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POR TER CHEGADO ÀS QUARTAS, A FRANÇA VAI RECEBER UM PRÊMIO DE 15 MILHÕES DE EUROS. O CRAQUE MBAPPÉ, VAI DOAR SUA PARTE PARA AS CRIANÇAS CARENTES. TUDO QUE NEYMAR ‘FARIA’

   

Produção Afinsophia.     

           A seleção de futebol da França, que eliminou o time do craque Messi pelo escore de 4X3, vai receber um prêmio de 15 milhões de Euros por ter chegado às quartas de finais. Ao saber do tema, o craque Mbappé da seleção, afirmou, segundo o jornal L`Equipe, que vai doar sua parte para o Premiers de Cordée, organização francesa que oferece atividades esportivas para crianças hospitalizadas e ações de conscientização sobre em ineficiências.

           O craque, de descendência africana, mostra para o mundo – embora não mude as estruturas do sistema capitalista – que o capital pode ser empregado para além do dogma maior do capitalismo que é o lucro acima de tudo. Sua decisão também toca em jogadores capitalizados, como os brasileiros, que o espírito maior é o capital. Como é o caso do firulero, Neymar que reificado pelo capital é o maior exemplo de jogador fetichizado pelo capital da sociedade de consumo de sentidos e mentes sujeitadas pelo buraco negro capital.

          

POIS É, SABE COMO É. A DEMOCRACIA É A POTÊNCIA SOCIAL E O GOLPE A IMPOTÊNCIA ANTISOCIAL. AÍ, NÃO TEM JEITO: LULA DISPARADO NA CUT/VOX POPULI

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          Quando o mouro de Trier, Marx mostrou que o verdadeiro significado de política é o movimento real. O movimento que mudas os estados de coisas estabelecidos de forma pétrea cujo corpo é representado pela classe burguesa, ele enunciou o óbvio: a vida é contínua mudança.

        Essa verdade universalmente incontestada, também é afirmada pelo filósofo Nietzsche quando ele discorre sobre seu conceito de vontade de potência materializado em seu dizer revolucionário: a vida ativa o pensamento e o pensamento afirma a vida. E olhe que Nietzsche é considerado pelos mentecaptos-cognitivos como alienado politicamente.

        Esses dizeres vitais foram bem sintetizados pelo filósofo-psiquiatra, companheiro-filosófico de Deleuze, Guattari, quando ele afirma que “antes do ser há a política”. Todos os filósofos compreenderam que a política não se resume em um plano governamental administrativo baseado em um poder constituído. Pelo contrário, eles todos afirmaram que esse plano é posterior à práxis e a poises política. O movimento vida criador das formas de existências singulares. Para o filósofo Sartre as escolhas universais do homem partidas de sua liberdade que antecede sua essência.

         Então, pode-se perguntar: Por que há sociedades em que seus habitantes sofrem em função da impossibilidade de satisfazerem suas necessidades básicas? É porque nessas sociedades o movimento real foi obstruído pela força antisociais predominantes. Às forças capitalistas. O contrário das sociedades socialistas em que o movimento real é materializado como satisfação dos habitantes, porque é a expressão da maioria produtiva-ativamente.

        Lula vem sendo paranoicamente perseguido pelas forças mais reacionárias que se apresentam como poder governamental brasileiro, uma heresia, já que em democracia quem é representatividade de fato e de direito é a potência-povo. No entanto, a paranoia institucionalizada não tem colhido nenhum fruto contra a democracia. Só fruto amargo, fruto que paranoico adora, mesmo fazendo cara feia.

     A pesquisa CUT/Vox Populi mostra, entre outras expressões do movimento real, que para 43% dos entrevistados Lula foi o melhor presidente do Brasil. E os outros como Fernando Henrique? É um mero esquecido dos que amam a vida. E 33% afirmaram que o Sapo Barbudo é o mais admirado e amado. E o pau comendo no lombo da democracia.

        Com pau ou sem pau, Lula ganha às eleições no primeiro e no segundo turno. No primeiro turno Lula tem 31% em opinião espontânea, que significa quando os nomes dos candidatos não são citados. Aécio, vulgo Mineirinho, segundo delação na Odebrecht, tem 5%, Marina, aquela que afirmou que Deus não a deixou embarcar no avião que caiu com Eduardo Campos, e depois apoiou Aécio, 4%, e Alckmin, vulgo Santo, o terror dos alunos e professores, tem 2%.

      Na pesquisa estimulada no segundo turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos pesquisados, é uma loucura. Lula dispara para 43% das intenções contra Aécio que fica nos míseros 20%. Contra o Santo o couro é pior. Lula tem 45% e o Santo 20%. E contra Marina? Diga lá, meu. A santa fica com 21% e o Sapo Barbudo com 42%.

       É nesse quesito que a turma do Moro, Rede Globo, Estadão, Folha de São Paulo, Band, QuantoÉ, Veja (e fique cego), Época (triste), Jovem (epígono, os que nascem com os cabelos brancos)Pan, entre outras congêneres, se arrepiam de ansiedade. A pesquisa mostrou que 96% dos entrevistados sabiam que Lula havia sido indiciado. Porém, sempre tem um porém quando a perseguição é explícita, para 56% Lula fez mais coisas certas do que erradas. É mole?

       Se algum masoquista quiser converter esses 56% para votos em 2018, pode gozar: Lula já é presidente!

       Mas a caçada continua. Só que Lula não é Lula. É uma TransLulação: a composição da potência alegre da maioria dos brasileiros que se entende como movimento real. Ou, como diz o filósofo italiano, Toni Negri, a potência constituinte que modifica o poder constituído. Ainda mais quando o poder constituído é opressor. No caso atual, constituído como golpe.

       Daí quê não há Lula lá! Há Lula na destemporalização criadora de democracia.

       E para continuar, que a democracia não para quando é movimento real, vai o Natal-Lula-Devir-Povo. 

ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES NA CÂMARA FEDERAL MULHER DE CARANGUEJO ARROLA DOIS MINISTROS DO GOLPISTA TEMER E UM BANDO DE DEPUTADOS, INCLUSIVE ÁTILA LINS, DO AMAZONAS

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Hoje, a partir das 16 horas, os deputados federais do Brasil estarão elegendo o candidato que cumprirá um mandato tampão até o início de 2017.

Isto está acontecendo porque o presidente  Eduardo Cunha, vulgo caranguejo foi afastado pelo STF por envolvimento com roubo, mentira, evasão de divisas e contas não declaradas  na Suíça  e renunciou à presidência.

Independente disso, esse ser nocivo, mesmo afastado não deixou de influenciar o golpista mor, Michel Temer. Neste momento é um defunto sem sepultura, parafraseando o Chico Alencar, do PSOL

Uma de suas últimas cartadas se deu ontem, na Comissão de Constituição e Justiça onde o caranguejo queria que a Comissão de Ética votasse novamente cancelando a decisão de cassá-lo e queria mais dez dias úteis para se defender, 40 disseram não.  A reunião prosseguirá hoje de manhã e dificilmente sua cassação ainda se dará este mês. Fica tudo para agosto. O caranguejo ameaçou e ali demonstrou que não vai se afogar sozinho. Vai levar uma quadrilha com ele.

Ontem foi um dia movimentado envolvendo principalmente os golpistas. A primeira paulada foi a denúncia contra o candidato dos golpistas Temer e Caranguejo, Rogério Rosso. Há denúncia e vídeo gravado pelo ex-secretário de governo do Distrito Federal Durval Barbosa; que Rosso metia a mão na cumbuca, pegava muita babita; a acusação foi feita pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) e pelo ex-gerente da Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal, Luis Paulo Costa Sampaio.

Os golpistas estão divididos. O Centrão poderá perder a eleição e para complicar, as visitas do Caranguejo ao Jaburu foi também para acertar que sua esposa, Claudia Cruz quando apresentasse sua defesa na Lava Jato ia arrolar ministros e deputados ligados umbilicalmente a Temer. E foi exatamente o que aconteceu ontem, diferente, de Marcelo Odebrecth que dispensou Dilma como testemunha no seu processo, Cláudia Cruz está levando para falar da fortuna da família 26 pessoas, dentre elas o Ministro das Cidades, Bruno Araujo (PSDB-PE)  aquele que saiu de férias misteriosas e foi aos Estados Unidos e o ministro do Turismo, Maurício Quintela (PR-AL). Além desses amigos vão depor, Jovair Arantes,  a defesa também convocou os deputados Carlos Marun (PMDB/RJ), aliado de Cunha que atuou para que o pedido de cassação do correligionário fosse arquivado pelo Conselho de Ética, Hugo Motta (PMDB/PB), Felipe Maia (PMDB/RN), Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Átila Lins (PSD-AM).

Átila Lins é um dos deputados federais baixo clero mais longevos no parlamento em Brasília. Sempre ligado a golpistas. Vem desde o golpe de 1964. Foi da ARENA, PDS, PFL. Apoiou os militares, esteve com todos os governadores do Amazonas, sua família chegou a controlar um Tribunal do Município na não cidade de Manaus que ficou conhecido como Tribulins. A família está rica. Possuem uma rede de faculdades particulares em Manaus  e é parceiro do maior corrupto do Brasil, segundo Sérgio Machado, Pauderney Avelino.

São essas pessoas que hoje estarão votando. E os candidatos deles são esses degenerados, corruptos, ladrões. Eles se conhecem e nunca vão votar num que lhes ofereça perigo. Eles querem aquele que vai frear a sangria que a Lava Jato já produziu. 

Por isso, nossa sugestão de voto é para LUIZA ERUNDINA, do PSOL, mesmo tendo o ex-ministro da Saúde, Marcelo Castro  fiel à Dilma, mas do partido golpista que não foi recebido pelo golpista maior que se justificou que o Planalto não interfere nas questões do legislativo.

No mais, fora Temer, volta querida!

 

 

 

CRIANÇAS AFINADAS MALHAM OS JUDAS

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Dois Judas, um referente ao Judas real e outro referente ao Judas imaginário. O primeiro é reflexo histórico constituído pelas experiências de mundo do próprio personagem que antes de ser incluído no discurso paulino bíblico, foi protagonista de suas ideias políticas e sociais. O segundo é reflexo da transfiguração do real em personagem mistificado pelo discurso paulino bíblico que fez uso da propaganda para transfigurá-lo em personagem traidor de Cristo, que o vendeu por 30 denários e o dedurou com beijo. O imaginário beijo de Judas. IMG_7842 IMG_7843 IMG_7844 IMG_7849 IMG_7850 O segundo tem sua representação maior nos anseios de Paulo que precisava de alguém para justificar a permanência de Cristo crucificado que morreu para nos salvar, e aí, então, instituir a culpa, a dívida, o ressentimento, a má consciência que abolidas com o perdão. Um perdão que se conquista através do autoconhecimento como pecador. Nada do que Cristo pregou. Cristo só amou. Não um amor banal, individualista, de classe, de grupo, mas um amor coletivo que não funciona como compensação como pretendem os tiranos exploradores da fé verdadeiramente cristã. IMG_7860 IMG_7861 IMG_7862 IMG_7863 IMG_7866 ENTÃO, AS CRIANÇAS FESTEJARAM Nesse ano houve na festa do Judas uma inovação. O testamento do colega Judas não foi escrito antecipadamente para ser lido no momento da festa. Dessa vez, as próprias crianças criaram, versejaram e rimaram as estrofes. Quer dizer: criaram as estrofes de forma coletiva. Exemplo: pergunta-se qual a criança que quer receber uma lembrança de Judas. Uma criança, em questão, Eduardo, que quer receber. Então, começa a estrofe: “Ao meu amigo Eduardo”. Pergunta-se ao Eduardo de que ele gosta, ele responde: “Gosto de feijão”. Aí, pergunta-se (alguém que coordena a construção da estrofe), às crianças: “O que Judas deixa como lembrança ao Eduardo que, no fim do verso, rima com feijão? Uma criança (responde de sua criação), responde (respondeu na festa): ”Arroz, farinha e macarrão”. E a estrofe lembrança de Judas fica: IMG_7867 IMG_7868 IMG_7871 IMG_7872 IMG_7873 IMG_7874 “Ao meu amigo Eduardo Que gosta de feijão Deixo como lembrança Arroz, farinha e macarrão”. E a festa continua rimada até enquanto crianças queiram ganhar lembranças de Judas. Nessa festa de Judas de 2014, foram realizadas outras brincadeiras com elementos teatrais todos referentes à Páscoa e Judas. Mas sempre ocorrem dois grandes momentos nessa festa: tirar foto abraçado com o bom Judas, e a hora da malhação. Antes era só malhar. Extravasar energias, e muitas vezes ressonâncias a-históricas: “O Judas é mal, traiu Jesus”! Agora, a malhação mudou: as crianças malham o Judas para encontrar presentes dentro deles, principalmente bombons.. IMG_7880 IMG_7883 IMG_7884 IMG_7890 IMG_7902 Como criança é devir humano que necessita de nutrientes para colocar sempre em práxis suas faculdades intelectiva, sensorial, imaginativa, memorial, biológica, tem sempre que haver o mata broca, além do tradicional ovo de Páscoa caseiro. Nada de ovo industrial. Cristo sempre se considerou um Homem-Natural. Carregava elementos da filosofia estoica e epicurista que cultivavam amorosamente a Natureza. Daí o nome da habitação do filósofo Epicuro ser chamada Jardim de Epicuro. IMG_7908 IMG_7910 IMG_7912 IMG_7913 IMG_7917 IMG_7919 IMG_7921 IMG_7922 IMG_7926 IMG_7929 IMG_7930 No mais, é só bradar: Valeu, criançada! Valeu, Judas!

BANDINHA DO OUTRO LADO ATUALIZA A POTÊNCIA LÚDICA DE DIONISIOZINHO

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Já há alguns anos a Bandinha do Outro Lado, um dos vetores-criança da Associação Filosofia Itinerante (Afin), atualiza a potência lúdica de Dionisiozinho no domingo-gordo de carnaval no Bairro Novo Aleixo, Rua Rio Jau, Zona Leste de Manaus. O território mais pobre dessa não-cidade.bandinha outro lado 006

bandinha outro lado 009 bandinha outro lado 021 bandinha outro lado 023 bandinha outro lado 022 bandinha outro lado 025 bandinha outro lado 027 bandinha outro lado 028 bandinha outro lado 033 bandinha outro lado 039bandinha outro lado 041 bandinha outro lado 043 bandinha outro lado 044

É um território pobre não por carência de inteligência, volição, talento, saber e ética, de suas populações, mas por carência de satisfação das necessidades naturais básicas do homem. Insatisfações resultantes das desumanas administrações públicas impostas às populações dos bairros menos atingidos pelos serviços públicos. Um território onde sua população subsiste na ordem do desemprego, subemprego e salário-mínimo. Uma ordem cruel que se não fossem as políticas públicas do governo federal, a realidade seria muito mais perversa. Um estado de coisa angustiante promovido pelos desgovernos das direitas que se apossaram há, quase, trinta anos da capital.

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É nessa situação, como diria o filósofo francês Sartre, se engajar na situação em que se estar como sujeito-histórico responsável pela produção de sua existência, que a Afin tenta produzir junto com a comunalidade novos modos de ser, sentir, ouvir, ver e pensar. E a Bandinha do Outro Lado carrega esses corpos de sabedorias e afetos produzidos pelas crianças, capazes de revelarem essas novas dimensões de existir. Uma festa no sentido dionisíaco do conceito e da práxis que só as crianças podem atualizar.

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Pois foi exatamente essa experiência devir-criança que novamente foi possível observar e acreditar que só o movimento real pode superar os estados de coisas alienantes de uma cultura dominantemente perversa. Nada como o brincar-criativo transformador. Transformar a forma estereotipada-estabelecida.

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Em um percurso muito simples a Bandinha do Outro Lado – que não tem lado, como a vida que flui sem seguimentaridade – atualiza seu virtual-lúdico. Sai da casa onde são realizadas as sessões de cinema do vetor-Kinemasófico – melhor dizendo, a casa da Miariam que emprestas parte de sua casa para a Afin -, percorre algumas ruas do bairro e volta para o mesmo local, onde a festa continua. Depois da folia, é realizado o ‘desbrocante’ infantil, porque criança embora seja a potência-vital, não é de ferro.

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Um ritmo diferente que ocorreu nesse ano de 2014, foi à participação de crianças afinadas na orquestra. Além das crianças usarem instrumentos industrializados, elas também fizeram uso de instrumentos artesanais criados por elas com a orientação do mestre Alci Madureira.

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No mais, foi uma festa daquelas que o capitalismo predador odeia. Uma festa onde o princípio principal é a dignidade humana.    

OIT E TST LANÇAM RELATÓRIO E CARTILHA RESPECTIVAMENTE SOBRE O TRABALHO INFANTIL

https://i1.wp.com/agenciabrasil.ebc.com.br/sites/_agenciabrasil/files/gallery_assist/27/gallery_assist722834/prev/ABr12062013_DSC1827.jpgOntem, dia em que foi instituido o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, houveram diversas manifestações sociais e políticas a respeito do tema. Em Brasília foi realizado o seminário Proteção Social e Trabalho Infantil cujo objetivo é debater políticas sociais como  o Bolsa Família e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), e avaliar os resultados alcançados no País com as políticas públicas. Estiveram presentes representantes de Ministérios, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do programa interagencial de cooperação para pesquisa Understanding Children’s Work (Entendendo o Trabalho Infantil).
A ministra Tereza Campello participou da abertura do evento, que também contou com a participação de um representante da OIT no Brasil. Entre os debatedores, destaca-se o coordenador do programa Understanding Children’s Work, Furio Rosatti.
 No seminário foram divulgados dados oficiais dos programas federais,artigos sobre o tema e um relatório da OIT denominado “Erradicar o trabalho infantil no trabalho doméstico”. O relatório afirma que por volta de 10,5 milhões de crianças trabalham em todo o mundo, a maioria com menos de 18 anos e envolvidas com trabalhos domésticos. Muitos casos há situações de risco para criança e regimes de trabalho análogos à escravidão. As maior parte das vítimas têm entre cinco e 15 anos e são meninas e muitas vezes sofrem violência física, psicológica ou sexual, podendo até ser prostituidas.

No relatório há um um apelo para uma ação conjunta nacional-internacional para a erradicação do trabalho infantil. No Brasil é permitido o trabalho a jovens a partir de 16 anos desde que não prejudiquem a saúde e o desempenho escolar. Porém na realidade isto muitas vezes não ocorre e programas como o Peti atendem vítimas de trabalho infantil irregular.

O Brasil vem melhorando na erradicação do trabalho infantil, mas ainda é muito pouco. Em outubro, o paíssediará a III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, promovida pela OIT.

TST LANÇA CARTILHA SOBRE TRABALHO INFANTIL

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) lançou a cartilha Trabalho Infantil – 50 Perguntas e Respostas que traz informações importantes sobre o assunto, incluido os direitos legais dos jovens que trabalham.A cartilha servirá para país, professores, entidades civils e qualquer interessada podendo inclusive ser baixada aqui

No lançamento da cartilha, o presidente do TST, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, recebeu os novos jovens aprendizes do tribunal.Na cartilha, estão especificadas situações particulares em que juízes do trabalho podem emitir autorizações para que crianças ou jovens trabalhem – como é o caso dos artistas mirins. Também são esclarecidos pontos controversos, como os requisitos para essas autorizações e o fim da permissão para que crianças e adolescentes trabalhem para prover o sustento da família.

De acordo com a cartilha “Crianças e adolescentes têm o direito ao não trabalho. Às crianças deve ser assegurada uma infância feliz, lúdica, a participação em brincadeiras próprias da idade. A elas, a partir da idade correta, e aos adolescentes, educação pública de qualidade, de preferência integral. Aos adolescentes e jovens, qualificação profissional. Ou seja: o Estado tem o dever de garantir que o roubo ou qualquer outra atividade criminosa não seja opção única de quem não trabalha”.

No caso do trabalho doméstico, desde 2008 ficou estabelecido que nenhuma pessoa com menos de 18 anos pode exercer tais atividades.

KINEMASÓFICO COMEMORA 4 ANOS COM DUAS FESTAS EM SUA NATALINIZAÇÃO DE JANEIRO

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Natal, época de nascimento comemorada todo fim de ano. Para o kinemasófico o seu natal é em janeiro, mês em que foi engendrado este vetor afinado junto com as crianças do Novo Aleixo. Desta forma o ano novo traz o natal para o Kinemasófico. E neste último domingo do mês de janeiro o Kinemasófico comemorou seus quatro anos juntamente com a festa natalina da Afin. Ufa! Até que enfim chegou o natal da Afin.

E estas duas comemorações encheram o bairro do Novo Aleixo de alegria, risos e muitas brincadeiras. Mas antes do início da atividade kinemasófica houve uma conversa com as crianças, jovens e pais presentes sobre o entendimento e a importância dos cinemas para as crianças.

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Foi colocado pelas crianças que o cinema já faz parte da realidade deles mas que diferente da televisão proporciona um debate onde todos podem usar sua voz e expor seus pensamentos. No kinemasófico afinado eles disseram se sentirem dispostos para conversar sobre os temas levantados e para aprender com as novas imagens que o cinema traz. Além disso foi colocado também que este aprendizado é sempre divertido e envolvente, ao contrário das obrigações e punições da escola.

E desta forma sentimos em cada palavra que o cinema tem sido uma composição que aumenta a potência criança de cada um e abre diversas formas de pensar, se expressar e agir.

Depois da conversa como em todo aniversário kinemasófico foi passado um vídeo especial. Neste ano o vídeo denominado “Hoje o cinema são vocês” mostrou além das fotos das crianças, dos curtas e longas kinemasóficos exibidos durante o ano e uma seleção musical especial, uma seção dedicada às brincadeiras e atividades que aconteceram durante o ano.

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Desta forma após terminar as fotos com as crianças e os cinemas exibidos apareceu na o “falso” FIM seguido de uma tela preta. Porém após alguns segundos o vídeo anunciava É BRINCADEIRA mostrando então as fotos das crianças brincando nas mais diversas atividades proposta durante o ano como o pebolzinho, boliche, rima rimador, formação de palavras, jogo dos bancos, etc. Mais uma vez se declarava um falso FIM para mostrar as fotos do grupo do Hip-hop que produziram uma batalha de B-boys após algumas projeções de cinema. ASSISTA O VÍDEO ABAIXO OU PARA BAIXA-LO O VÍDEO CLIQUE AQUI.

E em cada foto que se passava havia uma explosão de gargalhadas e de olhares que se cruzavam pois naquele momento as crianças eram atores e espectadores ao mesmo tempo. As fotos mostram que elas são o responsável pelo vído e pela festa, pois ajudaram durante todo o ano a produzir o kinemasófico com sua presença e o uso de sua alegria, inteligência, humor na relação estética com cinema e com as crianças afinados .

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Quando o vídeo Photo-kinemico terminou parece que o tempo cronológico de um ano não diminui a vontade de estar alí, mas na composição atemporal de novos afetos o tempo que passou pelas fotos não pode ser mensurado em 1 ano ou outra quantia. Isto ocorre pois houve nestas composições a criação de novas maneiras de entender o mundo, fazendo com cada um se transformasse em um novo. E como sempre há esta transformação o tempo cronos nunca vigora pois sempre somos um novo que não pode ser dividido nem contado pelo predecessor.

E foram distribuidos os pratos da ceia kinemasófica nutrindo os cinéfilos crianças para que o vigor da vida persevere. E o mata-broca tava saboroso primeiramente com o arroz com frango e farofa, seguido de um bolo de chocolate.

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Então cada criança escolhia um quadrado com número que estava dentro de um saco, sendo que este correspondia a um brinquedo a ser recebido. Desta forma a criança era responsável pela sua escolha e caso não estivesse satisfeita com o brinquedo poderia trocar com o colega ou dar para alguém que escolhesse.

Um a um foram sendo chamado os números e a revelação do brinquedo desconhecido terminava com o mistério numerológico. E junto com o brinquedo cada criança recebia um delicioso pote com doce de abacaxi para comemorar o novo companheiro de brincadeiras.

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E assim a noite foi passando com um grande júbilo envolvendo todos os presentes que independente do brinquedo ou da comida, já que todos fazem o cinema e constroem novas relações durante todo o ano. E como todo domingo o kinemasófico é festa não precisa se preocupar que esta terminou pois logo mais tem outra.

Mas além desta festa do olhar que ocorre sempre, está chegando uma que se torna real somente uma vez por ano: a Bandinha do Outro Lado, que neste ano ocorre no dia dia 10 de fevereiro e promete mais uma grande festa, embalada na força de Dionísio, do bode tragos e do brincar criança. Então abre alas que a bandinha vai passar.

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UM NOVO DIA EM ENCONTRO DEVIR-CRIANÇA AFINADO

A Afin durante todo o ano produz encontros com as crianças do Novo Aleixo, sempre criando além da composição das relações com a comunidade e as crianças, um espaço onde sejam visto e composto novas formas de ver, sentir e agir no mundo. Assim as atividades da Afin acontece sempre aos domingos com as novas imagens do kinemasófico que é seguido das brincadeiras, atividades, discussões e como não poderia faltar as pipocas doce e salgada e o suco.

E assim todo encontro é um novo dia com novas existências e produções crianças. No mês de outubro continua as produções e quando o consumismo impõe o dia da criança, afinadamente para as crianças afinadas é apenas um novo dia de produções que sempre estão presentes.

E assim a Afin realizou um novo encontro criança no segundo domingo deste mês para mais uma vez festejar o ser criança. Houveram diversas brincadeiras como pula-corda, boliche, cabo de guerra, tabelas futebolísticas, embaixadinha entre diversas outras. A primeira brincadeira era fazer embaixadinha com a bola, mas a cada novo lugar do corpo que conseguisse bater na bola sem a deixa-la cair contava como dois pontos. E como sempre as brincadeiras são feitas com novas regras afinantes.

Depois foi a vez da tabela, onde uma das crianças da dupla tocava a bola e a outra tinha que esperar a bola passar da linha para poder finalizar para o gol. Assim era necessário haver uma coordenação entre o passe e o posicionamento para o chute a gol.

Deixando a bola nas redes foi a vez de pegar a corda e partir para o cabo de guerra. A brincadeira é bastante simples, onde dois trios puxam uma corda e aquele que passar da marca do meio perde.

Uma das estratégias do cabo de guerra é deixar os adversários avançar um pouco para pega-los no contra-pé. O mais importante é que a corda deve ser de material que não cause grande atrito na brincadeira. E como sempre as mulheres mostraram que tem mais determinação e garra, derrotando os garotos.

Quando terminou as brincadeiras a fome já estava apertando e foi a vez do tradicional mata-broca que estava reforçado para este encontro especial tendo vatapá com arroz, frango, bola, torta de abacaxi e maria-mole.

Por fim nosso encontro afinado terminou com a distribuição de brinquedos para que as vivências afinadas se expandam dentro do cotidiano de cada um e nas brincadeiras comunitárias. E tinha todos tipos de brinquedos: flautas, carrinhos, bonecas, bolas, ioios, fogãozinhos, e muito mais.

Com a noite se alongando o encontro teve que ser interrompido. Embora ele não continue as produções do devir-criança afinado continuam sempre em novas maneiras de criar os dias.

O MUNDO É GAY

(enunciações minoritárias)

Sabes o que é minoria? Claro; um movimento constituinte que não se abstém às transformações e não é subsumido pelos pressupostos do senso comum e do bom senso para a representação de uma identidade. Trata-se de uma multiplicidade de singularidades que não passam a ser mediadas por pontos de poder estabelecidos, para existirem. Daí o que desponta entre a maioria e a minoria ser a diferença. Isso; uma diferença que não se reduz a uma contradição como em uma dialética corrompida, mas realiza um movimento de variação contínua sem se deixar ser apreendida por um Poder ou relação de Dominação. Por isso a minoria tende ao êxodo dos lugares de poder. Então maioria e minoria não se contrapõem  apenas de modo quantitativo. A maioria está dentro do sistema e faz o sistema, ela é extraída dos efeitos de Poder e Dominação presentes em uma realidade constituída, onde a história foi escrita para demarcar hierarquias, divisões de “estamentos” como no Brasil (Raimundo Faoro), divisão de classes econômicas, etc.  A minoria é a subversão deste sistema, ela resiste e renuncia a constante desta história e procura compor encontros na potência do devir. Ser minoria é subverter as identidades e o constituído e costurar o mundo com retalhos de existências e ações próprias. E ainda, ser menor, é participar de um todo sem ser produto desta realidade pronta. Assim é a negritude, a mulher, a criança, os pobres, os camponeses, os homossexuais, os imigrantes… Mas mesmo uma ação que se queira revolucionária ou de esquerda pode ainda não ser minoria. Absolutamente! Sim, pois se as ações e atos, sejam políticos, econômicos, sexuais, sociais, empresariais, culturais ou civis, estiverem presos ao fato majoritário das relações de poder e de dominação  do processo do capital, tais atos e ações não serão minorias, posto que não serão autonomias, mas maiorias, já que estarão na ordem dos efeitos, heteronomias.

(conversações pelos vários tempo-espaço da existência)

Sabes quem são os novos papais? Um beijo se eu adivinhar? Nem era preciso, não é? Mas eu já sei. Então diga. Lá vai: o britânico David Harrad e o brasileiro Toni Reis. Eles são pais do menino Alyson agora, depois de quase sete anos tentando a adoção eles conseguiram um marco para a minorias no Brasil. Ótimo saber que para ser pai não é preciso ser considerado homem, hetero, branco, etc. como no padrão abstrato. Sim, ser pai é se responsabilizar por uma existência ao mesmo tempo em que se sabe que esta existência terá que inventar a si mesmo para a coletividade. Pedagogia a moda grega Antiga. Uma loucura. Como os dois pais disseram: “Se têm toda certeza que querem ser pai, que sigam em frente e realizem seu sonho e contribuam para que uma criança que precisa, tenha um lar, amor e educação”. Se quer ver o papo que a Agência de Noticias da AIDS eteve com os dois clica aqui.

Outra vitória para as minorias. Qual foi. Esta veio através de um dos representantes da maioria. E pode? Claro, basta atravesarmos o estado constituído de coisa de modo a transformá-lo, queira ou não queira vivemos num mundo constiuído, mas que pode ser transformado. Então diga.  O Supremo Tribunal de Justiça (STJ), no domingo (12) divulgou um levantamento de ações do que favoreceram os indivíduos pertencentes às minorias. Oba! Ainda que tenha vindo da justiça maior. E referente a questões homoafetivas o colegiado reconheceu a habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento: “o colegiado entendeu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento”. Essa é boa por ser uma conquista menor e também possibilitar os homossexuais participarem dos direitos da realidade maior constituída. Gostou? Gostei mesmo!!!!!! Quer saber mais? Acesse aqui para ler o texto na íntegra.

Quer outro exemplo de como a minoria é atravessada pela maioria e vice-versa? Manda! Tu sabes que, como afirmou a estoteante alegria chamada Rosa Luxemburgo, o capitalismo traz para dentro de si tudo que pode está fora, logo, o capitalismo não exclui, mas inclui, não importa quem ou o eu tu sejas. Certo, manda uma que eu não sei. Viche; calma! Tudo bem. Então, o mercado, já faz um tempo, descobriu que pode lucrar com o público homossexual. Sim, verdade. Nisso podemos ver duas coisas. Diga a primeira. Sim: a minoria homossexual, enquanto devir, é produção contínua que passa subvertendo todas as práticas constituídas, seja a moda e em outros segmentos eles transformam as formas convencionais e criam suas próprias práticas. Segunda. Sim: estas práticas novas são absorvidas pelo mercado da economia capitalista e pode reduzi-las somente a mercadorias, tirando a característica de atividade criativa próprias delas. Entendo, mas o que fazer? Ora, tantar ao máximo realizar uma economia sem mercado, onde a criaitividade não seja capturada como propriedade privada, mas seja a expressão livre das atividades de corpos e cerébros criativos. Legal, dá uma olhada nesta reportagem aqui.

Quando tu olhas em meus olhos amor, o que enxergas? A mim mesmo através do reflexo, mas não sou eu quem me olha, pois são meus olhos que me olham através do seu olhar. Há esse teu olhar! Platão às vezes pode ser interessante. Sim, concordo. Mas por que começou a falar desta maneira ontologica de olharmos para dentro de nós mesmos através do olhar do outro? Olha esta: segundo uma equipe de pesquisadores da Cornell University (EUA), está no olhar um preciso indicativo se alguém é homossexual ou heterossexual. Como? Dizem que as pupilas dilatam quando ficamos excitados; eles explicam assim:  “Então se um homem diz que é hétero, suas pupilas dilatam diante de situação de estímulo visual com mulheres. O oposto acontece com gays, as pupilas dilatam com homens”. Nada mais senso comum. Vamos esperar mais estudos para falar algo. Sim, mas imagina se levarmos em conta este pressuposto? Sim? Viche, vai ser uma loucura; o cara olha pra o cara e a pupila dilata; a cara olha para a cara e a pupila dilata, ambos olham para um tambaqui  cozido e as pupilas dilatam… amor. Diga! Tou com a pupila dilatadinha olhando para ti. Para, temos que trabalhar e nem quero te olhar, se não…

Vamos para a Ásia. Eita, vamos que vamos. Taiwan celebrou sábado passado (11) a primeira cerimônia budista de casamento igualitário. As noivas You Ya-ting e Huang Mei-yu, de 30 anos, ficaram 7 anos namorando e esperando a oportunidade certa para o casório. Uma atitude simbólica, mas que pode revolucionar as causas minoritárias homossexuais por lá, não é? Se é!!!!!!!!

Tenho uma preocupação. Diga qual. Se as minorias são a potência do devir elas não podem reproduzir os comportamentos próprios da constante de onde é extraida a maioria. Sim, preocupação digna, mas por que ela agora? Vemos a potência menor atravessar os territórios das segmentaridades duras, mas será são apenas novas formas de identidades se constituindo. É algo a se pensar. Pois não é! Digo isso por causa dessa notícia que vi: “A oficial do Exército americano Tammy Smith, de 49 anos, foi promovida na última sexta-feira a general de brigada, em uma cerimônia formal no cemitério militar de Arlington, em Washington. Durante este tipo de ato, é o parceiro ou a parceira do soldado quem coloca a insignia correspondente no ombro do oficial. No caso de Tammy, coube a sua esposa, Tracey Hepner. Com a promoção, o Exército americano tem sua primeira general abertamente gay”. Realmente é uma subversão a ordem estabelecida, mas… Lá vem com desconfiança. Vamos ver se essa vai revolucionar ou se vai só se adaptar. O que não podemos fazer é julgar. Sem dúvida, amor.

O mundo inteiro terá de se transformar para eu caber nele Clarice Lispector

O SEMPRE NOVO TORNEIO DE PIÃO: MAIS UMA PRODUÇÃO DAS CRIANÇAS AFINADAS

No último domingo na sede do Kinemasófico localizada na Rua Rio Jaú em Manaus, a brincadeira começou mais cedo por volta das 17 horascom o a Primeira Rodada do Torneio de Pião produzido pelas crianças afinadas.

Depois da distribuição dos peões, feita há pouco mais de um mês, as crianças treinaram e se prepararam para o torneio, onde o mais importante não é ganhar e sim produzir o brincar.

No início da brincadeira, todos os piões estão dentro do segundo círculo e cada criança tem que rodar o pião, pega-lo na mão e ir retirando um por um. Caso o pião não rode, ou não toque no outro pião a vez é passada. O vencedor é aquele que primeiro retirar e depois colocar todos de volta no centro.

E começada a brincadeira com os piões no centro da roda, a cada jogada era uma consolidação da brincadeira, que logo foi ficando mais emocionante. Aos poucos a rodada ficou cada vez mais disputada ficando difícil saber qual seria o resultado.

Ponto a ponto, girada a girada, os piões foram iluminando a boca da noite que chegava com a rodada e a brincadeira dos grandes piões do universo: o sol sendo tirado do círculo pela lua. A competição estava empatadatendo William, Michael Douglas e Anderson um pião dentro do círculo. Chumbinho, Tiago eoutras crianças estavam com seus piões já próximo do círculo.Porém assim como a vida é feita de acasos, os piões giraram no acaso da brincadeira.

Na última rodada o talento de Tiago girou e se colocou dentro do círculo, fazendo com que ele se sagrasse o vencedor da primeira etapa do Torneio. Com esta vitória, Tiago disputará a grande final com o vencedor da próxima etapa do Torneio de Pião, que ocorre no fim da tarde deste domingo e que será seguida de uma grande festa, pois assim como a brincadeira, a vida tem que se renovar em festa. E roda, pião!

A OPERAÇÃO CONTRA A PEDOFILIA EM MAUÉS E OS SÉCULOS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NOS INTERIORES AMAZÔNICOS

O pior crime dos homens maus é interromper a infância das crianças.” Jean-Luc Godard

Desde que Jorge Bodanzky e Orlando Senna fizeram o cinema-documentário Iracema, uma transamazônica, que davam uma demonstração do abandono dos interiores amazônicos, vão-se 35 anos. Miséria e prostituição de todas as formas, entre elas a prostituição infanto-juvenil, da qual participa a protagonista, Iracema. Talvez o quadro tenha sido retocado com as cores da sofisticação, mas o crime continua seguindo a mesma linha da perversidade.

Pode-se dizer que tal crime contra crianças e adolescentes passa a existir desde que os europeus descobriram que podiam trazer para terras nunca dantes navegadas suas taras e perversões sexuais há mais de meio milênio atrás. Passando pela transamazônica, são criadas redes de exploração sexual infanto-juvenil envolvendo respeitáveis senhores e há uma banalização da prática na internet. Apenas com a criminalização da pedofilia, a prática dessa exploração vai saindo da banalização. Mas a saturação do mesmo enunciado de violentação histórica continua.

UMA PERVERSA REDE DA PEDOFILIA EM MAUÉS

No último sábado, em Maués, interior do estado do Amazonas, há 267 quilômetros de Manaus, desde que um homem chamado Ivonélcio foi preso, acompanhado de uma garota de 14 anos, em flagrante no motel Sonic no sábado passado (24), foi desencadeada uma operação para investigar uma rede de pedofilia no município.

A operação foi desencadeada porque a menor afirmou à polícia que já havia praticado o programa outras vezes e falou de outras garotas que também participavam, além de apontar o homem que a agenciava. A polícia logo descobriu que apenas este homem trabalhava com dez garotas. E logo descobriu que havia mais dois agenciadores.

Segundo Mário Melo, delegado em exercício em Maués, crianças e adolescentes de 11 a 15 anos eram recrutadas pelos agenciadores, e cobravam valores entre R$ 30 e R$ 100 aos acusados por programa com as mesmas. Aumentando o fetiche patológico-desviante, se a menina fosse virgem, o preço subia até R$ 1 mil.

Até ontem à tarde, por fazer uso da criminosa rede, nove pessoas haviam sido presas, entre empresários, comerciantes e servidores públicos. Um dos agenciadores encontrava-se foragido. A proprietária do motel Sonic encontra-se entre os presos.

Segundo se sabe, um dos presos também é um músico conhecido na cidade. O delegado chegou a afirmar que podem existir políticos envolvidos, mas não pode tornar público outros detalhes, uma vez que o juiz da Comarca de Maués, Luilton Pio Almeida, emitiu os mandados de prisão, decretando que o inquérito corresse sob sigilo.

Segundo ainda o delegado, os acusados responderão pelos crimes de Estupro de vulnerável, Prostituição Infantil e Formação de quadrilha.

UMA TESSITURA HISTÓRICA DA PERVERSÃO

Em vários textos neste bloguinho já foi analisado que a pedofilia não passa de uma doença sexual do adulto infantilizado, que não tem qualquer maturidade sexual e, por isso, perverte-se violentando crianças e adolescentes. Mas não é apenas uma questão psicológica. Por outro lado, há toda uma realidade objetiva massacrante que corrobora com permite e insufla esses sintomas a se manifestarem. A realidade social das cidades e interiores do Amazonas e de outros estados do Brasil e outras cidades do mundo.

Aquela miséria apontada em Iracema, uma transamazônica, continua no Amazonas há décadas devido ao abandono dos interiores do estado, e continua casada com a exploração de todos os tipos, entre elas a exploração sexual contra crianças e adolescentes. Pedofilia.

Além da ineficiência e inexistência dos serviços públicos, não há qualquer projeto pelo governo do estado – sendo que a grande maioria dos prefeitos dos interiores é correligionário do governador – para auxiliar no desenvolvimento saudável das crianças.

Portanto, a pedofilia não é apenas fruto da perversão de adultos com sexualidade encruada e desviante, mas da impossibilidade, em nossa sociedade, de grande parte dos homens de amar, ou seja, de atuar na construção de uma cidade fundada num outro tipo de rede onde os pedófilos não encontrem crianças tão segregadas e violentadas pela família e pelo Estado. Uma rede democrática com laços materiais e imateriais que permitam às crianças um desenvolvimento natural de suas faculdade físicas e mentais. Tudo que os tiranos não desejam. Mas se os tiranos não desejam…

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Leia também neste bloguinho:

OMAR PEDÓFILO”: NOVAMENTE OS PANFLETOS E AS PICHAÇÕES EM PONTOS DE ÔNIBUS

NOTAS SOBRE A PASSAGEM DA CPI DA PEDOFILIA POR MANAUS E COARI

1º TORNEIO DE PIÃO AFIN 2011

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Gira, pião! Mas com antecedência uma moçada afinada distribuiu piões de diversos modelos, todos com mais ou menos o mesmo tamanho para que o torneio se iniciasse de forma equitativa. Foram marcados os dois últimos domingos para a realização das duas etapas do torneio.

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Como existiram e existem diversos tipos de pião – e hoje apareceram também os piões de plástico -, foi fixado como pião este que é feito de madeira, que tem ponta de metal e é rodado a partir de uma corda. Na data marcada da finalíssima, domingo passado, antes de tudo, houve uma conversa sobre a história do pião. Só então girou o mundo. Gira, pião!
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As regras do jogo foram discutidas e formuladas pelos próprios participantes e acordadas por todos. Consistia em que cada jogador teria que tirar todos os piões do círculo marcado no chão, e depois teria que colocar todos de volta, perdendo a vez aquele que não conseguisse tocar o pião rodando em outro.
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Após as duas etapas, duas tardes de domingo, na qual os participantes demonstraram técnica e invenções na forma de jogar o pião, foram apontados os ganhadores, que foram agraciados com cinco medalhas fabricadas especialmente para o torneio.
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A alegria de brincar, aumentada pelo fascínio que os volteios do pião exerce, deixou a criançada eufórica. É o que se pode ver das falas que gravamos com os participantes, enquanto eram distribuídas as medalhas.


Dona Antônia entrega a medalha ao Gabriel, que ficou em 5º lugar. Beatriz entrega ao Rodrigo, o 4º lugar.

Esse torneio que nós participamos hoje é o melhor do Brasil. Essa medalha aqui é a medalha dos profissionais, de quem sabe jogar pião. Todo mundo viu que é de verdade.” (Gabriel)

Foi muito difícil jogar nesse torneio, mas foi bom. Foi muito bom. Valeu! Todo mundo reunido, e na hora a gente viu todo mundo jogando bacana mesmo. Valeu!” (Rodrigo)


Ismael entrega ao Anderson, 3º lugar, e Ana Cristina entrega ao Tiago, 2º lugar.

Aqui, mano, foi o torneio de pião mais legal. Aqui, mano, eu, Tiago, Maicon, Biel, esse moleque aqui ganhamos. Sabe, nós somos campeões. Nós merecemos, mano, porque nós jogamos direito o negócio, sabe?” (Anderson)

Ei, mano, foi muita onda, o torneio de pião aqui pra nós aqui na área, eu e os moleques todos aqui que jogamos na paz, como todo mundo sacou a jogada.” (Tiago)

fotoNo 1º lugar, Maicon Douglas recebe a medalha de Bianca, presidenta da Afin.

Eu e a molecada aqui no torneio de pião, porque todo mundo se preparou beleza pra vir aqui e rodar assim sabendo rodar o pião.” (Maicon)

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E foi assim que a AFIN realizou a vivificação, o que está previsto a ocorrer todo ano, de uma brincadeira que vem desde a antiguidade, passando por todas as civilizações, e que, devido à industrialização, tem diminuído bastante suas manifestações nos últimos anos no Brasil. Mas aqui não. Gira, pião! Gira no movimento intensivo do cometa Afin!

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NA MALDADE DA GLOBO, A CRIANÇA É TRISTE RIMA: ESPERANÇA

A criança é um devir. Uma potência criadora que joga o jogo de principiar o novo, como afirma o filósofo Nietzsche. Como princípio de seu próprio jogo, a criança é uma singularidade não capturada pelas forças assinaladoras, segmentadoras e imobilizadoras manifestas nos preceitos e normas milenares dos costumes e hábitos que obstruem a vida que ela é. Em seu jogo, a criança nunca é esperança. “A esperança é uma alegria instável, nascida da imagem de uma coisa futura ou passada, de cujo resultado duvidamos”, diz o filósofo Spinoza. Nisso, a esperança é uma paixão triste, posto que a dúvida é efeito do medo. Daí que onde há esperança há medo. E onde há medo não existe presente construtor.

Porém, a criança como um ser que joga sua original singularidade de ser única, não se encontra livre do mundo que lhe rodeia, ela luta até quanto pode para escapar do inconsciente psicótico dos adultos que lhe quer bem modelada, como afirmam os filósofos Deleuze/Guatarri. Mas como a criança ainda não possui uma faculdade de discernimento capaz de lhe auxiliar para que ela não seja vitimada por essa dor psicótica, um dia ela é capturada. Capturada, mas não vitimada de todo. Há ainda em si o devir/criador, a hecceidade, o informe, os fluxos, as linhas de fugas criadoras que a conduzem por zonas de indiscernibilidade, o meio por onde se processa a alegria da vida, que esses adultos psicotizados não conseguem, paranoicamente, eliminar.

Assim, a criança é sempre um processual continuum, mesmo quando se encontra submetida às forças de adultos capturados, modelados, registrados, serializados e normatizados pela subjetividade laminadora do Capitalismo Mundial Integrado (CMI). Adultos que entregaram suas liberdades a esse princípio de equilíbrio social em troca da ilusão do consolo, do amparo, do conforto e do reconhecimento que suas existências escravizadas necessitam, como tristes sujeitos-sujeitados cheios de esperanças.

A CRIANÇA ESPECTRO DA GLOBO

A Rede Globo propaga exatamente esse princípio de valores representado na subjetividade semiótica do Capitalismo Mundial Integrado, que assinala, com seus códigos comunicacionais fetichistas, tudo que ela se apropria. Por essa razão, a Globo não trata a criança como um devir criador. Trata-a como uma projeção de suas ambições fetichistas do mundo do lucro, onde tudo é mercadoria. Assim, a criança propalada pela Globo não é criança, mas tão somente um espectro, que amparado pela UNICEF, que tenta passar um comprometimento com a melhoria da humanidade. Tudo que não pode realizar, visto que trata com um mundo absurdo das fantasmagorias dos valores do capital (Marx).

A prova mais evidente está em sua compreensão em fazer meios de comunicação. No caso em vigor, televisão. A grade de programação da Globo por si só é uma irrefutável constatação de que ela não possui corpus epistemológico e ético para produzir uma programação que auxilie na produção de cidadania. Ela não apresenta para a população brasileira nenhum signo que se possa tomar como serviço público e disciplina cívica, que é o ser de um veículo de comunicação democrático. A Globo não expressa o fator educação. Sua grade de programação é uma total violência contra a criança sem esperança. A criança devir. A criança cujo brincar é seu principiar ontológico, que lhe tornará um cidadão sujeito construtor de sua história. Todos os programas ditos infantis da Globo não seguem as faculdades imaginativas e cognitivas da criança. Todos eles são aparelhos de possessão da mente infantil para prepará-la para ser um bom consumidor quando adulto.

São 25 anos de total possessão da mente da criança, em um macabro ritualismo, cujo único objetivo é lucrar. Tivesse a Globo, nesses 25 anos, acabado com todos os seus programas ‘xuxiados’, ela teria contribuído, um pouco, para que a criança não tivesse esperança, mas vivesse seu presente com alegria e segurança. Mas a Globo não pode tomar essa decisão racional, visto carregar a compulsão pela dor da tirania e da escravidão.

A filósofa Hannah Arendt diz que a autoridade de uma pessoa é produzida no momento em que, racionalmente, ela se responsabiliza historicamente pelas gerações que encontra em sua vida. Responsabilidade pelo mundo que será entregue às novas gerações. Que, por sua vez, também passarão a ser responsáveis pelo mundo. Eis a autoridade. Nada que se consegue através de um rito de passagem, uma outorga por ser adulto, ou representante de uma instituição. Mas um estado que se produz através da razão e do diálogo. O que leva a filósofa a afirmar que todo aquele que não tem responsabilidade pelo mundo não deve se envolver com a educação das crianças e muito menos ter filhos.

Assim, a Globo não tem autoridade para tratar do tema criança. Ela nunca teve a responsabilidade histórica pelas gerações que se sucederam diante de seu vídeo. Muito pelo contrário, ela contribuiu massiçamente para criar um universo pavoroso de alienados que hoje lhe seguem como zumbis, mostrando para seus descendentes a mesma tela horripilante que lhes transformou em espectros.

No mais, a Criança Esperança da Globo, é a representação estúpida da soma da irracionalidade da emissora, mais os “artistas” alienados, e a culpa social de alguns telespectadores. Tudo que não atinge a criança/devir. A criança que nenhum afeto triste do adulto pode rimar com esperança.

A ESTUPIDEZ DA EXACERBAÇÃO DISCIPLINAR NAS ESCOLAS DE MANAUS

O indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola (“você não está mais na sua família”), depois a caserna (“você não está mais na escola”), depois a fábrica, de vez em quando o hospital, eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência.” (Sobre as Sociedades de Controle, Gilles Deleuze)

Qualquer pessoa, como se diz, em sã consciência, que se deparar com uma lei contra indisciplina e violência aprovada no sentido de coibir o uso de “aparelhos eletrônicos estranhos à rotina”, “telefones celulares”, “palm tops e similares, bem como os aparelhos receptores de rádio e outros sonoros afins” e até “o porte de armas de qualquer natureza” acreditará que se tratará de uma lei destinada a uma instituição prisional. Poderiam ser códigos de conduta para Bangu I e II (não confundir com o time de futebol carioca), por exemplo?

Errado. São prescrições constantes no Projeto de Lei nº 311/2009, do vereador Massami Miki (PSL), aprovados pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) na segunda-feira (19), determinando a “adoção pelo município de medidas preventivas para deter a indisciplina e a violência escolar na rede municipal de ensino”.

Certo. Poderiam ser, pois como demonstra Michel Foucault sobre os “grandes meios de confinamento” da sociedade disciplinar – a partir do qual Deleuze inferiu o enunciado-epígrafe acima -, seus visíveis códigos podem até sofrer uma pequena variação de grau, mas são de mesma essência. (Com isso, este bloguinho intempestivo não quer de forma nenhuma paliar a estupidez de Massami e de todos os vereadores, uma vez que o projeto foi aprovado. Ao contrário, deixar claro, além da estupidez, a paliação retrógrada generalizada na CMM.)

Acontece que os dois amigos filósofos sabiam que essa sociedade disciplinar, com suas “máquinas energéticas” (corpo e maquinaria), seriam apenas um entreato entre as antigas sociedade de soberania (“máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios”) e as sociedades de controle, que “operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores”.

Na sequência da linha: celular, iPod, mp3, mp4, blutuf, infra-vermelho, iPhone, PC… Cada um com milhões de modelos e zilhões de funções. Hoje, na periferia da periferia do Terceiro Mundo, Manaus, um garoto de 12 anos em duas semanas monta e desmonta e ‘incrementa’ e opera um computador diante dos olhares estupefatos de seus pais tal qual os pais destes viram pela tv o homem pisar na Lua.

Muito reproduzido entre os deleuzianos, poucos observaram a forma como Deleuze faz o poder provar de seu próprio veneno como uma cobra que morde o próprio rabo, quando ele acrescenta à sociedade de controle que o “perigo passivo é a interferência, e, o ativo, a pirataria e a introdução de vírus”.

Algum leitor intempestivo, sorrindo, pode perguntar: “Mas o bloguinho quer que os vereadores de Manô compreendam esse papo filopedagógico?” Em sua inteligência intempestiva, sorrindo mais ainda, saberá: “Este bloguinho não mantém nenhuma expectativa quanto aos vereadores de Manô, e é evidente que não faz qualquer composição com estes medíocres edis. Quanto mais que está nas ruas, nas escolas, comunidades, no mundo inteiro, cosmicamente, onde é possível fazer alegres composições democráticas.”

A VOLTA DO CIPÓ DE AROEIRA NO LOMBO DE QUEM MANDOU DAR

Afora a exacerbação das estupidezas do projeto do vereador Massami – por exemplo: em que situações era permitido antes de seu projeto o porte de armas de fogo no ambiente escolar? -, sabe-se que não são poucos os sistemas educacionais que apelam para a normatização disciplinar como forma de tentar proibir o que compreendem menos do que aqueles que não acreditavam que o homem chegara à Lua, com a diferença que a Lua estava a uma considerável distância, enquanto os misteriosos aparelhinhos estão ali no quarto do filho, na carteira do aluno. Mas se a maior distância é a daquilo que estamos próximos e não compreendemos.

Muitos dizem que a escola não deu certo. Vamos além: ainda bem que não deu certo. Sabe-se que a escola, enquanto instituição, sempre foi um meio de confinamento do Estado, onde se forjavam, a partir da planificação de corpos e mentes, suas verdades e realidades. Quando a multidão escapou/escapa, heterogeneamente, da sociedade disciplinar, a escola tentou/tenta, em uma nova sociedade, de controle, segundo Deleuze, implementar novas formas de dominação e outras adaptadas das velhas sociedades de soberania: “as formas de controle contínuo, avaliação contínua, e a ação da formação permanente sobre a escola, o abandono correspondente de qualquer pesquisa na Universidade, a introdução da “empresa” em todos os níveis de escolaridade”.

Quando a instituição escolar, em sua impotência, falha nessa sociedade, não conseguindo manter o seu papel juramentado com o deus Mercado, é preciso retroceder covardemente às formas disciplinares. (Por que não impediram a venda dos aparelhinhos? Porque tinham um pacto na mesma ordem.) Se pudessem, voltariam aos tempos da palmatória e do cipó de aroeira, que estão, neste retrocesso, apenas disfarçados. Cadê o Conselho Tutelar, o Juizado da Infância e Adolescência? Ou isso não é caso de violência contra a infância e a adolescência?

Mas esse tipo de transposição da responsabilidade do Executivo (prefeitura) para o Legislativo (câmara municipal), no caso da aprovação de uma lei já contemplada em outros dispositivos legais que não lhe conferiram cumprimento, serve mais para uma visibilidade da Lei a fim de fortalecer os métodos de coerção do Estado. No entanto, é provável (apenas para não dizer com certeza) que seja inócuo pelo menos por dois motivos.

Primeiro porque toda Lei que atinja uma grande coletividade – mesmo que seja para o seu “mal” -, em Manaus, acaba por não ser cumprida. A inobservância da lei se observa, por exemplo, na quantidade de passageiros que podem transitar, legalmente, em um ônibus coletivo. Só que os passageiros suportam (suportar é estar em conivência); as crianças e adolescentes, não. Além de que estarão apoiadas por seus pais, que usam celulares, por exemplo, e os têm como aparelhos utilitários, e que compram os aparelhinhos para presentear seus queridinhos nos seus aniversários.

E segundo, porque as punições, se ocorrerem, acabarão por ser insustentáveis, embora saibamos que os enunciados de violência possam se repetir. Quais as penas previstas? Advertência, suspensão, reprovação, transferência, expulsão, confinamento… É até uma incongruência num momento em que os próprios os governos reclamam a melhoria dos índices educacionais, principalmente no tocante à grande evasão, principalmente como forma de auferir maiores verbas para a área educacional.

Além de não conseguir, pois a disciplina foi suplantada, vão levar no lombo o cipó da aroeira. A não ser que seja apenas que a “nova” Lei sirva apenas como paliativo para disfarçar alguma irresponsabilidade em modernizar a educação no estado do Amazonas (Braga/Omar), na cidade de Manaus (Amazonino) até segunda ordem, mantendo o decadente sistema educacional ainda na forma disciplinar.

CARCEREIROS VS. EDUCADORES

No caso do projeto de Massami, sua desatualização é tal que a justificativa mais convincente que ele encontrou foi uma “pesquisa realizada [provavelmente pelo “insuspeitíssimo” instituto de Montenegro] no Estado de São Paulo onde, por conta de iniciativa como essa, a indisciplina em sala de aula diminuiu 26,4% e a criminalidade dentro das unidades e no entorno caiu cerca de 20%”. Por tal, o vereador afirma que “há como reverter os índices da violência escolar. Fortalecer a comunidade e promover sua participação social e política pode ser o primeiro passo na resolução de muitos conflitos”.

Levando-se em conta tão desbaratada e alienígena justificativa, parece que a condição de refém em que a dupla PSDB/DEM, em 16 anos de des-governo no estado e na cidade de São Paulo, foi colocada perante o PCC é apenas peça de ficção da oposição, que tem na insegurança aí instalada justamente um dos maiores trunfos de campanha eleitoral atualmente contra Serra e Kassab.

Mas aqui, assim como em muitos outros lugares onde aprovam projetos tão estúpidos quanto este, ao contrário do que se espera, a violentação maior não é contra os alunos-infratores, mas na arregimentação dos professores para atuar como carcereiros nas escolas municipais. Afinal, quem vai cumprir a ordem de vigilância integral? Por acaso a Prefeitura de Manaus vai arcar com o soldo de um segurança especializado em cada porta de sala de aula? Ainda que pareça absurdo, para o poder instituído – não somente em Manaus – isso não ocorre devido aos dispêndios salariais, senão… Senão no capítulo O Carcerário, o último da quarta e última parte do seu conhecido Vigiar e Punir, Foucault diz que, na sociedade disciplinar, quanto à função do “arquipélago carcerário, ele transporta essa técnica penal para o corpo social inteiro” e, segundo o filósofo, sua “extensão bem além da prisão legal é que ele consegue tornar natural e legítimo o poder de punir”. A CMM quer, dessa forma, transformar os professores municipais em carcereiros pós-modernos por métodos ultra-retrógrados. Aceitarão?

Para os educadores, não interessam as superfluidades das novas mídias – assim como das antigas/antiquadas -, assim como não se submeterão às “novas” regras carcerárias. Um educador afinado, por exemplo, fez uso de celulares com câmera, há dois anos atrás, para fazer um atividade científica/social/política sobre as condições dos igarapés do bairro Monte Sião, na zona Leste de Manaus. Assim como atualmente um outro educador está utilizando estes aparelhos (celular, mp3, entre outros) para realizar atividades práticas a partir dos entendimentos sobre as vanguardas europeias. O próprio cantor/educador (bem distante do alienado Caetano) Gilberto Gil, quando ministro da Cultura, utilizou apenas um celular para fazer clip de uma de suas músicas. São infinitas as possibilidades.

Só quem quer que as coisas continuem do mesmo jeito, uma vez que não percebem a inteligência dos alunos e não acreditam na existência de professores-educadores são a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado, que estão preocupados apenas no alavancamento disciplinar dos índices do Ideb e do Enem sem que isso comprometa ao mínimo o orçamento educacional, e ainda querendo, mesmo que à força, aumentá-lo.

O que tanto os gestores governamentais quanto os possíveis “novos” carcerários não verão é que nenhuma violentação conseguiu, em qualquer época, tolher o movimento intensivo, a criatividade das crianças, devir-criança, e nunca capturarão a elas e aos educadores em suas proximidades com elas, criando, com inteligência e ternura, no espaço escolar possibilidades constituintes incapturáveis, coisa que os adultos instituídos de poder e corrupção não compreendem.

A MALHAÇÃO DO JUDAS CAMARADA 2010

De conformidade com que já vem mandando à tradição das crianças e adolescentes que compõem alegrias na sede da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), na Rua Rio Jaú, N° 48, bairro Novo Aleixo, o Domingo de Páscoa foi além de pascoal. Foi, mais um domingo de encontro com o Judas Camarada.

Camarada, porque, ao invés de ser um simples ato muscular de desmonte do boneco que se passa pela indicação Judas, é uma composição lúdica, onde às crianças e os adolescentes distanciam o Judas, a-histórico, tido pela tradição dogmática como traidor, e passam à contracenar com o boneco por meio de diálogos, travessuras, além, é claro, de ter direito à fotos com o Judas Camarada.

Os percursos criativos das crianças e adolescentes, com o Judas Camarada, começam na apresentação dele para o público. Em seguida o público faz perguntas sobre o que ele traz de bom para platéia em seu Testamento, e ele responde. As respostas são dadas, algumas vezes, por um ator do Teatro Maquínico da Afin, ou por uma criança.


Depois o público faz varias perguntas sobre temas gerais. Como, qual seu time; por que a rua está esburacada, e cheia de mato, e lixo; quem vai ganhar as eleições para presidente – nessa Judas não vacila: Dilma! -; o que eles vão comer, e por aí vai.

Entrando em outra convenção, é a vez do Judas Camarada, fazer perguntas para a platéia. Perguntas como, qual a diferença dele, deste ano 2010, para o Judas de 2009; o que as crianças vão lhe dá de lembrança – em coro: couro! -; quem quer cantar uma música para ele, entre outras.


Em seguida, ocorre a apresentação dos bonecos criados pelas próprias crianças, com orientação artística do afinado-artista, Alci Madureira, também criador do boneco Judas, que esse ano, segundo às crianças, estava horrível, comparado com o do ano passado. Na apresentação dos bonecos as crianças mantém diálogos com a platéia seguindo tema do momento.

Chega, então, o primeiro grande movimento. A leitura do Testamento do Judas. Esse ano as crianças receberam envelopes com um bilhete onde o Judas Camarada, deixa escrito a lembrança que o seu amigo vai ganhar.

Exemplo:


Para meu amigo Guilherme (Guilherme, tem 4 anos).

Que o cinema é sua arte preferida

Deixo minha filmadora

Para filmar minha vida.

Depois do Testamento vem o momento lúdico-gastronômico, posto que criança brinca, mas precisa comer. Esse ano, além dos chocolates, teve especialidades da Afin. Uma bola-gigante transada pela geógrafa-atriz, Lucicléia, e dois bolaços de chocolates, transados pelo filósofo-economista, Anderson, acompanhado de refrigerante, nada das Colas. Tudo com direito à reprise. “É preciso comer para aprender e brincar”.


Barrigas cheias, hora das fotos para posteridade. Foram várias, como mostra o painel. Fotos com poses de quem tem intimidade com o Judas Camarada. O mais importante: ele atendeu todos. Em nenhum momento se sentiu chateado com tanta criança e adolescente. Que se diga, no momento, tinha mais do que nos dois anos passados. Prova que o Judas Camarada, está fazendo boas amizades.

Eis, que chegou o momento mais esperado. A malhação. “Afasta os menores que vai começar a porfia judalina”. Mas, já não era mais o Judas Camarada, era apenas o boneco de pano e de cabeça de isopor. Aí, o boneco voou no meio da arena. E tome correria, puxa pra cá, puxa pra lá, os menores já entraram, também, na fuzarca, todos querem uma parte do boneco, e o boneco, em sua santa disposição, aceita se oferecer, mesmo em pedaços.


E tudo terminou bem, como sempre ocorre quando são às crianças e os adolescentes quem comandam suas criações. Foi mais um ano de malhação-criativa. Ano que vem, mais encontro, porque o mais necessário é criar perceptos: novas formas de ver e ouvir. E criar afetos: novas formas de sentir. Para depois se construir novos conceitos existenciais. O que pode processar democracia.


Depois das crianças e os adolescentes rumarem para sua casas, ficaram os adultos da Afin, para realizar a faxina. Sem qualquer cansaço. Afinal, ia rolar um saboroso porco assado transado no mel e canela, acompanhado com umas geladas amargosas. “Pô, meu! A gente também ‘somo’ camarada do Judas Camarada, sacou, brother?”

UMA FESTA-CRIANÇA INTEMPESTIVA

Criança-Devir 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Não foi uma festa para as crianças. As crianças é que fazem a festa. As crianças é que são uma festa.

E foi assim que, numa composição entre a moçada afinada e as crianças do bairro Novo Aleixo, na encruzilhada entre as zonas Leste e Norte de Manaus, onde fica a sede da Afin, realizaram uma festança, aproveitando o chamado dia das crianças – e quando é que não é dia das crianças, já que para elas cada dia é sempre um novo dia.

Criança-Devir 02 por você.

Criança-Devir 03 por você.
Criança-Devir 04 por você.

Uma festança onde compareceram desde bebês nos braços de suas mães até aqueles que que já não se encontram propriamente na faixa etária, mas que tiveram uma infância gratificante e não esquecem em seus corpos a intensidade da criança, da vida…

Criança-Devir 07 por você.
Criança-Devir 10 por você.

Entre de risos e caretas, pantomimas e cambalhotas, as crianças desenharam, cantaram, dançaram, criando sempre um gesto, uma palavra inesperada a cada momento, manifestando a liberdade e a inteligência em movimentos incapturáveis.

Então veio o mata-broca, ou desbrocante, com muito bolo, guaraná, bombons e outras guloseimas que não só as crianças adoram. E tudo foi democraticamente repartido num banquete coletivo maravilhoso.

Criança-Devir 14 por você.
Criança-Devir 15 por você.
Criança-Devir 16 por você.
Criança-Devir 17 por você.

E o grande balão ainda estava elevado à alta noite, e as brincadeiras continuaram até não mais parar, pois quão bom é brincar para quem é criança e para quem será sempre criança no devir que passa livre para além de todas as funções, de todas a s violentações…

Criança-Devir 18 por você.
Criança-Devir 22 por você.
Criança-Devir 20 por você.

Quando eu era pequenina

Lá nas terra de cascata

Fazia chover fininho

Lá pras bandas destas mata

.

Muita água então descia

Formava um belo riacho

E meu barquinho de papel

Descia até lá embaixo

Meu barquinho de papel

Descia até lá embaixo

.

E quando eu crescere

Vou embora navegando

Até encontrar o sol

No rio da vida vagando

No rio da vida vagando

No rio da vida vagando

CRIANÇA-DEVIR CRIATIVO

Paul Klee

Toda criança ao nascer é um ser singular. Ela é só ela. Ninguém mais. Antes dela nascer, nenhuma outra criança nasceu igual a ela. Assim como depois que ela nasceu nenhuma outra criança nasceu com os códigos genéticos iguais aos dela. Toda criança ao nascer é ser um singular, afirma o filósofo Michel Serres.

Toda a criança, como singularidade, como ser receptivo, produz intensidades que escapam do mundo constituído como representação-imóvel. É seu Devir produtivo livre das amarras espaço-temporal do mundo representado dos adultos. A força de sua intempestividade. Sua turbulência, que declina o ângulo da segurança satisfeita do adulto. Seu Devir em constante luta contra o inconsciente neurótico dos adultos. Percursos inapreensíveis pelos adultos. Produtos de suas singularidades criativas. Sem temporalidade determinante da angústia de ter que ser uma identidade consignável pelo outro.

Mas eis que os adulto as querem ajuizadas, educadas, inseridas nos contextos da sociedade representativa, funcionando nas ordens dogmáticas estabelecidas do consciente social. Então eles as pegam pelas mãos e passam a mostrar seu mundo. Mostram Xuxa, Angélica, Maísa, Telenovela, Faustão, Fantástico, Shopping e outros territórios com seus estados de coisas definidos em enunciações sequestradoras de suas singularidades, o pavor dos adultos tiranizados/tiranos.

Na escola, professores, ecos da voz de comando do pensamento dogmático-social, exercendo, também, suas funções sequestradoras das singularidades, ensignam o que devem reproduzir para que se tornem, na vida adulta, um cidadão “feliz”. Bom garfo a colher dos “alimentos” servidos pela sociedade de consumo capitalística.

Bem ajustadas pelas máquinas de captura mental, elas esfacelam seus Devires nas muralhas das ordens dos adultos, que sequer em sonhos recordam que em alguns momentos foram singulares. Cada um, uma única vida. Esculpidas à imagem e semelhança dos adultos, elas cresceram aptas para atuar nos rituais de paralisação das vidas das crianças, da mesma forma que elas foram paralisadas, sem sequer desconfiarem que uma vez foram singulares.

Daí que neste dia 12, em que se comemora o Dia da Criança, as nossas homenagens não vão só para as crianças, mas, também, para os adultos que escaparam das amarras daqueles que lhes perseguiam quando criança, tentando ajustá-los na imobilidade do “sucesso tirânico, orgulho dos malogrados, mas que hoje auxiliam crianças a continuarem singulares como Devir-Intempestivo-Criativo. Estes que compõem a cartografia de desejos produtivos de novas formas de perceber e pensar.

Assim, damos vivas às crianças e adultos que, sempre turbulência, declinam o ângulo da satisfação e da indiferença, permitindo que a vida continue intempestivamente criativa, da forma que impossibilite a tristeza triunfar como um grande Não! contra a Vida que ativa o pensamento e o pensamento que afirma a Vida.

Vivamos, pois, CRIANÇAS!

MINISTÉRIO PÚBLICO QUER AFASTAR VILÃ MIRIM DE NOVELA DA GLOBO

O Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro enviou uma notificação a Manoel Carlos, autor(?) de uma novela da Globo denominada “Viver a Vida”, para repensar(?) uma personagem vilã mirim, Rafaela, interpretada pela atriz Karla Castanho, de apenas oito anos.

Segundo as procuradoras Maria Vitória Sussekind Rocha e Danielle Cramer, “nem todas as manifestações artísticas são passíveis de serem exercidas por crianças e adolescentes. O trabalho infantil artístico deve ser comedido, observando não só os aspectos legais, mas principalmente eventuais reflexos que determinado personagem pode provocar no desenvolvimento da criança”.

A VILANIA DO SIMULACRO TELEVISIVO

Praticamente todos os meios de comunicação sempre estiveram e estão mais interessados em substituir a comunicação por um simulacro de poder (Baudrillard), e por baixo desse simulacro, ou por cima, às caras, às claras – aliás, como em relação a todo simulacro -, apenas o vazio de comunicação, o vazio de qualquer forma de relação na ordem do real.

Um dos aparelhos mais poderosos de fabricação de “simulacros comunicativos” é a televisão, que, a partir do simulacro denominado “realidade objetiva”, causa dor e alívio – ou identificação e alienação– sempre de mãos dadas. Um binômio inseparável. Ou seja, primeiro o telespectador se identifica, o que lhe causa dor, e, em seguida, por proposições falsas, aliena-se.

Assim, envisca-se e suporta-se/aceita-se uma realidade objetiva massacrante de todos os pontos de vista – emocional, econômico, político, social, etc.

A VIL CLONAGEM DA TELENOVELA

Assim como em tudo da televisão – de Sílvio Santos a Galvão Bueno, passando pelo casal Bonner-Simpson -, a telenovela é apenas um clone dessa realidade simulada; por isso sua hiperrealidade soa tão familiar aos olhos e ouvidos embotados dos videotas. O enredo é sempre uma trama maniqueísta cotidiana, temperada com uma dose de violência e sexualidade, às vezes com a escamoteação de alguma mensagem educativa(?) na qual o “bem”, embora tenha sofrido durante todos os dias (dor), sempre vence o “mal” no final, confirmando os valores da moral constituída (alívio).

Quem já viu uma novela televisiva, um capítulo, uma cena que seja, já viu todas as novelas. Tem até os atores que especializam-se em desempenhar sempre o papel, sempre em par, de galã/heroína e vilão/vilã.

O HIPERCLONE GLOBAL MANOEL CARLOS

Querendo-se diferenciar de outros autores, lemos numa notícia que esse mesmo Manoel Carlos já havia tido outros problemas judiciais pelo uso de crianças nessas tramóias hiperreais: “Em 2000, um juiz proibiu que crianças atuassem em ‘Laços de Família’ por considerar que a novela contava com muitas cenas de sexo e violência”.

Neste caso, chegamos ao extremismo de clones pleonásticos. O título da novela – “Viver a Vida” – é uma beleza de pleonasmo. Além de um crasso erro gramatical, o pior é saber que não há nenhuma ação-Viver nem substância-Vida filosofantes de criação, desejo, singularidade, potência. Apenas redundância, ressentimento, vingança, amor-ilusão-e-dor, esperança, moralidade, etc. Tudo vida que é morte, como diria Zaratustra-Nietzsche; ou seja, não-viver, não-vida.

Mais, na busca pela hiperrealidade, a própria criança se torna clone dos adultos infantilizados, reproduzindo sua dissimulação e picardia, muito distantes do movimento intensivo de devir-criança em um tempo não-pulsado, onde a lógica instrumentalista dos adultos não alcança, não compreende, não captura.

HIPERREALIZAÇÃO DA VIDA COMO NOVELA

Nessas tramoias hiperreais, que controlam desde gostos a comportamentos, tudo doentio, pois que frutos plastificados em artificialidades fantasiosas, mas que controlam uma conversa pela manhã, a escolha da comida no almoço, o corte de cabelo, o encontro com uma namorada, com os amigos, a forma de educar um filho, a música a ouvir, o filme a assistir, etc.

Assim, o MPT-RJ deu apenas um passo para inibir a exploração de uma criança, notificando o autor para repensar as peripécias da personagem, exigindo a “harmonização entre o trabalho infantil artístico e a fixação de parâmetros que protejam minimamente o exercício das atividades”. Mas terá que tomar outras medidas, uma vez que não há nada que caracterize pensamento – sendo impossível repensar – na Globo e suas novelas, inclusive em seus clones em outros canais.

A questão é muito mais ampla e passa por um debate amplo, para além da viscosidade e da alienação midiotizadoras, em torno das concessões públicas de rádio e televisão, o que deve envolver toda a população num debate vital para a afirmação da democracia, da inteligência, da vida.

XUXA CONDENADA POR PLÁGIO?

Julgando Processo movido por Virginia Maria Oliveira Borges contra a apresentadora de televisão Xuxa, sua empresária Marlene Matos e mais a TV Globo, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Xuxa a pagar uma indenização por dano moral à requerente, que afirmou ter uma produção de brincadeiras para crianças de sua autoria, apresentada em programa da mãe da Sasha sem sua autorização.

A defesa de Xuxa, que pediu a extinção do processo, argumentando que a ex-rainha dos baixinhos recebia os roteiros dos programas já definidos, por isso não conhecia de onde partiam as idéias que davam origem às brincadeiras, recebeu, do relator do processo, ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a negação de não acolhimento do pedido. Por tal, pensa em recorrer.

Deixando de lado a condenação por plágio, ou apropriação indébita, que, juridicamente, é mais que justa, esta questão, tratando-se de programação de televisão, que é tão somente efeito das exigências de segurança do lucro imposta pela indústria de entretenimento da sociedade de consumo, a produção das brincadeiras da lavra de Dona Virginia, para ser utilizada por Xuxa, só podia ser também um plágio do modelo determinado pela indústria de entretenimento.

Como se trata de uma violenta clonagem, onde todos os programas chamados para criança seguem a mesma condição replicante para tornar as crianças também replicantes, sem nenhuma singularidade, ou devir/individuação, o que faz da criança um ser ativo poieticamente, Dona Virgínia também plagiou. Já que ninguém se mantém lucrando na indústria do entretenimento se não seguir as normas do mimus (reprodução mimética) desta indústria. E é aí que dormita o monstro devorador da razão e imaginação infantil. Assim como Dona Virgínia, muitos atuam nesta correnteza do plágio clonador que anemiza o presente criativo das crianças para que elas cheguem a vida adulta indiferentes, sem convicções pessoais, atrofiadas em suas faculdades críticas, condição social de examinar seu mundo. Então, como adultos replicantes, bem clonados, encontram-se prontos para assimilar as dores e as violências das telenovelas, Fantásticos, Faustão, Jornal Nacional, Jô…

Desta forma, Xuxa e Dona Virgínia fazem parte da mesma sociedade dos plagiadores. Nenhuma das duas é diferente da outra. Como neste caso da clonagem televisiva ainda não haver lei para condenação, cabe aos telespectadores adultos condenarem, juntamente com suas crianças, as duas replicantes, desligando seus aparelhos de televisão. Aí surgirá o adulto ativo. Senhor de seus sentidos e sua razão.

ESTUDO REVELA O ALTO ÍNDICE DE VIOLÊNCIA CONTRA OS JOVENS

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) é um estudo desenvolvido pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) divulgado ontem, apresentando índices preocupantes. Entre eles, a estimativa de que cerca de 33 mil assassinatos entre jovens de 12 a 18 anos ocorrerão no período de 2006 a 2012.

A SEDH, através de sua subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, reconheceu a falta de políticas públicas para se evitar a violência contra os adolescentes, e comprometeu-se em buscar dialogar mais fortemente com os governos municipais e estaduais para diagnosticar focos e motivos dos altos índices de violência e estudar as possibilidades de intervenção para impedir que essas violências aconteçam:

Isso significa que teremos 13 mortes diárias por assassinatos de adolescentes. Considerando a preocupação brasileira com a gripe suína, em que cada morte é contabilizada dia a dia, é importante que a sociedade tenha a mesma indignação e preocupação com essas vidas perdidas na adolescência.” (Agência Brasil)

Seguindo essa análise, o professor Inácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, observou que os poderes públicos acabam interessando-se mais em preservar o patrimônio público do que em priorizar a vida. “Está na hora de o Brasil mudar suas prioridades”, avaliou ele.

MENINOS NEGROS FAVELADOS”

O estudo também revela que o risco de ser assassinado na adolescência é 2,6 vezes maior para negros em relação a brancos e é 11,9 vezes maior para adolescentes do sexo masculino que do sexo feminino.

Quem fez essa observação foi Raquel Willadino, coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas: “são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico de drogas”.

TOMADA DE POSIÇÃO

Pelas características dos adolescentes descritas acima, sabe-se que o problema da violência contra os jovens brasileiros é histórico, vindo no rastro da escravidão e secular favelização do Brasil, sendo antes de tudo de ordem institucional.

Mais do que os alarmes quanto à situação, revelada agora neste estudo fundamental, mas há muito conhecida de quase todas as comunidades das cidades brasileiras, o IHA serviu como o primeiro documento que coloca essa situação de forma real, numa perspectiva de ações para fragmentação dessa realidade objetiva massacrante e revelação de uma outra realidade.

Por isso, é fundamental a forma com que Lula observa a questão: “Acho que é verdade, que ainda faltam muitas políticas públicas para que a gente comece enfrentar o problema da violência.” Ele salientou a necessidade de criar trabalhos adequados para os jovens e, principalmente, para os pais desses jovens, estando a questão, nesse caso, muito ligada às questões de desestruturação familiar.

Ou seja, a partir desse estudo, é necessário e urgente a tomada de posição na criação de projetos distantes de simulações policialescas e paliativas (como o Galera Nota 10, em Manaus) e que, ao contrário disso, promova a possibilidade de oportunidades para que os jovens utilizem sua alegria e sua inteligência de forma atuante que não possa ser interrompida em seu movimento.

O pior crime dos homens maus é interromper

a infância das crianças.”

(Jean-Luc Godard)


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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