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MÍDIA APOSTA NA APATIA COM A POLÍTICA PARA FAVORECER SEUS CANDIDATOS

TV eleicoes

Em outros tempos, a televisão e até mesmo o horário eleitoral contribuíam para o debate de projetos e as escolhas dos cidadãos. Hoje o objetivo é promover o desencanto. Quem ganha com isso?

por Lalo Leal, para a RBA

Segue animada a luta de partidos e candidatos por alguns segundos a mais no horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV, a se iniciar em 31 de agosto. Há candidatos, como é o caso do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que apostam tudo nesse tipo de propaganda. É a sua última esperança de melhorar os índices de intenção de voto registrados até aqui por todas as pesquisas.

A expectativa, por certo, é que se repita o fenômeno das últimas eleições municipais realizadas em São Paulo, onde um candidato desconhecido recebeu uma cuidadosa embalagem de marketing e venceu as eleições no primeiro turno graças à TV – e ao desinteresse pela política, já que Doria perdeu para abstenções e brancos e nulos.

Se por um lado esse tipo de uso do horário eleitoral distorce sua finalidade, levando o eleitor ao engano, por outro é nesse momento que as mensagens honestas e não manipuladoras podem transitar livremente. Personagens e ideias banidas ou distorcidas durante as programações regulares das emissoras podem aparecer em sua integralidade nos horários obrigatórios.

A ditadura civil-militar de 1964-1985 tentou aniquilar todas as organizações de esquerda existentes no pais, mesmo aquelas que não aderiram à luta armada. Qual não foi a surpresa quando, ao final desse período, era possível ver nas telas de TV, nos horários obrigatórios, os símbolos do comunismo até então demonizados pela ditadura. Além das mensagens denunciando as mazelas nacionais contrastando com a propaganda governamental ufanista.

Os programas eleitorais cumpriram um importante papel na abertura democrática dos anos 1980 e na consolidação das liberdades políticas dali em diante.

A sua importância está diretamente ligada à falta de pluralidade no noticiário e na ausência de debates políticos no rádio e na TV. Durante a ditadura a Polícia Federal enviava seguidamente ordens às redações proibindo a divulgação de determinados assuntos ou a realização de entrevistas com determinadas pessoas.

Entre os nomes censurados estavam, por exemplo, os de dom Hélder Câmara e de Darcy Ribeiro e entre os inúmeros assuntos proibidos incluíam-se o surto de meningite que ocorreu em São Paulo em meados da década de 1970 e a volta às ruas das manifestações estudantis.

Hoje a situação se repete, não por via direta da Policia Federal mas pela própria censura empresarial imposta pelos donos dos meios de comunicação. Exemplo mais recente é o do banimento do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dos noticiários. Ao ser preso, a ordem das empresas é que ele fosse esquecido, com a intenção de determinar a sua queda nas pesquisas de intenção de voto, o que não ocorreu.

Sobreveio, no entanto, um fato novo, inesperado para os operadores do jornalismo dessas empresas. A ordem do desembargador Rogério Favreto de libertar o ex-presidente em pleno domingo pegou os plantonistas nas redações de surpresa. De repente, tinham que falar de Lula de novo.

Para tanto, comentaristas e apresentadores de folga foram chamados e, ao longo do dia, tentaram ir se refazendo do susto. Se o nome do ex-presidente não podia deixar de voltar as telas e microfones, a forma como isso foi feito enquadrou-se na linha da distorção, enfatizando o irrelevante (o desembargador ser plantonista ou ter trabalhado em administrações petistas) e escondendo o relevante (a incomunicabilidade do ex-presidente impedindo-o de falar com a imprensa,  a ausência de razões para o seu encarceramento e a perseguição pessoal exercida sobre ele pelo juiz de piso Sérgio Moro).

Mas não é só em momentos excepcionais como os do domingo, 8 de julho, que a mídia adota essa postura. Ela faz parte da rotina normal de trabalho.

Na televisão aberta, o veículo informativo único para a maioria da população brasileira, não se debate política. E na TV fechada os poucos que existem mantêm uma linha editorial conservadora, quando não reacionária. O contraditório inexiste.

Outro exemplo recente de parcialidade ocorreu com o programa Roda Viva, da TV Cultura que, diga-se, não é um programa de debates e sim uma espécie de entrevista coletiva, ao contrário do que afirmou o vice-presidente do Conselho Curador da emissora, Jorge da Cunha Lima, em artigo publicado num jornal da imprensa corporativa.

Nesse programa, a pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila, viveu um dos momentos mais constrangedores da história da TV brasileira. Cercada de entrevistadores alinhados ideologicamente em campo oposto ao dela, quase não pôde falar, interrompida que foi por mais de 60 vezes. As perguntas eram de nível pedestre, quase sempre evidenciando a indigência cultural dos perguntadores.

Como se vê, nos raros momentos em que a TV se abre para a política, o faz de forma canhestra, não dando ao telespectador a possibilidade de formar opinião através de um debate qualificado, rico em ideias capazes de despertar o público para temas que são essenciais à sua vida.  

Ao contrário, programas como o Roda Viva já há muito tempo vêm dando a sua contribuição para o desencanto com a política cujo resultado é o surgimento de “salvadores da pátria” que, em outros momentos históricos, espalharam o terror pelo mundo.

´PRISÃO DE LULA VIOLA A CONSTITUIÇÃO E É ILEGAL´ DIZ JUIZ MELLO A TV DE PORTUGAL

Em entrevista à RTP, ministro do STF reafirmou que considera ilegal a prisão do ex-presidente após condenação em segunda instância e que Corte não debate questão por determinação de Cármen Lúcia.

Em entrevista à emissora de televisão de Portugal RTP, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello foi taxativo ao declarar que a prisão do ex-presidente Lula, após condenação em segunda instância, viola a Constituição brasileira .

Ao ser questionado pelo repórter se a prisão é ilegal, Marco Aurélio foi categórico: “Sem dúvida alguma. E processo para mim não tem capa, processo para mim tem unicamente conteúdo”. A entrevista foi exibida na sexta-feira (22).

O ministro enfatiza à RTP que a prisão viola o princípio da presunção da inocência tratado no artigo 5º da Constituição, que trata do trânsito em julgado da sentença. “Eu não concebo, tendo em conta a minha formação jurídica, tendo em conta a minha experiência judicante, eu não concebo essa espécie de execução”, reforçou.

Marco Aurélio disse ainda que a ilegalidade foi mantida porque a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, decidiu não pautar a discussão sobre o assunto pelo plenário da Corte.

A entrevista foi ao ar no mesmo dia em que o também ministro do STF Edson Fachin retirou da pauta da Corte o julgamento de um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Lula que estava previsto para ocorrer na próxima terça-feira pela 2ª Turma da corte.

Também na sexta, porém, Fachin mandou arquivar processo de investigação que associava o presidente Michel Temer a um documento encontrado no escritório de um senador do PP investigado por compra de silêncio de testemunhas.

Assista a entrevista na RTP:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/prisao-de-lula-viola-a-constituicao-diz-juiz-do-supremo_v1083247

 

DESGOVERNO TEMER TREME COM GREVE DE CAMINHONEIROS QUE VEEM A PONTE PARA O FUTURO LEVAR A LULA DE NOVO COM A FORÇA DO POVO

Ricardo Stuckert

Produção Afinsophia

Os golpistas quando derrubaram a presidente Dilma Rousseff eleita com mais de 54 milhões de votos prometiam o paraíso para os brasileiros. Uma ponte levaria os levaria ao futuro. Como o futuro de gente que não é vanguarda é a eterna repetição do velho, do conservador, da inércia, da superstição, Temer e o pessoal da Lava Jato, na pessoa do seu juiz parcial Moro, estão, já a algum tempo a ver que este Maio de 2018 está se movendo para aprontar mais uma.

Claro, que este maio de 2018 não é como aquele Maio de 1968 nas ruas de Paris. E nem temos, nestes idos, apesar de muitos estudantes terem tido acesso às faculdades e Universidades nos governos populares de Lula e Dilma aquela subjetividade de revolta que moveu a estudantada parisiense. Lá, parecia que tudo estava tranquilo, mas não estava. Os estudantes se incomodaram com o que o sistema educacional apresentava. Na Universidade de Nanterre eles resolveram se manifestar. Manifestar contra a violência da guerra do Vietnã, por exemplo. Se manifestar contra o conservadorismo da sociedade capitalista dominada já pelos Estados Unidos. Se manifestar contra as leis trabalhistas que já escravizavam a classe trabalhadora. E os estudantes foram ganhando adeptos, foi se espalhando e depois não teve mais quem segurasse a turma do é proibido proibir.

No Brasil dos golpistas temos tudo para uma grande reação popular. Só que passada a ditadura convivemos com a democracia que parecia duradoura. Lula ganhou duas eleições, fez ótimo governo. Dilma ganhou duas eleições, fez um primeiro mandato muito bom, mas no segundo, os golpistas inviabilizaram a continuidade do mesmo derrubando-a. 

Não percebemos que os golpistas do Norte planejaram e derrubaram governos em Honduras e no Paraguai. Como não era conosco, só os democratas questionaram e defenderam Lugo e o presidente de Honduras que foi até sequestrado. Depois, fomos nós que enfrentamos duro golpe de Estado.

Os que na época levantavam bandeira contra a Dilma, queimavam bandeiras do PT, hoje, estão vendo que o chicote que bate em Chico bate em Francisco também. Só que o papa é diferente, ele bate também. Carteiros e caminhoneiros foram duas categorias raivosas contra Dilma. Fizeram manifestações, ajudaram derrubar a presidente. Ainda hoje, tem caminhoneiro ressentido contra o governo popular de Lula e Dilma.

A greve dos caminhoneiros deve ser analisada de várias formas. São os caminhoneiros mesmo que estão por trás da greve. Não são os empresários, presidentes de Associação, aqueles que querem manter monopólios que estão promovendo essas paralisações?

Uma coisa é certa, o desabastecimento de combustível já atinge várias cidades, assim como o abastecimento de alimentos. Aeroportos e ônibus deixarão de circular em São Paulo e noutras capitais. Voos são cancelados e alguém vai ter que apagar a última luz do aeroporto.

Os responsáveis por tudo isso chamam-se golpistas: Michel Temer e todos seus dublês de ministros, Rede Globo de Televisão, Folha de São Paulo, Estadão, Uol, Revista Veja, Época, Isto é, Tv Bandeirantes e correlatas, Lava Jato, Sérgio Moro, Dallagnol, STF, TRF-4, e o presidente da Petrobras, Raimundo Parente, que numa administração desastrosa, num desgoverno fará os golpistas cairem, todos e darão oportunidade para que, com muita dificuldade, nosso país volte à democracia e retomada do desenvolvimento com a eleição do mais querido e popular, o maior presidente que o Brasil já teve, Luis Inácio Lula da Silva.

 

IMPEDIR LULA NA ELEIÇÃO É USURPAR O DIREITO DE MAIS 30% DA POPULAÇÃO, DIZ HADDAD

Ex-prefeito coordena plano de governo de Lula e nesta sexta-feira deu mais detalhes sobre esse trabalho. Senadora Gleisi afirmou que nome de candidato a vice pode surgir de aliança com partidos.
por Redação RBA
A soberania do voto popular está em jogo com a prisão de Lula, disse o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad no início da noite desta sexta-feira (18). “Mais de 30% da população quer votar no presidente Lula e pode ter esse direito usurpado, como já teve outros direitos usurpados ao longo dos últimos três anos. Temos de evitar mais uma usurpação, mais um tapetão”, afirmou ao defender o direito de Lula participar das eleições. Haddad argumentou com base nas pesquisas eleitorais, que apontam Lula em primeiro lugar. A mais recente delas, da CNT/MDA, confere 32,4% ao ex-presidente, superando de longe todos os concorrentes.

ATAQUES A DIREITOS HUMANOS É TENTATIVA DE MANTER PACTO COLONIAL, DIZEM EX MINISTROS

Universidade Federal do Paraná reúne ex-ministros de áreas sociais dos governos Lula e Dilma para debater retrocessos sociais cometidos pelo governo golpista de Michel Temer
por Gibran Mendes 

Porem.net – História, avanços e retrocessos no Brasil e no mundo foram temas do debate sobre a desconstrução dos direitos humanos, realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), na noite de sexta-feira (18), que contou com a presença dos ex-ministros Paulo Vannuchi e Nilma Lino Gomes.

Nilma, que foi ministra da Igualdade Racial e Direitos Humanos de Dilma Rousseff, avalia que os ataques aos direitos humanos ocorrem não apenas no Brasil, sendo uma onda internacional. “Principalmente em países latino-americanos e africanos”, exemplificou.

Segundo ela, nestas nações há uma tentativa de manutenção de determinado status quo. “Existem forças colonizadoras dominantes que nunca aceitaram sair deste lugar, sempre tentaram manter um laço colonial, mas hoje um laço colonial do século 21”, afirmou.

Estes ataques, embora tenham crescido no Brasil após o golpe de 2016, já existiam, ou ao menos ocorreram tentativas, conforme lembra a ex-ministra. “Também vivemos tensões durante todo o tempo em que estive no ministério. Existia muita pressão de setores conservadores e fundamentalistas para não aprofundarmos pautas como questões quilombolas, raciais, LGBTI, entre tantas outras”, recordou.

Os avanços obtidos ao longo dos últimos anos, segundo ela, são frutos de ações de um governo “democrático e popular”. “Estes temas são considerados questões sociais que demandavam resposta do estado, tornavam-se temas propositivos. Hoje estas pautas são vistas como entraves”, disse a ex-ministra.

Embora ações de desconstrução dos direitos humanos sejam políticas de governo, de um projeto de Estado, elas igualmente encontram apoio em setores da sociedade, como explica Nilma. “Quando esta leitura conservadora é implantada, estas análises que demonizam os direitos humanos encontram eco em uma parcela da sociedade, em setores da classe média, na elite e inclusive em alguns setores populares”, lamentou.

O retorno do Brasil ao Mapa da Fome, a aprovação da “Reforma” Trabalhista, que fragiliza ainda mais as relações de trabalho e atinge diretamente mulheres e jovens, a PEC do Teto de Gastos Públicos e a própria intervenção militar no Rio de Janeiro, são golpes nos direitos humanos, avalia a ex-ministra.

No caso da presença do Exército nas ruas da capital fluminense, especialmente, Nilma avalia os reflexos sociais. “Não é apenas o direito de ir e vir, mas o reforço da ideia de que os sujeitos considerados suspeitos são os que estão nas vilas e favelas onde o Exército está. Quando se faz isso, reforça-se a ideia de que esses sujeitos são considerados ‘suspeitos número um’ e eles devem ser exterminados”, exemplificou.

Assassinatos de lideranças como a (vereadora) Marielle (Franco, do Psol-RJ, assassinada em 14 de março), segundo a ex-ministra, são reflexos destas políticas e também são um recado. “É uma mensagem para quem luta pelos direitos humanos. Esta mensagem está sendo transmitida das formas mais diversas para nós neste momento. É uma mensagem de morte”, completou.

Modelo em xeque

O ex-ministro dos Direitos Humanos de Lula, Paulo Vannuchi, por sua vez, recordou as lutas que envolvem o tema ao longo da história. Desde Zumbi dos Palmares, passando pela resistência contra a ditadura e o movimento pelas Diretas Já, lembrando também a morte da vereadora carioca.

Vannuchi também citou o movimento estudantil durante a ditadura civil-militar, do qual identificou José Dirceu como uma das principais lideranças. O ex-ministro recordou, no momento do debate, que Dirceu poderia estar a caminho de Curitiba, um dos possíveis locais de sua detenção. “Foi condenado a 30 anos de prisão, pena que nenhum serial killer teve no Brasil, nenhum torturador do DOI-CODI que violentou mulheres. Aliás, o discurso para o prender foi de ‘para não favorecer a impunidade’. Mas vem, coincidentemente, de quem sempre se opôs à punição destes torturadores.”

O ex-ministro também analisou os avanços dos direitos humanos ao longo dos últimos governos desde a redemocratização e aproveitou para comentar a afirmação de que “não há liberdade sem igualdade e não há igualdade sem liberdade”.

Segundo Vannuchi, é impossível uma sociedade com liberdade, igualdade e fraternidade em um modelo capitalista. “Caso teu tenha uma empregada e entregue para ela metade do meu salário, ainda assim não seremos iguais. Eu serei patrão. Uma sociedade assim só poderá ser construída desde que deixe de existir a exploração da força de trabalho de um ser humano por outro”, concluiu.

EFEITO DO GOLPE, MORTALIDADE INFANTIL CRESCE, DEPOIS DE 15 ANOS DE REDUÇÃO

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Em 2016, “óbitos evitáveis” de crianças de um a cinco anos de idade aumentou em 11%. “A retirada de programas específicos impacta no aumento da mortalidade”, afirma gerente-executiva da Fundação Abrinq

por Luciano Velleda, da RBA

Um enorme esforço do governo federal e da sociedade civil durante 15 anos para diminuir as taxas de mortalidade de bebês e crianças começa agora a ser desfeito, às custas do argumento do ajuste fiscal promovido pelo governo de Michel Temer. Depois de mais de uma década com quedas consecutivas, a taxa de mortalidade na infância (proporção de óbitos de menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos) subiu 11% em 2016, em comparação com o ano anterior.

Os dados foram tabulados pela Fundação Abrinq, a partir de informações do Ministério da Saúde/DataSUS, IBGE e outras fontes oficiais. Seguindo as metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), a mortalidade na infância caiu de 30,1/para cada mil nascidos vivos, no ano 2000, para 14,3, em 2015.

“O enfrentamento foi significativo e o Brasil se tornou referência. As taxas vinham decrescendo, com exceção à mortalidade materna, com taxas ainda distantes (em relação aos ODS). A partir de 2015 há um declínio nas taxas de redução e, em 2016, uma tendência de crescimento, uma sinalização concreta de que estamos quebrando esse padrão de declínio com a perspectiva de aumento”, diz a gerente-executiva da Fundação Abrinq, Denise Cesário.

Ela explica que o Brasil tem uma série de programas específicos para enfrentar a mortalidade na infância, e que o aumento agora constatado está relacionado aos cortes nos programas sociais feitos pelo governo Temer, aliado ao não prosseguimento de outras ações que se relacionam com o bem-estar da criança. Entre os programas que sofreram cortes, Denise Cesário destaca o Rede Cegonha, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) – que garante acesso à alimentação saudável de crianças pobres na pré-escola –, o Mais Médicos, o Bolsa Família, e a situação de quase extinção do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“A gente percebe que a redução do investimento e a retirada de programas específicos, acaba impactando no aumento da mortalidade infantil e da mortalidade na infância”, afirma a gerente-executiva da Fundação Abrinq. “Isso indica que as famílias mais pobres são aquelas mais impactadas com a falta de investimentos em políticas sociais. Percebemos rapidamente o impacto destes indicadores em quem precisa do serviço básico de saúde, em quem precisa de uma série de programas e suporte para alimentação.”

Denise Cesário explica que tais mortes estão relacionadas com cuidados no pré-natal, com a gestante e o bebê após o nascimento, destacando que os primeiros mil dias de vida (cerca de três anos) são considerados vitais para o desenvolvimento da criança. Entre os cuidados fundamentais está o próprio momento do parto, que deve ser de preferência normal, o período do aleitamento materno de no mínimo seis meses, o início da alimentação e a atenção ao calendário de vacinas.

“Precisamos estar atentos até os cinco anos (de idade) para que não ocorra a mortalidade na infância. Se tivermos toda essa atenção, vamos garantir o desenvolvimento”, afirma. A gerente-executiva da Fundação Abrinq pondera que os dados de 2016 mostram um pequeno declínio na taxa de óbito até um mês de vida. O aumento dos “óbitos evitáveis” (aqueles que poderiam mais facilmente não acontecer) acontece em bebês de um mês até um ano de vida (mortalidade infantil), e entre um e cinco anos de idade (mortalidade na infância).

Entre os óbitos evitáveis, Denise Cesário cita o retorno de problemas que já haviam sido bem enfrentados pelo governo federal, como as mortes causadas por questões gastrointestinais, como diarreia, algo muitas vezes ligado ao saneamento básico e a qualidade da água usada para consumo humano.

A gerente-executiva da Fundação Abrinq ainda enfatiza os efeitos nocivos da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos o orçamento do governo federal. “Tem impacto considerável, são questões bastante preocupantes. Sabemos que na crise o primeiro corte é na área social e quem mais sofre é a população mais vulnerável”, afirma.

Austeridade fiscal

As escolhas políticas de Temer para enfrentar a crise econômica do país são duramente criticadas por Tereza Campello, economista e ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo de Dilma Rousseff.

Sem meias palavras, ela define como “burra” a opção de cortar o investimento social no curto prazo e não levar em conta, a médio e longo prazo, o aumento do gasto na rede pública de saúde. “Custa menos você prevenir a desnutrição e a diarreia, do que tratar uma criança hospitalizada num leito de UTI. Então não é uma opção fiscal inteligente, racional, é ineficaz do ponto de vista da austeridade fiscal”, afirma Tereza Campello.

Enquanto cortava nos programas sociais, a ex-ministra lembra que o governo Temer privilegiou o parcelamento e descontos de até 90% para micro e pequenos empresários em dívida com a União, por meio do Programa Especial de Regularização Tributária das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Refis). Escolha semelhante também foi feita com relação às dívidas de fazendeiros, atendendo demanda da bancada ruralista em detrimento do investimento em programas sociais. “Além de uma grande injustiça, é uma burrice fiscal”, critica a ex-ministra.

Tereza diz que o país hoje assiste a volta de doenças que estavam controladas, como sarampo, sífilis, tuberculose e hanseníase. “O Brasil era pioneiro na redução de doenças como tuberculose e hanseníase, que agora voltam a crescer junto com a mortalidade infantil.” Ela vincula o retorno da diarreia e da desnutrição à renda da população, além de relacionar o aumento de doenças respiratórias com o fim da Farmácia Popular.

“É um escândalo. Fecharam a Farmácia Popular, que distribuía de graça remédio pra asma! Isto vai ter impacto nas doenças respiratórias, como pneumonia e infectorespiratórias. Então essa família pobre, precarizada com o desemprego, precarizada com a reforma trabalhista, fica sem o remédio da asma. Você acaba com a Farmácia Popular e agora vai aumentar a hospitalização de criança com pneumonia. O impacto a médio e longo prazo é muito alto. Mesmo do ponto de vista fiscal, essa escolha é burra”, critica a economista.

Conhecer os acertos

A ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome propõe que, neste momento de crescimento da mortalidade na infância, se reflita sobre os motivos pelos quais tais mortes vinham diminuindo na última década, de forma permanente e sistemática. Neste sentido, avalia que a principal razão não havia sido apenas a expansão da rede de cuidados médicos, mas sim o aumento da renda da população, com impacto direto na redução da mortalidade causada por doenças evitáveis, como desnutrição, e outras decorrentes da diminuição da imunidade, como diarreia.

“O aumento da crise e do desemprego tinha que ser acompanhado do aumento da rede de proteção, e isto não aconteceu. Este é o problema”, analisa. Segundo Tereza Campello, não basta justificar os cortes sociais como efeitos da crise. Para ela, o governo de Michel Temer abandonou a rede de proteção que daria apoio durante a dificuldade econômica. “É justamente no momento de crise que o Estado deve dar suporte, deve garantir a alimentação escolar melhor, já que ela não vai comer em casa”, avalia, fazendo referência aos cortes no Pnae) e o “fim” do PAA.

“O que ficou do PAA são coisas que tinham obrigações geradas e ficaram sendo pagas. O programa chegou a ter um bilhão de reais e hoje tem alguns poucos milhões, foi completamente desconstituído, e era um programa que distribuía alimentos para populações vulneráveis. Há um conjunto de políticas que deixou de garantir o suporte para o aumento do desemprego e o aumento da vulnerabilidade da população”, afirma a ex-ministra, em sintonia com o diagnóstico da gerente-executiva da Fundação Abrinq.

 “O estancamento do processo de suporte da população mais vulnerável, mais a precarização do trabalho, mais o aumento do desemprego, isto impacta diretamente no público mais frágil, que são as crianças. A gente já sabia que a pobreza no Brasil era mais severa entre as crianças, por isso tínhamos todo um conjunto de políticas protegendo as crianças, e que deixou de existir”, lamenta Tereza Campello.

Apesar da revolta com o aumento das taxas de mortalidade infantil e na infância, a ex-ministra pondera que o país hoje conhece os caminhos para enfrentar o problema, uma experiência acumulada na gestão pública, em parceria com a sociedade civil, ao longo de muitos anos. Com otimismo, ela acredita que, quando houver um ambiente político mais favorável, o Brasil poderá retomar o caminho das políticas para crianças que vinham sendo desenvolvidas até o impeachment de Dilma Rousseff.

PRIMEIRO DE MAIO AO VIVO

COMO SERÁ O PRIMEIRO DE MAIO, NA REPÚBLICA, EM SÃO PAULO E PELO BRASIL

1 de Maio em SP

CUT, CTB e Intersindical promovem manifestação no centro da cidade, acompanhada de apresentações musicais. Rio tem ato na Praça XV. Em Brasília, entre Torre de TV e Funarte.

por Redação RBA

Com organização da CUT, CTB e Intersindical, a manifestação do Dia do Trabalhador em São Paulo será na Praça da República, a partir do meio-dia. Movimentos sociais que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo participam do ato, que terá como mote a defesa dos direitos atacados pela “reforma” trabalhista e da democracia, pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por seu direito a disputar a presidência da República.

A bandeira da revogação da nova legislação, e de outras medidas como a emenda constitucional do congelamento de gastos sociais, moverá o movimento sindical nas eleições deste ano.

O 1º de Maio da Praça da República terá também apresentações de artistas, como a banda Liniker e os Caramelows, que mescla black music, a rapper Preta Rara, a sambista Leci Brandão, o grupo Mistura Popular, o compositor de sambas enredo André Ricardo, e os cantores e intérpretes, Grazzi Brasil e Celsinho Mody, destaques do carnaval em 2018 pela escola de samba Paraíso do Tuiuti.

Mesmo muita gente e entidades organizando excursões para principal manifestação do dia, em Curitiba, onde as sete maiores centrais sindicais farão uma inédita manifestação conjunta, o 1º de Maio tem atos programados em todo o país com a mesma temática.

Ainda em São Paulo, em Osasco, a partir das 8h, tem início a tradicional corrida e caminhada dos trabalhadores e trabalhadoras, em frente à sede da prefeitura. Em Campinas, a partir das 9h, tem início concentração no Largo do Pará, no centro, de onde sairá caminhada até a Catedral, na Praça José Bonifácio, onde ocorrerá ato unificado. Em Araraquara, às 14h, tem início apresentações culturais e ato político na Praça Scalamandré Sobrinho, no bairro Vila Ferroviária. 

Em São Bernardo do Campo, metalúrgicos realizam manifestação na Praça da Matriz a partir das 10h. À tarde se juntam com bancários, químicos, professores, estudantes, petroleiros e diversas outras categorias e movimentos sociais na Praça da República.

A capital paulista tem ainda ato da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte, das 9h às 15h.

Pelo país

No Rio de Janeiro (RJ), às 14h, tem início a concentração na Praça XV (próximo à Rua do Mercado). Haverá um esquete com o grupo Emergência Teatral. Em seguida, começa a batucada com o Bloco da Democracia e caminhada pelo Boulevard Olímpico até a Praça Mauá. Em Vitória, haverá ato na Praça Costa Pereira, das 9h às 13h. 

Minas Gerais terá evento do 1º de Maio em Belo Horizonte (MG), das 8h às 11h, na Escola Municipal Pedro Guerra, na Rua João Ferreira da Silva, 230. Em Contagem, a partir das 7h30, manifestação na Praça da Cemig, Cidade Industrial, seguida da 42ª Missa do Trabalhador.

Em Maceió, a partir das 8h30, no Posto 7, na Jatiúca, tem início o ato com a participação da CUT, frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e as centrais sindicais CSP, Conlutas, Nova Central e CTB. Em Macapá, às 9h, será realizada vigília na sede da CUT, Avenida  Manoel da Nóbrega,537 , bairro Laguinho. Em Manaus, a partir das 15h, tem início o ato na esquina da Sete de Setembro com Avenida Eduardo Ribeiro.

A Bahia terá ato unificado em Salvador, a partir das 13h, na Barra, com uma série de serviços gratuitos, como retirada de carteira de trabalho, orientações jurídicas, atendimento à saúde da mulher, entre outras ações. Em Feira de Santana (BA), das 8h às 16h, será realizada missa em memória à vereadora Marielle Franco, e ato por Lula Livre, com atrações musicais. Em Santo Antônio de Jesus, a partir das 8h, terá caminhada nos bairros e palestra sobre a reforma Trabalhista, sindicalismo e o golpe de 2016. Em Santo Estevão, às 9h, será celebrado um ato ecumênico. Em Canavieiras, às 8h, está agendado um café da manhã com trabalhadores na nova sede do Sindicato. Em Conceição de Feira, a partir das 8h, tem missa campal seguida pelo ato Lula Livre.

Em Fortaleza, a partir das 15h começa o ato público que reunirá as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, CUT, CTB e Intersindical no Centro Poliesportivo de Parangaba, na Avenida General Osório de Paiva, Bairro Parangaba. No mesmo local, às 9h, tem o lançamento estadual do Congresso do Povo – pela revogação das medidas do governo Temer, em defesa da soberania nacional e contra o fascismo. Em Iracema, às 7h, tem início a Carreata dos Trabalhadores, que começa na Praça Casimiro Costa (Praça da Mangueira). Ainda no Ceará, ato unificado do Vale do Jaguaribe, acontece às 10h, em Tabuleiro do Norte. E em Caucaia, o 2º Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude encerra sua programação também no 1º de Maio.

Em Brasília, a partir das 9h, a concentração será no estacionamento entre a Funarte a Torre de TV. Haverá debate político com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e CUT, além de apresentações culturais e atividades para as crianças, com o samba da Tapera.

Em Goiânia, às 14h, as atividades começam na Praça Universitária com apresentação da banda Sã Consciência, além de rodas de conversa, oficina e exibição de curtas-metragens, com curadoria de Benedito Ferreira. Às 15h, tem Diego Mascate, seguido por Mundhumano, Cocada Coral, Terra Cabula e Maíra Lemos.

Em Campo Grande, os atos começam no dia 30 (segunda-feira), com om a Noite Cultural do Trabalhador, a partir das 18h, na Esplanada Ferroviária, sob a organização da CUT, UGT, Nova Central, CTB, Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do MS. No dia 1º, a partir das 7h, o ato será na Associação Colônia Paraguaia, R. Ana Luísa de Souza, 610, no Bairro Pioneiros. Das 8h às 13h, haverá atos esportivos e políticos no Pagode dos Bancários, no Clube de Campo dos Bancários. Às 11h, organizado pelo PCdoB, haverá a “Feijoada do Trabalhador”, no Bar da Valu. Às 17h, tem início a manifestação por Lula Inocente, na esquina da Afonso Pena com 14 de Julho.

Ainda em Mato Grosso, em Corumbá, a partir das 9h30, ato internacional do Dia do Trabalhador será realizado na Fronteira Brasil-Bolívia, organizado pela CUT e Central Obrera Boliviana. Em Dourados, às 16h, ato no Parque Rego D’água Jardim Água Boa.

Em Belém, às 9h, haverá ato na Praça da República. O Pará tem programações também nas cidades de Abaeté, Altamira, Barcarena, Cametá e Igarapé Miri.

Em João Pessoa (PB), os atos acontecem desde esta sexta-feira (27), com o café da manhã dos trabalhadores na Federação dos Trabalhadores na Agricultura, seguida de caminhada até a Superintendência Regional do Trabalho e ato público no Pavilhão do Chá. Em Recife, a partir das 8h30, começa o 1º de Maio na Praça do Derby.

Em Porto Alegre (RS), às 10h, o ato será no Parque da Redenção e começa com apresentações de Nei Lisboa, Raul Ellwanger, Grupo Unamérica e outros artistas.

NO ABC, PRIMEIRO DE MAIO COMEÇA COM PROCISSÃO E MISSA

Metalúrgicos farão ato por democracia e por Lula, e depois seguirão para São Paulo e Curitiba

por Redação RBA 

Na região do ABC paulista, o Sindicato dos Metalúrgicos também fará um ato por democracia e pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu três dias na sede da entidade, em São Bernardo do Campo, até rumar para a Polícia Federal, no dia 7. Com uma concentração a partir das 7h, os metalúrgicos farão procissão em homenagem a São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, em direção à Igreja Matriz, na região central, onde às 9h será celebrada a Missa do Trabalhador. Segundo a Diocese, haverá coleta de alimentos para famílias de desempregados.

Tanto a praça como a igreja são locais conhecidos dos metalúrgicos. Na greve de 1980, por exemplo, eles fizeram assembleia na própria Matriz, como no próprio 1º de Maio. De lá, a multidão saiu em passeata até o estádio de Vila Euclides. Vários diretores do sindicato, entre eles Lula, estavam presos. A paralisação durou 41 dias.

“A igreja é também um espaço de luta. A missa é um momento de reflexão para os metalúrgicos sobre sua condição enquanto trabalhador e ser humano em busca da superar a opressão”, diz o secretário-geral do sindicato, Aroaldo de Oliveira. Depois da missa, haverá um ato inter-religioso na Praça da Matriz, em frente à igreja, com apresentações artísticas e culturais.

Os metalúrgicos participarão ainda de atos de 1º de Maio na Praça da República em São Paulo, e em Curitiba, onde haverá manifestação unificada de centrais sindicais. “A luta é pelos direitos e pela garantia de um país democrático para nós e nossos filhos. Faremos do 1º de maio um ato político e de fé na democracia e na liberdade”, acrescenta o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

VITIMA RELATA MOMENTOS DE TENSÃO DURANTE A AGRESSÃO AO ACOMPANHAMENTO LULA LIVRE

marcia acampamento marisa letíciaAtentado ao acampamento Marisa Letícia aconteceu na madrugada do sábado (28). Polícia não mantém unidade no local para garantir segurança de manifestantes.

por André Accarini, da CUT

CUT – A advogava Marcia Koakoski, 42 anos, viajou 618 quilômetros de Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul, até a capital paranaense, onde planejou ficar três dias no Acampamento Lula Livre. Queria apenas prestar solidariedade ao ex-presidente Lula, preso político desde 7 de abril, trocar experiências de convivência pacífica com aqueles que, como ela, participam de um movimento democrático, em defesa daquilo em que acreditam ser o melhor para futuro do Brasil.

Na madrugada desse sábado (28), foi acordada pelos fascistas que atacaram  a tiros o acampamento Marisa Letícia em Curitiba.

“Acordei à uma e meia da manhã, com uma frenada brusca de carro. Ouvi gritos de ‘Bolsonaro presidente’, e xingamentos aos vigilantes que estavam ali, nos guardando”.

Esses vigilantes, companheiros escalados para fazer a segurança do local, usaram a única forma que dispunham para tentar afugentar os agressores: fogos de artifício, conta  a advogada.

“Mas, nesse momento, um dos agressores ameaçou o companheiro dizendo: ‘vou voltar aqui e vou te matar”, conta.

Naquele momento, apesar da tensão, não havia a expectativa que pudesse haver uma cena de guerra no local. 

“Sentimos o tempo todo, todas as noites, que existia essa tensão, mas as pessoas acabaram relaxando porque toda noite passava alguém gritando palavras de ordem fascistas, sobre Bolsonaro. Acontecia, mas não passava disso”.

E essa madrugada parecia ser igual as outras. Os agressores deixaram o local. Infelizmente, não por muito tempo. Logo depois de um breve período de normalidade, o terror se concretizou.

 “A gente achou que eles tinham ido embora mas, logo depois, começou uma gritaria, com barulhos de fogos e tiros. Eu estava num banheiro químico nessa hora e ouvi as pessoas gritando: ‘tem baleado, tem baleado. E foi nesse momento que ouvi um estouro e um impacto em meu ombro.” Márcia conta que não viu sangue em seu corpo e, por isso, não se preocupou. 

Mas, mais tarde, ela teria a exata noção do perigo que correu. Ela e alguns companheiros voltaram ao banheiro químico para verificar se alguma parte da estrutura do acampamento havia sido danificada, quando constatou um buraco no ‘casco’ do banheiro, que indicava que um projétil havia passado por ali. Márcia olhou ao redor e achou a bala, que estourou na saboneteira e atingiu seu ombro. O projétil foi achado no assoalho. 

“Por pouco, por centímetros mesmo, não fui atingida pela bala. Podia estar internada, ou até em uma situação pior, agora”.

A cena que ela descreve nos momentos após ser atingida é de total desespero das pessoas, vítimas da violência gratuita e repentina dos agressores.

“No acampamento, todo mundo é protetor, amável, solidário. São seres humanos e ninguém merece essa violência”.

O socorro

O SAMU foi acionado, a Polícia Militar também. A advogada (e vítima do tiroteio) Márcia, acredita que o socorro chegou em aproximadamente 20 minutos, mas conta que em uma situação de estresse e desespero, como a vivida por ela e seus companheiros, qualquer minuto é uma eternidade. 

A advogada chegou a falar com oficiais da Polícia Civil e Militar. “Eles foram como são: do jeito deles, um tanto frios. Indicaram que eu fosse à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) para ver se estava tudo bem”. 

Márcia, que prestará depoimento, e fará exame de corpo de delito para as investigações, critica a falta de segurança: “O que me impressiona é que numa situação dessas, onde existe uma zona de conflito, deveria haver ao menos uma guarnição, de polícia, para que seja garantida a segurança e a ordem dos dois lados”. Ela exemplificou com casos como casa noturnas, onde há o risco de confusões, em manifestações de estradas, etc. “Não se pode deixar acontecer um desastre. Tem que ter um efetivo da polícia para evitar”, conclui. 

Crime antecipado 

A advogada explica também que o fato de agressor ter anunciado que voltaria para matar, já caracteriza que houve o crime de ameaça. Mas, tanto ela quando os outros no acampamento, não imaginaram que o agressor realmente votaria e aconteceria toda a tragédia.

E lamenta o momento  que o país vive, onde pessoas que estão em um local  pacificamente para defender aquilo que acredita ser um caminho correto para futuro do Brasil, que é  defender Lula, defender a democracia e lutar contra o golpe dado no Brasil, que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff, com apoio da mídia e parte do judiciário, e contra a prisão arbitrária e sem provas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sejam agredidas dessa maneira.

SETE CENTRAIS, ARTISTAS PELA DEMOCRACIA E UM PRIMEIRO DE MAIO HISTÓRICO EM CURITIBA

1 de maio Curitiba

Principal ato do país terá Beth Carvalho, Ana Cañas, Maria Gadú e Renegado, e unirá CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CSB e Intersindical em defesa dos direitos e pela liberdade de Lula.

 Pela primeira vez desde a redemocratização do país, as sete maiores centrais sindicais brasileiras farão, este ano, um 1º de Maio unificado. O ato de Curitiba terá como mote “Em Defesa dos Direitos e por Lula Livre”. O que unificou CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CSB e Intersindical foi a defesa da liberdade do ex-presidente Lula, mantido como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba há 20 dias, e a certeza de que eleição de Lula para presidente da República em outubro é a chance que a classe trabalhadora tem de conseguir resgatar direitos perdidos nos últimos anos.

Os sindicalistas estão também unificados em torno de uma pauta comum de interesse da classe trabalhadora, como uma política econômica de geração de empregos e renda, defesa da seguridade e da Previdência Social pública, o fim da lei do congelamento de gastos e a revogação da reforma Trabalhista. Os presidentes das sete centrais participam do ato, além de representantes de movimentos sociais como MST, MTST, UNE e Central de Movimentos Populares, entre outros integrados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.

Como tem ocorrido desde a instalação do acampamento Lula Livre na capital paraense, a manifestação de terça-feira, a partir das 14h na Praça Santos Andrade (Praça da Democracia), no centro histórico de Curitiba terá um forte ingrediente cultural, com apresentação de artistas conhecidos por ser posicionamento em defesa da democracia, como Beth Carvalho, Ana Cañas, Maria Gadu, o rapper Renegado e muitos artistas locais.

NOS 70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL , DIREITOS HUMANOS SOFREM ´BRUTAL ATAQUE´

Ex-ministro Paulo Vannuchi defende unidade por “patamares mínimos” contra retrocessos

por Vitor Nuzzi, da RBA

Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos prestes a completar 70 anos, essas políticas sofrem “brutal ataque” no Brasil, avaliou o ex-ministro Paulo Vannuchi, também ex-integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que ao lado da atual representante do Brasil na CIDH, Flávia Piovesan, debateu o momento político durante evento promovido pela Associação dos Advogados de São Paulo, sexta-feira (20). “A história dos direitos humanos é marcada por luzes e sombras”, disse Flávia.

Por esse aspecto, há um período de sombra no país. Vannuchi observou que os governos de PT e PSDB, apesar de “antípodas políticos”, tiveram certa continuidade em políticas de direitos humanos. E lamentou que “canetadas” recentes venham destruindo duas décadas de acumulação nesse campo. 

Membro da Comissão por quatro anos, até 2017, ele citou as origens da CIDH, criada no contexto da Guerra Fria, em 1959, e lembrou que durante sua permanência buscou se dedicar aos chamados “desc”, sigla para direitos econômicos, sociais e culturais, que enfrentaram resistência de países como os Estados Unidos, por exemplo. Essa resistência ocorreu mesmo no Brasil, observou, dando o exemplo de um direito básico, a alimentação, que alguns não viam, não veem, como assunto da área.

“Sem comida ninguém consegue lutar por nenhum outro direito humano”, afirmou o ex-ministro, que também fez referência à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com “um frei de 80 anos e um Prêmio Nobel deixados ao relento, quando outro preso, Eduardo Cunha, recebe quem ele quer, na hora que ele quer”. Ele fazia menção ao fato de Leonardo Boff e Adolfo Pérez Esquivel terem sido barrados na entrada da Polícia Federal quando tentavam visitar Lula.

“Precisamos construir diálogo e alguma unidade de ação sobre essas desavenças”, defendeu Vannuchi, lembrando ainda dos 30 anos da Constituição brasileira, promulgada em outubro de 1988. “Não pode haver tribunal se chocando com a Constituição, quando ela é clara. Há necessidade de defesa da Constituição, defesa das eleições, e contra a intolerância, ódio que é disseminado no Brasil por poderosos órgãos de mídia. Ou nos unimos por esses patamares mínimos ou estamos correndo riscos graves.”

Políticas públicas

Sucessora de Vannuchi na CIDH, Flávia também manifestou preocupação com o “fortalecimento do discurso do ódio”. “Há no mundo um crescente endosso a alternativas não democráticas”, afirmou.

Mas ela também destacou a importância do Sistema Interamericano de Direitos Humanos “na desestabilização de ditaduras no Cone Sul e na proteção dos mais vulneráveis”. “Devemos a Lei Maria da Penha à Comissão Interamericana. Muitas políticas públicas importantes decorreram do Sistema Interamericano”, exemplificou. Flávia afirmou ainda que é preciso “ampliar a universalidade” dos princípios de direitos humanos na região e aprimorar a implementação de decisões. “Temos de avançar na tríade direitos humanos, democracia e Estado de direito.”

Ambos lembraram que é preciso aprofundar questões relacionadas à memória, para evitar a contínua violação de direitos humanos. Na Universidade de Buenos Aires, por exemplo, o tema é ensinado há décadas, enquanto na Alemanha visitar campos de concentração é base do currículo.

No Brasil, o Ministério Público Federal tem um grupo de trabalho da chamada Justiça de Transição, tentando promover ações de reparação relativas a violações praticadas por agentes do Estado durante a ditadura. E já existem decisões da Corte Interamericana contra o Brasil. Vannuchi lembrou que o também ex-ministro Nelson Jobim chegou a considerar decisões da Corte “irrelevantes” para o país. 

“Estamos vivendo um brutal processo de desconstrução. Vamos levar alguns anos para retomar uma estaca zero de alguns anos atrás. O PNDH3 (Programa Nacional de Direitos Humanos), tantos anos depois, é ainda um programa a se cumprir”, afirmou Vannuchi. 

 

DIEESE: GESTÃO DA PREVIDÊNCIA PASSA POR REVOGAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA

tuiuti reforma trabalhista

Instituto rebate argumentos recorrentes dos defensores de mudanças: “Peça retórica da disputa para atender a interesses particulares de segmentos da sociedade”.

por Redação RBA

São Paulo – Pensar efetivamente em uma Previdência pública impõe três medidas, segundo o Dieese: rever as restrições aos gastos da União, discutir o financiamento de longo prazo e revogar, total ou parcialmente, a recente “reforma” trabalhista, efetivada pela Lei 13.467. Em nota técnica, o instituto rebate argumentos recorrentes usados pelos defensores das mudanças: “Eles constituem, na verdade, peça retórica da disputa para legitimar e aprovar a Reforma da Previdência e, assim, atender a interesses particulares de segmentos da sociedade“.

Segundo o Dieese, a necessidade de mexer na lei recém-criada considera “a possibilidade de desproteção previdenciária de grandes contingentes de trabalhadores” devido às mudanças nas regras trabalhistas. Assim, é preciso discutir uma revogação, ainda que parcial “e/ou novas formas de inclusão previdenciária, que conceda garantias e segurança ao contingente de trabalhadores e trabalhadoras que ficaram sujeitos às formas desprotegidas de contratação”.

Além disso, o instituto defende que a primeira “tarefa” é “rever, revogar, ou, no mínimo, flexibilizar as restrições ao crescimento das despesas primárias da União. Ou seja, repensar o chamado “teto dos gastos”, aprovado pelo atual Congresso por emenda constitucional.

“Sem a contenção da evolução das despesas previdenciárias, dificilmente o próximo presidente ou a próxima presidenta conseguirá obedecer à regra constitucional que impede o crescimento real das despesas primárias. Com isso, poderá ser refém do Congresso Nacional pela ameaça de novo impedimento ou poderá, mesmo a contragosto, tornar-se defensor da Reforma da Previdência”, argumenta o Dieese.

Também é preciso debater Previdência, seguridade social e financiamento de longo prazo. Mas os técnicos do instituto questionam os argumentos usados para aprovar de qualquer forma a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, como dizer que o projeto já foi “suavizado” e que as mudanças visam a combater “privilégios”, entre outros. “Esses argumentos, em larga medida, são improcedentes e inverídicos.”

Sobre o alegado “déficit”, por exemplo, o Dieese observa que isso vem de uma soma “indevida” de duas contas distintas, do Regime Geral (RGPS) e do Regime Próprio (RPPS) da União. “Pelos preceitos da Constituição Federal, não faz sentido falar em ´déficit da Previdência’, uma vez que a Previdência Social, no que corresponde ao RGPS, integra a Seguridade, a qual conta com base ampla de financiamento, não restrita às contribuições previdenciárias.”

Na questão dos chamados “privilégios”, o instituto afirma em sua nota técnica que o foco da questão não está na Previdência pública. E a reforma em tramitação pode “agravar o problema da concentração de renda no país, ao excluir da cobertura previdenciária segmentos da classe trabalhadora e ao reduzir o valor dos benefícios”. 

O Dieese alerta que, mesmo sem aprovação da PEC, o tema não sairá da agenda política. “Uma forte coalizão articulada em torno de grandes interesses insistirá nesse tema, com a finalidade de incentivar a contratação e privatização da Previdência Pública, reduzir as políticas públicas, intensificar a dinâmica da acumulação financeira e restringir a função do Estado na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento.”

Confira aqui a íntegra da nota do Dieese.

Dívidas e devedores

Em 2017, graças a perdões bilionários de dívidas e impostos que financiam a Previdência concedidos a grandes setores da economia, governos estaduais e prefeituras, foram mantidos os privilégios, diferentemente de um dos principais argumentos do governo Temer para tentar convencer a população a aceitar a reforma da Previdência que dificultará o direito à aposentadoria e irá rebaixar os valores das pensões. As informações são do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Segundo reportagem da entidade, os bancos também foram favorecidos pelo governo Temer no ano passado. “Em abril, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, perdoou uma dívida de R$ 25 bilhões do Itaú em Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) na fusão com o Unibanco, ocorrida 2008”, diz o sindicato. O banco espanhol Santander também é citado, ao ser livrado, em julho, de pagar R$ 388 milhões em imposto de renda e CSLL, oriundos, nesse caso, da aquisição do banco holandês ABN AMRO, em 2007.

A seguir, os principais beneficiados pelos perdão dados pelo governo Temer por suas dívidas com a Previdência:

Devedores Previdencia

Ainda segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a dívida ativa previdenciária totaliza R$ 426 bilhões, de acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Dentre os devedores estão os maiores bancos e empresas do país. Confira os principais:

Divida ativa Previdencia

 

 

VAMPIRÃO DA TUIUTI É PROIBIDO DE DESFILAR COM FAIXA QUE ´HOMENAGEIA´ TEMER

No Desfile das Campeãs do carnaval do Rio de Janeiro, no primeiro dia após decretação de intervenção federal, escola que denunciou governo por retirada de direitos vive clima que antecedeu golpe de 64.

por Redação RBA

São Paulo – Depois da repercussão internacional da fantasia “Vampirão Neoliberalista” que marcou a passagem da escola de samba Paraíso da Tuiuti pela Sapucaí no domingo de carnaval, no Rio, o personagem desfilou sábado (17) sem a faixa presidencial que remete diretamente ao presidente Michel Temer e seu governo, marcado pela retirada de direitos civis, humanos e trabalhistas da população. Segundo organizadores da escola, a Presidência da República deu “ordens extraoficiais” para que a faixa não fizesse parte do chamado Desfile das Campeãs.

Ao comentar a intervenção militar no Rio de Janeiro, o ator e professor de história Leonardo Moraes, destaque do carro alegórico que leva o personagem e que vestiu a fantasia de Vampirão, disse estar preocupado com que o que está acontecendo atualmente no Brasil, com semelhanças ao período que antecedeu o golpe de 1964. Em vídeo produzido pela Mídia Ninja (reproduzido abaixo), o professor revela que foi quase impedido de desfilar e só obteve autorização depois da confirmação de que ele sairia sem a faixa presidencial.

Em depoimento, o carnavalesco da Paraíso da Tuiuti, Jack Vasconcelos, afirmou que a criação do personagem confirmou a expectativa de retaliações, mas também a de resultados considerados positivos. “A gente já sabia que ia gerar um incômodo, isso era esperado, mas o furdunço já vale.” No desfile, as arquibancadas foram também tomadas por protestos contra a Globo.

Assista:

CUT REPUDIA INTERFERÊNCIA DE ACM NETO NA TRANSMISSÃO CARNAVAL DE SALVADOR

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Para a Central, ao impedir a colocação das câmeras da TVE no circuito Barra Ondina, a prefeitura de Salvador beneficia a Rede Globo, aliada do prefeito do DEM.

por Redação RBA

São Paulo – A CUT Bahia divulgou hoje (11) nota de repúdio à interferência do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), na transmissão do Carnaval baiano em favor da TV Globo, de quem é aliado. A Central classificou como “atitude golpista, fascista, antidemocrática e desrespeitosa” do prefeito, que “agiu de forma desigual entre as emissoras de TV” ao atentar contra a liberdade de imprensa ao tentar barrar as transmissões ao vivo do carnaval da Bahia pela TVE”.

Conforme o comunicado, a Central considera “irresponsável” a atitude do prefeito ao proibir a instalação de câmeras da TVE no circuito do carnaval para transmissão do circuito Barra Ondina, mesmo após emissão de laudo técnico liberando a instalação.

Para a CUT Bahia, trata-se de uma “atitude mesquinha, desastrosa e arbitrária, que só fortalece sua imagem de prefeito golpista, fascista, aliado de Temer que deu o golpe na democracia brasileira para tomar de assalto um governo eleito de forma legítima e democrática para roubar direitos e conquistas da classe trabalhadora”.

A TVE havia divulgado nota na quinta-feira (8), na qual manifestava o direito de ter as mesmas condições para a transmissão do Carnaval de Salvador. Após aval de técnicos da prefeitura, a própria gestão mandou retirar uma plataforma da TVE do circuito Barra Ondina.

Com a TV Educativa, pública, esta seria a maior cobertura do Carnaval baiano, com mais de 65 horas ao vivo, sendo a única emissora presente nos circuitos Barra, Campo Grande e Pelourinho.

Na quinta-feira, primeira noite do Carnaval, fiscais da prefeitura de Salvador foram até a plataforma da TVE e questionaram a presença do equipamento alegando que o mesmo poderia prejudicar a circulação de pessoas no local.

Já  a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) afirmou que a TVE ocupou ilegalmente uma área pública, que serve de rota de fuga para os foliões no Circuito Barra, e por isso foi obrigada pela Secretaria a desobstruir a Rua Dom Marcos Teixeira. E que uma grua estava ocupando dois terços da via de acesso, obstruindo a rota de fuga da Barra.

A Sedur disse ainda que não autorizou a instalação de outra grua da TVE na região do Farol da Barra porque a emissora não apresentou ao órgão a autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), necessária para a liberação pela Sedur de estruturas que fiquem próximas a patrimônios históricos.

DESFILE DA PARAÍSO DA TUIUTI TEVE ´PANELEIROS´ E ´VAMPIRÃO´

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Escola do Rio usou avenida para protestar contra a marginalização do povo negro escravizado, os ataques aos direitos da população e denunciou ao mundo o golpe que levou Temer ao poder.

São Paulo – No ano em que se completarão 130 anos da Lei Áurea, o desfile da Paraíso do Tuiuti marcou a primeira noite dos desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, ao questionar a extinção da escravidão no Brasil e protestar explicitamente contra o golpe que levou Michel Temer ao poder, satirizar os “paneleiros” que apoiaram a derrubada de Dilma Rousseff e denunciar ataques aos direitos da população, como a reforma trabalhista. O desfile da Tuiuti abriu pela exploração dos negros trazidos da África no passado e terminou terminar tratando da precarização das relações de trabalho. Um dos carros fez referência direta a Temer, representado como um vampiro.

O samba-enredo da escola de São Cristóvão (letra e vídeo abaixo) lembrou a marginalização da população negra que se seguiu após a Lei Áurea, que não trouxe cidadania nem igualdade de direitos para os escravos libertos.

Na evolução do desfile, uma das alas da escola trouxe marionetes fantasiadas como “patos da Fiesp”, vestindo camisas amarelas como as da CBF, manipulados (representando os meios de comunicação) e batendo panelas. Logo depois, a ala Guerreiro da CLT representava os trabalhadores tentando se proteger dos ataques à CLT, fantasiados de Carteiras de Trabalho sujas, rasgadas e queimadas. O carro alegórico que encerrou a passagem da escola trazia como destaque um “Vampirão” usando uma faixa presidencial e notas de dólares como adereço.

O vampiro foi representado pelo professor de história Léo Morais. “Eu acho que é uma retomada dos enredos críticos. A gente está num momento que tem que gritar mesmo. Eu acho que a gente está fazendo uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo quer botar pra fora, as pessoas querem gritar o ‘Fora Temer’, as pessoas querem se manifestar”, afirmou, após o desfile, quando a escola comemorava a grande aceitação do público que acompanhava os shows.

A passagem da Paraíso do Tuiuti pela Sapucaí foi imediatamente celebrada nas redes sociais, com comentários “Foi lindo e ao mesmo tempo duro ver que só perdemos as correntes… No final as carteiras de trabalho tostadas e os vampiros dos três poderes, mostram que temos muita luta ainda, todos nós, ‘Povo Brasileiro’!”

A escola chegou ao topo dos Trending Topics do Brasil e do mundo do Twitter após encerrar o desfile.

Leia a seguir a letra do samba-enredo da Paraíso da Tuiuti

Meu Deus, Meu Deus! Está extinta a escravidão? 

Irmão de olho claro ou da Guiné 
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado 
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor 
Tenho sangue avermelhado 
O mesmo que escorre da ferida 
Mostra que a vida se lamenta por nós dois 
Mas falta em seu peito um coração 
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz 

Eu fui mandiga, cambinda, haussá 
Fui um Rei Egbá preso na corrente 
Sofri nos braços de um capataz 
Morri nos canaviais onde se plantava gente 

Ê Calunga, ê! Ê Calunga! 
Preto velho me contou, preto velho me contou 
Onde mora a senhora liberdade 
Não tem ferro nem feitor 

Amparo do Rosário ao negro benedito 
Um grito feito pele do tambor 
Deu no noticiário, com lágrimas escrito 
Um rito, uma luta, um homem de cor… 

E assim quando a lei foi assinada 
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu 
Áurea feito o ouro da bandeira 
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel 

Meu Deus! Meu Deus! 
Seu eu chorar não leve a mal 
Pela luz do candeeiro 
Liberte o cativeiro social 

Não sou escravo de nenhum senhor 
Meu Paraíso é meu bastião 
Meu Tuiuti o quilombo da favela 
É sentinela da libertação

LEI ELEITORAL NÃO BARRA CANDIDATOS SUB JUDICE, DIZEM ADVOGADOS ESPECIALIZADOS

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Para operadores de Direito, declaração de Fux de que condenáveis em 2ª instância são ‘irregistráveis’ nas eleições não tem amparo na lei da Ficha Limpa. Decisão final sobre Lula pode demorar para sair.

por Hylda Cavalcanti, da RBA

Brasília – Depois que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, disse, na última semana, que candidatos condenáveis em segunda instância são “irregistráveis”, políticos e cidadãos passaram a questionar a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se candidatar à Presidência da República.

Advogados especializados em Justiça eleitoral, professores e juristas ouvidos pela RBA consideram que independentemente do colegiado do TSE decidir – um colegiado que nem sempre vota de acordo com o que pensa seu presidente – Lula pode, sim, se candidatar, mesmo que essa candidatura seja impugnada posteriormente.

“Vi muitos casos de prefeitos que tiveram registro indeferido pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) dos seus estados, que recorreram ao TSE e a corte superior liberou a candidatura”, contou o advogado Ruben Mariz, que atua em um escritório conhecido há décadas por candidatos que procuram ingressar com recursos na Justiça eleitoral em Brasília.

Também de Brasília, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, que evita falar em possibilidades, considera a corte eleitoral mais branda em relação a outros tribunais e acha que análises antecipadas sobre a situação de Lula devem ser deixadas de lado para que se espere a definição a ser adotada pela Justiça Eleitoral nos próximos meses. Dipp também prevê um longo percurso até que haja uma decisão sobre a situação do ex-presidente.

De acordo com Ruben Mariz, a grande diferença entre Lula e os outros candidatos a prefeitos e a governadores que usaram deste procedimento em eleições anteriores é que, desta vez, o TSE vai firmar uma jurisprudência que nunca teve precedentes – o pedido de impugnação de um candidato a presidente da República. Então é preciso saber se o tribunal vai se debruçar sobre novos entendimentos ou votar fazendo uma analogia à forma como foram jugados casos que chegaram lá até hoje.

“No caso do ex-presidente, a primeira instância será o próprio TSE e isso torna as coisas diferentes. Mas sei de casos de candidatos que sabiam que eram inelegíveis, registraram suas candidaturas e, 20 dias antes, renunciaram e a coligação colocou outro nome no lugar. Em muitas dessas vezes, o candidato que o substituiu foi eleito, contabilizando os votos do que iniciou a campanha”, contou.

Prazos determinantes

O advogado observou que há prazos que precisam ser cumpridos para as impugnações, como o das coligações para pedir a impugnação de uma candidatura e o prazo para a parte recorrer. E lembrou da situação em que candidatos concorrem ao pleito “por sua conta e risco” (já esperando que a candidatura não vá até o final), ressaltando que isto pode acontecer até mesmo com Lula preso. 

“É claro que nesta última hipótese seria uma candidatura sem a presença do candidato nas ruas, mas também é possível o registro no TSE nestas situações. Sei de um candidato a vereador que disputou eleições nestas circunstâncias e chegou a ser eleito, embora seu registro, no final, tenha sido impugnado”, explicou Mariz. “A dinâmica da jurisprudência no processo eleitoral mostra que há novas faces que precisam ser avaliadas pelo TSE”, afirmou.

O mesmo entendimento é defendido pelo professor de Direito da Universidade Ceub, de Brasília, Sebastião Leal. A posição de Leal é de que até se esgotarem todas as ferramentas jurídicas de que sua defesa dispõe, tais como recursos variados aos tribunais superiores, Lula (ou o PT) poderá registrar a candidatura, porque a própria Lei Complementar 64/90 (Lei da Ficha Limpa) permite a candidatura sub judice de qualquer pessoa.

“Cabe aos advogados do ex-presidente esperarem todos os recursos a serem apresentados ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e depois, caso não sejam contemplados, recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Posteriormente, recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Até lá há um longo caminho” afirmou.

Lei da Ficha Limpa

Daniel Falcão, outro especialista em Direito Eleitoral, disse, também, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo que “não há amparo legal para impedir o registro da candidatura do ex-presidente”.

As declarações destes e outros operadores de Direito vão de encontro com a fala do ministro Fux, que destacou sua posição de ordem pessoal e diz respeito a como ele acha que deveria ser a aplicação da Lei da Ficha Limpa. No entanto, a posição oficial do tribunal terá de ser tomada pelo colegiado.

Mesmo assim, o magistrado, que assumiu esta semana a presidência do TSE, prometeu aprimorar a legislação de forma que a corte superior eleitoral “tenha regras mais rígidas em relação a candidatos com uma vida pregressa (ou seja, condenados pelo Judiciário)”.

Um dos problemas para isso é que Fux é presidente apenas por um mandato tampão no tribunal. Sua gestão dura seis meses e ele deixará o cargo perto de setembro, quando assumirá a ministra Rosa Weber, do STF – antes da realização das próximas eleições. 

Correndo contra o tempo, ele anunciou que até maio o TST já terá se manifestado sobre a possibilidade de candidatos condenados concorrerem a cargos públicos por meio de liminares. Mas para estes advogados e professores que acompanham o passo a passo do imbróglio, a discussão sobre a candidatura Lula deve demorar bem mais que esse período estabelecido pelo ministro.

ADESÃO DO MST AMPLIA JORNADA DE MOVIMENTOS SOCIAIS EM DEFESA DO LULA

Movimentos

Em resposta a entrevista polêmica de deputado do Psol, movimento defende que toda a esquerda deve manter-se unida na luta por direitos e em defesa da democracia.

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) divulgou no final de 2017 nota por meio da qual defende a presença da organização nas articulações sociais e populares em defesa da democracia e do direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar a eleição presidencial deste ano.

A defesa do ex-presidente tem reafirmado reiteradamente que o julgamento-relâmpago em segunda instância, marcado para 24 de janeiro, é parte do processo de perseguição judicial com objetivos políticos – definido como lawfare no vocabulário jurídico internacional.

O texto do MTST vai ao encontro do vêm afirmando as principais organizações do país – como CUT, Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Frente Brasil Popular, Levante Popular da Juventude, entre outras – de que a operação é uma “clara tentativa” de retirar Lula da disputa.

“O MTST se coloca na luta em defesa do direito de Lula ser candidato. Trata-se de defender a democracia contra mais um passo do golpe, até porque esse julgamento tem se demonstrado profundamente antidemocrático, baseado mais em certas convicções do que em provas concretas. Por isso estaremos em Porto Alegre no dia 24 de janeiro construindo as manifestações”, afirma o movimento liderado pelo também presidenciável Guilherme Boulos.

“A antecipação do debate eleitoral de 2018 tem sido tema de inúmeras discussões no campo da esquerda. A coordenação do MTST tem debatido o convite feito pelo Psol a Guilherme Boulos, para a disputa presidencial, com serenidade e respeitando os tempos da construção coletiva”, assinala a nota. “Colocaremos nossa posição tão logo essa discussão se conclua internamente e junto com companheiros do Psol. Neste momento, porém, acreditamos que toda a esquerda deve se unir mais uma vez na luta por direitos e em defesa da democracia.”

A afirmação ocorre dias depois de o deputado estadual pelo Psol do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, um dos principais expoentes da legenda em nível nacional, defender a filiação e candidatura de Boulos, mas, ao mesmo tempo, colocar em dúvida a necessidade e a possibilidade de união das esquerdas no embate eleitoral deste ano.

A mobilização pela democracia e pelo direito do ex-presidente a um julgamento imparcial e a ampla defesa começa o ano reforçada. A CUT orientou todas as entidades sindicais filiadas a convocar suas bases a participar dos atos programados em defesa de Lula antes e durante o julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em 24 de janeiro em Porto Alegre. Estão previstas caravanas para a capital gaúcha e concentrações por todo o Brasil. O presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que o processo contra Lula converteu-se em “linchamento político”, como parte de um “processo político de perseguição a Lula e ao que ele representa”.

Nos primeiros dias do ano, estima-se que o manifesto “Eleição sem Lula é Fraude”, com adesão de personalidades como a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner, o filósofo norte-americano Noam Chomsky, o compositor Chico Buarque, os escritores Raduan Nassar e Milton Hatoum, os jornalistas Hildegard Angel e Mino Carta, o jurista Fábio Konder Comparato, o economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, e inclusive Boulos, ultrapasse a marca de 100 mil assinaturas.

A Frente Brasil Popular, integrada por dezenas de entidades sociais, articula também uma campanha de arrecadação de fundos para custear despesas com a organização das manifestações. “A Frente Brasil Popular está organizando um grande encontro de solidariedade ao presidente Lula nos dias 23 e 24 de janeiro em Porto Alegre. Lá reuniremos movimentos sociais e populares, juristas, intelectuais, artistas, partidos de esquerda, e nomes internacionais em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato. Para garantir as condições de infraestrutura e receber as Caravanas que virão de diferentes locais do Brasil, estamos realizando uma vakinha virtual. Acesse o link e saiba como contribuir, vamos todos às ruas em defesa da democracia!”, diz a frente.

Leia aqui a íntegra da nota do MTST, que exalta também a unidade das esquerdas durante todo processo de resistência ao golpe de 2016 e contras as retiradas de direitos sociais nos últimos anos.

AO ENCERRAR CARAVANA, LULA FALA EM FEDERALIZAR O ENSINO MÉDIO NO BRASIL

Alguns governadores têm pedido para que, se eu voltar, federalize os presídios. Eu digo que não. Os presídios ficam com vocês. O que eu quero federalizar é o ensino médio deste país”, disse, na UERJ.

por Gabriel Valery, da RBA

Rio de Janeiro – A terceira etapa da Caravana Lula pelo Brasil foi encerrada nessa sexta-feira (9), na cidade do Rio de Janeiro. Mais de 10 mil pessoas ouviram o discurso do ex-presidente na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) na noite de ontem.

Foi a décima primeira cidade visitada pelo ex-presidente nesta semana. As outras duas etapas da caravana foram realizadas no Nordeste, em agosto, e em Minas Gerais, no mês de outubro.

E o ex-presidente não deve parar. A próxima etapa ainda não foi confirmada nem tem datas, mas provavelmente percorrerá parte da região sul do país. Lula tem dito nas cidades pelas quais passa que pretende rodar por todas as regiões do Brasil.

Ontem, ele chegou com sua comitiva na Baixada Fluminense, mas antes passou por Itaboraí, cidade onde fica o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Lula disse que foi questionado sobre o porquê dessa parada, já que o complexo está praticamente inoperante. A resposta foi que ele queria justamente chamar a atenção para o abandono da estrutura, idealizada por ele em 2008. Ele mostrou indignação sobre o tema e argumentou que, enquanto o povo sofre, empreiteiros responsáveis pelos escândalos de corrupção no local estão livres, beneficiados por acordos de delação premiada.

Após a visita ao polo, a caravana seguiu até a Baixada Fluminense. Lula foi muito bem recebido por moradores entusiasmados com sua passagem. Em Duque de Caxias e Belford Roxo, foi agraciado com títulos de cidadão.

Na manhã de ontem, se encontrou com a reitoria da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no campus de Nova Iguaçu. Acompanharam o ex-presidente, além de integrantes da direção da universidade, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, a deputada federal Benedita da Silva e o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Lá, os alunos que o receberam lamentaram as más condições das universidades no estado. As queixas foram desde melhores salários para professores até melhorias na segurança e no transporte para os estudantes.

A última parada na Baixada Fluminense aconteceu em Nova Iguaçu. Lula encontrou trabalhadores da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do estado, o Cedae, que passa por ameaças de privatização. Recentemente, o governador peemedebista Luiz Fernando Pezão tentou dar início ao processo, mas descartou a efetivação ainda na sua gestão justamente pela proximidade das eleições e pela mobilização contra a entrega de um patrimônio público tão essencial como a água ao setor privado.

Discurso na Uerj

Da Baixada, Lula seguiu para a capital fluminense onde realizou, por volta das 21h30, um ato na concha acústica da UERJ. Concluiu seu discurso às 22h30, falando em especial sobre a educação e o desmonte da universidade, que passa por um processo de sucateamento em decorrência dos problemas fiscais do estado.

Além de tocar no ponto da revitalização da UERJ, Lula falou sobre o panorama da educação no país. “Não existe nenhuma explicação econômica para a situação em que o Brasil está”, disse. “Deveria ser proibido usar a palavra gasto para falar em educação, porque esse é o investimento mais duradouro que um país pode fazer.”

“Alguns governadores têm pedido para que, se eu voltar, federalize os presídios. Eu digo que não. Os presídios ficam com vocês. O que eu quero federalizar, e já pedi pro Haddad (Fernando, ex-ministro da Educação), é o ensino médio deste país”, falou. “Por isso, companheiros, gostaria de agradecer a solidariedade e a compreensão. Não se preocupem com eles me investigando. Porque, com todo o respeito que tenho pelo Judiciário, só quero que eles continuem me investigando. Porque já sabem do Geddel, do Sérgio Cabral, mas achem o meu”, desafiou.

NINGUÉM SEGURA O LULA. LULA AMPLIA LIDERANÇA E VENCERIA EM TODOS CENÁRIOS DO SEGUNDO TURNO

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Nova pesquisa do instituto, realizada em 29 e 30 de novembro, aponta ainda que Bolsonaro se mantém em segundo, mas com metade das intenções de Lula.

Pesquisa Datafolha divulgada na tarde deste sábado (2) mostra que o ex-presidente Lula mantém a liderança da disputa presidencial para 2018 com o dobro de indicações do segundo colocado Jair Bolsonaro. A depender da relação dos concorrentes exibida aos entrevistados, Lula varia de 34% a 37% das citações e venceria todos os adversários no segundo turno. Bolsonaro obtém de 17% a 18% das intenções de voto. Mesmo em simulações sem Lula, os nomes testados do PSDB continuam sem mostrar consistência. Nestas simulações, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparece em terceiro (varia de 9% a 12%). O prefeito paulistano João Doria, chega a 6%.

Em um eventual segundo turno, o ex-presidente venceria Marina Silva, da Rede, por 48% a 35%, Bolsonaro por 51% a 33% e Alckmin, nome mais cotado no momento para representar os tucanos nas eleições, por 52% a 30%.

Um dos nomes citados para substituir Lula, num eventual impedimento de sua candidatura, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad ficaria com 3%, empatado tecnicamente com Manuela D´Ávila (PCdoB, 2%). Nas simulações sem Lula, o voto em branco ou nulo sobe bastante, de 12% a 14% para de 25% a 30%.

Em termos de perfil do eleitor, não há mudanças significativas em relação ao que já foi apurado até aqui. Lula tem a preferência entre mais pobres e moradores da região Nordeste. Bolsonaro faz especial sucesso entre homens, jovens e com renda maior. 

O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) deseja ser candidato, mas tem desempenho baixo hoje. Oscila entre 1% e 2% de intenções, mesmo nível de Paulo Rabello de Castro (PSC), João Amoêdo (Novo) e Guilherme Boulos (cortejado pelo PSOL). Rabello de Castro é o atual presidente do BNDES e apareceu no programa partidário na TV, há duas semanas, como pré-candidato.

O Datafolha ouviu 2.765 eleitores em 192 cidades entre 29 e 30 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Confirmação

Pesquisa recente CUT/Vox Populi havia captado tendência parecida: a liderança folgada de Lula e a consolidação de Bolsonaro em segundo lugar. No levantamento realizado entre 27 e 30 de outubro, o ex-presidente somava 42% das intenções de votos e Bolsonaro chegava a 16%. Os demais presidenciáveis oscilavam em percentuais bem decepcionantes. Igualmente o petista venceria todos os adversários no segundo turno.

A enquete do Vox Populi incluiu o apresentador de tevê Luciano Huck, que ainda não havia anunciado a sua recusa em concorrer à presidência da República. Huck foi citado por 2% dos entrevistados.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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