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TEMENDO A CASSAÇÃO, DEMÓSTENES, ENTRA NO STF COM MANDADO PARA SUSPENDER PROCESSO NO CONSELHO DE ÉTICA

Ciente que seu pedido de cassação será apresentado pelo relator de seu processo, Humberto Costa (PT/PE), na segunda-feira, os advogados do senador Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso junto com seu bando pela Polícia Federal em 29 de fevereiro por força das operações Vegas e Monte Carlo, entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a conclusão do processo contra seu constituinte no Conselho de Ética.

Os advogados do amicíssimo de Carlinhos Cachoeira usaram como estratégia para conseguir obstruir a conclusão do processo, o argumento de que houveram ilegalidades nas interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal que estão sendo usadas como provas contra o ex-campeão da moral parlamentar, que o estão envolvendo com o mafioso.

Eles disseram também que há indícios de fraude na edição das escutas. Para os advogados, as tentativas para provar as ilegalidades das escutas estão sendo barradas pelos senadores que atendem “a inclinações políticas nocivas à presunção de inocência”. Dizem também que o processo está atropelando prazos processuais que não estão sendo respeitados.

Diante das claras provas apresentadas pela Polícia Federal, mostrando através das gravações a relação íntima do senador Demóstenes com o contraventor, mesmo com ele agora negando, os advogados desesperam para livrar seu constituinte, mas o enredo parece já ser conhecido.

Por sua vez, analisando o recurso impetrado pelos advogados de Demóstenes, o relator do processo Humberto Costa, afirmou que os advogados pretendem é “atropelar o Conselho de Ética”.

“O objetivo dese pedido é atropelar o Conselho de Ética. A consequência disso é que se o Supremo admitir essa liminar, nós vamos correr o risco seríssimo de não haver do Senado no Conselho de Ética, antes do recesso parlamentar.

Trata-se de uma medida claramente protelatória. Em nenhum momento o Conselho de Ética deixou de garantir o direito à defesa do senador. Mas pelo contrário. Todas as demandas dele foram debatidas, discutidas, nós demos resposta. Ele condição de se manifestar em todos os momentos, em todos os passos que o Conselho de Ética deu. Os prazos estão sendo rigorosamente respeitados. Em nenhum momento nós atropelamos qualquer prazo da defesa”, afirmou o relator.

Também comentando o recurso dos advogados do senador ex-campeão da moral parlamentar, o presidente do Conselho de Ética, Carlos Valadares (PSB/SE), disse não haver motivo para a suspensão do processo, visto “que o conselho cumpriu a risca todos os procedimentos legais”.

“A meu ver não existe nenhuma razão para justificar esse pedido visto que não houve cerceamento de defesa.

Se houver alguma decisão judicial, claro que vamos cumprir, mas a reunião está confirmada para a próxima segunda para que nós possamos ler e votar o relatório”, disse Valadares. 

AGNELO DO PT, GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, DEPÕE NA CPMI, SE DEFENDE, FAZ MARKETING DE SEU GOVERNO E LIBERA SEUS SIGILOS

O governador do Distrito Federal (DF) Agnelo Queiroz, do Partido dos Trabalhadores, compareceu a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e desempenhou o papel que lhe cabia como testemunha. Negou as acusações que os parlamentares da chamada oposição lhe insinuaram, disse que jamais falou com o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso no dia 29 de fevereiro junto com seu bando pela Polícia Federal por força das operações Vegas e Monte Carlo, defendeu seu secretário, e aproveitou, como fez o governador de Goiás, Marconi Perillo, para fazer marketing de seu governo.

Agnelo Queiroz, que segundo seus pares tem menos evidências nas tramas de Carlinhos Cachoeira que o governador de Goiás, Marconi Perillo, que chegou a se encontrar com o mafioso e vender sua cassa ao mesmo, só foi tautológico em seu depoimento por força das repetidas perguntas feitas pelos parlamentares da alcunhada oposição, que pretendiam obrigá-lo a afirmar que tinha aproximação com o contraventor e a empresa Delta. O cerne de toda a mumunha no Brasil Centro Oeste de Goiás e DF – não só no Brasil Central, também no Amazonas -. Cada pergunta repetida era mais uma resposta repetida.

Mas Agnelo foi mais inteligente e menos temeroso que o governador de Goiás. Logo no começo de seu depoimento ele fez uma declaração que surpreendeu a chamada oposição. Declarou que colocava à disposição da CPMI seus sigilos telefônico, bancário e fiscal. Tema que causou revolta nos repetitivos oposicionistas no depoimento de Perillo, quando o relator Odair Cunha (PT/MG), insinuou que ele poderia dispor seus sigilos. Mas, para mostrar que também não tinha nada à temer, o governador, pela parte da tarde, mandou uma mensagem para seus pares afirmando que também colocava seus sigilos à disposição da CPMI. Ficou em 1 a 1, o placar dos sigilos, mas com um ponto a mais para Agnelo que foi o primeiro a se comprometer. Perillo foi mera consequência, segundo os pares de Agnelo.

Como sempre apresentado lucidez e claro compromisso com a democracia, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) fez sua interferência parabenizando o gesto do governador, sua performance no momento, mas não deixou barato. Queria saber qual a forma de operação financeira Agnelo havia feito no momento da compra de sua casa no valor de R 400 mil. Compra de casa transformado em menina dos olhos da inerte oposição usado por todos os que interrogaram o governador distrital. Mesmo percebendo a enorme diferença de preço entre a casa de Agnelo e a de Perillo. A casa vendida por Perillo ao mafioso custou R$ 1.400 milhão. No quesito parabéns, o senador Rodrigues, seguiu a mesma observação feita por seu camarada de partido, deputado Chico Alencar, que reconheceu a boa performance do governador, mas não deixando de chamar a atenção para o fato de que os dois governadores tentaram se escusar de algumas evidências em suas relações escusas.

No mais, foi um depoimento em que Agnelo deve ter ganho bons pontos com seus eleitores, assim como Perillo, e também com seus companheiros do PT, inclusive os que são seus desafetos.

Hoje, dia 14, a comissão analise os dois pedidos de quebra de sigilos dos governadores, o que para alguns senadores tem pouca importância para CPMI.

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) inquéritos envolvendo os dois governadores. Os inquéritos são sobre o suposto envolvimento dos dois governadores com o mafioso Carlinhos Cachoeira 

MARCONI PERILLO, GOVERNADOR DE GOIÁS, VAI A CPMI E EXACERBA SEU DIREITO DE SER TAUTOLÓGICO

Como era de se esperar o governador de Goiás, Marconi Perillo, compareceu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investiga o mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso no dia 29 de fevereiro com seu bando por ação da Polícia Federal com base nas investigações das operações Vegas e Monte Carlo, e exacerbou seus direito de ser tautológico. Passou quase nove horas se repetindo. Tanto em suas apresentações preliminares quanto nas interrogativas dos parlamentares.

Em seus momentos tautológicos ele negou ter qualquer tipo de amizade com o mafioso Carlinhos Cachoeira, assim como não conhecê-lo intimamente. Embora tenha telefonado para ele dando-lhe parabéns quando de seu aniversário. E também, tendo participado de encontro onde compareceram além do mafioso, o senador, ex-campeão da moral parlamentar, Demóstenes Sem Partido Torres, e o representante da Delta. Segundo ele, só para falar de culinária e futebol.

Em seu rosário de repetições, ajudado por seus pares, parlamentares ultraconservadores do PSDB, seu partido, e DEM, ex-Demóstenes, ele procurou enrijecer nas consciências dos presentes seu argumento de que não vendera sua casa, no valor de R$ 1.400 milhão, ao mafioso Carlinhos Cachoeira. Mesmo o contraventor sendo agora seu proprietário, e sendo preso pela Polícia Federal nela. Disse que recebeu três cheques, no momento da transação, como forma de pagamento, mas não observou sua procedência. A procedência: uma empresa de Carlinhos Cachoeira. A própria Polícia Federal já havia afirmado que os cheques são assinados por um parente do contraventor.

No meio do acordo tácito do silêncio entre a chamada oposição e a situação, no pega leve, os personagens que destoaram mesmo do oceano tautológico, como já havíamos concebido, foram os parlamentares do PSOL. O deputado Chico Alencar, disse que o governador não convenceu ninguém, e que estava se defendendo nada do que falou podia ser levado em consideração. Como não era pergunta, Perillo, não pode interceder. Quando das lúcidas perguntas expositivas do senador Randolfe Rodrigues, quando tentou responder, não respondeu. O senador do Amapá, mostrou porque é a grande representação democrática do Congresso Nacional. Um jovem que acredita que a política tem que ser produzida por homens e mulheres racionalmente éticos. Suas perguntas muito bem refletidas fizeram pela primeira vez o tautológico governador corar. Corou, tentou contornar, mas não soube responder nem vacilando e nem explicitamente. Foi o momento em que sua verve tautológica fi ao ferrolho.

No mais, Perillo, embora em Brasília, não saiu de Goiás. Passou grande parte de seu tempo tautológico fazendo marketing de seu governo, culpando sempre a gestão passada. E sempre lembrando que os personagens implicados no caso Cachoeira, também se relacionavam com outras personagens da cena política do Brasil. Uma especie de defesa do tipo, “não foi só eu quem falou com Cachoeira”.

Hoje, é a vez do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, a muralha para sua proteção já encontra-se armada pela maioria dos membros do PT e aliados, mas é possível que a turma da chamada oposição tente quebrar o acordo tácito do silêncio. Se quebrar não quebrou, visto que eles são como os pernas-de-pau do peladão brasileiro: todos iguais.

HOJE A CPMI DO CACHOEIRA RECEBE O GOVERNADOR PERILLO, E AMANHÃ, AGNELO, DO DISTRITO FEDERAL

Os depoimentos dos governadores Marconi Perillo de Goiás, membro do PSDB, hoje, e Agnelo Queiroz do Distrito Federal, membro do PT, amanhã, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), ambos personagens das investigações da Polícia Federal mostradas pelas operações Vegas e Monte Carlo, onde os dois estão relacionados à Carlos Augusto Ramos vulgo Carlinhos Cachoeira, estar ouriçando seus pares.

Parlamentares dos dois partidos estão procurando de toda forma minimizar as suspeitas sobre seus companheiros para poder ajudá-los durante os transcursos dos depoimentos. A turma do PT tenta se preparar para inquirir Perillo sobre a venda da casa no valor de R$ 1.4 milhão para o mafioso Carlinhos Cachoeira, ninho onde a Polícia Federal o prendeu no dia 29 de fevereiro. Auxiliando os petistas em seus argumentos, encontram-se os conteúdos dos depoimentos de elementos envolvidos com o contraventor que apresentaram contradições piorando a situação do governador de Goiás.

O líder do PT, Gilmar Tatto (PT/SP), depois de reunião com as bancadas da Câmara e do Senado, disse que seu partido vai se posicionar no depoimento de Perillo sobre o tema da venda da casa, e insistir na proximidade do governador com o mafioso. Sobre a acusação que pesa sobre seu companheiro de partido, governador Agnelo Queiroz, cujo governo tem contrato com a Delta, empresa acusada de pagar propina a agentes públicos, Tatto, disse que o contrato com a “Delta foi uma decisão judicial”, e que não foi o governador quem a contratou.

“Eu sei que é difícil explicar essa relação íntima que ele tem com Carlinhos Cachoeira, que é o chefe do crime organizado em Goiás. Até porque, se existia a contravenção no estado de Goiás, a responsabilidade de combatê-la é do governador. Os delegados que vieram prestar depoimento aqui na CPMI disseram claramente: o governador Marconi Perillo vendeu a casa dele para o Cachoeira. O Carlinho Cachoeira foi preso pela Polícia Federal na casa que era do governador. Tanto ele era íntimo de Cachoeira que ligou para dar parabéns no aniversário.

O contrato da Delta foi uma decisão judicial. Não foi o Agnelo que contratou a Delta, que fez a licitação. Quando ele assumiu o governo do Distrito Federal tinha uma decisão judicial para manter a Delta. Mesmo assim ele fez uma auditoria no mês de janeiro, logo que assumiu, e reduziu o contrato em 40%. Então olha a diferença”, disse Tatto.

Por sua vez, os parlamentares do partido ultraconservador, PSDB, estão tentando destruir os argumentos dos petistas referentes as relações de Perillo com o mafioso Carlinhos Cachoeira, muitas vezes semelhantes à eles. Álvaro Dias, senador, e líder do ultraconservador, disse que o que vem afirmando o governador de Goiás, sobre a venda da casa, não há qualquer contradição. Quanto a Agnelo, o senador ultraconservador afirmou que seu partido, durante o depoimento do rival, vai ser imparcial e não vai atacar o governador do DF.

“O que tenho ouvido é uma só versão insistentemente repetida: o governador vendeu para o Garcez e recebeu em cheque. O Garcez vendeu para Walter Paulo, que pagou em dinheiro. Só há uma versão. Se é um negócio lícito ou não, certamente a CPMI terá a oportunidade de julgar quando votar o relatório final.

Não há espaço para agressão desnecessária. O questionamento tem que ser duro, todos os fatos revelados devem ser investigados e nós vamos dar oportunidade ao governador de Brasília de esclarecer todas as denúncias que pesam contra ele. Aliás, uma enxurrada de denúncias há vários anos, antes de ser governador, depois de ser governador, denúncias velhas, denúncias novas. Ele terá certamente oportunidade de responder”, disse Dias.

Em meio aos palavrórios dos membros dos dois partidos o que se pode esperar, sem qualquer dúvida, é um acordo de “cavalheiros”: “eu não te ataco e tu não me atacas. Vamos pegar leve nas perguntas.  Nada de “agressão desnecessária””. Um acordo tácito de silêncio. Nada mais que isso. Mas há uma nota que pode destoar essa preocupação dos dois partidos com seus parceiros. É a voz da representação do PSOL. É possível que um senador assim como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), com agrande atuação no Congresso Nacional, abale as muralhas erguidas pelo PT e PSDB. Irmãos siameses no caso.    

Mensalão e CPMI não devem influenciar eleições, diz professor

O professor Fabiano Guilherme Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, avalia que “mensalão e CPMI não são temas que constam no horizonte de preocupações do cidadão comum”. Segundo ele, o determinante nestas eleições municipais será a avaliação das administrações locais, variável que vem se consolidando como decisiva desde que a reeleição foi aprovada. “Eleições locais envolvem temas locais que afetam diretamente o dia-a-dia das pessoas”, defende.

Najla Passos

Brasília – Se o eleitorado brasileiro mantiver o pensamento atual, nem o julgamento do processo do mensalão e nem a CPMI do Cachoeira deverão influenciar de forma significativa as eleições municipais deste ano. De acordo com o professor Fabiano Guilherme Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), esses debates interessam apenas a um percentual da elite, considerado parte quase inexpressiva do eleitorado. 
“As pesquisas que temos observado indicam que mensalão e CPMI não são temas que constam no horizonte de preocupações do cidadão comum. Eleições locais envolvem temas locais que afetam diretamente o dia-a-dia das pessoas que convivem nos municípios”, justifica.

Em relação ao mensalão, ele acredita que uma mudança no cenário ocorrerá se as lideranças petistas, preocupadas com possíveis efeitos do processo, decidirem redimensionar as candidaturas lançadas pela sigla. 
Segundo ele, o PT, maior afetado pelo julgamento, possui grandes planos de ampliação de bases para 2012, o que o colocaria sob grande pressão. “O poder nacional da sigla não tem correspondência no âmbito dos municípios. É o maior partido nacional, com maior número de deputados, segundo maior em senadores, mas o quarto em número de prefeituras”, acrescenta.

Já a CPMI do Cachoeira, na avaliação de Fabiano Guilherme, não deverá provocar impactos significativos porque não envolve diretamente nomes colocados para a disputa. A não ser, claro, que as investigam exponham novos políticos. “Até agora, talvez o Eduardo Paes [candidato à reeleição pelo PMDB], no Rio de Janeiro, saia um pouco arranhado, por causa das suas relações com o governador Sérgio Cabral, do mesmo partido, que é citado nas investigações. Mas é um caso pontual”, avalia.

Segundo ele, a variável decisiva no debate pré-eleitoral continua sendo a avaliação das administrações locais. “Desde que a reeleição foi aprovada, a avaliação é o determinante. Se é boa, a tendência é de reeleição ou, no caso do impedimento desta, da eleição de um sucessor. Se a avaliação é ruim e o atual administrador encara a reeleição, o resultado é mais incerto. O cenário mais interessante, contudo, é quando o prefeito não pode se reeleger e não é bem avaliado. Aí, fica totalmente aberto”, avalia.

Fabiano afirma que este é o caso, por exemplo, da disputa pela prefeitura de São Paulo. “Há uma grande insatisfação com a administração atual, de centro, mas o eleitorado é reconhecidamente conservador. Portanto, o que precisa ser avaliado é se a insatisfação atual é suficiente para fazer decolar uma candidatura de esquerda”, analisa.

Para o professor, no atual momento, o que mais chama a atenção em relação às campanhas municipais é o desinteresse generalizado dos eleitores. “A campanha ainda não começou, o que comprova que elas ocorrem em período de tempo cada vez mais curto no país. Reflexo, também, da institucionalização do processo democrático brasileiro”, acrescenta.

Mensalão e CPMI O STF confirmou, na quarta (6), que o julgamento do mensalão terá início em 1/8, devendo se estender, pelo menos, até meados de setembro, já na véspera do pleito eleitoral. Pelo cronograma aprovado, serão nove sessões, até 14/8,  para as sustentações orais.  No primeiro dia, o ministro relator, Joaquim Barbosa, fará a leitura da síntese do relatório. A seguir, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, terá até cinco horas para sua manifestação.

No dia 2/8, começam as sustentações orais dos 38 réus. Cada advogado terá até 1h para apresentar a defesa no Plenário do STF, com cinco sustentações orais por dia. Em 15/8, deve começar a fase em que serão proferidos os votos dos ministros. Nessa etapa, as sessões serão realizadas três vezes por semana, às segundas, quartas e quintas. Não há previsão de quantas sessões serão necessárias para concluir o julgamento.

A CPMI do Cachoeira, instalada no dia 25/4 para investigar as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados, ainda patina. Apesar de ter sido considerada uma CPMI diferente, porque partia de investigações já realizadas pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF), enfrentou problemas jurídicos e, principalmente, técnicos para ter acesso aos milhares de documentos levantados.

Só o STF enviou à CPMI cerca de mil horas de gravações de conversas telefônicas de membros da quadrilha de Cachoeira, feitas com autorização judicial. Além das mais de 15 mil páginas de inquéritos. Até a semana passada, a exigência de senhas digitais para acesso aos documentos sigilosos atrasou o processo de análise. E a maioria dos depoentes, incluindo o contraventor Carlinhos Cachoeira, tem feito uso do direito constitucional de permanecer calado para não produzir provas contra si mesmo.

Carta Maior

Cachoeira, o empresário da comunicação

Além da influência em grandes veículos da mídia nacional, bicheiro seria dono de, pelo menos, um jornal e duas TVs em Goiás. Em gravações, ele ainda aparece negociando verbas publicitárias públicas e privadas para meios de comunicação. Segundo jornal goiano, além do Canal 5 e do jornal Estado de Goiás, Cachoeira também controlaria a agência de publicidade Maquinária e a TV comunitária do Canal 14. Todas estas empresas funcionam em um mesmo prédio, em Anápolis, também de propriedade de Cachoeira.

Vinicius Mansur

Brasília – Os documentos da Operação Monte Carlo, da Policia Federal (PF), revelam que o bicheiro negociava verbas publicitárias, inclusive oriundas de órgãos públicos, para veículos de comunicação. No dia 2 de março de 2011, às 15:58, Cachoeira é flagrado em conversa telefônica com o ex-presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso. De acordo com a PF, Cachoeria “fala sobre pagamentos a jornais e fala sobre jornal que foi contra Marconi [Perillo, governador de Goiás] (50 da Televisão local de Anápolis e 50 do jornal).”

Matéria do jornal O Globo indica que Cachoeira discutiu com Cardoso a partilha da verba publicitária do Detran, no valor total de R$ 1,6 milhão, e cobrou a fatura pelo apoio à eleição do governador. “Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós”, diz Cachoeira.

No dia 6 de julho, às 14:29, Cachoeira conversou com o então diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, sobre o pagamento de mídia através de carros. Dois pro João e um para Anápolis”, diz o documento.

A televisão a que se refere Cachoeira é o Canal 5 de Anápolis, terra natal do bicheiro. A TV foi contratada para transmitir as sessões da Câmara Municipal. De acordo com o jornal O Anápolis, a concessão do Canal 5 pertence a WCR Produção e Comunicação Ltda. que tem Carlos Antônio Nogueira, o Butina, como sócio majoritário, com 98 % das quotas.
Butina aparece em diversas conversas na investigação da PF que o aponta como “um possível laranja” de Cachoeira. Em 26 de abril, às 14:46, “Carlinhos orienta Botina sobre o que publicar na capa do jornal no dia seguinte“. No dia 29, às 10:47, “Botina pede orientação sobre reportagem no jornal relacionado a problemas entre Fernandinho e a Prefeitura de Anápolis”. No dia 8 de julho, às 11:21, Butina avisa ao bicheiro que “tem uma empresa que quer anunciar, colocar um jornalista pra fazer um trabalho e tal, tal, tal“ e diz que “se for uma proposta decente, aí eu converso com você”.

Segundo O Anápolis, a WCR passou a publicar o Jornal Estado de Goiás a partir de fevereiro de 2009, depois que Cachoeira adquiriu 50% da empresa. Ainda segundo o jornal goiano, além do Canal 5 e do jornal Estado de Goiás, Cachoeira também controlaria a agência de publicidade Maquinária e a TV comunitária do Canal 14. Todas estas empresas funcionam em um mesmo prédio da cidade de Anápolis, na Avenida JK, 2343, também de propriedade de Cachoeira.

Os documentos da Monte Cartlo informam que no dia 4 de julho, às 15:20, “Carlinhos confirma ao Senador Ataides que é dono do Jornal O Estado de Goiás“. Durante a conversa, Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), que é primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e chegou a assumir o mandato por meses, pediu a Cachoeira “acesso ao seu jornal que hoje é tão bem lido“ .

Outros negócios Pagamentos ao jornal Opção também são citados por Cachoeira em algumas ligações interceptadas pela Monte Carlo. Em uma delas, em 8 de fevereiro de 2012, às 17:58, Geovani, tido pela PF como tesoureiro do esquema, informa ao bicheiro que já era o sexto pagamento feito ao jornal apenas naquele mês.

Em 12 de agosto de 2011, às 14:54, o tesoureiro de Cachoeira é flagrado conversando sobre o pagamento de R$ 15 mil ao jornal Diário da Manhã No dia 2 de maio de 2011, às 18:10, Cachoeira conversa com o Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran, sobre a”quisição de jornal”. No dia 5 do mesmo mês, ele informa a Cardoso que “conseguiu fazer o negócio do jornal naquele valor“. Entretanto, não fica claro a que veículo eles se referem.

Carta Maior

DEPUTADO PROTÓGENES REBATE DEPUTADO DO PT, AMAURI TEIXEIRA, QUEA APRESENTOU PARECE CONTRA ELE

O deputado Amauri Teixeira (PT/BH) apresentou no Conselho de Ética da Câmara, parecer pela admissibilidade de abertura de processo de quebra de decoro parlamentar contra o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB/SP) que é membro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu bando no dia 29 de fevereiro, por força das operações Vegas e Monte Carlo deflagradas pela Polícia Federal.

A representação contra o deputado comunista foi feita diretamente pelo partido retrógrado, PSDB. Demonstração clara de que na CPMI tem momentos que não sabe quem é oposição e situação, porque ambas atuam em alguns momentos juntas para defender seus interesses.

O deputado petista apresentou parecer pela admissibilidade de abertura de processo contra Protógenes argumentando que ele aparece em uma conversa com o delator e espião, Dada, braço direito de criminalidade do mafiosos Carlinhos Cachoeira. Mas ao mesmo tempo se contradiz, afirmando que as gravações são “frágeis” e não justificariam quebra de decoro.

“Encaminhamos nosso parecer pela admissibilidade. Não quer dizer que estamos concluindo pela quebra de decoro ou não. Apenas aceitamos que a representação obedece aos pressupostos normais, está de acordo com regimento interno da Câmara e do Conselho de Ética. Além disso, também há indícios, que são as ligações do Protógenes com o Dada”,disse Teixeira, relator do pedido.

Se em entrevista Teixeira tentou ponderar, em seu relatório quis implicar o deputado Protógenes.

“Um parlamentar não pode agir, como tudo indica, tem agido o deputado Protógenes Queiroz, mantendo relacionamento próximo com um notório contraventor e, pior, o auxiliando diante das investigações levadas a cabo pela Polícia Federal”, diz trecho do parecer.

Mas Protógenes não deixou por menos. Mandou seu recado rebatendo a posição dúbia, mas importante para a direita, do parlamentar. Protógenes disse que recebia com respeito e tristeza a decisão de Teixeira, e que a decisão é uma tentativa de desviar a atenção da sociedade em relação à Delta, e que Teixeira estar irmanado com o PSDB.

“Recebo com respeito e tristeza o parecer do deputado Amauri Teixeira, do PT. Contraria os depoimentos dos delegados e documentos que me inocentam. Vou me defender.

Talvez o erro ético maior foi requerer a CPMI do Cachoeira e revelar os ladrões desta República e aqueles que se revelam no processo.

Um passarinho me contou agora que o deputado Amauri Teixeira, do PT, cumpriu tarefa do PT em acordo com o PSDB. Querem desviar o foco da corrupção da Delta.

Recebi alguns telefonemas de colegas do PT falando que o parecer do deputado Amauri, do PT, foi uma traição”, observou Protógenes.

Não precisava nem Protógenes constatar a posição do deputado Teixeira. É evidente que trata-se de um personagem daquela banda da CPMI que pretende que entre os acusados ligados aos dois partidos, PT e PSDB, escapem todos. Personagens fortemente tendenciosos.

DONO DA FACULDADE PADRÃO, WALTER SANTIAGO, DISSE QUE PAGOU A CASA DE PERILLO EM DINHEIRO, MAS NÃO SABE DE ONDE VEIO

O dono da Faculdade Padrão, usando de sua faculdade padrão,Walter Paulo Santiago, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de Carlinhos Cachoeira, preso em 29 de fevereiro com seu bando por força das operações Vegas e Monte Carlo desencadeadas pela Polícia Federal, negou que tivesse feito negócio com o contraventor e que comprou a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo do PSDB, por R$ 1.4 milhão, e pagou em dinheiro com notas de R$ 50 e R$ 100 emprestadas, mas não sabe de quem.

O inquérito da Policia Federal mostra que a casa foi paga com três cheques assinados por Leonardo Almeida Ramos, sobrinho do mafioso. O homem do padrão nega conhecê-lo. 

O dono da Faculdade Padrão, que é tido pela Policia Federal como o homem que intermediou a venda da casa para Carlinhos Cachoeira, local onde o mafioso foi preso, recorrendo a um padrão já conhecido, bem usado por tipos como ele, com seu depoimento contrariou o depoimento de Perillo que já havia afirmado que ao vender a casa recebera o pagamento em forma de cheques.

Santiago disse que comprara a casa para presenteá-la a sua filha quando essa casasse. Segundo ele a casa foi comprada por ele, em nome da Empresa Mestra, de propriedade de Écio Ribeiro.

“Não paguei com cheques. Paguei com notas exclusivas de R$ 50 e R$ 100. Entreguei o dinheiro ao senhor Wladimir Garcez e ao senhor Fiuza.

O imóvel foi adquerido como investimento para a empresa. E, futuramente, quando minha filha fosse se casar, o imóvel, eu poderia dar a ela como presente de casamento, acertando a dívida com a empresa”, disse o homem do padrão.

Mas seu depoimento não apenas se mostrou contrário ao do governador amigo de Carlinhos Cachoeira. Se mostrou contrário também ao depoimento do ex-vereador Wladimir Garcez, que em depoimento na CPMI, no dia 24, afirmou ter comprado a casa e depois ter revendido ao homem padrão.

“Eu comprei a casa do governador Marconi Perillo. Ele [Gracez] me disse que a casa era do governador. Ele, inclusive, durante o tempo que estava lá, falava ao telefone dizendo que era com o governador”, disse.

O certo mesmo é que o depoimento do homem padrão aumentou a preocupação do pessoal do PSDB. A partir de agora, seu depoimento na próxima semana, cria mais expectativas. E nesse diz que diz que o pagamento foi assim, e não foi, o certo mesmo é que o mafioso foi preso na casa que fora do governador, e em um valor nada doce.

NO MEIO DE NOTÍCIAS BOAS PARA A TURMA DE CACHOEIRA UMA DESTOA: FOI MANTIDA A QUEBRA DE SIGILOS DA DELTA

A segunda-feira – nada dominical – foi boa para o bando do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal, em 29 de fevereiro com seu bando, como resultado das operações Vegas e Monte Carlo. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, decidiu pela permanência do mafioso no presídio da Papuda, em Brasília. A Procuradoria-Geral da República havia pedido para que ele voltasse para a prisão de segurança máxima , Presídio Federal de Mossoró, no Rio grande do Norte, argumentando que ele na Papuda poderia manter relações com membros de seu bando e conturbar o andamento do processo.

Outra boa notícia para o bando de Cachoeira, foi a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que a ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo, Eliane permaneça calada durante depoimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Acusada de repassar informações sigilosas de operações policiais a aliados políticos do mafioso, Eliane, é co-investigada no esquema de Carlinhos Cachoeira. Mesma sorte jurídica teve a professora Sejana Martins, acusada de ser “laranja” no esquemão do contraventor Carlinhos Cachoeira, ela foi beneficiada pela liminar concedida pelo ministro Luiz Fux, da STF, para se manter calada na CPMI.

Completando as notícias boas para o bando dos meliantes de Cachoeira, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu, por unanimidade, habeas corpus ao espião-dedoduro, sargento da Aeronáutica, Idalberto Matias de Araújo, vulgo Dadá. Dadá é considerado personagem importantíssima do bando. Segundo dados das investigações realizadas pela Polícia Federal, era ele quem comandava o operante serviço de espionagem do bando e tecia as corrupções de policiais e servidores públicos e privados. 

Contrastando com as boas notícias para o bando de Cachoeira, a ministra Rosa Weber, do STF, relatora do mandado de segurança que tentava impedir a quebra de sigilo da empresa Delta Construtora, negou o pedido.

A ministra Rosa Weber, determinou prazo de dez dias para que a CPMI preste informações sobre o caso e abertura de prazo para manifestação do Ministério Público Federal. 

A toga, a língua e o caçador de blogs

Escudado na proteção republicana da toga, o ministro Gilmar Mendes desnudou uma controversa agenda política pessoal na última semana de maio. Onipresente na obsequiosa passarela da mídia amiga, lacrou seu caminho na 6ª feira declarando-se um caçador de blogs adversários de suas ideias e das ideias de seus amigos. Em preocupante equiparação entre a autoridade da toga e a arbitrariedade da língua, Gilmar decretou serem inimigos das instituições republicanas todos aqueles que contestam os seus malabarismos discursivos, a adequar denúncias a cada 24 horas, num exercício de convencimento à falta de testemunhas e fatos que as comprovem.

A fragilidade desse discurso impele-o agora ao papel de censor a exigir da Procuradoria Geral da República, e do ministro Mantega, que sufoque blogs adversários asfixiando-os com o corte da publicidade oficial. Sobre veículos que incluem entre suas fontes e ‘colaboradores informais’, notórios acusados de integrar quadrilhas do crime organizado, o ministro nada observa em relação à presença da publicidade oficial. Cabe ao governo Dilma dar uma resposta ao autonomeado censor da República.

O ataque da língua togada contra a imprensa crítica não é aleatório. O dispositivo midiático conservador vive em andrajos de credibilidade e pautas. A semana final de maio estava marcada para ser um desses picos de desamparo, na despedida humilhante de seu herói decaído. E de fato o foi: em depoimento no Conselho de Ética do Senado, na 3ª feira, o ex-líder dos demos na Casa, Demóstenes Torres, deixaria gravado no bronze dos falsos savonarolas  a lapidar confissão de que um chefe de quadrilha pagava as contas, miúdas, observaria,  de seu celular.  E ele, o centurião da moralidade, a direita linha dura assim cortejada pela língua togada e pelo aparato conservador  –quem sabe até para vôos maiores em 2014–, não viu nenhum tropeço ético nesse pequeno mimo que elucida todo um perfil.

O fecho de carreira do tribuno goiano contaminaria as manchetes que ele tantas vezes  ancorou  à direita não fosse a providencial intervenção da língua amiga do ministro do STF, Gilmar Mendes. Na mesma 3ª feira desde as primeiras horas da manhã, lá estava ela a falar pelos cotovelos. Diuturnamente,  contemplou a orfandade da mídia amiga naquele dia cinzento. A cada qual ofereceu uma frase brinde para erguer a moral da tropa e justificar a manchete com o carimbo ‘exclusivo’ no alto da página. Não se poupou. O magistrado, não raro em destemperados decibéis, esfregou na opinião pública recibos e documentos que comprovariam o pagamento, com recursos próprios –‘tenho-os para umas três voltas ao mundo’– de seu giro europeu, em abril de 2011, onde se encontraria com o herói decaído da linha dura, Demóstenes Torres.

Sua língua foi peremptória em alguns momentos, na mais pura tradição liberal que o distingue: ‘Vamos parar com essas suspeitas sobre viagens”, determinou. Para depois admitir em habilidosa antecipação: por duas vezes utilizou carona aérea do  amigo Demóstenes; por duas vezes voou sob os auspícios do amigo que não possui veículo aéreo próprio; do amigo que não paga nem as  contas de celular. Contas miúdas, diga-se, a revelar um vínculo orgânico com a ubíqua carteira gorda de acusados de integrar o condomínio criminoso goiano.

Gilmar estava determinado a servir de redenção ao dispositivo midiático demotucano num dia tão aziago. Não desapontou amigos, ainda que tenha escandalizado parte do país. Ofensivo, execrou blogs e sites críticos  — esses sim, bandidos e gangsters– que arguiram e ainda arguem  as fronteiras da  identidade de valores que aproximou o magistrado do senador decaído.

Fez mais ainda: acusou Lula de ser a central de boatos contra  ele para ‘melar o julgamento do mensalão’ –como se o ex-presidente Lula não pudesse, não devesse ter opinião sobre fatos relevantes da vida política nacional –prerrogativa que outras togas mais  serenas não contestam e legitimam. Ao jornal O Globo, na linha da frase à la carte, facilitou a manchete  pronta para dissolver a terça-feira de cinzas do conservadorismo: ‘O Brasil não é a Venezuela onde Chávez manda prender juiz’. O diário retribuiu a gentileza em manchete garrafal de duas linhas no alto da página. Um contrafogo sob medida à humilhante baixa no Senado. Incansável, a língua foi provendo xistes e chutes a emissários de redações sedentas, mas cometeu alguns deslizes.

Esqueceu que um pilar de  sua versão sobre a famosa conversa com Lula –origem de toda celeuma que descambou em ataque à liberdade de imprensa–  residia nos pequenos detalhes que emprestam veracidade ao bom contador; um deles, o cenário: a cozinha. Teria sido naquele recinto profano do escritório do ex-ministro Nelson Jobim, abrigado de qualquer solenidade  e sem a presença do anfitrião, que ocorrera o assédio moral inesperado  de um Lula chantageador contra um Gilmar irretocável.

Quadro perfeito. Exceto pelo fato de não se sustentar nem mesmo no matraquear do interessado. Sim, o mesmo magistrado suprimiu o precioso cenário despido de testemunhas na versão apresentada ao jornal Valor do dia 30-05 quando afirmou literalmente: ‘Jobim esteve presente durante todo o tempo’. Como? E a cozinha? E a privacidade a dois que lubrificou o assédio de um Lula irreconhecível? 
Evaporou-se: Jobim estava presente o tempo todo, afirmou o narrador em contradição ostensiva. Mas por um bom motivo: desferir no ex-ministro de FHC e ex- presidente do STF uma punhalada em retribuição ao desmentido categórico do anfitrião para seu relato original do episódio à indefectível VEJA. No mesmo Valor, Gilmar insinuaria contra Jobim uma suspeita de cumplicidade com Lula por ter lançado na mesa o nome de um desafeto: Paulo Lacerda. Ex-dirigente da ABIN, Lacerda foi demitido em 2008 depois que Gilmar denunciou suposta escuta da PF, nunca comprovada, em seu escritório. Só na 5ª feira o entendimento da investida contra Jobim ficaria completo: Serra, o candidato predileto do conservadorismo, amigo de Gilmar e de outros da mesma cepa, prestou-se à colaborar com Veja;  desinteressadamente, a exemplo do que tantas vezes o fez também o colaborador Dadá, aparaponga de aluguel do esquema Cachoeira. Serra incitou o amigo Jobim a falar com a revista sobre o encontro.

Surpreendido pela trama Jobim tirou a escada de VEJA e deu troco duplo: desmentiu Gilmar no Estadão e confirmou a Monica Bergamo, da Folha,  o que tantos sabem: Serra não falha; sua biografia de bastidores está, esteve e estará sempre entrelaçada a golpes e denúncias que  contemplem a regressividade udenista da qual VEJA constitui a corneta mais atuante e Gilmar o novo expoente da linha de frente lacerdista. Diante do maratonismo verbal não sobraria fôlego aos jornais e jornalistas amigos para conceder ao leitor um pequeno espaço de reflexão sobre a momentosa semana final de maio, pausa todavia ainda mais necessária à medida em que versões assentam e dúvidas emergem em contornos mais nítidos.  Ademais da evanescente cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim, outros pontos de dissipação merecem retrospecto. Por exemplo:
a) a reportagem publicada por Carta Maior no dia 29-04 ” Cachoeira arruma avião para Demóstenes e ‘Gilmar’ –com aspas por conta da identificação incompleta do ilustre viajante e um dos motivos da fluvial verborragia togada, não tratava de pagamento de vôo a Berlim pelo esquema Demóstenes/Cachoeira;
b) o texto, conciso e claro baseado em escutas públicas da PF teve como foco uma ‘carona aérea’ no trecho SP-Brasília, solicitada ao esquema Cachoeira para o dia 25-04 de 2011;
c) as tratativas telefônicas da quadrilha Cachoeira apontam que os passageiros da carona viriam da Alemanha e seriam, respectivamente, Demóstenes e ‘Gilmar’ ;
d) a data da chegada a São Paulo é a mesma do retorno informado pelo próprio Gilmar Mendes em seu rally jornalístico;
e) o horário de chegada do seu vôo originário da Alemanha guarda proximidade com aquele informado à quadrilha. Essas as coincidências notáveis. A partir daí os fatos e comprovantes apresentados por Gilmar Mendes desmentem que ele tenha utilizado a dita carona solicitada à quadrilha, fato que  Carta Maior noticiou imediatamente após os esclarecimentos do magistrado. O desencontro entre essas evidências e as providencias tomadas pela quadrilha Cachoeira, todavia, autoriza uma indagação que não se dissolve no aluvião verborrágico da semana, a saber:  quantos Gilmares havia em Berlim com Demóstenes Torres? E, mais que isso: quem seria o ‘Gilmar’ cuja inclusão na carona, aparentemente desativada, não causou qualquer surpresa a Cachoeira, que nas escutas reage à menção do nome e da presença como algo se não habitual, perfeitamente compatível com a extensão de seus tentáculos e zonas de influência?

Carta Maior reserva-se o direito de continuar  praticando um jornalismo crítico e auto-crítico, comprometido única e exclusivamente com a democracia e as aspirações progressistas da sociedade brasileira, abraçadas pela ampla maioria de seus leitores. Isso naturalmente a coloca na margem oposta  daqueles que até ontem consideravam Demóstenes Torres, seus valores, agendas, contas de celular e caronas em jatinhos uma referência ética e republicana.

Fiel aos compromissos Carta Maior cumpre a obrigação de manter em pauta algumas perguntas ainda sem resposta satisfatória: quantos gilmares havia em Berlim? Quantos gilmares havia no escritório de Jobim (um na cozinha e um na sala)? E, ainda mais urgente, quantas ameaças de fuzilamento da liberdade de expressão serão necessárias para que os partidos democráticos e o governo tomem a iniciativa  de desautorizá-lo? Não só em palavras, mas sobretudo na impostergável democratização da publicidade oficial, antes que novos e velhos caçadores de jornalistas consigam transformá-la em  mais um torniquete  da pluralidade de opinião.

por Saul Leblon

DEMÓSTENES CHEGA NA CPMI, CALA E CONSENTE, SEGUNDO DEPUTADO

Como até os minerais já sabiam, como escreve o jornalista/filósofo Mino Carta,  Demóstenes Sem Partido Torres, amicíssimo – hoje ele diz que não – do mafioso Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, preso com seu pernicioso bando desde o dia 29 de fevereiro por obra da Operação Monte Carlo deflagrada pela Polícia Federal, chegou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), olhou para os presente com ar deprimido, emitiu algumas curtas palavras relativas ao seu direito constitucional, calou e consentiu. Demóstenes usou de seu direito de se manter calado para não se comprometer mais do que já se encontra comprometido com o esquema de corrupção comandado por seu preclaro amigo – ele diz que não – Carlinhos Cachoeira.

Se Demóstenes acreditava que seu silêncio iria calar também os parlamentares presentes, da mesma forma que do tratamento que teve quando de seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, errou quadradamente de perspectiva/esperançosa. Os parlamentares não gostaram nada de sua mudez. Já se encontravam tiririca com a mudez de seu patrão, Carlinhos Cachoeira, quando de sua ida a CPMI.

Coube exatamente ao deputado Sílvio Costa (PTB/PE) o papel de exaltar os ânimos pela falta de verbo do senador ex-campeão da moral do Parlamento. Se o senador, ex-DEM, já estava deprimido, com a interferência do deputado ele passou ao afeto temeroso.

Sílvio Costa chamou o senador de mentiroso, que seu silêncio mostrava sua culpa e ainda se deu ao luxo de traçar lances teológicos.

O senhor passou cinco horas no Conselho de Ética e não conseguiu se explicar. Mas, aqui, com cinco minutos, o senhor explicou tudo. O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa.

O senhor apelou para Deus, se disse carola, mas o senhor não vai para céu porque o céu não é lugar para mentiroso, não é lugar de gente hipócrita”, mandou ver o deputado, enquanto o senador se encolhia, talvez preocupado com sua ida ou não para o céu.

Mas, uma coisa é certa, se houver, como os fervorosos propagam,um lugar para onde se vai, o senador, em função de sua democracia, vai ter grandes companhias nesse lugar. Daqui do Amazonas terá inúmeras companhias.

Mas o senador teve um socorro pontual. O senador Pedro Taques (PDT/MT), se dizendo amparado pelas diretrizes constitucionais, admoestou o deputado por sua intervenção.

Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição Federal, que afirma que o cidadão, seja lá quem for, merece respeito. Fui procurador da República por mais de 15 anos e tenho a convicção de que um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade”, interferiu Taques, permitindo um momento de calma ao senador.

 Com as palavra de Taques, contra Sílvio, o ranger de dentes começou entre eles. O deputado afirmou que o senador Taques encontra-se comprometido em articular companheiros para conseguir que Demóstenes não seja cassado, visto que caso isso aconteça – o que espera a democracia real – ele será preso, pois não tem mais mandato. Fato que o senador ex-campeão da moral teme.

Tenho certeza que o Senado brasileiro vai cassá-lo por 80 votos a favor. Espero que o senador Pedro Taques, que hoje mostrou que poderá ser um voto para absolvê-lo, repense o voto e vote pela cassação”, afirmou Sílvio.

Foi então que o presidente da CPMI, para arrefecer os ânimos dos dois litigiantes, Vital Rego, encerrou a sessão. 

Enquanto isso, depois de alguns membros da CPMI – principalmente do PT – liberarem o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de depor, o presidente da comissão datou os dias dos depoimentos dos governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distro Federal. O primeiro deporá no dia 12, e o segundo no dia 13.

VÍDEO MOSTRA QUE O CHAMADO “MENSALÃO” FOI CRIAÇÃO DO MAFIOSO CARLINHOS COM PATRIOCÍNIO DA MÍDIA NAZIFASCISTA

PSOL PROTOCOLA NA PGR REPRESENTAÇÃO CONTRA GILMAR MENDES, E FUNCIONÁRIO PÚBLICO PEDE SEU IMPEACHMENT

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou pedido de representação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por sua suposta conversa com o ex-presidente Lula.

O controvertido ministro, que já foi citado por seu companheiro de Corte, Joaquim Barbosa, como pessoa que adora aparecer na mídia, pautou a nazifascista revista Veja afirmando que Lula, no escritório do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia lhe pedido para interceder no julgamento do chamado mensalão para ocorresse somente depois das eleições.

O partido socialista, em sua representação, considera a atitude do ministro falastrão de “bastante questionável”. O partido pede a investigação dos fatos e, caso seja comprovado conduta indevida, que as medidas cabíveis sejam adotadas pela PGR, nos âmbitos administrativo, civil ou penal.

Por sua vez, o funcionário público Cícero Batista Araujo Rola, no Senado, protocolou BA Presidência da Casa, o pedido de impeachment do ministro pautador da nazifascista revista.

“Sou um cidadão indignado e não posso aceitar que, na mais alta Corte do país, um ministro esteja sob suspeição”, sentenciou Cícero.

É a segunda vez que o funcionário público, Cícero Rola, entra, no Senado, com pedido de impeachment do ministro amigo do senador Demóstenes Sem Partido Torres. A primeira vez o pedido teve como motivo o fato de Gilmar Mendes conceder dois habeas corpus, em menos de 48, ao criminoso banqueiro Daniel Dantas, preso pela Operação Satiagraha comandada pelo insigne delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal pelo PCdoB/SP.

Procurado por jornalistas para falar sobre a representação e o pedido de impeachment, como era de se espera, o ministro mandou dizer por sua assessoria que não iria se pronunciar.

Enquanto isso, a CPMI analisa possibilidade da convocação do ministro pautador da mídia nazifascista para depor e explicar seu encontro com o senador Demóstenes Sem Partido Torres, em Berlim e o uso de aviões. Pesa ainda sobre o ministro pautador, a provável influência dele sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para quês este não abrisse ação penal contra Demóstenes, amicíssimo do mafioso Carlinhos Cachoeira, Torres no STF, depois de receber, em 2009, os dados da Operação Vegas.

COM AJUDA DE PARTE DO PT CABRAL ESCAPA DE DEPOR NA CPMI, MAS OS GOVERNADORES AGNELO E PERILLO NÃO

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) votou ontem a convocação dos três governadores Sergio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro, Agnelo Queiroz (PT/DF) do Distrito Federal e Marconi Perillo (PSDB/GO). Todos citados nas gravações realizadas pela Policia Federal na Operação Monte Carlo.

Entretanto, os membros da CPMI na votação resolveram convocar apenas dois. Os governadores Marconi Perillo de Goiás e Agnelo Queiroz do Distrito Federal. O governador de Goias foi convocado por unanimidade, e o governador do Distrito Federal com 16 votos a favor e 12 votos contra. Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contando com ajuda de parte de membros do PT, conseguiu escapar. Na votação, 17 parlamentares foram contra sua convocação e 11 favoráveis.

A suspeita da relação de Sérgio Cabral com Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, vem através de sua estreita relação com o proprietário da empresa Delta Construtora, que matem obras no Rio de Janeiro, e encontra-se envolvida com o mafioso. A não convocação de Sergio Cabral já havia sido demonstrada pelo deputado do Partido dos Trabalhadores, Cândido Vaccarezza, membro da CPMI, que em reunião passada lhe enviou mensagem confortando-o como companheiros.

Momentos antes da votação os parlamentares discutiram acirradamente. Alguns, os chamada oposição, queriam que a votação fosse em bloco, que todos os governadores fossem tratados da mesma forma, e os da base do governo, acreditando que Agnelo tem menos implicação do que Perillo com o contraventor, Carlinhos Cachoeira, queriam em separado. E assim ocorreu.

E foi nessa jogada que Sergio Cabral escapou, comprovando a parcialidade da CPMI.

Gilmar agora insinua traição de Jobim

Gilmar Mendes, no Valor de hoje, insinua que pode ter sido traído por Nelson Jobim no encontro entre os dois e o ex-presidente Lula, a quem atribui constrangimento por afirmações sobre o julgamento do mensalão e suas relações com Demóstenes e Cachoeira. Gilmar Mendes vai adaptando a história à medida em que ela perde consistência:

a) ‘esqueceu’ e ninguém mais o questiona sobre a versão original oferecida a Veja, cabalmente desmentida por Nelson Jobim, de que a conversa com Lula teria sido apenas entre os dois, na cozinha do escritório de Jobim, sem a presença deste;

b) ao Valor, diz textualmente que Jobim participou de ‘toda a conversa’;

c) ao Globo, ontem, alivia as afirmações sobre Lula (ele está sob pressão) ao mesmo tempo em que acusa o ex-presidente de ser uma central de boatos sobre suas relações com Demóstenes e Cachoeira;

d) mais ainda: insinua que Jobim (Jobim que foi ministro de FHC, um conservador atritado com o PT) pode tê-lo atraído para uma armadilha.

Veja o trecho da entrevista ao Valor, desta 4ª feira:

Valor: O nome do Paulo Lacerda (ex-dirigente da ABIN demitido após uma denúncia nunca comprovada de Gilmar, que diz não ter ‘tradição de desmentidos’, sobre escutas em seu gabinete no STF) foi mencionado na conversa?

Mendes: Nessa conversa, Jobim perguntou: e Paulo Lacerda? Agora, as coisas passam a ter sentido.

Valor: Seria uma demonstração de que se tratava de chantagem?

Mendes: Pode ser. Interpretem como quiser.

Valor: Ou seja, que o próprio Jobim participou de uma tentativa de chantagem?

Mendes: Era uma conversa absolutamente normal, nós repassamos vários assuntos. Nós falamos sobre o Supremo, recomposição do Supremo, PEC da Bengala, a má articulação hoje entre o Judiciário e o Executivo. O Jobim participou da conversa inteira. Nesse contexto, cai uma ficha.

Valor: Que ficha caiu, de que seria uma estratégia?

Mendes: Isso é possível, vamos constrangê-lo com Paulo Lacerda. Não sei se é isso”.

Por Saul Leblon

Carta Maior

“Não sabia das atividades ilegais de Cachoeira”, diz Demóstenes

Em depoimento à Comissão de Ética, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) reafirmou a relação de amizade com Carlinhos Cachoeira, mas insistiu que não sabia das atividades ilegais do contraventor. Disse que o procurador-geral da República prevaricou, confirmou as relações de Cachoeira com Policarpo Junior, da Veja, e explicou o encontro com o ministro Gilmar Mendes na Europa. Mas parece não ter convencido os colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Najla Passos

Brasília – O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) que se apresentou ao Conselho de Ética do Senado, na manhã desta terça (29), não lembrava nem de longe o homem altivo que, meses atrás, ocupava o posto de paladino da ética do parlamento. Abatido, cabisbaixo, falou sobre o sofrimento da família, a depressão que o acometera, os remédios controlados que já não o fazem dormir, a fuga dos amigos. Ressaltou que só está suportando o que chamou de “o maior massacre da história” porque reencontrou Deus. Mas, mesmo após 5:30 horas de debates em que lhe foi assegurado o mais amplo direito à defesa, parece não ter convencido aos colegas da sua inocência. Os questionamentos foram duros.

Demóstenes reafirmou a relação de amizade com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF). Mas negou categoricamente que soubesse das atividades ilegais do amigo. “Eu não tinha lanterna de popa. O que eu sabia naquele momento era que eu me relacionava com um empresário que também tinha relações com cinco governadores e dezenas de outros parlamentares”, disparou.

Pegadinha
Ele relatou que tinha conhecimento de que Cachoeira operava jogos em Goiânia quando isso era legal, na segunda metade da década de 1990. Contou que, mais recentemente, chegou a “jogar verde” para saber se o contraventor continuava operando jogos de azar, ao “inventar” uma suposta operação conjunta da PF com o Ministério Público (MP), que nunca ocorreu, para ver como ele iria reagir. Segundo Demóstenes, ele disse à Cachoeira que havia recebido a informação de um jornalista de Goiás, conhecido de ambos. “Ele ficou apavorado”, afirmou, contradizendo-se.

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo que pode levar à cassação do mandato de Demóstenes, desmentiu a história. “O delegado da PF disse aqui que essa operação foi armada para descobrir quem vazava informações para Cachoeira”, disse ele, contestando a versão de que fora “inventada” por Demóstenes para “jogar um verde”.

Clube Nextel
O senador admitiu que recebeu um telefone celular Nextel do contraventor. Afirmou desconhecer que o mesmo “presente” fora dado a outros membros da quadrilha, o chamado ‘Clube Nextel’. “Não faço parte do grupo. Recebi e, por comodidade, fiquei com ele”.

Questionado pelo relator, reconheceu que a conta, provavelmente, era paga por Cachoeira. “Uns R$ 50, pagos nos Estados Unidos”, minimizou. Disse também não ter visto, naquele momento, problema ético em um homem público ter a conta de seu celular paga por um reconhecido contraventor. “Eu desconhecia as atividades ilegais dele”, sustentou.
Dinheiro sujo

O parlamentar negou ter recebido quaisquer valores da quadrilha de Carlinhos Cachoeira ou mesmo da empresa Delta. Nas gravações, há referências a quantia de R$ 20 mil e, em outro momento, a de R$ 1 milhão de reais. Na denúncia formulada ao STF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fala em possíveis R$ 3,1 milhões, no total.

À Comissão, Demóstenes apresentou a quebra do sigilo das suas duas contas bancárias. Questionado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), disse que não possui outras contas, que nunca recebeu dinheiro via conta de terceiros e nem valores em espécime.

Delta Construções
Ele negou ser sócio oculto da empresa Delta: “Se há um sócio oculto, vocês precisam procurar com uma lupa maior”, ironizou. Ele disse que nunca participou de reuniões na sede da empresa e negou conhecer o dono da construtora, Fernando Cavendish. “Como posso ser sócio de alguém que nem conheço?”

Procurador-geral
Provocado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Demóstenes criticou veementemente a postura do procurador-geral da Repúbica, Roberto Gurgel, que, segundo ele, não deu o encaminhamento correto à Operação Vegas, realizada pela Polícia Federal (PF) em 2009, que já apontava suspeitas das suas relações com a quadrilha de Cachoeira.

Para o acusado, o procurador tinha, em função do princípio da obrigatoriedade, três alternativas: pedir arquivamento, oferecer denúncia ou requerer novas diligências. “Ele prevaricou, que significa praticar ou retardar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal. A improbidade administrativa é evidente. Mais dia menos dia, o procurador-geral terá que explicar porque agiu como agiu”, cobrou.

Os algozes
Demóstenes sustentou o tempo todo que as acusações contra ele têm como base documentos obtidos ilegalmente, vazados aos poucos, de forma orquestrada, para resultar na sua completa desmoralização. “As gravações são evidentemente ilegais. Fui investigado de forma ilegal, o que coloca em risco a democracia no Brasil. Se o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar essas provas, nós vamos viver numa republica comandada por delegados e procuradores do Ministério Público. E isso é perigoso”.

Quando questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-DF) sobre quem seriam os algozes dessa suposta orquestração contra ele, foi categórico: “Os delegados de Polícia e membros do Ministério Público, para criar um estado policialesco no Brasil”.

Gilmar Mendes
Demóstenes confirmou a versão já divulgada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, de que a relação existente entre eles é apenas de cordialidade e profissionalismo. Mas não desmentiu que frequentou festas da família do ministro. E confirmou que se encontrou com ele no exterior, em abril do ano passado. “O ministro Gilmar Mendes, se não me engano, foi participar de uma jornada acadêmica em Granada [Espanha]. Eu estava em Praga [república Tcheca]. Nos encontramos em Praga e fomos juntos, de trem, para Berlim [Alemanha]. Ficamos lá um tempo. Eu voltei para o Brasil em um voo e o ministro em outro”.

Conforme o senador, só ele pegou carona do avião providenciado pela quadrilha de Cachoeira. “Como eu ia chegar cedo e tinha trabalho, eu pedi ao Rossini [empresário]. Eu utilizei o avião. E não o ministro Gilmar Mendes. Eu utilizei aviões de várias pessoas no Estado de Goiás, empresários e amigos. Não usei do Cachoeira porque ele não tem”, acrescentou. Demóstenes afirmou também que Cachoeira não participou do encontro dele com Mendes na Europa.

Revista Veja
O parlamentar confirmou que Cachoeira era fonte habitual da revista Veja. “O que sei é que o Cachoeira era fonte de Policarpo [Policarpo Junior, diretor da revista em Brasília]. Nunca encontrei os dois ao mesmo tempo, mas tinha conhecimento disso. Agora o desdobramento ético em relação a isso tem que ser verificado”, disse Demóstenes.

Ajuda dos amigos
Indagado por Taques, Demóstenes confirmou que o colega foi em sua casa, em março, na companhia de Randolfe, cobrar que ele se explicasse sobre as denúncias contra ele que começavam a pipocar na imprensa. “É verdade. Os dois me ajudaram, inclusive, a redigir o discurso que fiz na tribuna do Senado”, acrescentou.

Sobre a veracidade das explicações prestadas no discurso, em que afirmava manter relação apenas de amizade com Cachoeira, foi evasivo. “Falei com base nas informações divulgadas até aquele momento. Não sabia das denúncias que viriam a seguir”.

Estratégia?
Questionado pelo senador Anibal Diniz (PT-AC) se o fato dele falar do sofrimento imposto à família e invocar de deus não seria uma estratégia de defesa, o acusado negou. “Ninguém pode usar o nome de Deus como estratégia de defesa. Sou um carola, senador. Já era antes por causa da minha mãe. Confesso que nesse tempo fiquei meio perdido”, rebateu.

Processo
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou, ao final da sessão, que todos conhecerão sua avaliação sobre a defesa em, no máximo, três semanas, quando apresentará seu parecer. Costa prevê que o processo será encerrado antes mesmo do recesso parlamentar, que começa em julho. “Não posso falar sobre minha versão agora. Vou levar em consideração todas as colocações que foram feitas para formular meu juízo. Daqui há mais ou menos três semanas vocês vão ter a minha posição”, disse à imprensa.

Costa considerou a sessão bastante produtiva. “Foram muitas informações, muitas indagações. A própria defesa dele reconheceu vários fatos”, completou.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon (Agência Brasil)

Carta Maior

Época teve ciúme da relação dos homens de Cachoeira com Veja, diz Dadá

Em ligação interceptada pela Polícia Federal, o braço direito de Carlinhos Cachoeira, Dadá, chamou o jornalista da revista Época de ciumento e revelou cobrança que sofreu: “Seu amigo aí não colabora com a gente, só colabora com a Veja”. Em resposta à reportagem da revista Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira.

Vinicius Mansur

No último final de semana, uma reportagem da revista Carta Capital mostrou como Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela Polícia Federal (PF) como braço direito do bicheiro Carlos Cachoeira, negociou com a revista Época, pertencente às Organizações Globo, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta. O contato com a Época se deu com o seu diretor em Brasília, Eumano Silva, em agosto de 2011.

No último dia 24, o advogado de Dadá declarou que seu cliente abastecia veículos de comunicação com informações e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

Em resposta à reportagem de Carta Capital, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. Entretanto, Carta Capital também divulgou uma ligação feita por Eumano Silva para Dadá para avisá-lo da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo.

Mais contatos de Época e o esquema de Cachoeira
Os documentos da Operação Monte Carlo revelam outros contatos da revista Época com os homens de Cachoeira. No dia 17 de março de 2011, a quadrilha repercute por telefone a entrevista do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), publicada pela revista Veja, no mesmo dia, com uma série de denúncias e críticas envolvendo seus colegas de partido. Em particular, os homens ligados à Cachoeira se preocupam com as citações ao senador Demóstenes Torres.

No dia seguinte, 18 de março, às 07:40, Cachoeira comenta com um homem identificado como Edvaldo – provavelmente Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás – sobre a entrevista de Arruda e dá indícios de ter bons informantes sobre a revista Época:

“…parece que a Época está vindo com coisa pior aí…”

Pouco depois, às 09:33, uma ligação de Dadá para Cachoeira desvenda o caso. O bicheiro demonstra que está mais preocupado com a aparição de seu nome e não o de Demóstenes. Dadá chama jornalista da Época de ciumento por reclamar de “amigo” que “só colabora com a Veja”:

Dadá: Deixa te falar: eu tô aqui com (ininteligível – parece dizer ALBANO), é o seguinte, em setembro do ano passado, o ARRUDA deu essa entrevista pra VEJA, entendeu? E aí, o que aconteceu: o repórter que tomou esse depoimento, hoje ele tá na ÉPOCA. Aí agora, essa semana, o cara tomou, pegou outro depoimento do ARRUDA para publicar na Época. Aí a VEJA ficou sabendo e, como já tinha matéria gravada, aí ela botou no ar.

Cachoeira: Ah tá. E a da ÉPOCA, que que vai sair?

Dadá: A da ÉPOCA vai sair, entendeu, ele diz que tá ruim pro nosso amigo. Eu expliquei pra ele, conversei, pô e tal. Eu sei que ele conversa com o Andrei tal, mas o cara fala muita coisa dele, entendeu? Pô, mas o cara é mentiroso, pô. Porque não tem isso e tal tal, se você quiser a gente conversa, entendeu, com ele tal, pô. Você é o chefe. (…)

Cachoeira: Ele fala de todo mundo é?

Dadá: Fala. Fala que deu dinheiro, entendeu?

Cachoeira: Que deu dinheiro pro “Gordinho” [Demóstenes]?

Dadá: É.

Cachoeira: Mas de mim ele não fala nada não né?

Dadá: Não, não fala não.

Cachoeira: Não. Se fala isso daí tudo bem. Eu não queria é ver meu nome vinculado a ele. Vamos ver o que vai sair! (…)

Dadá: É, mas aí ele falou: porra o seu amigo aí não colabora com a gente – os cara são tudo ciumento – só colabora com a Veja. Não, não tem nada disso não. O cara é ponta firme. (…)

Menos de uma hora depois, às 10:29, a PF intercepta uma conversa de Dadá com um homem não identificado (HNI), mas que a polícia classifica como “repórter” e suspeita ser “Albano”. Dadá quer colocá-lo em contato com um amigo. O repórter não aceita, diz que não está “diretamente envolvido nessa história” e pede para ele procurar “Andrei”. Porém, aceita conversar com o amigo de Dadá depois: “marca conversa com ele outra hora, pra outra coisa”.

Cerca de duas horas depois, às 11:20, Dadá volta a ligar para Cachoeira dizendo que o repórter não quis falar “senão os outros repórter que estão apurando vão ficar putos com ele”. Cachoeira diz que está tudo bem: “Vamos esperar sair”.

No dia 20, às 14:50, Dadá e Cachoeira voltam a se falar sobre a matéria da Época e comemoram o fato de “não ter saído nada”. A reportagem de Época foi assinada por Diego Escosteguy. Cachoeira agradece Dadá: “Obrigado aí”.

Menos de meia hora depois, às 15:15, Dadá liga para Lenine, outro operador de Cachoeira. O resumo da ligação apresentado pela PF diz:

”Dadá diz que Carlinhos tava preocupado com a reportagem sobre o Gordinho (aparentemente Demóstenes) e Arruda mas não saiu nada. Diz que foi no Helmano da Época e explicou pra ele. Diz que os caras falaram só que deram dinheiro pro DEM mas não falaram o nome dele (Carlinhos).”

Carta Maior

Cachoeira arrumou jatinho para Demóstenes e “Gilmar”

Escutas telefônicas indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou um jatinho King Air para dar uma carona ao senador Demóstenes Torres e a “Gilmar”, no retorno de uma viagem da Alemanha ao Brasil. Em uma ligação no dia 23 de abril, um ex-vereador do PSDB pede autorização para buscar o “Professor” Demóstenes em um jatinho, que está com o “Gilmar”. Na degravação, a PF questiona entre parênteses (“Mendes?”). O ministro do STF foi a Europa neste período para participar de um congresso internacional de Direito.

Najla Passos e Vinicius Mansur

(*) Atualizada às 22h46min

Brasília – Escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF), com autorização da Justiça, durante a Operação Monte Carlo, questionam se o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido pela quadrilha de Carlinhos Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

No dia 23 de abril de 2011, às 19:31, o ex-funcionário da empreiteira Delta e ex-vereador de Goiânia pelo PSDB, Wladimir Garcez, também preso durante a Operação Monte Carlo, diz em ligação a Cachoeira que “o Professor (Demóstenes) está querendo vir de São Paulo no avião do Ataíde” e que “Gilmar” o acompanha. O documento da PF indaga: “Gilmar Mendes?” Cachoeira responde “que pode autorizar” enquanto ele acha o Ataíde.

Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) é primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e empresário do ramo de construção civil, incluído pela PF na lista de políticos ligados ao contraventor, preso na Operação Monte Carlo.

Às 20:14, Wladimir volta a falar com Cachoeira e informa que está providenciando o avião do Rossini. As investigações da PF indicam que Rossini Aires Guimarães é sócio de Cachoeira em uma empresa de segurança, a Ideal Segurança, e na fazenda Gama, em Brasília.

Cachoeira: Qual é o avião do Rossini?

Wladimir: É um jatinho né, ele tem um que é um jatinho que ele falou, um King Air.

Cachoeira: A, um pequeno né?

Wladimir: é… aí eu peguei falei com ele, ele falou não, não preocupa não que eu organizo. Porque ta vindo ele e o Gilmar né, porque não vai achar vôo sabe.

Às 20:38, ainda no dia 23, Cachoeira pergunta a Wladimir se o senador chega na “segunda cedo”. O ex-vereador informa que “é tudo desconjuntado, ele sai de lá amanhã meio dia, que é sete horas da manhã daqui” e que já deixou tudo acertado. O bicheiro pergunta que horas o vôo chegará em São Paulo e Wladimir responde “ seis horas da manhã”.

No dia 25, às 12:10, Wladimir diz ao bicheiro que o senador já chegou.

Berlim
As declarações recentes de Gilmar Mendes, a propósito de um encontro com Demóstenes em Berlim, fornecem indícios de que o “Gilmar” beneficiado pela carona exposta nesta reportagem seria o ministro do STF, Gilmar Mendes.

À revista Veja, Gilmar Mendes afirmou que se encontrou com Demóstenes em Berlim, na Alemanha, mas negou as acusações de que suas despesas foram pagas por terceiros. Ainda segundo a Veja, o ministro teria uma filha residente em Berlim e, por isso, frequentaria a cidade com regularidade.

Em entrevista à Globonews na noite desta segunda-feira (28), Mendes afirmou que o encontro com Demóstenes aconteceu logo após uma “atividade acadêmica em Granada”.

Mendes foi à Europa participar de um congresso internacional em homenagem ao jurista italiano Antônio D’Atena, promovido pelo Fundação Peter Häberle e pela Universidade de Granada, da Espanha. O congresso foi aberto no dia 13/4/2011, mas a participação de Mendes se deu na manhã do dia seguinte, com a palestra “A integração na América Latina, a partir do exemplo do Mercosul”.

A presença de Demóstenes em Berlim, por sua vez, é confirmada por Cachoeira em uma ligação a Wladimir Garcez, interceptada pela PF no dia 18/4/2011, às 18:08 horas.

Não há registros públicos de quais atividades Demóstenes teria ido desenvolver na Europa, mas levantamento feito por Carta Maior demonstra que ele não participou das votações realizadas no plenário do Senado entre 13 e 25/4/2011.

Em nota oficial, Lula manifesta indignação
A assessoria de imprensa do Instituto Lula divulgou nota oficial onde o ex-presidente manifesta indignação com o teor da matéria publicada pela revista Veja. A nota afirma:

Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:

1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.

2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.

3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.

4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.

Carta Maior

GILMAR MENDES & ‘VEJA’: A PAUTA DO DESESPERO

A revista que arrendou uma quadrilha para produzir ‘flagrantes’ que dessem sustentação a materias prontas contra o governo, o PT, os movimentos sociais e agendas progressistas teve a credibilidade ferida de morte com as revelações do caso Cachoeira. VEJA sangra em praça pública. Mas na edição desta semana tenta um golpe derradeiro naquela que é a sua especialidade editorial: um grande escândalo capaz de ofuscar a própria deriva. À falta dos auxilares de Cachoeira, recorreu ao ex-presidente do STF, Gilmar Mendes, que assumiu a vaga dos integrantes encarcerados do bando para oferecer um ‘flagrante’ à corneta do conservadorismo brasileiro. Desta vez, o alvo foi o presidente Lula.

A semanal transcreve diálogos narrados por Mendes de uma inexistente conversa entre ele e o ex-presidente da República, na cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim. Gilmar Mendes –sempre segundo a revista– acusa Lula de tê-lo chantageado com ofertas de ‘proteção’ na CPI do Cachoeira. Em troca, o amigo do peito de Demóstenes Torres, com quem já simulou uma escuta inexistente da PF (divulgada pelo indefectível Policarpo Jr, de VEJA, a farsa derrubou o diretor da ABI, Paulo Lacerda), deveria operar para postergar o julgamento do chamado ‘mensalão’.

Neste sábado, Nelson Jobim, insuspeito de qualquer fidelidade à esquerda, desmentiu cabalmente a versão da revista e a do magistrado. Literalmente, em entrevista ao Estadão, Jobim disse: ‘O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso. O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão; tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala (não na cozinha); o Lula saiu antes; durante todo o tempo nós ficamos juntos”, reiterou.

A desfaçatez perpetrada desta vez só tem uma explicação: bateu o desespero; possivelmente, investigações da CPI tenham chegado perto demais de promover uma devassa em circuitos e métodos que remetem às entranhas da atuação de Mendes e VEJA nos últimos anos. Foram para o tudo ou nada. No esforço para mudar o foco da agenda política e criar um fato consumado capaz de precipitar o julgamento do chamado ‘mensalão’, jogaram alto na fabricação de uma crise política e institucional. O desmentido de Jobim nivela-os à condição dos meliantes já encarcerados do esquema Cachoeira. A Justiça pode tardar. A sentença da opinião pública não.

Por Saul Leblon

Carta Maior

Cachoeira plantou notícias na revista Época

Reportagem da edição desta semana de CartaCapital, nas bancas a partir de sexta-feira 25, revela como o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira plantou notícias também em veículos das Organizações Globo para fragilizar adversários. É um exemplo de como a quadrilha abastecia jornalistas investigativos por meio de arapongas para sedimentar seus interesses. Assinada por Leandro Fortes, a reportagem mostra também como o vice-presidente Michel Temer se tornou, desde o início da crise, interlocutor do Planalto com cúpula das Organizações Globo.

CartaCapital mostra como Idalberto Matias Araújo, o Dadá, considerado o braço direito de Cachoeira, negociou com o diretor da sucursal da revista Época em Brasília, Eumano Silva, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta em Goiás. Por causa da reportagem plantada pelo grupo (“O ministro entrou na festa”), a Warre figurou na lista de suspeitas da Operação Voucher da Polícia Federal, que mais tarde resultou na queda do então ministro Pedro Novais (Turismo). A Warre acabou sendo inocentada.

Cachoeira era uma espécie de sócio oculto da construtora Delta, empresa para a qual seu grupo fazia lobby.

A revelação sobre as relações entre o grupo do bicheiro e a revista acontece na mesma semana em que Leonardo Gagno, advogado de Dadá, informou à CPI do Cachoeira que o trabalho do araponga (e de seu colega Jairo Martins de Souza) consistia em “abastecer veículos de comunicação”, e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

A negociação entre Dadá e o jornalista da Época para a publicação de textos de interesse da Delta foi flagrada em interceptações telefônicas da Polícia Federal. CartaCapital teve acesso a cinco ligações telefônicas entre os dois.

Na primeira delas, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre. Pertencente ao empresário Paulo Daher, a Warre atropelou os interesses da Delta em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional iria falar dos grampos da Operação Voucher. Ele estava com medo que a história da Warre, passada com exclusividade para a Época, vazasse no telejornal da TV Globo, o que não ocorreu. No quarto áudios, Eumano Silva liga para Dadá avisando-o da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo, o que comprova que o jornalista sabia exatamente a quem interessava a divulgação das denúncias contra a Warre.

Procurada, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. A PF interceptou também conversas do grupo com o repórter Eduardo Faustini, da TV Globo, para uma reportagem sobre compra de votos para prefeito numa cidade do interior. A reportagem não foi ao ar, segundo Faustini.

Confira as gravações abaixo:

Na primeira gravação, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre Engenharia, do empresário Paulo Daher, que atropelou os interesses da Delta, em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional vai falar dos grampos da Operação Voucher, no Ministério do Turismo. Ele estava com medo de a história da Warre, passada com exclusividade para a Época, vazasse no telejornal da TV Globo, o que não ocorreu:

Na segunda gravação, Eumano Silva fala com Dadá sobre o que saiu no Jornal Nacional, comenta do grampo de Frederico da Silva Costa, ex-secretário-executivo do Ministério do Turismo e comemora que não “apareceu o nosso assunto”, justamente a parte da Warre. “Tamo (sic) indo bem, até agora não se falou naquela firma (Warre)”. Aí, Dadá especula que “devem falar depois que vocês (revista Época) fizerem (a matéria)”. Silva diz que já foi tudo mapeado da Warre, e que foi tudo “encaminhado”. E se despede de Dadá: “Tamo (sic) junto, amigão. O que tiver aí a gente chuta para você

Na terceira gravação, Dadá diz a Eumano Silva que “aquele povo lá”, referindo-se à Warre, construiu um aeroporto subfaturado (?) no Ceará. Mais um esforço de Dadá para plantar novas informações contra a Warre em favor da Delta:

Na quarta gravação, Eumano Silva avisa a Dadá que um post no Twitter do jornalista Ronaldo Brasiliense avisava da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo. Isso demonstra que ele sabia do interesse do araponga em proteger a Delta. Esse é o único áudio em que Silva liga para Dadá, e não o contrário:

No quinto áudio, Dadá parece estar com a matéria da Época contra a Warre na mão e comenta que “o nosso contato”, provavelmente Cláudio Abreu, da Delta, disse que eles (a matéria é assinada por quatro repórteres) “foram na ferida certinha”. Silva, contudo, se ressente por conta da falta de repercussão da matéria da Época, porque naquele mesmo fim de semana a revista Veja tinha publicado uma reportagem de capa contra o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi:

No sexto áudio, Dadá fala que vai encontrar “com a pessoa” mais tarde, provavelmente, Cláudio Abreu, da Delta:

Carta Capital


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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