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PSDB BUSCA A PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA E PROVAM TER UM ENTENDIMENTO ERRADO SOBRE O BRASIL

O assim chamado Partido da Social Democracia Brasileira entraram com um recurso na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se apure o pronunciamento televisivo da Presidenta Dilma na semana passada sobre a redução da tarifa de energia.

Segundo os tucanos houve no pronunciamento o uso da máquina pública do Partido dos Trabalhadores que fez o anúncio fosse além do informativo e abrisse espaço para criticar a oposição. Ainda por cima informaram que na ocasião houve uso “eleitoral” de “configuração gráfica” semelhante a feita na campanha que elegeu Dilma Vana Rousseff e desta forma buscando confundir o eleitor. Colocamos abaixo o vídeo completo do pronunciamento que mostra o equívoco do PSDB.

Primeiramente o quesito visual não tem nada a ver com a acusão tucana. Dilma como sempre está elegante, alegre e confiante e utiliza sua sala no Planalto para fazer o pronunciamento. O mesmo ocorreu durante os outros pronunciamentos no ano passado, inclusive no de fim de ano. Esta acusação nada mais mostra o medo do PSDB, que não distingue a variação afetiva de Dilma Vana Rousseff Presidenta da República que por sua vez tem aprovação recorde, e foi a candidata que os derrotou. Em outras palavras eles ainda não perceberam que é a mesma mulher em sua singularidade, mas é outra mulher que se transformou em seu fazer democrático presidencial. Mas como explicar isto a alguém que só enxerga seu processo delirante  fantasmagórico?

No pronunciamento, além informar a população Dilma, que é doutora em economia, deu uma aula sobre as reservas de energia do país em suas mais diversas formas (biomassa, xisto, termelétricas, etc). Ao fim do pronunciamento Dilma  comentou sobre a parte mais reacionária da sociedade , os “sempre do contra” que estão ficando para trás. Ela ainda informou que erraram os que achavam que o país não tinha capacidade de “crescer e distribuir renda, sair da miséria”. Dilma não se refere a nenhum grupo e usa contra  todos os equivocados seu otimismo e determinação sociopolítica.

Esta última parte é a questionada pelo PSDB. Porém foi evidente em vários momentos no fim do ano passado e no início deste ano que a mídia reacionária e a direitaça usou de seu espaço e voltou-se a população para inventar que o país passaria por um apagão, racionamento de energia, que a taxa energética subiria elevadamente, que não haveria água nos reservatórios. Isto sim é especulação e falta de ética política/jornalística.

Dilma no pronunciamento apenas respondeu a estes grupos que eles erraram, e enquanto insistirem em sua caturrice pessimista, continuarão ficando para trás. O incômodo do PSDB é devido eles sentirem que o que Dilma falou é verdade e se identificarem no grupo dos que são “sempre do contra”, se sentindo ofendido pela presidenta ao afirmar que eles erraram. A angústia da culpa somada com raiva e ressentimento após o puxão de  orelha da “mãe imaginária” como diria o velho Freud. E Dilma também precisa falar didaticamente ao povo brasileiro para que não se desespere e não acredite nestes falsos profetas da direitaça que se apoia na mídia mais reacionária e que busca deturpar com seu ódio cada fala de Dilma. Este fato tinha que ser exposto afinal a cada dia mais falsos boatos são espalhados. E isto também prova que o PSDB não entendeu o posicionamento do governo federal e comprova ser um partido reacionário que busca apenas saciar sua sede de poder.

Dilma, no entanto, nunca utilizou de desprezo ou desdêm por estes grupos reacionários para subir. Ela nunca “desceu para precisar subir” como cantou Clara Nunes em um samba. E além do mais Dilma não precisa. Tem um grande talento, uma aprovação recorde, a economia brasileira vai bem, e a população melhora a cada mês com mais emprego e com a redução da miséria e desigualdade social. Mesmo se Dilma algum dia precisasse utilizar da chamada “baixaria política” ela não o faria visto que é uma mulher integra com grande hombridade e dignidade.

E assim independente de ser candidata ou não no próximo pleito, a maior preocupação de Dilma, ao contrário do PSDB, é com um governo que traga reais benefícios ao povo brasileiro e construa um Brasil diferente. Como nunca antes na história deste país.

ENCONTROS CASUAIS

? O avião se encontrava no mais alto ponto de sua condição de voo, quando o comandante chegou em frente dos noventa passageiros e perguntou quem era ateu. Sete passageiros responderam que eram. O comandante, então, avisou que eles ficassem no mesmo lugar, em silêncio, pois para eles não havia esperança. Logo em seguida, perguntou quem acreditava em Deus, e com exceção de dois casais que dormiam bêbados, o resto respondeu que acreditava. Diante das duas formas de crença, o comandante, resoluto, então comecem a rezar e afirmou que naquele momento o avião entrara em pane, e logo, logo cairia.

?? UM CASO DE AMOR TOCANDO DE LEVE EM UMA COMÉDIA FRANCESA — O namoro foi o bicho. O noivado mais bicho. O casamento… no casamento, já não havia tanto bicho. Com o desenrolar da vida íntima, o fogo abrasador das grandes transas rasgadas madrugadas a dentro foi substituído por uma tênue chama de uma vela de Dia dos Finados. Não era para menos, além da condenação do cotidiano burguês que o casamento impõe, havia a presença imperialista da sogra, que infernizava a vida do casal, principalmente a do genro. Era a provação em sua própria casa. A essência do sofrimento. Casado aos 22 anos, dois anos depois ele apareceu diante dela intimando-a ao divórcio. Era o bom momento, pois ainda não tinha filhos. Ela, distante, consentiu o convite, que já vem inscrito no sacramento, com um sorriso. Como quem dissesse: “Casamento bom é o que não dura.”

Acreditando que existem acasos bons e maus, e para não compor com um acaso mau, encontrar em um belo dia, em uma rua da cidade, sua ex-sogra mudou de estado. Vida nova, arranjou emprego, entrou para uma universidade, foi graduado, fez todos os percursos da carreira universitária, e, então, aconteceu um bom acaso: ao 44 anos se apaixonou por uma bela aluna de 20 anos. Se amaram. Ela também se apaixonou. Casaram. Um dia a esposa convidou-o para visitar a mãe, que ela chamava por um apelido carinhoso. Viajaram a um estado desconhecido dele. Chegaram na residência da mãe, ela abriu a porta sorridente, e ele viu o que jamais pretendia ver até o fim de sua vida: sua ex-mulher. A mãe de sua esposa era sua ex-mulher, e, agora, sua sogra.

??? Era medíocre, preguiçoso, invejoso, e acima de tudo, um total imbecil. Sem reconhecer em si esses atributos impermeáveis, fantasiava ser uma lenda. Movido por um sopro maníaco, a todo momento imaginava-se uma lenda. Em qualquer lugar, junto de qualquer pessoa, comentava querer ser uma lenda para o povo de sua terra.

Uma noite escura, passando por uma viela, falando sozinho que queria ser uma lenda para ninguém esquecer dele, nem depois da morte, ouviu uma cavernosa voz acompanhada de uma gargalhada gutural, afirmando que poderia realizar seu sonho, mas que em troca ele queria sua vida eterna. Ou seja, ele jamais morreria. Não deu outra, ele aceitou, e no outro dia, cedinho, ao chegar à rua o jornaleiro, exclamou: “Bom dia, lenda!” Ele ficou maravilhado. Saiu pela rua saltitante, e por onde passava só ouvia o povo chamá-lo de lenda.

O tempo passou e com ele o entusiasmo lendário. Não queria mais ser uma lenda. Nada feito. Havia o contrato de existir eternamente como lenda. Quis desfazer o vaticínio. Tentou vários vezes se suicidar, sem lograr êxito. Estava amarrado na ordem do misterioso da voz cavernosa.

Decidiu se separar dos homens: foi morar no interior de uma caverna onde sequer veria um fio de luz. Passou a conviver com insetos, principalmente com as baratas de que se tornou grande amigo e imitador de seus hábitos. Ao sentir passar muitos anos, resolveu dar uma espiadela no exterior. Quando chegou do lado de fora da caverna, tomou um susto que lhe paralisou: a cidade não existia mais. Uma guerra nuclear havia acabado com todos os habitantes da terra. Ficou triste, lembrando de seus semelhantes, mas logo ficou contente. Com todos mortos, ninguém lhe reconheceria mais como lenda. De tão contente, subiu em uma pedra e gritou profundamente de braços abertos: “Estou livre!” Quando ia descendo da pedra, viu uma cena que lhe causou profunda angústia. Milhares de baratas em redor da pedra se movimentavam em uma coreografia que se distinguia claramente uma dança com movimentos de asas em forma de celebração. Ou ritual de reconhecimento totêmico.

ENCONTROS CASUAIS

! Quando do tempo da ditadura, em encontros familiais, murmurando temeroso, dizia que sem liberdade não há vida. Na ditadura o povo é transformado em zumbi.

Construída a democracia pela subjetividade potência-coletiva, com a volta ao estado de direito, com as instituições funcionando livremente, e com os partidos organizados politicamente, ele se lançou candidato em nome dos direitos dos iguais e foi eleito.

Hoje, no parlamento, faz parte do grupo mais reacionário da história de seu povo: o que conspira contra o governo popular constituído por militantes que lutaram tenazmente contra as forças repressoras das liberdades democráticas.

!! Os comandantes das aeronaves em vôo em todo o espaço aéreo terrestre informaram desesperadamente aos passageiros que os veículos onde se encontravam não podiam aterrizar: o planeta terra, em sua globalidade, estava sendo destruído por um incontrolável incêndio. Transformara-se em uma bola de fogo vagando no espaço.

Envolvidos pelo “presente absoluto” (Baudrillard), o instante da morte. O intransferível, os passageiros despediram-se de seus mitos e valores místicos, iniciaram um canto de alegria e pediram aos comandantes das aeronaves que mergulhassem em direção à bola de fogo. Felizes, concordaram entre si, que não era humano ficar vagando pelo espaço até que o combustível acabasse e então, morressem, quando o fogo era o desejo da Vida, pois “quem se afasta do fogo se afasta da Vida” (Cristo). E ironizaram: “O espaço é frio!”.

!!! Era uma vez um escritor famoso. Tão famoso que vivia sempre fora de sua terra sempre realizando palestras em países distantes. Envolvido por seus temas e personagens, que se tornaram compulsivos pelas exigências mercadológicas de seu editor, jamais prestou atenção aos acontecimentos que abalavam sua pátria.

Certo dia, uma ditadura terrível fora instalada em sua terra. Quando voltou do oriente, depois de longa ausência, nada percebeu. Continuou escrevendo e fazendo sucesso.

!!!! Eram oito candidatos a prefeito da cidade. Todos eles o povo conhecia. No dia das eleições a cidade amanheceu com apenas oito habitantes.

ENCONTROS CASUAIS

Com a chegado do pique momesco, a ordem do conselho evangélico era manter os fiéis o mais distante possível das tentações pagãs do carnaval. Nem sonhar em cair na tentação dionisíaca do carne vai. Para tal, os pastores da igreja resolveram conduzir suas ovelhinhas para o ponto mais distante da cidade. Lugar onde não se ouvisse qualquer som profano. Na sexta-feira gorda, ao meio dia, partiram em caravana composta de vários ônibus, caminhonetas, carros particulares, alugados em busca da terra prometida à salvação. Encararam as quilometragens do asfalto, barro, areia, e já na hora do lusco-fusco avistaram um ponto, segundo os pastores, maravilhoso para levantar o sagrado acampamento. Colocaram as mãos às obras e pronto: o lugar estava povoado pelos abnegados fiéis. Depois de um lanche caprichado, foram fazer as orações. Mal começaram os agradecimentos ao Senhor, ouviram um som trazido pelo vento que arrepiou todos. Do jeito que chegava desaparecia. Ficaram atentos, em silêncio, e tiveram a certeza: o vento trazia música carnavalesca de alguma festa distante que ele aproximava. Praguejaram, levantaram acampamento e partiram em busca de outra terra prometida. Um pastor no ônibus da frente, pela luz do farol, leu em uma placa ao lado direito os dizeres: “Você está saindo dos Cafundós do Judas”. Apertou a bíblia durante uma hora para afrouxá-la só quando avistou um belo lugar. Alegres, desceram dos veículos, montaram acampamento, e se postaram para louvar ao Senhor. Como se fosse uma invasão de bárbaros, músicas de carnaval invadiram o ambiente. Apressaram-se, desmontaram tudo, e tomaram a estrada. Uma obreira, no último carro, leu em uma placa a direita: “Você está saindo da fazenda Quintos dos Infernos”.  À meia-noite chegaram em um terreno com alguns platôs. Lugar ideal para prática da salvação. Mais alegres que das outras vezes, armaram o acampamento ao som de hinos sagrados. Tudo bonitinho. Cansados, preparam-se para dormir. Com um minuto de descanso, o terreno foi invadido por carnavalescos mascarados pulando com tochas nas mãos seguidos por dois carros alegóricos  que pararam no meio do terreno. Desesperados, viram quando desceram dos carros, imponentes, Jesus e o Diabo convidando-os a entrarem na folia, ao mesmo tempo em que o infernal afirmava que nenhum homem pode ser religioso sem provar da alegria desregrada da vida, e Jesus endossava afirmando: “Quem está perto de mim, está perto do fogo. Quem se distancia de mim, se distancia da vida”.  Como eles não queriam ficar distante de Jesus, caíram na folia.

Os darks queriam participar em Londres do Encontro Mundial do Dark-Dor, mas não tinham dinheiro. Pensaram em uma solução e não encontram nenhuma. Foi então que a facção Down Gótico Sofrido propôs uma saída: realizar um carnaval dark cobrando ingresso. Piração total: carnaval dark, nem sonhar! Dark não pode ser alegre, tem que ser sofrido. A facção não se deu por vencida. Apresentou convictamente seus argumentos e ganhou a parada. O baile seria realizado só com música de carnaval-doloroso do tipo: “Bandeira branca, amor… Carnaval desengano… Tanto riso, oh!… Você falou que junto comigo não mais desfilava…”. Aconteceu que o proprietário de um canal de TV mais alguns empresários, ao se certificarem que o carnaval há muito tempo era a maior tristeza, resolveram atribuir um prêmio ao mais doloroso. Para escolher o ganhador, visitaram todos os bailes, bandas, escolas… O resultado criou um dilema: todos eram ‘horroríveis’ de tristes, e a regra do concurso era só premiar o único mais triste. Foi então que alguém lembrou que ainda não haviam ido ao baile dark. Foram, e não deu outra: os darks ganharam. O resto foi chegar em Londres e realizar o pentagrama nos mausoléus da família real.

Então a igreja proferiu a sentença anti-carnavalesca: “Este ano não vai ser igual aquele que passou”, ninguém vai poder cantar “Oh, quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar!”. Ao que os foliões, reagiram: “Não vamos poder cantar ‘quarta-feira ingrata’, então vão acabar as têmporas da igreja. Se não há quarta-feira, a carne não vai, não vai haver quaresma, Cristo não ressuscita e acaba o mundo!”. A igreja tremeu, baixou a bola, foi o ano que mais se cantou “quarta-feira ingrata”, e Cristo saiu fortalecido.

Embriagados pela festa carnavalesca mais as bebidas, os foliões resolveram segurar por mais tempo a carne: foram para um motel. Entre babas de beijos e grude do suor, chegaram ao ninho do love que estava fazendo uma promoção: um dia inteiro pelo preço de três horas, com a condição de só poder sair depois de 24 horas. Antes, nem com a polícia. Os dois zombaram da promoção e disseram que do jeito que estavam só tutano, nem mil anos secava a fonte. O funcionário apresentou o documento que selava o compromisso juridicamente do qual debocharam, mas assinaram. Entraram no quarto tortos de love. A noite correndo e eles só… Uma, duas, três, quatro, cinco, seis… Tantas que o bode de Dionísio dormiu. Treze horas, acordaram sem saber onde estavam e com quem estavam. Na base do “Quem é você? Diga logo que eu quero saber…”, olharam-se e se rejeitaram: a lombra havia passado e deixara eles querendo se desvencilhar um do outro. Chamaram o serviço, dizendo que iam sair, e ouviram a resposta: o carnaval está apenas começando. “Desesperaram. Tentaram várias vezes, e a resposta era: “Contrato é contrato. Vocês estão levando um boi. Vocês foram os únicos que ganharam esta promoção”. Enojados um do outro, vomitaram mais vezes que as transas que realizaram. Dominados pelo intransponível, entregaram os pontos e ficaram a ouvir o tempo se arrastar. Consumado o tempo do contrato, cada um tomou seu rumo. Ela para uma igreja dita evangélica, e ele para um baile gay.

ENCONTROS CASUAIS

Sentado desolado no banco da praça, ficou a considerar seus momentos inquietos. Como em um solilóquio, considerou como tudo era engraçado. Em todos os natais que passou sem grana, a festa familiar fora maravilhosa. Nada de onda, de vexame, tudo muito cristão. Este ano foi o contrário. Estava abonado. Bastou no dia vinte e três ganhar só três otários para encher os bolsos, e ainda se dar ao luxo de não assaltar mais ninguém e lhe conceder uma folga. Gente era que não faltava se oferecendo para ser assaltada. Todo mundo estava endinheirado, por cima do jaraqui frito. Coisa nunca vista em nenhum fim de ano. Ia ser o melhor natal. Dentro do táxi, o motorista, feliz com a féria da quadra natalina, comentou a quantidade de pessoas comprando como grande feito do governo Lula. Ao que concordou com um “podes crer”. Chegou em casa carregado de compras e convidou os familiares e amigos para a comemoração ao nascimento do filho de Maria. A noite do vinte quatro era só alegria e solidariedade. Porém, quando bateu meia-noite, o momento da comunhão natalina maior, a bebida subiu-lhe a cabeça, olhou com ódio ao pai, e não deu outra: partiu para cima do patriarca e sapecou-lhe um direto no meio da cara. Senhor de um porte físico invejado, nem sentiu a ousadia filial. Levantou-o pela gola da camisa, deu-lhe quatro tabefes e arrastou-o até a delegacia, que ficava perto da casa. Envolvido nos mistérios familiares-cristãos, viu passando uma jovem e lembrou sua primeira namorada. E junto com a lembrança ecoou  a frase que ela  dissera no momento em que lhe abandonou: “O teu problema é que tu não entendes o sistema capitalista”.

!! De jeito nenhum aceitava se transformar em alguém que espera a morte morto em vida. Era assim que se encontrava depois do atropelamento provocado por um carro dirigido por um pastor e que lhe deixara paraplégico. Não! Jamais aceitaria uma vida improdutiva, confinada em uma cama sem poder se locomover para outros lugares por não possuir uma cadeira de rodas. Só porque não tinha dinheiro para comprá-la? Mesmo assim não aceitava a injusta realidade. Tentara reverter o quadro. Recorreu a vereador, deputado, senador, prefeito e governador, e nada. Só promessa. As eleições estavam chegando, quem sabe não conseguiria. Mas esperar até outubro? E o tempo que perderia sem produzir nada até lá? Certa noite, assistindo a um programa de uma igreja evangélica, teve uma idéia boa. Chamou um primo, que era motorista, e pediu que ele lhe levasse no outro dia à tal igreja, pois era dia de milagre. O primo ainda tentou demovê-lo da idéia boa, afirmando que tudo não passava de picaretagem, que os tais religiosos só enganavam os otários para ficarem ricos, mas nada disso mudou sua decisão. No outro dia, o primo zarpou com ele para a igreja. Chegando dentro da igreja pediu ao primo para deixá-lo perto das pessoas aleijadas que iam receber os milagres. O pastor mandou bronca. Amaciou as ovelhinhas e anunciou que ia começar a sessão dos milagres. Ele atento, viu um aleijado em uma luzente e novíssima cadeira de rodas motorizada. O pastor começou as orações, foi aumentando o tom da voz, uma música enrockcida emaranhou-se com a voz milagrosa, e ele berrou que os irmãos largassem as muletas, deixassem as cadeiras de rodas e corressem para junto dele, como prova da cura. Nisto que os ex-aleijados correram, ele chamou o primo e pediu para, ligeiro, colocá-lo na luzente e novíssima cadeira de rodas motorizada. O primo taludinho, pois era nas horas vagas carregador de sacos no porto, não contou conversa: colocou-o fácil, fácil na cadeira. Sentadinho, sorrindo feliz, ele ligou o motor da cadeira e se mandou pelas ruas vislumbrando uma nova vida. Quando foi chegando em casa, uma vizinha ao vê-lo, falou contagiada de fervor que até que enfim Deus ouvira suas preces.

ENCONTROS CASUAIS

! O blogueiro fez uma pausa nos trabalhos blogais, juntou umas poucas moedas e foi à feira comprar verduras e frutas frescas. Encontrou pela rua um homem juntando objetos jogados. Lembrou que poderia doar-lhe o velho aparelho de som. Ofereceu e o outro aceitou. Enquanto caminhavam até a casa para pegar o aparelho, conversaram. Era um gari que, estando de férias, transformava-se em faz-tudo. Juntara aquela porta de geladeira para botá-la em uma que estava sem porta; contou que já trabalhara catorze anos como cozinheiro, e explanou sua receita de pimentão recheado com pé de galinha. Quando o escritor falou das condições do aparelho, disse que não tinha problema, ele entendia, só aquela manhã já consertara quatro televisões. Como sua televisão estava pifada, o blogueiro interessou-se. Ouviu os detalhes dos consertos que o faz-tudo operara. Convenceu-se. Entregou-lhe a televisão para que consertasse. O faz-tudo prometeu-lhe que a traria daqui a pouco, consertada. Como criara rapidamente uma familiaridade, o blogueiro nem ao menos pediu o endereço do faz-tudo. Sentou-se novamente ao computador, e foi somente ao olhar para o local onde antes estava a televisão que lhe veio a desconfiança: e se o faz-tudo se transformasse também em ladrão. Não. Mas as horas passaram. Chegou a tardinha e nada. Lá pelas 18h resolveu ir procurar. Apenas lembrava que ele fizera referência ao campo de futebol. Andou. Perguntou por um gari que consertava televisão; mas nem sequer o nome sabia. As pessoas estranhavam, algumas riam, outras olhavam-no desconfiadas. Não o encontrou. Sentindo-se logrado, retornou à casa. Perdera uma televisão. Está certo que estava esculhambada, mas era só questão de algum ‘consertinho’.

Àquela noite de quarta para quinta era dia da coluna de contos no blog. Procurava uma situação. Foi tomando uma cerveja que pensou: poque não a história do faz-tudo? Alegrou-se. De repente, o roubo da televisão parecia apenas um leit motiv, como gostam os literofastros. Escreveu até a parte que voltara para casa, mas não conseguia dar um desfecho. Já eram 3h da madrugada, resolveu publicar assim mesmo pela metade. Olhava para o editor do blog e exitava. Enfim, clicou. Como se o clique reverberasse, ouviu uma batida forte na porta. Quem seria? Olhou pelo olho-mágico. Era o faz-tudo, com a televisão no ombro. Assim que a porta foi aberta, ele foi logo contando de como um vizinho seu insistira que aquela televisão era uma sua que havia sido roubada há uns dois meses. Por mais que explicasse a procedência, o vizinho não se convenceu e chamou a polícia, que o fez entregar a televisão, de modo que ele teve que esperar o vizinho dormir para roubá-la e restituí-la. O blogueiro disse que não era necessário fazer isso, que tinha os documentos de compra da televisão e, portanto, poderia reavê-la. Mas ele explicou que não tinha problema, que isto ele já havia feito, apenas de outro jeito. Perguntou ao blogueiro se ele tinha um pouco de miúdo de frango para lhe dar. O blogueiro havia tratado um frango à tarde passada e guardara os restos na geladeira, que iriam ao lixo pela manhã. Ele saiu dizendo que no outro dia viria consertar a televisão e traria para o blogueiro provar as delícias que eram os pimentões recheados com pés de galinha.

O blogueiro ficou pensando se escreveria a continuação do conto; mas resolveu deixá-lo assim mesmo pela metade. Se escrevesse uma continuação, estaria fazendo realismo. Desligou o computador. Deitou-se e se pôs a pensar sobre a relação entre a literatura e a vida e adormeceu.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez uma cidade em que as distorções sócio-econômicas eram tão visivelmente cruéis que ela se mostrava, sem nenhum pudor, na forma de duas realidades de classes. Uma realidade representada por uma classe abastada, sendo a minoria, e outra realidade representada por uma classe pobre, a maioria. Mas era exatamente na época da quadra natalina que estas duas realidades contrastantes tornavam-se mais visíveis. Os ricos a comentavam com entusiasmos os festejos e os presentes a serem distribuídos entre si. Enquanto que os pobres, alheios aos festejos, lembravam apenas do sinal de Cristo. Entretanto, como na cidade rolava a lenda de colocar os sapatos na janela para Papai Noel deixar os presentes, as crianças, tantos as pobres como as ricas esmeravam-se na esperança lúdica que o bom velhinho traria a elas.

Chegada a noite do dia 24, as crianças ricas, depois da abundante ceia, foram dormir alegres, imaginando os presentes que Papai Noel colocaria em seus ricos sapatinhos postados nas janelas. As crianças pobres, que apesar de não terem o que comer na grande noite da família cristã e muito menos sapatinhos para deixarem na janela à espera de Papai Noel, foram dormir esperançosas de acordar e encontrar a maravilhosa surpresa.

Chegada a manhã do Natal, as crianças ricas festejaram com entusiasmo os presentes recebidos. Enquanto as crianças pobres se conformaram com a ausência dos presentes. Entretanto, na manhã do dia 26, as crianças pobres foram surpreendidas com a variedade de brinquedos, roupas e bombons depositados em suas janelas. Aconteceu que estando as crianças ricas, na manhã do dia 25, inebriadas com seus presentes de classe alta, não perceberam que seus sapatos tinham desaparecido das janelas. Obra de um certo Papai Noel que pegara os sapatos, vendera, e como eram caríssimos, todos importados, deu para levantar uma boa quantidade de dinheiro, comprar os objetos da alegria das crianças pobres e distribuí-los até para crianças das cidades vizinhas. E assim, pela primeira vez, todas as crianças desta cidade foram ludicamente felizes. Tudo porque um certo Papai Noel compreendera que Natal verdadeiro é aquele em que o verdadeiro Cristo se mostra homem.

!! Enquanto, pela manhã, membros participantes do Encontro Mundial Sobre Defesa do Meio-Ambiente se dirigiam para o grande centro onde se realizaria o magno debate sobre o destino da terra, animais, vegetais e minerais despertaram conscienciosos. Depois de sentirem e perceberem suas vidas, atraídos pela força subjetivadora irradiada do centro ambientalista, partiram nesta direção. Chegando lá, mantiveram-se distantes ouvindo os discursos e analisando-os. A cada conferência e debates iam percebendo que ninguém entendia de Vida. Uns, apoiados na teoria causa e efeito do filósofo Aristóteles, defendiam que a natureza se movimentava como uma força utilidade/fim. “Tudo que existe e existirá é fruto deste mecanismo”. Outros, amparados por elucubrações teológicas, afirmavam ser a natureza, Deus. E todas as coisas eram saídas de Sua Providência. “Daí porque destruí-la ser uma atentado contra os desígnios Dele”. Todos atribuíram uma causa para existência da Vida. Ninguém sequer mencionou o artifício, a facticidade, não-duração, o acaso. A impossibilidade da comunicação com o ser. Então, eles tiveram a certeza que tudo aquilo não passava de um embuste. Ninguém sabia o que era ambiente, e muito menos o que era natureza. Diante de tamanha fantasia, saltaram sobre todos e os devoraram.

!!! Loucos de amor, saíram à caça. De repente, encontraram-se. Não precisaram palavras. Partiram direto para ao jogo sensual. Nus, atracaram-se com tamanha violência que tornaram-se função chave de fenda e função alicate. Assim, os corpos aprisionados em suas próprias forças, anularam os movimentos pélvicos. Foi então que, fundidos em um só, entenderam a armadilha que caíram. O que era loucura do amor transfigurou-se em tortura do ódio. Então, depois de várias tentativas, conseguiram desvencilhar-se um do outro e partiram correndo pelas ruas urrando ensandecidos.

ENCONTROS CASUAIS

! O professor, sentindo a boa temperatura vespertina tão incomum na cidade, resolveu ir à locadora alugar uns filmes para se entreter junto à amada. Morando em um bairro com notável índice de violência orquestrada pelo poder público, e visibilizada socialmente por alguns excluídos, escolheu as ruas menos ameaçantes. Com as chuvas caídas pela parte da manhã, os igarapés encheram e ele teve que atravessar pequenas pontes. Ao chegar ao meio de uma destas pontes medindo uns oito metros de cumprimento por um metro e meio de largura, avistou distante um rapaz, que acabara de assaltar uma velhinha, correndo em sua direção com um revólver. Temeroso, ficou paralisado e esperou o pior. O rapaz passou roçando seu corpo, chegou no fim da ponte, parou e, então, de frente para suas costas soltou um “ei”. Ele, tremendo, sentindo o aviso do feijão que havia comido no almoço, foi se virando, ficou de frente para o rapaz, esperou o metal quente em seu corpo, mas logo foi aliviado pela pergunta do rapaz se a prova de filosofia seria mesmo amanhã.

!! A senhora, catando objetos nas ruas protegida pela madrugada, viu distante, em uma encruzilhada, um saco grande cheio até as bordas. Confiante, ela se aproximou e abriu o saco. Dentro encontrou vários sapatos de mulher, todos novos. Alegre, começou a tirá-los para examiná-los. Tal não foi sua surpresa quando percebeu tratar-se de sapatos só do pé direito. Ficou pensativa, deprimiu e começou a chorar. Colocou todos os sapatos no saco e partiu agarrada com ele, protegendo-o, como se fosse um tesouro, chorando copiosamente.

!!! Certo da certeza de seu amor, sempre afirmara que no dia em que se separasse dela, nunca mais voltaria a vê-la, pois no amor não há volta. Um dia partiu com a aurora matutina. Um dia, em uma aldeia da China, no ocaso do dia, viu-a pelas costas, diante de si.

!!!! Louco de amor o cara queria desafogar, mas estava duro. Perambulou pelas ruas para ver se ganhava algum otário. Depois de algumas pernadas, avistou uma mulher colocando vinte tocos de esmola na cuia de um ceguinho. Não contou desgraça: foi lá e surrupiou a amarelinha e se mandou para um motel. Chegou, não escolheu, entrou no quarto e mandou ver. Com três empurradas, o motel desmoronou: a prefeitura estava abrindo uma rua por trás da casa do amor.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez três amigos batalhadores da vida. Em suas batalhas cotidianas haviam realizado várias experiências para tirar o pé da lama, e nada. De camelô a porteiro de cemitério, e nada. Certo dia tiveram a grande inspiração: assaltar. Assaltar uma importante loja. Que iam tirar o pé da lama iam sim. Assim imaginavam felizes o plano. Bolaram todos os detalhes. Escolheram a vítima. Uma loja importante. A rua, o dia, o horário, estudaram os hábitos do vigia, tudo para que o plano fosse consumado com sucesso. Dia certo, horário certo, melhor ainda, noite de folga do vigia. Foi uma barbada entrar no recinto. Entraram, observaram os compartimentos, cheios de contentamento, imaginando o amanhã, mas quando passaram em frente a um quarto no corredor, uma porta entreaberta mostrou que tinham companhia: um casal no maior love. Não tiveram nem tempo de terminar o afeto/surpresa: foram assaltados por um barulho de porta arrombada e impropérios de furor. Correram e se esconderam em um cubículo. O arrombador de porta, ensandecido, entrou no quarto do love e a porrada comeu no centro. Era o marido da mulher adúltera, dono da loja. Os dois brutamontes se agarraram como quisessem matar o desejo acumulado de abraçar corpos másculos, e entre tapas e abraços chegaram até o corredor. O traído deu um murro no traidor, o traidor recuou ficando colado na porta do cubículo, o traído pulou de dois pés nos peitos do desafeto, a porta quebrou-se e os dois caíram em cima dos três. O amante gritou um puta que o pariu, esta mulher é insaciável. O desenganado gritou um eu que o diga. Uma vizinha que desde o começou ouvira gemidos suspeitos, produzidos pelo love, chamara a polícia, que chegou na hora que ia começar a grande batalha dos cinco. Conduzidos à delegacia, o delegado registrou o caso como passional. Soltou o casal, e o real amante, e os três amantes virtuais passaram a noite detidos em selas separadas para não armarem um escarcéu na delegacia. Pela manhã, depois de pagarem as fianças, foram soltos.

Meses depois, passada a dor da frustração, consideram o ocorrido e resolveram tentar outro assalto. Desta vez seriam mais meticulosos: nada de loja com vizinha ao lado. Escolheram a loja e lá foram assaltar no meio da madrugada. Dentro do recinto o prazer uterino: só sorrisos. Pegando um objeto aqui e outro acolá, um deles chegou na porta de uma sala, e foi tomado por um susto-erótico: um homem deitado de lado, sobre um tapete persa, a bundinha empinada, só com a marca do bronze. Não deu outra: o cara não se conteve, pulou em cima da bundinha empinada, o apolo adormecido acordou sorridente, enlaçou-o em seus braços e tascou-lhe beijos apaixonados. Os dois, ao ouvirem as gargalhadas entrecortadas por suspiros, estalos e juras de amor, se mandaram com as mãos vazias. No outro dia o amigo chegou na praça, onde sempre se encontravam, em um carrão com motorista particular e tudo. O bundinha empinada era o dono da loja. Quer dizer, de uma cadeia de lojas que estando carente pelo desprezo de seu ex-bofe, se apaixonara, beladormecidamente, pelo agora sócio.

Desfeito o trio, os dois resolveram deixar o ramo do assalto. Certa tarde, em uma rua, no maior rafael, avistaram em uma placa de um consultório psicológico a seguinte frase: “Você não nasceu para isto! Entre! A primeira consulta é grátis”. Não precisaram. Ao lado havia uma construção precisando de pedreiro, se inscreveram. Trabalharam durante alguns meses, levantaram uma grana, compraram passagens direto para São Paulo, procuraram um clube de futebol, pois tinham grande intimidade com a Matildes, treinaram, abafaram, foram contratados, fizeram sucesso, ganharam todos os campeonatos, inclusive pelo Corinthians, o mercado europeu comprou seus passes a peso de euro, fizeram mais sucesso na Europa, e então, como não eram qualquer Kaká brasileiro, formaram-se em filosofia, investiram maior parte de suas granas na educação de crianças e jovens pobres das Américas, África, Ásia, Europa… todos continentes. Criaram escolas e universidades cuja idéia saía do filósofo Nietzsche: “A vida não é argumento”.

!! Foi o que se poderia afirmar: um verdadeiro amor. Casaram jovens. Ela dezoito anos, e ele vinte e três. Uma vida de fidelidade e felicidade conjugada em dois. Amor eterno, infinitamente preenchido. Uma noite, depois de festejar seus quarenta anos, ele foi dormir. No outro dia não acordou para trabalhar. Ela desesperou. Pensou em se suicidar para ir a seu encontro. Mudou de idéia: era católica. O ato lhe castigaria com uma vida pós morte vagando eternamente em lugar algum. Esperou anos sofrendo com a angústia de encontrá-lo. Aos setenta e oito anos, morreu feliz, ciente que iria concluir sua bela união iniciada na terra. Ao chegar no topos do além morte, procurou logo, cheia de ansiedade, encontrar o seu fiel amor. Não demorou muito viu-o caminhando em uma praça. Correu para ele entre lágrimas de felicidade. Parou em sua frente. Ele sorriu, cumprimentou-a e se dirigiu à uma jovem de uns trinta anos sentada em um banco que, ao vê-lo, levantou-se, abraçou-o e beijou-lhe. Depois partiram de mão dadas muito felizes. E ela, no misto da dor e compreensão, foi se conformando. Entendera não existir tempo pós-morte. Quando se morre permanecem o corpo e a mente na mesma idade que se morreu. Ele com quarenta, e ela com setenta e oito. Ele conhecido para ela, e ela desconhecida para ele. Ela poderia pensá-lo, ele impossível pensá-la.

!!! Era uma vez uma ciadade onde todos viviam dentro de suas casas. Tendo a sua disposição tudo para para suas atividades cotidianas, as famílias desta cidade não necessitavam sequer de saírem para fazer compras ou ver amigos e parentes. Tudo era disponibilizado pelos avanços tecnológicos. Sem que houvesse qualquer tipo de alerta, houve um blackout na cidade. Todas as famílias permaneceram por alguns minutos paralisados com a situação inusitada. Logo que uns começaram a sair do estado de estagnação, outros acompanhavam a tímida procissão que ia se formando em cada casa do interior ao fora. A caminhada até a porta, que até aquele dia tinha perdido completamente seu sentido, posto que há muito perdera seu uso, que dava acesso para o lado externo das casas, começou lenta, com um certo medo, por parte dos assombrados com o desconhecido. Ao saírem viram, uns olharam os outros, as pequenas procissões que iam surgindo e preenchendo as ruas, antes solitárias, da cidade. Começaram a tentar uma conversa e descobriram o quanto não conheciam física e afetivamente uns aos outros. Eram vizinhos sem o menor laço de vizinhança. Eram parentes sem afetividade. Eram amigos sem a compreensão do sentir o outro. Em nada transavam. Alguém gritou: “A luz apareceu!” Todos trataram logo de entrarem em suas casas e desligarem os aparelhos tecnoeletrônicos. Assim poderiam forjar a certeza do eterno blackout e permanecer na rua, juntos, falando e ouvindo. Alegres!

!!!! Homem, casado. Com pressa. Atravessou a rua e correu até a esquina. Ao virar se chocou com outro corpo. Os lábios se colaram. Abraçou intensamente o outro corpo e foi abraçado. Acariciou o cabelo do outro corpo enquanto o seu era alvo dos carinhos das mão que subiam e desciam desesperadas como se fossem o prelúdio da morte anunciada. Os lábios se descolaram. Ele agarrou na mão Dele e mais calmo seguiu.

!!!!! Blackout. Quando acordou pela manhã a idéia veio como sempre imprevisível. Ficou horas parado na cama. Mas sua imaginação trabalhava com a sanha de um vespeiro. Viu uma cidade onde todos viviam isolados. Viu quando as luzes se apagaram, os aparelhos pararam. Como não tinham janelas, sem o ar condicionado, as pessoas foram forçadas pelo calor a sair. Percebeu a dificuldade que tinham em entabular a mais simples conversa. Durante o dia, enquanto tomava o ônibus, enquanto trabalhava, foram insurgindo-se outras situações. Sentiu como as crianças, largando as mãos dos adultos, entraram numa proximidade democrática, até fundarem um estado verdadeiramente democrático. Ao chegar do trabalho, apenas comeu algum biscoito com café e foi para a lan-house, para digitar a história e enviar para o amigo, que a publicaria na madrugada nos Encontros Casuais. Mas quando, na parte em que acrescentava como os moradores sentiam medo e esperança, sempre juntos na sua passividade… Blackout, a energia foi embora. Ligou para o amigo e relatou o ocorrido. O amigo afirmou que não escreveria a história do blackout na cidade, mas contaria a história do blackout que a impedira de ser contada. Mas daqui a pouco, quando já ia pelo meio… Blackout. Acabou que este encontro casual acabou não sendo postado, embora tenha sido intensamente vivido.

ENCONTROS CASUAIS

! Fim de tarde, fim de serviço, espera da condução. Um cano gelado no pescoço, uma imposição e a entrega do celular. Ficou lívida e gelada. O cara ainda olhou para trás e jogou um beijo. O beijo aéreo diminuiu seu temor, mas não diminuiu a dor da perda do objeto comprado no dia anterior. No dia seguinte foi o comentário na empresa. Coitada pra cá, coitada pra lá, esta cidade está inabitável, ninguém faz nada… Mas em sua contabilidade, a vida continuava. O que mais amava ainda possuía: a vida. Foi um grande susto, mas tudo bem, estava com vida. Dos males, o menor. A sua vida não tinha preço que a pagasse. Sempre falava para si que nada no mundo se comparava com sua vida. O seu único amor. Antes de sair para o almoço o chefe se aproximou e lhe deu um presente: um celular. Último modelo, com todos os recursos teletecnológicos da pós-modernidade. Tímida, não quis aceitar, mas com a insistência do chefe, aceitou. Agradeceu e saiu lembrando dos comentários da amigas sobre os olhares do chefe para ela. Olhares que em alguma vezes percebeu de esguelha. Fim da tarde, fim de serviço, espera da condução. Gritos atrás de si, ela se virou e viu um rapaz com um revólver passar correndo por ela, a turba correndo atrás dele, distante ele parou e atirou em direção à turba. A bala furou sua farda em cima de seu peito na área do coração. A turba atônita gritou que ela fora atingida e ia morrer. Ela sentiu o cheiro da bala, passou a mão sobre o tecido, sentiu uma vertigem, lembrou de seu tesouro, sua vida e esperou o último suspiro. Esperou, esperou, esperou: não veio. Continuava respirando livre e solta. Lembrou que a farda tinha um bolso e no bolso colocara o celular. O celular lhe salvara. No outro dia chegou na empresa charmosíssima em uma saiinha de atentar o Clodovil. Barriginha de fora, expulsa por uma leve mine blusa. Esperou o chefe chegar. 10h ela entrou em sua sala, ficou em sua frente, levantou a malvada saiinha, o chefe gaguejou, ela mandou-o calar, se aproximou, abriu sua braguilha e sentou em seu colo. Era tudo que o chefe sonhara. No galope patronal, ela lembrou que não sentia nenhuma atração por ele. Visualizou o celular furado pela bala celular e sorriu afirmando para si que uma simples transa não era mais importante que sua vida.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez um Lobo Mau. Um Lobo Mau tão mau, tão mau, mas tão mau que parecia que era bonzinho. Tinha um jeito cordial, compreensivo, atencioso, ma um tanto recatado. De um recato tal que ao passar pelas ruas as marocas fofocavam entre si ter ele algum segredo. Tinham razão as mexeriqueiras: ele guardava um sublime e maravilhoso segredo. Era apaixonadérrimo platonicamente por uma linda adolescente graciosa, brejeira, falante, inteligente, amada e respeitada por todos da cidadezinha, chamada Chapeuzinho Vermelho, em razão de em alguns momentos usar um lenço sobre seus anelados cabelos claros. Era tão amada que, inclusive, as próprias marocas jamais fofocaram sobre sua beleza de causar inveja. Temeroso de fazer a abordagem amorosa dado sua profunda timidez, Lobo Mau vivia dias angustiantes e noites indormidas imaginando beijá-la, acariciá-la, mimá-la como um fino cristal. Porém, certo dia descobriu que todas as quintas-feiras pela parte da tarde ela ia visitar sua vovozinha que morava em um linda casinha no bosque. Bolou um plano: só para vê-la, de longe, ia segui-la, sem ser visto, até a casa da vovozinha. Seria sua grande glória que nem cupido poderia proporcionar-lhe. Esperou a quinta feira, foi para a praça, caminho do bosque, esperou ela passar, deu um tempo e começou a segui-la, escondendo-se atrás das árvores. Todo cuidado era pouco. Não queria ser surpreendido por ela. Seria a morte. Lá ia ela, linda, brejeira, maravilhosa, com sua mochila nas costas, jogando miolos de pão aos passarinhos. E ele, feliz, o Lobo mais feliz do planeta. Quiçá do universo. Nessa felicidade, teve um puta susto. A Chapeuzinho desaparecera. Ele destrambelhou de vez. Perdeu a timidez e mostrou a cara: saiu correndo, procurando por ela, desesperado, pensando no pior. Quem sabe até que um Lobo Mau pudesse tê-la seqüestrado. Angustiado e ofegante, chegou na frente da casinha. Passo ante passo, empurrou a porta, que estava encostada, e entrou. Andou pelo cômodos até chegar ao quarto da vovozinha. Leu um bilhete que ela deixara para a netinha, dizendo que saíra para um hip-hop com as amigas, nisto ouviu alguém cantando entrando na casa. Ele tentou se esconder, mas não encontrou um só móvel que lhe coubesse. Olhou para cama e viu o vestido da vovozinha, seus óculos e sua toca de dormir. Não contou desgraça. Se vestiu com a roupa da vozinha, colocou os óculos e se meteu embaixo das cobertas com a cabeça para fora. Era Chapeuzinho quem havia entrado. Desaparecera porque tinha ido pegar flores para sua vovozinha. Se aproximou da cama, beijou a testa da boa velhinha e sentou ao seu lado em uma cadeira de embalo. E o Lobo Mau virou uma chaleira de tanto suar de pavor. Então, a bela adolescente começou a perguntar para que aqueles olhos tão negros, aquelas orelhas tão triangulares e aquela boca tão grande, e ela/ele foi respondendo o para quê daquelas partes. Quando disse que a boca era para lhe beijar, a Chapeuzinho pulou em cima dele, perguntado o que ele estava esperando. Se abraçaram apaixonadamente entre confissões e juras de amor eterno. E tomem beijos, beijos, abraços, abraços, risos, risos, felicidade infinita, intempestiva, aí Chapeuzinho deu uma grande gargalhada acompanhada da afirmação histórica que ele, Lobo Mau, era o primeiro travestir do mundo infantil. No domingo não deu outra: lá estavam Chapeuzinho e o Lobo Mau, vestido de vovozinha, na VII Parada GLTS (Gay, Lésbicas, Transexuais e Simpatizantes).

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez um reino governado por um rei muito bondoso e alegre que tinha um hábito de sempre olhar pela manhã da janela de seu castelo para ver as pessoas alegres e felizes. Porém, certo dia foi tomado pela dúvida se todas as pessoas que via estavam alegres e felizes. Foi até a janela e viu que só algumas estavam alegres e felizes. Chamou seu ministro e mandou que investigasse o motivo da diferença de humores. Pois para si havia algo de estranho nestes humores. Depois de sua investigação, o ministro contou o resultado. As pessoas que o rei via alegres era porque era dia de aniversário de algum parente. E as de mau, era porque naquele dia não havia aniversário de nenhum parente. E mais, descobriu também que todos os moradores do reino só eram alegres e felizes em família, em tempo de aniversários ou datas festivas familiares. Fora disso, eram mau humoradas e não se procuravam. Uma espécie de acordo tácito familiar: ninguém comentava a vida do outro. Diante da revelação, o rei, que amava a alegria, baixou um decreto extinguindo todos os aniversários e as festas familiares. Em pouco tempo o reino se transformou em um mundo alegre e feliz. Todas as famílias passaram a se encontrar e falar de suas vidas sem segredo e medo. Anos depois o rei morreu e seu filho mais velho lhe sucedeu, derrubou a lei, e o povo voltou ao que era antes: alegre só em tempo de festas familiares. Com o povo vivendo mais tempo sem alegria e feliz, o novo rei aproveitou sua tristeza e se transformou em tirano.

!! Estando um grupo de pessoas em animada conversa, surgiu a pergunta: o que você faria se soubesse que o mundo ia acabar dentro de uma hora? Um respondeu que aproveitava para passar a última hora transando com a mãe de um amigo. Outro disse que se tivesse em Brasília aproveitava para meter a porrada em senadores e deputados. Uma jovem falou que assaltava um banco só para saber qual a sensação de ficar rica. Outra falou que seqüestrava todas as autoridades que afirmam ser o transporte coletivo próprio para a população e obrigava elas passearem de ônibus até esgotar o último segundo fatal. Outra, que obrigaria a Globo transmitir e elogiar a programação da TV do bispo Macedo. E assim, todos foram dando suas respostas. Até que uma adolescente disse que ia para casa e dormiria. Alguém achou estranho, já que era a última hora do planeta Terra. Então ela respondeu que dormiria para ver se sonhava com o nascimento de um outro planeta onde as pessoas não fossem ressentidas a ponto de usar a última hora de suas vidas para se vingarem. Alguém afirmou que nada ia mudar, pois era apenas um sonho. E ela respondeu que era uma sonho, mas um sonho dela.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez um reino muito miserável. Não por causa de seu povo, mas por causa de uma classe nobre muito rara: a parlamentar. Esta classe, em aliança com a dos comerciantes e dos comunicadores, em nome da ética na política todo momento enunciada, produzia um voraz banquete de corrupção. O povo, que não podia reagir, por se achar preso pelas leis contra suas reivindicações, vivia amordaçado. Eis que em um certo dia um parlamentar ao se aproximar da tribuna para proferir mais um discurso contra o povo, caiu, bateu a cabeça e meio grogue discursou o inesperado: era preciso criar uma lei que obrigasse todos os parlamentares saberem o que era ética. Foi um alvoroço. Mas ele continuou, dizendo que essa idéia era porque desconfiava que o povo estava tramando, na surdina, uma rebelião. Por isso, era preciso sair na frente para acalmar os ânimos do populacho, e a saída era essa. Com medo, todos concordaram. E para convencer a ralé, todos deveriam fazer uma prova, explicando o que era ética. Alguns contestaram, afirmando que esta obrigação seria para os futuros parlamentares. Ele protestou, argumentando que se não fizessem a prova, a plebe desconfiaria que eles não sabiam o que era ética, e, portanto, não sabiam o que era democracia, e explodiria a revolta. Com o medo exacerbado, aceitaram. Elaboraram a lei, aprovaram e fizeram a prova. Aí surgiu um problema: quem iria corrigir a prova e dar as notas? Para ganharem mais confiança do populacho, escolheram dois membros da classe miserável. Um velho e um jovem. Eles corrigiram as provas e o resultado caiu na boca do povo, que se sentiu mais forte e foi pela primeira vez para rua lutar pela democracia: ninguém sabia o que era ética. Todos foram reprovados com zero estrelado. Como tinham aprovado uma lei para dividir o reino em dois, como mais um ardil para corrupção, desatinaram com o resultado da prova, certos que o povo ia enforcá-los, e se mandaram para a outra terra. Como eram preguiçosos e inúteis, logo o pedaço de reino foi consumido pela miséria e a nobre classe desapareceu. Já no reino, antes miserável, foi fundado um reino democrático alicerçado sob o primeiro sentido grego da palavra ética (éthos): habitat, morada. Com o tempo, pela práxis comunitária, compuseram com outro sentido: modus de ser de um povo. Viver produzindo afetos alegres como eternidade.

!! Os dois amigos sempre saíam juntos para tomar uma cerveja depois do expediente. Falavam de mulheres e do ódio que sentiam pelos gays. Num dia, beberam além do costume e, sem perceberem, suas mão ataram-se. Beijaram-se intensamente e acordaram juntos em uma cama de motel. Combinaram de ir falar com suas mulheres sobre a descoberta do amor. Reuniram-se os quatro, os dois ficaram um tanto na evasivos, sentindo dificuldade em falar e quando finalmente um deles falou, as duas caíram na gargalhada, enroscando-se na outra. Quando puderam fala, uma delas apenas disse: Não tem problema, há dois anos que somos amantes. Um foi pegar uma cerveja na geladeira, enquanto a outra colocava um cd do Bartô pra rolar.

!!! Ela parou perto dele, que fitava o horizonte e ele lhe perguntou se ela achava lindo o pôr-do-sol. Ela respondeu que não. E completou que o sol não se põe. Quem se põe são as esperanças.

!!!! A professora perguntou ao menino quem havia descoberto o Brasil. Ele, sorrindo, respondeu que o Brasil não havia sido descoberto, mas sim criado, e que seus habitantes não eram brasileiros. Eram linhas e pontos desta criação.

!!!!! E o profeta diante de seu povo, proferiu: Quem viver amanhã não verá o futuro, pois estará morto.

!!!!!! A flor caiu sobre o leito do rio e ele, seguindo para o mar, ficou feliz. Exuberante de felicidade, quando se aproximou do mar, mudou seu curso e a flor murchou.

!!!!!!! Era uma vez, uma vez.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez uma cidade com duas faces: uma, a sua própria realidade, e, outra, a imaginação dos governantes. Por eles era Cidade Sorriso, Paris dos Trópicos, Meu Ciúme, Princesinha do Norte, e outras conceituações que ela não conhecia em si. Certo dia um casal de turistas foi visitá-la. Depois de conhecer o Mercado Municipal, lê os jornais, foram passear de ônibus. Pois, segundo seus avós, para se conhecer uma cidade que se visita, são precisos estes três atos. Na Praça da Matriz, entraram no ônibus cheio até as bordas. Com algumas centenas de metros, o ônibus pou, pou, pou, pregou. Todos desceram e o motorista avisou para não se preocuparem, logo chegaria outro ônibus. Os dois aproveitaram para filmar as ruas e entrevistar pessoas. Chegou o ônibus e lá foram descer em outro prego. E eles sempre filmando e entrevistando as pessoas. No total, foram quinze pregos até chegarem ao ponto final. Voltaram para sua terra, editaram o material, transformando-o em um documentário e venderam para todas companhias de turismo. Resultado: nunca mais ninguém visitou e nem quis morar na cidade Ciúme. Até os governantes e seus vassalos se mandaram para bem longe. Livre, a cidade, com sua própria realidade, foi feliz em sua eternidade.

!! Era uma vez um rapaz que queria ser cantor de rock. Queria tanto que jurou até se pegar com o diabo para realizar seu sonho.. Só que não sabia onde encontrar o tinhoso. Certo dia, porém, lhe falaram de uma igreja de um pobre diabo. Não contou desgraça. Meia noite de sexta-feira, lá estava ele. Fez a promessa e ouviu uma voz dizendo para na próxima sexta, meia-noite, trazer quinhentos tocos e deixar na porta da igreja. No outro dia, acordou cedo inspirado e fez logo vinte rocks bem pauleiras. Um vizinho, que se tomava como o melhor roqueiro do pedaço, quase se mata de inveja. Não se matou, mas queimou a guitarra e foi estudar medicina. Na sexta-feira, levou a grana e a voz pediu três mil para a próxima. No outro dia recebeu vários telefonemas para fazer Shows e apresentações nos melhores programas de TV. Mas toda sexta deixava uma boa grana na porta da igreja. Quando completou quarenta sextas, terminou o pacto. Certa noite, depois de se apresentar no Teatro Amazonas, com estrondoso sucesso, viu um homem alto, fraque preto, barbado, cartola, fumando charuto próximo ao seu carrão. Sentiu um tremor, pensando no final da carreira. Ele se aproximou do homem, que sorria com uns dentes brilhando mais que os refletores, e não conseguiu falar. Então o homem contou toda a história. Ele não era o diabo, era o vigia da casa do lado da igreja e que resolvera ver até onde o diabo ia. Felicíssimo, o roqueiro tascou-lhe um abraço forte acompanhado de beijos agradecidos. Perguntou o que ele tinha feito com o dinheiro, ele respondeu que entrara no ramo da multimídia, estava tendo progresso e estudando Comunicação na UFAM. Se abraçaram felizes e se separaram. Em dois anos, o roqueiro se transformou no Rei do Rock da América Latina. Uma tarde, no ensaio, conversando com um padre, tio do baterista de sua banda, contou a história. Ao que o padre, sorrindo, afirmou ser um caso que mostrava que o diabo mesmo não sendo diabo tinha grandes poderes.

!!! Antes de entrar na sala onde se daria a reunião, contou e percebeu que seria 13º membro. Decidiu não entrar. Pôs a mão no bolso da calça, tirou e fechou o punho. Saiu do prédio. Atravessando a rua um gato preto, vindo da esquerda, passou na sua frente. Tentando se desviar, passou por debaixo de uma escada. Em seguida uma mulher com um vestido marrom, do outro lado, acenou. Desviou o olhar e viu um metaleiro levantando um crucifixo de cabeça pra baixo. Olhou para o céu, fez o sinal da cruz e tropeçou num buraco de obra da prefeitura. Desfalecendo no meio fio, sua mão abre: no rego cai um pé de coelho que desliza suave.

!!!! O que mais apavora na morte é perceber que estivemos alheios à vida. Estava na principal avenida da cidade, que agora detestava. Olhava os carros passarem e era acometido pelas imagens que lhe chegavam. Aproximou-se o primeiro carro, que seria o seu. Viu-se lambendo o saco do patrão: sempre fora lambaio e nunca tivera ganhado sequer uma promoção pequena. Não se jogou. O segundo carro se aproximava. Viu sua mulher transando com o seu vizinho, que sempre tinha se mostrado um amigo para todas as paradas. Não pulou. O terceiro era um caminhão. Perfeito para o seu propósito. Tomou coragem. Se preparou. Quando ia pular ouviu barulho de risadas de crianças. Pulou para trás, seguiu o caminho das crianças e as acompanhou numa partida de peteca.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez uma cidade com um povo muito crente e devoto. Certa manhã, o pastor chegou diferente dos outros dias, foi ao púlpito, olhou confiante os fiéis e sentiu a cumplicidade religiosa. Não era para menos: era o mais respeitado e venerado representante de Deus da cidade. Não esperou os cânticos iniciais e fez sua revelação angustiante. Contou que na noite anterior Deus lhe aparecera e afirmara que não existia. Os fiéis riram, acreditando ser mais uma das tiradas para motivá-los. Mas não era. E continuou, com ênfase, contando a revelação de Deus. Tudo não passara de um erro histórico. Ele não era Deus dos habitantes deste planeta, mas de um outro planeta. Os primeiros profetas se enganaram em suas visões e O tomaram como seu Deus. Os fiéis, desesperados, perguntaram como iriam viver sem um Deus. O pastor respondeu que sempre viveram sem Deus. Todas as orações foram para o nada, já que não havia Deus para os homens. Foi então que um jovem levantou-se e disse que se Deus não existe o homem tem que ser seu próprio criador e seu destino. Os fiéis choraram longamente e foram saindo da igreja. Na rua, viram pela primeira vez um mundo sem sombra e lamento. E em uníssono, soltaram uma estrondosa gargalhada. No outro dia, o pastor contou que Deus aparecera e lhe contara ter havido um equívoco: ele existia e era Deus dos homens. Os fiéis sorriram e responderam não precisar mas de um Deus. Sabiam como viver suas vidas. E que, desde o dia anterior, a igreja passara a ser apenas um local de agradável encontro fraterno.

!! As juras de amor afirmavam ser o casal mais apaixonado de Manaus e que, com tão concreto amor, jamais se separariam. Nem terremoto, tornado, tsunami conseguiriam esse feito. Certa tarde, entediados com a vida de classe média bem nutrida, cujo entretenimento é o óbvio inócuo, resolveram inovar: usar pela primeira vez um ônibus. Felizes, entre beijos e abraços, chegaram à parada e nem precisaram fazer sinal: havia umas dez pessoas para entrar. Entraram contentes como exploradores de um novo mundo. Passaram na catraca, sem lugar para sentar, ficaram em pé. O espreme-espreme fez ficarem mais colados um no outro e os beijos eram inevitáveis. Cada parada mais gente entrando e o calor aumentando. Ele reclamou, ela sorriu. Os dois reclamaram e se separaram. Ela disse eu te amo, ele não respondeu. Ela ficou calada, recebeu uma cotovelada e uma mão na bunda. As freadas e caídas nos buracos apavoraram os dois, separados por outros corpos. Ansiedade, pânico, queriam descer, mas não podiam. Até que o ônibus chegou ao ponto final do bairro. Eles desceram, ficaram em silêncio, então cada um telefonou para os parentes para irem buscá-los. Nunca mais se falaram. Ele se apaixonou por outra jovem, e ela fez um blog para analisar e dar opiniões sobre os governos municipal e estadual, mostrando o quanto o povo sofre pelas péssimas administrações públicas.

!!! No conforto do lar, acompanhado por duas boazudas, alguns envelhecidos uísques e um encrespante filme pornô, ouviu arrombarem a porta. Correu para pegar o berro, mas não deu tempo: a polícia chegou primeiro e lhe deu voz de prisão. Pirou de vez. Tinha sido acusado por estelionato, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, adultério, contrabando, sonegação fiscal, mas estava limpo, falou aos policiais. Para fortalecer o argumento, disse que seu advogado, com sua incomparável inteligência, tinha conseguido derrubar todas as acusações e ele era um homem livre. Um dos policiais mostrou-lhe um documento e disse que ele até poderia se livrar de todas as acusações, mas só depois que seu advogado, com sua incomparável inteligência, fosse aprovado em insuspeita prova da OAB.

!!!! A princesa o beijou e ele virou um príncipe. E tinha de aprender os ofícios para ser rei, tinha até de aprender a beijar para casar com a princesa de um encontro casual. De tudo, o estranho era que, a despeito de poder e riqueza, crescia dentro de si um terrível medo da morte. Arranjou então um cururuzão, botou em cima de sua cama e fugiu. A princesa, quando viu o cururu, beijou-o, beijou-o, e nada. Um dia foi ao jardim, o sapo aproveitou para fisgar moscas; apesar do nojo, a princesa não interferiu, pois para ela parecia que ele se divertia. O sapo aproveitou e escapuliu para a lagoa. A princesa correu desesperada, e fica lá beijando sapo cururu, na esperança de encontrar seu príncipe encantado. Enquanto isso, o rapaz, agora sem nome, sem riqueza e, principalmente, sem medo da morte, segue por aí pelo mundo…

ENCONTROS CASUAIS

Encontros Casuais

! – Ele considerou sua vida na cidade em que nascera e decidiu não ser justo, chegado ao 30 anos, permanecer em um lugar dominado pelo passado. Então, seguiu para pegar o trem e partir. Chegou atrasado na estação e o trem já havia partido. Soube da notícia: o trem desencarrilhara e todos ocupantes morreram. Tentou no outro dia avião: o mesmo aconteceu. Tentou várias vezes, chegava atrasado, e ficava sabendo dos desastres. Por fim, decifrou o mistério: a cidade lhe aprisionara. Encontrou uma moça, casou e então, aos 40, foi acometido de uma doença cujo tratamento só seria realizado em outro estado. Preso pela cidade passado, sabia que era inútil partir. Mesmo assim entrou no avião. Com trinta minutos de vôo, a tripulação anunciou o perigo que corriam. Pois-se a considerar seu passado. Viu cenas com seus familiares, amigos, muito sofrimento. De repente, percebeu que nada daquilo lhe era empático. Via seus pais como pessoas outras. Sem culpa, dívida, pessoas vivas autônomas. Sorriu. Uma senhora a seu lado gritou que todos iam morrer. Indagou a si o que era a morte. Se ela existia, naquele avião, era ele. Teve certeza: não havia morte. Dormiu, em meio a turbulência.

!! – Era uma vez uma cidadizinha muito pacata. Tão pacata, que além de dominada pelo silêncio, seus moradores quase não se falavam. Pois bem, havendo um rapaz se apaixonado por um linda jovem, e sem coragem de se aproximar dela, resolveu aprender a tocar violão, acreditando que a música falaria para ela de seu profundo amor. Certa madrugada, já um excelente violonista, foi lhe fazer uma serenata. Nos acordes iniciais, ela apareceu na sacada de sua janela e lhe fez um sinal. Logo abriu a porta e saiu tocando um violino. Da casa esquerda saiu uma jovem tocando oboé, e se juntou aos dois. Da casa direita saiu um rapaz tocando violoncelo. Seguiram para a praça e de repente outras pessoas foram chegando tocando outros instrumento. A cidade ficou tocando até o amanhecer. Todos eram músicos, mas nenhum deles sabia, tal o silêncio em que viviam. A partir desta noite a cidadizinha, que vivia na dependência econômica de outras cidades, até mesmo de um dente de alho, se tornou próspera e seu povo viveu feliz. O rapaz e a moça casaram e viveram em grande felicidade. Ele, com uma moça tocadora de bateria, e ela, com um rapaz tocador de clarineta.

!!! – Meia-noite. O rapaz com um berro na mão, parou o senhor no meio da rua, e gritou que era um assalto. O senhor, calmamente, disse que só tinha duas coisas: a vida e 50 reais. E perguntou, qual das duas ele queria. O rapaz, respondeu que os 50 paus, porque uma vida não valia nada. O senhor discordou afirmando que valia para estudar, trabalhar, ganhar dinheiro, e o melhor, amar. O rapaz então, eufórico, disse que ele ficasse com os 50 e lhe passasse a sua vida. O homem, sorriu, e ponderou que se lhe desse sua vida, ficava com o dinheiro, mas sem vida e o dinheiro sem vida, não tem valor de uso. O rapaz ficou por um momento pensando, e depois concordou com o homem afirmando que neste caso, não adiantava ele ficar com os 50, porque ele não tinha vida. E assim, não podia usar o dinheiro. Agradeceu ao senhor, e partiu pensando como seria sua vida.

ENCONTROS CASUAIS

CASUAIS

! Era uma vez um homem bondoso e justo. Certo dia, sentindo chegar a hora da morte, chamou seus três filhos e dividiu sua riqueza. Ao mais velho e ao do meio deixou sua próspera fazenda e ao mais novo, um livro de filosofia. Dias depois de sua morte, o filho mais novo, tomado por uma forte inveja, envenenou toda a criação de animais e ateou fogo na propriedade, deixando os irmãos na miséria. No dia em que completou maioridade, o advogado de seu pai procurou-o e disse que chegara a hora de receber sua herança. Uma soma no valor da propriedade. Entretanto, para que tal soma lhe fosse entregue, o advogado precisava saber se os negócios dos irmãos iam bem, pois havia uma cláusula que dizia que a herança só seria repassada ao jovem se os irmãos estivessem em prosperidade. Caso contrário, a soma seria usada para ajudar os dois. Porém, quando o advogado soube da miséria em que viviam os dois irmãos, entregou-lhes o dinheiro para soerguer a propriedade e o irmão mais novo ficou sem nada, já que até o livro de filosofia ele havia tocado fogo.

!! Os cinco darks, para tornarem reais suas convicções do lado negro da vida, resolveram fazer um culto dentro do cemitério. Acenderam as velas pretas, deitaram o pentagrama e começaram ler seus temas espirituais. Envolvidos no ritual, não sentiram o tempo passar e quando terminaram o cemitério estava fechado. Desesperados, procuraram o vigia sem encontrá-lo. Correram todo o cemitério, cansaram e dormiram. Meia-noite, acordaram com umas vozes ritualísticas do lado de fora. Eram uns góticos em cerimônia. Chamaram os parceiros, mas eles ao ouvirem os chamados vindo do cemitério desembalaram na carreira. O vigia, que havia saído para um love, se aproximou e perguntou o que estava acontecendo. Eles contaram, o vigia, então, abriu o portão, saíram apavorados, pegaram um táxi, se dirigiram ao sambódromo, chegaram, tiraram toda a roupa preta, comprada na Galeria do Rock em São Paulo, e caíram no dois pra lá dois pra cá.

!!! Era o pastor mais considerado da igreja. Sabia como ninguém usar o nome Satanás para dominar os fiéis e mantê-los aprisionados. Embora não acreditasse nem um pingo na existência dele. Certa madrugada, voltando de um culto, depois de receber sua parte dos dízimos, e tomar umas com outros pastores, vinha voando em seu moderníssimo carro. Distante, viu um gato no meio da avenida. Acelerou o carro para matá-lo e não viu o imenso quebra-mola. O carro subiu, desceu rodando de bico, e ele foi jogado, politraumatizado, no meio fio. De peito para cima, pediu ajuda ao Senhor, mas quem apareceu, saindo de trás de um poste, foi um homem alto, magro, vestido de preto, que ficou a olhá-lo. E ele, nos últimos estertores, disse que não adiantava o homem querer lhe causar medo, pois tinha certeza que o Diabo não existia.

!!!! Quando nasceu, ganhou do pai uma camisa com seu nome bordado, do time do coração. Anos depois, o time na final contra o arqui-rival, o pai compra os ingressos. Euforia! Mas bem no dia do jogo, o filho fica doente. Choro. Resolvem que o pai irá ao estádio. Final da partida, 2 a 0 contra. Na saída, vê um rapaz idêntico ao filho na torcida adversária. Corre, mas não o alcança. Chega em casa, o filho não está. Quando chega, diz que se sentiu melhor e foi ver o jogo com os amigos. Cabisbaixo, vai tomar banho. Não foi com a camisa do glorioso. O pai, preocupado, aproveita a ausência para olhar as gavetas do filho. Suspira aliviado. Encontra a camisa com o nome bordado, guardada e limpa, símbolo do eterno amor filial. Enquanto isso, no banho, alegre, o filho cantarola baixinho o hino do time campeão.

!!!!! Acordou no meio da noite devido a um barulho. Atentou os ouvidos. Afora o businar de algum carro distante, silêncio total. Esperou um tempo, desligou o ar, para ouvir melhor… Nada. Levantou-se nas pontas dos pés, pisando macio, foi até a porta de seu quarto, abriu-a sem fazer barulho. Foi em direção à sala, a tv estava ligada, ouviu tiros, as luzes estavam apagadas, olhou por cima da cadeira onde a mãe estava sentada. Era um western spaguetti italiano na tv a cabo. Foi recuando. Estranho a mãe estar ainda acordada àquela hora, ainda por cima assistindo aquele spaguetti, e com as luzes apagadas. Silenciosamente voltou para o quarto. Dormiu até o despertador tocar. Quando foi tomar café, assistindo seu desenho animado preferido, a tv de plasma havia desaparecido. Pelo chão tocos de cigarro e latinhas amassadas de cerveja. O carpete da mãe estava imundo.

ENCONTROS CASUAIS

Encontros Casuais

! Trinta e três anos, solteiro, seu único e maior amor: a mãe. O pavor de perdê-la conduzia-o toda noite, antes de dormir, ao quarto dela para se certificar se estava bem. Nas últimas três noites sua angústia exacerbou-se: encontrou-a dormindo agitada. Temendo sua morte, acordou-a. Certo dia, ao comer um cheeseburguer no McDonald, engasgou-se, desesperado virou a cabeça para cima e viu, envolta em um manto azul, voando em sua direção, a mulher mais linda que jamais vira em toda sua vida. Ela se aproximou, olhou profundamente em seus olhos e disse que por três noites tentara levar sua mãe, mas ele não deixara. Mas que, embora não houvesse chegado o seu momento, ela iria levá-lo, já que os homens criaram um mundo em que o justo é que os filhos paguem pelos pais.

!! No palco, a cantora dizia na canção que amava dois homens. Quando ela terminou de cantar, ele a chamou e perguntou se ela amava mesmo dois homens. Ela respondeu que só amava seu marido. Ele sorriu, afirmando que ela mentia. Para cantar como cantava era preciso ver dois homens. Pensativa, disse que via, mas não sabia quem era o outro. Perguntou se não poderia ser ele. Respondeu que não. Solícito, pediu que cantasse outra vez, mas sem imaginar o marido, só o outro homem. Ela cantou e voltou dizendo que só vira o homem. Como a canção falava de dois homens, argumentou que ela mentira. Pediu que cantasse mais uma vez, agora imaginando dois homens: o outro e ele. Ela cantou e voltou confessando que vira os dois. Então, apaixonado, abraçou-a, conduzindo-a para a rua, confidenciando que como o outro homem não existia e ele era real, seu verdadeiro amor era ele.

!!! A mesa havia sido quebrada e fora retirada da sala. E o professor, sentado ali na cadeira, sentindo-se mais inseguro ainda sem a sua mesa, não conseguia se fazer ouvir, apesar de gritar seu ódio nos adolescentes. Atentou mais em um na segunda fileira à esquerda, levantou e foi andando em sua direção e fulminando-o com o olhar. O garoto correu, rindo, para o fundo da sala. O professor foi recuando para trás em curtos passos até sua cadeira, mas quando foi sentar-se sua bunda foi ao chão e sua cabeça bateu forte na parede. Não percebeu que outro garoto havia removido-a da posição. Como um abrir e fechar de olhos, o professor teve uma síncope, mas já não lembrava de nada. Por isso, quando viu todos aqueles alunos rindo entre si e também para ele, também sorriu. Os alunos nunca haviam visto aquele professor sorrir. O barulho não diminuíra, mas tinha agora uma estranha harmonia. O professor perguntou quem eles eram. Nunca naquela escola nenhum professor havia perguntado quem eles eram. Por isso começaram a conversar. O professor nunca mais lembrou de nada, mas os estudantes adoraram ele ter se tornado um educador.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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