Archive for the 'Filosofia' Category

ASSOCIAÇÃO FILOSOFIA ITINERANTE (AFIN) LANÇA A CAMISA ‘LULA ECCE HOMO’

 

Produção Afinsophia.             

A  Associação Filosofia Itinerante (AFIN), Ong sem fins lucrativos que há mais de 16 anos trabalha no Amazonas produzindo junto com as comunalidades novas formas de afetos: sentir, novas formas de perceptos: ver e ouvir e novas forma de conceitos: pensar, através das potências práxis-ação e a poieses-criação movimentados pelo kinemazófico, teatrosófico, esquizo-som, afrosófico, filosófico, entre outros corpus produtivos, aproveitou o trabalho do artista Jô Hallack com o rosto de Lula quando fichado durante sua prisão como líder metalúrgico, e criou a camisa ‘Lula Ecce Homo”. 

   Ecce Homo foi a frase que Pilatos enunciou no momento em que Cristo encontrava-se diante de seus carrascos ambiciosos e embrutecidos: judeus e romanos. O Ecce Homo, que traduzido do latim, significa Eis o Homem, teve durante séculos o entendimento vulgar que representa o ato de Pilatos entregar Cristo aos seus algozes, mas não significa isso. O filósofo Nietzsche, que escreveu uma de suas mais contundentes obras em que ele faz um entendimento de sua vida com o título de Ecce Homo, junto com outros filósofos como Deleuze e Guattari, entende totalmente diferente. Para o filósofo da Vontade de Potência  quando Pilatos enuncia essa frase ele não enuncia como uma sentença acusatória, mas como o reconhecimento da grandeza de Cristo. O Homem Superior. Ecce Homo o Homem Superior cuja vida ativa o pensamento e o pensamento afirma a vida. É o que entende o filósofo Deleuze para quem Cristo é o mais amado, o que não prega a culpa, a cobrança, a acusação, a perseguição, o julgamento e a condenação. Cristo não cobra nada, não ameça, não pune, como fazem os hipócritas fariseus. Cristo em sua grandeza se diferencia dos homens reativos, má consciência e ascetismo moral. Os vingativos, odientos, hipócritas, covardes, orgulhosos, insignificantes, medrosos, submissos, magoados, rancorosos, inúteis. 

    A camisa Lula Ecce Homo não foi criada para ser vendida, mas usada pelos membros da AFIN como forma de seu engajamento em defesa de Lula, a democracia e o Estado de Direitos Brasileiro com sua soberania que se encontram ameaçados por antipatriotas que, como escravos dominados pela exacerbação de suas insignificâncias, seus sentimentos pobres de frustrados e martirizados, daí a predominância de uma consciência neo-colonial,  se subjugam a força do capital norte-americano e se apresentam como trapaceiros da Nação Brasileira. Afirmação inconteste de personagens golpistas.

     Agora, se o acessante quiser copiar o modelo Lula Ecce Homem, tem total liberdade. A AFIN como propulsora da inteligência coletiva não exerce qualquer proibição. Proibir e punir é coisa de paranoico, já dizia Michel Foucault, e não ato de Lula Ecce Homo. 

BLOG AFINSOPHIA COMUNICA AOS ACESSANTES: O WORDPRESS USA ESPAÇO DO BLOG PARA FAZER PUBLICIDADE SEM AUTORIZAÇÃO

Colcha de Retalhos

Colcha de Retalhos. Logo da Associação Filosofia Itinerante (AFIN)

 Breve histórico-virtual. O Blog Afinsophia, corpo-virtual da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), iniciou contrato com o WordPress no mês de agosto do ano de 2007. Portanto, há exatamente 10 anos. Tratou-se de um contrato discriminado como plano de domínio. O que significava que o WordPress não poderia exibir publicidade no espaço-virtual do blog em virtude do mesmo não ter qualquer interesse em participar do mundo enebriante da publicidade-capitalista, visto que como um englobante-filosófico acredita no escritor George Orwell quando ele diz que a publicidade é o fruto mais sujo do capitalismo.

   Pois bem, passada toda essa década o contrato foi cumprido. Porém, a partir de umas semanas para cá começou aparecer no Afinsophia propagandas sem qualquer autorização da direção do blog. Como o blog é acessado e seguido por pessoas que acreditam nos discursos expressados e defendidos por ele, como verdades necessárias para criação de novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar,como afirmam os filósofos Deleuze e Guattari,  tínhamos a obrigação de procurar saber o motivo de tal procedimento do WordPress, porque para nós trata-se de uma violência contra o corpo-virtual-filosófico do blog que atua junto com a inteligência coletiva na produção  ontológica do existir.

    Diante de nossa inquirição o WordPress informou que as propaganda estavam sendo exibidas porque nosso plano permitia e que se quiséssemos  impedi-las teríamos que contratar outro plano. E mais, que os anúncios eram para pagar os custos. Orá, nós pagamos todo ano a taxa referente ao direito de domínio, como já foi escrito, que significa que o WordPress não oferece gratuitamente o espaço-virtual usado pelo Afinsophia. E mais do mais, o WordPress usa o espaço dos blogs que não têm plano de domínio para exibir publicidade. Para isso basta que o blog tenha um bom acesso. Um exemplo: quando no passado deixamos de pagar a taxa, logo começaram a desfilar propagandas. Quando pagamos a anualidade elas foram retiradas. 

    Como esse comunicado visa especialmente nossos acessantes e seguidores, queremos informar que estamos tomando as devidas providências, com possibilidade de acabar o contrato com o WordPresss.

                                                Abraços afinsophianados.    

O FILÓSOFO NIETZSCHE PERGUNTA, AOS BRASILEIROS INDIFERENTES, EM QUE ERA VIVEM

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Produção Afinsophia.

 O filósofo Nietzsche, afirma que os homens agidos são aqueles que não agem só reagem. Por tal, são os niilistas. Os que cultuam o pessimismo como forma de impedir o movimento da Vontade de Potência. São homens cujo nascimento já os trouxe como epígonos: os que nascem com os cabelos brancos. Para quem a vida é sofrimento eterno.

   Imobilizados, eles se apegam as ilusões que suas perspectivas ressentidas lhe proporcionam. Sua luta é se manter longe dos embates da vida como florescimento do viver. São homens enfermos, mas que essas ilusões lhes deposita satisfaçam como se fossem a representação da saúde. Ao contrário da vida ativar o pensamento neles e o pensamento afirmar a vida, neles o que predomina é a existência sem vida ativa e pensamento confirmador.

    Nesse quadro mórbido, inimigo da vida, eles não poderiam se arrastar de outra forma, a não ser como macabros indiferentes. São eles os que no momento atual, em que o Brasil passa pela maior dor de sua história, onde o pessimismo vem se consagrando como o rumo necessário, em forma espectral, que curvam as cabeças em uma dor lânguida como forma de se desvencilharem da vida. 

      Eis a pergunta de Nietzsche.

     “A mais nobre virtude. – Na primeira época da humanidade superior a valentia é considerada a mais nobre das virtudes; na segunda a Justiç, na terceira, a moderação, na quarta, a sabedoria. Em que era vivemos? Em qual vive você?”.  

O FILÓSOFO MARXISTA ANTÔNIO CÂNDIDO, EM 1946, DISSE: ´”É PRECISO RECUPERARMOS NIETZSCHE”. E ESCREVEU “O PORTADOR”. DIANTE DA CRISTALIZAÇÃO DO NAZIFASCISMO NO BRASIL, CÂNDIDO-NIETZSCHE SÃO IMPRESCINDÍVEIS

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 Não se descreve um poeta, muito menos um filósofo. Ainda mais quando esse poeta-filósofo é filólogo: conhece as entranhas do perceber e conceber o mundo. O que lhe faz um ser político, porque a filosofia é política, assim como a poesia, já que ela ao enunciar o novo, muda o mundo com seus estados de coisas cristalizados. Daí por que não há poesia e nem filosofia burguesa, posto que o mundo burguês é molar. Contraído sem possibilidade qualquer ao Para-si, a ultrapassagem do Em-si.

    Antônio Cândido, ao perceber que na década de 40 o filósofo demolidor de ídolos era pouco conhecido no Brasil, e que no mundo havia uma aversão a sua obra filosófica, onde apedeutas da filosofia o chamavam de teórico do nazismo, inimigo do socialismo, resolveu acabar com a estupidez: escreveu o artigo O Portado que foi publicado, em 1946, no semanário Diário de São Paulo, no caderno Notas de Crítica Literária. Depois impresso no Observador Literário, em 1959. 

    Em tempo de cristalização da subjetividade nazifascista no Brasil atual, onde seus principais poderes do Estado estão contaminados por corpos psicopatológicos, estabelecendo um quase estado de anomia, se faz necessário publicar seu artigo, mesmo sendo em forma escaneada. 

     A Associação Filosofia Itinerante (AFIN), que tem singela relação com a obra desse camarada que pertenceu ao PCbão e é fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), mostra esse artigo, já que o Brasil atual necessita fortemente do pensamento nietzschiano. O texto foi extraído  do livro Os Pensadores, publicado no ano de 1983 que teve a seleção de textos de Gérard Lebrun, a tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho e o Posfácio de Antônio Cândido.

      As páginas aparecem riscadas com caneta, são provas de que o artigo do poeta-filósofo-filólogo-militante foram lidas e relidas.

 

MORO ERRA AO AFIRMAR QUE “A GRAVAÇÃO PELA PARTE DA AUDIÊNCIA COM PROPÓSITOS POLÍTICOS PARTIDÁRIOS NÃO PODE SER PERMITIDA…” LULA É A POLÍTICA PURA. NÃO HÁ COMO IMPEDI-LO.

     A banalização dos conceitos pelo vulgo é responsável pelo enebriamento da realidade. O vulgo aqui tratado não é referente só aos iletrados, mas também aos letrados, principalmente aos vaidosos que detém curso superior. Sabe-se muito bem, que as palavras servem para refletir as coisas. Não que elas sejam as coisas, já dizia Foucault. Se elas como reflexos causam impossibilidades de afirmações insuspeitas, imaginemos quando delas são tiradas suas noções reflexivas que saíram de uma práxis empírica.

   É assim, que no discurso social há necessidade de procurar compreender os sentidos mais concretos da linguagem. Saber quando uma palavra, um conceito (palavra e conceito são distintos) têm seus referentes filológicos-históricos-ontológicos. Pelo menos saber com Barthes quando uma linguagem é encrática ou crática. De massa usada, precipuamente, pelos meios de comunicação, e de seguimentos especiais. Para que não se caia no logro linguístico e também se conduza o outro para esse logro.

   O exemplo muito próximo é relativo ao conceito político. A maioria dos falantes (na verdade, tagarelantes; os que não superaram o que tagarelam) tem esse conceito como relativo a partidos, e não a condição do homem como agente de práxis e poieses. Práxis como ação e poiese como criação. Práxis e poises como produtora contínua do movimento real como novo social. Para os tagarelas, política não passa de uma representação parlamentar e executiva. Quando se sabe que o que menos existe, principalmente no Brasil, no Poder Executivo, Legislativo e Judiciário é político. Dai porque todo esse obscurantismo em relação as práxis e poieses dos três poderes. 

   Moro ao se referir a Lula mostra exatamente essa triste realidade a-linguística e apolítica. Ele afirma que o impedimento da gravação audiência com Lula é para evitar um uso com “propósito político partidário”. Ora, Moro não sabe que Lula é o conteúdo e expressão singular do homem político. Ele não sabe que Lula é práxis e poieses política desde menino, quando deixou o sertão por não haver política. Seu ato, junto com sua família, já expressava a política, visto que a política é a potência-social de produção de existência do homem. Onde não há política há privação. E como diz o filósofo Toni Negri, o homem não se encontra no mundo para sofrer privações.

   Depois teve sua política de existência em Santos, e de metalúrgico. Sem contar a política de existência no momento em que foi preso pela repressão ditatorial. Como um homem só não pode ser considerado político, já que a política é uma multiplicidade de singularidades, devires, hecceidades, rizomas, espaços-tempos, plano de consistência, fluxos territorializante e desterritorializantes, como dizem os filósofos Deleuze Guattari, é ontologicamente impossível Lula ser a síntese do povo. Lula é potência-povo como todos os homens, mulheres e criança que compõem com ele a potência-democracia.

  Daí que Moro não sabe que basta alguém lembrar, recordar e imaginar Lula, já encadeou movimento político. O próprio ato de tentar impedir a gravação da audiência, afirma que homem político é Lula. Embora todos que são contra Lula não saibam, em função de suas existências, o que seja política, entretanto, todos eles temem a política em Lula, porque nele se movimenta o devir política como devir-povo. E o devir-povo não necessita de partido político (?). 

  Realidade que esfacela qualquer tipo de tentativa de imobilidade-molar em querer paralisar o movimento-transformador-molecular. E como política é criação e criação é alegria, só os democratas são alegre. E mais, e como alegria é ética, modus-alegre de ser, aí, Lula ser um homem eticamente alegre!

ELEIÇÃO PARA GOVERNADOR DO AMAZONAS: DIREITAS GOLPISTAS SE OURIÇAM E A ESQUERDA VAI COM DEPUTADO JOSÉ RICARDO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

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  Com a cassação do ex-governador do Amazonas Zé Melo e sei vice Oliveira, vulgo Cabeção, foi estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitora (TSE) que o seu sucessor deverá sair de eleição direta em mandato que durará 19 meses. Um tempo suficiente para que o novo governador possa mudar os rumos do atraso implementado por Melo. Na verdade, continuidade do que já havia ocorrido anos passados sob as batutas de outros governadores.

    Ocorre que o entendimento de “um tempo suficiente” para mudar só pode se tornar real se o eleito for alguém da subjetividade progressista. Alguém cuja percepção e concepção de mundo inclua a dimensão humaniora. Humanidade. A dimensão-política que tem da administração publica o entendimento de prática-social que engloba todo o estado e não somente classes privilegiadas que somente procuram defender e manter seus interesses, como vem ocorrendo há mais de três décadas.

    Daí que essa eleição tem atraído os mesmos representantes do atraso. Personagens que participaram explicitamente do golpe que destituiu a presidenta Dilma Vana Roussef do governo. Governo que lhe foi outorgado por mais de 54 milhões de eleitores. Assim, embora haja vários candidatos das direitas, não deve prevalecer engano (alguns chamam logro): todos são reacionários, embora de partidos diferente nas siglas, todos compõe a mesma subjetividade da economia-política-capitalista. Dos que já ocuparam cargos de governos, nenhum desenvolveu uma política que tivesse um mínimo corpo racional. O que faz ser a política uma práxis-ação e poises-criação filosófica, já que a filosofia é o movimento real que produz existência coletiva em forma de comunalidade onde todos são agentes-sociais de afetos e cognições transformadoras.

    Os reacionários como não são traspassado por esses corpos afetivos e cognitivos, querem aproveitar o momento para recolocarem em prática o que já é por demais conhecido pela sociedade amazonense. São pessoa reativas, agidas sem qualquer potência-política para possibilitar mudanças. Porém, para antagonizar esse estado de desativado-politicamente, o Partido dos Trabalhadores lançou ontem, domingo, dia 7, a candidatura do deputado estadual José Ricardo que é no Amazonas o único deputado que atua na ordem da razão-social promovendo tentativas (os reacionários dominam a Assembléia Legislativa) de estabelecer programas que atinjam as populações abandonadas pelo estado e a prefeitura, que também encontra-se nas mãos do reacionário prefeito Arthur Neto e seu grupo-molar.

     É possível que também outros partidos de esquerda lancem candidatos. Como o PSOL que cogita a candidatura de seu membro Queiroz. Assim, como o PSTU que poderá lançar o professor Gilberto. Enquanto isso vamos aguardando as definições e o início das propagandas e trabalhar por um Amazonas que seja politicamente real. 

COISA DE AMAZONINO: “ESTOU TRISTE COM TUDO QUE ESTOU VENDO”.

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       Amazonino Mendes é daqueles que aproveitou a onda que se instalou no Brasil nas décadas de 50 e percorreu 60, e até adentrou em 70: se tomar por comunista. A onda para gente como Amazonino foi apenas gênero, glamour, fantasia que o futuro confirmou como pingos da onda. A onda que atingiu alguns que foram estudar na Rússia.

      Amazonino foi daquele “tipo afoito”, como diz o poeta sobralense Belchior, que jurava querer tomar o poder depois de ter compreendido que o capitalismo é o mal que deve ser combatido, porque uma sociedade dividida em classes não é justa: só o comunismo salva.

     Hoje, depois de ter sido por três vezes prefeito de Manaus, três vezes governador do Amazonas e uma vez senador (quase), ele, protegido por sua segurança capitalista, do alto de seu comunismo nostalgicamente bem sucedido, afirma que está “triste com tudo que estou vendo”.

      Amazonino, com seu ideário comunista, já na década de 80 foi escolhido por Gilberto Mestrinho para ser seu sucessor. Mestrinho havia sido cassado pela ditadura, mas não por ideias políticas. Muito menos como o de seu pupilo Amazonino. No pós-ditadura foi eleito pelos votos das forças mais anacrônicas do estado. Em seguida elegeu Amazonino.

      Amazonino por sua vez, escolheu seu pupilo: Eduardo Braga que fez os mesmos percursos de seu mentor: foi prefeito, governador e agora, como golpista, é senador. Eduardo se associou a Omar Aziz, também governador e agora senador. Antes foi parceiro de Zé Melo que durante esses governos passados sempre ocupou cargos de mando no estado e, agora, encontra-se cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

     Como se trata de uma subjetividade constituída pelas linhas segmentarizadas, molar-capitalista, como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, carece de informar os partidos que esses personagens eram e são atualmente, já que em essência há total igualdade em suas práticas. Exemplo, no desgoverno de Fernando Henrique, o príncipe sem trono, a Constituição Brasileira determinava a não existência de reeleição, mas o tal príncipe resolveu, em função de sua insegurança ontológica manifestada em vaidade, resolveu mudar a Carta, e, para isso, precisava dos votos dos parlamentares. Amazonino foi denunciado como o personagem que agenciou a compra de votos de deputados de alguns partidos. Simples igualdade.

      Com a cassação de Melo, a subjetividade dos iguais encontra-se compulsivamente tagarelando (como diz o filósofo Nietzsche) sobre quem deles vai se candidatar ao cargo que durará somente 19 meses. Perguntado sobre o fato, ele, se fez de rogado, mas falou.

         “Não falo de política. Estou tão triste com tudo o que estou vendo. Estou igual a qualquer um de vocês. Mesmo sentimento. Mesmo pensamento. Mesma angústia. Mas não se pode perder a fé. Fé, esperança e determinação”, orou e rezou, ele.

           Certa vez, Amazonino disse que iria ensinar filosofia, política para os jovens dos bairros pobres. Não foi. Para o bem dos professores de ensino de filosofia que apesar de passarem pelo curso de catecismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), eufemisticamente alcunhado de Curso de Filosofia, precisam de seus empregos, a Amazonino seria uma grande concorrência.

       Porém, mesmo afirmando que não iria falar aos repórteres, tentou uma sacada, depois de afirmar que é favorável à reforma da Previdência “como qualquer brasileiro responsável”. Infere-se que, certamente, os milhões que são contra não são responsáveis.

       “É uma angústia, mas as coisas são como devem ser”, sacou.

  O vício do poder institucional que vai além do imperativo categórico do filósofo Kant. As coisas nunca são como devem ser. Elas não são predeterminações. São da esfera humana. As coisas são produções atualizadas, já que antes eram virtuais como potências do real. Quando elas são como devem ser caem na esfera da superstição do idealismo-sobrenatural que não inclui a partição produtiva do homem. Nada da epistemologia-produtiva de Marx. Se tivesse afirmado “as coisas são como são”, também seria superstição, pois como diz Foucault, as coisas não são. Se tivéssemos que falar sobre as coisas, diríamos que elas são “clarões”  

        A deforma da Previdência Social encontra-se idealizada, elaborada e forçada a ser consumada pelas forças mais reacionárias que se apossaram do país. Sem eufemismo: as forças golpistas submissas aos patrões-golpistas. Assim, deve-se completar sua assertiva, reflexo da subjetividade-capitalista: “As coisas são como devem ser” de acordo com o capital.

        Em sua não-entrevista, Amazonino manda aos estudantes de filosofia-política uma máxima pessoal:

        “Nasci politico e vou morrer politico”.

     Uma questão aos estudantes sem o sadismo dos professores e professoras que se masturbam fazendo o estudante sofrer.

       – Existem duas subjetividades no mundo: Uma a subjetividade da política econômica capitalista, e a outra a subjetividade da política econômica socialista. Ao afirmar que nasceu político e vai morrer político, qual a política de Amazonino?

BLOGS AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA ENTREVISTAM BELCHIOR JÁ QUE “SEMPRE É DIA DE IRONIA NO MEU CORAÇÃO”

Os Blogs Afinsophia e Esquizofia, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), publicam a entrevista, alegria como aumento de potência de agir, com o Rapaz Latino-Americano Belchior.

BREVE APRESENTAÇÃO

Antônio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes – cearense da simpática cidade de Sobral -, gostaríamos de fazer um acordo com você nessa entrevista trans-histórica, na névoa inassinalável, ou hecceidade. O acordo é o seguinte: como nós vamos recorrer as nossas faculdades memorativas, além de informações extraídas de nossa arqueologia do saber-Belchior, é possível que venhamos cometer alguns equívocos em relação a fatos aqui apresentados por nós atribuídos a personagens em relação a você. Se por acaso você perceber que algumas enunciações nossas são lendas ou mitos, queira nos corrigir. Certo?

Belchior você é da geração que “por força desse destino um tango argentino” pegava “bem melhor” que “uns blues”. A ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Você, como muitos brasileiros, por força da ditadura, não teve adolescência, e se quer pode vivenciar as fragrâncias de maio de 68. Enquanto a França, e grande parte da Europa explodia, produzindo linhas de cortes, fissuras através das potências dos trabalhadores e estudantes. Ao contrário, em 68, o Brasil era submetido à força do AI5, implantado pelos militares da repressão-nacional. Foi o ano que começou para valer as perseguições, prisões, sequestros, torturas e mortes.

Todavia, arigó Belchior, você já havia sido traspassado pelas enunciações políticas, estéticas, filosóficas, antropológicas, históricas, psiquiátricas, etc., e podia com clareza entender as notas desterritorializadas de Sartre, Marcuse, Foucault, Deleuze, Guattari, Simone Beauvoir, entre outros que se movimentavam em latitudes e longitudes capazes de lhe afetar spinozianamente: aumentar sua potência de agir. Já havia sido afetado pela potência da comunalidade em forma de erudição. Erudição que levou certa vez Caetano chamar de cultura inútil. Sem falar que você já havia encontrado Marx, Cristo, aliás, o Homem de Nazaré foi quem primeiro lhe encontrou, daí sua vida de noviço, depois rebelde (Gargalhadas), quem sabe a influência a posteriori para criar o projeto de tradução do latim A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Musicólogo roqueiro, corpo que lhe moveu com “os pés cansados e feridos de andar léguas tiranas, a ponto de lhe deixar “com lágrimas nos olhos de ler o Pessoa, e ver o verde da cana”, compôs com as baladas de Bob Dylan, composição que levou o compositor do Maracatu Atômico, George Mautner, a afirmar que entre o original e a cópia preferia o original. Declaração que confirmava que sua entrada no mercado musical brasileiro já estava incomodando. Claro, você como sobralense nunca negou que ouvira muito as baladas de Dylan. E, aliás, quem daquela época, não ouviu? Quem, preocupado com a Napalm lançada pelos Estados Unidos no Vietnã, não ouviu Dylan? E não só Dylan, como também Neil Young, entre outros cantores e compositores de opunham a ferocidade genocida do império. Você sempre foi um homem engajado. Mas um cara que não fazia gênero de rebelde sendo um puta burguês, como seu conterrâneo Fagner. Poucas sabem, mas você participou, convidado pela talentosíssima atriz de teatro Lélia Abramo, no lançamento do primeiro manifesto do Partido dos Trabalhadores, em 1981. O que confirma que suas baladas são politizadas não por dependência de Dylan. Como invejavam seus detratores. E para piorar – para eles, é claro -, você foi parceiro do companheiro Lula na luta pela redemocratização do Brasil. ão do Brasil.

Mesmo só com a adolescência biológica, já havia traçado o compromisso, com Bertolt Brecht, de não deixar seu “charuto apagar-se por causa da amargura”, mostrado na canção Não Leve Flores. Daí que sua obra, apesar de manter alguns elementos regionais, melhor dizendo, nordestinos, foi na “Selva das Cidades”, empurrado pelo teatrólogo da Exceção e a Regrar, que você fez movimentar sua arte como forma de afetar o corpus da urbe atomizada. Como você mesmo diz: “se não for para balançar o coreto, não adiante fazer arte”.

E balança. Belchior, você instituiu no país a música urbana inspirada e alocada no concreto das cidades como corpo da poesia concreta. Você verseja concretamente. A poesia concreta é seu território de práxis e poieses. “Vamos andar, pelas ruas de São Paulo, por entre os carros de São Paulo, meu amor vamos andar e passear. Vamos sair pela rua da consolação, dormir no parque em plena quarta-feira. Sonhar com o domingo em nosso coração. Meu amor, meu amor, meu: a eletricidade dessa cidade me dá vontade de gritar que apaixonado eu sou. Nesse cimento, o meu pensamento e meu sentimento espera o momento de fugir no disco voador. Meu amor, meu amor”, nada de sentimentalidade compassiva, do tipo Roberto Carlos, nesse Passeio do seu primeiro LP, Mote Glose, pela gravadora Chantecler, com a regência do talentoso músico pernambucano Marcus Vinícius, do PCBão, um disco profundamente experimental, onde salta livre a poesia concreta.

Dizem que você canta a liberdade, claro que é uma afirmação abstrata, já que a liberdade não se canta se vive, mas nos diga: nessa tão concreta e cruel realidade produzida pelo capitalismo paranoico com sua dogmática opressora, você é um “passarinho urbano”, ou um “Robô Goliardo” (Gargalhada geral)?

A ENTREVISTA

AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA – Começando pelo meio. O que é melhor? Viver, sonhar ou um canto?

Belchior (Sorrindo cúmplice) – “Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas sei também que qualquer canto é menor que a vida de qualquer pessoa”.

AE – Nesse momento em o Brasil encontra-se sob o cutelo de um perverso golpe contra a democracia, você tem alguma paixão?

B – “Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantado com uma nova invenção, eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão, pois vejo vir vindo no vento cheiro da nova estação”.

AE – Verdade? Maravilha! Belchior, você é uma cara que viveu as décadas de 60, 70, não teve adolescência no sentido ontologicamente-social, por força da ditadura, mesmo assim conseguiu construir uma das mais inquietantes estéticas do Brasil, todavia, muitas pessoas não conhecem essa obra. E entre essas pessoas têm os nazifascistas. Se por um acaso algumas dessas pessoas, como uma variável-política, perguntasse de você, por onde você andava nesse tempo, o que você responderia?

B (Pensativo) – “Amigo, eu me desesperava!”.

AE – Você tem estilo. Não estilo no conceito burguês, mas como diz o filósofo Deleuze, você cria em sua singularidade como ninguém poderia criar de forma igual. Por isso você faz corte no estado de coisa petrificado. Você libera potências. Como você responderia se alguém pedisse para você compor de outra forma?

B – “Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve correta, branca, suave, muito limpa, muito leve, sons palavras são navalhas, e eu não posso falar como convém sem querer ferir ninguém”.

AE (Vibrando) – Cacete! Esse cara é foda, moçada. Ainda nessa linha. Não precisa nem dizer, mas você tem Nietsche e Spinoza na veia: você é exaltação da “vida que ativa o pensamento e o pensamento que afirma a vida”. Até quando se encontra “mais angustiado que um goleiro na hora do gol”. A onda é essa: se um pessimista, um compassivo, uma baixa potência de agir, lhe dissesse que queria lhe ajudar, o que você diria para ele?

B (Gargalhando) – “Saia do meu caminho! Eu prefiro andar sozinho! Deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”.

AE (Explodindo de emoção) – Coisa de louco, moçada! “Você pode até dizer que eu estou por fora e que até estou inventando”, mas para o nosso entendimento, há uma confissão aí nesse “não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”. O sol nasce no Leste, até Galileu já sabia. E o Leste europeu tem Marx, mano. Não precisa responder.

B (Interferindo) – “É claro que eu quero o clarão da lua! É claro que eu quero o branco no preto! Preciso, precisamos da verdade nua e crua, mas não vou remendar vosso soneto. Batuco um canto concreto pra balançar o coreto…”.

AE (Tentando uns movimentos afros) – Grande saída, hein cara? Ok, baby! Diz uma coisa cara. Já viu que há muita gente pessimista diante do desgoverno golpista acreditando que ele será eterno. O que você diz para essa gente?

B – “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer meu amigo, que uma nova mudança, em breve vai acontecer”.

AE (Palmas) – É o devir-povo! Dando uma deslocada. O que você quer agora?

B (Sorrindo) – “Quero uma balada nova, falando de broto, de coisas assim: de money, de lua de ti e de mim, um cara tão sentimental…”.

AE – Você estudou medicina até o quarto ano, lógico que deve ter entrado em contato com algumas noções freudianas. Freud diz que é muito difícil uma geração se libertar da anterior. Há sempre fantasmas. Vendo o mundo como se encontra, qual a sua maior dor?

B – “Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

AE – Bel, aproveitando essa questão de continuar o mesmo, tem também aquela questão dos que posaram como revolucionários, e hoje são tremendos reaças, inclusive muitos operando como golpistas, como é o caso do senador do PSDB, Aloysio Nunes que foi motorista do Marighella. Você poderia descrever para nossos seguidores quem são esses simuladores e nos dizer quem são eles?

B (Dando uma boa baforada no cachimbo) – “Os filhos de Bob Dylan, clientes da Coca-Cola: os que fugimos da escola, voltamos todos pra casa. Um queria mandar brasa; outro ser pedra que rola… Daí o money entra em cena e arrasa e adeus caras bons de bola”.

AE – Esse cara vai na ferida dos caras, mas não confundir com “a ferida viva do meu coração”, não é? O quê? Ainda tem mais? Então, manda brasa.

B (Continuando) – “Donde estás los estudiantes? Os rapazes latino-americanos? Os aventureiros, os anarquistas, os artistas, os sem-destino, os rebeldes experimentadores, os benditos malditos – os renegados – os sonhadores? Esperávamos os alquimistas…  E lá vem os arrivistas, consumistas, mercadores. Minas, homens não há mais? Entre o céu e a terra não há mais que sex, drugs and rock ‘n’roll? Por que o adeus às armas? Não perguntes por quem os sinos sobram… Eles dobram por ti! O último a sair apague a luz azul do aeroporto. E ainda que mal pergunte: a saída será mesmo o aeroporto?”.

AE (Vibrando) – Loucura, moçada! O quê? Ainda tem mais? Manda brasa, arigó!

B – “Onde anda o tipo afoito que em 1-9-6-8 queria tomar o poder? Hoje, rei da vaselina, correu de carrão pra China, só toma mesmo aspirina e já não quer nem saber”.

AE –Loucura, loucura, loucura! Ainda agora você disse que “uma nova mudança vai acontecer”. Qual a forma para essa mudança?

B – “A única forma que pode ser nova é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar. Sempre desobedecer. Nunca reverenciar”.

AE – A noite tem para você um signo profundo?

B – “Anoite fria me ensinou a amar mais o meu dia. E, pela dor eu descobri o poder da alegria e a certeza de que tenho coisas novas pra dizer”.

AE – Você é nordestino, e como você sabe, há hoje no Brasil uma consciência nazifascista que discrimina violentamente o povo do Nordeste. Como você concebe esse comportamento genocida contra o Nordeste?

 B (Sorrindo) – “Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve! Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados! Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: conheço o meu lugar”.

AE – E o medo de avião?

B (Balançando a cabeça sorrindo) – “Agora ficou fácil. Todo mundo compreende aquele toque Beatles: – “I WANNA HOLD YOUR HAND!”.

AE – E aquela namorada e aquele teu melhor amigo?

B – “Minha namorada voltou para o norte, ficou quase louca e arranjou um emprego muito bom, meu melhor amigo foi atropelado voltando pra casa. Caso comum de trânsito”.

AE – Os filósofos Epicuro, Spinoza, Nietzsche dizem quase o mesmo sobre falar sobre a morte. É claro que ninguém pode falar sobre a morte, porque é a última experiência e a única que não se pode contar nada sobre ela. Eles dizem que falar sobre a morte enquanto se está vivo é imundo. Mas vamos conceder uma cortesia sobre esse tema. Como você cogita sua morte?

B (Sorrindo) – “Talvez eu morra jovem: alguma curva do caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”.

AE – Belchior você é uma cara corajoso. Sua obra e sua existência comprovam sua coragem. Mas nos responda: você tem Medo?

B – “Eu tenho medo. E medo anda por fora, medo anda por dentro do meu coração. Eu tenho medo em que chegue a hora em que eu precise entrar no avião. Eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão. Apertar o botão: cidade morta. Placa torta indicando a contramão”.

AE – O que você pode nos dizer sobre a sorte na vida?

B – “Coisa muito complicada o amigo tem ou não tem. Quem não tem sucesso ou grana tem que ter sorte bastante para escapar salvo e são das balas de quem lhe quer bem”.

AE – Temer, o golpista-mor junto com sua escória, vem desmontando as leis democráticas do país. Porém, ele tem, com ajuda da mídia capitalista também golpista, feito pronunciamentos como se tudo estivesse às mil maravilhas. Como você concebe o presente e estes pronunciamentos?

B – Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa!”.

AE – Você como pintor e desenhista pode nos apresentar um quadro da família-nuclear-burguesa-patriarcal?

B – “No centro da sala, diante da mesa no fundo do prato, comida e tristeza, a gente se olha se toca e se cala e se desentende no instante em que fala. Medo, medo, medo, medo. Cada um guarda mais o seu segredo a sua mão fechada, a sua boca aberta, o seu peito deserto, a sua mão parada, lacrada e selada e molhada de medo. Pai na cabeceira…”.

AE – Essa família lhe concedeu um prêmio no começo de 70, certo? Contam que na noite que você recebeu o prêmio os canas deram uma chegada em você, certo (Belchior sorrir)? Se alguém tentasse lhe obrigar a parar de cantar, o que você diria?

B – “E eu vos direi, no entanto”: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer Não! Eu canto”.

AE – O que você diz sobre a vida?

B (Com ar apaixonado) – “Eu escolhi a vida como minha namorada com quem vou brincar de amor a noite inteira. Vida, eu quero me queimar no teu fogo sincero. Espero que a aurora chegue logo. Vida, eu não aceito não a tua paz, porque meu coração é delinquente e juvenil, suicida, sensível demais. Vida, minha adolescente companheira, a vertigem, o abismo me atrai: é esta minha brincadeira”.

AE – Observando sua temporalidade ontológica como você concebe sua existência?

B (Pensativo) – “Até parece que foi ontem minha mocidade, meu diploma de sofrer de outra universidade, minha fala nordestina, quero esquecer o francês. E vou viver as novas que também são boas o amor/humor das praças cheias de pessoas, agora eu quero tudo, tudo outra vez”.   

AE (Afetados de alegria) – Chegado a esse platô, você gostaria de desejar algo às pessoas?

B (Muito contente) – “Quero desejar, antes do fim, pra mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais: que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais”.

AE – Belchior, nós trouxemos alguns instrumentos, você aceitaria terminar a entrevista cantando uma de suas músicas que tocam diretamente ao momento atual do golpe que estanca o Brasil. Como somos seus fãs de carteirinhas, nós até poderíamos fazer o backing vocal. Mote e Glosa? Vamos nessa! Aí, moçada, acessante do Afinsophia e Esquizofia, um abração e beijos. Logo, logo estaremos novamente com Belchior “balançando o coreto”. Não é. Belchior (Ele balança a cabeça gargalhando)?

“é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

passarim no ninho

(tudo envelheceu)

cobra no buraco

(palavra morreu)

você que é muito vivo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

                            novo

                            novo

                            novo

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é”.

Obs: Embora Belchior tenha musicalizado várias letras de outros companheiros seus,  como por exemplo, Jorge Melo, Fausto Nilo, Francisco Casaverde, Gracco, até com o reacionário coxinha Fagner, entretanto, a maioria das letras aqui expostas são de sua autoria.

SATSIPLOG

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No Brasil, 54.501.118 brasileiros nunca serão acusados de golpistas. Fora esses, muitos outros eleitores dos mais diversos partidos políticos também não são golpistas. Mais os 15% que votaram no Aécio esses são golpistas. Falamos nesses 15% porque o presidente do IBOPE, Augusto Montenegro falou o que até as pedras que não rolam por isso criam limo já sabiam. Aécio não tinha os 44% por cento que as pesquisas apontavam. Os números além desses 15% era de antipetistas.

Serão sempre golpistas todos os deputados que votaram e admitiram a continuidade do golpe no Senado. São golpistas todos os senadores que votaram a favor do golpe da presidenta Dilma. São golpistas todos os órgãos do poder judiciário, lenientes, passivos por compor com o golpe, por isso não se pode esperar nada deles para por fim ao medonho que vivemos.

A operação Lava Jato contribuiu muito para o Golpe. Ajudou. Divulgou conversa da presidenta Dilma com o ex-presidente Lula. E nas hostes dessa operação se está a ver um juiz que atua como juiz, acusador e lobista contra a corrupção e defesa da lei sobre abuso de autoridade. Defende interesses norte americanos.

Não podemos esperar nada do STF. Este supremo não tem saída nenhuma honrosa. Teria se seus ministros não fossem acovardados. Mais eles não são acovardados. Ser acovardado é você se sentir impotente, impossibilitado de fazer algo, o que não é o caso desse ministros. Eles participaram do golpe e por isso não podiam ser contra. Por isso não há como ter uma saída honrosa. A única saída honrosa só quem pode tomar é o povo. O povo é soberano. O povo produz a democracia. Só o povo tem honra. Como o STF vai ter honra se Gilmar Mendes aconselha advogados do golpista Temer para separar o degenerado da presidenta eleita. Nem terminou o mandato dos dois ministros do STF e já há como certa indicação pelo golpista de novo ministro.

Enquanto isso, temos um país com mais de 13 milhões de desempregados. Ataque direto contra os direitos dos trabalhadores e do povo. Emendas Constitucionais que atingem diretamente a previdência social, a CLT e a terceirização.

A ponte para o futuro dos golpistas está construindo uma viagem com volta. E será uma volta que a “cutia vai assoviar”.

Assoviar para Moro que condena Eduardo Cunha onde na sentença faz comentários de como deve proceder um deputado. Eduardo Cunha é um ser abjeto, foi o politicofastro que atendendo interesses de empresários, da mídia, banqueiros, deputados e senadores iniciou o golpe contra a presidenta Dilma a mando do Aécio e de Temer. Mas não concordamos com a sua sentença contra o Caranguejo. Ele adota essa sentença para dizer que é imparcial. Prende deputado do PMDB, PP, PT. Há mais deputados de outros partidos do que do PT como já disse o Xarope. Sim, mas porque não prende também Aécio, Serra, Alckmin, Agripino, Renan, Jucá, Padilha, Moreira Franco, Gedel, e os demais ministros citados nas delações das empreiteiras?

Golpistas, o dia 1º de Maio está chegando assim como o dia 3. Apoiamos a sugestão do presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa, de fazer uma grande manifestação no dia 1º,  permanecer em Curitiba até o dia 3 e acompanhar o Lula, cercá-lo e não deixar ninguém tocá-lo. Vai ser a maior proteção que um homem querido, amado por seu povo vai receber nesse dia. Televisões, rádios e as mais variadas mídias farão uma cobertura que nunca se fez em parte alguma. Esse depoimento de Lula será um divisor de água. A partir daí os golpistas vão ver que não pisaram na cabeça da jararaca. A jararaca vai pra cima e vai iniciar a caminhada solo, porque pode vir Dória, Hulk, Bolsonaro, Marina, Ciro Gomes, Serra, Aécio, FHC que não tem páreo para o retirante que emigrou de Garanhuns. Do seu lado estarão os não golpistas, as pessoas inteligentes que só pelo fato de estar construindo novas formas de ver, ouvir, sentir estão usando sua inteligência para a construção da democracia contra os aberrantes Golpistas.

O HOMEM QUE MATOU LULA

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                                           Em memória de Dona Marisa Letícia

Imagino que começou assim. Eu deveria ter 4 ou 5 anos quando passando por uma rua com minha mãe vi um cachorro morto na sarjeta. Pela primeira vez minha atenção se fixou em um animal morto. Já havia visto outros, mas nunca minha atenção havia se fixado em um animal morto com tal grau de intensidade. E foi essa visão intensiva que me trouxe, também pela primeira vez, o questionamento sobre a morte.

Durante todo o trajeto de volta para casa, minha consciência era o cachorro morto. Não o cachorro morto em si, jogado na sarjeta, mas o sentido da morte emergido dele. O sentido impalpável, diferente de seu corpo na rua. Não era o cachorro, era um muito além que eu não sabia responder para mim.

Já em casa perguntei à minha mãe o que era a morte. Ela respondeu que era o fim da vida. O momento em que Deus termina a sua obra em relação ao que antes era vivente. Completando com a afirmação de que tudo que nasce morre. Minha mãe imaginando que minha pergunta se tratava de uma preocupação pessoal, procurou me confortar afirmando que eu não deveria me preocupar com a morte, porque eu era uma criança e ainda tinha muita vida para viver.

As afirmações de minha mãe foram boas para ela, na medida em que lhe confirmavam ser ela uma pessoa que acreditava ter preocupação com o filho. Todavia, para mim não acrescentaram nada a minha inquietação. Eu não era uma criança gênio, mas já havia experimentado os nascimentos e as mortes de dois gatinhos que um amiguinho tinha. Eles nasceram e viveram somente dois meses. O que minha mãe me dissera só afirmou o que antes eu havia vivenciado: a morte fora de mim.

Foi quando eu estava com 6 anos que a minha inquietação dirigida à morte com seus corpos físicos e metafísicos se dissiparam e em mim se revelou o que me conduziu durante a maior parte de minha existência: o impulso para matar. Foi exatamente no grupo escolar que senti friamente esse impulso. Havia na sala que eu frequentava um garoto valentão que metia medo nos outros colegas, principalmente nos mais fracos. Uma manhã, na hora do recreio, o vi batendo covardemente em um garotinho de uma série abaixo da que era eu aluno. Fui tomado por um afeto intenso que me causou medo. Aliás, foi o primeiro medo que tive.

Como se não fosse mais eu, peguei o valentão, que era muito maior que eu, libertei o garotinho de seus braços afastando-o para distante, e com força o joguei o valentão no chão. Ele se apavorou e revelou seu medo diante de mim. Hoje, depois de meus estudos filosóficos, entendi o que Sartre escreveu sobre a consciência empastada, coagulada, a consciência do sujeito tornado objeto pelo olhar do outro. Era essa a consciência do valentão: uma consciência que perdeu a liberdade. Pura facticidade.

Esse impulso, que me conduziu durante a maior parte de minha existência, não era o que alguns etologistas, como Konrad Lorenz chamam de instinto. E que foi aproveitado por Freud para desenvolver sua teoria tanática. Ou a luta de Eros e Morte, expressada também nos seus dois princípios: princípio do prazer e princípio de realidade. Ou ainda, a teoria da libido. Era impulso puro de querer matar que não era uma tensão que procura um alvo qualquer para descarregar e voltar a se energizar para outro ato homicida. Nada de estado compulsivo psicopata.

Com passar do tempo, ao entrar na adolescência, se afirmou mais o impulso. Então, com ele, procurei estudar autores que tratassem desse tema. Foi quando entrei em contato com a psicanálise que me levou logo ao berço de Édipo. O menino deseja a mãe, mas teme seu pai que é o senhor da mãe. Diante do temor ele toma o pai como rival, e como rival ele fantasia matá-lo para ficar com a mãe. É nesse momento que eclode no menino o medo de ser castrado pelo pai. O que Freud chama de complexo de castração. Foi também nessa fase que consegui comprar uma pistola alemã.

Foi então que comecei a me questionar: será que esse impulso tem um alvo específico e esse alvo é meu pai? Será que eu, como Édipo, devo matá-lo para me tornar livre e ser uma pessoa autônoma e viver minha existência em concreta liberdade? Compreendi que não era meu pai que deveria matar. Eu gosto muito dele e ele de mim. É um gosto recíproco que foi criado pela respeitabilidade que cada um tem pelo outro. Uma respeitabilidade distribuída nas relações com outras pessoas. Sim, não era meu pai que eu queria matar.

Cada percurso que eu ultrapassava mais se intensificava o impulso para matar. Depois que casei, terminei o curso superior, mestrado, doutorado e pós-doutorado, me fixei em um emprego que muito me gratifica, e tive os meus dois amores, duas meninas maravilhosas, em nenhum momento concebi que o impulso iria diminuir, porque já entenderá que o que ocorria comigo não estava nos signos que Sartre chama de realidade humana. E muito menos em um mundo teologicamente- metafísico.

Pois foi quando estudei Marx e compreendi com ele que o homem é ele, o Estado, a sociedade e o mundo, e encadeie essa concepção transmundana com o dizer de Nietzsche Ecce Homo, que concebi que quem eu deveria matar tinha que ser essa singularidade, no sentido que trata o filósofo Michel Serres.

Um dia me perguntei se não estava me equivocando acreditando que o impulso era para um homem. Será que, em verdade, quem eu deveria matar era uma mulher? Fiz o entendimento de minha relação com minha mãe e não concebi qualquer signo que indicasse ser ela. Nenhuma relação mística mariana. Nunca odiei qualquer mulher como nunca odiei qualquer homem, assim como jamais tive ciúme. O ódio é o pai da inveja e nunca tive inveja de ninguém. Muito antes de estudar o anti-psiquiatra sul-africano David Cooper que afirma que a inveja é querer ser o outro, e o ciúme querer ter o outro, eu já era assim.

Essa modalidade de existência me fez crer que o impulso de matar que procurava não era provocado por esses sentimentos expressos como sintomas de uma cruel repressão. Essa compreensão piorou meu estado, posto que os homens se destroem impulsionados por essas paixões tristes, como afirma o filósofo Spinoza.

Todavia, mesmo sabendo que o impulso para matar não era agenciado por essas paixões tristes, procurei observar homens considerados como importantes no Brasil. Quem sabe eu estivesse errado e algum deles fosse, na verdade, o que daria um fim ao meu impulso assassino com sua morte. Então, uma noite deitado no sofá da sala, liguei a TV sem qualquer interesse nas imagens exibidas, comecei a lembrar desses homens. Lembrei-me de Fernando Henrique, não presenciei qualquer singularidade. Moro, idem, também nenhuma singularidade que me impulsionasse a mata-lo. Dallagnol, idem, idem. Os ministros e ministras do Supremo Tribunal Federal (STF), também não. Rodrigo Janot, nada. Os irmãos Marinhos, nada de importante. Jornalistas da imprensa tida como dominante, também nada. Empresários, o mesmo. Temer, Serra, Aécio, Jucá, Renan, Sarney, Alckmin, Alexandre Moraes, Arthur Neto, Eduardo Braga, Omar Azi, Pauderney, Moreira Franco, Padilha, Geddel, todos os que participaram sem que nenhum me afetasse.

No transcurso desse desfile imagético, minha filha menor, chegou perto de mim me admoestando perguntando como eu tinha coragem e dignidade de ainda ligar em TV que fala contra Lula. Prestei atenção na TV e vi que era mais uma reportagem acusando Lula. Os milhões de pontinhos coloridos das imagens e o som metálico se fundiram em minha mente e um frêmito imperioso tomou conta de meu corpo e minha alma. Uma força envolvente me dominou. Fiquei parado não sei quanto tempo e ouvindo muito distante minha filha dizer que era Lula e ia desligar a televisão. Aos poucos fui adormecendo.

Meu sono foi continuamente conturbado com imagens e pessoas que não conseguia identificar. Foi aí que fui tomado de total surpresa. Acordei dominado por uma intensa alegria dizendo para mim que era Lula o homem que deveria matar. A certeza era tamanha que rapidamente fiz buscas sobre o endereço de Lula, e me certifiquei se ele estaria lá onde morava. Comprei a passagem e fui para São Bernardo. Hospedei-me em um pequeno hotel, e às dez horas em ponto estava na frente do prédio onde Lula.

Pensei entrar no prédio e ir logo ao encontro de Lula e acabar com o impulso assassino. Não precisou porque chegaram alguns trabalhadores e Lula apareceu na frente do prédio de bermudas, camisa da CUT e tênis. Foi chegando e sendo abraçados pelos trabalhadores que disputavam sua atenção. Com a mão no bolso esquerdo da calça, fiquei segurando a pistola. Não sei quanto tempo passou, mas fiquei paralisado quando vi Lula. Paralisia geral com sensação intensiva de deslocamento e quebra espacial-temporal. Síncope ontológica, diria Sartre.

O meu lugar, meu passado, os meus arredores, meus amigos, meus objetos, minhas ideias, minha morte, tudo como situação expressa pela liberdade e facticidade, o Para-si que se ultrapassa rumo ao ser do Em-si, como diz Sartre, tudo se dissipara. Não posso afirmar que fui nadificado, porque vivenciei minha volta ao Estar-no-Mundo. No mundo com Lula.

Voltei ouvindo Lula me chamar de companheiro pedindo que eu me aproximasse dos trabalhadores. Ele me abraçou e perguntou se eu era chegada a uma pinga, eu sou, mas não respondi. Ele lhe pegou pelo braço esquerdo e pediu que eu entrasse. Já na sala, olhei as paredes com fotos de dona Marisa Letícia. Ele me viu olhando as fotos e disse em um profundo suspiro, minha grande estrela companheira. Tomei um trago da melhor pinga que já provara, conversei com os trabalhadores, e quando já começava a noitecer, me despedi, e disse que tinha que ir para uma reunião em outro lugar. Lula me abraçou e me aconselhou para que eu tivesse cuidado.

Na rua, me senti como se tivesse pela primeira vez existindo. Tudo era tão claro e distinto. Tudo tão compreensivo e aconchegante, tão sublime. Era isso que eu procurava: o sublime. Meu impulso não era para matar um homem, mas encontrar um homem que me auxiliasse a matar, em mim, o homem-dogmaticamente paranoico que me impedia de existir autenticamente. E só Lula poderia realizar essa transmutação. O sublime-Lula era o movimento real, de Marx, a vontade de Potência, de Nietsche, o conatus, de Spinoza, o Devir-Povo. O corpo constituinte da democracia.

O júbilo! Lembrei-me do filósofo Clèment Rosset, com seu entendimento de júbilo como alegria a força maior. Era o que vivenciava. Jubilosamente dei um pulo sobre um bueiro e a pistola saltou de meu bolso caindo no bueiro disparando um tiro. Um grupo de jovens, ao ouvir o estampido, bradou eufórica, gol do Corinthians!

 

E POR FALAR EM SAUDADE, O FILÓSOFO SPINOZA ENCONTROU GONZAGUINHA E DISSE: OLHA MOLEQUE GONZAGUINHA, VOCÊ NÃO PODE VIVER LULA, POR ISSO SUA SAUDADE É DAQUILO QUE NÃO VIVEU

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      Gonzaguinha é uma das maiores expressões da potência política que viveu os tempos brutos da ditadura. Não temeu. Teve várias de suas músicas censuradas e shows cancelados por força da opressão. Foi uma voz importante na luta pelas Diretas Já!. Esteve lado a lado com Lula nos grandes comícios que movimentaram o Brasil para reconstrução da democracia no país.

      Alguns falsos críticos, lambaios do imperialismo capitalista comandado pelos Estados Unidos, afirmavam que ele era um compositor de canções deprimentes. Eles tinham razão: como lambaios o Brasil estava maravilha. Tudo como qualquer capacho adora e defende. Mas o moleque Gonzaguinha não estava nem aí. Estava aqui, onde o mundo processa liberdade. Sua arte era a vanguarda unívoca: para todos. Sem qualquer distinção. A arte necessária para o esclarecimento e a aproximação das pessoas dignificadas.

        Entre suas centenas de músicas, Gonzaguinha compôs uma que fala de saudade. Não a saudade depressiva, tipo Roberto Carlos e éramos todos mortos que sustenta psicanalista confortador para a subjetividade do capital. Mas a saudade revolucionária. Simples Saudade. Só quatro versos da letra integral logo abaixo. “A saudade que eu sinto não é a saudade da dor de chorar. Não é a saudade da cor do passado… É a estranha saudade do que ainda não vivi… Que acredita nas pessoas e no futuro. Que seja fruto da força imensa de nossos corações””. Gonzaguinha morreu em 29 de abril de 1991, aos 45, portanto não conheceu os governos populares de Lula, seu companheiro.

      O filósofo do aumento da potência de agir, o holandês Spinoza, encontrou o moleque Gonzaguinha e lhe disse: A saudade é um afeto alegre que aumenta a potência de agir quando ela é uma ideia de uma vivência boa. A saudade que o povo brasileiro tem de Lula é a ideia alegre da vivência boa que ele teve nos governos populares de Lula. É a vivência de quem “acredita nas pessoas e no futuro”, como “fruto da força imensa de nossos corações”, como você afirma, moleque Gonzaguinha.

        Hoje, quando o povo afirma que tem saudade de Lula, ele confirma seu sentido de “saudade” ainda não vivida. Ele afirma você Gonzaguinha. Você também teria, hoje, saudade da vivência que o povo teve nos governos populares de Lula e Dilma. Como nós não podemos voltar ao passado, mesmo quando ele foi bom, nos resta fazer o que todo democrata deve fazer: produzir, através de nossas potências políticas de cidadão, a democracia, porque nenhuma tirania suporta a liberdade e a criatividade democrática.

       Agora, a saudade vai se tornar realidade pulsante como novas vivências boas que aumentam a potência de agir e nos fazem alegres. Assim, a saudade que o povo tem de Lula é ato revolucionário que vai mudar o estado de coisa aberrante implantado pelos golpistas. Golpistas que nenhum brasileiro democrata sentirá saudade.

A saudade que eu sinto
Não é saudade da dor de chorar
Não é saudade da cor do passado
Que deixa grudado o meu pé nesse chão
Não é a tristeza que queima o peito
Não é lamentar o que nunca foi feito
Não é a doença que acaba com a gente
Deixando esmagada a vida no chão

É a estranha saudade do que ainda não vivi
É a raça e o sangue de um simples moleque
Que leva na ponta da língua a todos os cantos
O sal e o doce da palma da mão

É a garra e a alegria de um simples menino
Que acredita nas pessoas e no futuro
Que seja fruto da força imensa de nossos corações

        Assista o vídeo Saudade do Meu Ex Presidente Lula, na ginga da cantora Marília Mendonça.

SÓ DUAS DE MORAES PARA ABRIR O APETITE. ‘MORAES’ NA JOGADA?

Alexandre-de-Moraes

O indicado pelo golpista-mor Temer, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Teori Zazacski, ex-relator da Lava Jato, o outro golpista do PSDB, Alexandre de Moraes foi denunciado e debochado em público por ter plagiado o trabalho intelectual do espanhol jurista Francisco Rubio LLorente.

Ao saber que Moraes fora indicado ao cargo da Corte, e foi tornado público o plágio, sua esposa, a filóloga Felicia de Casas, considerou o ato “condenável”. O cortado de maconha copiou trechos inteiros do livro do jurista espanhol escrito no ano de 1995. O livro do plagiador saiu em 1997.

“Não apenas por se tratar de meu marido, mas também por ter sido eu mesmo uma professora universitária, isso me parece condenável por razões éticas”, analisou a viúva do jurista.

Por sua vez, o professor José Luiz Rodrigues Álvarez, colaborador do original falou sobre o tempo e a dificuldade para a elaboração do livro, e contestou severamente a cópia. Não esquecer, não foi simplesmente plágio, foi cópia de trechos inteiros.

Não havia base de dados ou mecanismos de busca. Era um esforço manual feito com meios rudimentares. É criticável não tanto pelos direitos autorais, mas por ter usado nosso trabalho de sistematização”, observou Rodrigues Álvarez.

Basicamente duas carências de princípios levam alguém a recorrer ao plágio científico. A carência ética, e carência epistemológica. Ambas são impulsionadas pela vaidade em se querer ser reconhecido pela comunidade dita intelectual. Local que proliferam plagiadores.

Não esquecer, plágio ou copiar criações alheias é corrupção. Corrupção não é só se apropriar do dinheiro público. O filósofo Nietzsche afirma que corrupto é alguém que teve seu espírito ou instinto degenerado.

A outra que abre o apetite vem de Beto Melo escrita especialmente para Os Jornalistas Livres.

“No mundo intelectual e acadêmico, não há crime pior do que plagiar. É o equivalente a latrocínio ou estupro no direito criminal: crime hediondo. A pena é capital: o sujeito perde o título, o emprego e a reputação, com todas as desonras possíveis. Se for catedrático, perde a cadeira e não tem mais onde sentar.

Muito bem. Os Jornalistas Livres nos brindou com essa delícia: o ministro Alexandre de Moraes, prestes a assumir uma vaga no Supremo, não passa de um máquina de xerox intelectual.

É uma delícia porque virou uma “verdade alternativa” dizer o seguinte: “O cara é um mau secretário, um péssimo ministro, um político horrendo, MAS… é um constitucionalista de primeira! Um jurista espetacular! Um grande professor!”

Essa última máscara caiu por terra com a descoberta de que o sujeito plagiou o jurista espanhol Rubio Llorente pelo menos em três trechos em seu livro “Direitos Humanos Fundamentais” (Moraes esqueceu de acrescentar o direito fundamental de plagiar, mas deixa para lá).

Como o criminoso sempre volta ao local do crime, o fato é que os mesmos trechos também aparecem em outro livro de Moraes: “Direito Constitucional”, que já está na 32a. edição (a primeira foi em 1996; custa R$ 188,09 nas melhores livrarias). São os mesmos trechos, as mesmas palavras, a mesma ausência de aspas.

Para ser membro do Supremo, há poucas exigências. Duas delas são ter notável saber jurídico e reputação ilibada. Plagiar derruba as duas numa tacada só..

Aqui, neste link, você pode conferir a “obra” de Alexandre de Moraes”.

 

ENUNCIAÇÕES DOS FILÓSOFOS DELEUZE, GUATTARI E SARTRE PARA COMPREENDER O OLHAR DO CÚMPLICE DE TEMER, ALEXANDRE DE MORAES

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As relações entre homens e mulheres se materializam primeiramente através da fenomenologia do corpo. O corpo à distância, já que o homem é um ser das distâncias, como bem disse o filósofo Nietzsche. Eu vejo alguém que passa na calçada em uma perspectiva de corpo inteiro. É esse ser fenomenológico do outro que determina minha consciência como reflexão de que alguém é observado por mim. Se me aproximo desse outro, e então percebo seu rosto, tenho o ser do fenômeno de seu rosto. Aí, posso estabelecer compreensões sobre esse outro. 

      O senso comum carrega sua psicologia de interpretação dos traços dos rostos das pessoas acreditando no que ele encontra as pessoas inteiras expressadas em cada rosto. “Tem um rosto bom. Tem rosto de ladrão. Tem rosto de psicopata”.  Na verdade, não passa de projeção do interpretador sobre o outro. Não há aí nem um indicador filosófico, mas tão somente linguagem resultante do processo de seleção, classificação e hierarquização que o interpretador foi submetido pela voz de comando do poder dominante. Classificar tipos é o que o poder dominante quer para se manter protegido.

     Como o desgoverno golpista oferece um rico leque de personagens que servem a estudos para além dos sociológicos, que leva muitos articulistas, juristas, intelectuais, sindicalistas, estudantes, a sociedade civil, em suas nuances democráticas, a se dedicarem aos entendimentos e opiniões, hoje, o personagem mais em evidência para estudos é o indicado de Temer para o Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

     Apenas como breve contribuição para esses estudos, nós apresentamos duas enunciações dos filósofos Deleuze e Guattari e Sartre para a compreensão dos rostos e do olhar do indicado de Temer.

      Os filósofos Deleuze e Guattari, no 3 Volume da obra Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia, afiram que o homem nasce com cabeça, mas sem rosto. O rosto é uma produção. “O rosto não é um involucro exterior que fala, que pensa ou que sente”. O rosto é um sistema muro-branco-buraco negro, onde são inscrito uma semiótica significante e uma subjetivação. A rostidade. O muro do significante e o buraco-negro da subjetivação.

    Os dois filósofos resume assim o conceitos de rostidade: “Os rostos concretos de uma máquina abstrata de rostidade, que irá produzi-los ao mesmo tempo que der ao significante seu muro branco, à subjetividade seu buraco negro”. Os dois filósofos afirmam que não há nada a explicar e interpretar, mas sabe-se que a máquina abstrata produz rostidade paranoica como o rosto-significante-subjetividade-capitalista.  Entretanto, todo rosto pode ser destruído para fazer surgir outro. Possivelmente a rostidade revolucionária.

       A enunciação do filósofo Sartre é endereçada a fenomenologia do olhar que é desenvolvida em sua obra O Ser e O Nada. Para Sartre a questão não são os olhos, mas o olhar. Como toda pessoa é liberdade, todo olhar é um olhar que se quer transcendência-transcendida. Ou seja, todo olhar como liberdade transcendência-transcendida propende a coagular, empastar o olhar-liberdade do outro.

     Em outro entendimento. Eu sou surpreendido por alguém me olhando. Pronto! Volatizou minha liberdade. Agora sou objeto posicionado do olhar do outro. Poderia até se dizer que vivencio um instante de nadificação do meu Para-si. Sou um imobilizado Em-si. Impotente diante desse olhar que me coloca no “olho do mundo”. É semelhante à vergonha que vivencio quando estou atento a olhar uma situação que tomo como proibida e sou surpreendido com alguém me olhando. Deixo de ser sujeito do olhar para me tornar objeto do olhar do outro que com seu olhar mantém sua liberdade, enquanto eu perco a minha como objeto dele. A conhecida sangria existencial.

      Deleuze e Guattari não aceitaram a fenomenologia do olhar apresentada por Sartre, e também a teoria do olhar apresentada por Lacan que foi extraída de Sartre. Todavia, para o propósito desse texto tanto o conceito de produção de rostidade de Deleuze e Guattari e a fenomenologia do olhar de Sartre servem para o nosso propósito.

       No caso do cúmplice de Temer, Alexandre de Moraes, trata-se de se observar sua rostidade como significante de uma semiótica voz de comando em que as inscrições codificadas ficam bem visíveis e concretizadas por força de suas condutas. E observar no rosto, espaços que ainda não foram fixadas inscrições tanto da linguagem significante a da subjetivação. Claro que as análises da psicologia dos tipos não chegam a esse agenciamento das máquinas abstratas produtoras de rostidade, porque se resumem a relação objetiva de comportamentos.

       Já a fenomenologia do olhar de Sartre endereça ao olhar-sujeito como liberdade transcendência-transcendida sobre a liberdade do personagem que em um momento de sua existência foi surpreendido pelo olhar que empastou sua liberdade impossibilitando sua transcendência-transcendida, vocação do Para-si. O sujeito-olhar determinou nele a situação de objeto-olhado empastado. Um olhar inquiridor, reprovador, punitivo, judicativo lhe imprimiu um olhar-culpa, olhar-medo, olhar-desconfiança, olhar-defensivo.

       Como as pessoas de seu círculo estão mais preocupadas com suas atuações-egoícas não percebem seu olhar. E também, seu olhar-culpado é deslocado do olhar dos outros por suas performances tidas por alguns como desajeitadas que leva os analistas políticos, jurídicos, e outros, o classificarem como um ministro sem os elementos essenciais para ocupar o cargo no STF. Mas é preciso entender que suas performances são suas defesas para ocultar a força do olhar que lhe imobilizou para que ele não se veja descoberto sem a liberdade ontológica que ficou presa no olhar do outro que para si foi seu primeiro olhar-original no mundo. O olhar que colocou no mundo. Um mundo ameaçador. Uma demonstração existencial: seu autoritarismo. Trata-se de defesa contra o olhar-medo.

      Se tomarmos Deleuze, Guattari e Sartre como fundamentação para aproximação com os outros, fica fácil de entender que Lula e Dilma falharam nas escolhas dos ministros para o STF, porque não levaram em conta a rostidade e a fenomenologia do olhar.

       Atenção, Lula, em 2018! A questão não é o rosto, é a rostidade. A questão não são os olhos, mas o olhar.  

UMA IMAGEM ONDE O ESPÍRITO COLETIVO SE REVELA UNO: NÃO HÁ QUALQUER CONTRASTE NOS AFETOS-FACES

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 O filosofo Nietzsche diz que a dissonância é que produz a alegria. É certo, mas só onde a vida não passa. Onde a vida não passa, porque encontra-se obliterada pela força do niilismo, é necessário a dissonância para romper a força que impede da vida passar. Como diz Van Gogh: Limar pacientemente esse muro para brotar a vida.

   Mas onde a vida passa como potência criativa. Como devir dionisíaco, a dissonância já não se faz necessária. A democracia como substância movimento real (Spinoza/Marx) é a potência una da coletividade. Quando a democracia é apenas um lecton, palavra sem significado, como afirmam os estoicos, o uno coletivo não pode se mostrar em potência política. 

   Há várias formas da democracia substância movimento real se revelar. Uma delas é na produção coletiva de formas ontológicas de existir como práxis e poiesis do bem comum. O pletos democrático que, com sua potência intensiva, cria novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. É como potência democracia substância real que cada pessoa se encontra em relação de totalização, totalidade e retotalização no uno revelador.

   A burguesia não pode vivenciar o uno revelador, porque é molar e voraz. A burguesia é somente classe em função de seu corpo maior que é o lucro, mas individualmente seus membros se odeiam. Em função da ambição-ódio não podem experimentar afetos superiores coletivamente humanizados. O que levaria a revelação una. Vejam uma foto dos golpistas. Esse o fundamento-prisão que impede a burguesia expressar uma imagem onde o espírito coletivo se revela uno sem qualquer dissonância apresentada na imagem.

  Essa foto-imagem-tempo-movimento é arte fotográfica que sensivelmente capta o além da corporiedade da imagem, afirmaria o filósofo Baudrillard, um estudioso e praticante da fotografia. O filósofo da fotosofia. Por mais que algum imbecil queira, não há pose nessa foto. O que há é a composição espiritual do olhar-Marisa em cada personagem-impessoalizado e o olhar da câmera-filosófica revelado pela luz. Luz é espírito-moventemente poiético. Desde Platão se sabia que a fotografia é a arte da descrição da luz. Apesar de ainda não haver a máquina fotográfica. Que aliás, foi o fundamento-essensial ou ideal, tratando-se de Platão, da criação da câmera fotográfica.

   Para visualizar a imagem-reveladora do uno coletivo basta apenas um piscar de olhos.

    Lembrete: quem se encontra capturado pelas imagens corrompidas/corrompidoras como da Rede Globo e Cia, não vai vivenciar o deslocamento da perspectiva do olhar, porque seus olhos são para as regiões sombrias, onde não há luz espírito-revelador. São olhos sem Ser-Revelação. São olhos para nada a vê ou a ver.

DONA MARISA LETÍCIA AMOR NECESSÁRIO DE LULA E COMPANHEIRA DA DEMOCRACIA

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Sartre, em uma das muitas entrevistas que concedeu, um jornalista perguntou ao filósofo da liberdade, o mais militante e comprometido com as causas das lutas pela vida digna, junto a Marx, a razão do amor tão intenso com Simone de Beauvoir. Sartre sorriu e respondeu: “Há amores necessários e amores contingentes”. Os amores necessários são os que dignificam a existência. E a existência só é dignificada quando homens e mulheres descobrem que não são meras facticidades, opacidades, mas projetos ontológicos que os tornam autores comprometidos com suas escolhas como causas humanas.

      O amor necessário não é uma quimera, onde não há existência e nem essência, como afirma o filósofo Spinoza. Onde não há existência e nem essência não pode haver compreensibilidade. Não se pode perceber e nem se pode conceber. O amor necessário é uma produção contínua como espiritualidade comunalidade. Ele não se encontra nem em mim e nem no outro formado como um Em-si. Ele é móbil e vontade impulsionados como transcendência-transcendida no mundo como criação. O amor necessário é fundação singular da práxis e poieses como companheiro. A companhia que todos os amigos necessitam nos seus percursos históricos.

     Dizem que por trás de um grande homem há uma grande mulher. Afirmação reducionista discricionariamente tola. Nem por trás de um grande há uma grande mulher e nem atrás de uma grande mulher há um grande homem. No sentido da liberdade ontológica, tanto a mulher como o homem são grandes. São grandes porque atingiram a dimensão superior do espírito da amizade, o que os torna a potência contínua da singularidade e originalidade da existência. O compromisso simpático e empático como intimidade humana. O pessoal como humanidade.

    O filósofo Spinoza afirma que o amor é uma ideia boa que aumenta a potência de agir. Um afeto-alegria causa de si mesmo. Daí sai o sentido de democracia-constituinte. O filósofo Holandês é um dos que mostra o amor como produção de si mesmo, e não consequência compensatória, como ocorre o chamado amor burguês cuja relação é uma forma de compensação financeira ou psicológica. Daí porque na classe burguesa não há amor necessário, só contingente. Embora essa classe teime em afirmar que seu cônjuge é necessário. Na verdade, não passam de casais que “transbordaram”, como afirma o filósofo Deleuze. Os casais que se suportam. É por causa dessa relação inautêntica que eles odeiam os casais necessários.

      O filósofo italiano ToniNegri, diz que “o amor não pode ser algo que se fecha no casal ou na família. Deve construir comunidades mais vastas. Deve criar caso acaso comunidades de saberes e desejos. Deve torna-se construtor do outra. Creio que o amor é a chave essencial para transformar o próprio no comum”. Esse o amor de Marisa Letícia e Lula. O casal burguês jamais poderá dimensionar esse amor companheiro Marisa Letícia e Lula. Na verdade, um casal burguês nem casal é. Daí a inveja, ódio e sede de vingança contra Marisa Letícia e Lula.       img030

    Spinoza chama de occurso, o encontro. Não o encontro qualquer numérico, espacial, temporal cujo conteúdo é o já determinado, o estado de coisa imóvel, mas a composição de bons afetos que aumentam as potências de agir dos que compuseram o encontro. Foi assim com Lula e Marisa, Sartre e Simone Beauvoir e Marx e Jenny. Todos, singularidades-originalidades humaniora. Humanidade. Todos compostos como necessidade humana. Certo, outros inúmeros casais compuseram e compõem os amores necessários. Se assim, não fosse nós não poderíamos nos tomar humanizados e as aberrações já teriam explodido o planeta errante, como nos diz o filósofo grego Costas Axelos.

    É nesse quadro-móvel-mutante que encontramos Marisa Letícia: nossa companheira. Nossa companheira cujo espírito não é uma entidade mistificada que só imobiliza tornando seus crentes, vítimas importantes para os opressores continuarem com suas taras alimentadas pela dor. Não. Nossa companheira cujo espírito produtivo e criativo modula nossos cantos libertários e age como tecelã da cartografia de desejos-comunitários necessários para criação de uma ontologia-democrática da EXISTÊNCIA ORIGINAL, porque afinal de contas, o homem (macho) e a mulher (fêmea) estão no mundo como liberdade de escolha para uma existência feliz.

      Uma liberdade que possa exclamar com o filósofo Nietzsche que “a vida ativa o pensamento e o pensamento afirma a vida”. Nada do que os burgueses-golpistas podem vivenciar. Por isso, soam como impropérios os votos de condolências e pêsames dos burgueses-golpistas. Eles não sabem quem é essa mulher Marisa Letícia. Essa mulher amor necessário de Lula e companheira do Brasil.

      Quando dos funerais de sua grande mulher Jenny, o grande homem Marx, escreveu par sua filha Jenny que não queria pompas. “Não damos importância às aparências”. E continuou: “Mesmo nas horas finais – sem luta com a morte, afundando devagar no sono – seus olhos eram maiores, mais bonitos e brilhantes que nunca”.

     Os amores necessários das grandes mulheres e dos grandes homens são universalmente intempestivos. Encadeiam-se como projetos transhistóricos saltando pelas eras como espírito-monumental de épocas gloriosas. São obras superiores que confirmam a potência-infinita do homem. Marisa Letícia, Simone Beauvoir, Jenny, Lula, Sartre, Marx, mais outros devires-casais necessários mostram-se como univocidade revolucionária.

     Por essa cartografia do existir compromissado, podemos usar o texto do outro grande homem Engels, fiel companheiro de Marx, proferido diante do túmulo da linda Jenny, para linda Marisa Letícia.

         “Não é necessário que eu fale de suas virtudes pessoais. Seus amigos, que as conheceram, nunca se esquecerão delas. Se jamais existiu no mundo uma mulher tão feliz em proporcionar alegria aos outros – era esta, a qual hoje enterramos”.

         Marisa Letícia, a Associação Filosofia Itinerante (AFIN) através de seus Blogs-Intempestivos Afinsophia e Esquizofia lhe beija com o carinho engajado na potência intensiva da existência necessária que você move.

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         Valeu Companheira, por todas as ultrapassagens! Você entendeu que “o homem é um ser para ser ultrapassado”.

         Obs. As fotos foram extraídas da obra Sem Medo de Ser Feliz organizada por André Singer, apresentação de Jânio de Freitas, depoimento de Ricardo Kotscho e entrevista com Lula.

TIRANDO AS BRONCAS. TEMER, EM SIMULAÇÃO-DEMOCRÁTICA, ELOGIA CÁRMEN LUCIA POR HOMOLOGAÇÃO DAS DELAÇÕES DA ODEBRECHT

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 O filósofo da liberdade, Sartre, sintetiza o Para-si em relação ao Em-si nessas estruturas ontológicas: “É o que não é e não é o que é”. O filósofo Baudrillard, que é um dos grandes estudiosos de Sartre, e criador da filosofia da simulação-virtual, apanhou as estruturas sartreanas e sintetizou assim: “Simular é fingir ser o que não. E dissimular é fingir não ser o que é”. 

  De qualquer forma – dizem, sorte – os dois filósofos englobam o comportamento de todo homem e mulher que processam sempre a má-fé. A má-fé não no sentido vulgar, senso comum que é estruturada na ordem da moral, “Tu estás de má-fé comigo”. Nada disso. A má-fé em filosofia sartreana é consciência malograda do homem para o homem. Síntese: é mentira que adoto para mim mesmo. Simulo ser o que não sou para manter uma existência alienada, viscosa, nadificada para obter o que pretendo e me proteger.

 A maioria dos homens e mulheres que se mostram em público, principalmente nos três poderes, é traspassada por esse tipo de existência-malograda.

    Diante do óbvio, onde não há escapatória do olhar do público que captura o outro em má-fé como objeto alienado de si, Temer, sabendo que se encontra arrolado nas delações da Odebrecht, decidiu simular uma posição democrática perante a decisão da ministra presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF) que homologou as delações. Tentou tirar as broncas elogiando a ministra.

       “A ministra já tinha pré-anunciado que muito provavelmente hoje ou amanhã faria a homologação. Fez o que deveria fazer, e nesse sentido, fez corretamente”, afirmou Temer, tirando as broncas como se não estivesse no meio das delações.

        Sartre e Baudrillard mostra a singeleza moral desses tipos.

PRISÃO DE BOULOS CONFIRMA A FILÓSOFA HANNAH ARENDT: ONDE FALTA A RAZÃO PREVALECE A OPRESSÃO

É muito simples de entender, mas impossível de aceitar.

  O homem é um ser composto por corpo (soma) e mente (espírito), distribuídos em sentidos, inteligência e ação. Para alguns um dualismo, para outro monismo, já, como diz o filósofo Spinoza, o corpo não foge da mente. Ou seja, todo afeto se manifesta tanto no corpo como na mente.

   Ocorre, porém, que embora o homem seja um ser de sensibilidade, inteligência e ação, nem sempre todos expressam em seus atos esse monismo filosófico. Um grande número de indivíduos, por motivos genéticos ou por força de uma infância sofrível, expressam seus atos simplesmente como materialidade. Neles não se revelam a sensibilidade, a inteligência e ação coletiva em forma de ética.

    O filósofo Guilherme Boulos, presidente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foi preso quando intercedia a favor de moradores da Ocupação Colonial na ação de reintegração da área na Região de São Mateus na zona leste de São Paulo. O filósofo foi levado ao 49° onde prestou depoimento.

    Boulos afirmou que foi uma “prisão política, evidente”. Não foi “prisão política”. Foi uma prisão partidária que confirma a força da subjetividade capitalista manifestada pelo PSDB que há mais de vinte anos domina o estado de São Paulo. Não foi prisão política, porque onde há a práxis e poieses política, o movimento real da potência constituinte que cria as relações reais entre os homens comprometidos democraticamente, não há arbitrariedade. Onde há política há razão e não opressão.

  A filósofa Hannah Arendt, uma das que mais entende do sentido filosófico de política, afirma que onde a razão falta predomina a opressão, a irracionalidade em forma de força. Para ela a força é o recurso de todos que perderam a capacidade de dialogar, já que o diálogo é a concretude do pensamento. E pensamento é racional. Só nas ditaduras a razão é obstruída pela força opressora. A força é a única de linguagem usada onde faltam as faculdades sensível, intelectiva e ética coletiva.

    Diante da violência sofrida por Boulos os deputados do Partido dos Trabalhadores publicaram nota de repúdio. Leia trecho da nota.

   . “Além de negar o direito constitucional à moradia o governo Alckmin patrocina cenas lamentáveis de violência, ataca e despeja nas ruas mais 700 famílias neste no momento de recessão e desemprego que assola o país, numa demonstração de insensibilidade com a situação da população carente”, diz a nota. 

      A Central de Movimentos Populares (CMP) também publicou nota de repúdio. Leia.

                                                                   NOTA DA CMP

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As cenas de violência da PM contra moradores, que assistimos na amanhã desta chuvosa terça-feira, 17/01, na região leste da cidade de SP, durante reintegração de posse de área ocupada por 700 famílias, são imagens típicas de uma zona de guerra.

A violência do Estado contra famílias sem teto é prática recorrente, mas agora o governador Geraldo Alckmin tem respaldo dos aliados  governos Doria e Temer, para descer a porrada nos trabalhadores(as).

Os golpistas Temer, Alckmin e Doria são a favor da especulação imobiliária em detrimento da moradia popular. A Central de Movimentos Populares e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, há tempo estão atuando na defesa dos moradores, por intermédio dos companheiros Boulos, Dito e Sidnei, tentando articular uma saída negociada que evitasse a reintegração de posse com despejo de mais de 3 mil pessoas, mas infelizmente não encontramos apoio dos governantes.

A CMP repudia a detenção do companheiro Guilherme Boulos. Moradia não é caso de polícia. Não criminalização dos movimentos sociais. Vamos resistir e lutaremos.

Nenhum Direito a Menos. 

Central de Movimentos Populares
Raimundo Bonfim, coordenador geral da CMP e integrante da coordenação da Frente Brasil Popular

  Veja e ouça o vídeo publicado pelo site Brasil de Fato que mostra Boulos falando sobre sua prisão.

 

FILÓSOFO E SOCIÓLOGO ZYGMUNT BAUMAN DA “MODERNIDADE LÍQUIDA”

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 Nascido no mesmo ano do filósofo francês Gilles Deleuze, 1925, o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, casado com Janine Lawinson-Bauman no pó-guerra, que que ele participou, tem como sua mais consistente e difundida teoria a “modernidade líquida”. As formas de relações sociais na pós-modernidade.

      “Viver entre uma multidão de valores, normas e estilo de vida, em competição, sem uma garantia firme e confiável de estarmos certos é perigoso e cobra um alto preço psicológico”, mostra o filósofo no seu Amor Líquido.

  A modernidade líquida apresenta uma pós-modernidade onde predomina o individualismo impondo corpos antagônicos nas relações sociais. Uma clara deferência ao que se experimenta hoje, como no Brasil do golpe. O filósofo é um ativo militante que luta contra todas as formas de antidemocracias, e principalmente contra a tirania do capitalismo.

    Seu último livro apresentado no Brasil foi “A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós?”. O corte existencial de Zygmunt Bauman dado na linha do tempo cronológico é 91 anos, mas na intensidade aion é infinito.

   “O capitalismo é um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento.

     Numa sociedade de consumo, compartilhar a dependência de consumidor – a dependência universal das compras é a condição sine qua non de toda a liberdade individual.  Acima de tudo na liberdade de ser diferente, de “ter identidade.1

(…) um comercial de TV mostra uma multidão de mulheres com uma variedade de penteados e cores de cabelos, enquanto o narrador comenta: “Todas únicas; todas individuais; todas escolhem X” (X sendo a marca anunciada de condicionador). O utensílio produzido em massa é a ferramenta da variedade individual. A identidade – “única” e “individual” – só pode ser gravada na substância que todo o mundo comprar que só pode ser encontrada quando se compra. Ganha-se a independência rendendo-se.

   A tarefa é o consumo, e o consumo é um passatempo  absolutamente e exclusivamente individual, uma série de  sensações que só podem ser experimentadas – vividas –  subjetivamente. As multidões que enchem os interiores dos “templos de consumo” de George Ritzer são ajuntamentos, não  congregações, conjuntos, não esquadrões; agregados, não totalidades. Por mais cheios que possam estar, os lugares de consumo coletivo não têm nada de “coletivo”.

Numa sociedade sinóptica de viciados em comprar/assistir, os pobres não podem desviar os olhos; não há mais para onde olhar. Quanto maior a liberdade na tela e quanto mais sedutoras as tentações que emanam das vitrines, e mais profundo o sentido da realidade empobrecida, tanto mais irresistível se torna o desejo de experimentar, ainda que por um momento fugaz, o êxtase da escolha. Quanto mais escolha parecem ter os ricos, tanto mais a vida sem escolha parece insuportável para nós.

Claude Lévi-Strauss, o maior antropólogo cultural de nosso tempo, sugeriu em“Tristes trópicos” que apenas duas estratégias foram utilizadas  na história humana quando a necessidade de enfrentar a alteridade dos outros surgiu: uma era a antropoêmica, a outra antropofágica.

A primeira estratégica consiste em “vomitar”, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios: impedir o contato físico, o diálogo, a interação social e todas as variedade de commercium, comensalidade e connumbium. As variantes extremas da estratégia “êmica” são hoje, como sempre, o encarceramento, a deportação e o assassinato. As formas elevadas, “refinadas” (modernizadas) da estratégia “êmica” são a separação espacial, os guetos urbanos, o acesso seletivo a espaços e o impedimento seletivo a seu uso.

A segunda estratégia consiste numa soi-disant “desalienação” das substâncias alheias: “ingerir”, “devorar” corpos e espíritos estranhos de modo a fazê-los, pelo metabolismo, idênticos aos corpos que os ingerem, e portanto não distinguíveis deles. Essa estratégia também assumiu ampla gama de formas: do canibalismo à assimilação forçada – cruzadas culturais, guerras declaradas contra costumes locais, contra calendários, cultos, dialetos e outros “preconceitos” e “superstições”. Se a primeira estratégia visava ao exílio ou aniquilação dos “outros”, a segunda visava à suspensão ou aniquilação de sua alteridade.

Em um dos maiores sucessos entre os popularíssimos livros de autoajuda (vendeu mais de 5 milhões de cópias desde a publicação em 1987), Melody Beattie adverte/aconselha seus leitores: “A maneira mais garantida de enlouquecer e envolver-se com assuntos de outras pessoas, e a mais mais rápida de tornar-se feliz é cuidar dos próprios”. O livro deve seu sucesso instantâneo ao título sugestivo(Codependent no More), que resume seu conteúdo: entrar resolver os problemas de outras pessoas nos torna dependentes, e a dependência oferece reféns ao destino – ou, mais precisamente, há coisas que não dominamos e há pessoas que não controlamos; portanto, cuidemos de nossos problemas, e apenas de nossos problemas, com a consciência limpa.

Há pouco a ganhar fazendo o trabalho de outros, isso desviaria nossa atenção do trabalho que pode fazer senão nós mesmos. Tal mensagem soa agradável – como uma confirmação, uma absolvição e uma luz verde necessária – a todos os que, sós, são forçados a seguir, a favor ou contra seu próprio juízo, e não sem dor na consciência, a exortação de Samuel Butler: “No fim, o prazer é melhor guia que o direito e o dever”.

Ao fim da sessão de aconselhamento, as pessoas aconselhadas estão tão sós quantos antes. Isso quando sua solidão não foi reforçada: quando sua impressão de que seriam abandonadas à sua própria sorte não foi corroborada e transformada em uma quase certeza. Qualquer que fosse o conteúdo do aconselhamento, este se referia a coisas que a pessoa aconselhada deveria fazer por si mesma, aceitando a inteira responsabilidade por fazê-las  de maneira apropriada, e não culpando ninguém pelas consequências desagradáveis que só poderiam ser atribuídas a seu próprio erro ou negligência.

A infame frase de efeito de Margaret Thatcher “não existe essa coisa de sociedade” é ao mesmo tempo uma reflexão perspicaz sobre a mudança no caráter do capitalismo, uma declaração de intenções e uma profecia auto-comprida: em seus rastros veio o desmantelamento das redes normativas e protetoras, que ajudavam o mundo em seu percurso de tornar-se carne. “Não sociedade” significa não ter utopia nem distopia: Peter Drucker, o guru do capitalismo leve, disse, “não mais salvação pela sociedade” – sugerindo (ainda que por omissão e não por afirmação) que, por implicação, a responsabilidade pela danação não pode ficar com a sociedade, a redenção e a condenação são produzidas pelo indivíduo e somente por ele – o resultado do que o agente livre fez de sua vida.

O mundo está cheio de possibilidade, é como uma mesa de bufê com tantos pratos deliciosos que nem o mais dedicado comensal poderia provar de todos. Os comensais são os consumidores, a mais custosa e irritante das tarefas que se pode pôr diante de um consumidor é a necessidade de estabelecer prioridades: a necessidade de dispensar algumas opções inexploradas e abandoná-las. A infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta de escolha. “Será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível”? Será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível? É a pergunta mais assombrosa e causa insônia ao consumidor.

Ninguém ficaria surpreso ou intrigado pela evidente escassez de pessoas que se disporiam a ser revolucionários: do tipo de pessoas que articulam o desejo de mudar seus planos individuais como projeto para mudar a ordem da sociedade.

A tarefa de construir uma ordem nova e melhor para substituir a velha ordem defeituosa não está hoje na agenda – pelo menos não na agenda que se supõe que a ação política resida.

No seu último encontro anual, realizado em setembro de 1997 em Hong Kong, os diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial criticaram severamente os métodos alemães e franceses para trazer mais gente de volta ao mercado de trabalho. Achavam que esses esforços iam contra a natureza “flexível do mercado de trabalho”. O que este requer, disseram, é a revogação de leis “favoráveis demais” à proteção do emprego e do salário, a eliminação de todas as “distorções” que se colocam no caminho da autêntica competição e a quebra da resistência da mão-de-obra a desistir de seus “privilégios” adquiridos – isto é, de tudo que se relacione à estabilidade do emprego e à proteção do trabalho e sua remuneração”, trechos da Modernidade Líquida.

ZÉ MELO, GOVERNADOR DO AMAZONAS, ENVOLVIDO POR SEU ESPÍRITO-HAGIOGRÁFICO AFIRMOU QUE NO MASSACRE NÃO “MORREU NENHUM SANTO”. ORA, ORA, SANTO NÃO PODE SER PRESO, MAS HOMEM SIM.

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Segundo o discurso da hagiografia, que trata da vida dos santos, nenhum santo foi sempre santo antes de ser canonizado. Todo santo, ou santa, antes foram homens e mulheres. As suas santificações são decorrentes de suas existências comprometidas com as causas humanas. Primeiramente, carregam o pathos da essência da indignação, e, depois, passam as tentativas das soluções que possam libertar os homens e mulheres dos sofrimentos. Mesmo que para isso também, em suas práticas, tratem de temas metafísicos.

        Muitos que foram canonizados tiveram existências perseguidas pela brutalidade, irracionalidade e covardia dos tiranos. Sofreram torturas físicas, foram mantidos no cativeiro durante anos. Alguns chegaram a morrer no cativeiro. Embora trabalhassem em nome da dogmática cristã-católica, o que concebe um plano sobrenatural, eles sempre observaram o mundo real e nesse mundo real agiram em benefício dos homens. Porque, afinal de contas, eram homens e mulheres escravizados pelas forças opressoras, detentoras do poder econômico.

     O governador do estado do Amazonas, Zé Melo, em processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e que faz parte do grupo reacionário de alcunhados políticos que há mais de trinta anos trabalham pelo atraso no estado, em entrevista, afirmou que entre os presos, 56, do massacre no Sistema Prisional Anísio Jobim, em Manaus, não havia um santo. Com essa afirmação ele apresentou dois tipos de ignorância. Uma hagiográfica. E outra capitalista-jurídica. Porém, as duas sintetizadas em uma moralidade claramente burguesa.

     Em sua ignorância hagiográfica, Zé Melo, mostrou que não sabe nada do mais elementar sentido de ser santo. Ele não sabe que santo não vai preso. Mesmo que fosse não ficaria um segundo preso, visto que tem o dom da imaterialidade. Por isso que pode em plano distante se comunicar com seus crentes. Inclusive presos. O que significar, para a sociedade, que o cristianismo de Zé Melo é apenas da ordem psicológica compensatória. Ou seja, em benefício próprio. Um solipsismo.

    Em sua ignorância capitalista-jurídica, Zé Melo, não sabe que uma grande maioria de detentos que estão confinados nos presídios, cometeram crimes impulsionados por corpos capitalistas. Assaltos a bancos, assaltos à mão armada, tráfico de drogas, latrocínio, arrombamento, furto, corrupção, etc. Crimes que são investigados, julgados e condenados pelo poder judiciário que no seu sentido hierárquico encontra-se abaixo do poder econômico. Logo, os crimes desses detentos estão incluso em todo o corpo do capitalismo, e o que os diferencias de outros crimes, também com sentido capitalista no Estado, como benefícios a estamentos privilegiados, é a moral. Não a moral puramente. Mas a moral aplicada por quem tem, ou se acha, com autoridade para usá-la contra outros. Daí, porque Zé Melo, crente de sua moral, afirmou a sua sentença judicativa: “não morreu nenhum santo”. Zé Melo pode ser cassado por força de acusações que implicam corpos capitalistas.

      As duas ignorâncias de Zé Melo, conjuntamente, podem ser entendidas, sinteticamente, como prova do desconhecimento da política jurídica. Quando ele afirma da inexistência de “santos” entre os mortos, ele tenta buscar apoio dos acusadores (não esquecer que para a psicanálise todo acusador compulsivo tenta esconder suas culpas) que são adeptos e defensores da máxima anticristã que diz que “bandido bom é bandido morto”.

     Só que entre fantasias sobrenaturais e imorais, ele, não sabe que a sociedade civil sabe que o preso encontra-se como custódia do Estado. Tem que ser protegido, mesmo preso, pelas leis do Estado que o condenou em um determinado estrato social-jurídico. E mais, o sentido cristão de presídio é de recuperação. Ou de reeducação para que o preso possa ser reintegrado na sociedade como sujeito-produtivo. Mesmo que seja para ser explorado pelo sistema capitalista como mão de obra barata.

    Zé Melo tentou produzir empatia com a sociedade apelando para a questão santificante e moralizante para eximir seu governo da responsabilidade pelo morticínio-prisional, mas se frustrou: ele não obteve respaldo. Tudo porque Zé Melo não atenta para o mundo ao seu redor com seus signos dominantes que não atendem a questão humana. Se fosse atento teria feito à crítica do sistema dominante e saberia, como diz o filósofo francês Jean Baudrillard, que assim como “existe a Disney para fazer de conta que existe um mundo adulto, existem os presídios para fazer de conta que existe uma sociedade justa”.

      Se soubesse destas obviedades seria um excelente governador. Mas, como mostra que não sabe, fica só como Zé Melo.  

PARABÉNS, QUERIDA! QUERIDA É DILMA!

    O filósofo Michel Serres afirma que todos nós ao nascermos somos singularidades. Antes de nós ninguém nasceu como nós. Assim, como também depois de nascermos ninguém nasceu como nós. Somos sempre únicos. Ai nossa singularidade: não termos cópia e nem simulacros. O que nos livra da alienação: não sermos a singularidade que somos.

     Mas, ao nascermos, não somos somente singularidades. Somos também individuações.  Potência incorporal que nos move como práxis e poieses criativa. Não individualidade que reflete o numeral-capturador determinado pela semiótica-jurídica do estado. A força-estratificante-paranoica.

      Singularidades e individuações movimentam o mundo como novidade contínua. Os corpos que como práxis e poieses produzem a história, visto que só é corpo histórico o que se apresenta como novo. Não basta nascer para ser tido como histórico. História não é narração de fatos. Nenhum golpista é histórico. Golpistas são quimeras: o que não tem essência e nem existência, como afirma o filósofo holandês Spinoza.

      Somos singularidades e individuações quando nascemos, todavia, nem todos processam em seus percursos esses corpos únicos produtivos e criativos. Um número muito grande de pessoas têm suas singularidades e individuações obstruídas por opressões agenciadas pelos adultos, principalmente pelos pais que são os sujeitos-sujeitados traumatizantes das crianças. Também muitas ditas escolas fazem parte dessa cruel operação opressora. Assim, como meios de comunicação manipuladores.

    As pessoas que tiveram suas singularidades e individuações obstruídas são as representantes da classe burguesa. Não há como encontrar na burguesia esses corpos produtivos e criativos do novo, já que a sua grande compulsão é manter seus privilégios adquiridos oprimindo os trabalhadores. Na burguesia a singularidade sofre a metamorfose da pluralidade-lucro: quantidade. A individuação a metamorfose força do poder: dominação. É por isso que seu caráter ímpar é a brutalidade e a irracionalidade expressadas em ódio, inveja e vingança. Como obstruídos, muitas dessas metamorfoses buscam segurança, poder de dominação e reconhecimento nos estratos concedidos pelo Estado burocrático hegeliano. Triste ilusão.

    Como a burguesia é pluralidade-lucro e força de poder dominante, ela não se move, é molar. E como tudo que é imóvel só reflete o já estabelecido, e no caso da burguesia a ambição de sua classe, e a história é “movimento real”, a burguesia não faz história. Não há burguês-histórico. Alguém poderia afirmar: Então, a burguesia é o lixo da história! Não! Na história, como produção e criação do novo, não há lixo. Não há excedente. Não há resíduos recicláveis. A história é a história por si mesmo. Mulheres e homens ativos como singularidades e individuações.

    Dilma é história! Os golpistas não. Dilma é história querida. Querida, não como adjetivo, mas como devir singularidade e individuação. Não é querida porque alguém lhe quis querida pronominal. Mas porque ela primeiro se tornou seu próprio querer. E como seu querer, se tornou querida por si mesma. O afeto revolucionário que os que lhe chamam de querida compuseram com ele. Ninguém é amada sem primeiro se tornar por si mesma querida. Querida é o afeto amor que encadeia desejos revolucionários produtores e criadores da democracia como devir-povo. A ultrapassagem contínua como existência nova.

      Só se faz querida por via da singularidade e individuação que são os afetos livres que compõem potência de agir coletivo. Sartre afirma que a existência precede a essência. O homem primeiro é livre para escolher. E não primeiro escolhe para ser livre. Aí a existência como singularidade e individuação liberdade.

   Como a singularidade e a individuação da burguesia encontra-se em estado obstruído, ela jamais poderá processar em si um querer que lhe torne querida por si mesma, para que o outro o tome como querida. Como não é querida, a burguesia se engana com o tratamento entre os seus pares: “Oi, querida! Como, vai querida? Você é muito querida! Querida você é um luxo!”. Um infinito tagarelar querida para se iludir que é querida. Daí se infere que no meio burguês não há amor, já que para o amor se fazer presença real, ontologicamente ser, é necessário que os amantes sejam em si queridos.

    Parabéns, Querida! Querida é Dilma! O povo compõe com Dilma Querida, porque ele se quis e se fez querido. Ele sabe que só há democracia quando o povo se faz querido. E ser querido é atingir o mais alto grau político da democracia. Grau que a analfabeta-burguesia jamais alcançará.

    Não cansamos: Parabéns, Querida!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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