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MÃE LUCI, ENTREVISTADA PELO AFINSOPHIA NO 1° DE JANEIRO, PREVIU QUE TEMER COMEÇARIA A CAIR EM JUNHO ENTRE FOGOS JUNINOS. NÃO DEU OUTRA. AQUI A ENTREVISTA TRANSMUNDIVIDENTE

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Produção Afinaosphia.

  No dia 1° de Janeiro, o Blog Afinsophia entrevistou a Mãe Luci para saber dela quais as previsões para o ano de 2017. Como o país vivia sob o cutelo do golpe idealizado, elaborado e executado por parte do judiciário, Congresso Nacional e as mídias capitalisticamente acéfalas que assaltaram o país depois de usurpar o cargo da presidenta Dilma Vana Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos democráticos, a entrevista se transformou em trans-mundividência cujos encadeamentos enunciativos foram movidos pela realidade perversa que permeava a existência dos brasileiros que eram ofendidos pelos desatinos do golpista-mor, Temer coadjuvado por seus mentores e comparsas. 

  Agora, com a constatada deterioração do desgoverno golpista e com denúncia da Procuradoria-Geral da República que o indica, junto seu maleiro Rocha Loures, como autor de corrupção passiva, e que, consequentemente, fecha o ciclo de dor que os brasileiros são submetidos por essa tara-social, decidimos republicar a entrevista com Mãe Luci onde ela prever o fim de Temer no mês de junho sob os cantos, danças, iguarias típicas da época e foguetes.

   Entrevista publicada no dia primeiro de janeiro de 2017.

Em tempo-imóvel obstruindo o movimento real democrático por força da estupidez, cobiça e indigência existencial, saber de possíveis prospectivas que possam auxiliar nas manifestações futuras, O Blog Afinsophia, movido por seu engajamento no devir Afrosófico, foi até a Casa da Mãe Luci para ouví-la e saber quais as suas previsões para o ano de 2017.

Mãe Luci é mulher ativista, militante que luta em todos os territórios onde a liberdade encontra-se travada ou em ameaçada. As causas femininas, as defesas das crianças e adolescentes, causas dos trabalhadores, causas LGBT, causas indígenas, causas dos negros, do desemprego, da violência policial, do descaso escolar, etc.

Engajadíssima, Mãe Luci, é uma Mãe singular. Em função de sua estadia concreta na terra, ela pode manter estreitas relações com suas entidades que, como sensíveis observadoras das coisas da terra, lhe presenteiam com informações preciosas aos que acreditam nelas e necessitam de seus auxílios.

Só a título de informação as aberrações expressadas no Brasil através dos golpistas, nazifascistas, capitalistas vorazes e perversos, falsos políticos, entreguistas, americanófilos, entre outras indigências, para que elas não usem seu tempo morto lendo essas previsões, já que nada de alvissareiro encontrarão no futuro, Mãe Luci é uma das maiores defensoras das políticas sociais criadas pelos governos populares de Lula e Dilma. Desde pequena se viu envolvida com o povo, não só através das manifestações populares produzidas pelos moradores do bairro onde morava, mas também pelos comícios de candidatos quando era levada por sua irmã mais velha, que durante a ditadura fora presa e torturas, como foi Dilma.

Colocadas essas breves informações, vamos às previsões que também serão breves, justo porque Mãe Luci ainda tem que realizar uma oferenda na Praia da Ponta Negra que está sendo dominada por falsos pais e mães de santos submissos aos interesses da prefeitura que os têm como bons cabos eleitorais. E como Mãe Luci é original, singular e autêntica representante da cultura Afrosófica, só ela pode encarar os simuladores da Umbanda, Candomblé, Macumba e outras expressões negras que fazem uso da cultura afro para benefício próprio.

Blog Afinsophia (Reverenciando Mãe Luci) – Sua bênção, Mãe Lucia
Mãe Luci (Sorrindo afável) – Axé meus filhos e minhas filhas!

BA- Vamos iniciar provocando: o Brasil tem jeito?

ML – Não!

BF (Surpreso) – Não!?

ML – Não. O Brasil dos golpistas não tem jeito.

BA (Aliviando) – Que susto. Nós pensávamos que fosse o com letras maiúsculas: O BRASIL!

ML (Sorrindo) – Esse BRASIL não precisa de jeito. Ele não é torto. Ele é sua própria substância criada por si mesma. A questão é que nem todos que nascem no Brasil são brasileiros, e não sendo brasileiros não podem saber quem é o Brasil. Não basta ter uma carteira de identidade para se tornar nacionalmente brasileiro-patriota. Vejam os golpistas. Estão entregando as riquezas do país para o capital estrangeiro, principalmente o capital norte-americano. Esse Brasil que esses golpistas-entreguistas estão fazendo uso, não é Brasil substância de si mesma.

BA (Batendo palmas) – Essa pegou na veia. Com essa previsão a gente já poderia terminar a entrevista.

ML – Mas essa verdade é tão visível. A sociedade civil, que o Brasil substância de si mesma, vai às ruas, nesse ano de 2017, e desmontar esse golpe alienígena. E isso não é previsão é constatação.

BA – Bem, pelo o que a senhora está afirmando, o Temer vai cair?

ML (Dá uma profunda tragada no charuto) – Ele não vai cair.

BA (Preocupados) – Não vaia cair!?

ML (outra tragada profunda) – Não. Ele nunca esteve em pé.

BA (Aliviando) – É verdade.

ML – Foi por isso que os reacionários tramaram o golpe com ele como chefe. A mídia Rede Globo, CBN, GloboNews, Bandeirantes, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Época, IstoÉ, todas empresas burguesas têm ele como um inútil.

BA – Uma breve variável no entrevista. Esse charuto que a senhora está fumando é Havana?

ML – Sim. Foi uma amiga que trouxe de Cuba. Ela foi participar das homenagens ao comandante e trouxe alguns. Mas aqui no Brasil tem bons charutos. Vocês gostariam de provar?

BA – Não, com todo respeito ao comandante e ao povo cubano, principalmente os trabalhadores que cultivam a folha do fumo. Mas, Mãe Luci, dá para calcular em que momento o “deitado” vai sair?

ML – O “deitado” não vai sair, já que ele não tem pés. Ele vai ser tirado pelo povo. E isso vai acontecer ali pelas bandas das festas juninas. Para o povo aproveitar os fogos.

BA – E em ele saindo, quem vai assumir? Os reacionários tagarelam que querem o príncipe sem trono.

ML – O Brasil não é uma monarquia. E se fosse não haveria lugar para esse tipo entreguista.

BA – Mas quem assumiria? O presidente da Câmara Federal? O Renan não pode de acordo com o acordo que foi feito com Supremo Tribunal Federal. Quem assumiria, então?

ML – Ninguém.

BA – Ninguém!?

ML – Ninguém, porque vai ter eleições diretas. A partir de hoje, o povo vai às ruas lutar pelas Diretas Já. E apressadamente Já.

BA – E quem vai ser eleito?

ML – Putz! Isso é pergunta que se faça? Logo vindo de vocês da Associação Filosofia Itinerante? Gente ultra sacal?

BA – Sabe como é que é…

ML – Sabe como é que é, é Lula. Não tem pra ninguém!

BA – Mas aí, essa onda de perseguição do Moro sobre ele?

ML (Calmamente) – Meus filhos e minhas filhas. O Moro não é Deus. Ele pode até ter um complexo de Deus, mas como Deus não é uma psicopatologia, para Dele sair um complexo, Moro não é superior a Justiça. A Justiça exercida pelos justos que são movidos pela virtude da Justiça, e não pelos que se consideram justos porque concluíram um curso de Direito e foram outorgados pelo Estado como autoridades. Não esquecer que autoridade não é princípio nascido no Estado, mas nas vivências virtuosas que afirma a humanidade.

BA – Cacete, Mãe Luci! A senhora vai nas profundidades e transcende, também, a superfície. Vai muito além!

ML – Ora, minhas filhas e meus filhos, se eu não frequentasse esses territórios, profundidades e transcendência da superfície como eu iria encontrar minhas companheiras entidades, meus cabocos e minhas cabocas? E como eu poderia acreditar que eles e elas são autênticos, honestos e comprometidos com os que trabalham pela vida?

BA – E sobre aqui Manaus. Quais são as previsões?

ML – Olhem, se nós fossemos olhar e pensar através das perspectivas das representações dos poderes Executivo e Legislativos, tudo ficaria no mesmo. Na verdade, pior. Nós temos a pior bancada federal cujo caráter é golpista e é acometida de uma severa indigência intelectual. O que compromete o desempenho político-ético. Uma bancada de deputados estaduais, com pouquíssimas exceções, e uma bancada de vereadores sofrível. Também com pouquíssimas exceções. Por essas perspectivas 2017 será pior do que 2016, o ano perdido. Mas pelas perspectivas do povo amazonense e algumas categorias, o buraco vai ser mais em cima. Por incrível que pareça, até a classe dos professores, que é contagiosamente reacionária, vai fazer exame de autocrítica e vai infernizar, com toda razão o governador e o prefeito.

BA – Mas o governador parece que vai ser cassado definitivamente.

ML – Não importa. O governador que for vai andar nas pontinhas dos pés. Vai ter que ouvir os professores. E não só professores, os funcionários públicos em geral, porque são eles que fazem a máquina-produtiva e revolucionária do Estado se mostrar transformadora.

BA – Já que a senhora está falando sobre esses poderes, significa então que poderemos ter nas de 2018, para deputados algumas surpresas, já que os funcionários públicos ao tomarem consciência de suas importâncias para a sociedade, podem votar conscientemente, não votarem mais nesses golpistas atuais, e elegerem verdadeiros democratas.

ML – Certíssimo. Mas eu tenho uma previsão, nessa questão, para 2018.

BA (Ansiosos) – Qual?

ML (Sorrindo baforando) – O ex-deputado Francisco Praciano vai se candidatar, e ganhar com uma votação estrondosa.

BA (Batendo) – É isso aí, mãezita! E tem alguma previsão afirmando que alguns desses deputados reacionários não vão ser eleitos?

ML (Balançando a cabeça sorridente) – Tem algumas. Mas tem uma que vocês vão vibrar. É um deputado que é puta velha em mandatos. Já foi eleito tantas vezes que já poderia ter aposentadoria. Vou apresentar uma pista. Se dizia de esquerda.

BA – Será o…

ML – Eu não posso dizer, porque se não ele, sabendo que não ia ser eleito, não se candidataria, e não gastaria dinheiro na campanha. Como já ganhou muito, é melhor deixar que ele gaste inutilmente.

BA – Agora, Mão Luci, pra terminar duas perguntas. E a AFIN como vai ficar?

ML – Como sempre ficou: comprometida com as comunidades, trabalhando com a inteligência coletiva na produção de novas formas de existências, novas formas de ver, ouvir e pensar.

BA – Valeu. A outra pergunta é, será que o Flamengo vai conseguir ganhar do Vasco? Só mais uma: será que o Vasco volta para segunda divisão.

ML – A existência é vitória, derrota, empate e divisão, mas nada disso é fundamental para nós sermos felizes. O que conta mesmo é o trabalho coletivo que leva todos ao estado de comprometimento, solidariedade e, aí sim, a felicidade.

BA (Abraços e beijos) – Valeu, Mãe Luci! Boa atuação lá na Ponta Negra para espantar os falsos pais e mães de santos sem entidades.         

PRAÇA 14 DE JANEIRO, ONDE A FESTA É CONTÍNUA

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De janeiro a janeiro a Praça 14 é festa. Para quem não conhece Manaus, a Praça 14 de Janeiro foi um dos primeiros bairros a se constituir como realidade urbana. Mas não é por essa ordem cronológica que esse bairro é ponto de referência de um existir alegre. A sua singular referência encontra-se constituída no fato de ter sido um território de expressivas produções coletivas.

Historicamente foi o território escolhido pelas primeiras comunidades negras para servir de habitação. Território para formação dos signos necessários ao habitar. Uma antecipação prática do diria posteriormente o filósofo alemão Heidegger sobre ser: “Ser é Habitar”. Quando não se habita não, ontologicamente, não se pode ser tomado como ser. E essas comunidades negras concretizaram na Praça 14 de Janeiro sua morada.

E foi nessa morada, habitação, que foi possível ser constituída o folguedo nordestino, vindo do Maranhão, o Bumba-Meu-Boi que depois passou a ser chamado, inicialmente, em Manaus, de Boi-Bumbá. A 14, como é carinhosamente chamada, territorializou o Bumba-Meu-Boi que foi desterritorializado da terra do poeta Gonçalves Dias. Como território singular dos negros, se manifestou como quilombola manauara. Formas de relações culturais que preservaram os signos afros. Mostrar a 14 como território-morada das primeiras famílias negras, não significa torná-la a única expressão dessa etnia em Manaus. Existem outros territórios como Seringal Mirim, onde outras famílias negras foram habitar, e onde também surgiu o Boi-Bumbá Mina de Ouro, além de manifestações do Candomblé, Macumba, Umbanda, como já haviam se manifestado na 14. O que se enfatiza, é que a 14 promoveu com menos acanhamento a cultura negra.

Foi também da Praça 14 que saiu a primeira personagem engajada da luta pelos direitos dos negros. Quer dizer: foi na Praça 14 que foram encadeadas as primeiras manifestações de lutas política, social e cultural dos negros revelada na práxis do negro Nestor Nascimento, membro do PCB. Foi na Praça 14 que o rizoma Consciência Negra se emaranhou pela Manaus. Até então, falar em defesa do negro era uma temeridade. Visto trata-se de uma manifestação étnica-política em plena a ditadura militar-civil que se fixou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Ditadura que prendeu e torturou Nestor Nascimento.

Como território de manifestações coletivas, a Praça 14 não podia ficar de fora de uma alegoria que se encontra estreitamente ligada a sua expressividade cultural: o carnaval. Depois de muita experiência com o samba, onde as rodas de samba já haviam se tornado tradição, os moradores resolveram criar usar seus talentos musical e dançante e criaram a Escola de Samba da Praça 14. A Verde e rosa, lembrança carinhosa da “Mangueira, teu cenário é uma beleza”. Reduto contínuo do samba. Território da festança anual. Da festança singular de moradores que não arrefecem nem mesmo com todo descaso que as chamadas autoridades administrativas lhes submetem.

Hoje, é 14 de janeiro, e janeiro, com todo respeito a São Sebastião e ao Rio de Janeiro, janeiro é Praça 14. Parabéns, Praça 14, por confirmar que “costume de casa vai à praça”!

DEVIR-CRIANÇA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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Em seu processual de produção coletiva de enunciados agenciadores de novas formas sentir, ver, ouvir e pensar a Associação Filosofia Itinerante (Afin) tem se movimentado em encadeamentos heterogênicos de conteúdos e expressões que pretendem uma nova forma de existir. Uma produção de novos saberes e novos dizeres. Sendo assim, a Afin – que se encontra em contínuo movimento produtivo com dizeres e saberes de múltiplos territórios -, aproveitou a sua sessão dominical de cinema para criança – que já se encontra em seu quinto ano, Kinemasófico, no Bairro Novo Aleixo, Zona Leste – o território mais pobre e abandonado pelos governos -, apara realização do Devir-Criança Consciência Negra.

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Durante a noite de domingo, dia 24, as crianças foram, como sempre, as produtoras da festa. Foram exibidos alguns curtas com o tema negritude, o ser ontológico do negro, que permeou as comemorações da Consciência Negra durante a semana que passou. Embora seja um tema contínuo para novas formas de existir. As crianças no fim de cada exibição comentavam o conteúdo e manifestavam suas ideias. Depois das exibições dos curtas, as crianças passaram a usar recursos artísticos pessoais para expressarem suas relações com o tema, como a capoeira, a música, a poesia, a dança, as brincadeiras coletivas mostrando a subjugação dos negros pela força imperiosa dos brancos. Como foi a teatralização da fuga de alguns negros de uma fazenda. Nessa teatralização serviu de música incidental o trecho musical “Trabalha, trabalha negro. Trabalha, trabalha negro. O negro está cansado de tanto trabalhar…”

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O que chamou muito a atenção foi o depoimento de crianças que afirmaram sofrer discriminação cotidianamente. Essas crianças afirmaram que são discriminadas nas ruas onde moram, na escola, e nos locais onde têm que ir algumas vezes, como nos comércios. Explicado para elas que a discriminação racial é crime, e que uma pessoa discriminada pode processar o discriminador, a criança Kailane, disse que ela ia processar todo dia muitas pessoas. Elas ficaram também contentes em saber que existe um ministério de Política para Igualdade Racial, criada no governo Lula. Foi fácil para elas entenderem a importância desse ministério, porque elas fazem parte do programa de transferência de renda o Bolsa Família. Compreendendo o objetivo do Bolsa Família, como política que visa diminuir a desigualdade social, o ministério de Política para Igualdade Racial, também tem esse objetivo. Elas apresentaram um saber por similitude.  

Durante as brincadeiras elas foram homenageadas com troféu Valeu, Zumbi!, criado por elas mesmas sob a coordenação do afinado filósofo, artista plástico e escritor, Marcos Nei. No fim, antes do fim, como manda a verdade biológica, elas encararam o mata-broca africano da cocada, passando pelo aluá, o vatapá, entre outras iguarias da culinária negra.

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Foi uma festa na potência libertária de Zumbi, Ganga Zumba e outros. Uma festa tão profundamente negra que no meio das comemorações, baixou a comunidade negritude em forma celestial: faltou energia elétrica e a noite se mostrou em sua negritude total. Depois de dessa revelação-negra-natural, a energia se fez presente. Logicamente mais energizada. 

Valeu, Zumbi!

LUTA DA CONSCIÊNCIA NEGRA É A LUTA DA LIBERDADE CONTRA A PATOLOGIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA ABSTRAÍDA

São vários os entremeios em que a opressão se manifesta visivelmente ou ocultamente. Os filósofos Deleuze e Guatarri mostram esses entremeios em sua obra Mil Platôs. Há uma forma de opressão no princípio da binaridade: adulto-criança, homem-mulher, negro-branco. Sempre a posição dominante da maioria como modelo padrão que deve ser respeitado e seguido. Um assalto à mente do outro, diria o filósofo Sartre.

Desses entremeios pode ser extraída a opressão do branco sobre o negro que foi segmentarizada por múltiplos agenciamentos de dominação: econômico, social, cultural, religioso, antropológico, estético, moral, etc. Como o negro é um ser dotado das faculdades sensorial e cognitiva, que o fazem homem, ele pôde fazer a leitura desse modelo de dominação da consciência branca e daí partir para a luta da construção de sua consciência negra livre.

As comemorações do Dia da Consciência Negra não resultam de ações de brancos bonzinhos, cheios de compaixão cristã- paulina, que entenderam essa dívida histórica em forma de violência contra os negros e que a mesma deveria ser paga. Não, esse dia é resultado do entendimento que o negro teve de ser capaz de produzir sua liberdade distante das imposições da consciência branca, uma consciência anômica, avariada moralmente. Uma consciência abstraída de si mesma, como diria o filósofo Marx. Entender essa abstração foi a grande guinada epistemológica do negro. A efetuação de uma variável que escapa como devir-liberdade. Não querer estar aprisionado na abstração branca constitui-se em sua primeira saída. O negro compreendeu que estar em uma abstração era ser pior que essa abstração, e ele não queria essa condição de não-existir, condição da consciência branca abstraída. Uma condição alienada em uma consciência patológica.

O líder negro Zumbi dos Palmares, que nasceu em 1655, teve esse insight étnico que o conduziu à luta pela liberdade de seu povo. A criação da enunciação negritude. A negritude como um estar ontológico liberto, como mostra o filósofo da liberdade Sartre. Compor sua negritude é expressar sua originalidade através de seus atributos humanos de ser negro. A compreensão mundividente que a consciência branca abstraída não pôde e não pode atingir.

Entretanto, o princípio ôntico negritude, como ser que se manifesta em sua originalidade histórica, compreende que a consciência branca abstraída não é só representada pelos homens e mulheres brancas, mas também em alguns homens e mulheres negras que não atingiram o princípio ontológico da negritude. São negros capturados pelo modelo binário do padrão branco e, como sujeitos-sujeitados, assim se comportam. Reproduzem os valores corrompidos da cultura branca/patológica. A sociedade brasileira encontra-se repleta desses tipos de negros-embranquecidos que defendem esses valores corrompidos que são os suportes dessa patologia de dominação. Negros que até se opõem às políticas de cotas implementadas pelos governos Lula e Dilma (Ludi ou Dila). Negros que são instrumentalizados pela consciência abstrata branca para atacar esses governos. Como ocorre com as mídias acéfalas e todas às formas de seguimentos direitistas da sociedade brasileira. A cota nazifascista dessas consciências.

Em 1694, depois de ter escapado do julgo religioso/econômico lhe imposto pelo padre Antônio Melo, que o submeteu à violência étnica/linguística, batizando-o com o nome de Francisco – que não tinha nada a ver com Chico -, Zumbi conseguiu novamente fugir da violência dos colonizadores na pessoa do bandeirante Domingos Jorge Velho que invadiu o Quilombo dos Palmares, comandado por Zumbi, e o destruiu.

Construindo um novo esconderijo, Zumbi foi descoberto pelos perversos portugueses exploradores, em 20 de novembro de 1695. Foi submetido à tortura e logo depois, no mesmo dia, morto. Zumbi só foi encontrado pelos perversos portugueses exploradores, porque foi delatado por um de seus amigos. Um negro de consciência branca abstraída. Um negro que não alcançou a dimensão ontológica da negritude.

VEREADOR BAHIANO QUER PROIBIR A MANIFESTAÇÃO AFRORELIGIOSA NA TRADIÇÃO DE SACRIFÍCIO DE ANIMAIS

Na Bahia, terra de São Salvador e do Nosso Senhor do Bonfim, o vereador Marcell Moraes, do PV soteropolitano criou um projeto de lei baseado em sua própria concepção de mundo onde deve ser proibido o  sacrifício de animais em rituais de candomblé e em outros culto afrobrasileiros. Ele chamou o sacrifício de animais no candomblé de “tortura” e afirma que ainda um dia pretende lançar um projeto de lei que proiba comer carne.

Aceitar um projeto deste é aceitar a irracionalidade. Com um discurso pautado  na imbecilidade o projeto preve uma escolha pessoal sobre o coletivo. Falar mal sobre sacrificar animais é algo que envolve uma discussão mais ampla sobre a própria presença humana como ser carnívoro na terra. Estudos históricos/antropológicos/fisiológicos como  “As condições da evolução sexual” de Robin Fox mostra que o cérebro humano só cresceu e deu a funcionalidade como conhecemos graças ao abate e consumo de carne cozida pelo Homo Sapiens.

Este projeto enfoca no quesito religioso apenas, visto que o sacríficio de animais também ocorre (e neste caso violentamente e em grande quantidade) em criadouros, granjas, frigoríficos e outros locais que levam a carne ao prato da população.Por este motivo uma série de antropólogos e estudiosos se posicionaram contra o projeto, já que a carne do animal oferecida aos orixás é sacrificada sem maltratar e também serve de alimento para a comunidade que frequenta os terreiros.

Ao comentar seu projeto Marcell ainda mostrou um desconhecimento de sua função como vereador e da legislação brasileira que defende os cultos, querendo ele próprio propor mudanças nas práticas afro: Não tenho nada contra terreiros de candomblé. Eu apoio as religiões afro, mas essa oferenda precisa mudar. A própria religião prega que os orixás são bons e puros. Então, elas (entidades religiosas) vão compreender se trocar a oferenda e oferecermos folhas ou plantas no lugar dos bichos sacrificados”.

A legislação brasileira defende em vários lugares a prática e tradições religiosas. A Constituição Federal no Art. 5.º inciso VI afirma “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”. Já o Códico penal no Artigo 208 diz que “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.”.

Este projeto de lei além de não permitir o “livre exercício” desta tradição, não pretende discutir estes valores, já que se impõe como única verdade impedindo com que a sociedade bahiana e das religiões afro possam analisar suas formas culturais provenientes do povo negro que veio da África. De qualquer modo a mudança deve ocorre se os praticantes sentirem necessidade dela para sua manutenção.

Assim a opinião individual deste vereador não pode deixar o fluxo livre das matrizes africanas em se expressar, não por ser garantido por lei, mas pelo respeito as diferenças humanísticas dos negros que são brasileiros como nos fazemos a cada dia.

GRANDE FESTA AFRO NO BATIZADO E TROCA DE CORDAS DA ASSOCIAÇÃO DE CAPOEIRA SENZALA NEGRA

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No último dia 23, a Associação de Capoeira Senzala Negra realizou na sede do Sest-Senat o seu 16º evento de Batizado, Troca de Cordas e formatura. O grupo que já tem uma longa tradição na capoeira de Manaus recebeu diversos convidados de outros grupos como o Grupo Raizes do Mestre Espiga e Mestre Tiquinho, a Associação de Capoeira Terreiro da Amazônia do Mestre Ronaldo, o Grupo Manaus Capoeira do Mestre Xangô e a participação especial do convidado Mestre Armando Babalú do Grupo Ginga Bahia de São Paulo.

O evento começou com as boas vindas dada pela Formada Abelha e enseguida foi lido os versos do cordel que conta a história do Senzala Negra e trazia a cada rima nomes importantes para a capoeira no Amazonas, que continua em sua produção.

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Com um auditório repleto de espectadores a noite foi aberta com uma grande roda de aquecimento onde jogavam na roda entre si os capoeiristas da mesma categoria. E percebeu-se na roda uma grande energia e respeito em um jogo onde não importava qual grupo estivesse na roda.

No vídeo abaixo vemos alguns mestres e contra-mestres jogando.

Após a roda foi a vez de começar o evento de graduação e formatura que começou com a corda de iniciante ou de incentivo, que no grupo Senzala Negra é a corda cinza, e trazendo pela primeira vez a roda a jovem Jaciá que tem apenas alguns meses na arte da capoeira.

Abaixo vemos ela jogando com o mestre Babalú.

A equipe deste bloguinho conversou com o mestre Babalú do Grupo Ginga Bahia, localizado em São Paulo no bairro no bairro de Jaçana, que contou sobre a experiência de estar em Manaus pela primeira vez e o contato com a moçada do Senzala Negra que esteve em São Paulo e criou uma grande amizade.

DSC00847É uma grande satisfação estar aqui nesta cidade pela primeira vez, muito acolhedora, já estou me sentindo em casa. Estes meninos estiveram em São Paulo na véspera de um grande evento que estava realizando lá, um Encontro Nacional de Capoeira e eles me foram apresentados por um colega meu lá de São Paulo, o Fininho da Marimbondo Sinhá e nós fizemos uma grande amizade. Daí eles voltaram a segunda vez para São Paulo e fizeram o convite para quando tivesse o próximo evento em Manaus ter minha presença e eu fiz questão de vir.Eu estou gostando muito, o pessoal é muito receptivo, muito bacana não só o do Grupo Senzala Negra como os grupos em geral que conheci aqui em Manaus. Hoje tem muitos mestres aqui de grupos diferenciados mas dentro da roda há uma harmonia muito bacana, com muito respeito.

A festa seguiu com a troca de cordas  na ordem das graduções. Quanto mais graduado ia ficando o capoeirista com mais mestres, contra-mestres e professores ele tinha que lutar. Dentro de cada graduação havia vários formandos o que mostra que a capoeira amazonense continua forte e numerosa.

Percebeu-se durante o jogo com os graduandos algumas brincadeiras nas rodas que muitas vezes chegavam ao contato físico e incitavam certas formas de violência que não são comuns na capoeira. Como existe muito respeito entre os grupos e todos levaram as hostilidades através da camaradagem a festa pode seguir tranquila e de forma a não ofuscar a importância desta noite para a cena manauara.

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Vemos nas fotos acimas dois jovens recebendo a corda verde depois de terem entrado na roda. Como a cada corda trocada o nível técnico aumentava o público presesente prestigiava aplaudindo  e incentivando cada novo graduando.

Nosso bloguinho também conversou com o Mestre Ronaldo que falou da participação de eventos como este no enriquecimento da arte da capoeira, que já faz parte da história do povo amazonense.

IMG_2064“Esta é mais uma confraternização da capoeira pois hoje se reune todos os camaradas. E em Manaus geralmente o pessoal faz o batizado no final de ano. O Senzala tem uma tradição diferente que é muito boa, de começar o ano já formando a garotada. E esta grande congregação de quem tá pegando a corda é um crescimento muito grande pra Capoeira aqui no Amazonas. Muita gente diz que a capoeira é só pro negro escravo. Não. Nosso povo índio também praticou a capoeira e por isto não se deixou escravizar pela capoeiragem que vem no meio da mata.Hoje até em São Paulo tem esta discussão sobre a manifestação da capoeira que não vem só dos negros. A capoeira nasceu no Brasil com filhos de negros africanos e hoje você vê o crescimento da capoeira. Manaus com mais de 80 grupos de capoeira reunido e isto é muito bom pro intelecto desta garotada aqui hoje que poderia estar no mundo vadiando ou fazendo outras coisas erradas mas a capoeira tem esta transformação. Mestre Ronaldo

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Acima vemos os capoeiristas que receberam sua corda amarela.

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Vemos que houveram diversos graduandos e o Senzala inclusive produziu novos graduados e estagiários. O tempo passava e a festa continuava animada. O berimbau, o atabaque e o pandeiro davam o ritmo cada vez mais forte e junto com os cantos levavam as performances a um elevado nível técnico.

Após a entrega de cordas mais uma vez foi feito uma grande roda e o jogo continuou cada vez “botando mais dendê” e temperando a noite com esta festa afro.

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A festa seguiu até o fim da noite, e que encontro importante para a disseminação da capoeira como luta, esporte e dança entre jovens de Manaus.

Ano que vem o Senzala apresentará um novo evento para graduação e troca de cordas para quem faz da capoeira o seu compromisso e diversão.

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Por que Senzala Negra
É a minha camisa
Não tiro, não troco
Não vendo e nem dou

CONVITE PARA AÇÕES DA CAPOEIRA SENZALA NEGRA

16º Evento Da Senzala Negra

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Quinta Feira – Dia 21/03/13 Ás 19:30 H – Realizaremos Uma Roda De Boas Vindas Na Bola Do Produtor Para Recepcionar Nossos Convidados Para Este 16º Evento Da A.C.S.N

Sexta feira – Dia 22/03 Ás 19:00 Hrs – Ocorrerá A Abertura Do Evento Com Roda E Participação Do M. Armando Babalú – (Ginga Bahia)São Paulo.

Local. Arar Do Mutirão – Zona Leste.

Sabado – Dia 23/03 Ás 18:00 Hrs – Ocorrerá Batizado E Troca De Graduação E Formatura De Capoeira

Local Sest-Senat Av: Autaz Mirim Prox. A Bola Do Produtor Cidade De Deus.

CINEASTA, ATOR E ATIVISTA NEGRO ZÓZIMO BULBUL PARA SUA PRODUÇÃO

Zózimo Bulbul

Um dos principais nomes da produção cultural e da atuação engajada da negritude no Brasil, o cineasta, ator, e ativista Zózimo Bulbul ( nascido em 1937) deixou de produzir nesta realidade mundana e seguiu para seu encontro com Olorum, o Céu-Deus. Ko si obá Kan afi Olorum (Não há rei um senão Deus).

Atuante no Encontro de Cinema Negro Brasil-Africa e Caribe, Centro Afrocarioca de cinema e nos foruns de Negritude, Zózimo sempre esteve ligado a produção social da arte, atuando em mais de 40 cinemas. Sua estréia no cinema foi em 1962 no coletivo Cinco Vezes Favela onde atuou no episódio Pedreira de São Diego de Leon Hirszman e Flávio Migliaccio.

Renée de Vielmond e Zózimo Bulbul em cena do filme Compasso de Espera

Renée de Vielmond e Zózimo Bulbul em cena do filme Compasso de Espera

Participou ainda nos anos 60 de grandes cinemas brasileiros como Ganga Zumba (1963) de  Carlos Diegues;  Grande Sertão (1965) de Geraldo Santos Pereirae Renato Santos Pereira; El justicero (1967) de Nelson Pereira dos Santos; Proêzas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (1967) de Paulo Gil Soares; Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha; A compadecida (1969) de George Jonas; O Cangaceiro Sem Deus (1969) de Oswalde de Oliveira.

Posteriormente atuou em outros clássicos do nosso cinema como O Palácio dos Anjos (1970) de Walter Hugo Khouri; A Guerra dos Pelados (1970)  de Sylvio Back; Jardim de Guerra (1970) de Neville de Almeida;A Deusa Negra (1980) de  Ola Balogun; Quilombo (1986) de Carlos Diegues; Tanga (Deu no New York Times?) (1987) de Henfil; filmes de chanchadas como Giselle (1980) de Victor di Mello; Natal da Portela (1988) de Paulo Cesar Saraceni;   Filhas do Vento (2004)  de Joel Zito Araújo; e até filmes internacionais como El encanto del amor prohibido (1974) de Juan Battle Planas onde atuou junto o filho de Charles Chaplin, Sidney.

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Zózimo ainda dirigiu o curta Alma no Olho (1973) o excelente documentário  Abolição (1988) que faz um resgate de 100 anos de abolição no país. No documentário há entrevistas importantes para a preservação da cultura, como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalés, Beatriz do Nascimento, Grande Otelo, Joel Ruffino, Dom Elder Câmera em contraposição com D. João de Orleans e Bragança e Gilberto Freire. Há também espaço para os negros excluidos como presidiários, mendigos e artistas populares . O documentário questiona um pouco que abolição foi esta quando ainda há tanta desigualdade.

Seu caminho como negro, brasileiro, defensor da cultura e religião negra lutando contra o preconceito. Sempre belo em seu físico e intelecto, Zózimo Bulbul foi o primeiro ator negro a protagonizar uma novela na televisão brasileira – Vidas em Conflito, na extinta TV Excelsior, em 1969 – e também foi modelo e se tornou o primeiro negro a desfilar para uma grife de alta costura. Sua luta e sua arte continua presente nos movimentos de nosso povo e nossa cultura.

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Acima vemos a capa da revista Filme Cultura da Embrafilme de 1982, que traz Zózimo na capa e trata sobre os negros no cinema nacional.

Abaixo trazemos uma entrevista de Zózimo Bulbul presente na revista que é só clicar na imagem para ampliar e ler. Caso queira ler a revista completa on-line vá ao sítio da revista.

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AMAZONINO CASSADO MENDES: O PREFEITO QUE NÃO ASSUMIU

A cassação do  não-prefeito da não-cidade de Manaus, Amazonino Cassado Mendes, pela juíza Maria Eunice Torres do Nascimento foi um dos fatos políticos mais importantes dos últimos trinta anos no Amazonas. Nunca havia se tomado uma decisão contra os mal feitos de políticos corruptos por estas bandas.

Cassado, o não-prefeito foi um inoperante. Ele somatizou a cassação e a não cidade vem sofrendo as conseqüências de sua irresponsabilidade.

Manaus é uma buraqueira só. Quem gosta disso são as lojas de autopeças de veículos.

Manaus é a cidade dos incêndios. Quem gosta disso são os proprietários de hotéis e pensões.

Manaus é a cidade das creches. Das mil prometidas todas estão apenas nas propostas.

Manaus da copa vive sob a ameaça de não ser sede. Tudo está atrasado. Não temos sistema de transporte coletivo eficiente e o prazo para implantação do BRT é exíguo e não resolverá o problema de mobilidade urbana na cidade.

Manaus é a cidade onde a merenda nas escolas municipais resume a mingau de arroz, chocolates caramelizados e muita ova de jaraqui. As frutas regionais que deveriam compor o cardápio da alimentação dos estudantes há muito tempo não é servida.

Manaus não tem coleta diária de lixo em muitos logradouros. O acumulo do lixo contribui para o aumento da população de ratos, baratas e consequentemente  proliferação de doenças cujos principais prejudicados são os cidadãos que depois não terão como cuidar da doença, pois os pronto atendimentos municipais na sua maioria em reforma não serão concluídos até o término de sua não-gestão.

Manaus da Ponta Negra da morte. Sua desadministração será lembrada como a que projetou a Ponta Negra para a morte. No afã de tornar a praia permanente,  ato de puro exibicionismo colocaram areia que não compactou e provocou inúmeros buracos no leito do rio que  popularmente chamamos de “perau.” O instinto assassino dos projetistas dessa megalomania já levou para o “perau” mais de 14 pessoas.

Manaus do péssimo atendimento médico-hospitalar cuja responsabilidade é do prefeito cassado, doente, quase morrendo mais com dinheiro buscou cirurgia em São Paulo. Enquanto isso o povo madruga em filas intermináveis quase sempre não atendidos devido o controle de senhas e fichas.

Manaus do péssimo atendimento pela internet. Como uma capital que sediará uma copa capitalista da FIFA é tão mal servida desse serviço.

Manaus da violência, dos assaltos, das mortes, homicídios, desaparecimento de crianças, adolescentes e jovens.

Manaus do tráfico de drogas, das bocadas e do convívio com ameaças de morte a juízes, desembargador e policiais que combatem o crime organizado.

Manaus da riqueza e da pobreza. Dos condomínios de luxos e das favelas.

Manaus a cidade que não teve prefeito, apesar deste já ter sido três vezes governador, senador, prefeito e prefeito.

Manaus  hoje simboliza o que Amazonino Cassado Mendes fez durante todos esses anos de maldade, irresponsabilidade.

Seu amigo Artur receberá uma não cidade e que continuará uma não cidade, pois a ilusão é apenas ilusão, delírio e como é o prosseguimento de uma desadministração, Manaus continuará uma não-cidade.

 

 

 

 

 

 

DAS NEGRAS CONSCIÊNCIAS BRASILEIRAS

Dia da Consciência Negra para as todas consciências brasileiras. Hoje, o dia em que se comemora e se reflete sobre a existência negra no país e sua importante produção para o que chamamos cultura brasileira. Afinal estes brasileiros que há tempos para cá vieram trabalhar se miscigenaram não apenas na cor da pele que resultou nos mulatos, mamelucos chamados de mestiços mas em sua então de suas formas de cultivos (cultura) e composições com os corpos aqui já existentes, muitas vezes estes corpos de opressão de uma cultura alienigena que se queria dominante, soberana e que busca alijar-se que qualquer forma de miscigenação ou contato que estava presente em seu delírio. Estes valores colonialistas que se pautam pelo racismo e pela irracionalidade e ainda hoje estão presente nas atitudes cotidianas.

Os negros por sua vez vem lutando e não “acreditou na besteira” discriminatória do branco como versou Itamar. Há em todo país foruns de discussão, comunidades quilombola, grupos de rap e hip-hop, pontos de cultura, terreiros (seja estes de umbanda, candomblé, tambor de mina, tambor de crioula, fundo de quintal onde sempre rolou os pagodes, ou qualquer outra forma de expressão), projetos culturais nas escolas, que vem produz formas de ser e pensar culturalmente negras e brasileiras, fazendo com que haja a educação das novas gerações extingua as consciências medievais do racismo e o etnocídio.

NOVEMBRO DE NOVAS CONSCIÊNCIAS

Como a cada dia somos uma nova pessoa (tanto cronobiologicamente quanto na psicologia dos afectos), novas consciências e formas de relação constituem aquilo que chamamos de real ou realidade. Portanto nosso país também está em constante transformação de seus cidadãos, de seus valores e consciências. Este dia 20 de novembro, é mais do que uma homenagem, ou um dia, uma semana ou um mês de luta. É um espaço temporal que faz parte da transformação intempestiva dos valores sociais que tem também em seu discursos a prática do racismo colonialista e escravocata.

Em um país onde mais da metade da população é negra ou mestiça, ainda temos uma televisão, rádio e outros meios de comunicação onde a programação não é educativa, transformadora e é repleta de preconceitos de todos os tipos. Estudos como de Joel Zito Araújo mostra como o negro é retratado na programação e principalmente nas telenovelas, principalmente da Rede Globo, somente expõe as concepções retrogradas da casa grande.

Devemos sim exigir que os meios de comunicação concessionados tragam uma programação de qualidade para todos os brasileiros e que seja fruto de nossa cultura feito pelos vários movimentos que vão além das três raças tristes que Belchior cantava em seu rock em parceria com Levi-Strauss. Além disso a busca pelo respeito e livre produções da cultura negra e mestiça deve ser buscado em todas relações.

DA NEGRA CULTURA BRASILEIRA

E a cultura que os brasileiros, negros, brancos, índios, mestiços produziram como o jongo, a congada, o lundu, o samba, a umbanda, a capoeira, a feijoada, a ‘marvada’ cachaça, e fizeram aparecer diversos pensadores brasileiros que não deixaram ser abalados pela estrutura linha dura do colonialismo, criaram suas produções que aumentaram a potência do povo brasileiro e abalaram a estrutura da casa grande como o jogador Paulo César Caju, os geografos Milton Santos e Josué de Castro, o teatrologo e criador do Teatro Experimental do Negro Abdias do Nascimento, músicos como Chiquinha Gonzaga, Gilberto Gil, Robson Miguel, Monarco, Ivone Lara, Clementina de Jesus, B’Negão, Candeia, Roberto Ribeiro, Itamar Assumpção, Luiz Melodia, Milton Nascimento, Tony Tornado, Tim Maia, Gerson King Combo, Criolo, Gog e tantos outros, o fotografo Mário Cravo Neto, os cineastas Zózimo Bulbul, Joel Zito Araújo, pensadores como Muniz Sodré, Celso Prudente e tantos outros negros e brancos que independente de qualquer dosagem de melanina mostraram sua negri-ati-tude na diluição destes discursos e valores retrógrados.

Abaixo deixamos o curta O Xadrez das Cores que discute o racismo latente e iminente nas atitudes diárias de cada um, e os modos de transformação progressiva destes.

O MUNDO É GAY

(enunciações sobre a democracia representativa e seus preconceitos)

O primeiro a falar de democracia absoluta foi a grande alegria Spinoza. Sei, podemos dizer que sua coragem partiu da compreesão da democracia absoluta como regime de governo organizado pelas ações livres dos homens, manifestadas de modo racional na imanência das leis e da participação direta de todos nas decisões da cidade. E não sei; mas temos que entender que tanto as leis quanto os cidadãos, em Spinoza, agem de acordo com o “direito comum da cidade”. Realmente; um direito que torna-se civil e público não por fazer parte do Estado somente, mas porque é desenvolvido por todos e para todos, para o comum, fazendo da multiodão a carne da produção política, econômica, social e cultural. Por isso que o cidadão, na democracia absoluta, “não nascem como cidadãos, mas formam-se como tais”. Lindo isso, ainda mais quando colocado em prática. Mas todo a filosofia de Spinoza é uma prática, um plano de imanência puro, absoluto. Daí a cidade não poder ser o efeito do medo, do rancor, da obediência cega às paixões. Pior; da inércia e da servidão dos seus viventes. Como diz o próprio Spinoza, se assim for, isto não seria uma cidade, mas uma solidão. Poderíamos dizer, junto com outra alegria chamada Antonio Negri, que a cidade, na democracia absoluta, é vivida na práxis constitutiva que nos constitui no amor. Ah!; sempre o amor político. Mas espera aí! O que foi? Se assim é na democracia absoluta… Já sei: é completamente diferente na democracia representativa. Exatamente. É porque na democracia representativa o que prevalece é a intecionalidade das classes abastadas constituídas que procuram manter o estado de servidão através das instituições e discursos oficiais. Como o do sufrágio geral que não é geral. E não é! É a palavra representação o importante a se observar aí. Diga lá. Digo sim: a representação surgiu no interesse dos súditos poderem ter seus direitos garantidos por representantes em, toda extensão do Estado-nação. É, mas não disseram também que a representação tranto liga o povo ao governo como o separa radicalmente, pois os súditos alienam suas liberdades para os representantes. Daí passa a existir algo estranho na proposta democrática representativa. O quê? Uma minoria passa a governar uma maioria. E não é. Daí pensarem, neste tipo de democracia, que a liberdade é apenas a conquista de direitos (o direito a ter direitos). Sim, ao contrário de uma liberdade que é a produção de si mesmo preocupada com o direito comum da cidade. Uma produção singular que se envolve e produz o bem comum.

(conversações para além do Espaço/tempo constituído)

Vou te contar, esta representação é um instrumento contra a democracia absoluta. E não é, assim como é também geradora de preconceitos. Veja só! Só, não, amor. Deixa de lezeira! Então mande junto. Tá, O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGLBT), Toni Reis está criticando a postura do candidado do tucanato paulistano, José serra, por classificar como ridículo e impróprios alguns aspectos do Kit anti-homofobia do governo. Tou sabendo. Mas houve alguns equivócos por parte do amigo Toni Reis. Foi? Ele escreveu uma carta aberta dizendo estar triste com a posição de Serra, pois este, segundo palavras de Toni Reis na carta,  “liderou várias iniciativas de vanguarda na promoção do respeito à diversidade sexual e às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT)”.  Em outros trechos, Reis, de certo modo, elogia as gestões de Serra e pedi para que o kit não seja usado para gerar polêmica em epóca eleitoral, e pede também, para que Serra não “manche” sua biografia. Realmente um equivóco, em nossa opinião. Realmente, pois Serra usou parte da carta aberta de Toni Reis para sua própria campanha, para se aproximar do público LGBT. Sim, parece haver uma compreensão de que as diferenças serão o mote principal da democracia somente através de direitos garantidos por representantes e constituídos pelo poder do Estado e não pelo poder da produção da cidade através das singularidades e das paixões positivas. Por isso acreditamos que a discussão de gêneros, da sexualidade, dos preconceitos entre outros passa primeiro pela produção de novos modos de subjetividade onde o mais importante são ações deslocadas dos lugares de poder constituído.

E esta representação persegue as tentativas de modificação do atual estado de coisa constituído. Esta representação veio disvorciar a razão da democracia e celebrar o matrimônio entre o patriarcalismo e o Estado. E sendo a educação, através da escola, uma responsabilidade do Estado, o que vale é a rep´resentação patriarcal. Tou sabendo o que aconteceu, deixa que eu conto. Então diga, amor.  Um professor de inglês, em uma escola de Brazlândia, no Distrito Federal, usou a música “I Kissed a Girl”, da cantora Katy Perry, para mionistrar uma aula e não foi afastado? Tou sabendo, mas agora já pode voltar a dar aulas. Sim graças ao Conselho Distrital de Direitos Humanos que já fez a recomendação ‘a Secretaria de Educação. Sim, isso mesmo! Isso já faz um tempo e olha que ele nem teve seu contrato renovado em 2009 e somente agora vai poder voltar. Para o ógão citado acima houve violação dos direitos humanos e pode caber processo administrativo para apurar a posição do diretor da escola. Poxa! Que foi? Era só uma forma alegre de estudar inglês com minha querida Perry.

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E os preconceitos continuam. Tu queres falar do caso que está ocorrendo numa escola pública e de responsabilidade do município de Indianópolis, nos EUA? Esta mesmo. Até parece que nos comunicamos pela mente. É que não estamnos somente ligadas fisicamente, mas afetivamenete. Minha nossa!!! Sim, mas o caso, presta atenção: Darnell Young, de 17 anos está processando esta escola; ele acusa-a de não protegê-lo contra agressões verbais e físicas motivadas por homofobia, o estudante entrou com processo na Justiça contra a instituição. Sei também que ele está sendo defendido por Chistopher Stoll, de uma entidade LGBT. Segundo este advogado: “Todo aluno deve ser protegido no seu direito de estudar e ser protegido contra agressões. E a escola é quem deveria cuidar disso.” disse confirmando ser correta a ação do menino Young.

E olha o que o preconceito pode também gerar. Diga aí. Segundo a Agência de Notícia da AIDS, “As pessoas com orientação homossexual e bissexual têm três vezes mais chances de adiar o teste de HIV do que as heterossexuais, informa um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Saúde, Faculdade de Medicina da USP e do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de estado da Saúde de São Paulo”. Minha nossa, notícia triste. Mas sabe por quê? Não, fale, por favor. “Os principais motivos apontados para postergar o diagnóstico foram a falta de oportunidade ou a dificuldade de ter acesso aos serviços (50%); o medo da doença e do preconceito que existe em torno dela (15%); e os problemas organizacionais dos serviços, com limitação de horário, exigência de documentos e lotação (15%)”. Quer ver mais? Quero. Então vai aqui.

Agora vamos para as coisas coloridas. Lindas como o arco-iris. Ainda é utilidade pública. Então fale que já estou com os vernos à flor da pele desabrochando. Segura-te que lá vai. Quem for precisar passar pelo centro de Salvador nos dias  8 e 9 deste mês terá que seguir as instruções da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador). Por quê? Ora, por conta da realização da XI Parada do Orgulho Gay da Bahia e Semana da Diversidade Cultural LGBT. Eu não te falei que nós somos de parar o trânsito. Ah!; me poupe, esta já é muito antiga, mas é verdade. Então veja as mudanças no trânsito de salvador aqui.

Outra parada, mas esta agora é em Manaus. Manaus? Sim, Manaus. Conheço, já fui muito lá. A Associação Garotos da Noite (AGN) celebra o Dia da Visibilidade Lésbica em Manaus com evento na Ponta Negra no dia 23 deste mês. Eu ouvir falar que tá morrendo muita gente nesta Ponta Negra. Tá mesmo, por conta da incopetência do poder público municipal em privatizar este espaço público. Fizeram uma besteira com uma tal de praia artificial. É bom tomar cuidado por lá. Mesmo o Dia da Visibilidade Lésbica, ser instituído no dia 29 de agosto, todo dia é dia para se engajar na existência para que a diferença seja percebida como produção democrática. Você que tá nos percebendo clica aqui e aqui para saber mais.

A última amor deixamos para o fim sem fim. Quem conta? Vamos em uma polivocidade: passaram a perbna no Vaticano e no Papa Bento XVI. Para de rir que já tou que tou me mijando. Vamos contar direito. A produtora Bel Ami, que vai estrear um filme sobre dois jovens sacerdotes católicos que tem experiências gay, filmou o momento em que os dois atores do filme, disfarçados de seminaristas, são abençoados pelo Papa. Ocorreu mesmo! Esta fimagem será incluído na produção da empresa de filmes adultos mencionada. “Não é comum na minha carreira ir para a igreja. Vim aqui por meio da indústria de filmes adultos” disse Trevor Yates, um dos atores do filme. Sabes o nome do filme? Se sei! Diga. “Escândalo no Vaticano”. Mas onde está a importância política nisso? Saberemos quando o filme for assistido.

“tudo aquilo que desejamos pelo fato de estarmos afetados pelo ódio é vergonhoso e, no Estado, injusto” (Spinoza)

O MUNDO É GAY

(enunciações minoritárias)

Sabes o que é minoria? Claro; um movimento constituinte que não se abstém às transformações e não é subsumido pelos pressupostos do senso comum e do bom senso para a representação de uma identidade. Trata-se de uma multiplicidade de singularidades que não passam a ser mediadas por pontos de poder estabelecidos, para existirem. Daí o que desponta entre a maioria e a minoria ser a diferença. Isso; uma diferença que não se reduz a uma contradição como em uma dialética corrompida, mas realiza um movimento de variação contínua sem se deixar ser apreendida por um Poder ou relação de Dominação. Por isso a minoria tende ao êxodo dos lugares de poder. Então maioria e minoria não se contrapõem  apenas de modo quantitativo. A maioria está dentro do sistema e faz o sistema, ela é extraída dos efeitos de Poder e Dominação presentes em uma realidade constituída, onde a história foi escrita para demarcar hierarquias, divisões de “estamentos” como no Brasil (Raimundo Faoro), divisão de classes econômicas, etc.  A minoria é a subversão deste sistema, ela resiste e renuncia a constante desta história e procura compor encontros na potência do devir. Ser minoria é subverter as identidades e o constituído e costurar o mundo com retalhos de existências e ações próprias. E ainda, ser menor, é participar de um todo sem ser produto desta realidade pronta. Assim é a negritude, a mulher, a criança, os pobres, os camponeses, os homossexuais, os imigrantes… Mas mesmo uma ação que se queira revolucionária ou de esquerda pode ainda não ser minoria. Absolutamente! Sim, pois se as ações e atos, sejam políticos, econômicos, sexuais, sociais, empresariais, culturais ou civis, estiverem presos ao fato majoritário das relações de poder e de dominação  do processo do capital, tais atos e ações não serão minorias, posto que não serão autonomias, mas maiorias, já que estarão na ordem dos efeitos, heteronomias.

(conversações pelos vários tempo-espaço da existência)

Sabes quem são os novos papais? Um beijo se eu adivinhar? Nem era preciso, não é? Mas eu já sei. Então diga. Lá vai: o britânico David Harrad e o brasileiro Toni Reis. Eles são pais do menino Alyson agora, depois de quase sete anos tentando a adoção eles conseguiram um marco para a minorias no Brasil. Ótimo saber que para ser pai não é preciso ser considerado homem, hetero, branco, etc. como no padrão abstrato. Sim, ser pai é se responsabilizar por uma existência ao mesmo tempo em que se sabe que esta existência terá que inventar a si mesmo para a coletividade. Pedagogia a moda grega Antiga. Uma loucura. Como os dois pais disseram: “Se têm toda certeza que querem ser pai, que sigam em frente e realizem seu sonho e contribuam para que uma criança que precisa, tenha um lar, amor e educação”. Se quer ver o papo que a Agência de Noticias da AIDS eteve com os dois clica aqui.

Outra vitória para as minorias. Qual foi. Esta veio através de um dos representantes da maioria. E pode? Claro, basta atravesarmos o estado constituído de coisa de modo a transformá-lo, queira ou não queira vivemos num mundo constiuído, mas que pode ser transformado. Então diga.  O Supremo Tribunal de Justiça (STJ), no domingo (12) divulgou um levantamento de ações do que favoreceram os indivíduos pertencentes às minorias. Oba! Ainda que tenha vindo da justiça maior. E referente a questões homoafetivas o colegiado reconheceu a habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento: “o colegiado entendeu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento”. Essa é boa por ser uma conquista menor e também possibilitar os homossexuais participarem dos direitos da realidade maior constituída. Gostou? Gostei mesmo!!!!!! Quer saber mais? Acesse aqui para ler o texto na íntegra.

Quer outro exemplo de como a minoria é atravessada pela maioria e vice-versa? Manda! Tu sabes que, como afirmou a estoteante alegria chamada Rosa Luxemburgo, o capitalismo traz para dentro de si tudo que pode está fora, logo, o capitalismo não exclui, mas inclui, não importa quem ou o eu tu sejas. Certo, manda uma que eu não sei. Viche; calma! Tudo bem. Então, o mercado, já faz um tempo, descobriu que pode lucrar com o público homossexual. Sim, verdade. Nisso podemos ver duas coisas. Diga a primeira. Sim: a minoria homossexual, enquanto devir, é produção contínua que passa subvertendo todas as práticas constituídas, seja a moda e em outros segmentos eles transformam as formas convencionais e criam suas próprias práticas. Segunda. Sim: estas práticas novas são absorvidas pelo mercado da economia capitalista e pode reduzi-las somente a mercadorias, tirando a característica de atividade criativa próprias delas. Entendo, mas o que fazer? Ora, tantar ao máximo realizar uma economia sem mercado, onde a criaitividade não seja capturada como propriedade privada, mas seja a expressão livre das atividades de corpos e cerébros criativos. Legal, dá uma olhada nesta reportagem aqui.

Quando tu olhas em meus olhos amor, o que enxergas? A mim mesmo através do reflexo, mas não sou eu quem me olha, pois são meus olhos que me olham através do seu olhar. Há esse teu olhar! Platão às vezes pode ser interessante. Sim, concordo. Mas por que começou a falar desta maneira ontologica de olharmos para dentro de nós mesmos através do olhar do outro? Olha esta: segundo uma equipe de pesquisadores da Cornell University (EUA), está no olhar um preciso indicativo se alguém é homossexual ou heterossexual. Como? Dizem que as pupilas dilatam quando ficamos excitados; eles explicam assim:  “Então se um homem diz que é hétero, suas pupilas dilatam diante de situação de estímulo visual com mulheres. O oposto acontece com gays, as pupilas dilatam com homens”. Nada mais senso comum. Vamos esperar mais estudos para falar algo. Sim, mas imagina se levarmos em conta este pressuposto? Sim? Viche, vai ser uma loucura; o cara olha pra o cara e a pupila dilata; a cara olha para a cara e a pupila dilata, ambos olham para um tambaqui  cozido e as pupilas dilatam… amor. Diga! Tou com a pupila dilatadinha olhando para ti. Para, temos que trabalhar e nem quero te olhar, se não…

Vamos para a Ásia. Eita, vamos que vamos. Taiwan celebrou sábado passado (11) a primeira cerimônia budista de casamento igualitário. As noivas You Ya-ting e Huang Mei-yu, de 30 anos, ficaram 7 anos namorando e esperando a oportunidade certa para o casório. Uma atitude simbólica, mas que pode revolucionar as causas minoritárias homossexuais por lá, não é? Se é!!!!!!!!

Tenho uma preocupação. Diga qual. Se as minorias são a potência do devir elas não podem reproduzir os comportamentos próprios da constante de onde é extraida a maioria. Sim, preocupação digna, mas por que ela agora? Vemos a potência menor atravessar os territórios das segmentaridades duras, mas será são apenas novas formas de identidades se constituindo. É algo a se pensar. Pois não é! Digo isso por causa dessa notícia que vi: “A oficial do Exército americano Tammy Smith, de 49 anos, foi promovida na última sexta-feira a general de brigada, em uma cerimônia formal no cemitério militar de Arlington, em Washington. Durante este tipo de ato, é o parceiro ou a parceira do soldado quem coloca a insignia correspondente no ombro do oficial. No caso de Tammy, coube a sua esposa, Tracey Hepner. Com a promoção, o Exército americano tem sua primeira general abertamente gay”. Realmente é uma subversão a ordem estabelecida, mas… Lá vem com desconfiança. Vamos ver se essa vai revolucionar ou se vai só se adaptar. O que não podemos fazer é julgar. Sem dúvida, amor.

O mundo inteiro terá de se transformar para eu caber nele Clarice Lispector

DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA TEM COMEMORAÇÃO INICIADA HOJE

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, cuja realização é dia 25 de julho, teve o início de sua comemoração hoje. O evento, que contará com conferências, desfiles de moda, gastronomia e shows, começa com o Festival da Cor da Raça, Nação Mulher, no Centro Cultural Ação Cidadania, no Rio de Janeiro.

Segundo Luciana Pereira, uma das organizadoras das comemorações, o que as mulheres estão fazendo é aproveitar a decisão da Organização da Nações Unidas (ONU), que estabeleceu o Dia Internacional dos Afrodescendentes para movimentar as questões das mulheres negras na América Latina, com suas lutas, resistências, e contribuições para a cultura latino-americana, que “mesmo oprimidas elas superam barreiras com garra e educação”.

Abrindo o ciclo de palestras, a professora e dermatologista Magali da Silva Almeida, coordenadora do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresentará, para discussão, o tema Repensando o Negro Olhar e Diversidade. Além de junto com mais duas médicas, uma gastroenterologista e a outra ginecologista, apresentar uma exposição sobre saúde, mostrando e explicando quais as principais doenças que atingem a população negra, sem deixar de comentar sobre o preconceito na rede de saúde.

Na agenda cultural dos shows, hoje tem o grupo Revelação, amanhã, dia 22, tem Alcione, baile de black music, no sábado, e no domingo, a imperdível talentosa Nilze Carvalho. Na parte das comilanças os presentes, vão conhecer a herança da gastrofilia africana através do sabor e talento da Tia Surica, da Velha Guarda da Portela, que exporá sua tradicional feijoada, que tem íntima gastronomia com a feijoada da Vicentina, tão cantada por Pulinho da Vila e Lecy Brandão.

Grande jogada e sacada do movimento das mulheres negras, que com suas potências de agir criam novas enunciações de subjetivação que escapa da subjetividade laminadora da semiótica capitalística branca.

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Anastácia, a construção da liberdade continua.

Negro é a raiz da liberdade”, cantaram Nilze Carvalho e Sururu na Roda, trecho da música Sorriso Negro, que contagiou a plateia ao se iniciarem as festividades, depois das cerimônias de abertura da Semana da Consciência Negra, caracterizada pela símbolo de luta, realizada no Palácio da Cidade no Rio de Janeiro, que contou com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.

Quero lembrar aqueles que começaram essa discussão, na década de trinta, derrubando o mito da igualdade racial no Brasil e apontando a invisibilidade e a exclusão da população negra. A desigualdade vem desde a Abolição da Escravatura, sem que os negros tivessem acesso à terra, ao trabalho e à educação”, discursou entusiasmado o ministro Edson Santos. O ministro lembrou também que 46% dos jovens negros vítimas de mortes não naturais são assassinados. Lembrou ainda que o dia 20, Dia de Zumbi – projeto de sua autoria quando vereador -, que é comemorado como feriado em mais de 700 cidades, é “dia de reflexão sobre a inclusão social, e não dia de descanso”.

Por sua vez, a secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, representando o governador Sérgio Cabral, depois de enaltecer a política de elevação da dignidade negra desempenhada pelo governo atual como fator de vanguarda na causa negra, disse: “A cidade do Rio de Janeiro não tem medo nem temor de travar essa discussão. O estado do Rio de Janeiro implementa uma política de igualdade racial com cidadania, em parceria com a prefeitura e com o governo federal”.

Por seu lado, Paulo Roberto dos Santos, presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, no mesmo entendimento de Bendita sobre a política do Negro no estado, lembrou que além da criação do Dia do Zumbi e da Consciência Negra, o estado do Rio de Janeiro criou também a Lei estabelecendo o Candomblé como patrimônio imaterial da cultura e do povo fluminense. Falando sobre a luta contra a segregação racial, disse: “Nelson Mandela acreditou na luta, Martin Luther King disse I have a dream (Eu tenho um sonho), Barack Obama disse We can (Nós podemos). Esta é a nossa luta, pelo fim da segregação, pela adoção do sistema de cotas em todo o país”.

Em total comunhão com a festa negra, Denny Glover, ator norte-americano, fez entusiasmado discurso com ênfase ao sucesso do Brasil no contexto internacional.

O Brasil das grandes possibilidades é o lugar ideal para as mudanças que perseguimos. Nenhuma mentira dura para sempre, e nossa jornada é longa porque o que queremos é importante. A igualdade racial está nos lábios de todos ao redor do mundo, a discussão vem de baixo para cima, todos somos essenciais para essa mudança de paradigma, de como nós pensamos nós mesmos.”

No mais, foi só festa e confirmação da negritude como ontologia da liberdade, como disse o filósofo Sartre.

INDEFERIDA NO STF LIMINAR DO DEM-PFL CONTRA AS COTAS RACIAIS DA UnB

Presidente do STF indefere liminar requerida pelo DEM contra cotas raciais da UnB

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, indeferiu, nesta sexta-feira (31), pedido de liminar formulado pelo partido Democratas (DEM) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 186, em que contesta as cotas raciais de 20% para negros, instituída pela Universidade de Brasília em seus concursos vestibulares.

Antes de decidir, o ministro Gilmar Mendes havia solicitado pareceres da Procuradoria Geral da República (PGR) e da Advocacia Geral da União (AGU). Ambas se manifestaram contra a concessão da liminar e pela constitucionalidade dos atos administrativos praticados pela UnB, que a tornaram a primeira instituição de ensino superior federal a adotar o sistema de cotas raciais.

Decisão

Em sua decisão, o presidente do STF sugere que ações afirmativas, como as cotas raciais, deveriam ser limitadas no tempo e diz acreditar que “a exclusão no acesso às universidades públicas é determinada pela condição financeira”.

Observa que “nesse ponto, parece não haver distinção entre ‘brancos’ e ‘negros’, mas entre ricos e pobres”. Com base nesse raciocínio, questiona se “a adoção do critério da renda não seria mais adequada para a democratização do acesso ao ensino superior no Brasil”, reportando-se à “Síntese de Indicadores Sociais 2006”, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo a qual o “critério de pertencimento étnico-racial é altamente determinante no processo de diferenciação e exclusão social”.

Os dados do levantamento indicam, também, que a taxa de analfabetismo de negros (14,6%) e de pardos (15,6%) continua sendo, em 2005, mais que o dobro que a de brancos (7,0 %).

O ministro ressalta que “o tema não pode deixar de ser abordado desde uma reflexão mais aprofundada sobre o conceito do que chamamos de ‘raça’. Nunca é demais esclarecer que a ciência contemporânea, por meio de pesquisas genéticas, comprovou a inexistência de ‘raças’ humanas. Os estudos do genoma humano comprovam a existência de uma única espécie dividida em bilhões de indivíduos únicos”.

Gilmar Mendes admite que a questão é polêmica, mas pondera que o Plenário do STF deverá pronunciar-se, em momento oportuno, sobre o inteiro teor do pedido de medida cautelar e o cabimento da ação, bem como sobre a eventual possibilidade de seu conhecimento como Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), em razão da peculiar natureza jurídica de seu objeto.

O ministro afirma que o questionamento feito pelo Partido Democratas “é de suma importância para o fortalecimento da democracia no Brasil”. Ainda segundo ele, “as questões e dúvidas levantadas são muito sérias, estão ligadas à identidade nacional, envolvem o próprio conceito que o brasileiro tem de si mesmo e demonstram a necessidade de promovermos a justiça social”.

Entre outras indagações colocadas na ação, ele destaca as seguintes: “Até que ponto a exclusão social gera preconceito? O preconceito em razão da cor da pele está ligado ou não ao preconceito em razão da renda?”

E, também, “como tornar a universidade pública um espaço aberto a todos os brasileiros? Será a educação básica o verdadeiro instrumento apto a realizar a inclusão social que queremos: um país livre e igual, no qual as pessoas não sejam discriminadas pela cor de sua pele, pelo dinheiro em sua conta bancária, pelo seu gênero, pela sua opção sexual, pela sua idade, pela sua opção política, pela sua orientação religiosa, pela região do país onde moram etc”?

Ele pondera que, apesar da importância do tema em debate, “neste momento, não há urgência a justificar a concessão da medida liminar”.

Lembra, nesse sentido, que o sistema de cotas raciais foi adotado pela UnB desde o vestibular de 2004 e se vem renovando a cada semestre. Recorda, ainda, que a interposição da ADPF do Democratas ocorreu após a divulgação do resultado final do vestibular 2/2009, quando já encerrados os trabalhos da comissão avaliadora do sistema de cotas.

Assim, por ora, não vislumbro qualquer razão para a medida cautelar de suspensão do registro (matrícula) dos alunos que foram aprovados no último vestibular da UnB, ou para qualquer interferência no andamento dos trabalhos na universidade”, concluiu, indeferindo o pedido de liminar, que deverá ser referendado (aprovado) pelo Plenário.

Leia a íntegra da decisão.

Do sítio do STF.

SALVADOR LANÇA O 3º FESTIVAL DE ARTES NEGRAS

Contando com as presenças do presidente Lula, do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, mais o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o ex-ministro Gilberto Gil, tudo em tom de festa negra, está sendo lançado, hoje, dia 25 de maio, dia de comemoração da Libertação da África, o 3º FESMAN – Festival Mundial de Artes Negras, cujo objetivo:

  • produzir parcerias com países africanos para o desenvolvimento do continente africano e sensibilizar relações entre múltiplas nações;

  • o lançamento do Festival confere a nota maior no Brasil como destaque para o Festival a ser realizado entre os dias 1º e 14 de dezembro em Dacar, no Senegal, que espera contar com a presença de mais de 3 mil artistas provenientes de 84 nações africanas e de outros continentes.

Discorrendo sobre o FESMAN, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, disse:

Estaremos discutindo aquilo que a união africana está propondo: uma nova parceria, que tenha na sua agenda não apenas as coisas maléficas que acontecem no continente africano, como por exemplo as guerras, a questão da AIDS, a questão da miséria. Mas também que tenhamos coisas positivas para que a gente possa construir um novo patamar de relações entre os povos e entre as nações.

Vamos com música, com artes visuais, com dança, com teatro, com arquitetura, mas também vamos celebrar com colóquio refletindo o renascimento africano na África e na diáspora.”

Um bom momento para o Movimento Negro do Brasil pensar outras formas de percepções e cognições nas multiplicidades democráticas étnicas.

TEATRO-NEGRITUDE ENGAJADOS – A ARENA CONTA – E CANTA- ZUMBI!

Aproveitando os embalos étnicos-culturais da Consciência Negra, na última quinta-feira, este Bloguinho Intempestivo, após se movimentar pela alegria de Abdias do Nascimento, traz para os leitores-ouvintes intempestivos o símile eletrônico do disco “Arena Conta Zumbi”, vetor teatralizante dos itinerantes Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.

O TEATRO DE ARENA DE BOAL, GUARNIERI E OS OPRIMIDOS DO MUNDO

O “Arena Conta Zumbi” é uma produção do Teatro de Arena, que foi fundado em 1953, a partir de experimentações com o teatro de arena (no qual a platéia “envolve” o palco, e os atores têm que desenvolver uma dinâmica cênica diferente, sem referencial fixo) e foi ativo disseminador da dramaturgia brasileira. A partir de 1958, com Boal, Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Milton Gonçalves, Vera Gertel, Flávio Migliaccio, Floramy Pinheiro, Riva Nimitz, dentre outros, o grupo começa uma fase de apresentação de peças politicamente engajadas, como Chapetuba Futebol Clube, Gente Como a Gente, Fogo Frio, Revolução na América do Sul e O Testamento do Cangaceiro.

Em plena ditadura (1965), Boal e Guarnieri lançam o Arena Conta Zumbi, primeiro de uma série, que contou ainda com Arena Conta Tiradentes e Arena Conta Bolívar. No Zumbi, a dupla conta a história do movimento quilombola e de Zumbi dos Palmares, a partir do entendimento do teatro épico (Brecht), mostrando a resistência dos escravos contra a opressão dos colonizadores portugueses, perigosamente aproximando o tema da opressão do governo militar ao povo brasileiro. Teatralmente, a peça marca o início do uso do Sistema Coringa, elaborado por Boal, e que permite a encenação de qualquer peça com o elenco reduzido, já que qualquer ator pode interpretar quaisquer dos personagens da peça. O sistema também se caracteriza pelo uso da música como elemento-vetor do tema tratado, e a desvinculação estilística das cenas, onde cada uma pode assumir um aspecto diferenciado, como comédia, drama, sátira, etc.

No Arena Conta Zumbi, o aspecto brechtiano está evidente na oposição que a montagem fez entre narração e interpretação. Os atores narram a estória, e não interpretam personagens senão em algumas características, não criando assim empatia com a platéia que possa fazer com que esta “relaxasse” o espírito crítico. O teatro do Arena é um teatro político, de esquerda, engajado, e que pretende convidar a platéia à reflexão dos temas abordados.

Uma versão da peça foi masterizada e transformada, na época, em LP, onde se pode perceber a força política e estética do teatro do Arena, e que depois desembocaria no Teatro do Oprimido. É esta versão, transformada em mp3 e hospedada no site Rapidshare que o Bloguinho Intempestivo traz ao leitor/ouvinte afinante!

BAIXE AQUI O CD “ARENA CONTA ZUMBI” (ATUALIZADO!!!).

QUILOMBOS, A VOZ DA TERRA

A demarcação das terras/quilombos, talvez para os que carregam uma visão estreitada pela miopia técnica-burocrática, seja apenas um ato jurídico cindido em um plano geo-político-social, entretanto para a ontologia dos modus de ser-negritude, é muito mais.

As terras/quilombos são alethéia (revelação) da Physis Negra. A potência segregadora dos elementos construtores da fala quilombola. Aí forças se imbricaram como elementos produtivos para serem manifestadas como subjetividade original de uma etnia que se fez sua própria voz. A voz que não ressonava os enunciados impostos na senzala. Uma voz-potência deslocada em todas as dimensões dos territórios quilombos. A pujança vibrátil da poiética Negra.

Sob, enter, inter a terra, o negro criou o que hoje surge como sua identidade-livre. Suas ferramentas de trabalho, suas indumentárias, sua religião, seus movimentos de defesa, seus cantos de liberdade e louvação, seus corpus singular configurador da face quilombola: o seu tornar-se autêntico. O que a força punitiva dos senhores-juizes senzalantes não conseguiu castrar.

Embora os quilombos não tenham tido suas populações formadas apenas por negros (haviam mestiços, índios, cafusos, às vezes até brancos), o que se herdou como voz de si mesma, foram os signos que brotaram como produtos da angustia de existir para o nada. O nada como imperativo da opressão senhoril. Os signos de uma novo povo revelado por si mesmo, sem a alienação perversa cravada em sua Mãe-África.

Assim, as terras/quilombos não são meros processos jurídicos traduzidos em uma compaixão branca, mas a negritude em sua potência ontológica: Ser.

25 ANOS DO MOVIMENTO NEGRO NO BRASIL

Um movimento nunca surge no exato momento em que suas notas-particulares passam a ser observadas e compreendidas como realidade objetiva. Esta assertiva filosófica cabe à luta dos negros no Brasil, que se manifestou como ação libertária séculos antes de 25 anos passados. Entretanto, como atividade racial engajada na pós-modernidade brasileira, conta exatamente 25 anos. Aí a assinatura política-histórica do Movimento Negro no Brasil. Aí a importância revolucionária do lançamento, hoje, do livro 25 Anos do Movimento Negro no Brasil. Obra que não testemunha apenas a luta de 25 anos dos negros isoladamente, mas apresenta, paralelamente, as transfigurações políticas e sociais do Brasil, afirmando o Movimento Negro como força profícua na construção da democracia, que agora, no governo Lula, se solidifica. O que não quer se dizer que durante estes 25 anos, os negros sempre encontraram governos dispostos a engajar-se na luta. Pelo contrário. O período Fernando Henrique foi de pouco avanço para o Movimento, e que se não fosse a própria atuação dos negros, teria estagnado.

Em suas multiplicidades discursivas, o livro conta com textos de várias pessoas envolvidas com as questões da negritude, entre elas o ministro Gilberto Gil. Com imagens-fotográficas de Januário Garcia, o livro revela os principais acontecimentos deste percurso com fatos produzidos tanto pela ação dos negros como pela ação de outras instâncias sociais em que os mesmo eram apenas coadjuvantes. Para o presidente da Fundação Zumbi dos Palmares, Zulu Araújo, o livro será importante, como elemento histórico-didático, nas pesquisas escolares, já que fará parte dos conteúdos do ensino da cultura negra no Brasil.

Uma obra mobilizadora, capaz de fundamentar a democracia como um processual continuum de modus de viver feliz em comunalidade.

OBSERVATÓRIO DO IDOSO

Em uma sociedade que tem por leitmotivprincipal a seleção, a classificação e a hierarquização para excluir aqueles que não carregam seus enunciados pragmáticos redutores, qualquer ação para fortalecer os que foram julgados ineptos para circular neste meio, é de fundamental importância. Essa a razão da criação do Observatório do Idoso, em Brasília, que tem como objetivo discutir e apresentar políticas que atinjam eficazmente este que é diretamente vitimado por esta força social perversa. O Observatório coloca em cena os direitos dos idosos de acordo com suas necessidades históricas, espaço-temporal. Do direito à saúde, à educação, o entretimento, e a proteção contra toda forma de violência, principalmente a familiar, a mais praticada e menos denunciada.

Todavia, é imprescindível que todos nós compreendamos que o que precisamos mesmo é criar uma sociedade em que os movimentos corporais e incorporais do homem não sejam definidos por uma linguagem-jurídica capaz de determinar a sua realidade sem levar em consideração sua potência contínua que o possibilita compor encontros de acordo com suas faculdades essenciais. Seu móbil ontológico, que o faz continuamente produtivo em qualquer estágio de sua existência, só estagnando na morte. E não produto da estratégia imobilizante dos incorpóreos da linguagem-jurídica, que o transforma em idoso e aposentado. Estigma excludente da sociedade paranóica. Como se houvesse uma única realidade para o homem em que a criança e o dito idoso não podem representá-la. Quando criança, ainda não é o ‘ideal’ homem. Quando idoso, já passou deste ‘ideal.’

PORTAL DO PROFESSOR

Foi inaugurado hoje pelo Ministério da Educação e já apto à consulta, o Portal do Professor, com suas múltiplas faces informáticas para que o professor possa interagir em informações de acordo com o entendimento sobre educação, escola, ensino, métodos, programas, conteúdos, etc.

O Portal, embora direcionado ao professor, pode ser acessado por qualquer pessoa interessada nas questões da educação. É a informática, para além das superfluidades, sendo usada como forma de democratização do conhecimento.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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