Archive for the 'Ecologia' Category



MADEIREIRAS DE NOVA IPIXUNA SÃO FECHADAS PELO IBAMA

Cerca de 30 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), apoiados por homens do Exército, da Polícia Federal e da Força Nacional, fecharam 12 madeireiras que atuavam no município de Nova Ipixuna, no Pará, município onde foram assassinados a mando de madeireiros os líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo.

Os fiscais retiraram as madeiras e as máquinas que se encontravam no local. De acordo com a determinação do Ibama, qualquer atividade madeireira na região será reprimida por tratar-se de ato ilegal, porque as madeireiras não possuem licença ambiental. Embora o município de Nova Ipixuna seja considerado um polo madeireiro.

A ação do Ibama tem ligação com a Operação Disparada, deflagrada no dia 28 de março, que pediu a cassação de todas as 12 licenças ambientais das madeireiras. A Operação Disparada atua também nos municípios de São Feliz do Xingu, Santana do Araguaia e Pacajá.

Segundo o gerente-executivo do Ibama em Marabá, Paulo Vinícius Marinho, todas as madeireiras da região já foram multadas pelo órgão, entretanto a Secretaria do Meio Ambiente do Pará voltava a conceder licença ambiental.

Nós conseguimos o cancelamento das licenças pela própria insustentabilidade dessas serrarias na região”, afirmou.

PETIÇÃO PEDE A DILMA VETAR O CÓDIGO FLORESTAL

As florestas brasileiras estão correndo perigo. A Câmara dos Deputados acaba de enfraquecer o rígido Código Florestal e corajosos ativistas brasileiros estão sendo assassinados por dizerem o que pensam. É hora de levarmos essa importantíssima batalha ao palco global – se todos nós pedirmos à Presidente Dilma para vetar esse projeto de lei, poderemos salvar as florestas brasileiras.

Assine a Petição

Caros amigos,

A Câmara dos Deputados acaba de aprovar o esvaziamento do Código Florestal brasileiro. Se não nos mobilizarmos agora, enormes extensões de nossas florestas poderão ficar vulneráveis a um devastador desmatamento.

O projeto de lei gerou revolta e protestos generalizados em todo o país. E a tensão está subindo: nas últimas semanas diversos ativistas ambientais respeitados foram assassinados, supostamente por matadores contratados por madeireiros ilegais. É essencial agir agora mesmo. Estão tentando silenciar qualquer crítica enquanto a lei está sendo discutida no Senado. Mas a presidente Dilma tem o poder de vetar as mudanças se conseguirmos persuadi-la a superar a pressão política e assumir o papel de uma verdadeira líder em questões ambientais.

Setenta e nove por cento dos brasileiros querem que Dilma vete as mudanças no Código Florestal, mas nossas vozes estão sendo desafiadas por lobbies de madeireiros. Agora, depende de todos nós nos mobilizarmos para calar esses lobbies. Vamos nos unir agora em um gigantesco apelo para dar fim aos assassinatos e à exploração ilegal de madeira e salvar nossas florestas. Assine o abaixo-assinado a seguir – ele será entregue a Dilma assim que conseguirmos 500.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

As florestas brasileiras são imensas e importantes. A Amazônia sozinha é vital para a vida no planeta – 20% do oxigênio e 60% da água doce do mundo vêm dessa magnífica floresta tropical. E por isso é tão crucial protegê-la.

É por isso que tanta gente vê o Brasil como um líder internacional em questões ambientais e é por isso que a Conferência da Terra, um encontro que acontecerá no ano que vem com o objetivo de impedir a morte lenta de nosso planeta, será no Rio de Janeiro. Por outro lado, também somos um país em rápido desenvolvimento que luta para tirar dezenas de milhões de pessoas da pobreza, e é intensa a pressão sobre nossas lideranças para desmatar florestas e abrir minas para gerar lucro. Daí o perigo de essas lideranças estarem quase dando o braço a torcer em termos de proteção ambiental. Ativistas locais estão sendo assassinados, intimidados e silenciados. Agora, cabe aos membros da Avaaz pedirem aos políticos brasileiros para serem firmes.

Sabemos que há uma alternativa. Lula, o antecessor de Dilma, reduziu enormemente o desflorestamento e consolidou a reputação internacional de nosso país como líder em questões ambientais, além de gozar de um gigantesco crescimento econômico. Vamos nos unir agora e pedir a Dilma para seguir o mesmo exemplo! Assine o abaixo-assinado para salvar nossas florestas e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

Nos últimos 3 anos, os membros da Avaaz no Brasil mobilizaram-se com enormes iniciativas e lideraram extraordinárias campanhas para que o mundo chegue a ser aquele que todos desejamos: conseguiram a aprovação de uma histórica lei anticorrupção e fizeram lobby para que o governo tivesse um papel de liderança na ONU, protegesse os direitos humanos e interviesse para apoiar a democracia no Oriente Médio, e ainda ajudasse a proteger os direitos os direitos humanos na África e outras regiões.

Agora, estamos reunindo os membros da Avaaz de todo o mundo em um apelo global para salvar as florestas. Juntos, podemos construir um movimento florestal internacional e proclamar o Brasil mais uma vez como um verdadeiro líder em questões ambientais. Assine o abaixo-assinado e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

Com esperança,

Emma, Ricken, Alice, Ben, Iain, Laura, Graziela, Luis e o resto da equipe da Avaaz

TRABALHADORES RURAIS AMEAÇADOS DE MORTE NO PARÁ SERÃO OUVIDOS PELA DEFENSORIA

A Defensoria Pública do Pará deverá escutar amanhã, dia 21, as nove pessoas assentadas em Nova Ipixuna que se encontram ameaçadas de morte por pessoas que as consideram obstáculos para seus propósitos capitalistas. Os trabalhadores rurais assentados ameaçados de morte têm uma postura trabalhadora de defesa da terra Amazônica, o que irrita os grandes proprietários.

O grupo de nove pessoas ameaçadas de morte tem a proteção da Força Nacional, que faz parte da estratégia de combater a violência no campo nos estados do Pará, Rondônia e Pará, chamada de Operação Defesa da Vida. Todos os nove encontram-se no município de Marabá, escoltados pela Força Nacional, esperando serem entrevistados.

O coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Pará, Márcio da Silva Cruz, disse que “todos estão protegidos provisoriamente”, todavia a definição da situação só ocorrerá depois das entrevistas.

Ainda estamos em Belém, mas até as 16h de amanhã, teremos atendido a todos no local. Todos serão entrevistados para que saibamos se as ameaças sofridas estão relacionadas à militância em direitos humanos. Depois veremos em que estratégia de proteção cada um se encaixará.

Atualmente há, no Pará, sete pessoas sob proteção e outras 16 que tiveram a proteção autorizada pela coordenação estadual, mas ainda não foi implementada pelos órgãos de segurança.

O programa tem regras, já que não podemos impor proteção a ninguém. Ou seja: a pessoa tem que aceitar essa proteção. Como ainda não temos o panorama deles, estamos aguardando a conversa para decidir o que fazer.

É o caso do bispo da Ilha de Marajó, dom Luiz Azcona, e do padre Amaro, de Anapu, onde a irmã Dorothy foi assassinada. Nós sabemos que eles estão correndo risco, mas nada podemos fazer porque eles recusaram a participar do programa”, afirmou Cruz.

5 MIL FOI QUANTO O FAZENDEIRO JOSÉ RODRIGUES PAGOU PARA OS PISTOLEIROS MATAREM JOSÉ CLÁUDIO E MARIA DO ESPÍRITO SANTO

Polícia divulgou retrato falado de suspeitos de matar o casal no Pará

No dia 24 de maio, ainda na aurora matinal, o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo deixou sua casa em direção à cidade para efetuar um negócio. Ao passarem por uma pequena ponte, foram atingidos por disparos provenientes de dentro do mato. Eram dois pistoleiros, em tocaia, pagos para matá-los e silenciar suas lutas contra a exploração ambiental e o desmatamento da floresta executada por madeireiros. Os assassinatos ocorreram no assentamento Nova Ipixuna, no Pará. Mais um crime contra as vidas de trabalhadores rurais que chocou a sociedade brasileira.

Diante do ocorrido, e a reverberação do fato, o governo federal tomou as medidas cabíveis para encontrar os executores e o mandante, ou mandantes. Hoje, dia 8 de junho, a Polícia Civil do estado do Pará apresentou o nome do mandante do duplo assassinato. Trata-se de José Rodrigues, fazendeiro, desmatador e grileiro, que comprou lotes de terra para expandir sua criação de gado. Só que a área comprada era para assentamento. O que fez com o líder extrativista José Cláudio enfrentasse o grileiro em nome dos assentados, impedindo que eles deixassem suas terras. Afirmando ainda, para o invasor, que aquelas terras não poderiam ser vendidas.

Não satisfeito com a posição tomada por José Cláudio, o grileiro foi até a Comarca de Nova Ipixuna, falou com a polícia, e voltou ao assentamento, agora protegido pelos policiais, para expulsar os assentados. Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), informado da prepotência latifundiária, se fez presente no local, afirmando que as terras pertenciam aos assentados. José Rodrigues, o grileiro, não gostou do desfecho, e saiu vociferando em tom de ameaças que José Cláudio e sua esposa Maria do Espírito Santo iriam pagar caro pelo ocorrido, segundo testemunha.

Como soe ocorrer com os infelizes paralisados por profundo sentimento de inferioridade, que os faz se transformarem em pessoas ressentidas, e acima de tudo covardes vingativos, segundo a Polícia Civil, José Rodrigues contratou dois pistoleiros ao soldo de 5 mil, para assassinarem o casal de líderes extrativistas. A única forma capaz de um covarde calar pessoas que lutam pela preservação do Ambiente Amazônico. O dinheiro, o psicopata e a bala. Três elementos usados pelos latifundiários para eliminar os que são contrários às suas ambições psicopatológicas.

Agora, a Justiça da Comarca de Nova Ipixuna pediu a prisão do predador baseada na investigação da Polícia Civil, que segundo ela o predador pagou dois pistoleiros para assassinarem o casal.

Quanto aos assassinos, a Polícia Civil já divulgou os retratos falados de ambos, baseada em testemunhas que viram os dois pistoleiros seguindo para o assentamento às 5h30 no dia 24, e horas depois voltando. Há suspeita que eles tenham fugido usando o Rio Tocantins.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (IV)

A falácia da Zona Franca Verde e morosidade do Prosamim

No que diz respeito aos interiores do Amazonas, até hoje apenas dois projetos fantasmas são conhecidos: o Terceiro Ciclo, de Amazonino Mendes, e o Zona Franca Verde, de Eduardo Braga. A prova maior que os projetos têm o mesmo escopo é que atualmente seus autores, fazendo-se adversários, atacaram recentemente um ao projeto do outro. Os dois estão certos, diz o filósofo Rui Brito.

A Zona Franca Verde não existe, não deu certo, igual ao Terceiro Ciclo.”

Fala na peça Boizinho Rizoma nas Tramas da Zona Franca Verde, desenvolvida pelo Teatro Maquínico da AFIN

Seguindo o entendimento ambientalista de Gilberto Mestrinho, que disse certa vez ser possível derrubar toda a Floresta Amazônica e reflorestá-la em seguida, de tão ecologista que era, Amazonino, na campanha de 1986, que veio a ser sua primeira eleição para governador, prometeu dar uma motosserra para cada caboclo do interior. Mas o maior viria na segunda vez que assumiu o governo do estado do Amazonas (1995-1998), quando criou o Terceiro Ciclo, projeto para incentivar a agricultura, principalmente no que diz respeito à industrialização e escoamento da produção, mas que nunca foi implantado realmente, servindo apenas para o desperdício do dinheiro público e palanque eleitoreiro para Amazonino e seus correligionários no interior.

Bom aluno de seu mestre, Eduardo Braga criou, em 2003, no primeiro ano dos oito que passaria como governador, o projeto Zona Franca Verde, que até hoje, nos interiores e na capital do estado, ninguém sabe explicar de que se trata. O único conhecimento que se tem é o marketing midiático. Nesse quesito, Braga é competente, e por isso já foi convidado para falar sobre o programa na França e nos Estados Unidos. Mas Braga não é apenas competente, mas, sim, precavido, uma vez que nunca um governo havia gastado tanto dinheiro público em marketing governamental. Para apoiar o fantasmático projeto, veio o Bolsa Floresta e seus míseros R$ 50 como chantagem para o caboclo manter a floresta “em pé”, e também mudaram o nome da fotossíntese, talvez para acompanhar o acirramento da violência urbana, para “sequestro de carbono”. Enquanto isso, para perceber a fraude da Zona Franca Verde e outros negócios, este bloguinho ouviu certa vez de uma moradora do município de Fonte Boa, a “Terra do Manejo Sustentável”, como se lê na entrada da cidade: “Aqui é assim: as pessoas vão levando a vida com a barriga e é preciso ter muita criatividade pra isso.”

Provavelmente o programa Zona Franca Verde, se o eterno vice Omar Aziz quiser afirmar sua “personalidade”, será esquecido, principalmente porque as principais notícias dos últimos tempos sobre ele na mídia foram as velhas utilizações nas campanhas eleitorais, dessa vez realizadas pela coligação Avança Amazonas nas eleições passadas, que teriam beneficiado, segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), entre outros, Braga, Omar, Vanessa Grazziotin e Eron Bezerra.

Fui enganada, me tiraram de um igarapé e me colocaram em outro.”

Senhora Marilda, que foi retirada de um igarapé na Cachoeirinha e colocada em outro no São José I pelo Prosamim, e que deu entrevista a este bloguinho num Grito dos Excluídos.

No caso de Manaus, então, a partir da fundação da Zona Franca de Manaus, primeiro se produziu a poluição total – e não se diga ingenuamente que foi a população – de todos os igarapés da cidade, para depois revitalizá-los. Para isso foi fabricado o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), cujas peças publicitárias são também recheadas de cores, sons e, quem sabe, até odores artificiais. No entanto, o que mais chama a atenção para os que vivem em Manaus é:

  • a morosidade do projeto, com suas marcações e remarcações de casas que deverão ser indenizadas e retiradas a cada ano. Cada vez que a remarcação é feita, a extensão de seu alcance sofre estreitamento;

  • numa compensação ao contrário, seu custo aumenta cada vez mais. O Amazonas está com uma dívida externa – veja bem, “dívida externa” – de R$ 805 milhões e, no último 26 de maio, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Ale-AM) autorizou o Governo do Estado do Amazonas a emprestar R$ 448 milhões. A Prefeitura de Manaus também aproveitou para pedir dinheiro federal para realização do Projeto de Recuperação do Igarapé do Mindu, conhecido como Prosamim Municipal, e que segue a mesma linha do projeto governamental: recebeu um montante de R$ 100 milhões do governo federal e nada ainda foi realizado;

  • corrupção na organização foi vista em denúncia que repercutiu nacionalmente, quando foi feita a acusação pelo Ministério Público do Estado (MPE) de que estavam sendo indicados corretores que facilitavam o processo de desapropriação por uma quantia de R$ 2 mil a R$ 10 mil;

  • como se vê na fala da companheira Marilda acima, a insatisfação dos beneficiados é geral, indo desde os locais para onde foram realocados e até, no caso das “casinhas lego” (apelido que moradores dão ao Parque Residencial de Manaus), de problemas nas moradias, que vão de goteiras a rachaduras e até desabamentos;

  • ausência de fiscalização fez com que o Ministério Público de Contas (MPC) recomendasse, há duas semanas atrás, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma inspeção e auditoria em todas as obras e contratos da Unidade de Gerenciamento do Prosamim (UGPI-Prosamim). Esse pedido ocorreu porque a UGPI simplesmente mandou para análise a prestação de contas sem o relatório de inspeção das obras pelo Departamento de Engenharia (DEENG) do TCE. “Se a unidade gestora existe para realizar obras, no caso, de grande porte e valor, nas contas anuais não pode faltar a inspeção desses objetos pelos engenheiros auditores do Tribunal, sob pena de não se examinar o principal conteúdo dessas contas”, diz o documento. Mesmo assim, o TCE aprovou as contas de Braga;

  • o uso eleitoreiro publicitário é conhecido a cada período eleitoral, sendo que no último pleito houve a denúncia de que logotipos do Prosamim foram colocados até em sacos de pão;

  • o mais grave de tudo é que o Prosamim é acusado de realizar o oposto do objetivo a que se propõe, produzindo estreitamento do leito dos igarapés e assoreamento do lixo, que vem causando desde alagações abruptas até o desaparecimento de igarapés. Na verdade, hoje em dia, nem existem mais igarapés recortando a cidade de Manaus, mas apenas córregos poluídos, os quais a tendência, do jeito que vão suas ‘aguinhas’, é realmente desaparecer.

Dessa forma, educar a população a não jogar lixo nos igarapés de Manaus, ou de outras cidades, é importante, mas é apenas uma ação mínima e minimizadora contra a degradação da cidade. Fazer sabão de óleo de cozinha usado pode ser curioso, mas mera curiosidade. Por acaso os alunos produzirão ano que vem seus próprios cadernos a partir das técnicas de reciclagem de papel? Tais atividades não terão nenhuma relevância na defesa do meio ambiente se não tomarmos posição na raiz da questão.

Se continuamos na mesma trilha – por sinal uma trilha holográfica, pois não há Natureza aí -, as guirlandas de garrafa pet servirão apenas para enfeitar o espaço da cova de nossa cidade, uma cova que cresce na proporção da ausência epistemológica, ambição e estupidez de nossos governantes.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (III)

A Zona Franca de Manaus e a degradação ambiental

Michel Foucault fala da importância das lutas locais ou específicas para fazer fissuras no poder constituído. Pois tá, em Manaus, em vez de se discutirem as questões em torno do falacioso projeto Zona Franca Verde ou da morosidade do Prosamim, por exemplo, as atividades em torno da Semana do Meio Ambiente se dividem ou no desespero global ou em ínfimas soluções inexequíveis. De um lado o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, o aquecimento global, o perigo nuclear; de outro fazer sabão com óleo de cozinha, fazer enfeites e objetos com garrafa plástica, desenhar a estúpida árvore chorona, fazer maquetes para culpabilizar a população pela poluição dos igarapés e outras coisas parecidas. Tudo simulações que servem apenas para desviar as verdadeiras questões ambientais da cidade. Se se quer partir da raiz da questão, como diria Marx, para se falar em degradação ambiental em Manaus, tem-se de partir da instituição da Zona Franca de Manaus (ZFM) em 1967, mas a partir da realização de uma descontinuidade na História do Amazonas, realizando uma linha que traça a genealogia e as tristes consequências da degradação ambiental.

Primeiro Surto da Borracha. Como os manauaras sabem, afora o genocídio dos índios por assassinos sanguinários como Pedro Teixeira e o Marquês de Pombal, onde hoje é o estado do Amazonas foi o último espaço do Brasil a ser colonizado. Só existiam vilarejos até o período áureo da borracha (1879-1912), quando Manaus foi transformada na Paris dos Trópicos. Nesse período foram construídos todos aqueles “prédios históricos” de hoje (a maioria já sem qualquer semelhança com o original): o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro, a Alfândega, etc. A cidade de Manaus, que compreendia apenas o que hoje é apenas o Centro – o Cemitério São João Batista era fora da cidade -, era a cidade mais moderna do Brasil, depois de Belém, é claro. Tinha energia elétrica (o que não era comum na maioria das cidades ainda), bonde elétrico, água encanada, em 1909 foi criada aqui a primeira universidade do Brasil (embora outros estados apontem o mesmo acontecimento com séculos de diferença). Tudo para os barões do látex, enquanto os tapuias estavam pelos matagais matando-se com os últimos indígenas. Até que as sementes de seringa foram traficadas pela biopirataria e o ouro branco jorrou na Ásia. Manaus foi abandonada. Alguns dos barões da borracha estavam tão ricos que não fizeram sequer questão dos seus imóveis na cidade.

Segundo Surto da Borracha. Nos prédios se criaram teias de aranha, começou a falta d’água, o bonde da história quebrou… A cidade de Manaus – assim como todo o estado do Amazonas -, ficou abandonado até a Segunda Guerra, quando o Japão fechou a saída de borracha asiática para a Europa e os Estados Unidos, e os aliados lembraram que havia seringueiras em outro lugar do mundo. Fizeram propaganda e, em três anos, de 1942 a 1945, cerca de 100 mil nordestinos migraram para o Amazonas para trabalhar na extração do látex. Os Soldados da Borracha. Se você perguntar nos bairros, muita gente teve um avô, um bisavô que foi soldado da borracha. Ainda há muitos remanescentes vivos em Manaus que podem relatar essa história. Depois da enganação, até hoje muitos lutam para ter sequer uma aposentadoria com a patente que desempenharam, mas como não têm medalhas para comprovar, só ferimentos…

Terceiro Surto Econômico – Zona Franca de Manaus. Após o fim da guerra, os aliados se desalinharam e a cidade, que já havia se expandido um pouco além do cemitério, virou uma cidade fantasma até que, em pleno recrudescimento da ditadura militar no Brasil, pelo Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, foi fundada a Zona Franca de Manaus, permitindo vantajosos incentivos fiscais e isenção de tarifas alfandegárias para empresas multinacionais.

Os ditadores militares precisam ser julgados não só pelas torturas e assassinatos, mas aqui principalmente pelo crime ambiental que cometeram no Amazonas. Além de deixarem os interiores na sua fantasmagoria, a cidade de Manaus inchou como um cachorro morto caído à rua. Não houve qualquer previsão e controle do aumento populacional e suas consequências. Os trabalhadores-mão-de-obra barata, que vieram de todos os rincões dos interiores e de outros estados que não tiveram o privilégio de uma zona franca, rapidamente ocuparam a beirada dos igarapés centrais e depois se expandiram em invasões. Na verdade, estas invasões ocorreram em áreas que acabaram e acabam sendo indenizadas pelo Estado a senhores que ninguém sabe como conseguiram os títulos de propriedade da terra. Nas zonas Norte e Leste de Manaus, as duas maiores zonas de Manaus, todos bairros foram formados ou por invasões da população necessitada ou por loteamentos de grileiros bem-nascidos, amigos de juízes e governadores.

Os antigos falam dos piqueniques nos igarapés centrais de Manaus, mas como os tirânicos governantes (Gilberto, Amazonino, Eduardo Braga), que des-governam o Amazonas há três décadas, e que sucederam os ditadores pós-ditadura continuaram o crime ambiental, o que se vê aí até hoje são as consequências. Em nenhum bairro de Manaus, seja na periferia ou nos bairros nobres, há saneamento básico. Todos os dejetos, não só geladeira velha, sofá e televisão, mas mijo, bosta, água suja, vão todos para os igarapés. O esgoto do Hotel Tropical desemboca diretamente na Ponta Negra. Talvez as pessoas que se banham, pegam bronze, fazem marquinha não se incomodem, já que, como diria Cazuza, merda de rico é mais cheirosa, pois eles têm dinheiro pra comprar perfume e ninguém vê os coliformes fecais nas fotografias dos cartões postais, ou no orkut.

Manaus, embora com um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do país, sofre com uma miséria galopante e serviços públicos inexistentes ou depauperados. Há muito se sabe que a Zona Franca de Manaus serve mais como ponte aérea do capital de multinacionais, como suporte eleitoreiro de políticos demagogos e, agora mais do que comprovado, como sustentáculo de enriquecimento ilícito de inúmeros agentes públicos corruptos, a começar pela eterna dirigente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Flávia Grosso, que recentemente teve os bens bloqueados pela Justiça federal.

Quem vai querer ir na raiz da questão? Para grande parte da população amazomanoniquim, a ZFM é a garantia de nossos empregos, o maior lema das campanhas eleitorais do estado, principalmente no que diz respeito às campanhas para deputado federal e senador, é: “Pela defesa da ZFM!” Mas a ZFM está sempre fragilizada. É uma patologia congênita recorrente nos surtos antinaturais. Está sempre próxima de um colapso, como agora com a Medida Provisória (MP) 354, que garante a produção de tlabets e displays em outras cidades brasileiras, mas que está impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas todo ano há uma ameaça para ZFM. Bom para os políticos profissionais, que lucram os dividendos na defesa de um perverso e irresponsável projeto da ditadura militar, justamente porque não tem e nunca tiveram projetos autênticos para o estado do Amazonas, seja para os interiores, seja para a capital.

Como disse recentemente o deputado estadual José Ricardo, uma das pouquíssimas vozes que tem coragem de questionar o modelo ZFM: “Por que depois de 44 anos de ZFM e de quase 30 anos com o mesmo grupo político não se pensou em outra atividade de desenvolvimento para a capital e o interior do Amazonas? Por que não temos fábrica para enlatar pescado e hoje somos obrigados a comprar sardinha enlatada de outros estados? Por que não temos as maiores indústrias de barcos do Brasil? Por que não fabricamos medicamentos e não produzimos mais alimentos? Por que tudo vem de fora? Por que todas as nossas riquezas não são revertidas em prol do povo, como o minério e o gás?”

A resposta é simples: no Amazonas nunca existiram gestores públicos lúcidos quanto mais pensantes e a corruptela da nossa medíocre classe política é o maior problema de nosso ambiente.

MAIS UM TRABALHADOR RURAL É ASSASSINADO EM ELDORADO DOS CARAJÁS

Apesar da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, ter anunciado, no dia 31 de maio, medidas para conter a violência no campo, e no dia de ontem a presidenta Dilma e o ministro da Justiça José Edurado Cardozo terem conversado com os governadores do Pará, Rondônia e Amazonas, mesmo assim a ousadia dos pistoleiros no campo, principalmente na Região Norte, continua desafiando a Justiça.

Ontem, dia 2, na região de Eldorado dos Carajás, onde em 1996 ocorreu uma das maiores chacinas da história da luta pela terra, quando foram mortos 19 trabalhadores e 60 ficaram feridos, e nenhum de seus autores foi punido, o trabalhador da agricultura Marcos Gomes da Silva, de 33 anos, foi assassinado.

O crime teve cenas de total desrespeito à pessoa humana e desafio à Justiça. Marcos, depois de baleado, foi colocado em um carro para ser levado para um hospital. Logo em seguida, quando o carro se encontrava em uma estrada, alguns homens armados abordaram o carro e obrigaram o motorista a parar o veículo e tirar Marcos do veículo. O motorista, receoso com a ameaça, parou, e Marcos foi colocado na estrada. Os homens armados mandaram os ocupantes do veículo correr em direção oposta, e mataram o trabalhador.

Nessa sexta-feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai ter um encontro como o ministro secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para tratar da insegurança e violência no campo.

Carmen Foro, secretária do Meio Ambiente da CUT, que vai representar a entidade, disse que o governo deve conversar com os movimentos sociais se ele pretende realmente enfrentar esse problema.

É preciso que o governo converse com os movimentos sociais. Até então, houve diálogo entre pessoas do Executivo, há agenda com governadores, mas não tinha qualquer previsão de receber justamente quem está envolvido diretamente com o problema. A estratégia está equivocada”, afirmou Carmen.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (II)

Os Sonhos de Akira Kurosawa

1972. A partir da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Estocolmo, que instituiu do dia 5 de junho como Dia Mundial do Meio Ambiente, a questão foi colocada na ordem do dia. No entanto, para muitos artistas e filósofos, as questões ambientais já há tanto vinham sendo percebidas.

Para tomar a questão somente do final do séc. XIX até essa assembleia, pode-se dizer que a preocupação de Van Gogh (1853-1890) não é meramente de ordem de alteração paisagística, e em muitas páginas de D. H. Lawrence (1885-1930), Aldous Huxley (1894–1963) e George Orwell (1903-1950) a brutalidade do homem diante do outro e da natureza é colocada claramente.

No Brasil, em 1902 Graça Aranha publica Canaã, considerado o primeiro romance filosófico e socialista da literatura brasileira, no qual muitas das (hoje) questões ambientais são surpreendentemente antecipadas, como se vê na prgunta do ambicioso Lentz a Milkau: “Não acreditas que o próprio ar que escapa à nossa posse será vendido, mais tarde, nas cidades suspensas, como é hoje a terra? Não será uma nova forma da expansão da conquista e da propriedade?”

Afinal o papel do artista não é senão ver o invisível e dizer o indizível, assim como o do filósofo é criar conceitos para as questões colocadas. Mas ambos são tachados de loucos por aqueles que estão certos no rompante pelo lucro de seus negócios, que são capazes até de negociar as obras destes artistas e filósofos, mas abstraindo delas seu conteúdo real.

Um desses loucos, o cineasta japonês Akira Kurosawa (1910–1998), artista-filósofo, que é considerado um dos cineastas mais completos, que realizava praticamente todas as etapas dos cinemas que produziu, realizou em 1990 o cinema Sonhos, que, infinito e eterno em sua estética, não deixa de tratar questões atuais da vida após a Segunda Guerra, com as questões atômicas, o papel da arte e como seguir a linha de uma vivência ética no mundo.

O cinema está dividido em 8 partes. Nas três últimas, ele trata das questões ecológicas, analisando a ambição capitalística e o egoísmo humano, responsáveis pela degradação da Natureza. No momento que chega a Semana do Meio Ambiente, quando as mesmas atividades de culpabilidade da população e soluções insignificantes são apresentadas, vejamos.

Monte Fuji em Vermelho, outro sonho, relata uma erupção do referido monte, fazendo com que cinco reatores de uma usina nuclear vão explodindo um a um, liberando gases tóxicos.

Chernobil. Fukushima. Sabe-se que para os assassinos do capitalismo ecológico é maravilhoso que a população fique acreditando-se culpada e fique transformando o seu resto de óleo em sabão, como é ensinado nas escolas. Enquanto isso, as indústrias bélicas, de energia nuclear, petroquímicas e tantas outras, as verdadeiras responsáveis pela degradação, vão elevando seus lucros a custo da aceleração do processo terminal da humanidade.

O Demônio Chorão, outro sonho, retrata um momento em que a terra já está totalmente degradada, já não existe água potável nem alimento, os seres humanos já se transmudaram numa espécie de ogros, comendo-se uns aos outros e todos acometidos de terríveis dores.

O que muitos assistem como ficção, é há muito, realmente, uma horrível realidade objetiva. Quantas substâncias existem em nosso corpo que não são naturais? Gases tóxicos que respiramos, germes que bebemos, substâncias que ingerimos… Só um exemplo: um frango criado comendo milho solto num quintal, dormindo em poleiro, demora cerca de seis meses para chegar ao seu máximo crescimento; um frango de granja leva em média um mês e dez dias. Por mais que se negue que são aplicados hormônios, há muita diferença entre esses dois frangos. É a diferença entre o natural e o artificial. Todas essas mutações não criam seres superpoderosos, como na ficção norte-americana, mas mutantes acometidos de câncer, problemas cardíacos, pulmonares, verminosos, depressão, passividade…

Quando os europeus chegaram por cá, que ainda não era a terra das palmeiras e sabiás idealizados, admiraram a saúde do corpo dos índios, que não tinham pudor e nem escondiam suas ‘vergonhas’. Hoje Eduardo Braga e Omar Aziz trazem o Exterminador do Futuro para, ganhando uma fortuna de dinheiro público, falar sobre meio ambiente. Alguém poderia ter pedido para Schwarzenegger tirar a camisa. Ele, diferente dos índios, esconderia sua vergonha. Sabe como fica um corpo velho cheio de resíduos anabolizantes?

Aparecem anúncios da estreia do novo filme dos Mutantes. Mas há muito tempo o velho William S. Burroughs já disse que nós próprios somos os mutantes. Mas não somos mutantes superpoderosos hollywoodizados. Somos mutantes decadentes, cheios de tics e tacs, cloreto de sódio, hormônios, açúcares, remédios de todos os tipos, etc. Somente alguns naturistas ainda acreditam que, ao tirarem as roupas, estão nus e ao natural. Não existe um único homem no planeta que possa se dizer hoje um homem natural.

O Povoado dos Moinhos, outro sonho, um andarilho vai a um lugarejo onde não há energia elétrica nem a maioria dos objetos que fazem o conforto dos homens citadinos. Mas há ar puro, água limpa, e a manutenção do comer e beber é feita de forma comum.

Ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma nota tímida de que o uso de celulares pode causar câncer. Enquanto isso, a maioria das pessoas se desespera apenas por ter esquecido algum de seus aparelhinhos. Quem está interessado em mudar seus hábitos? Quem está interessado em criar novas formas de relações?

Num plano global, fazer simulações na Semana do Meio Ambiente de nada adiantará, enquanto países como os Estados Unidos, irmanado com outros no Conselho da ONU, não assina sequer o protocolo de Kyoto, feito pela própria ONU. É a lei sendo ditada para os outros, enquanto o tirano abusa e massacra.

No Povoado dos Moinhos, quando alguém morre, depois de viver bem durante muitas décadas, há uma festa. Se continuarmos da forma que vamos, daremos apenas nossa singela contribuição com uma florzinha de alguma garrafa plástica para embelezar o funeral da humanidade. Mas não haverá ninguém para chorar ou para festejar. E os artistas-filósofos, naturantes que são, não vão lamentar.

SECRETÁRIO-GERAL DA PRESIDÊNCIA DIZ QUE RESPEITA A ANISTIA INTERNACIONAL, MAS O GOVERNO VAI CONSTRUIR A USINA

Mesmo diante das contestações contra a construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará, feitas por ambientalistas, Ministério Público Federal, Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), e a ONG Anistia Internacional, que pediu ontem, dia 2, a suspensão da construção da Usina, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo vai levar adiante a construção da hidrelétrica.

O ministro secretário-geral disse que respeita muito a ONG Anistia Internacional, mas o governo vai levar adiante a realização do projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo o ministro, ele tem “orgulho do projeto que tem idoneidade”.

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, quando instalada, terá uma potência de 11,2 megawatts, e inundará com seu lago uma área de 516 quilômetros.

A gente respeita a posição da Anistia, mas o governo brasileiro tem convicção firmada da idoneidade do processo, da adequação do projeto. Temos orgulho desse projeto. Vamos fornecer as informações que forem necessárias, mas a obra, definitivamente, vaia acontecer”, defendeu Gilberto.

A ONG ANISTIA INTERNACIONAL PEDE QUE CONSTRUÇÃO DA USINA DE BELO MONTE SEJA SUSPENSA

Um dia após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) autorizar o reinício das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado Pará, que se encontravam paradas, em função das críticas que afirmam que sua construção vai afetar o meio ambiente, as populações ribeirinhas e as indígenas, a ONG Anistia Internacional divulgou nota pedindo que o governo federal suspenda a continuação das obras.

Segundo a nota, a construção da Usina de Belo Monte vai contra os direitos humanos e o desenvolvimento do país, por isso ela pede que o governo federal observe as necessidades das populações que vivem nas proximidades do Rio Xingu, e que sejam fornecidas garantias para as etnias.

O Brasil deve respeitar as recomendações emitidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para suspender a construção da barragem de Belo Monte até que os direitos das comunidades indígenas locais estejam plenamente garantidos”, diz trecho da nota.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (I)

Meio Ambiente e Natureza Naturada

Quase todas essas atividades desenvolvidas em torno da Semana do Meio Ambiente são antinaturais; por tal artificiais, inofensivas e inúteis.

A começar pelas ideias confusas nas definições que são trabalhadas nos meios escolares dos termos Meio Ambiente e Natureza e a dissociação entre ambos. Meio ambiente, longe de seguir a indicação de um fenômeno interno a que a palavra “meio” designaria, refere-se geralmente a um fenômeno externo cada vez mais longínquo espacialmente: os rios, as florestas, a atmosfera… Mesmo que seguisse a indicação, a definição estaria falsa, uma vez que não há interno ou externo no ambiente. Não há dentro e fora ou estão imbricados de tal modo que a destruição do fora é sempre uma autodestruição. Assim, a destruição ambiental é um suicídio humanitário.

A palavra natureza passou a ser aí pouco empregada, e quando é empregada é em um sentido totalmente deturpado. De nenhuma maneira próxima ao filósofo holandês Spinoza. Nunca se refere ao conceito de Substância-Causa de tudo que existe (Natureza Naturante), mas referindo-se sempre a Modus-Efeito, ao que o homem já degradou em sua sanha (Natureza Naturada). A “natureza” é sempre os rios poluídos, as matas queimadas, o buraco na camada de ozônio, as reservas florestais…

Na verdade, afora alguma repetição mecânica de alguma definição de algum livro didático, não há qualquer preocupação com a utilização desses termos, sendo eles empregados no senso comum. E é assim que soe ao poder, porque assim as palavras se separam das coisas, ficando propício para as simulações escolares e até mesmo dos ambientalistas. Melhor ainda para o capitalismo ecológico, para as bancadas ambientais nos congressos, para os projetos mirabolantes, etc. Assim, até o Exterminador do Futuro vai aparecer como ambientalista em Manaus, cidade que se quer a narina do planeta.

Deus sivi Natura. Os salvadores da natureza não leram a fórmula do excomungado holandês. Deus ou Natureza. Não sabem que a Natureza é, em sua essência, eterna e infinita, nada pode limitá-la. E na escola, uma criança infantilizada pelos adultos desenha uma árvore chorando. Uma aberração antropomórfica. O homem pode derrubar, queimar todas as árvores, do ponto de vista científico, nenhuma verterá uma lágrima. Nem mesmo os outros animais produzem lágrimas por desespero, culpa, ressentimento, medo como o homem produz. Se o homem poluir toda a água, todo o ar, somente o homem sucumbirá. A Natureza nunca morre. A morte é uma invenção humana. Segundo Freud, os suicidas são, na verdade, homicidas (querem sempre destruir o outro); assim como os homicidas são suicidas (querem sempre destruir a si próprios). Homicídio-Suicídio. O crime perfeito é o que está ocorrendo no planeta.

Se se parte desse entendimento, saber-se-á que o que veio a ser chamado de meio ambiente não é nada mais do que a Natureza Naturada spinozista, enquanto considerada como “coisas que existem em Deus, mas não podem existir nem ser concebidas em Deus”. É tudo que surge, como afecção, a partir dos atributos de Deus-Natureza. Por exemplo, a vontade, o apetite, o amor, todos os modos por quais age o homem. Saber-se-á então que no ambiente existem, geofilosoficamente, infinitos espaços e que estamos sempre no meio. Ou seja, não estamos no interior ou no exterior, mas num movimento e, dependendo do modo, o homem pode afirmar/aumentar sua potência de agir na linha natural naturante (Vida) ou negar/diminuir sua potência até extinguir-se a linha naturada (Morte).

Se não se muda o caminho, é o fim da picada, porque já existe só um descampado onde o homem diante do homem, como débeis cowboys americanos, vão dar-se o último tiro, mas não poderão mais, porque o mar transbordará, o ar esquentará ou esfriará demais, a terra vai se abrir, o céu vai desabar e as feras vão rugir… Como diria o cineasta alemão Werner Herzog, o Deus-Natureza é violento – mas num outro tipo de violência diferente da violência humana – e vai afirmar sua potência se o homem se coloca numa linha dura e antinatural à Vida.

CINCO MIL PESSOAS PARTICIPARAM E PROTESTARAM NO ENTERRO DOS EXTRATIVISTAS ASSASSINADOS

Em total atmosfera de tristeza e revolta, 5 mil pessoas entre trabalhadores extrativistas, amigos e agricultores participaram do enterro dos dois líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados covardemente a tiros pela força predadora dos madeireiros que desmatam a região do município de Nova Ipixuna, no Pará.

Os dois passavam pela estrada vicinal que conduz ao Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba 2, a 45 quilômetros do município de Nova Ipixuna, sudeste do estado do Pará, quando foram traiçoeiramente assassinados.

O enterro dos dois engajados defensores do meio ambiente, realizado em Marabá, foi configurado de protestos e revoltas contra o desprezível crime cuia notícia já ultrapassou fronteira, dado sua repercussão. Militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Via campesina, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), entre outras entidades que lutam no campo por melhores condições, próximo a Marabá, bloquearam sobre o Rio Itacaiúnas e uma ferrovia. Seguindo o protesto, os manifestantes puseram fogo em pneus e pedaços de paus. A liberação de uma parte da ferrovia só ocorreu depois que a Polícia Militar apareceu.

Foi um ato contra o assassinato! Interditamos os dois sentidos da pista e ferrovia. Não houve confronto. A pista só liberada depois que terminou a marcha”, disse Maria Raimunda Cezar, membro da coordenação do MST.

Depois de ser celebrada uma missa, o enterro ocorreu ao meio-dia, fazendo antes um cortejo pelas ruas de Marabá até chegar ao cemitério, onde novamente os manifestantes bradaram palavras de ordens contra a impunidade no campo e as constantes vidas dos trabalhadores ameaçadas.

Por pedido do governo federal, a Polícia Federal começou a fazer a investigação para chegar até os culpados. Por sua parte, o Ministério Público Federal (MPF) também está acompanhando o caso.

AMIGO DOS EXTRATIVISTAS ASSASSINADOS DIZ QUE AS MORTES FORAM ENCOMENDADS POR CAUSA DAS DENÚCIAS DE DESMATAMENTO

Atanagildo Matos, diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), disse que os assassinatos do castanheiro e líder extrativista João Cláudio Ribeiro da Silva, e de sua esposa, Maria do Espírito Santo, foi encomendada para atingir as comunidades que vêm denunciando os desmatamentos praticados por madeireiros na região. Mas que eles não vão se calar por medo. Agora eles estão mais fortes. As mortes de seus companheiros exige que eles sejam mais combatentes e vigilantes em defesa do meio ambiente.

Agora estamos mais fortes e unidos para defender a floresta. Ainda não sabemos exatamente quem foi o mandante porque as denúncias feitas por João atingiam diversos grupos e interesses. Mas tenho certeza que essas mortes foram encomendadas.

A morte deles deixou o movimento mais indignado e vamos buscar força nessa indignação para pressionar o governo a respeitar nosso pedido e a população das florestas. Perdemos um casal muito atuante e digno. Que trabalhava e era querido pela comunidade. Mas, assim como as árvores que eles defendiam, eles também deixaram sementes. Precisamos continuar nossa luta. Agora vamos nos juntar para avaliar a situação e continuar nossa missão.

Foi uma triste coincidência o assassinato deles ter sido cometido em uma data tão próxima à aprovação do Código Florestal, com essas emendas que anistiam criminosos e que delegam a municípios e estados a definição das áreas de proteção”, analisou Matos.

Por sua vez, chocada com o covarde crime, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pediu o apoio dos governadores dos estados para combater os grupos de extermínio.

Nós precisamos que as polícias dos estados também ajam. Esses grupos de extermínio precisam ter fim no Brasil, seja no Pará, na Baixada Santista, entre Pernambuco e a Paraíba ou Goiás. Nós estamos fazendo esse enfrentamento.

De nossa parte, todas as informações que possam vir para o nosso conhecimento sobre esse crime serão bem-vindas para que não fique impune”, afirmou a ministra.

PISTOLAGEM DESMATADORA MATA LÍDERES EXTRATIVISTAS NO PARÁ

José Cláudio Ribeiro da Silva, castanheiro e líder extrativista, e mais sua esposa, Maria do Espírito Santo da Silva, também líder extrativista, os dois pertencentes à ONG Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), fundada por Chico Mendes, foram covardemente assassinados na madrugada de terça-feira, quando passavam por uma estrada do município de Nova Ipixuna, no estado do Pará.

Como engajado trabalhador, José Cláudio denunciava a ação ilegal e perversa de madeireiros exportadores na região. Por sua coragem ambiental, José, vinha sendo ameaçado de morte, junto com sua esposa, desde o ano de 2008.

Com um entendimento racional sobre vida e ecologia, viver ambientalmente na floresta sem causar depredação, o castanheiro José, em sua pequena propriedade, mostrava o quanto de sua certeza sobre viver naturalmente.

O terreno deles tinha aproximadamente 20 hectares, mas 80% era área verde preservada”, afirmou Clara Santos, sobrinha de José.

O assassinato de José Cláudio e Maria Silva é uma perda irreparável, disse Atanagildo Matos, diretor da Regional Belém CNS.

Eles nos deixam uma lição, que é o ideal dos extrativistas da Amazônia: permitir que ‘o povo da floresta’ possa viver com qualidade de forma sustentável com o meio ambiente”, disse Atanagildo.

Para o Greenpeace, o assassinato foi motivado pela votação do Código da Floresta.

De nada adiantou seu alarde. Mais uma vez a voz do povo da floresta não foi ouvida”, diz o site do Greenpeace.

Chico Alencar, deputado do P-SOL/RJ, disse que o Estado não protegeu quem estava na lista dos jurados de morte.

Querem decepar o Código Florestal e decepam vidas no Pará. Vidas que denunciavam madeireiros”, disse Chico.

Por sua vez, a presidenta Dilma, ao saber do duplo, bárbaro e covarde assassinato, pediu que a Polícia Federal faça tudo que for necessário para descobrir os mandantes e os autores dos crimes que mais uma vez mancha no nome do Brasil com mais um caso de assassinatos de quem luta pela terra e preservação do ambiente.

Nossas vidas sob ameaça: Como podemos lutar e ganhar

*Naomi Klein

Há 40 anos os ambientalistas não têm recebido tantas más notícias, em Washington, quanto ao aquecimento global. No mês passado, na Câmara, a recém-habilitada maioria republicana votou contra uma resolução a qual afirma, simplesmente, que o aquecimento global é uma realidade: mas eles têm, aparentemente, suas próprias versões de física e química. Esta semana, no Senado, os maiores grupos ambientais foram reduzidos a um nobre, mas desarmado lutador, para manter intacto o corpo do Clean Air Act, a mais importante realização do movimento verde nas últimas décadas. O resultado ainda é incerto, até mesmo alguns democratas proeminentes estão tentando manter a US Environmental Protection Agency (EPA, a agência de proteção ambiental norte-americana, na sigla em inglês) como reguladora dos gases-estufa.

E na Casa Branca? O presidente que se gabou de sua eleição como marco do momento em que “os oceanos começam a baixar”, em vez de iniciar um pesado plano de energia para deter os combustíveis de carbono, causadores do aquecimento global, resolveu que a “independência energética” passa pela liberação de 750 milhões de toneladas de carvão, em Wyoming, em locações de novas minas. Isso é o equivalente a abrir 3 mil novas usinas termelétricas em um ano.

Aqui está o que penso estar acontecendo, em termos mais amplos.

O movimento ambientalista moderno nasceu no Dia da Terra, em 1970, durante uma explosão sem precedentes de organizações de massa. Segundo algumas estimativas, cerca de 20 milhões de norte-americanos, um décimo da população, foram às ruas. Foi um movimento de jovens, num momento em que um grande número de pessoas levaram a sério não apenas a limpeza do ar, mas o fim às guerras e da discriminação oficial. Essa base popular inspirada – ou, mais provavelmente, amedrontada – viu Washington aprovar, nos quatro anos seguintes, praticamente toda a legislação ambiental que ainda constitui o núcleo do direito verde.

Este movimento também viu o nascimento, ou renascimento, de muitas das organizações que conhecemos quando pensamos em ecologia. Alimentados por essa explosão inicial de apoio das massas, estes militantes foram capazes de fazer um progresso real em Washington DC, e assim eles se concentraram em tarefas importantes e profissionais, como um paciente lobby nas subcomissões e cuidadosos relatórios escritos. E eles continuaram a obter ganhos substanciais, desde a limpeza de resíduos tóxicos, prevista no Superfund, até o controle da chuva ácida.

Mas, nos últimos anos perceberam duas coisas. Uma, que a pilha acabou no primeiro Dia da Terra. Os congressistas já perceberam a diferença entre uma grande lista de velhos integrantes daquele momento e um intenso movimento político. Como disse a bíblia política de Washington DC, The Politico, em sua edição no mês passado: “os grupos verdes têm sido obrigados a jogar na defesa, em um mundo onde o comando político do capital não tem mais medo deles”.

Em segundo lugar, a questão-chave foi alterada. Esqueça a chuva ácida e o Superfund, estes foram importantes, mas as lutas relativamente fáceis não confrontam diretamente qualquer modelo de negócio. Você pode limpar a chuva ácida, colocando um filtro em sua usina. Mas o aquecimento global é diferente – você teria que desligar a usina, substituí-la por um moinho de vento ou um painel solar.

E assim todo o poder da indústria de combustíveis fósseis – o negócio mais rentável da história do planeta – tem sido exercido à força, e eles jogam duro e sujo. Os Irmãos Koch gastam enormes somas para subscrever a rede dos céticos quanto ao aquecimento global, enquanto a Câmara de Comércio dos EUA emergiu como o maior financiador de campanha de todos eles, transportando 94% de suas doações para os negadores da catástrofe global do clima. Este tipo de influência ganhou o dia: cai por terra o sonho maior dos grupos conservacionistas de Washington, de cobrar o chamado ‘cap and trade‘ (que na tradução livre seria algo como ‘limite e negociação’, usado para denominar um mecanismo de mercado que cria limites para as emissões de gases de um determinado setor ou grupo), atrás do qual se reuniram todas as técnicas de informação privilegiada que se poderia gerar nas últimas quatro décadas de aperfeiçoamento. No final, eles nem chegaram perto. (O senador) Harry Reid, recusou-se até mesmo a agendar uma votação, sabendo que estava muito aquém dos votos necessários para aprovar o projeto. A Casa Branca ficou à margem.

Para nós, a lição é muito clara. Desde que nunca estaremos indo na direção de se obter tanto dinheiro quanto a indústria dos combustíveis fósseis, é preciso reconstruir algum tipo de movimento de massa, a exemplo daqueles que marcaram 1970. Os corpos, a paixão e a criatividade são as moedas que poderemos competir dentro da noção de que “Não é mais possível!”. Trabalhando com quase nenhum dinheiro, a campanha incipiente de 350 instituições “ponto.org” conseguiu, nos últimos três anos, coordenar 15 mil manifestações, em 189 países – todas as nações da Terra, exceto a Coreia do Norte. Tem sido ativa também em todos os Estados dos EUA e no Distrito Congressional. E esta semana, uniu forças com outra campanha norte-americana importante nas questões climáticas, a 1Sky (Um único céu, na tradução livre para o português).

A 1Sky foi fundada no mesmo espírito e, ao mesmo tempo, como as 350 “ponto.org”, tem trabalhado para desenvolver líderes em todo o país e ajudar a construir uma base de centenas de aliados. Juntos, seremos mais inteligentes, mais corajosos, mais rápidos e mais criativos do que éramos antes. Estas 350 “ponto.org”, uma 350.org nova e ampliada, irá se mobilizar em grande escala. Coloquem um círculo no dia 24 de setembro, no calendário, que será o dia mundial de ação para o uso da bicicleta. Mas também irá mais agressivamente atrás do dinheiro dos bastidores, com uma ampla campanha que aponta para a nova posição da Câmara de Comércio dos EUA sobre as questões climáticas.

Esta campanha é jovem, aliando o trabalho às comunidades de fé, com manifestantes de primeira linha que têm mais experiência na tentativa de fechar usinas sujas em seus quintais. Acima de tudo é realmente nas ruas que a organização mostrará seu sangue novo. A ideia não é substituir os grupos verdes de Washington, mas colocar uma nova roupagem no movimento recém-encorpado, com força suficiente para resistir ao poder esmagador do dinheiro do petróleo. E energia suficiente para nos deixar sair da defesa e volta ao ataque.

Não sabemos se venceremos no final: A ciência da mudança climática se obscurece a cada dia, e a janela para uma ação efetiva é rapidamente fechada. Mas qualquer chance exige que o poder das pessoas substitua o poder das corporações. No ano da Tunísia, do Egito e de Wisconsin, vale a pena tentar.

*Naomi Klein é jornalista premiada, colunista do diário norte-americano The New York Times e best-seller internacional com seu livro A doutrina do choque, publicado em todo o mundo, em 2007.

Tradução: CdB

A DÍVIDA EXTERNA DO AMAZONAS, A MOROSIDADE DO PROSAMIM, O ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DOS POLÍTICOS E A SIMULAÇÃO EM TORNO DO MEIO AMBIENTE

Para quem vinha de Sarney, Collor, Itamar e mais oito longos anos com FHC, quando a incomensurável dívida externa brasileira se multiplicava exponencialmente e o Brasil não conseguia pagar sequer os juros, um dos mais admiráveis atos de Lula foi ter pagado a dívida externa. Bem, o fato é que o Brasil não pagou a dívida, mas quitou os juros e só não pagou – ou paga – porque, pelo sistema financeiro, é mais lucrativo pagar as parcelas do que amortizá-la de uma vez. Mas o fato é que nos últimos anos o Brasil é que empresta dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que por cá não apita nem põe cabresto como antes.

Mas a dívida externa não acabou nem está sob controle, uma vez que há mecanismos que permitem aos próprios estados realizarem-na. Essa semana o deputado estadual José Ricardo (PT) falou em um artigo de jornal sobre uma dívida do estado do Amazonas feita no exterior de U$$ 500 milhões (cerca de R$ 805 milhões), todo esse montante tendo como desculpa o Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus).

No mesmo dia do artigo do deputado, o Ministério Público de Contas (MPC) recomendou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma inspeção e auditoria em todas as obras e contratos da Unidade de Gerenciamento do Prosamim (UGPI-Prosamim). Esse pedido ocorreu porque a UGPI simplesmente mandou para análise a prestação de contas sem o relatório de inspeção das obras pelo Departamento de Engenharia (DEENG) do TCE. “Se a unidade gestora existe para realizar obras, no caso, de grande porte e valor, nas contas anuais não pode faltar a inspeção desses objetos pelos engenheiros auditores do Tribunal, sob pena de não se examinar o principal conteúdo dessas contas”, diz o documento.

Toda a população de Manaus sabe que todos os anos casas são marcadas e remarcadas para, depois das indenizações, serem removidas da beira dos igarapés. Às vezes mudam as metragens. Houve até um caso “interessante” no Novo Aleixo (zona Leste de Manaus), onde a Prefeitura cercou um terreno e iria construir uma escola, já havia até chegado material, mas depois a obra foi embargada pelo governo do Estado devido à extensão do Prosamim. Uma pequena prova entre tantas da desorganização do Prosamim.

Nos locais onde os trabalhos se iniciaram e é feito morosamente um pouquinho todo ano – por isso muitas pessoas desconfiam de ser apenas uma maquiagem –, os moradores que não foram realocados reclamam que antes do Prosamim não havia alagações, e que hoje as há devido ao estreitamento das margens. Também muitas das pessoas que foram realocadas reclamam dos locais para onde foram enviadas, muitas vezes locais para locais denominados de “áreas de risco” até piores do que a beirada do igarapé onde viviam.

Enquanto todas essas denúncias se avolumam em torno do projeto que era o carro-chefe do marketing governamental do ex-governador Eduardo Braga, as principais notícias nacionais em torno dele – além de ele próprio declarar que não tinha perfil para ministro de Dilma – foram: o incrível salto “insuspeitável” de sua fortuna declarada de R$ 4 milhões para R$ 16 milhões apenas nos últimos quatro anos, e o fato de seu nome constar entre os dez senadores mais ricos do país.

Assim como a ponte sobre o Negro, que, tendo um orçamento inicial de R$ 574 milhões, já ultrapassou a cifra de R$ 1,1 bilhão, o projeto do Prosamim segue na gestão do governo de Omar “Sempre Tenro” Aziz, que já anunciou em janeiro que seriam investidos mais R$ 176,4 milhões em obras do Prosamim, gerenciadas pela mesma UGPI.

A Prefeitura de Manaus também aproveitou para pedir dinheiro federal para realização do Projeto de Recuperação do Igarapé do Mindu, conhecido como Prosamim Municipal, e que segue a mesma linha do projeto governamental: recebeu um montante de R$ 100 milhões do governo federal e nada ainda foi realizado.

Embora tudo isso esteja ocorrendo em Manaus, nas escolas estaduais e municipais começa-se a preparar a Semana do Meio Ambiente sem qualquer observação dessas questões. Ou seja, como ocorre todo ano, apenas os mesmos painéis, as mesmas pecinhas para conscientização da população.

Tudo inocuidade. Nada de real. Apenas a simulação a partir da alienação ecológica. Uma ecologia propícia para as grandes indústrias, para as multinacionais, que, além de explorar os trabalhadores, ainda lhes repassa a culpa pela degradação do meio ambiente. E nenhuma falácia sobre os contratos governamentais com as indústrias poluidoras. Assim como nenhuma linha sobre a falácia de projetos como o Prosamim.

Ou há algum educador em Manaus ou em qualquer outra cidade do Amazonas e outros estados do Brasil que queiram fazer – ou já estejam fazendo – um verdadeiro trabalho ecológico, que não fique apenas numa simulação em torno da ecologia ambiental e queira ligá-la às questões sociais e mentais, realizando uma ecosofia, como diz o filósofo Félix Guattari?

REPRESENTAÇÕES CIENTÍFICAS BRASILEIRAS PEDEM A DILMA A SUSPENSÃO DO PROCESSO DE LICENCIAMENTO DE BELO MONTE

Em carta enviada à presidenta Dilma Vana Rousseff, apresentando preocupação em relação à violação dos direitos humanos no empreendimento, e também pedindo o cumprimento das condicionantes da obra, além do julgamento de ações públicas e regulamentação dos procedimentos de consulta dos povos indígenas e as populações afetadas, um grupo de 20 associações científicas brasileiras pede a suspensão do processo de licenciamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monta, no Rio Xingu, no estado do Pará.

Para o grupo de entidades científicas, onde estão incluídas a Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Associação Brasileira de Ciências (ABC), o licenciamento da hidrelétrica deve ser pautado pela “observância às leis e pela cautela diante do risco de ameaça à vida”.

Segundo a carta, os encaminhamentos e as decisões relativas ao Belo Monte estão descumprindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), responsável pelos direitos dos povos indígenas.

O cumprimento do cronograma das obras não pode sobrepor-se às obrigações que o Estado tem no respeito aos direitos de pessoas e coletividades que lá habitam.”

As representações científicas classificam a concessão das licenças ambientais à usina como “intempestiva”. Para iniciar o canteiro da obra, até o momento, o empreendimento tem apenas uma licença parcial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

SARES CONVIDA PARA MESA REDONDA SOBRE O NOVO CÓDIGO FLORESTAL

SERVIÇO DE AÇÃO, REFLEXÃO E EDUCAÇÃO SOCIAL
Av. Constantino Nery, 1029, Presidente Vargas.
CEP 69010-160 – MANAUSS- AM – BRASIL
www.sares.org.br

C O N V I T E

Diante da discussão na Câmara de Deputados sobre o Novo Código Florestal, o Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social – SARES, está convidando para participar de uma Mesa Redonda sobre este assunto de tanta relevância para Amazônia.

Queremos refletir sobre os pontos centrais que estão em disputa e a verdadeira discussão sobre um código florestal. São momentos muito difíceis para o futuro da Amazônia e temos que seguir mobilizando a sociedade para nos opor ao novo código florestal proposto na Câmara de Deputados.

Estão convidados: o Dr. Philip Fearnside, pesquisador do INPA, a Sra Marta Cunha, coordenadora da CPT Regional Amazonas e o Pe. Guilherme Cardona, coordenador do Observatório Panamazônico do Sares.

O evento realizar-se-á no Auditório do SARES, no endereço acima indicado, no dia 23 de maio de 2011, das 19:00 às 21:30 horas.

Parece-nos fundamental a mobilização de nós todos como sociedade civil em defesa da Amazônia.

Agradece-se desde já a resposta positiva a este convite.

Atenciosamente

Paulo Felizola de Araújo
Diretor Executivo do SARES

FAZENDEIRA BEATRIZ RONDON PRATICA TERROR AMBIENTAL NO PANTANAL

A pecuarista Beatriz Rondon, dona da fazenda Santa Sofia, ex-presidente da ONG Ambiental, ligada ao setor de defesa ambiental do Estado do Mato Grosso do Sul, conseguiu que sua fazenda fosse reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), sendo assim obrigada a conservar a diversidade da área, mas não era nada disso que ela fazia. Beatriz Rondon transformou sua fazenda em um verdadeiro território de prática terrorista ecológica.

Durante quinze anos, a falsa ecóloga Beatriz Rondon patrocinou verdadeiro zoocídio na reserva do Pantanal. Turistas brasileiros e estrangeiros dos Estados Unidos e da Europa foram habitués de caçadas das terríveis e zoocidas contra animais da reserva ecológica. Onças eram seus principais animais de desejo impulsionado por suas taras. As onças mortas eram apresentadas como troféus resultantes das caçadas dos pervertidos naturais.

Mas ao ser desencadeada a Operação Jaguar pela Polícia Federal, o espetáculo de terror acabou. “A caça às onças e a outros animais acontecia aproximadamente há quinze anos. A finalidade dos safáris era matar onças pintadas. O couro é considerado grande troféu dos caçadores. Mas nem sempre conseguiam abatê-la. Quando isso acontecia, os caçadores matavam outros animais por pura diversão”, declarou Alexandre do Nascimento, delegado federal responsável pelo inquérito.

O marketing das caçadas patológicas era feito através da internet por meio de um vídeo – está no texto – em que aparecem os caçadores junto com Beatriz no festival de loucura contra a natureza. No vídeo, Beatriz, depois do grupo matar uma onça, diz que era uma fêmea linda, mas ela andava matando seu gado. Atentar para o rosto dos participantes, principalmente para os dos zoocidas. Atenção para o olhar no momento em que atiram e observam os cadáveres. Há um claro sinal de um sorriso patológico. Prestar atenção no tarado que ainda acende um cachimbo. Sem qualquer franciscanismo, eles não podem ser vistos como humanos.

Todos que aparecem no vídeo, segundo o delegado Alexandre Nascimento, podem responder por pelo menos quatro crimes: crime contra a fauna brasileira, posse de arma de uso restrito, formação de quadrilha e tráfico internacional de armamentos.

Durante a vistoria na fazenda, a Polícia Federal encontrou, e apreendeu, 12 galhadas de cervo, dois crânios de onça, uma mandíbula de porco monteiro, uma pele de sucuri de 3,5 metros, cinco revolveres calibre 38, uma pistola 357 (uso restrito), 1 carabina, 2 fuzis, 17 caixas de munições de diversos calibres, 2 alforjes (bolsas usadas durante a caça), 2 tubos de turros que quando assoprados emitem sons para atrair os animais.

Renê Seufi, advogado de Beatriz Rondon, disse que sua cliente é inocente e que a imagem dela que aparece no vídeo é uma montagem.

Mas o delegado disse que embora não tenha havido prisão, a Polícia Federal vai juntar todos os elementos, se for o caso, pedir a prisão de todos.

Não houve prisões, mas não foi feito flagrante. Todo o material apreendido está sendo periciado. Quando o trabalho for finalizado, iremos juntar todos os elementos e provas, se for o caso, pedirmos a prisão dos envolvidos”, afirmou o delegado.

SBPC E ABC PEDEM O ADIAMENTO DA VOTAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL

As entidades científicas Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC) pediram ao relator do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), e ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, o adiamento da votação do novo Código Florestal. As duas entidades pediram mais dois anos para que entidades ligadas ao tema e a sociedade em geral possam discutir com mais detalhes o Código, principalmente os itens mais polêmicos. A presidenta da SBPC, Helena Nader, apresentou, juntamente com Elibio Rech, membro da ABC, os resultados dos estudos feitos pelas duas entidades científicas sobre o Código Florestal Brasileiro.

Por sua vez, o relator do novo Código Florestal Brasileiro, deputado Aldo Rebelo, depois de reunião com os cientistas, disse que o país precisa de uma nova legislação ambiental antes da entrada em vigor, em junho, do decreto assinado pelo ex-presidente Lula, e que acredita que a votação deve acontecer.

Acho que a votação deve acontecer porque temos uma situação que, de fato, precisa ser enfrentada ou por uma nova lei, ou por um novo decreto, o que não é desejável. As contribuições da SBPC, algumas já foram acolhidas, já tinha feito reuniões, inclusive na sede da SBPC, ouvindo vários cientistas. Mas essa contribuição vai ser acolhida, vou examinar e aquilo que puder ser aproveitado para melhorar o relatório, vamos melhorar.

Eles acham, por exemplo, que a metragem para área de proteção ambiental (APP) para mata ciliar não é uma coisa que se resolva com 50, 100, 200 metros. Precisava ser submetida a um exame de cada situação para que a proteção tivesse critério científico, no que estão cobertos de razão. Eles acham que para isso acontecer precisavam de um tempo a fim de submeter o país a um zoneamento econômico e ecológico que definisse essas regras, no que eles também têm razão.

Estamos premidos em uma situação, de fato, que é a inspiração do decreto agora em junho. Talvez, isso possa ser resolvido com um prazo de transição que estabeleça essa metragem, mas que não prejudique o trabalho da ciência em fazer essa definição de forma técnica e científica”, disse Rebelo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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