições de outubro. A afirmação é da ex-presidenta Dilma Rousseff. Segundo, após tê-lo condenado sem provas, o Judiciário adota “manobras”, “artifícios” e “casuísmos”para derrubar sumariamente recursos e apelações apresentados pela defesa do ex-presidente. 

“Primeiro, denunciaram-no sem provas, apenas com base em convicções; depois, condenaram-no por ‘razões indeterminadas’; em seguida, jogaram-no na prisão antes do julgamento dos seus recursos, direito assegurado a outros réus e a outros presos; e, agora, bloqueiam a sua prerrogativa a qualquer apelação”, disse a ex-presidente, em nota divulgada neste domingo (1º). 

Dilma observa que as instâncias superiores da Justiça vêm se submetendo, de maneira “obsequiosa”, segundo ela, “à decisão arbitrária de um juiz de primeira instância”. “Se algum julgamento pode vir a beneficiá-lo, é adiado, suspenso e sequer entra na pauta dos tribunais. Se alguma decisão pode eventualmente lhe favorecer, é negada de pronto, sem ser submetida a exame.”

Dilma também denuncia a “chantagem” realizada pela imprensa tradicional, que diz que Lula só terá seus pleitos no Judiciário atendidos se abrir mão da sua candidatura à presidência. “Querem que Lula autodestrua sua condição de maior líder político do Brasil.”

A ex-presidenta, que deve disputar o Senado em Minas Gerais a pedido de Lula, afirma que a “história vai consignar que alguns tribunais superiores” abriram mão do direito de decidir, e “abdicaram do dever de julgar, quando o seu veredito poderia representar a justa liberdade de um cidadão”.  

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USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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