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O FILÓSOFO MARXISTA ANTÔNIO CÂNDIDO, EM 1946, DISSE: ´”É PRECISO RECUPERARMOS NIETZSCHE”. E ESCREVEU “O PORTADOR”. DIANTE DA CRISTALIZAÇÃO DO NAZIFASCISMO NO BRASIL, CÂNDIDO-NIETZSCHE SÃO IMPRESCINDÍVEIS

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 Não se descreve um poeta, muito menos um filósofo. Ainda mais quando esse poeta-filósofo é filólogo: conhece as entranhas do perceber e conceber o mundo. O que lhe faz um ser político, porque a filosofia é política, assim como a poesia, já que ela ao enunciar o novo, muda o mundo com seus estados de coisas cristalizados. Daí por que não há poesia e nem filosofia burguesa, posto que o mundo burguês é molar. Contraído sem possibilidade qualquer ao Para-si, a ultrapassagem do Em-si.

    Antônio Cândido, ao perceber que na década de 40 o filósofo demolidor de ídolos era pouco conhecido no Brasil, e que no mundo havia uma aversão a sua obra filosófica, onde apedeutas da filosofia o chamavam de teórico do nazismo, inimigo do socialismo, resolveu acabar com a estupidez: escreveu o artigo O Portado que foi publicado, em 1946, no semanário Diário de São Paulo, no caderno Notas de Crítica Literária. Depois impresso no Observador Literário, em 1959. 

    Em tempo de cristalização da subjetividade nazifascista no Brasil atual, onde seus principais poderes do Estado estão contaminados por corpos psicopatológicos, estabelecendo um quase estado de anomia, se faz necessário publicar seu artigo, mesmo sendo em forma escaneada. 

     A Associação Filosofia Itinerante (AFIN), que tem singela relação com a obra desse camarada que pertenceu ao PCbão e é fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), mostra esse artigo, já que o Brasil atual necessita fortemente do pensamento nietzschiano. O texto foi extraído  do livro Os Pensadores, publicado no ano de 1983 que teve a seleção de textos de Gérard Lebrun, a tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho e o Posfácio de Antônio Cândido.

      As páginas aparecem riscadas com caneta, são provas de que o artigo do poeta-filósofo-filólogo-militante foram lidas e relidas.

 

MORO ERRA AO AFIRMAR QUE “A GRAVAÇÃO PELA PARTE DA AUDIÊNCIA COM PROPÓSITOS POLÍTICOS PARTIDÁRIOS NÃO PODE SER PERMITIDA…” LULA É A POLÍTICA PURA. NÃO HÁ COMO IMPEDI-LO.

     A banalização dos conceitos pelo vulgo é responsável pelo enebriamento da realidade. O vulgo aqui tratado não é referente só aos iletrados, mas também aos letrados, principalmente aos vaidosos que detém curso superior. Sabe-se muito bem, que as palavras servem para refletir as coisas. Não que elas sejam as coisas, já dizia Foucault. Se elas como reflexos causam impossibilidades de afirmações insuspeitas, imaginemos quando delas são tiradas suas noções reflexivas que saíram de uma práxis empírica.

   É assim, que no discurso social há necessidade de procurar compreender os sentidos mais concretos da linguagem. Saber quando uma palavra, um conceito (palavra e conceito são distintos) têm seus referentes filológicos-históricos-ontológicos. Pelo menos saber com Barthes quando uma linguagem é encrática ou crática. De massa usada, precipuamente, pelos meios de comunicação, e de seguimentos especiais. Para que não se caia no logro linguístico e também se conduza o outro para esse logro.

   O exemplo muito próximo é relativo ao conceito político. A maioria dos falantes (na verdade, tagarelantes; os que não superaram o que tagarelam) tem esse conceito como relativo a partidos, e não a condição do homem como agente de práxis e poieses. Práxis como ação e poiese como criação. Práxis e poises como produtora contínua do movimento real como novo social. Para os tagarelas, política não passa de uma representação parlamentar e executiva. Quando se sabe que o que menos existe, principalmente no Brasil, no Poder Executivo, Legislativo e Judiciário é político. Dai porque todo esse obscurantismo em relação as práxis e poieses dos três poderes. 

   Moro ao se referir a Lula mostra exatamente essa triste realidade a-linguística e apolítica. Ele afirma que o impedimento da gravação audiência com Lula é para evitar um uso com “propósito político partidário”. Ora, Moro não sabe que Lula é o conteúdo e expressão singular do homem político. Ele não sabe que Lula é práxis e poieses política desde menino, quando deixou o sertão por não haver política. Seu ato, junto com sua família, já expressava a política, visto que a política é a potência-social de produção de existência do homem. Onde não há política há privação. E como diz o filósofo Toni Negri, o homem não se encontra no mundo para sofrer privações.

   Depois teve sua política de existência em Santos, e de metalúrgico. Sem contar a política de existência no momento em que foi preso pela repressão ditatorial. Como um homem só não pode ser considerado político, já que a política é uma multiplicidade de singularidades, devires, hecceidades, rizomas, espaços-tempos, plano de consistência, fluxos territorializante e desterritorializantes, como dizem os filósofos Deleuze Guattari, é ontologicamente impossível Lula ser a síntese do povo. Lula é potência-povo como todos os homens, mulheres e criança que compõem com ele a potência-democracia.

  Daí que Moro não sabe que basta alguém lembrar, recordar e imaginar Lula, já encadeou movimento político. O próprio ato de tentar impedir a gravação da audiência, afirma que homem político é Lula. Embora todos que são contra Lula não saibam, em função de suas existências, o que seja política, entretanto, todos eles temem a política em Lula, porque nele se movimenta o devir política como devir-povo. E o devir-povo não necessita de partido político (?). 

  Realidade que esfacela qualquer tipo de tentativa de imobilidade-molar em querer paralisar o movimento-transformador-molecular. E como política é criação e criação é alegria, só os democratas são alegre. E mais, e como alegria é ética, modus-alegre de ser, aí, Lula ser um homem eticamente alegre!

QUEM É VOCÊ? EU SOU O ANO 2018! E POR QUE TODA ESSA ALEGRIA? POR SER O ANO QUE LULA VAI SE TRIELEGER! AGORA MESMO A PESQUISA IPSOS RECONFIRMOU LULA, O COMANDANTE, DISPARADO NA FRENTE

  Uma criança do jardim da infância contou que conforme os encadeamentos bio-psíquico-social do animal chamado homem se processavam, ele processava mutações em suas faculdades perspectivistas. Suas perspectivas se tornavam configurações infra-humanas. Eram os entrelaços se compondo para posteriores práxis e pieses.

 De acordo com o que contou a criança, foi nesse movimento perspectivista que o homem inventou a linguagem impulsionada pela necessidade de informação como suporte de comunicação-comunitária. Falar reflexos de experiências. Enunciar-vivências. Inicialmente o discurso-direto. Forma linguística-real do vivenciado. Posteriormente, o discurso-indireto, a ecololalia, redundância, a enunciação do não vivido.

   Foi esse discurso-indireto, de acordo com o que contou a criança do jardim da infância, que serviu para os meios de comunicação de massa arquitetarem uma estratégia triunfalista de formação de opinião pública. Ou seja, fazer a sociedade significar, através da redundância-clonante, o que esses meios de comunicação de massa ficcionavam como realidade. A lógica da repetição do que eles produziam como verdade necessária à sociedade.

  Daí então, segundo o que contou a criança do jardim da infância, os meios de comunicação de massa passaram se tomar como deuses da comunicação: tudo que enunciassem seria repetido pela sociedade como verdade. Logo, a sociedade seria a grande guardiã dessas falácias. No Brasil, a Rede Globo foi a que mais delirou nessa anoia (inexistència da mente)ou ecnoia (insanidade). Mas não foi só o corpo dos globotários que se deixou imolar nesse enunciado fictício-paranoico. Alguns dos nosso companheiros democratas também acreditaram e acreditam que a Rede Globo domina a massa. Ledo (Ivo) engano fatal. Como diz o filósofo Baudrillard, a massa não refrata os meios de comunicação. Ela é nela mesma.

  Porém, como afirma Tomé, só vendo para crer, emergiu o cristão-católico Lula para desfazer a superstição: o povo tem sensibilidade, inteligência e ética própria que se materializa na democracia. O devir-povo é a conjunção das potências de todos, e não de classes privilegiadas que se querem dominantes. 

  Por essa realidade indestrutível, o instituto de pesquisa Ipsos, hoje, dia 30, divulgou pesquisa que confirma 2018 com total razão. Ou melhor, 2018 já é agora. Lula dispara na frente de seus inimigos-invejosos que lhe odeiam (querem ser ele e tê-lo) com 38% das aprovações dos entrevistados, e com o menor índice de rejeição, 59%. Comparado com a pesquisa de fevereiro, Lula subiu sete pontos. É mole, golpista? É? Não desespera, vem mais.

  Os outros:

Aécio – 11% de aprovação e 74% de reprovação.

Alckmin – 16% de aprovação e 67% de reprovação.

Serra – 20% de aprovação e 70% de reprovação.

Fernando Henrique – 23% de aprovação e 67% de reprovação.

E o janota-desnarcisado Dória? Nada!

  Aí a irrefutável prova de que as mídias acéfalas não determinam a opinião pública. Não não têm o poder de transformar a sociedade em sua escrava. Assistir tele-jornal e tele-novela, não significa ser seu escravo. Claro que seria prova maior de ativação do existir não lhes conceder audiência, mas… 

  O devir-povo-polivocidade é incapturável, contou a criança do jardim da infância.

   

CASO DE REDUNDÂNCIA DO SIGNIFICANTE: JANOT DIZ QUE GILMAR SOFRE DE “DECREPITUDE MORAL E DESINTERIA VERBAL”, PORQUE GILMAR DISSE QUE ELE FEZ REUNIÃO EM OFF PARA VAZAMENTO

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 É muito simples de entender, mas impossível de aceitar, e nem precisa o devir da filosofia da diferença de Deleuze e Guattari. Tudo é muito explícito para uma criança do jardim da infância.

 A criança do jardim da infância conhece a redundância do significante na prática de seu movimento que tenta todo segundo se livrar da coerção paranoica dos adultos. Ela sabe que a redundância do significante é a dança macabra circular do signo que salta sobre outro signo, mais outro, mais outro, sendo sempre o primeiro signo como palavra de ordem. Ordem para que não escape nenhuma variação que quebraria a dança macabra circular do significante como palavra de ordem dominante, onde não há comunicação e nem informação, mas apenas a tirania do significante. O discurso-paranoico-indireto. Também contado pelo filósofo Nietzsche como tagarelar. Ecoar sem práxis do conceito-ultrapassante. 

  Mesmo promovendo as políticas sociais que tiraram mais de 40 milhões de brasileiros da faixa da miséria e possibilitaram transformações nas concepções de política social, antes dominantes propagadas por desgovernos de direitas, os governos populares não enfraqueceram a subjetividade dominante implantada pela dogmática paranoica do capitalismo no Brasil durante todos esses séculos. Durante os 14 anos de governos populares, grande parte da população brasileira vivenciou pela primeira vez um nova subjetividade que se encadeava como nova forma ontológica de existência comunalidade, mas que vivia sobre a ameaça da dogmática paranoica capitalista. Até que o golpe se concretizou.

   Hoje, as chamadas autoridades representativas das instituições no Brasil, ligadas ao golpe, materializam, sem pudor, a dança macabra circular da redundância do significante em deplorável ecolalia como replicantes do capital internacional, mormente o capital norte-americano. Daí que a criança do jardim de infância sabe que quando o ministro Gilmar Mendes afirma que procuradores se reuniram em off para decidir sobre vazamento de nomes de políticos, e o procurador-geral da República Rodrigo Janot, corporativamente se sentindo atingido, diz que ele sofre de “decrepitude moral e disenteria verbal”, ela sorrir diante da confirmação da clara redundância do significante.

   Como os dois participaram do golpe, não há qualquer diferença entre os dois. Não há qualquer variável democrática em um que o povo brasileiro possa afirmar: “Esse tem, democraticamente, razão”. A criança do jardim de infância entende que trata-se apenas de querelas vaidosas. Falsas lutas pela predominância da ética democrática. Tudo não passa de manutenção da palavra de ordem do golpe.

    Diante dessa ordem macabra circular da redundância do significante, acriança do jardim da infância entende convictamente que a única variável que pode ser produzida para eliminar o estado-molar do golpe, é a variável-povo. Só a variável-povo pode rachar o corpo hierático-imóvel do golpe. O buraco negro da dor instalado no Brasil.   

LULA, DILMA, ARTISTAS E O POVO FESTEJAM A INUNDAÇÃO DO SERTÃO NORDESTINO

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O Sertão nordestino está em festa. Nunca deixaremos de cantar essa conquista que é a chegada da água no Sertão do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A classe dominante e a seca  foram muito severos com o nordestino. Esse povo comeu o pão que essa elite e os coronéis amassaram. É um povo de retirantes como muito bem cantou João Cabral de Melo Neto no poema Morte e Vida Severina.

A seca expulsou nordestinos para o Sul e para o Norte. No Amazonas tornaram-se soldados da borracha. Para cá vieram levas deles para trabalhar na exploração do látex que promovia o boom da economia no Amazonas. Dessa época, fruto do suor desses trabalhadores foram construídos prédios como o Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Palácio Rio Negro, símbolos da burguesia predadora amazonense. Nos panteões desses monumentos não aparece nenhum nome desses soldados da borracha, desses trabalhadores, trabalhadoras. Só constam nomes dos governantes.

“Setembro passou/ Oitubro já veio/ Já estamos em Novembro/ Meu Deus que a de nós/ Assim fala o povo/ Do seco Nordeste/ Com medo da peste/ Da fome feroz” mandou ver o poeta da roça, Patativa do Assaré.

O eu lírico cantante interrogava, questionava a seca, o medo e a fome. Meu Deus o que a de nós?

As quatro estações que no Sul do Brasil são todas definidas, no Sertão só é Sol e verão. E tem eleições e só os coronéis, classe dominante as ganham e o povo a morrer, tísico, como retirante vai pro Sul, Centro Oeste tornar-se Candango.  Constrói Brasília.

Sempre explorado em todas as partes e a Literatura e as demais artes como o Cinema mostrando o Cangaço, Lampião e Maria Bonita, Padre Cícero e o Juazeiro do Norte, a forma de mistificação e religiosidade usada para cultivar a dominação como se vê em Antônio Conselheiro, Canudos, Os Sertões de Euclides da Cunha, Geografia da Fome de Josué de Castro.

Não podemos esquecer o alagoano, autor de Memórias do Cárcere, Vidas Secas, Angústia, São Bernardo, Graciliano Ramos. E cabe aqui citarmos um trecho de sua obra Vidas Secas intitulado Festa. É uma família que morava no Sertão e um dia foram participar de uma festa religiosa na cidade. As crianças nunca tinham ido à cidade. Quando lá estão a chegar deparam-se com coisas e objetos que nunca tinham visto e não sabiam seus nomes. Ficaram maravilhadas. Será que tudo aquilo tinha nome? Os homens tinha capacidade de memorizar tantos nomes?

É dessa forma que hoje estamos a ver no nordeste do Brasil,  todo mundo maravilhado com a chegada da água da transposição do rio São Francisco feita por Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff e por milhares de trabalhadores que devem ter seus nomes gravados e mencionados nos panteões de concreto dos aquedutos, reservatórios e nos eixos de distribuição. A água eles não conheciam na quantidade e volume que chega hoje. Só ouviam falar, era rara, escassa. Era racionada. Ninguém pulava na água. Hoje, tem peixe e pescadores. Hoje, onde ela chega é motivo de festa e festa porque ela foi idealizada por um grande brasileiro, o maior e melhor presidente do mundo. O turismo e o comércio nas margens dos reservatórios é um sucesso.

Natural de Garanhuns no Sertão de Pernambuco, o maior, pobre, retirante foi pra São Paulo no Pau de Arara e nunca esqueceu os seus concidadãos. Era preciso resolver o problema da seca no Nordeste. Nas duas monarquias que este país teve esse projeto foi pensado. Dom Pedro II e Dom Fernando Henrique Cardoso príncipe sem Trono amigo de um afrodescendente originário de países nórdicos não os concretizaram. Concreto mesmo, só com o nordestino, Doutor Honoris Causa de inúmeras Universidades espalhadas por todo o mundo, Luís Inácio Lula da Silva.Resultado de imagem para imagens de lula e Dilma na transposição do São FranciscoA transposição da água do rio São Francisco para o Sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte é obra iniciada em 2007 com Luís Inácio Lula da Silva. A ida, outro dia lá, do golpista Temer foi só pra nos fazer rir porque o povo do nordeste, do Brasil e até os minerais sabem, principalmente a água que o idealizador do projeto foi Lula e continuado por Dilma a presidenta que foi eleita com 54.501.118 votos.

Os méritos dessa grande, portentosa  e magnífica obra é dos governos populares de Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Patativa do Assaré, Belchior, Lampião e Maria Bonita, Zumbi dos Palmares, Graciliano Ramos, Lourival Holanda, Glauber Rocha, João Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, todos, todos que trataram sobre as mazelas e misérias do nordeste e especialmente é obra do Povo, dos verdadeiros democratas sem demo do Brasil.

 

CHICO O SPINOZISTA/NIETZSCHIANO

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Viver é um processual contínuo de entrelaçamento de corpos-afetos. É encontrar sempre corpos-afetos que se interpõem entre outros corpos. Ninguém escapa. Sejam corpos-afetos tristes incompossíveis, como diz o filósofo Leibniz, ou corpos-afetos compossíveis.

Estar-no-mundo é se encontrar como autômato diante desses corpos-afetos, mostra o filósofo holandês, Spinoza. Eles chegam sem que se peça, sem que se queira. Porém, mesmo como autômato no mundo é possível escolher com quais corpos-afetos se quer compor. Podemos compor com corpos-afetos alegres e com corpos-afetos tristes, nos diz Spinoza.

Se, sou um corpo-afeto cuja potência de agir é baixa eu componho com outro corpo-afeto com baixa potência de agir, porque sou triste. Sou afecção triste. Estado de coisa triste. Não ao modo da tristeza psicológica compensadora como perda. Mas se, sou um corpo-afeto cuja potência de agir é alta componho com corpo-afeto cuja potência de agir também é alta. Sou uma afecção, estado de coisa, alegre. Não alegria no modo psicológico compensador como ganho.

Assim, nesse processual contínuo de entrelaçamentos de corpos-afetos posso ser tanto escravo como tirano porque minha potência de agir é baixa e me agrada ter o poder como força. Mas o processual contínuo de entrelaçamentos de corpos-afetos também me mostra como sendo um ser livre onde minha potência de agir é um crescente e jamais componha com escravo, tirano como forças.

Todavia, para que eu possa compor sempre alegria é necessário que eu tenha atingido o terceiro grau de conhecimento. O conhecimento que atingiu a reflexão cujo ser é causa de si mesmo e não consequência de outra causa externa ou interna. Como causa de si mesmo o ser não fica a mercê de afetos tristes. Seus encontros, occursos, como diz Spinoza, são sempre bons encontros. São essencialmente éticos, já que a Ética é a práxis dos bons encontros, como diz Spinoza em sua obra máxima, Ética. Os encontros que aumentam a potência de agir do ser. Nada de regra e princípios morais como disciplinas. Dessa maneira, racionalmente, conheço minhas noções comuns que são os afetos-bons que constituem meu ser, e os afetos bons que constituem o ser daquele com quem componho bons encontros.

De forma contrária, aquele que sempre compõe mau encontro, assim o faz porque encontra-se no mais baixo grau de conhecimento ou no conhecimento difuso. No primeiro caso ele é resultado do ter ouvido e visto, o que forma a consciência preconceituosa. A consciência que externa o que lhe foi dito e mostrado como verdades e que não chegou ao grau da suspeita e muito menos da reflexão. O que lhe foi mostrado e falado por seus pais ou os que participaram em sua formação. É sempre consequência, jamais princípio. Só compõe maus encontros que baixam a potência de agir.

No segundo caso é aquele que acredita também difusamente no que lhe contaram. Sabe o dia de seu aniversário, porque lhe contaram, acredita em Deus por tradição e não por exame comparativo com outras religiões, como diz Nietzsche. Sabe que água e o óleo não se misturam porque viu e não por análises de suas substâncias. Esse será sempre efeito e jamais causa. Sempre afecção-triste que só compõe com outros corpos-afetos tristes. Para ele nunca existe bons encontros. Os bons encontros para ele são confundidos com reuniões com seus pares familiares, classe e profissão que também são tristes, mas acreditam que não são em função da alegria psicológica compensatória os ganhos, principalmente materiais.

É por esta distinção que Spinoza afirma que nós não nascemos racionais e sociais. Só nos tornamos racionais quando atingimos o terceiro grau de conhecimento e que nos permite processar bons encontros, assim como realizar relações sociais autênticas que são os fundamentos da democracia: a composição das potências políticas de todos. O terceiro grau do conhecimento também nos torna alegres como disposição contínua de humor.

O que fez Chico diante das aberrações-urbanas? Não processou mau encontro. Não compôs com a tristeza escrava-tirânica-força deles. Se Chico tivesse composto? Estaria perdido. Ficaria triste como eles afundado nos dois mais baixos graus de conhecimentos. Por que Chico não compôs? Porque atingiu o terceiro grau de conhecimento que lhe constitui como ser racional e sociabilizado. Por que Chico riu? Porque, como diz Nietzsche, os homens que pensam profundamente têm a impressão de serem comediantes ao lidar com outros que são superficiais. Se tornar cômico é uma forma de lidar com os atrasados que fomos, já que em um tempo passado, também fomos atrasados e os atrasados atuais, do Leblon, nos surgem como fantasmas de nós mesmos. “Engraçado! Nós já fomos assim!” Ou: “Que horror! Nós fomos assim!?”

Como um ser constitutivamente racional e social, Chico, não poderia ter uma relação amigável com as aberrações-urbanas, visto que, como diz Nietzsche, para um homem livre é impossível ter amigo escravo e ser amigo de tirano.

Chico diante das aberrações-urbanas movimentou seu devir spinozista/nietzschiano  suave e alegremente.

PREVISÕES DA MÃE TRANSVISÃO PARA O ANO DE 2016

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Embora conhecendo o adágio temporal-sacro de que “o futuro a Deus pertence”, membros dos vetores comunicacionais da Associação Filosofia Itinerante (Afin), Blog Esquizofia e Blog Afinsophia , fizeram uma vista a Casa da Mãe Transvisão com o intuito de pedir a ela que, em sua potência-transcendental, realizasse algumas previsões para o ano de 2016 que já se encontra adentrando no ano de 2015. Ano em que as direitas do Brasil contam minuciosamente os segundos para que encerre seu ciclo, visto que fora um ano em que elas não tiveram qualquer de suas intenções conspiradoras consumadas. Entre elas, depor Dilma e prender Lula, dois expressivos brasileiros por suas originalidades.

Mãe Transvisão, como sempre carinhosa, solícita, meiga e inteligente atendeu os consultantes. Em seu salão nobre, completamente colorido, de um psicodelismo envolvente, enlevado por aromas agradáveis, sonorização fluente, ela, em seu traje singular composto por traços cativantes, envolveu-se com a transcelestidade, transtemporalidade, transhistoricidade e trancedência e realizou seus contatos que nos foram comunicados como formas de previsões.

Como Mãe Transvisão é uma mulher eminentemente politizada, ela começou suas previsões pelo que há de pior no Brasil: as ignóbeis trapaças das direitas golpistas comandadas pelo seu persona non grata, Eduardo Cunha.

Então, leiamos as previsões da infalível Mãe Transvisão.

  • No começo do ano de 2016, Eduardo Cunha conquistará a tríplice coroa: será destituído da presidência da Câmara Federal será cassado e preso.

  • Aécio Cunha vai aumentar mais ainda seu tônus biliar: Dilma continuará seu objeto de desejo inatingível. Continuará tramando, mas vai aos pousos ficando mais isolado que já se encontra. Até os coxinhas lhe abandonarão. E para acabar de vez com sua simulação de honestidade, Janot vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) investigação sobre a Lista de Furnas. Esquema de corrupção comandado pelo PSDB sob a orientação do próprio ressentido-compulsivo.

  • Fernando Henrique vai sofrer um grande baque em seu narcisismo já tão anêmico: Dilma vai ter a popularidade de seu governo aumentada.

  • Serra sofrerá investigações e terá seus projeto entreguista do pré-sal totalmente combalido.

  • O senador Agripino Maia vai ser condenado pelos crimes de corrupção e perder o mandato.

  • O vice-presidente Michel Temer, continuará sendo apenas uma figura decorativa no governo Dilma. E sua fama de golpista vai aumentar e nem as mídias aberrantes, suas defensoras, vão conseguir protege-lo.

  • O deputado Jean Wyllys do PSOL vai conseguir maior aderência em suas ideias que serão compartilhadas por grande parte da sociedade brasileira.

  • A deputada Jandira Fegalli do PCdoB vai se tornar a representação-mor das mulheres combativas do mundo indicada por organismos internacionais.

  • Os institutos de pesquisa eleitoral vão sofrer o ano inteiro: terão que divulgar resultados de suas pesquisas para a eleição presidencial de 2018 com Lula disparado na liderança.

  • O deputado racista e homofóbico Bolsonaro será definitivamente condenado por ter ofendido a deputada Maria do Rosário (PT/RG).

  • Fernando Henrique terá um ano doloroso e tenso: as investigações sobre esquema de propina na Petrobrás em seus governos aumentarão de tal forma que nem as mídias, suas protetoras, poderão escamotear as notícias sobre esse esquema de onde se originaram Paulo Roberto Costas e Pedro Borusco, ambos presos pela Operação Lava Jato.

  • Dilma não vai sofrer impeachment, a economia vai voltar a crescer, a maioria dos brasileiros terão suas vidas melhoradas e parte das direitas vai morar na Argentina para apoiar o governo Macri.

  • Lula será indicado ao Prêmio Nobel da Paz e Fernando Henrique será acometido de forte crise de invejite-tremules.

  • Os movimentos sociais e os sindicatos serão mais fortalecidos e terão maiores participações em decisões importantes para a sociedade brasileira.

  • As artes como o cinema, teatro, música, literatura, dança, todas as formas de expressões populares terão maiores investimentos.

  • Os estudantes do ensino público do estado de São Paulo, que mudaram o conceito de educação no estado defendido pelo governador Geraldo Alckmin com seu plano de ‘reorganização’, vão constatar o fim desse plano.

  • O compositor, cantor, escritor, teatrólogo, poeta, articulista Chico Buarque receberá das mãos de um organismo internacional o título de representante-maior da sensibilidade e inteligência frente estupidez-arrogante da burguesia-desvairada.

  • A surpresa das eleições municipais de 2016 será o número de prefeitos eleitos de partidos progressistas, assim como vereadores.

  • Em Manaus, o prefeito que jurou aplicar uma surra em Lula, Arthur Neto, não será reeleito apesar do grande esquema de cooptação de funcionários como cabo eleitorais. Seu pior cabo eleitoral serão os buracos que ele produziu em Manaus como continuação das gestões de prefeitos anteriores como seu amigo Amazonino, ex-prefeitos Serafim e Alfredo. Professores, médicos e outros profissionais lambaios continuarão votando nele, mas não será um número insuficiente para reelegê-lo.

  • Muitos vereadores que usam as igrejas como catapulta para a vereança não serão reeleitos, assim como os chamados novos também.

  • Os principais candidatos que disputarão a prefeito de Manaus serão um de partido progressista e outro, como é comum no Brasil, de um partido reacionário. Mas não serão do PSDB, PPS, DEM, SD e REDE.

  • O governador do Amazonas, José Melo, será cassado, mas vai recorrer em outra instância. Porém, no final será cassado de vez.

  • No mesmo momento da derrota de Arthur e a cassação de Melo, jornalistas e empresas de comunicação submissas e calculistas a ambos cuspirão nos pratos que babaram.  

  • A TV Globo vai continuar perdendo audiência junto com sua emissora de rádio CBN, e será denunciada e investigada pelo FBI no esquema de corrupção da FIFA e ainda será, terminantemente, obrigada a pagar sua dívida com a Receita Federal.

  • As inúteis revistas lamê Veja, Época e IstoÉ diminuirão suas finanças, irão despedir funcionários e ficarão com os pés na cova do capitalismo.

  • Por sua vez, os blogs, sites, portais progressivos, também conhecidos como “sujos”, aumentarão seus acessos. E também terão aumentados seus anúncios de publicidades.

  • A Seleção Brasileira vai continuar sofrendo em busca de sua classificação para a Copa do Mundo. Porém, só no ano que vem é que se saberá ao certo se será classificada ou não.

No fim das previsões, os membros dos blogs pediram que Mãe Transvisão, fizesse algumas previsões para a Afin. Então, ela pousou nos membros dos blogs um olhar cândido e sorrindo suavemente disse que a Afin apenas processasse seus devires com confiança, engajamento e responsabilidade como vem fazendo há mais de 13 anos.

O que eles queriam mesmo era saber qual seria a conclusão do processo que a Afin vem respondendo no Paraná porque seu Blog Afinsophia publicou um artigo, em 2012, sobre um caso de racismo e foi acusada de prática de ofensa e ter que pagar R$ 30 mil de indenização.

Ao saírem da casa sagrada Mãe Transvisão abraçou todos os abençoando  proferindo louvor: “Axé, meus filhos e filhas!”. Ao que eles responderam: “Axé, Mãe Transvisão!”

QUANDO ALGUÉM É CAPTURADO POR UM AGENCIAMENTO COLETIVO DE ENUNCIADOS MOLARES, ELE ACREDITA QUE FALA, MAS NÃO FALA. ASSIM É A MÍDIA ACÉFALA E SEUS SEGUIDORES: TODOS MUDOS

bocaFECHADA_2(4)A linguagem em um sistema capitalista é uma voz de comando fincada em três estratos de defesa: organização, significante e subjetividade. Uma voz de comando para que aqueles que são seus sujeitos de enunciados conservem e alimentem os seus elementos sobrecodificadores que mantém esse sistema nos seguimentos de seleção, classificação e hierarquização.

Para que o sistema capitalista se sinta bem protegido ele necessita de uma forma de agenciamento coletivo de enunciações molares para ser reverberado pelo sujeito do enunciado. Aquele que foi capturado nesse agenciamento para ser seu defensor. Mero propagador de seus códigos dominantes. Como se trata de um agenciamento cuja atuação é simuladora o sujeito de enunciado não sabe por que tem esse comportamento que ele toma como seu, saído de sua vontade. Ele acredita que fala quando não fala. Ele apenas reverbera os códigos agenciados pelo sistema capitalista dominante.

Apanhado nesses enunciados sobrecodificadores ele jamais se desterritolizaliza em mutação para outro território como um novo modo de ser. Ele é sempre a ressonância do mesmo. Por mais que troque de mulher, de homem, de roupa, de endereço, de carro, de profissão, de colegas, até de pele, faça inúmeras viagens, ele é sempre agente ecolálico desse sistema. O teatrólogo Bertolt Brecht diz que um homem sente protegido em sua própria pele. Nesse caso ele se equivocou, porque um sujeito de enunciado não tem pele própria. Sua pele é nada mais do que o invólucro produzido pelo agenciamento coletivo de enunciados que é o sistema capitalista.

Capturado nessa sobrecodificação molar, o sujeito de enunciado sequer tagarela, visto que até no tagarelar é possível escapar um tique em forma de atos falhos revelando um além de tal mudez. O que levaria a exclamação: “Olha, ele pode falar!”. Mas ele não fala, porque, também, perdeu o sentido da suspeita. Se ele tivesse o sentido da suspeita ele descobriria que sua mudez não muda nada. Pelo contrário, conserva tudo da mesma forma, substância e expressão. Sem suspeita o mundo não existe, já que ele se mostra em uma harmonia, uma hegemonia e uma paz que perturba até Deus. Tudo o que ele propende: estar acima de Deus. Já que não consegue ser Deus, que seja superior a Ele.

O que ocorre no Brasil atual é essa dificuldade de se perceber e tentar mudar a ditadura da não-linguagem. Perceber que Fernando Henrique não fala, Aécio não fala, Caiado não fala, Eduardo Cunha não fala, Rena Calheiros não fala, todas a mídias acéfalas não falam, muitos empresários não falam, falsos intelectuais não falam, só reverberam os agrupamentos molares da subjetividade estratificada pelos códigos do sistema capitalista. Os ecos desses personagens são fantasmas que esvoaçam seus mantos com o intuito de manter o medo nos fantasmagorizados. Estão todos a serviço do castelo mal-assombrado que refletem os estratos capitalistas.

Daí, que quando alguém tenta responder ao eco de um desses fantasmas não só se ilude como também se paralisa, já que a mudez deles não é traspassada por movimento. A linguagem institui o homem como um ser em movimento que se desloca criando os mundos como conceitos mutantes. Responder a eco é eliminar a linguagem como conceito mutante e desterritorializante. Enquanto alguém se ilude comentando o eco, o eco jamais vai procurar saber de onde vem à voz de comando que ele ecoa. O comentário sobre o eco leva o eco acreditar que é amado, por isso deve continuar ecoando. Tudo que a voz de comando persegue.

Mas o Brasil não é só ecolalia que se quer dominante. Ele tem seus epistratos e paraestratos que se movimentam fora e dentro dos estratos bem organizados, significados e subjetivados. São potências que compõem um corpo social como máquina abstrata de mutação como singularidades periféricas que enfraquecem e deslocam as forças do centro nuclear, estratos-sedimentados, e emergem como políticas movimentos sociais que vão além do Partido dos Trabalhadores que, em verdade, também, em parte, encontra-se sedimentado por esses estratos molares que impedem a passagem das intensidades produtoras de novas formas de existências.  

São singularidades, multiplicidades, corpos moleculares, fluxos mutantes, quantas desterritorializantes que constituem a voz do dono e o dono da voz. A linguagem do corpo que fala por si mesmo. Uma voz inaudível e ininteligível aos sujeitos-sujeitados dos enunciados. 

DIA NACIONAL ANTIMANICOMIAL MOSTRA AUSÊNCIA DE POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL

Luta-Antimanicomial-okNo entendimento antipsiquiátrico produzido por Fanon, Basaglia, Bateson, Cooper, Laing e filósofos como Nietzsche, Marx, Sartre, Foucault, Guattari e Deleuze entre poucos, a questão mental no sistema capitalista ainda não foi examinada e mostrada sem metáforas, visto que as psicoses não são ilustrações-imaginárias.

Quando alguém envolvido com essa questão entende o que Marx diz que no sistema capitalista as organizações sociais são patologias, sabe que o entendimento das psicoses não é uma questão meramente de clínica. Há loucos instituídos que não são levados às clínicas e continuam atuando com suas psicopatologias paranoicas para que outros sejam levados aos estados de loucura e aí serem jogados em instituições psiquiatras. Guetos instituídos, onde os internos só esperam o fim.  

Esses loucos que não são levados às clínicas fazem parte do ideário burguês. Compõem o quadro dos agentes de psicotização dos outros. São pais, patrões, economistas, pastores, políticos, professores, médicos, assistentes sociais, falsos filósofos, sociólogos, juristas, mídias, esportistas, jornalistas, etc., todos com a missão determinada para escolher e condenar aquele que será responsável pelas organizações sociais patológica, que diz Marx. O filósofo que contribuiu com suas ideias para psiquiatrização do mundo burguês.

Uma forma instituída de psicotização do outro é apresentado pela relação capital-trabalho no sistema capitalista através da representação do salário como objetividade da força de produção do trabalhador cristalizado na mercadria. Não há possibilidade de saúde mental e física em uma estrutura em que o homem é transformado é mero produtor de valor econômico que abastece a voracidade do mercado enquanto perde seus corpos físico, sensorial, sexual afetivo, volitivo e intelectivo. Ainda mais quando faz parte de uma divisão de trabalho em que seu corpo geral se transforma em um simples objeto parcial. O que levou Marx a afirmar: “O trabalhador se torna mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadoria cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens”.

Nessa estrutura que produz e, ao mesmo tempo, reflete as relações sociais o trabalho sente seu mundo se fechando em si. E, como é sabido, quando os sentidos e o corpo são limitados por forças opressivas, que são as formas de produção no sistema capitalista, o homem entra em processo de alienação que lhe conduz à loucura-clínica. Uma loucura por não suportar o mundo que lhe impuseram com suas forças-econômicas coercitivas. De forma cruel, é quando ele escapa da fábrica de enlouquecimento mantida pelo proprietário e os profissionais coadjuvantes citados acima. Os sentidos e mentes paranoicas.

Como se trata de saúde mental é necessário não deixar fora da análise psiquiátrica antimanicomial os parlamentares que votaram pela terceirização contribuindo para precarização do trabalho e a perda de direitos dos trabalhadores e, consequentemente, auxiliando diretamente na fabricação da loucura dos trabalhadores violentados em seus direitos, já que a saúde mental dos indivíduos depende do grau de violência que possa sofrer e suportar. Assim, a terceirização não é só um desmanche dos direitos dos trabalhadores, mas, também, um corpo de opressão que atua na psicotização do trabalhador. Daí, que como esses parlamentares estão capturados e imobilizados pelas linhas-molares do sistema eles, como todos reacionários e embrutecidos burgueses, nem sentem as suas violências. Mas, como diz Marx, não sentem, mas fazem.

Esses parlamentares são apenas um mostra de como as classes, os grupos e instituições contribuem com suas parcelas para o enlouquecimento do outro que lhe serve de objeto de sublimação de suas próprias psicopatologias. Há nesse quadro até gente de boa fé que embora trabalhe na política de saúde mental e luta antimanicomial,  mas como se encontra muito bem institucionalizada, sem saber, é um dos obstáculos internos na produção de uma nova forma de entendimento e terapia para os necessitados. Por tal, o quadro mostra por que ainda é quase nula a politica de saúde mental. 

27e31550-ba07-404a-a5a9-0bbd78648b59Todavia, associações, entidades, grupos de São Paulo aproveitaram o Dia Nacional Antimanicomial, para apresentar, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) reivindicações e protestar contra essa violência institucionalizada que a maioria dos governos estaduais e municipais fazem descaso e possibilitam tipos de terapias por grupos que não conhecem as leis e muito menos os tratamentos necessários como são os casos de certas comunidades religiosas, segundo Fernanda Magano, presidenta da Federação Nacional dos Psicólogos.

“As comunidades não têm uma posição laica sobre o atendimento da saúde mental. Acabam se eximindo de todas as diretrizes do Ministério da Saúde e fazendo procedimento de encarceramento dessas pessoas. São novas formas de manicômio com outros nomes.

Com essa falácia de epidemia de crack, se abriu um espaço enorme para as chamadas comunidades terapêuticas.

A gente ainda tem uma concentração de leitos em Sorocaba: são sete grandes hospitais”, observou Fernanda.

A REDUNDÂNCIA/SIGNIFICANTE DA ENUNCIAÇÃO “EXTREMAMENTE GRAVE” USADA POR AÈCIO E SEMELHANTES

ad4f7-aecio-neves-jpg_195624“A linguagem não é mesmo feita para que se acredite nela, mas para obedecer e fazer obedecer”, dizem os filósofos Deleuze e Guattari. A assemelha-se a B, B assemelha-se a C, C assemelha-se a D e assim se mostra o destino inglório incomunicante. O ouvinte A obedece a mensagem sem analisa-la, e passa para B que lhe obedece. Por sua vez, depois de obedecer A, C se faz obedecer por D, o mesmo D faz com C e assim ao infinito o significante se imobiliza no vazio como ilusão de comunicação. Ou seja, ninguém fala e, consequentemente, ninguém ouve. É a tirania do discurso indireto.

Na verdade o que se tem é a imobilidade da palavra de ordem, expressada no significante, que se quer como veracidade comunicativa através da linguagem. Triste querer, já que a linguagem não é para que se acredite nela. Tudo não passa de uma ecolalia. Ou, se alguém se apetecer, tautologia. A redundância do mesmo. O significante sem referência real, apenas como abstração-linguística. Para um entendimento mais simples: o discurso do vazio. Ironicamente: dizer nada não dizendo. Escárnio-linguístico: se o nada é o nada sempre há nada que dizer. Daí que o ecolálico é o puro modelo do vazio-linguístico.

A redundância ou a mostra espectral do significante é o suporte dos meios de comunicação de massa, mesmo quando as expressões parecem ser diferentes. Se não houvesse a força cristalizadora da redundância-significante não haveria meios de comunicação de massa, cujo propósito é fazer com que todos os códigos que se apresentam como diferentes sejam, ao mesmo tempo, os mesmos em seus objetivos: colar como necessários no sujeito-sujeitado ou sujeito massificado.

Tanto os meios de comunicação de massa quanto os sujeitos-sujeitados ou sujeitos massificados apresentam um atributo necessário para que a imobilidade linguística se faça na ordem viral. É necessário que eles encontrem-se socialmente na ordem do clone ou do replicante. Que eles sejam cópias de um modelo virtual que não tem referência real. O que significa que não possuem essência, origem natural, função, substância de troca como afirma o filósofo Jean Baudrillard. São meros espectros fractais.

Pois é nesse quadro da redundância/significante, da ecolalia/clonada, que o senador derrotado, ressentido e conspirador-cômico, Aécio Cunha, e outros da mesma estirpe-afásica, flutua em suas enunciações quando recorre ao “extremamente grave” ao fantasiar sobre uma notícia que ele acredita que pode atingir o governo popular da presidenta Dilma Vana Rousseff. Como Aécio já demonstrou que não é homem de estudo, ele não pode entender que esse recurso tautológico jamais atingirá o governo, visto, que como toda redundância/significante, não tem referência no mundo real. Daí que se trata de uma empresa patética que só causa frouxos risos nos que entendem que tudo não passa de simulação-linguístico.

Ao fazer uso do superlativo “extremamente”, Aécio Cunha, o ressentido, acredita que pode influenciar outras pessoas a tomarem o adjetivo “grave” como fator-movente que as levem a se posicionarem contra o governo Dilma. Patética intenção-tautológica, visto que a maioria da sociedade brasileira tem uma existência real e não virtual. Nem seus semelhantes ele influencia, já que se eles acreditam no “extremamente grave” é porque já se encontram clonados na ordem da redundância/significante da simulação-virtual. Ou seja, já se encontram sujeitados a afazia e a surdez que nega a linguagem criadora de significados como troca de valor comunicacional. Estão clonados como entes replicantes dos mesmos códigos-molares.  

Em síntese: neles falta o confronto o Eu e o Outro como alternância de existência ontológica. O que constitui o fundamento político dos que vivem em sociedade-democrática.

AS DIREITAS ANALFABETAS QUEREM O BRASIL SEM O P T: DELÍRIO-LINGUÍSTICO-POLÍTICO-GEOGRÁFICO

32897C4DD7D701091E1B5C7ABC043BE0ED520681B5A41E367D42D383D4C4A13AQualquer pessoa com zero grau de cognição não atribui qualquer sabedoria coletiva as direitas. As direitas do Brasil há muito confirmaram que são rudes, embrutecidas e pervertidas. Não é por um simples acaso que o gozo delas é proporcionado pela dor, pelo ódio. É lógico, que com ódio ninguém goza, mas elas, em seus estados de delusões, acreditam que sim.

As direitas são o modelo fiel dos tipos básicos de analfabetos.  Analfabeto funcional, só perseguem seus interesses, do analfabeto profissional, só tratam de suas profissões e analfabeto político, não tem qualquer dimensão política. Como são vaidosas, arrogantes e prepotentes, elas agora decidiram a ser conhecidas por mais um modelo de analfabetismo: analfabeto-analfabeto.

Fazendo uso de uma criança com um cartaz nas mãos – nada de pudor -, elas estão propondo a retirada do P T do Brasil. Uma descarada confissão de analfabetismo-analfabeto. Tirar o P T do alfabeto português-brasileiro não é só a confissão de total irracionalidade como também é uma assassina violência-epistemológica.

O alfabeto português-brasileiro tem 26 letras. Tem aquela onda com as letras K, Y e W. Se a onda pegasse, seriam apenas 23 letras em nosso maravilhoso alfabeto, mas como a onda não pega, são 26 letras na maior. Pois bem, as direitas querem tirar do Brasil o P T. Se esse delírio-linguístico fosse possível acabaria com o Brasil. Prevaleceria um País sem qualquer significado-significante-epistemológico de Brasil. Não seria nem um espectro. Seria a materialização do verdadeiro terrorismo. Seria desrealização brasileira. O desaparecimento total.

Sem o P não seria possível escrever e nem se pronunciar Petrobrás, Politico, Política, Palácio, Planalto, Parlamento, Pagode, Pupunha, Piedade, Paixão, Profissão, Pinga, Pimenta, Pilhéria, Planície, Platão, Pelada, Palmeiras, Pênalti, Penalidade, Penicilina, Penico, Pilantra, Pica, Peixe, Periquita, Pecuária, Paulista, Paraense (que dor, meu Deus!), Piauí (mais dor), Pavão, Pistão, Percussão, Petroquímica, Pré-sal, Palhaço, Puxa-saco,  Puxeta, Pulha, Prudência, Primo, Psicanálise, Politzer, Polissílabo, Pixote, Público, Psicodélico, Proteína, Placenta, Papai, Piroca, Piroga, Protesto, Protético, Pitiú, Provocação, Protagonista, Promotor, Procurador, Preto, Professor, Produtividade, Pragmatismo, Prêmio, Primavera, Processo, Papete, Pesquisa, Peruca, Pestana, Pescador, Pauleira, Punheta, Peru, Pente, Pera, Pensador, Pedestre, Pedagogia, Pedreiro, Peito, Passeata, Psicopatologia, Pé, Papo, Picolé, Pirulito, Pipoca, Parteira, Parceiro, Padaria, Paissandu, Porco, Pacu, Pirarucu, Poltrona, Padroeiras, entre outras brasilidades.

Porém, o que se configuraria no maior ato terrorista com a tirada do P, seria que não se poderia mais se falar de Povo. Um País não existe sem povo. Mas é exatamente isto que as direitas pretendem e para isso contam com as parcerias do capital estrangeiro. As direitas querem acabar com o povo. E mais, extraindo o P do Brasil, não teríamos Plebiscito que é a voz do Povo. As direitas se mijam de medo do Povo e do Plebiscito.

E se saísse o T do Brasil? Escafedeu-se, seu Zé! Não haveria mais Trabalhador, Trabalho, Trabalhismo, Transporte, Trombone, Taxista, Transexual, Tijolo, Tartaruga, Tamanduá, Tia, Tinta, Tino, Tacacá, Tapioca, Taperebá, Tangirina, Trambique, Testemunha Testículo, Teteia, Tesão, Texto, Tíbia, Tiara, Toque, Tipografia, Teatro, Tigela, Tangará, Ticunas, Tupy, Tambaqui, Tucumã, Tucunaré, Tainha, Tijolaço, Tesoura, Tempero, Teoria, Tapuia, Tato, Temperatura, Trigo, Teologia, Triângulo, Teorema, Tambor, Tamborim, Tarde, Teclado, Técnica, Tabaco, Taberna, Tabefe, Talento, Tamoio, Tapete, Tarifa, Tecelão, Tatu, Tarraxa, Tarugo, Tchau, Taverna, Telescópio, Televisão, Telefone, Telecomunicação, Tecnologia, Tratado, Tabatinga, Taguatinga, Taiguara, Terapeuta, Terapia, Tese, Testa, Toda, Tobogã, Tocata, Tolerância, Touro, Torneio, Tracajá, Tradição, Transcendência, Transversal, Tinhorão, Trave, Traquinice, Trompete, Túrgido, Tuxaua, trópico, Tropical, entre tantos brasiliteis.

Mas o objetivo maior das direitas com o fim do T, é que com o T se escreve e se testemunha a Terra. A Terra é Territorialidade. Práxis do Povo. Sem Terra não há Povo. É por isso que as direitas querem entregar a Petrobrás para o capital estrangeiro, porque a Petrobrás é produto da Terra Brasil. Se não houvesse a Terra Brasil não haveria a Petrobrás. O que significa que as direitas são inimigas do Brasil, conspiram contra a soberania nacional e pretendem o fim do Estado de Direito que garante a democracia que hoje se vive no país.

Diante desse quadro linguístico-epistemológico-político-geográfico o delírio das direitas não pode se tornar realidade, porque o Brasil não existe sem o P T.

ARIANO SUASSUNA O CANTO ALEGRE DE DIONÍSIO

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O filósofo alemão Nietzsche em sua obra Origem da Tragédia, pergunta: “O que é o espírito dionisíaco?” Ele responde: “É a alegria, a vontade, a saúde exuberante e o excesso de vitalidade”. Em sua outra obra A Visão Dionisíaca do Mundo, ele afirma que “as festas de Dionísio não afirmam apenas a ligação do homem entre os homens, elas também reconciliam homem e natureza”. E em outra parte da obra, ele demonstra que “o caráter artístico dionisíaco não se mostra na alternância de lucidez e embriaguez, mas sim em sua conjugação”.

Analisando sua obra e compreendendo seu modus de ser não como não perceber a vontade de alegria, a vitalidade criativa e a reconciliação homem natureza dionisíaca em Ariano Suassuna. Por onde transita, Ariano Suassuna, sopra a potência do cômico criador e transformador que nos oferece o deus da vida: Dionísio. Ele soube como capturar seu espírito e seu caráter artístico que servem às vibrações do existir.

Todas suas obras carregam potências alegres necessárias para se conjugarem como bem do existir. Elas também são encontradas em suas formas pessoais de relação com os outros. O socialismo que ele carrega mostra claramente essas potências alegres que propiciam aos homens, em comunalidade, a vitalidade do viver. Não se trata de uma ideologia regrada e sedimentada, mas uma cartografia de desejos produtores de forma de existências coletivas alegres.  Daí porque Ariano Suassuna encontra-se sempre disposto aos outros como amigos.

Suas conversas, os causos que apanha e despacha, suas aulas dionisíacas são referendos à sua criatividade cotidiana. Nascido na Paraíba, mas habitante de Pernambuco, porém sua estética existencial não se territorializa. Salta sempre em desterritorialização produtiva. Não há como fixá-lo, porque há em sua “saúde exuberante”, “o excesso de vitalidade” que impede que seres como ele transmutem-se em sujeitos de habitação. Essa sua prova pública de seu “caráter artístico”.   Ariano Suassuna

Para um homem como Ariano Suassuna, as honrarias não lhe afetam, e não lhe causam orgulho. Suas criações são seus meios ontológicos de confirmar a existência. Chegam e se distribuem em outras composições singulares convidadas pelas pessoas. João Grilo, O Auto da Compadecida, O Santo e a Porca, Uma Mulher Vestida de Sol, A Farsa da Boa Preguiça, Romance d’A Pedra do Reino, outras, são meios ontológicos de celebrar dionisiacamente a vida.Ariano Suassuna (Foto: Estadão Conteúdo)

“Quem são os homens mais do que a aparência do teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida”, diz Suassuna.

RENÚNCIA BENTAL XVI E ELEIÇÕES NO EQUADOR: DOIS FATOS MEMORÁVEIS

RELIGIÃO, LINGUAGEM, PODER E MEDO

A religião como criação humana foi um recurso para grupos de pessoas, comunidades se darem muito bem. A linguagem, capacidade que o homem possui, favoreceu que se criassem tudo que existe hoje. Acreditar, por exemplo,  em mitos. Mito significa narração. Narração oral primeiramente. Depois com a criação da escrita passou-se a sistematizá-los e chegaram até nós. Existem mitos em todas as sociedades. E muitos desses mitos envolvem Deuses. Piorou quando  nos impuseram um único Deus.

Essa foi a grande sacada para o surgimento das religiões e posteriormente  enriquecimentos utilizando Deus como moeda de troca. A religião católica soube explorar tão bem esse negócio que se constituiu numa das maiores instituições responsáveis pela disseminação de valores morais, religiosos e psicológicos que marcam nossas vidas e de milhares de pessoas pelo planeta Terra.

A igreja católica sempre foi mercenária. Sempre gostou muito de dinheiro e poder. Na idade Média constituiu-se como a maior detentora de terras em várias partes da Europa ao ponto de formar um Estado dentro de outro Estado para comandar os católicos em várias partes do planeta. Proibiu o casamento de padres para não ter que dividir sua riquesa. A igreja católica era uma senhora feudal. Para dominar seus seguidores  utilizou do medo e da morte, do inferno e do paraíso para conquistar fiéis. Vender indulgências para conquistar um espaço no céu demonstra seu poder deletério contra o ser humano.

A renúncia do papa Bento XVI está em volta de tudo isso ai. Traição, corrupção envolvendo o Banco do Vaticano, o IOR, pedofilia, máfia, assassinatos, vazamento de documentos secretos, prisões e disputa entre cardeais acolhidos por sua reverendíssima. Essa mesma turma que neste momento faz intriga com Bento XVI foi responsável por envenenar e matar no seu leito o papa João Paulo I. João Paulo II afastou uns e conseguiu longevo mandato. Entretanto, durante sua estada no Vaticano foi assessorado por Ratizinger, prefeito para a doutrina da fé que impôs a Leonardo Boff  e a todos os teólogos  propagadores da Teologia da Libertação lei do silêncio. Jogava por terra todos os princípios produzidos pelo Congresso de Medellin, Puebla e o Concílio Vaticano II.    

A divulgação de sua renúncia é um fato bom.  Alegou inicialmente doença, velhice, ponte de safena, falta de forças. Que se tornou papa já com idade avançada. Mas aos poucos novos fatos vão aparecendo o que demonstra que a Igreja católica divulgadora da “boa mensagem” não passa de uma simuladora de comportamento moral, ético, religioso que não a pratica.

 RAFAEL CORREA: HABEMUS PRESIDENTE

Outro fato que consideramos da maior importância para a América Latina são as eleições que acontecem hoje no Equador. O atual presidente Rafael Correa concorre para o seu terceiro mandato consecutivo. Enfrenta sete concorrentes e segundo informações de agências nacionais e internacionais tem a preferência da maioria do eleitorado equatoriano.

Neste blog já falamos da importância que Rafael Correa representa na América Latina. Junto com Evo Morales, Hugo Chaves, Mujica, Cristina Kirchner, Dilma Rousself, Raul Castro. A eleição de Rafael Correa referendada hoje possibilitará que a Revolução Cidadã dê continuidade no Equador,  que a lei dos médios será regulamentada pelo Estado e, claro, a direita tanto de lá como daqui torce para que o nosso filósofo não seja vitorioso, pois é preciso prender Julien Assange que está exilado na embaixada equatoriana em Lodres e que vem causando  prejuízos para os cofres da Coroa a permanência de seguranças para prendê-lo.

A vitória de Rafael Correa é importante porque é mais uma voz na América Latina para enfrentar as forças alienígenas do capitalismo segregador norte-americano e da direita por cá dominadora e especialmente para livrar Julien Assange da extradição, vontade que o governo americano não nutre, pois quer vê-lo no xilindró por ter divulgado documentos secretos de Tio Sam.

    

 

 

INEP ESTUDA POSSIBILIDADE DE TRADUTOR DE LIBRAS NO ENEM

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) estuda pedido do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul para que os estudantes com deficiência auditiva que vão se submeter ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tenham direito a intérpretes ou tradutores de libras, a língua brasileira de sinais, na hora da prova. Para o MPF, o profissional deve ter aprovação em proficiência em libras e nível superior.

No entender do MPF, na hora do exame de redação o desempenho do candidato fica comprometido pela ausência desse profissional. “Atualmente a tradução de libras para o português é prejudica porque os profissionais não têm a devida habilitação.”

O Inep tem dez dias para responder à recomendação do MPF. Embora a recomendação não tenha valor de ordem judicial, o Inep vai observá-la para evitar futuras ações judiciais.

DIREITA VOLVER NO CHILE OURIÇA DIREITA DO BRASIL

A direita volver no Chile não excitou apenas os reacionários chilenos. Ultrapassou fronteiras. Chegou em todos os territórios das Américas – por que não dizer do mundo? -, onde ela não dormita um só segundo tal sua avidez capitalista. Nessa sua ultrapassem fronteiriça, ela mostrou seus tentáculos, principalmente no Brasil, que não satisfeita, e saudosa, com apenas sete anos fora do que ela alucina ser poder, e próximo às eleições gerais de 2010, babou de contentamento com Piñera eleito.

De acordo com seu entendimento – o mais baixo grau de inteligência, diria o filósofo Spinoza – a elevação da direita ao poder chileno, disputando com um candidato centro-esquerda, apoiado pela presidente Bachelet, com 81% de aprovação de seu governo pela população, e que não conseguiu ser eleito, permite-lhe acreditar que a eleição para Presidência da República, com seu eterno candidato Serra, está no papo.

Como a interpretação não é, fundamentalmente, atributo da razão, mas da imaginação e superstição, ao contrário do exame e da análise, fatores dialéticos, e como o que a move são suas próprias fantasias produzidas no absurdo de sua alienação, ela crê, de pés juntos, que Lula será a Bachelet de Dilma. Assim como Dilma será o Eduardo Frei de Lula nas eleições no Brasil. Um ridículo reducionismo que compromete a genitalidade dos personagens e sua opções sexuais.

Imobilizada nessa interpretação, e agora amparada pelas declarações do reacionário Piñera, afirmando que popularidade de governante não é transferida em eleição para o seu candidato, ela se pôs a ‘polivociferar’. E haja ‘agripinagem’, misturada com’ ‘demostenagens’ e ‘psdbzagem’, as vozes do múltiplo ignorante-ignóbil.

A POESIA DE NERUDA E LULA

Qualquer aluno da oitava série sabe que Marx disse que “todos os grandes acontecimentos e personagens históricos se repetem por assim dizer… a primeira vez como tragédia e a segunda vez como farsa”. Como tragédia, é o novo, onde cabe a eleição de Lula, em um Brasil amaldiçoado pela direita. Como farsa, em um passado próximo, a eleição de Fernando Henrique. No Chile, a eleição de Piñera, o velho conservadorismo apoiado pelas oligarquias chilenas, militares que participaram da ditadura, a classe média indiferente, uma grande parte da juventude alienada, e o antigo modelo político do tempo da sangrenta ditadura Pinochet.

Como o velho conservadorismo é uma subjetividade despótica mundial, não foi acidental que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou, em meio às suas fantasias farsescas, que Piñera – uma espécie de Berlusconi chileno, visto ser proprietário de um time de futebol, o Colo-Colo, e detentor de concessões de canais de TV, além de um dos homens mais ricos do Chile -, pode fazer grandes reformas políticas e sociais que a esquerda não fez no Chile, durante seus vinte anos no poder. Uma clara “lógica” de que se a direita ganhar no Brasil, fará as reformas que o governo Lula não fez. Diante dessa afirmação estapafúrdia de Torres, todo aluno da oitava série entende que ele não leu Marx. E o mais terrível é que ainda há sujeitos que afirmam ter sido o ensino antigo muito melhor do que o de hoje.

Deste modo, a interpretação da direita leva à desaparição antropológica, biológica, cultural, social, econômica, política, religiosa, e até esportiva, dos dois países, magicando em seus lugares a unicidade projetada por seu delírio. Para ela não contam as experiências originais de cada povo, que fazem com que cada um seja singular para o outro. Nisso, ela não vê que o povo, com Lula, carrega afecções que Neruda carregava com o povo chileno, e que não se encontram nos eleitores de Piñera. Afecções que não são capturáveis pelas enfermidades conservadoras. Aí a poesia de ambos. O que não há na cacografia da direita.

Mas há algo de bom para a democracia brasileira na interpretação da direita. Ela afirma que está se pelando (por nossa educação francesa, não podemos usar outro termo) de medo da Dona Dilma, e tem certeza que seu grande cabo eleitoral é Lula. E que ele vai compor sua potência de agir com o povo como modus de eleição da companheira. Esse medo mostra que, apesar da direita não ter lido Marx, e nem ter feito a oitava série, ela sente que a história se faz, apesar das contradições impostas pelos reacionários.

TRÊS MESES DO “NOVO” NA CIDADE DE MANAUS

Um governo que se localiza próximo a uma tirania ou ditadura caracteriza-se menos pelos seus adereços de ordem fascistas do que pelas interdições que carregam e tentam disseminar no plano das relações coletivas de um povo. Assim, uma ditadura não precisa dos militares para existir, assim como também podem existir governos tirânicos à esquerda e à direita, ao menos num plano ideológico.

A linguagem é uma das vítimas preferidas dos governos de interdição. A proibição de palavras, bem como a modificação do seu sentido são recursos usados pelas ditaduras. Assim, por exemplo, na obra “1984”, do indo-britânico George Orwell, os ministérios do Amor, da Verdade e da Paz cuidavam, respectivamente, do ódio, da mentira e da guerra.

Em Manaus, guardadas as devidas proporções em termos de inteligência, também já houve diversas manifestações de governos autoritários de interdição. Em uma eleição, anos atrás, o ex-governador, ex-prefeito e atual prefeito cassado, Amazonino Mendes, utilizou a justiça (outra distorção semântica…) para proibir durante o horário eleitoral gratuito, a palavra “sistema”, usada pelos adversários para se referir à máquina governamental usada por ele na campanha.

Mas, atualmente, é o uso da palavra “novo”, pela população, que vem sendo modificada a fim de, pelo humor, mostrar a ausência de um prefeito para a cidade

TRÊS MESES DO “NOVO”

Aos 90 dias da administração amazonínica, à guisa de medida cautelar debilmente segura pelo TRE-AM, e sob perigo iminente no TSE, a palavra novo é usada de forma irônica pela população e até por servidores municipais em diversas situações. Por exemplo:

O contribuinte que vai à SEMEF pagar uma conta e descobre que as facilidades que existiam desapareceram e acresceram significativas horas de espera em filas, exclama, ou ouve do servidor: “é a nova gestão!”.

Um comunitário vai até um centro de assistência social em busca de um curso profissionalizante, ou grupo de atividades infantis, adultas ou para a chamada terceira idade, ouve do funcionário que as atividades estão suspensas desde o início do ano, e exclama: “é a nova gestão!”.

Alguém que passa de manhã em uma rua atingida pelo plano emergencial da prefeitura, olha e não vê buracos. De tarde, depois de uma chuva rápida, passa pela mesma rua, e lá estão os antigos conhecidos, até maiores. E vê o barro que foi usado pelo plano de emergência na sarjeta, carregado pela força reveladora das águas. Exclama: “é a nova gestão!”.

Professores e servidores da educação pública, que precisam de licença médica ou de afastamento por outros motivos, e que têm direito à tal, quando procuram a administração da SEMED, recebem um sonoro não, além de ter que conviver com o atraso no pagamento da carga dobrada, no caso dos professores. Nos corredores, a frase: “é a nova gestão”.

Servidores da assistência social em regime de prestação de serviços, alguns tendo trabalhado abertamente na campanha do atual prefeito interino, frustrados ante à expectativa de regularização dos seus contratos – mais próximos estão de ser demitidos! – têm de ouvir a gozada de colegas: “é a nova gestão!”.

Funcionários demitidos, muitos que votaram na atual gestão, crendo supersticiosamente que não as haveria numa gestão amazonínica, ouvem quando chegam em casa: “é a nova gestão!”.

E assim vai, pelas ruas, praças, corredores, macas, salas de aula, centros comunitários, mesas de bar, púlpitos igrejais, a frase que marcou os três primeiros meses da administração breve de Amazonino. Mas não se engane o leitor intempestivo que só agora chega a este bloguinho. Desde os primeiros dias da “nova gestão”, o engodo marketístico já não enganava quem enxerga para além das imagens fantasmáticas da interdição ditatorial: nova gestão, só depois da cassação.

O MEDO DA MÍDIA-MAIOR E O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Passado o período do Fórum Social Mundial, FSM Amazônia 2009, eis que a mídia-maior, a chamada grande imprensa, continua procurando razões para desqualificar o evento.

Mesmo com o seu término, os jornalões e a grande mídia se esmeram em mostrar que o fórum foi um “fracasso”. No Estadão, por exemplo, questionou-se até as barracas e o lixo produzido pelo fórum. Tudo o que foge do padrão ou nega numa superficialidade os propósitos do fórum serve aos interesses. A questão é: por que?

O SIGNIFICANTE DESPÓTICO E O PAVOR DA MÍDIA-MAIOR

Presa a uma linguagem laminada, a imprensa afeita aos melindres do capitalismo é vítima da limitação semiótica: capturada pelo significante despótico, a ela só resta a repetição ad infinitum do mesmo discurso capturado pela ordem do ilocutório. Uma linguagem limitada, feita menos para comunicar do que para ordenar. Palavra de ordem, não comunicação.

Daí o pavor diante de elementos semióticos que rompam com esta ordem. Ou como afirma o filosofante Michel Serres: quando um átomo-letra entra na composição e provoca a declinação, temos outro texto, outra textura, outra realidade.

Daí a textualidade em rede semiótica do Fórum, com sua pluralidade linguística, seu liames, suas linhas de força, suas declinações, seus enunciados sem sujeitos, representarem uma ameaça à própria condição de existência da mídia-maior.

Como noticiar um acontecimento que foge aos parâmetros da sua limitada linguagem? Daí o pavor da mídia, que usa aquilo que conhece: procurar descaracterizar o adversário ao invés de seus argumentos.

Noticiar o Fórum Social Mundial é muito mais complexo do que noticiar o Fórum de Davos, mesmo em tempos de crise. É que a crise não evita que lá os códigos continuem os mesmos. Familiaridade epistemológica, ainda que reduzida.

É impossível para a mídia-maior compreender que os fluxos intensivos produzidos no FSM são elementos da polivocidade maquínica, incapturáveis pela codificação tradicional. Igualmente, para desespero deles, estes códigos-fluxo carregam uma potência democrática que transbordam o social de forma muito mais eficiente do que a grande mídia. Algo relevante ocorre, por exemplo, entre os blogues midialivristas e os grandes jornais e tevês: enquanto a diferença se marcar pela semiótica, os blogues levarão vantagem. O outro mundo possível já existe.

Daí a relevância de um fórum que não tem na seriedade uma de suas “virtudes”. Ao contrário, é contra a seriedade da sociedade de consumo que ele existe. Ainda que, para isso, certos signos desta sociedade sejam subvertidos pela caosmoticidade do Fórum Social Mundial.

NOVAS REGRAS DA LÍNGUA PORTUGUESA COMEÇAM A VALER

As novas regras de ortografia da língua portuguesa entraram em vigor no primeiro segundo no ano novo. Resultado de um acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, o tratado tem como objetivo eliminar diferenças ortográficas entre as grafias do Português em todos os países onde a língua é adotada. Segundo a linguista Stella Bortoni, da UNB, em notícia publicada na Agência Brasil, a unificação é importante no fortalecimento da língua como força internacional. Mas o leitor intempestivo não precisa ter pressa. Apesar da nova grafia passar a ser cobrada em vestibulares e concursos públicos, já a partir de 2009, haverá um período de transição em que a regra antiga e a nova coexistirão. No plano da Pragmática Linguística (e o trema caiu do “u”), o acordo não altera e nem consegue eliminar os elementos semânticos e semióticos que diferenciam o português falado em cada país. Como a língua, através da fala, dos dialetos, da literatura, não pertencem aos governos, mas são patrimônios públicos, não será por um acordo que se estabelecerá novas formas de falar. Somente na práxis é que a letra, como átomo constitutivo do corpus-linguagem, o movimento intensivo, o Novo. De qualquer sorte, também fisgado da Agência Brasil, este Bloguinho traz um resumo das novas regras de ortografia.

Brasília – Pelo novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa essas são as novas formas de se escrever. O documento unifica o idioma em todos os países que o adota e começa a valer hoje (1º) no Brasil. Até dezembro de 2012, a forma atual também é aceita. O resumo tem como colaboradora a professora Stella Bortoni, linguista da Universidade de Brasília (UnB). Confira:

ALFABETO
Hoje tem 23 letras, agora passa a ter 26. O k, w e y voltam ao alfabeto oficial, porque o acordo entende que é um contra-senso haver nomes próprios e abreviaturas com letras que não estavam no alfabeto oficial (caso de kg e km). Além disso, são letras usadas pelo português para nomes indígenas (as línguas indígenas são ágrafas, mas os linguistas estudiosos desses idiomas assim convencionaram). Na prática: nenhuma palavra passa a ser escrita com essas letras – “quilo” não passa a ser “kilo” – por serem “pouco produtivas” ao português, na opinião da linguista.

SOMEM DA ORTOGRAFIA

Trema: somem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal “u” em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em “linguiça”, o “ui” continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner.

Acento diferencial: também desaparecem da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e pode – do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase “o país pode alcançar um grande grau de progresso” está no presente ou no passado.

Acento circunflexo: Desaparece nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar…) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo.

Acento agudo:

1 – Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, “assembléia” e “paranóia” passam a ser assembleia e paranoia. No caso de “apóio”, o leitor deverá compreender o contexto em que se insere – em “Eu apoio o canditato Fulano”, leia-se “eu apóio”, enquanto “Tenho uma mesa de apoio em meu escritório” continua a ser escrito e lido da mesma forma.

2 – Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra.

USO DO HÍFEN

Deixa de existir na língua em apenas dois casos:

1 – Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma.

2 – Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar.

EM PORTUGAL

Caem o “c” e o “p” mudos, como “óptimo” e “acto”. Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como “herva” e “húmido” também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido”.

A ARMADILHA LINGUÍSTICA DOS CLONES: OMAR, BRAGA, ALFREDO

O ministro Alfredo Nascimento afirma na propaganda eleitoral do seu candidato, Omar Aziz, que “tem a palavra do presidente Lula” de que terá recursos para investir na capital.

A frase é um recurso linguístico que tenta capturar o receptor através de uma ilusão criada pelo significante.

A palavra é uma construção fonética ou pictória que carrega um significado dentro da linguagem. Como a língua é uma relação humana, ela não tem “dono”, não pode ser convertida em propriedade, ainda que alguns governos tentem se apropriar de algumas palavras que carreguem significados perigosos para a sua existência. Principalmente os tiranos, que têm ojeriza à palavras como Amor, Liberdade, Conhecimento, Sexo, dentre outras.

Spinozianamente, a palavra é um corpo. Como tal, carrega intensidades que, em encontro com outros corpos, pode aumentar ou diminuir a potência de agir, ativando ou não a Vida. Mas este corpo-palavra é uma produção de outro corpo, o emissor, que carrega o corpo-palavra com afetos movimentadores de intensidades.

Assim a mesma palavra – democracia, por exemplo – pode ser proferida por Alfredo e por Lula, e nenhum dos dois será proprietário dela. No entanto, a semelhança entre a “democracia” de Alfredo e a de Lula terminam na grafia e na fonética da palavra. Enquanto Lula, mesmo com vários escorregões anti-democráticos que tem cometido, é de longe um democrata, para Alfredo, a palavra só tem efeito no seu conteúdo significante.

ALFREDO E A “REVOLUÇÃO” DOS CLONES

Alfredo, que participa da “revolução” dos clones (parceria Omar-zonino, Eduardo Brag-onino e Alfred-onino, todos clones do agora inimigo de ocasião, Amazonino), chegou à prefeitura praticamente como um desconhecido, ficou dois mandatos, e o legado de sua prefeitura se reduz às Palmeiras Reais dos canteiros dos divisores de algumas avenidas, que foram importadas à peso de ouro e morreram à míngua no forte calor manoniquim, e o Expresso, apelidado pela população de Extresso, que hoje está praticamente desativado, e que custou caro ao bolso do contribuinte local. Alfredo, à época chamado a assumir o ministério dos transportes indicado pelo seu partido, o então PL, hoje PR, hesitou em assumir, visto que as denúncias e dossiês fartos em provas de corrupção o aguardavam em Brasília. Assumiu com a vênia dos chamados caciques locais, e a garantia de que não seria atacado. Como Braga, é adepto das obras de ocasião, próximas ao período eleitoral, para tentar capturar a crença (e o voto) do eleitor inatento. Daí que surjam, agora, depois de muito tempo, notícias sobre a famigerada BR-319. Ou isso, ou Alfredo é mais um ministro de vitrine, aqueles que são nomeados como forma de contar com os votos da bancada do partido nas casas legislativas, mas que na prática não têm nenhum poder de decisão. Vide o caso das Minas e Energia, e o Sr. Edison Lobão.

É bom lembrar que, em matéria de censura, prática dos governos tiranos em proibir o uso de determinadas palavras, ou usar outras com um significado capturado aos seus interesses, os clones “-oninos” são reincidentes: em eleições anteriores, o seu clone-mor, Amazonino, já tentou judicialmente proibir o uso da palavra “sistema”.

LULA, E A CONCILIAÇÃO NÃO-DEMOCRÁTICA

Por que Lula, cujo candidato em Manaus é Praciano, permite que Alfredo cite seu nome na propaganda eleitoral de um adversário? Lula dá razões para isso. Com seu tom conciliatório, de quem não quer briga com os “aliados”, Lula abre margem para que, em todo o Brasil, oportunistas usem seu nome e colem à imagem do Sapo Barbudo aos candidatos alpinistas. Um equívoco anti-democrático de Lula, que prefere não usar – ou não tem consciência – da potência democrática que ele corporifica, e que é a potência democrática do Brasil. O mesmo equívoco que o levou a abraçar o foragido número 1 da Polícia Federal do Amazonas, Adail Pinheiro, em Coari.

Além disso, Lula, também a contento da chamada base aliada, não se posiciona claramente a favor dos candidatos que apóia nas capitais e principais cidades brasileiras.

Ao não ativar, nas suas palavras, a potência democrática que ele carrega e que está mudando o Brasil, Lula permite que outros políticos, estes sim corpos anti-democráticos, usem a sua imagem – consentida – para enfraquecer a política como práxis emancipadora do homem. Aí, Lula não pode ser considerado democrático. Sua palavra não vale, senão como mercadoria.

FERNANDO HENRIQUE: SETE LÍNGUAS, NENHUMA VOZ

Uma voz é uma práxis humana constituída essencialmente de elementos fisiológicos, sociais, psicológicos e intelectivos, cujas particularidades lingüísticas encontram-se em seu discurso construído por enunciados diversificados. É sempre uma expressão realizada em um conteúdo expresso. Seja uma voz particular, de um indivíduo; ou, uma voz geral, de um povo, é sempre produto da experiência social, a materialização da língua como instituição social.  No caso propriamente da língua instituição social, de onde a voz salta, pode-se encontrar duas unidades políticas sociais,  pragmáticas, rigidamente definidas. A língua como unidade padrão significada em uma semiótica dividida em três enunciados  de ordens que são: selecionadora — escolhe o que lhe é necessário por sua semelhança; classificadora — estabelece valores, e; hierarquizadora — determina posição. Estes enunciados de ordens se encontram em todo regime de signos como unidade lingüística dominante, como no caso do capitalismo. O modelo lingüístico despótico. A outro unidade é a que se chama de regime lingüístico de classe: toda voz é construída em uma classe social definida arquitetada principalmente por seus elementos econômicos. Desta forma, entende-se que a voz e a língua sintetizam a pragmática semiótica como manifestação semiótica de enunciação social significada.

O SETE LÍNGUAS

Fernando Henrique, em sua peculiar bazófia/invejosa, que o revela um exímio sabotador da velhice, afirma falar sete línguas e Lula nenhuma. Pelos meandros lingüísticos acima denotados e conotados, infere-se muito bem quais são as sete línguas orgulhos do sabotar da velhice: a semiótica dominante com seu regime de signos paranóicos — aquele que anuncia uma voz de comando paranóico, invariância de significados. A ecolalia: um significante saltando a outro significante formando a cadeia da redundância lingüística capitalística. O português que ele fala é o mesmo inglês, francês, italiano, etc, três construídos com as estruturas sígnicas do sistema capitalista. Logo, o sabotador da velhice não fala nenhuma língua. Para falar uma língua neste sistema teria que ser democrata. O que não é. Daí não possuir voz, pois a voz para deixar de ser apenas um instrumento sonora de reprodução de signos já estabelecidos em um sistema dominante definido, ela precisa ser uma enunciação de minoria, um dialeto dentro ou nas bordas da prepotente língua padrão. Tem que se tornar uma linha disjuntiva, uma variação, um devir-louco, a potência constitutiva do novo como democracia. A univocidade política do que se chama povo. E quem percorre, tece essa rede unívoca/democrática em alternações de forças/amigas? Quem faz ouvir esta voz? Lula! É lula que em suas viagens internacionais consegue, no meio da semiótica dominante, compor com dialetos democráticos locais que escapam de tal regime de signos. Sua inteligência, produto de suas experiências diretas com homens reais, lhe permitiu compreender que em um sistema despótico não pode existir democracia, só mesmo como figura de retórica à lá Fernando e Bush. O Sapo Barbudo compreendeu que a democracia é o outsider, o maldito, o estranho do capitalismo imperial decadente. Irmanado com o filósofo Nietzsche, compreendeu que a filologia não é a ciência das línguas, mas acima de tudo, arte de interpretar realidades para transformá-la. E aí também irmanou-se com Marx. Tudo que a insuficiência intelectual do sabotador da velhice não compreende. Por tal e qual, este sabotador é um deplorável (deplorável porque quanto mais democrata melhor para o mundo) confirmador das duas unidades políticas — sócias, pragmáticas: seleciona o mal, classifica a inveja, e hierarquiza a ambição; conceitos produzidos em suas experiências com homens abstratos da classe média. Por isso, no ocaso de sua mudez, o sabotador da velhice, comete as duas piores vilanias que um sujeito pode cometer contra si mesmo: uma, se auto elogiar, revelando o quanto se sente inferior a outro que toma como objeto de sua inveja, no seu caso psicanalítico, Lula; outra, precisar dos aplausos de alguém para se iludir com a alegoria das palmas que é necessário para a política nacional, no seu caso bufonado, o senador ecolálico, Arthur Neto.  No mais, a bazófia invejosa de suas sete línguas só serve para asseverar, que embora tenha se deslocado no espaço perceptivo, jamais saiu do lugar, simplesmente por ser desprovido de voz. E nessa denegação ontológica, não ouviu a democracia, portanto, não pode pensar democraticamente.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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