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INÊS ETIENNE ESCAPOU DO CENTRO DE TORTURA, CASA DA MORTE, CONTOU SUAS VIVÊNCIAS E SEGUIU HONRADA

238abdc3-a9a4-4f9a-ab64-9de11dc42b4eDurante a ditadura militar-civil que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1984 vários locais foram criados para que os torturadores colocassem em prática suas taras psicopatológicas sobre os presos considerados inimigos do regime de exceção dominantes. Algumas vezes nem precisava criar locais específicos para a prática da sublimação dessas psicopatologias. Qualquer quartinho, saleta, corredor ou mesmo becos e vielas serviam para tais atos irracionais.

Todavia, houve um centro, entre outros, criado com exclusividade para essa prática anormal. A Casa da Morte, em Petrópolis. Era uma residência que do lado de fora quem passasse e a olhasse jamais desconfiaria que as piores atrocidades fossem praticadas contra seres humanos. Tortura e assassinatos eram comuns. Uma cláusula predominava: quem entrava na Casa da Morte jamais saia vivo.

Inês Etienne Romeu, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) lutou contra a ditadura, foi sequestrada e presa em 1971, em São Paulo, torturada, na Casa da Morte, mas escapou. Na verdade, foi à única que escapou. Uma sobrevivente que, agora, ajudou a Comissão Nacional da Verdade a descobrir alguns torturadores que eram desconhecidos e, ajudou também, a encontrar locais onde companheiros foram enterrados. Por seus serviços prestados como alguém que lutou pela redemocratização do Brasil, em 2008, recebeu o Prêmio Direitos Humanos, categoria Direito à Memória e à Verdade, na época, entregue pelo presidente Lula.

Inês Etienne guarda em seu currículo de militante o ‘louvor’ de ser a última presa política libertada pela Anistia, oito anos após ser presa. Ontem, dia 27, ela confirmou, através da substancialidade de suas vivências, sua honradez, aos 72 anos. 

COMISSÃO DA VERDADE DA DEMOCRACIA MÃES DE MAIO

ca93df43-42c6-4791-9d47-e901a669c50cFoi instalada ontem, dia 20, na sessão da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) com apoio da Comissão de Anistia e da Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça (MJ), a Comissão da Verdade da Democracia Mães de Maio.

O objetivo da comissão é analisar os atos de violações praticados pelo Estado a partir do fim da ditadura civil-militar que terminou no ano de 1985. São vários os casos de violação de direitos humanos cometidos no estado de São Paulo após o ano de 1985 como o massacre do Carandiru, em 199, mais de 490 assassinatos cometidos nas periferias de São Paulo, Santos e Guarulhos, no ano de 2006, conhecido como Crimes de Maio e o Massacre da Praça da Sé, em 2004.

Para a coordenadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, a comissão vai trabalhar com a intenção de que o Estado explique esses crimes.

“A gente sabe que nossos filhos morreram e não voltam mais, mas a gente precisa de uma resposta do Estado. Os assassinos de nossos filhos têm nome, sobrenome, e profissão, eles não são invisíveis”, afirmou Débora Maria da Silva.

Por sua vez, o deputado do Partido dos Trabalhadores (PT), Adriano Diogo, disse que as mães realizam um trabalho que dignifica a busca dos direitos das pessoas, mas é um tema que o Estado evita se envolver.

“Hoje é um marco fundamental desses grupos. A verificação se dará no período pós-ditadura das chacinas e execuções extrajudiciais que ocorreram no Brasil. Será difícil, é uma discussão que o Estado brasileiro não aceita fazer”, disse o deputado.

NONA BIENAL DA UNE APRESENTA RELATÓRIOS PARCIAS DE SUA COMISSÃO DA VERDADE

incendio_sede_da_une_1964_siteA nona bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE) começou a debater seus relatórios parciais de sua Comissão da Verdade e que vai até sexta-feira. O objetivo da bienal é apresenta aos estudantes uma forma mais real da história da entidade estudantil que muitos ainda não conhecem.  

Durante o debate de ontem, foram apresentados alguns casos de estudantes perseguidos, presos e assassinados pelas forças repressivas da ditadura que tomou o Brasil entre os anos de 1964 e 1958. Foram apresentados os casos dos estudantes Fernando Santa Cruz, da Universidade Federal Fluminense desparecido no ano de 1974, e o estudante secundarista Edson Luís de Lima e Souto assassinado em 1968.

Para o ex-presidente da UNE gestão 1961 e 1962, Aldo Arantes, conhecer a história do Brasil no período da ditadura é importante para que as atrocidades praticadas na época não voltem a ocorrer.

“Isso tem sido feito com as lideranças sindicais, estudantis, advogados, sobretudo nessa situação concreta de uma ditadura militar que assassinou, torturou, censurou. Conhecer a história é a melhor forma de impedir que isso volte a ocorrer, e é necessário que a juventude o povo, tomem conhecimento disso para combater certas tendências que passam a surgir. Inclusive com setores que defendem o retorno da ditadura militar, quando foi exatamente um período de retrocesso, não só do ponto de vista econômico e social, mas, sobretudo do ponto de vista político, com os assassinatos, a violência que foi praticada”, observou Aldo Arantes.

Para Sueli Bellato, vice-presidenta da Comissão de Anistia, é preciso revelar a atuação de agentes que se camuflavam de estudantes para realizar delação. Eram falsos estudantes infiltrados no movimento estudantil.

“A estrutura que foi formada na época da repressão para legalizar a função do olheiro, a função do delator ainda precisa ser esclarecida, porque muitos estudantes cumpriram também um papel que não era de estudante, mas de agente da repressão. Isso fez om que muitos jovens fossem punidos injustamente e ilegalmente. Então, acho que é fundamental que é para não se repetir e para que a gente conheça se na estrutura atual há alguma herança do passado que deva ser sanada”, disse.

O presidente da UNE Vic Barros, por sua vez, falou sobre a sede da entidade o que os estudantes pensam em fazer para que o local se torne um núcleo político estudantil.

“A nossa ideia hoje foi fazer um diálogo que pudesse adicionar mais informações, mas também apresentar um pouco do que representa a sede da UNE na história do movimento estudantil; a história de ataques que a sede da UNE, o espaço de reunião do poder jovem brasileiro, vem sofrendo.

Nesse momento, uma contribuição que a gente dá para o resgate da memória é a reconstrução da sede, na Praia do Flamengo 132, com projeto doado por Oscar Niemeyer, que voltará a ser o grande ponto de encontro do movimento estudantil”, opinou Barros.

COORDENADOR DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE ESPERA QUE AS FORÇAS ARMADAS RECONHEÇAM VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS

a0da1f29-817c-4922-a305-2badb2627877Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), não tem medido esforços para que o Senado peça às Forças Armadas que reconheçam a prática de violação dos direitos humanos durante a ditadura civil-militar que submeteu o Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

Para Pedro Dallari é estranho que tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado se mantenha em silêncio quanto o caso, e que para o Congresso tudo fique encerrado com a entrega ao governo e ao púbico do relatório final da CVN. Quem em verdade, só conseguiu encontrar três dos desaparecidos que foram presos, torturados e assassinados.

Para o coordenador da CNV, se os militares reconhecerem os fatos da violação dos direitos humanos, o Brasil, então, poderá ter certeza que não haverá repetição.

“É importante colocar na pauta do Senado e da Câmara, nesse diálogo com as Forças Armadas, questionar o porquê de as Forças Armadas não reconhecerem que houve esse quadro. O silêncio do Senado, o silêncio da Câmara, acabou reforçando essa ideia de que esse assunto se esgota no relatório da comissão”, disse Pedro Dallari.

DILMA, AO RECEBER O RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, NÃO CONSEGUE CONTER AS AFECTOS-ETICIZADOS

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A presidenta Dilma Vana Rousseff, recebeu das mãos do coordenador do colegiado da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, o relatório final que tratou das acusações sobre os agentes públicos que durante a ditadura civil-militar que durou de 1964 a 1985, praticaram atos de exceção como prisões, sequestros, torturas e assassinatos. No todo, o documento contém 4,4 mil páginas, e aponta 434 mortes e desaparecimento durante o regime de exceção. Para o coordenador, as práticas de violências foram realizadas sistematicamente pelos envolvidos na repressão. Como já era de se esperar militares da reserva se opuseram ao documento.

Um momento de intenso afeto foi quando a presidenta recebeu o documento. Dilma, não só por ter sido vítima da ditadura quando foi presa e torturada quando era uma adolescente, mas pela sua grandeza de ser humano que concebe e vive um espírito ético, não suportou a subjetividade do momento e chorou. Chorou de uma forma tão contagiante que várias vezes teve que parar seu discurso.

“Nós que acreditamos na verdade, esperamos que esse relatório contribua para que fantasmas de um passado doloroso e triste não possam mais se proteger nas sombras do silêncio e da omissão.

Sobretudo merecem a verdade aqueles que perderam familiares e parentes e que continuam sofrendo como se eles morrem de novo e sempre a cada dia.

O Estado brasileiro vai se debruçar sobre o relatório, olhar as recomendações e propostas e tirar as consequências necessárias. Agradeço aos órgãos que colaboraram com as investigações da comissão e aos homens e mulheres livres que relataram a verdade para a comissão.

Presto homenagem e manifesto caloroso agradecimento aos familiares dos mortos e desaparecidos, aqueles que com determinação, coragem, generosidade, aceitaram contar suas histórias e histórias de parentes, amigos, companheiros que viveram tempo de dor, morte e sofrimento.

Com a criação desta comissão, o Brasil demonstrou a importância do conhecimento deste período para não mais deixa-lo se repetir. Conhecer a história é condição imprescindível para construí-la melhor. Conhecer a verdade não significa reagir, não deve ser motivo para ódio. A verdade liberta daquilo que permaneceu oculto”, discursou a ilustre estadista, Dilma Vana Rousseff.939959-comissao%20da%20verdade-4

Há na finalização do documento da Comissão Nacional da Verdade, dois portentosos significados políticos-históricos. Um, o óbvio, o fato do documento, ter sido elaborado e entregue à memória do Brasil. Outro, o inesperado, o fato de que quando da tentativa da criação CNV, houve grande posição pessimista pelos motivos que se reconhece, mas que não foi capaz de impedir sua criação. As posições contrárias não vieram apenas dos que se achavam atingidos, mas, também, de personagens que se tomam como democratas. E, também, como era esperado, de grande parte das direitas.939960-comissao%20da%20verdade-5

Apenas uma observação na máxima dita por Dilma no final de seu discurso. “A verdade liberta daquilo que permaneceu oculto”. Uma força aos psicanalistas que chamam de cura a manifestação do que se encontrava oculto como elemento traumático. A verdade é o que foi censurado no sujeito reprimido que teve que recorrer ao sintoma. Mas ninguém pode se sentir livre e produtivo sob a força do sintoma.

E tem mais uma máxima psicanalista proferida por Dilma. “Conhecer a história é condição imprescindível para construí-la melhor”. Conhecer seu passado e historicizá-lo como potência produtiva do futuro. Sem escravismo-neurótico e nem psicótico, mas como sujeito-histórico que se move em seu objeto de desejo produção-coletiva.

RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE É ENTREGUE E RESPONSABILIZA MAIS 300 PERSONAGENS ATÉ EX-PRESIDENTES

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O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), depois de dois anos trabalhando sobre documentos e depoimentos de vítimas e parentes de vítimas que foram presos, torturados e assassinados no período da ditadura civil-militar entre os anos de 1964 e 1985, e também depoimentos de alguns agentes que participaram da repressão, foi entregue à presidenta Dilma Vana Rousseff.

O relatório em suas 4,4 mil páginas além de apresentar todos os elementos colhidos, afirma que mais 300 personagens participaram dos atos de violências e arbitrariedades. Entre esses personagens estão militares, agentes do Estado e até ex-presidentes da República.

“Essa comprovação decorreu da apuração dos fatos que estão detalhadamente descritos no relatório, nos quais estão perfeitamente configurada a prática sistemática de detenções ilegais e arbitrárias e de tortura, assim como o cometimento de execuções, desparecimentos forçados e ocultação de cadáveres por agentes do Estado brasileiro.

As violações registradas foram resultantes de ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro. A repressão foi usada como política de Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da Presidência da República e dos ministérios militares.

A prática de detenções ilegais e arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e mesmo de ocultação de cadáveres não é estranha à realidade brasileira contemporânea”, diz trechos do relatório.

Outro ponto que mostra o documento é referente à Lei da Anistia, pois trata-se de “crimes contra a humanidade imprescritíveis e não passíveis de anistia”.

“Seria incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais ilícitos, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade imprescritíveis e não passíveis de anistia”. 

DILMA INSTALA COMISSÃO NACIONAL DE PREVENÇÃO E COMBATE À TORTURA

Composto por um colegiado com o objetivo de fortalecer o enfrentamento à tortura em instituições de privação das liberdades como delegacias, penitenciárias, entidades para idosos e hospitais psiquiátricos, a presidenta Dilma Vana Roussef instalou, no Palácio da Alvorada, a Comissão Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.

O colegiado é formado por 23 membros distribuídos em 11 indicados pelo Poder Executivo Federal e 12 por organizações da sociedade civil escolhidos por consulta pública. Com a instalação do colegiado, seus membros têm 90 dias para criar o Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura. Os mecanismos serão compostos por 11peritos independentes que recomendarão as medidas de adequação dos espaços de privação de liberdade aos parâmetros nacional e internacional, o acompanhamento e as diligências para o cumprimento do que for recomendado.

Durante seu discurso, Dilma citou a sua prisão e da ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci.

“A experiência, a minha especificamente, mas falo no sentido geral também, mostra que a tortura é como um câncer, que começa em uma cela, mas compromete toda a sociedade.

Quem tortura, obviamente, o torturado, porque afeta a condição mais humana de todos nós, que é sentir dor, e destrói os laços civilizatórios da sociedade.

Quando poderíamos imaginar que estaríamos aqui hoje, Eleonora”, discursou Dilma.

Presente no ato de instalação do comitê, a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, disse que o objetivo não é só combater a tortura, mas eliminá-la do Brasil.

“Ao estarmos aqui instalando o comitê fica bastante claro que uma das principais tarefas é a criação do mecanismo. Esse instrumento vai permitir que as pessoas escolhidas a adentrarem a qualquer espaço de privação de liberdade para conferir as condições, dar flagrante, contribuir de forma efetiva para que seja eliminada.

Não queremos apenas combater, queremos eliminar a tortura do nosso país. Isso é compromisso internacional assumido pelo Brasil”, disse a ministra.

Também presente a instalação, José Jesus Filho, membro da Associação de Apoio e Acompanhamento da Pastoral Carcerária Nacional, disse que o momento é histórico.

“Já estamos em processo de levar a política adiante o bando de dados de coleta de informações sobre tortura já está em processo de construção, investigações estão sendo levantadas e isso significa, que para nós, esse é um momento histórico”, disse Jesus.

COMISSÃO DA VERDADE DIVULGA FOTO DE MILITAR NO LOCAL ONDE A ESTILISTA ZUZU ENGEL MORREU

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A estilista Zuzu Angel, mãe de Stuart Angel, assassinado pela repressão no ano de 1971, aos 25 anos, foi morta em acidente de carro, em 14 de abril de 1976. No dia 23, nessa quarta-feira passada, o ex-delegado do DEOP, Cláudio Guerra, afirmou para a Comissão Nacional da Verdade que o coronel Freddie Perdigão, que morreu em 1998, foi o responsável pelo acidente que mato a estilista.

“Um dia ele me disse que havia planejado simular o acidente dela e estava preocupado, pois achava que havia sido fotografado na cena do crime pela perícia”, afirmou Guerra aos integrantes da comissão Pedro Dallari, coordenador, José Carlos Dias e Paulo Sérgio Pinheiro.  

Ontem, dia 25, a Comissão Nacional da Verdade divulgou a foto do acidente onde aparece o coronel Perdigão. Ele é o que se encontra marcado por um círculo na foto.

Zuzu Angel passou parte de sua vida querendo saber qual o paradeiro dado pelos militares ao seu filho. Foi uma luta incansável que passou a ser conhecida por grande parte da sociedade brasileira. Uma situação tão comovente que os músicos Chcio Buarque e Miltinho do MPB$ compuseram em sua homenagem a obra, Angélica.

“Quem é essa mulher

Que canta esse estribilho

Só queria embalar meu filho

Que mora na escuridão do mar”.

AGENTE DA DITADURA QUE CONFESSOU TER TORTURADO E MORTO PRESOS POLÍTICOS, AUXILIOU A DITADURA ARGENTINA

A Comissão Nacional da Verdade divulgou que o coronel do Exército, Paulo Malhães, participou como agente colaborador da ditadura argentina. O agente prestou dois depoimentos à comissão. Um no dia 18 de fevereiro e o segundo, no dia 25 de março. Um mês depois ele foi assassinado em seu sítio. Um crime que para a polícia do Rio de Janeiro se reduziu a um assalto comum, mas que para o presidente da Comissão da Verdade, Wadih Damous, foi queima de arquivo. Paulo Mlhães confessou que havia torturado e assassinado presos políticos. Além, de afirmar que participou da operação em que foram desenterrados os restos mortais do deputado Rubens Paiva. Durante o depoimento confessou que foi um dos autores da Casa da Morte, em Petrópolis, onde eram torturados e assassinados presos políticos.

“Descobri que tinha uma porção de argentinos voando, dentro do Rio de Janeiro, aproveitando a vida no Rio de Janeiro. Uns exilados políticos pela ONU, outros não. Aí, eu mandei fotografar todo mundo. ‘Eu quero que vocês saiam, tirem foto de todo mundo. Eu quero esses caras todos fotografados. Eu não sei quem eles são, não quero que vocês saibam quem eles são. Eu só quero fotografia deles’. Aí foi tirada a fotografia deles todos.

Fiquei famosíssimo na Argentina. Por causa disso, me deram medalha da Argentina”, disse o agente da repressão.

Ele ainda afirmou que era amigo do presidente Garrastazu Médici que reprimiu o país entre os anos de 1969 e 1974. O período em mais pessoas foram presas, torturadas e desaparecidas. De acordo com suas declarações Médici o tratava com intimidade para resolver algumas situações.

“Médici, mandava me chamar. Eu ia lá no palácio. Já almocei do lado dele. Ele perguntava: ‘E aí’. Eu dizia: ‘O senhor quer que eu resolva? Eu resolvo’. ‘Então, está, Malhães, resolve’”, confessou o agente.

VEJA O VÍDEO DE ZÉ CARLOS QUE NÃO DEIXA A TURMA DO AÉCIO SEM RIR

O CORONEL PAULO MALHÃES, AGENTE DO CIE, QUE DISSE NA CNV QUE MATOU “QUANTOS FORAM NECESSÁRIOS”, FOI ENCONTRADO MORTO

No dia 25 de março, coronel da reserva Paulo Malhães, 76 anos, ex-agente do Centro de Informação do Exército (CIE), depôs na Comissão Nacional da Verdade (CNV) acusado de torturas e assassinatos de presos que contestavam a ditadura civil-militar implantada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

Durante seu depoimento, entre tantas esquivas e sentido de dever cumprido, ela afirmou que matou “quantos foram necessários”. Ele atuava na pavorosa Casa da Morte, onde foram torturados e assassinados vários combatentes, em Petrópolis, que era mantida com verbas do Exército, segundo ele. Embora tenha revelado alguns detalhes das operações dos agentes repressores, para CNV foi um depoimento que pouco contribuiu para os esclarecimentos que se propõe essa comissão.

Ontem, dia 25, ele foi encontrado morto no lugar onde morava, em um sítio, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. De acordo com a edição do jornal Extra, três indivíduos invadiram sua casa e mantiveram refém das 13h às 22 horas, do dia 24. O relato foi feito por investigadores da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense. Mas, segundo a viúva, foram quatro homens que invadiram o sítio e levaram as armas que o ex-agente do CIE colecionava. Ainda segundo ela, um dos quatro homens tinha o rosto coberto.

“A princípio, ele foi morto por asfixia. O corpo estava deitado no chão do quarto, de bruços, com o rosto prensado a um travesseiro. Ao que tudo indica ele foi morto com a obstrução das vias aéreas”, disse o delegado Fábio Salvadoretti.

Mas, em seu blog, se opondo a posição do delegado, o coronel Brilhante Ustra, que é tido como torturador e assassino de presos políticos, afirmou que Paulo Malhães fora assassinado por quatro tiros desfechados por quatro pessoas. O que prova que Ustra continua sabendo mais que outros, e, no caso, mais o que o delegado não sabe.

Para o presidente da Comissão da Verdade no Rio de Janeiro, Wadih Damous pode éter sido queima de arquivo. O coronel tinha medo de ser assassinado depois que depôs na CNV e revelou fatos que implicavam outros participantes da repressão.

“Qualquer profissional ligado à investigação vai trabalhar com essa hipótese. Pode éter sido assalto, mas fica difícil acreditar nisso uma vez que ele foi morto por asfixia quando andava de cadeira de rodas. É uma morte extremamente suspeita”, disse Wadih.

COMISSÃO MUNICIPAL DA VERDADE DE SP PEDE QUE DILMA RECONHEÇA QUE JUSCELINO KUBITSCHEK FOI ASSASSINADO EM ATENTADO

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Laudo oficial da ditadura militar implantada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, morrera por ocasião de acidente de trânsito no dia 22 de agosto de 1976. No acidente também morrera seu motorista, Geraldo Ribeiro que trabalhava com ele há 36 anos. O acidente ocorreu no município de Rezende, na Rodovia Presidente Dutra, quilômetro 168 – hoje km 331 – quando vinha de São Paulo para o Rio de Janeiro. Seu carro, um Opala, bateu em um caminhão Scania-Vabis.

Entretanto, apesar da negação dos militares, durante todos esses anos, sempre houve descrença na versão apresentada pelo militares. Pessoas ligadas a JK, seus familiares e grupos democratas sempre desconfiaram de que havia sido assassinado. JK, assim como o ex-presidente João Goulart, e outros opositores da ditadura eram cotidianamente vigiados por agentes da repressão e da CIA. Quando JK morreu, ele planejava formar uma frente democrática para regularização política no país.

Agora, a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, depois de dois anos de investigações, colher provas e testemunhas produziu o Relatório JK, onde mostra que o ex-presidente não morreu pela ação de um simples acidente casual, mas que ele fora assassinado em um atentado. Para a comissão, atentado orquestrado pelos generais Golbery de Couto e Silva, na época, ministro da Casa Civil da Presidência da República e João Batista de Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), o último presidente militar.

Imbuída da certeza de que JK fora assassinado, a comissão enviou no dia 19 de fevereiro, o documento para a presidenta Dilma Vana Rousseff, solicitando que ela reconheça de o ex-presidente sofreu um atentado e que ela tome “as providências necessárias” para mudar a versão oficial que afirma que ele morrera em um acidente comum de trânsito. O Relatório JK também será enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, presidente do Senado, Renan Calheiros, coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari e para os procuradores da República de Volta Redonda e Rezende, Paulo Gomes Ferreira Filho e Luciana Fernandes Portal Lima Gadelha.

“Recolhemos contradições nas investigações da época, fraudes, mentiras, tentativas de incriminar o motorista de um ônibus quando, na realidade ele não abalroou o carro de Juscelino.

Estamos pedindo que o Brasil declare que Juscelino morreu de morte matada, e não de morte morrida. Não foi um acidente, foi um atentado que provocou aquele acidente que matou JK”, afirmou o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão.

TRABALHADORES PROMOVEM ATO PÚBLICO EM HOMENAGEM AOS SINDICALISTAS PERSEGUIDOS E PRESOS PELO GOLPE DE 1964

Trabalhadores pediram aos membros da Comissão Nacional da Verdade que apurem as participações de empresários à ditadura militar instalada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Segundo os trabalhadores empresários financiaram as perseguições e prisões de sindicalistas no período de exceção.

Movidos por este propósito os trabalhadores realizaram no sábado, dia 1º, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o ato público exigindo a investigação sobre esses empresários e não somente dobre os agentes do Estado que sequestraram prenderam, torturam e assassinaram militantes políticos que lutavam contra a ditadura. Na ocasião foi divulgada uma lista com os nomes 400 trabalhadores e sindicalistas presos, e, alguns, mortos durante a ditadura. Entre os nomes o do jornalista Wladimir Herzog, Manoel Fiel Filho. Entre os presentes encontrava-se o filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart. Ocorreram também vários shows musicais quando foram interpretadas músicas referentes a repressão como O Bêbado e o Equilibrista, Desesperar Jamais, Roda Viva, Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, Construção, etc.  

Durante o ato público compareceram vários personagens que fizeram a história política do sindicalismo no Brasil antes, no momento e depois da ditadura. Vários deles deram seus testemunhos sobre o ocorreu na época de perseguição e morte. Contaram como as fábricas infiltravam agentes, disfarçados de trabalhadores, para denunciar trabalhadores militantes. Luta sindical desencadeada por trabalhadores muito bem representados no filme do cinegrafista italiano Petri, “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, visto que a luta sindical é global de acordo com a globalidade do capitalismo empresarial, conhecido também como industrial. Na ocasião foi comentada a prisão de Lula, em 1980, e confirmada sua pessoa como icônica na produção do sindicalismo moderno e do novo Brasil. Lula não compareceu ao ato porque havia sido cometido aos exames médicos.

“Algumas empresas de São Bernardo tornaram-se verdadeiros quarteis. Haviam agentes da Polícia Federal Infiltrados no movimento com carteiras de trabalho assinadas, ‘esquentadas’ pela empresa. Havia uma pessoa indicada para conversar com um general de sobrenome Queiroz, e o chefe da segurança era o major Saturnino Franco”, lembrou o ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, ex-deputado e vice-prefeito Djalma Bom.

“Tinha um carro de combate na porta da faculdade, soldados com metralhadoras. Ontem mesmo eu e um colega estávamos lembrando da nossa formatura que não houve. Mas o importante é a gente ter condição, hoje, de contar a história. Tem muito exemplos de heroísmo e discernimento, e tudo precisa ser contado”, observou o economista Walter Barelli, 75 anos, ex-ministro do governo Itamar, secretário estadual do Trabalho, em São Paulo e membro do governo paralelo de Lula.

“Era um peão normal, um peão comum. Só que a empresa tinha todo o controle, quem entrava na fábrica com jornal. Eles almoçavam e jantavam lá dentro. A Ford era mais discreta. Quando nós descobrimos ele sumiu. Havia as listas negras. Todo mundo das empresas sabia quem nós éramos. É por isso que tem que investigar”, disse o funcionário aposentado da Ford, João Ferreira Passos, conhecido entre os companheiros como Bagaço.

DILMA PRORROGA ATÉ DEZEMBRO DE 2014 O TEMPO DE ENTREGA DO TRABALHO FINAL DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE

Os membros da Comissão Nacional da Verdade agora terão até o mês de dezembro de 2014 o tempo para finalizar os seus trabalhos. É que a presidenta Dilma Vana Rousseff publicou no Diário Oficial da União (DOU) uma Medida Provisória (MP) que determina sua prorrogação. Foi uma forma de atender ao pedido dos membros da comissão que já haviam afirmado que o tempo estipulado anteriormente no ato da criação da comissão, que seria no mês de maio de 2014, não seria suficiente para o encerramento de suas atividades.

“A Comissão Nacional da Verdade terá prazo até 16 de dezembro de 2014 para a conclusão dos trabalhos e deverá apresentar, ao final, relatório circunstanciado contendo as atividades realizadas, os fatos examinados, as conclusões e recomendações”, diz o texto da MP.

CONGRESSO NACIONAL RESGATA A VERDADEIRA HISTÓRIA DEVOLVENDO, 49 ANOS DEPOIS, O MANDATO DO PRESIDENTE JOÃO GOULART

É fácil de compreender, mas difícil de aceitar. Em uma sessão do Congresso Nacional em abril de 1964, o ministro da Casa Civil, Darcy Ribeiro, ao perceber que os golpistas queriam de qualquer forma afastar o presidente João Goulart da Presidência da República, comunicou ao presidente da Casa, senador Lauro de Moura Andrade, que Jango encontrava-se no Brasil e que ele concedesse três horas para que o presidente se apresentasse, mas Lauro de Moura Andrade não levou em consideração o pedido. Preferiu aceitar a versão dos golpistas que Jango havia deixado o Brasil.

Dessa forma golpista João Goulart foi dado como não mais presidente do Brasil. Como a mentira pode ocultar a verdade, mas jamais substitui-la, como falou a filósofa Hannah Arendt, o tempo fez seus percursos e nesses percursos foram eleitos os progressistas Lula e Dilma. A partir de então, foi possível pensar nas inverdades históricas que formaram consciências como verdades. Começou-se a pensar uma forma de resgatar a história verdadeira para eliminar de vez as inverdades históricas que se constituíram como verdades forjadas pelos golpistas.

Foi criada a Comissão Nacional da Verdade com o objetivo de intervir nos fatos que ocorreram durante essa época cruel da história do Brasil. Encontrar os responsáveis pelos atos arbitrários e violentos que marcaram o passado próximo brasileiro. E um dos principais personagens ocultado pelas inverdades foi exatamente o presidente João Goulart. Primeiro descobrir a razão de sua morte. Morte comum ou assassinato. Sua família tomou a frente, e seu corpo foi exumado, para depois ser enterrado com honras de chefe de Estado.

Como uma parte das inverdades foi produzida no Senado, os senadores Pedro Simon (PMDB/RG) e Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) criaram a proposta de cassação do ato que tirou de João Goulart seus poderes de presidente. Foi então que chegou o dia da verdade histórica tomar seu lugar eliminando as inverdades da história forjada pelos golpistas. O Congresso Nacional devolveu, simbolicamente, o mandato do presidente João Goulart.

Foi uma solenidade histórica movimentada pela alegria de se saber que o Brasil está construindo uma democracia forte. Participaram da cerimônia de elevação do nome de Jango, além da presidenta Dilma, o filho de Jango, João Vicente Goulart, alguns militares, convidados, senadores, ministros e a cantora-cívica, Fafá de Belém que cantou o Hino Nacional.

“A democracia venceu. O golpe não foi contra Jango, mas contra as reformas de base que o presidente tinha mandado ao Congresso em benefício das camadas mais populares. Esta sessão repara a triste mancha e o equívoco cometido pelo Parlamento brasileiro ao concordar com a ruptura e a destituição do poder instituído da pátria e colaborar com um regime de exceção no país”, discursou João Vicente.

“Vivi todos os momentos, vi a surpresa da decisão do Congresso, o drama do presidente, tudo que se passou à época e vi também, anos depois, a volta de Jango morto ao Brasil, para o enterro em São Borja, sob a fiscalização do regime militar sem conseguir controlar o povo inconsolável que insistiu em acompanhar o cortejo. Neste momento o que queremos é a união de todos. Não é atingir A, B, ou C”, se pronunciou o senador Pedro Simon que chorou muito comovido.

“Primeiro, precisamos registrar o pedido formal de desculpas por parte do Estado brasileiro, mas também quero agradecer ao governo pelos esforços envidados na exumação do corpo de Goulart e na recuperação da homenagens especiais feitas a este chefe de Estado, recentemente.

Não houve no país alguém com uma trajetória tão curta e tão celebrada quanto Goulart. Ele teve uma vida marcada pela coerência, sempre ao lado do povo brasileiro e dos trabalhadores”, observou o senador Randolfe Rodrigues, que também chorou emocionado.

O INCRÍVEL CASO DE PERDA DE MEMÓRIA, AUDIÇÃO E DESPERSONALIZAÇÃO DO EX-AGENTE DO DOI-CODI ACUSADO DE SER TORTURADOR

“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”

 

 Milan Kundera

         Tempo da Ação: Presente, passado e futuro.

         Local da Ação: Sala da Comissão Nacional da Verdade, em São Paulo.

         Personagens: Pedro Dallari, Coordenador da Comissão da Verdade.

         José Carlos Dias, membro da Comissão da Verdade.

         Torturador, ex-delegado da Polícia Civil, Aparecido Laerte Calandra, codinome, Capitão Ubirajara, agente do DOI-CODI.

         Darci Miyaki, presa e torturada.

         Maria Amélia de Almeida Teles, presa e torturada.

           Sérgio Gomes, jornalista, preso e torturado.

Torturador ( Simulando perda de memória, tem diante de si documentos apresentados pelo coordenador da Comissão da Verdade Pedro Dallari contendo depoimentos de presos torturados por ele nas dependência do DOI-CODI, entre os anos de 1972 e 1976. Entre os documentos um traz seu codinome Ubirajara e outro elogia sua atuação como agente da repressão ) – “Atribuo isso um engano pessoal das pessoas que estão fazendo essas acusações.

Nunca participei de nenhuma atividade de tortura e nunca apoiaria isso. Isso era parte da conduta do comando aqueles que se dedicavam especificamente a sua função. E a minha era de assessor jurídico.

Sempre usei meu nome. Nunca torturei ninguém e muito menos violei direitos humanos. Sempre fui contrário disso”.

Sérgio Gomes ( Olhando dentro dos olhos do torturador ) – “É tão estranho a gente se encontrar assim, não ( Torturador desvia o olhar )? É da natureza dos regimes políticos engendrarem a tortura como método. A vingança é a justiça dos bárbaros. E a justiça é a vingança dos civilizados”.

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Darci Miyaki ( Olha para o torturador com firmeza e depois fala em direção dos membros da comissão. Reconhece seu torturador e fala sobre o assassinato de seu companheiro, Élcio Pereira ) – “Ele mudou pouco, muito pouco. Está com cabelo mais ralo, branco, mas o visual a estrutura são os mesmos. Esse cidadão era o Ubirajara, um torturador, e partícipe de muitos assassinatos.

A morte dele foi anunciada em um tiroteio no dia 28 de janeiro de 1972, mas, nesse dia, ele estava sendo trazido do Rio para São Paulo comigo. Esse capitão Ubirajara entrou na sala e disse, ‘o Élcio está sendo empalado’. Isso ficou na minha memória.

Já tinha sido torturada por ele. Foram muitos choques elétricos no ouvido, nos dedos dos pés, das mãos, choque na vagina. Muito. Era uma pessoa muito violenta. Não é nem nojento. Era algo muito violento.  Não sei descrever o que significa para uma mulher um torturador introduzir o dedo, um fio elétrico na sua parte mais íntima. Isso me marcou muito. Tive muita hemorragia oral e vaginal e fui levada duas ou três vezes para o Hospital das Clínicas. Eu me tornei uma mulher estéril”.

Maria Amélia de Almeida Teles ( Angustiada diz que seus filhos de 4 e 5 anos, foram levados ao DOI-CODI e a viram maltratada pelo agente ) – “Eles queriam saber porque eu estava azul. Quando olhei para meu corpo vi que estava todo roxo (Ela lembra que Ubirajara lhe mostrou um jornal com a manchete da morte de um terrorista em tiroteio ). Era uma versão mentirosa. Danielli foi morto naquela sala. Ele ali se gabando de ser o autor daquela farsa. Ameaçando que eu poderia ter manchete como aquela”.

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José Carlos Dias, membro da Comissão Nacional da Verdade (olhando com segurança e determinação para o Capitão Ubirajara ) – “Os vizinhos ouviam os gritos e, ele que trabalhava lá, não ouvia um grito ?”

Torturador (Simulando ) – “Nunca ouvi gritos?”

José Carlos Dias (Indignado ) – “É uma desfaçatez! O senhor é um homem inteligente. A prova disso é que escolheu muito bem seu advogado. Gostaria que o senhor dissesse com toda sinceridade. Durante oito ano trabalho no DOI-CODI. Nunca ouviu referência que lá se torturava?”

Torturador (Esquivando-se ) – “Nunca ouvi referência disso”.

José Carlos Dias (Determinado ) – “Hoje o senhor acredita que havia tortura”?

Torturador ( Olhando de lado ) – “Não acredito porque não ouvi”.

José Carlos Dias – ( Incisivo ) – “E esses testemunhos”?

Torturador ( Tentando se desvencilhar da pergunta ) – “Esses testemunhos, a pessoa fala o que acha que deve falar”.

José Carlos Dias (Relaxando ) – “Mas nós cumprimos nosso dever de perguntar”.

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Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade ( Certo de que o Capitão Ubirajara faltou com a verdade e que passou o tempo todo se defendendo para confundir a Comissão Nacional da Verdade ) – “ Temos um conjunto de informações muito robustas que não coincide com seu depoimento. Evidente que seria muito melhor para nós e para o país se o senhor se dispusesse a resgatar os fatos relativos à sua presença por dez anos no DOI-CODI. Por razões que só o senhor pode avaliar o senhor está tomando outra opção, que é respeita porque vivemos em um Estado democrático de direito. Colabore com a comissão, isso fará bem ao país e ao senhor”.

José Carlos Dias ( Completando ) – “E a sua própria consciência”.

Pedro Dallari – “É ruim por um lado, mas as provas que a comissão possui contra ele são muito robustas. Os fatos indicam claramente que o delegado praticou tortura.

Todos os depoimentos que consideramos importantes para elucidação dos fatos, nós colheremos, mas temos um problema de tempo ( Ele diz que os trabalhos da comissão terminam em maio )”.

Fontes consultadas para produção desse vetor-teatral: Agência Brasil e RBA.

Data da publicação informativa: 12/12/13.              

DILMA ASSINA DECRETO QUE INSTITUI SISTEMA DE ENFRENTAMENTO À TORTURA

É comum o uso da tortura em vários seguimentos do aparelho do Estado Judiciário como delegacias, penitenciárias, instalações militares e outras congêneres. Uma prática tão comum que alguns consideram sua existência como um fator cultural. Dizem: “A tortura é uma questão cultural”. Como tudo que se mostra como signo cultural está constituído como hábito, essa assertiva só solidifica o incentivo à prática da tortura. O que faz com que ela seja constantemente praticada pelo agente policial que busca encontrar o que acredita procurar: a prova de um delito. Muitas vezes inexistentes.

Embora a tortura seja praticada, muitas vezes, por agente que tem uma formação amoral em relação ao outro. Um sintoma psiquiátrico em que o ato de torturar lhe causa satisfação: prazer em ver o outro sofrer sob sua força. Um sintoma em que humilhar o outro é uma tentativa de sublimação da dor pessoal porque foi humilhado em suas escaladas da infância. Seu trauma cruel de base. Uma prática muito usada historicamente pelos nazifascistas. A tortura foi uma forma de castigar, impor pena, e exemplificar criada pelas instituições, principalmente o Estado com seu Poder Jurídico. O eminente exemplo encontra-se em várias obras de filósofos como Sartre e Michel Foucault que mostram que a prática da tortura é um método de punir que visa um objetivo: eliminar a essencialidade do indivíduo. Submeter o indivíduo torturado aos códigos disciplinares e de controle designado pelo Estado-Punidor. Na família e nas delegacias a máxima é essa: “É para você nunca mais fazer isso”. Seja na compreensão filosófica, psiquiátrica, sociológica, ética, e, às vezes, jurídica, a tortura é uma anomalia da espécie humana e o torturador é uma degeneração. É um ato desumano.

É por entender a prática da tortura como uma prática hedionda que macula a dignidade humana, e que o Estado como representante e defensor dos direitos coletivos dos indivíduos, não pode permitir essa ofensa ao ser humano, que a presidenta Dilma Vana Rousseff assinou o decreto que institui o Sistema de Enfrentamento à Tortura. O sistema estabelece que os peritos têm autorização prévia para avaliarem violações de direitos humanos nos locais onde foram denunciadas essas violações. Eles têm autorização para entrarem em delegacias, penitenciárias, instalações militares, instituições de longa permanência de idosos, instituições de doenças psíquicas e similares.   

Falando no Fórum Mundial de Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) disse que o sistema tem como uma de suas funções, processar agentes do Estado que ainda hoje praticam a tortura.

“A autorização prévia serve para verificar denúncias de violações de tortura e processar agentes do Estado responsáveis por isso (tortura ) ainda nos dias atuais”, observou a ministra Maria do Rosário.

PARA A MINISTRA MARIA DO ROSÁRIO COM O NOVO ENTERRO DE JOÃO GOULART O “ESTADO CUMPRIU UMA ETAPA PARA REFORÇAR A DEMOCRACIA”

Agora, é para valer. Os restos mortais do ex-presidente João Goulart foram embarcados para São Borja, sua cidade natal, para que seja enterrado com honras de chefe de Estado. Fato que havia sido proibido pela ditadura que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Jango morreu exatamente no dia 6 de dezembro de 1976. E hoje seus restos mortais são entregues, com honras, a sua família e aos moradores da cidade em nasceu.

Segundo a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, esse verdadeiro enterro repara um dívida histórica do Brasil com seu passado.

“Nosso objetivo é que o país tenha conhecimento de todos os fatos que constituem a nossa história, a nossa vivência nacional. O Estado cumpriu uma etapa para reforçar a democracia.

Estamos cumprindo com a responsabilidade que assumimos com a família, com a comunidade de São Borja e com o Brasil. Hoje é a data em que o presidente João Goulart veio a óbito, na Argentina, e nós assumimos um compromisso de que os restos mortais seriam devolvidos nessa data para a comunidade”, disse Maria do Rosário.

O filho de Jango, João Vicente Goulart, analisando o fato da exumação de seu pai e seu novo enterro, disse que se trata de “uma luta de dignidade”.

“Estamos enterrando um pai pela segunda vez e estamos desenterrando uma luta, uma dignidade, de sofrimento pelo Brasil. Temos certeza de que fizemos o que estava ao alcance da família para esclarecer uma verdade que permanece oculta”, disse João Vicente Goulart.

LEI DA ANISTIA PRECISA SER REVISTA, DIZ ALTA COMISSÁRIA DA ONU, NAVI PILLAY

Para juristas e especialistas da área da justiça, o maior empecilho para julgar os agentes do Estado envolvidos nas prisões arbitrárias, sequestros, torturas e assassinatos de pessoas que contestavam a ditadura militar imposta à sociedade brasileira entre os anos de 1964 e 1985 é a Lei da Anistia. Para esses profissionais da área da justiça, a Lei da Anistia não permite o julgamento pela Justiça desses agentes que extrapolaram a ordem do Estado. Daí a necessidade de que a Lei da Anistia seja revista. Uma luta de anos travada pelos movimentos dos direitos da cidadania.

Comungando desse mesmo pensamento a sul-africana, Navi Pillay, a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, disse em Genebra que o grande obstáculo para que o Brasil faça justiça é a Lei da Anistia. E que por esse motivo é preciso que ela seja revista. Exemplificando seu pensamento, Navi Pillay, disse que a criação da Comissão da Verdade foi um grande passo para concretização da justiça, mas que não é o suficiente: ela não substitui uma investigação que precisa ser tratada pela Justiça. Segundo ela, a reparação histórica não pode se limitar à Comissão Nacional da Verdade.

Navi Pillay, também comentou sobre as violências praticadas pela polícia durante manifestações e as desapropriações violentas nos lugares onde foram feitas as infraestruturas para a Copa de 1014 e das Olimpíadas de 2016.

“A lei é um obstáculo para que a justiça seja feita às famílias. A criação da Comissão Nacional da Verdade foi um importante passo inicial, mas precisa mais apoio. Ela não substitui uma investigação. Casos precisam ser tratados pela Justiça”, disse Navi Pillay.

FATO DA REPÚBLICA – OS RESTOS MORTAIS DO EX-PRESIDENTE JOÃO GOULART É RECEBIDO NO PALÁCIO DO PLANALTO PELA PRESIDENTA DILMA E EX-PRESIDENTES

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Coincidindo com os festejos da Proclamação da República nesse dia 15, a presidenta Dilma Vana Rousseff proporcionou ontem, dia 14, um verdadeiro reconhecimento da importância para o Brasil que fora o ex-presidente João Goulart, deposto e perseguido pela ditadura que imobilizou o país entre os anos de 1964 e 1985. Os restos mortais do ex-presidente Jango foram homenageados, no Palácio do Planalto pela presidenta Dilma, ex-presidentes pós-ditadura como José Sarney, Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, assim como seus parentes, políticos, autoridades e representantes de outros seguimentos.

Não se fizeram presentes ao ato republicano o ex-presidente Itamar Franco, porque, como é óbvio, já faleceu, e o ex-presidente, representante das elites econômicas, Fernando Henrique, que, embora vivo, não compareceu alegando enfermidade.

Durante toda a cerimônia de honraria ao ex-presidente Jango que pretendia a reforma agrária e foi derrubado do poder mesmo contando com apoio da maioria do povo brasileiro, fato ocultado pela imprensa golpista, a presidenta Dilma se manteve ao lado da esposa do ex-presidente, Maria Tereza Goulart, uma companheira destemida e lutadora pela busca da verdade. O momento de grande emoção que levou as duas singelas e bravas mulheres às lagrimas ocorreu quando o Hino Nacional foi executado, enquanto canhões disparavam 21 tiros. A cerimônia que contou com ampla divulgação, contrariou o desejo dos militares, quando da morte do líder trabalhista, que queriam que ele fosse logo enterrado. O que permitiu seu neto Christopher Goulart, comentar: ” Não houve luto oficial, houve silêncio oficial”.

A esposa de Jango Maria Tereza Goulart comentou a homenagem e as impressões da família sobre a exumação.

“Acho que é um atitude de coragem de reconhecimento pelo presidente que ele foi. Tem também essa hipótese – de morte natural – também né?”, disse Tereza Goulart. 

Comentando o ato de honra ao ex-presidente, Dilma, destacou que Jango fora o único presidente a morrer no exílio, “em circunstâncias ainda a serem esclarecidas por exames periciais”.

“Este é um gesto do Estado brasileiro para homenagear o ex-presidente João Goulart. Essa cerimônia que o Estado brasileiro promove hoje com a memória de João Goulart é uma afirmação da nossa democracia. Uma democracia que se consolida com este gesto histórico”, disse a presidenta.

Para a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, a exumação de Jango é um momento de valorização da democracia.

“Esse momento tem uma grande importância para o Brasil e a presidenta Dilma determinou que esse resgate histórico significasse a valorização da democracia. Nós estamos aqui fazendo justiça, recuperando a nossa própria história e, ao nos encontrarmos com esta história, valorizando todas as conquistas que temos construído.

A democracia não é algo pronto. É algo que se constrói todos os dias, inclusive com momentos como este, onde nós homenageamos a um presidente constitucionalmente estabelecido e que foi deposto em uma circunstância de golpe. Para que nunca mais aconteça é que hoje nós tivemos aqui forças civis e militares”, observou a ministra.

Falando sobre a exumação dos restos mortais de Jango, sua família afirmou que o que é importante é o resgate histórico do ex-presidente trabalhista. Também com essa ideia, o professor historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jorge Ferreira, biógrafo de João Goulart, comentou sobre a interpretação errada que parte da sociedade brasileira tem de Jango.

“Depois do golpe, começa o processo de dilapidação de sua reputação, por um lado, e esquecimento de sua figura, por outro. As direitas civil e militar, que o derrubaram, passaram a criar imagens negativas do ex-presidente: corrupto, subversivo, incompetente e alcóolatra. As esquerdas também atacaram, acusando como líder burguês de massa e manipulador de operários. Essa ideia de que Jango foi covarde e fugiu da ditadura, isso quem criou foi a esquerda”, afirmou o professor-biógrafo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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