Archive for the 'Mina' Category



DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

Derrubada do Mastro de São Sebastião 01 por você.

Fechando a tradicional homenagem a São Sebastião, o santo gurreiro, que Mãe Emília realiza há mais de vinte e cinco anos, a derrubada do mastro de São Sebastião ocorreu no dia 20 de janeiro passado. Devido a nossa participação no Fórum Social Mundial, ainda não a havíamos publicado.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 02 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 06 por você.

O Mastro de São Sebastião, erguido na área do terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá, já estava com as frutas todas maduras, as bebidas, os doces, bolachas e bombons santificados, e por isso quando a procissão chegou era hora de derrubá-lo.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 07 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 08 por você.

Os presentes pegaram as frutas, bebidas, presentes e o dinheiro da bandeira, e todos os filhos e convidados passaram a acender velas ao tronco do mastro.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 09 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 12 por você.

Em seguida Mãe Emília puxou a procissão para levar o santo de volta para o interior do terreiro.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 14 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 13 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 15 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 18 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 19 por você.


E no terreiro não parou. Dinho, que é filho carnal de dona Emília, ergueu sua voz potente e continuaram-se os rituais de louvação a São Sebastião.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 22 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 21 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 26 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 23 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 29 por você.

Todos os filhos cantavam as rezas e dançavam com alegria, agradecendo as bênçãos a São Sebastião, assim como os convidados admiravam a beleza e autenticidade do tambor-de-mina.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 30 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 32 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 39 por você.

Mãe Emília convidou então Pai Edson de Codoense para puxar as rezas com sua melodiosa serenidade, e também como haviam outros pais e mães de santo no terreiro, permitiu com que cantassem alguns pontos pra caboclo e finalmente seu Ubirajara veio para levar a festa pela madrugada a dentro…

Derrubada do Mastro de São Sebastião 41 por você.



Derrubada do Mastro de São Sebastião 42 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 47 por você.

LEVANTAMENTO DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

São Sebastião, santo padroeiro

Ilumina os filhos e a mãe do terreiro

Mastro de São Sebastião 01 por você.

Todo ano, no terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá, o Mastro de São Sebastião fica carregado de diversas qualidades de frutas, abacaxi, milho, manga, maracujá, banana, laranja, bebidas, cachaça, refrigerante, cerveja, doces, bombons, bolachas e muitos outros frutos e coisas, até dinheiro. Os presentes escreveram também seus pedidos e os colocaram junto.

Então Mãe Emília e seus filhos vieram em procissão, trazendo a imagem de São Sebastião de dentro do terreiro, e enquanto rezavam ao redor do Mastro, Sira de Iansã saiu defumando-o, deixando-o purificado e preparado para ser erguido no amplo descampado.

Mastro de São Sebastião 03 por você.

Mastro de São Sebastião 04 por você.

Mastro de São Sebastião 05 por você.

Mastro de São Sebastião 02 por você.

Enquanto acompanhamos em imagens o levantamento do Mastro na força dos filhos de Mãe Emília em comunhão, conversamos com ela sobre esse ritual feito todos os anos e há tantos anos:

Esse é o levantamento do mastro de São Sebastião. Tá com mais de vinte e cinco anos que eu faço. É uma homenagem ao Rei Sebastião e a São Sebastião. Esse ritual aqui dentro da minha casa já vem passando de geração em geração. Quando Mãe Raimunda fechou o terreiro, a entidade ordenou e eu continuei na minha casa faz vinte e cinco anos, porque ele é um devoto da casa também, por isso nós temos esse ritual pra fazer, do Mastro, desde quando eu me mudei pra cá. Todo ano eu faço, eu ia fazer só sete anos, mas ele ordenou que eu fizesse todo ano até quando ele dissesse que era pra fazer. E eu estou feliz, me sinto feliz fazendo essa homenagem ao grande padroeiro, a São Sebastião, o mártir que ele foi, o grande guerreiro, e também ao Rei Sebastião dos Lençóis.

Mastro de São Sebastião 06 por você.

Mastro de São Sebastião 07 por você.

Mastro de São Sebastião 09 por você.

Mastro de São Sebastião 08 por você.

O Mastro foi erguido. Sira novamente defumou-o, agora de pé, mais frutas e outras coisas foram acrescentadas, enquanto o tambor continuava, e a alegria contagiou a todos.



Mastro de São Sebastião 20 por você.

Baixaram, então, alguns cabocos, que continuaram o ritual ao redor do Mastro, recebendo as saudações e deitando suas bênçãos aos presentes. Como Seu Tapindaré, um turco de Alexandria, como explica Mãe Emília, que é o patrono do Mastro, que desde o início vem e continua até hoje.


Cocheiro seu, sela cavalo preto

Tapindaré não gosta de andar a pé

A sua casa é num morro de areia

Mas não é mar, não é mar, não é maré

E Também Seu Sete Flechas, na cabeça de Mãe Orny da Oxum, veio homenagear São Sebastião.

Mastro de São Sebastião 18 por você.

Aêêêêê, orixá

Êêêê caboclo Sete Flechas no Gongá

Saravá seu Sete Flechas

Ele é o rei das matas

A sua bodoque atira, ô Paranga

A sua flecha mata

Mastro de São Sebastião 14 por você.


Flor e Jéssica, em dois momentos, com São Sebastião.

A noite já tomara de conta do campo quando novamente se fez procissão para levar de volta São Sebastião para seu altar dentro do terreiro.

Mastro de São Sebastião 21 por você.

Mastro de São Sebastião 22 por você.

Mastro de São Sebastião 23 por você.

Mastro de São Sebastião 24 por você.

Agora dentro do terreiro, o tambor-de-mina continuou rufando, até que os cabocos em terra subissem, e então se passou à novena, que já ia pelo seu quarto dia.

Mastro de São Sebastião 27 por você.

Mastro de São Sebastião 25 por você.

Mastro de São Sebastião 28 por você.

Mastro de São Sebastião 30 por você.

Gláucio Gama, do Fopaam, que puxou o terço nesse dia.

CONVITE PARA AS NOVENAS E PARA A DERRUBADA

DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO

Mastro de São Sebastião 26 por você.

Quem convida é Mãe Emília de Toy Lissá:

Começamos domingo passado (11) as novenas, são nove noites de novena, toda noite, sempre ao final tem aquele lanche. Quem quiser pode vir, que a casa está aberta, é um templo. Pessoas de outras religiões, se quiserem, também podem vir sem se preocupar com nada. As novenas vão continuar até o dia 19; no dia 20 derrubamos o Mastro, aí rufam-se os tambores para o santo que nós cumprimos a missão. Neste dia, às 4 e meia da tarde começamos os rituais, 6h derrubamos o Mastro, depois as meninas vêm, trocam de roupa, e fazemos o ritual no terreiro.

ENDEREÇO: Rua Pintassilgo, nº 100, quadra 2, II Cidade Nova (Manaus-AM)

PONTO DE REFERÊNCIA: Próximo ao Cruzeiro

CONTATOS: (92)3088-1254 // 9995-3894 // 8149-2625

Ô vento tão forte

Que abalou a embarcação de meu pai

Era um vento tão forte

Que vem lá da praia dos Lençóis

Era um vento de São Sebastião

A TRAJETÓRIA DE NOCHÊ HUNJAÍ EMÍLIA DE TOY LISSÁ

Mãe Emilia de Toy e Lissá 30 por você.

No sábado passado (10), Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, completou seus 64 anos de idade. Ela, que recebe entidades desde menina, mas que, nos seus percursos, passou por diversas religiões, desde o Catolicismo, passando pelo Kardecismo, até chegar às religiões afro, Umbanda, Candomblé e, finalmente Mina Nagô, fala de sua trajetória na religião, deixa-nos suas reflexões sobre o papel das religiões e, sendo presidente da Fucabeam, fala também do trabalho à frente dessa entidade na luta pela liberdade de culto e pluralidade cultural. Com sua serenidade e afetuosidade, nessa conversa que tivemos com Mãe Emília, é de se observar a linha contínua de preservação e autenticidade do culto e no cuidado com as religiões afro, uma vez que, além das suas responsabilidades particulares do seu terreiro, ela exerce um papel político-religioso na relação entre os terreiros, entre as diversas religiões com os cultos afro e destes com o poder público. Então, publicamos aqui suas sábias palavras, entremeadas com fotografias que ela nos cedeu de seu arquivo pessoal, que retratam sua trajetória…

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador.

Sou Mãe Emília de Toy e Lissá. Toy é o grande Pai, dentro da Mina; e Lissá é o mensageiro, o Deus do Sol; Agbê Manjá é aquela mãe divina e maravilhosa, que é mãe dele. Minha mãe era filha de portugueses, o pai dela era português, e meu pai já era descendente de escravos, a bisavó dele e a avó foram escravas. E, outra mistura, minha mãe era cearense e meu pai, maranhense. Mas eu nasci no Amazonas mesmo. A minha vida espiritual começou muito cedo. Minha mãe era espírita e quando eu, com meus sete anos, comecei a receber entidades, minha mãe suspendeu, porque eu era muito pequena, ela dizia que eu não aguentava, desmaiava. A primeira entidade que eu recebi, na minha infância, foi o Rei da Lira, e depois Tapindaré, um turco; trabalhei muito com Dr. Menezes de Bezerra, no espiritismo, e ainda continuo, quando faço mesa astral aqui, eles vêm pra trabalhar, quando é preciso fazer uma mesa branca pra cura.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

E a vida continuou. Lutando, batalhando com eles, porque eles queriam vir. Aí, com meus dezessete anos, eu comecei de novo a receber entidades. Não teve mais jeito, só parei quando fui para o convento. Fui professora de catequese no convento da Auxiliadora, no tempo daqueles padres antigos, capuxinhos, Frei Domingos, Frei Felipe. Então, meu destino é que eu queria ser freira, pra me livrar. Eu comecei primeiro na Igreja de Fátima, na Pça 14, a primeira igreja que teve, de palha, pequenininha, com a irmã Maria, a irmã Aurora, e destinei ir pro convento, eu tinha uns dezoito anos, era muito nova. A vida continuou, e quando era pra eu viajar pra Belém pra ir para outro convento, minha mãe achou que não, que meu destino não era aquele, aí não fui.

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão.

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô.

Fiquei só dando aula de catequese, não pude continuar no convento. Mas na igreja, assim mesmo, dando aula de catequese, participando de tudo, eu incorporava dentro da igreja. Então o bispo chamou a minha avó, que era uma franciscana já antiga, e disse: “Emília tem outro destino, não é esse, vai servir a Deus de outro jeito”. Frei Felipe, ave-Maria, fui pra minha casa, fiquei muito triste: “Que religião?” “Pra onde eu vou?” “Porque isso?” Eu achava até que era um absurdo. Aí fui morar com uma madrinha, comecei a me formar de costureira, de um monte de arte. Fiquei com ela um tempão. Foi quando conheci um rapaz com o qual me casei. Gostei dez anos e me afastei do santo um pouco. No dia do casamento, os padres ainda perguntaram na São Sebastião: “Emília, não casa que tu não vai ser feliz.” Mas aí, né? Conheci, gostei, o primeiro namorado foi ele. Me casei.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Mas depois começou a voltar tudo de novo, aí eu prometi a Deus que eu ia voltar, mas que eu queria conhecer a vida espiritual pra saber onde eu tava pisando. Eles começaram a vir, começaram a fazer curas maravilhosas, a Cigana também tornou a vir. Ela dizia que era o anjo da minha guarda, que ela ia me proteger, que eu não temesse. Tive sete filhos, mas nunca eles me abandonaram. Ajudava muito meu marido, ele era fiscal de um banco. A vida continuou, e chegou uma época, já depois dos sete filhos, nós tivemos – o destino da vida – uma separação; ele achou que tinha de caminhar com outra pessoa. Eu disse que tudo bem. Se Deus achou que até aquele tempo que se tinha desenrolado em viver até a metade da minha vida com ele, e tive as sementes que Deus me prometeu, eu vi que dali pra frente ele tinha achado que meu destino era outro.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Alagbês rufando na entrega da cuia.

Alagbês rufando na entrega da cuia para Mãe Emília.

Aí eu fui batalhar, fui lutar, e prometi a Deus que se eu conhecesse mais a fundo a religião, eu ia me entregar de corpo e alma. Morreu pra mim amor; só para Deus e os Orixás. Caminhei pra Bahia, dei os primeiros passos, fui me preparar. Mãe Mininha falou pra mim: “Nunca mude, nunca deixe a religião, o fundamento que Deus lhe deu, e essa Cigana jamais você deixará, nunca, nunca…”

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Eu fui bem preparada no santo: sete anos, quatorze, vinte e um anos. Quando rufou a minha mãe de santo, passei pra Jorge Itaci de Oliveira, Dom Jorge, de São Luís do Maranhão, da Casa da Fé em Deus, pra receber o decá, já era sacerdotiza. Com vinte e cinco anos de santo eu recebi o último grau. “Se é isso que Deus quer, eu vou até o fim.” E, hoje, dou graças a Deus e a estes sacerdotes que se passaram, com quem tive o conhecimento que eu queria. Aí eu acreditei que eu sabia o que eu tava fazendo; eu tinha entrado numa coisa que não era nada demoníaco, era aquilo que Deus me determinou na vida. E até hoje eu estou, tenho sessenta e quatro anos de idade, dentro da religião já vi do pior e do melhor, e continuo tendo mais surpresa na vida. Eu procuro sempre respeitar a Deus acima de tudo, porque sem ele ninguém é nada, por isso essa Cigana que eu carrego, eu digo pra ela: “Quem tu és?” Porque é um anjo da minha guarda, que me protege todos esses anos. Nos momentos mais difíceis da minha vida, quando eu fiquei desesperada, ela sempre tava do meu lado, e me dizia: “Minha filha, não temas; nada vai acontecer contigo nesse mundo.”

Dom Jorge veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emilia.

Com Dom Jorg, quando ele veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emília.

Com Dona Mariana, nos tempos da inauguração do terreiro.

Aí fui trabalhar no Estado, na maternidade Balbina Mestrinho. Perdi tudo na vida, até minha casa teve uma época de ir pro leilão, mas reconstruí. Nada disso eu temia, eu dizia: “Se é isso que Deus quer, eu vou chegar lá.” E hoje eu consegui essa área aqui, e da Pça 14 eu vim pra cá. Lá eu já tinha um terreiro. Mas quando eu me casei, meus pais já eram velhinhos, eu precisava ter um pedaço de chão. Eles me ajudaram – Deus lá em cima e eles na Terra. Aí vim pra cá pra Cidade Nova, vinte e cinco anos vai fazer; de inauguração tem menos, porque eu vim batalhar, eu vim lutar, mas nunca deixei de ser o que eu sou hoje.

Mãe Emilia, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luiza.

Mãe Emília, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luíza.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

Me aposentei pelo hospital, na área de saúde, porque eu adoeci do coração. Fui pra São Paulo, fiz tratamento. O médico me deu três meses de vida, e eu estou até hoje. Faz vinte e quatro anos. Os santos me disseram que não, que aquele lá de cima disse que eu ainda não ia, que eu ainda tinha muita coisa pra fazer aqui. E a vida continuou, eu aqui trabalhando com essa Cigana até hoje, e digo sempre às pessoas, que Deus existe vivo para nós, e estes são os mensageiros que ele determina aqui na terra pra nos proteger. Deus lá em cima e eles aqui pra proteger a gente, porque todo o tempo nós estamos sendo movimentados por uma força da terra, todo o tempo somos movimentados por isso.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emilia.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emília.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Com Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Fui desenvolvida no Kardecismo, passei pro Espiritismo, no Centro Tomás de Aquino, com as amigas, que, hoje, são Souza Cruz, Terezinha Tribuzy, aquele povo antigo, e depois eu passei pra Umbanda, da Umbanda pra Umolocô, e terminei aonde Deus queria. Eu tinha que conhecer cada uma religião, pra poder eu ficar nessa. Como que eu poder ajudar o próximo, se eu não tinha conhecimento. E hoje, graças àquele lá de cima e às mãos santas destes sacerdotes que me deram essa oportunidade de eu conhecer. Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Hoje, dentro do santo, eu sou uma Gonjaí. O que é uma Gonjaí? É como se fosse um bispo, um papa. Mãe Emília de Toy e Lissá Gonjaí. É um título. Eu preciso dá título pra esse povo antigo, eles precisam ter uma história aqui no Amazonas pra contar, que já vem de muitos anos, gente que veio de fora pra cá, porque no tempo deles era o tempo da pajelança, que ninguém conhecia ninguém, ninguém homenageava ninguém. Por que que eu tive que ir pra fora? Porque na minha terra ninguém preparava ninguém, só era pajelança, eu fui na pajelança.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emilia desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emília desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Eu pisei em todas as linhas pra chegar onde eu cheguei. Pra mim conhecer e saber como é e como não é. Porque um sacerdote, um bispo, quem for, tem que conhecer as leis sagradas, as leis lá de cima e as de baixo, senão vai falar besteira. Nós temos que ter conhecimento. Nós também temos a nossa faculdade tanto no mundo espiritual quanto no mundo do pecado, temos os sacerdotes, que têm de passar os conhecimentos pra gente. Sacerdote de verdade, preparado; porque um sacerdote, pra se preparar, ele começa com um ano, dá os primeiros passos – é como um ABC -, dois anos, passou mais no ABC, três anos, quando chega aos sete anos, ele já está preparado pra receber uma cuia dentro da Mina. No Candomblé, é decá. Aí é que começam as preparações pra ver se aquele ser humano já está preparado pra desempenhar a função, se realmente é um sacerdote. As entidades vêm ao mundo, hoje já tem entidade que toma uma cervejinha, tomam aquilo que dão, eles gostaram, mas é uma bebida totalmente diferente. Os voduns usam o quê? O vinho, que representa tudo. A cerveja pros cabocos representa o quê pra eles? A espuma do mar. O fumo é a fumaça. Até os cabocos, índio, Oxóssi, eles usam o quê? A caiçuma, que eles extraem da mandioca. A bebida de turco é totalmente diferente; eles gostam muito de fumar o toari, eles mesmos fazem, pra fazer descarrego, pra tirar as forças negativas.

Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Ela fala um bocado de línguas, que às vezes as pessoas não entendem, é preciso uma pessoa pra traduzir. Hoje em dia ela já fala assim em português, porque ela falava só em dialeto, como se ela tivesse chegado aquela hora do Egito, como se tivesse vindo da Turquia. Eu tinha uma filha de santo, professora, que traduzia. Depois eu fui pedindo, fazendo obrigação, obrigação, ela foi mudando um pouco. Ela mudou muito, aí já começou a falar em outros idiomas. Que ela transmita paz, amor, e que lave o coração daqueles que estão exaltados ou que estão desesperados por uma perda, que ela dê muita paz e muito amor pra todos.

Mãe Emilia e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Mãe Emília e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Eu me sinto aqui na terra como se eu estivesse mais pra lá do que aqui pisando, porque eu desempenhei a minha missão para eles. E eu quero conhecer cada vez mais, tenho participado de encontros lá fora, com os africanos, e aqui o que eu queria era saber mais sobre o resto das religiões que Deus me determinou aqui na terra, e devagar eu tô chegando lá. Até a data de hoje não me arrependo. Estou feliz, sempre procurando fazer tudo aquilo que Ele me determinou. Não tenho passado sujo na minha vida. Não, tenho só lágrimas e sofrimento, pra chegar onde eu cheguei, lágrimas de sangue, dores, momentos difíceis na minha vida os quais eu não entendia. Hoje, não, eu posso dizer: “Não, não chore suas lágrimas, que não é isso que Ele quer. Hoje, eu peço a paz pros meus amigos, e para aqueles que acham que são meus inimigos, que Deus dê muito conhecimento e sabedoria, que eles possam distribuir a paz.

Da mais recente festa da Cigana.

Da mais recente festa da Cigana (Nov/2008).

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emilia e tem cerca de 80 anos de santo.

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emília e tem cerca de 80 anos de santo; foi Mãe Pequena da casa de Mãe Raimunda de Tapindaré.

Que bom que Deus botou você na minha porta, pra botar essas histórias verdadeiras. Histórias, mas verdadeiras, para o povo ver como realmente é, e até os da religião, que não é só se vestir de pai de santo; se você não tiver um conhecimento, o que você vai fazer. Eu digo sempre, pra todos que têm uma casinha aberta, que chega uma época que você precisa ter uma preparação. A entidade vem, mas nós temos de estar preparados pra isso. É como um professor, um médico; se eu vou passar um remédio pra Flor que tá com uma dor aqui, eu não posso passar aquela erva, se eu sei que seu problema não é aqui e sim no coração. O que pode acontecer se eu não conhecer a vida espiritual? Eles vêm e me dizem: “Aquilo serve; aquilo não serve.” Eu enxergo, eu vejo com aquilo que Deus me deu para eu enxergar.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emilia há cerca de 30 anos.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emília há cerca de 30 anos.

É isso que a gente precisa: a união, a paz dentro da religião, pra poder continuar a ter esperança. Hoje nós somos criticados por falsos irmãos que não têm conhecimento. O que dizem os evangélicos? Que nós somos o diabo. Não, nós não trabalhamos com diabo. Ele foi um anjo maravilhoso, só que quis saber mais do que Deus. Os exus são os pequenos orixás que quiseram muito além daquilo que podiam, foram as vedetes, foram aqueles homens que andavam a noite inteira na farra, nos teatros, que se perderam, e hoje eles voltam com o nome que deram. Quem foi Tranca-Rua? Quem diz? Quem foi Maria Padilha? Não foram nada de diabo, não existe isso aí, o povo que inventa; existem sim trabalhos diabólicos, de magia. Existem pessoas que são mal esclarecidas e fazem isso, porque vem a força contrária, sim, mas só pra quem não tá puro nem preparado. Espiritualmente, você deixou uma força se colocar, se atravessar no seu caminho, pra fazer mil destruições. Mas Deus dá força e poder pra todos, depende de você saber usar. Você já nasceu um médium, porque Deus foi um espírito. Quando alguém sai das entranhas da mãe, aquele vodunço, aquele baculo está ali. Quem lhe pegou? Uma parteira, que o orixá dela era um, o da sua mãe é outro. Está só esperando na porta, pra aparar. Quando o bebê não quer chorar, é porque ele não quer reencarnar pra vir a esse mundo. Aí é preciso dá umas palmadinhas pra despertar pro mundo daqui. Essas coisas todas acontecem na vida espiritual e muitos não enxergam. É bonita a minha religião, linda pra você cultuar com amor, com paz, e pra unir com todas as religiões. Eu comungo, eu confesso, clamo a Deus noite e dia, rezo meus terços todo dia. Nós temos as histórias dos encantados, dos vodunços, dos pretos-velhos… Quem foram eles? Foram gente como a gente. Gente como a gente…

O aniversário de Mãe Emilia, sábado passado.

O aniversário de Mãe Emília, sábado passado.

Mãe Emilia e sua familia.

Mãe Emília e sua família.

Para se atualizar no terreiro de Mãe Emília, acesse alguns trabalhos que lá realizamos recentemente, a partir do final do ano passado:

– 2ª RUNIÃO DA CARTOGRAFIA DOS CULTOS AFRO NO AMAZONAS

– DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

– OFERENDA NAS ÁGUAS PARA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, OXUM E IEMANJÁ

– SAÍDA DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

ABERTURA DO TERREIRO DE PAI MIGUEL NO DIA DE REIS

Abertura do Terreiro 07 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

Na terça-feira passada, 6 de janeiro, Dia de Reis, fomos até o bairro Francisca Mendes, zona Norte de Manaus, e acompanhamos o início dos rituais de tambor-de-mina na abertura do terreiro de Pai Miguel de Vondoreji.

Rogério de Navê e Taíssa de Navê



No momento em que publicamos essas imagens da abertura de seu terreiro, Pai Miguel ainda se encontra em São Luís do Maranhão, onde foi para participar das festas de comemoração dos 50 anos da histórica Casa da Fé em Deus, sua casa, que se deu ao final do ano passado e, por isso, passou a responsabilidade para seus filhos em Manaus de cuidar do evento.

Abertura do Terreiro 01 por você.

Acima, a esposa de Pai Miguel, dona Vanessa, e o caçula da casa.


Os filhos Rogério de Navê e Taíssa de Navê prepararam, então, o terreiro para iniciar cedo os trabalhos no novo ano. Segundo Taíssa, que é Isá Donquê (correspondente à Mãe Pequena do Candomblé) da casa, várias obrigações da Mina são feitas concomitantemente com datas litúrgicas católicas:

Por ser Dia de Reis, dia em que os reis magos levam os presentes para Jesus, dona Maria Légua, que é uma entidade de Pai Miguel, passou a missão pra mim e para o Rogério de preparar o terreiro para fazer a abertura da casa nessa data.

Abertura do Terreiro 20 por você.

Abertura do Terreiro 24 por você.


Enquanto o melodioso tambor-de-mina soava, vários convidados iam chegando e também as entidades tomavam conta do terreiro, com suas rezas santificadas e suas vigorosas danças, como Dona Herondina, que baixou em Pai Gilmar, vindo saudar o terreiro que inicia seus trabalhos.

Abertura do Terreiro 21 por você.

Abertura do Terreiro 22 por você.


Abertura do Terreiro 13 por você.

Infelizmente não pudemos acompanhar todo o ritual, mas, devido ao axé que preenchia o terreiro, a da Mina no terreiro de Pai Miguel remonta às suas raízes maranhenses, às raízes africanas, e não só ele, mas também as entidades e todo o culto afro ficam felizes com a autenticidade do culto que presenciamos e que compartilhamos neste bloguinho, saudando Pai Miguel e todos de sua casa.

Abertura do Terreiro 18 por você.

Aqui os alagbês; à esquerda, Anderson, o primogênito de seu Miguel.


Abertura do Terreiro 26 por você.

SAÍDA DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

Samba Kolé, Missaê ori Yemanjá

Ô dilá Kolê Kolê,

Ô Missa ori Yemanjá!

Jéssica de Iemanjá 01 por você.

Eu estou muito, muito contente pela saída da minha obrigação, graças a minha mãezinha. Estou muito contente com a minha religião. Gosto da Mina, aqui me sinto realizada. A minha responsabilidade, eu tenho como olhar, observar o terreiro, porque às vezes o babalorixá tá virado e eu estou preparada pra isso, pra levar pro roncó, tirar, puxar reza, tomar conta do terreiro…” (Jéssica de Yemanjá)

Jéssica de Iemanjá 02 por você.


Jéssica de Iemanjá 05 por você.

Em pleno Dia de Reis, terça-feira passada (06), como as palavras de Jéssica acima, todos os que foram ao amplo, magnífico terreiro de Mãe Emília de Toy e Lissá estavam entusiasmados pela amizade e respeito que têm por Jéssica, e também pela importância religiosa dessa obrigação. A partir desse dia, ela, que já vinha muito auxiliando no trabalho do terreiro.


Jéssica de Iemanjá 08 por você.


Jéssica de Iemanjá 32 por você.

E todos admiravam e queriam compartilhar da companhia da bela Yemanjá, a santa de tantos nomes, rainha das águas, merecendo suas bênçãos, que lava todos os males do corpo e da alma, elevando os homens à vida preenchida de alegria e suavidade.

Jéssica de Iemanjá 11 por você.

Acima, Jéssica com pai e sua mãe, Flor; abaixo, à esquerda, seu irmãozinho, que sonha em tocar tambor.


Jéssica de Iemanjá 15 por você.


Como era Dia de Reis, foram feitos rituais correspondentes no terreiro. Quem explica é mãe Emília: “Era Dia de Reis e nós estávamos fazendo o ritual de queimar as palhinhas, as palhas que eram da lapinha. Estávamos então cantando pra reis. Ritual de Reis, queimar palhinhas.”

Jéssica de Iemanjá 18 por você.



Jéssica de Iemanjá 24 por você.

Então Jéssica, com toda sua beleza e simplicidade, veio dançar pra sua senhora, e com certeza Iemanjá estava ali pra ver e sentir toda energia que tomou conta de todos no filhos no terreiro.

Jéssica de Iemanjá 23 por você.


Jéssica de Iemanjá 30 por você.

Jéssica de Iemanjá 25 por você.

Jéssica de Iemanjá 26 por você.

E quem também baixou no terreiro foi Dom João Soleira, um caboco muito velho que, segundo Mãe Emília, estava na cabeça de uma “filha de uma mãe de santo muito antiga de Manaus, Benedita de João da Mata, ela tinha três filhas, e como ela já é falecida, as filhas vêm e recebem as mesmas entidade que a mãe recebia.”

Jéssica de Iemanjá 37 por você.


Jéssica de Iemanjá 27 por você.

Enquanto os rituais continuavam ao som do maravilhoso tambor-de-mina, conversamos com Mãe Emília, que nos falou com satisfação do trabalho que Jéssica realiza ao seu lado:

A Jéssica tá dando obrigação de dois anos. Ela é filha de Iemanjá e Doçu (Ogum). Ela já estava exercendo o cargo, faltava ela terminar as obrigações. Ela não é rodante, não incorpora. Hoje ela fez a obrigação que tava faltando, vestiu Iemanjá, Oxalá. Dentro da nossa Mina Jêjo Nagô, ela pertence à família gentil. Então Iemanjá exigiu e ela tinha que fazer isso pra poder caminhar dentro do terreiro. Diferente do Candomblé, o nosso ritual é um ritual mais simples, mas mais rigoroso dentro da camarinha. Também o nome do santo, no Candomblé ele dá fora, na Mina ele dá dentro do roncó.

Jéssica de Iemanjá 35 por você.


Jéssica de Iemanjá 38 por você.

Jéssica de Iemanjá 40 por você.

Daqui pra frente vai depender de todo aquele juramento que faz, as normas, o fundamento dentro da religião, dentro do terreiro, aí ela vai desempenhar conforme o grau que ela recebeu, conforme a hierarquia do santo, mas ela já tá sabendo como é, o que pode, o que não pode. Tem que cumprir esse resguardo durante um mês, tem muitas coisas que ela não pode fazer, para não quebrar esse preceito; porque se quebrar o preceito tem que fazer tudo de novo para consertar. Durante esses anos todos que ela está comigo, ela sempre foi uma boa moça, uma boa sacerdotisa, e vai ser.

Jéssica de Iemanjá 41 por você.



Mas quando o caboco Barão de Goré, que há tantas décadas baixa nas festas e nos trabalhos de Mãe Emília, vários outros cabocos desceram e encheram o terreiro com seus vigorosos movimentos.

Jéssica de Iemanjá 44 por você.


Jéssica de Iemanjá 52 por você.


Já ia, então, pela madrugada, e era hora de fechar os tambores, mas até o final do ritual da Mina realizado no terreiro de Mãe Emília em seu vigor e autenticidade parecia não querer chegar ao fim. E é como se fosse apenas um intervalo.

Jéssica de Iemanjá 51 por você.

Jéssica de Iemanjá 54 por você.


Jéssica de Iemanjá 56 por você.

Ao final, todos se reuniram para parabenizar as aniversariantes do dia. Jéssica aniversariou ontem e, por isso, este bloguinho lhe oferece este trabalho. Que seus dias sejam sempre e continuamente de crença e amor aos santos das religiões afro e na vida Mina Jêjo Nagô!

Jéssica de Iemanjá 57 por você.

Jéssica de Iemanjá 34 por você.

As ondas já bateu na areia

A sereia vem nos salvar

Ai, quem manda no mar?

É Yemanjá!

Ai, quem manda no mar?

É Yemanjá!

OFERENDA NAS ÁGUAS PARA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, OXUM E IEMANJÁ

Olha o navio negreiro nas ondas do mar

Vamos saravá nossa mãe Iemanjá

Olha o navio negreiro nas ondas do mar

Vamos saravá nossa mãe Iemanjá 

Oferenda nas Águas 01 por você.

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Segunda-feira passada, dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas, todos os anos Mãe Emília de Toy e Lissá e Mãe Orny da Oxum Opará se reúnem, juntamente com seus filhos, e atravessam o Rio Negro rumo a uma das praias do outro lado do porto da Manaus Moderna, para fazer a oferenda nas águas para Nossa Senhora da Conceição, que, sincretizada nas épocas em que as religiões afro eram proibidas, antes e depois de abolida a escravidão, era cultuada como Oxum e Iemanjá.

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Enquanto o barco Jesus Cristo cruza o Solimões, enquanto as pessoas se deleitam com a vastidão das negras águas, deleitando-se com a paisagem natural, apreciando os bandos de pássaros que passam voando, a mesa vai sendo posta com todas as comidas (ageuns), bebidas, axés, para a travessia ser abençoada pelas santas homenageadas. 

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Mãe Emília nos falou de todos esses anos que prepara essas oferendas e leva para entregar a essas santas com tanta devoção e sinceridade:

Esse ritual, já estão com mais de 45 anos que eu faço esse ritual, toda essa data, mesmo antes de eu ter feitura eu já tinha essa tradição de louvar Oxum, na água salgada Iemanjá, e Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas. Então nós fazemos toda essa cerimônia, essas oferendas, em homenagem a ela. A gente faz jejum à noite, pra poder ir de manhã sem tomar café. Essa tradição já vem dos pais de santo antigos da Umbanda, que caminhavam comigo, que hoje já estão com Deus, e eu continuo fazendo. Nós preparamos todas as oferendas, chamamos os jeuns todos, os axés, e levamos os amalás dos santos. Todas essas oferendas nós levamos para entregar a Oxum, a Iemanjá. Então nós fazemos esse ritual homenageando nossa padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

 

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Quando a praia foi cuidadosamente escolhida, todos desembarcaram do outro lado de Manaus, levando os preparativos, todos os materiais, comidas, bebidas, jóias, essências das santas. 

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E quando o tambor soou, Mãe Orny e Mãe Emília puxaram as rezas, os filhos passaram aos preparativos da mesa, que ficou maravilhosa, com todas as oferendas que Oxum e Iemanjá gostam de receber todos os anos.

      

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Iabalô, Iabalô, Iabalô

Iabalô todo povo de Nagô

Minha mãe Iemanjá

Vem salvar terreiro

Rufa tambor

Povo do mar chegou 

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Todos escreveram seus pedidos e botaram dentro do balaio ou dentro da canoa. Como disse Mãe Emília: “Você faz os pedidos com uma boa intenção, com certeza, aquilo que você deseja, se você pedir com fé, você tem êxito.” 

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Quem não podia deixar de comparecer é Dona Pátria de Oliveira Cabral, “Brasil e Portugal”, como ela brinca, que recebe em sua cabeça Seu Raimundo Viramundo, a qual completara no dia anterior, dia 7 de dezembro, 88 anos de idade, sendo 80 de religião. Quando ela chega, as águas se agitam, é Seu Viramundo se aproximando…

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Terminados os preparativos, enquanto o sol da manhã subia, os rituais começaram, o tambor foi então acompanhado do agogô e do repique, preenchendo ainda mais o espaço antes silencioso com o toque, as rezas e as danças do Tambor de Mina Jeje Nagô. 

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Eu fui à beira da praia

Pra ver o balanço do mar

Eu vi um recado na areia

Me lembrei da sereia

Comecei a chamar

Ô, Janaína vem ver

Ô, Janaína vem cá

Receber tuas flores

Que eu vim te ofertar 

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E então Mãe Orny recebeu Mamãe Oxum, que, com toda a sua beleza, veio receber seu banho de rosas e suas oferendas, deitando suas bênçãos a todos os presentes, por mais essa homenagem sincera que todos ali lhe prestavam. 

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Deixamos aqui as palavras que pegamos de Mãe Orny sobre a organização dessas oferendas, que são feitas todos os anos.

Hoje realizamos mais uma obrigação, obrigação das águas, dia 8 de dezembro, dia de Mamãe Oxum, estamos realizando mais esse evento, que realizamos todos os anos. É o décimo ano já que realizamos, uma festa bonita, cheia de axé, cheia de força e vibrações, onde homenageamos as nossas iabás, louvamos os nossos encantados, e assim estamos levando a nossa missão. Essa imagem é de Nossa Senhora da Conceição. Nós usamos a imagem dela representando a nossa Oxum, que é a deusa das águas doces, assim como também comemoramos Iemanjá, que é a deusa das águas salgadas. Aqui, como predomina mais a água doce, homenageamos Oxum, que minha mãe também.

     

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As entidades continuaram baixando, e a roda entoava as rezas e dançava cada vez mais animada com o axé que tomou conta da areia da praia. Mãe Emília já havia recebido Dona Mariana, que animou ainda mais a roda com sua alegria e sua beleza.

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O seu pai lhe deu um livro

Que não fecha noite e dia

Para escrever o nome

Da donzela da Turquia

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Então chegou a hora da distribuição do delicioso e santificado amalá, que, como explicou-nos Mãe Emília, nós estamos comungando da comida com o santo, com muito respeito, com muita sinceridade. Os filhos formaram fila e todos receberam nas mãos a comida que Dona Mariana e Mamãe Oxum lhe entregavam. 

  Vamos comungar com Deus

Na mesa da comunhão

Sete espadas, sete sinos

Sete sinos Salomão

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Oferenda nas Águas 52 por você.

 Amalá de Oxum, Amalá de Oxum

Eu te ofereço Mamãe Oxum teu Amalá

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Depois se ajoelharam frente à mesa posta na areia da praia e fizeram seus pedidos e agradecimentos a tudo que os santos lhe auxiliaram no ano que finda, enquanto comiam o amalá.

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Amalá de Oxum, Amalá de Oxum

Eu te ofereço Mamãe Oxum teu amalá

Oferenda nas Águas 55     Oferenda nas Águas 36

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Depois as santas passaram a distribuir suas frutas, e todos comeram diversas frutas naturais abençoadas pelas entidades.

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A animação continuou na roda, e ainda outras entidades vieram receber as homenagens e deixar suas bênçãos aos filhos ali presentes.

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Ô gaivota, gaivota não se espante

O meu barquinho, meu barquinho a navegar

Cortando as ondas, Filha do Mar

Sou Mariana, sou marinheira

Que já vou pras ondas do mar

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Flor, que também fizera aniversário no dia anterior, dia 7, recebeu a Princesa Janaína, que gostou da areia da praia e de ver todos ali alegres na crença da religião.

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As champanhas foram abertas e o bolo dos aniversariantes foi distribuído fartamente, e receberam os parabéns Flor, Dona Pátria e Mãe Orny.

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Finalmente chegou o momento de levar a bela barquinha para as águas do Negro, para entregá-la para Mamãe Oxum por todas as realizações que ela fez para as mães e filhos de santo que ora retribuem com sinceras oferendas.

Oferenda nas Águas 66     Oferenda nas Águas 67

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Ô silêncio na praia, meus filhos

É hora de louvar Senhora

É hora de louvar Senhora

Mãmãe ajuntou seu povo

Para louvar Senhora

Para louvar Senhora

Mãmãe ajuntou seus filhos

Para louvar Senhora

Para louvar Senhora

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Depois que a barquinha já seguia pelo curso das águas negras do rio, foi realizado então um descarrego, onde as pessoas tomaram banhos de ervas e receberam diversas essências purificadoras, para trazer alegria, felicidade, prosperidade e muitos outros pedidos.

Oferenda nas Águas 79 por você.

Oferenda nas Águas 81     Oferenda nas Águas 80

Todos voltaram para o barco regozijados, espiritualmente leves desta maravilhosa oferenda; mas no barco a alegria continuou no som do tambor tocado por seu Manuel e nas rezas melodiosas, que todos, mães, filhos e santos entoam com respeito, devoção e beleza.

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Eu ganhei uma canoa

Na praia de Ribamar

Quer ir mais eu, vamos

Quer ir mais eu, vamos

Quer ir mais eu

Para me ajudar a remar

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Com certeza Mamãe Oxum, Iemanjá e Nossa Senhora da Conceição lançaram suas bênçãos aos filhos que tão formosa homenagem lhes prestaram. Um maravilhoso ritual de beleza para os olhos e comunhão para a alma de todos que acreditam ou simpatizam com todo o vigor e riqueza das autênticas religiões afro-brasileiras. Magnífico!

COMEMORAÇÃO DOS 100 ANOS DE UMBANDA — AMIGOS UMBANDISTAS DO ESTADO DO AMAZONAS

Umbanda 100 Anos 01 por você.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Essa festa ocorreu no dia 15 de novembro de 2008, o dia em que se comemora por todo o Brasil os 100 anos da fundação da Umbanda, a religião de matiz africana genuinamente brasileira. A festa foi organizada por Pai André de Ogum no terreiro de Mãe Neura, que fica no Núcleo 14 da Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, e contou com a participação de vários zeladores, pais de anto, yalorixás, filhos de anto, numa comunhão que culminou com a fundação de um movimento denominado de Amigos Umbandistas do Estado do Amazonas.

Umbanda 100 Anos 02 por você.

Pai Luiz, Mãe Neura e Pai André

Este bloguinho, que também esteve presente, traz imagens e falas de umbandistas presentes na histórica festa, a começar pelo seu organizador, o afetuoso e sapiente Pai André de Ogum:

A gente está organizando o movimento dos Amigos Umbandistas do Estado do Amazonas. Começamos este movimento hoje, no dia em que a gente comemora o centenário da Umbanda. No dia 15 de novembro de 1908, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a Umbanda foi fundada pelo caboco Sete Encruzilhadas. É uma religião genuinamente brasileira. Foi então aberta a tenda Nossa Senhora da Caridade, pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, e depois propagou-se muito rápido. Depois de 55 anos de fundada a religião, já havia sido fundadas 10 mil tendas pelo Brasil inteiro. Em Manaus, hoje, há uma mistura nos terreieos, de Umbanda, Candomblé, houve uma vez que eu ouvi falar que aqui tinham mais de 2 mil terreiros de Umbanda.

Umbanda 100 Anos 03 por você.

A gente quer, com esse movimento, uma forma de reunir, de unir, de confraternizar, de falar mais sobre a religião. Tem alguns de nossos irmãos que não têm conhecimento da fundação, das origens da Umbanda. Então, é uma forma de passar mais esses conhecimentos e de marcar esse dia. Nós pretendemos agora todos os dias 15 de novembro fazer uma comemoração. A princípio nós somos um grupo de 18 zeladores de santo, de Umbanda, na cidade de Manaus. Queremos, sim, alcançar todo o nosso universo amazônico, mas isso é uma conquista que ainda vamos ter. Hoje a nossa maior dificuldade é o misticismo que as pessoas fazem da religião: que é um culto do demônio, vêem os umbandistas como feiticeiros, etc. A nossa realidade não é essa. Nós temos a nossa religião para dar orientação espiritual, para engrandecer a pessoa espiritualmente e destinar ela para o nosso Oxalá, para o nosso orixá maior, que é o nosso Deus.

Umbanda 100 Anos 13 por você.

A importância que a Umbanda tem para nós que somos umbandistas, para os filhos que freqüentam as nossas casas é a de ter um desenvolvimento espiritual que, às vezes, não encontram dentro da Igreja Evangélica, não encontram dentro da Igreja Católica. Algumas dessas pessoas encontram evolução espiritual dentro da casa de Umbanda. A importância maior é direcionar essas pessoas pelo caminho que leva ao Nosso Senhor. Ainda há muitos preconceitos, tanto umbandistas quanto candomblecistas são taxados de macumbeiros, feiticeiros, mas também o Candomblé tem ganhado muito espaço, a Umbanda tá buscando também os seu espaço. Eu acho que hoje, esse evento de hoje é um marco, é uma sementinha que a gente tá plantando pra ela crescer cada vez mais e buscar o seu espaço de verdade. Hoje no Rio de Janeiro está em festa, São Paulo está em festa, em Brasília tá tendo festa, em Curitiba tá tendo festa pelo centenário de fundação da Umbanda…

Umbanda 100 Anos 05 por você.

Para o chamado grande público, a Umbanda permanece misteriosa, mas o que se sabe, como se sabe de todas as manifestações dos negros todas as manifestações populares , é que sempre houve muitas perseguições da cultura que sempre se achou (se acha?) superior — o branco, europeu, masculino, heterossexual —, por isso as religiões afro sofreram até mesmo com as investidas policiais, e antes dos nobres senhores e capitães do mato. Quem fala, trazendo a força da história que sobreviveu por baixo da Historiografia, é Pai Luiz Queiroz de Ogum com Oxóssi e Oxum com Oxumaré:

Umbanda 100 Anos 10 por você.

A Umbanda é o trono de tudo. tudo começou na Umbanda, na época dos negros, dos escravos. Eles trabalhavam embaixo de uma árvore. Essa árvore se chamava macumbeira. Eles, com medo dos patrões, barões, eles se reuniam debaixo da macumbeira. Lá eles faziam os rituais, pros pretos velhos, e trabalhavam na cura. A Umbanda foi o nascimento de tudo. Depois foi aparecendo, com as descobertas, as pesquisas, os ensinamentos, os áfricos, aí foi aparecendo o pessoal das nações – Ketu, Angola, Candomblé. Na minha época, 50 anos atrás, que eu sou de 61, Candomblé era pé de dança, lá no Rio de Janeiro. Se catuava assim: “Vamos pro Candomblé”, aí desciam os cabocos cruzados com Oxóssi e Jurema, pra dançar o Candomblé. “Ai que Candomblé!” Aquele Candomblé bonito, então virou nação. Virou nação e foi crescendo, e hoje nós temos Ketu, Angola, da Umbanda saíram as sete linhas da Umbanda – Branca, Umolocô, a Umbanda Cruzada, Umbanda Jêju, Mina Jêju, Mina Vodum, Mina Vodunfã, Mina Nagô. Foram várias nações que foram nascendo através da nossa amada e querida Umbanda.

Umbanda 100 Anos 08 por você.

Entre os diversos presentes, ouvimos Pai Rogério Navê Oroalin com Badé, que na Umbanda seria Oxum com Xangô, que mostra em sua fala a riqueza e diversidade no culto da Umbanda:

Eu participo de um culto afro que pega muito a parte da Umbanda, onde eu me iniciei e tudo, que se chama Mina Jêju, que é cultuado no Maranhão, na minha casa eu cultuo Umbanda, encantados de Umbanda, com preto-velho, com exus, com crianças. A gente passa por fundamentos, obrigações, tem uma disciplina organizada, têm rituais secretos de iniciação, de complementos espirituais…

Umbanda 100 Anos 12 por você.

Finalmente trazemos a bem humorada e acolhedora dona do terreiro, Mãe Neura do Seu Sete Encruzilhadas, que chegou alegre e que deixou em suas vertiginosas falas as lutas da Umbanda, a sua beleza e a sua autenticidade enquanto crença religiosa. Ela, que veio do Rio de Janeiro, onde a Umbanda começou em sua fundação oficial, e demonstra as linhas que a Umbanda seguiu por estas paragens, consolidando-se por toda parte, assim como no Amazonas:

Umbanda 100 Anos 04 por você.

Eu sou a Mãe Neura, a louca do 14, o pessoal me chama assim, porque tem sempre um tempo em que a gente faz um giro, faz aquela caminhada, principalmente na época do afoxé. Na Bahia eles fazem o afoxé, aqui a gente não faz, estão tentando pra fazer agora ano que vem, e eu faço a caminhada, na sexta-feira do carnaval a gente faz aquela caminhada, e o exu vai, eu vou até o cemitério, dali eu volto, termino a gira em casa, isso tudo de dia, e depois a gente brinca o carnaval, aquela coisa toda, e eu aprendi com a minha mãe que a gente faz o prêmio, pra pedir proteção, e na quarta-feira de cinza as pessoas vem no barracão devolver pra queimar, tem todo um significado aí. Aí eles diziam que eu fazia procissão pra exu. Como também, a nossa parte de exu, o nosso trabalhador, a cada 3 meses a gente caminha com ele na estrada pra pedir progresso, prosperidade, cliente, luz, força, tudo. A gente corre em sete encruzilhadas, e leva as oferendas e vai colocando. Eu não me importo que tenha igreja Batista, Adventista, Universal, Assembléia, eu faço a minha religião, pra mim é a minha religião e acabou-se. Era procissão de exu também. Eu nunca me importei; quando eu passo eu sei que passo, foi para o bem eu estou junto. E por isso eles me chamam de “louca do 14, que faz procissão de exu”. Eu não tenho culpa; se eu tenho médium preparado, eu vou sair sozinha por quê? Eu tenho uma opinião que é o seguinte: se eu estiver bem, meus filhos vão estar, e o que eu puder fazer pelos meus filhos eu faço. Religião nenhuma dá riqueza a ninguém, ela dá força, saúde e caminhos abertos, desde que você faça por onde merecer. Que Deus diz, tá lido porque tá escrito: “Faz por ti, que eu te ajudarei.” Na nossa religião a gente faz pelos médiuns pra poder ser ajudado. Eu não posso ir no médico e o médico passar um remédio e o remédio ficar em cima da mesa, a gente deixar lá e ficar bom. Aí, mano, tá difícil milagre.

Umbanda 100 Anos 07 por você.

Na Umbanda, eu comecei em 70. Fui do Alan Kardec dos sete aos dezesseis, depois passei pra Umbanda, fiquei 12 anos no terreiro da minha mãe, no Rio de Janeiro, Terreiro de Umbanda Rei do Congo e Caboco Sete Lagoas. Benedita Anjo, que a yalorixá, continua trabalhando, com quase 90 anos. Vim pra cá em 82, mas fui primeiro para a Praça 14, na casa da minha mãe, na Dr. Machado, esquina com a Visconde, onde é uma locadora de carro hoje. Em 85 eu vim pra cá pra Cidade Nova, porque já tinha muita gente e lá era muito pequeno. Meu pai hoje é James Rios, James do Ogum. Eu tive que passar pro Candomblé não por vaidade, mas sim por necessidade, porque na casa da gente chega gente de todas as nações. Aí tu imagina a gente ter um filho bom, ma a nação dele é Ketu? Aí você não vai dar a ele o que ele precisa porque você só está na Umbanda. A minha vida é Umbanda, eu gosto dos cabocos, eu gosto dos pretos-velhos, dos exus, das rezas, das danças. O Candomblé pra mim foi um complemento, estou satisfeita também; mas eu acho assim, se você é burro velho não vai aprender uma nação como alguém que fala português e de repente vai falar inglês em uma semana. Mas a hora que eu preciso tem meu pai, tem meu irmão, Rafael de Oyá, que toca o Candomblé.

Umbanda 100 Anos 06 por você.

A Umbanda foi tudo pra mim, e é tudo; a gente quando passa de uma nação pra outra, se a gente não tiver estrutura a gente vacila muito, é como se você falasse uma língua diferente, porque espíritos pra mim todos são iguais, não existe diferença, o que muda é modo como você prepara. Eu tive uma experiência no Gêge não muito boa, com um pai de santo, que só não me derrubou mesmo porque abaixo de Deus os orixás, que graças a Deus me retiraram. As pessoas que viviam em minha casa presenciaram muita coisa desse pai de santo, que queria que eu desse a minha casa pra ele, eu perdi mais de cem filhos de santo. Eu passei uma dificuldade muito grande. Eu me vi só. Então, eu tenho uma filha de santo que é de Obá, Maria das Graças dos Anjos, ela e Ana de Oxum foi que me deram uma luz. disseram: “Você não vai cair. Um dia você deu a mão pra gente e hoje nós vamos lhe dar a mão.” Então elas me fizeram conhecer o seu Luiz, que é de Umbanda Umolocô. Seu Luiz pra mim é tudo, abaixo de Deus foi ele que me deu a mão. Depois que eu já tinha sarado, saído da enfermaria, ido pra casa me recuperar, aí eu conheci Rafael de Oyá e comecei a ter intimidade com Pai James de Ogum, e é ele que vai fazer minha obrigação de 14. Eu vou abrir a minha porta pra Manaus toda, porque o pessoal não me ver de orixá, me ver de preto-velho e exu, sou conhecida como a Neura de Seu Sete Encruzilhadas, mas eu vou fazer minha obrigação de Ketu, porque eu preciso, muitas pessoas da minha casa são de nação e eu preciso. Mas foi a Umbanda que me deu a mão, quem me suspendeu e me levantou. Ela foi meu início e foi o meu meio, não sei se será o meu fim, mas graças a Deus eu tenho só boas recordações da Umbanda. Pra mim foi uma surpresa [a comemoração dos 100 anos de Umbanda], porque não tinha muita intimidade com ele [Pai André de Ogum]. Eu conheço muita gente de nome, eu não vou não casa de ninguém, porque não tenho tempo. Eu fiquei feliz, principalmente agora que nós fomos alforriados, que nós deixamos de ser seita e somos uma religião. Quer queira quer não, a pessoa tem de respeitar, e eu faço valer isso, eu não tenho vergonha de dizer que eu sou umbandista, que eu sou espiritualista. Se eu tiver que sair de baiana na rua eu vou sair, e que fale mal de mim que eu vou ganhar é dinheiro, largo processo mesmo. É muito bom essa comemoração pra ver se o pessoal se junta mais, espero que a cada ano a gente comemore mais.

Umbanda 100 Anos 11 por você.

Na Umbanda, eu comecei em 70. Fui do Alan Kardec dos sete aos dezesseis, depois passei pra Umbanda, fiquei 12 anos no terreiro da minha mãe, no Rio de Janeiro, Terreiro de Umbanda Rei do Congo e Caboco Sete Lagoas. Benedita Anjo, que a yalorixá, continua trabalhando, com quase 90 anos. Vim pra cá em 82, mas fui primeiro para a Praça 14, na casa da minha mãe, na Dr. Machado, esquina com a Visconde, onde é uma locadora de carro hoje. Em 85 eu vim pra cá pra Cidade Nova, porque já tinha muita gente e lá era muito pequeno. Meu pai hoje é James Rios, James do Ogum. Eu tive que passar pro Candomblé não por vaidade, mas sim por necessidade, porque na casa da gente chega gente de todas as nações. Aí tu imagina a gente ter um filho bom, ma a nação dele é Ketu? Aí você não vai dar a ele o que ele precisa porque você só está na Umbanda. A minha vida é Umbanda, eu gosto dos cabocos, eu gosto dos pretos-velhos, dos exus, das rezas, das danças. O Candomblé pra mim foi um complemento, estou satisfeita também; mas eu acho assim, se você é burro velho não vai aprender uma nação como alguém que fala português e de repente vai falar inglês em uma semana. Mas a hora que eu preciso tem meu pai, tem meu irmão, Rafael de Oyá, que toca o Candomblé. A Umbanda foi tudo pra mim, e é tudo; a gente quando passa de uma nação pra outra, se a gente não tiver estrutura a gente vacila muito, é como se você falasse uma língua diferente, porque espíritos pra mim todos são iguais, não existe diferença, o que muda é modo como você prepara. Eu tive uma experiência no Gêge não muito boa, com um pai de santo, que só não me derrubou mesmo porque abaixo de Deus os orixás, que graças a Deus me retiraram. As pessoas que viviam em minha casa presenciaram muita coisa desse pai de santo, que queria que eu desse a minha casa pra ele, eu perdi mais de cem filhos de santo. Eu passei uma dificuldade muito grande. Eu me vi só. Então, eu tenho uma filha de santo que é de Obá, Maria das Graças dos Anjos, ela e Ana de Oxum foi que me deram uma luz. disseram: “Você não vai cair. Um dia você deu a mão pra gente e hoje nós vamos lhe dar a mão.” Então elas me fizeram conhecer o seu Luiz, que é de Umbanda Umolocô. Seu Luiz pra mim é tudo, abaixo de Deus foi ele que me deu a mão. Depois que eu já tinha sarado, saído da enfermaria, ido pra casa me recuperar, aí eu conheci Rafael de Oyá e comecei a ter intimidade com Pai James de Ogum, e é ele que vai fazer minha obrigação de 14. Eu vou abrir a minha porta pra Manaus toda, porque o pessoal não me ver de orixá, me ver de preto-velho e exu, sou conhecida como a Neura de Seu Sete Encruzilhadas, mas eu vou fazer minha obrigação de Ketu, porque eu preciso, muitas pessoas da minha casa são de nação e eu preciso. Mas foi a Umbanda que me deu a mão, quem me suspendeu e me levantou. Ela foi meu início e foi o meu meio, não sei se será o meu fim, mas graças a Deus eu tenho só boas recordações da Umbanda.

Umbanda 100 Anos 14 por você.

Pra mim foi uma surpresa [a comemoração dos 100 anos de Umbanda], porque não tinha muita intimidade com ele [Pai André de Ogum]. Eu conheço muita gente de nome, eu não vou não casa de ninguém, porque não tenho tempo. Eu fiquei feliz, principalmente agora que nós fomos alforriados, que nós deixamos de ser seita e somos uma religião. Quer queira quer não, a pessoa tem de respeitar, e eu faço valer isso, eu não tenho vergonha de dizer que eu sou umbandista, que eu sou espiritualista. Se eu tiver que sair de baiana na rua eu vou sair, e que fale mal de mim que eu vou ganhar é dinheiro, largo processo mesmo. É muito bom essa comemoração pra ver se o pessoal se junta mais, espero que a cada ano a gente comemore mais.

Umbanda 100 Anos 09 por você.

DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

Deu meia-noite

tem coruja no telhado,

hoje é noite de magia

a Cigana vem aí.

.

Quando ela vem

Santa Sara é quem nos guia,

nesta noite de magia

o fluído é do amor.

.

Ela traz rosas,

fitas, velas perfumadas,

lá na capela o sino já bateu.

.

Na encruzilhada o galo já cantou,

vamos acender a chama

do fogo do amor.

.

Amor que hoje

está faltando nos terreiros,

está faltando em sua casa,

falta então no mundo inteiro.

Cigana Mãe Emilia 01 por você.

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O amplo e bonito terreiro de Nochê Hunjaí Emilia de Tóy Lissá estava maravilhosamente organizado com as mais variadas cores em belos adornos, a mesa estava posta com as mais deliciosas comidas e mais saborosas bebidas. Os convidados preenchiam o ambiente, tendo entre os presentes pais e mães de santo, filhos de santo de diversas casas, estudantes, professores, simpatizantes, todos que foram apreciar a tão famosa festa da Cigana.

Cigana Mãe Emilia 02 por você.


Cigana Mãe Emilia 08 por você.

Cigana Mãe Emilia 05 por você.

E quando zoaram os tambores, Mãe Emilia formou a roda, puxando as rezas e espalhando a mais a espiritualidade naquele espaço. Todos se regozijaram com o ritmo e as rezas cantadas para diversos cultos afro, pois como explicou a conhecida e respeitada Yalorixá, que também é presidente da FUCABEAM – Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas, estavam presentes numa comunhão diversas casas de santo, e, além de ser festa da Cigana, ali é a sede da Fucabeam e a Fucabeam é para todos, então todos tiveram vez de puxar suas rezas, seus pontos, seus magníficos cantos.

Cigana Mãe Emilia 12 por você.

Cigana Mãe Emilia 09 por você.


Tem coruja no telhado

Hoje é noite de magia

Quem trabalha com Exu

Não tem noite, não tem dia

Cigana Mãe Emilia 10 por você.

Cigana Mãe Emilia 13 por você.

Cigana Mãe Emilia 20 por você.


Entre os diversos ilustres convidados, e todos eram ilustres, pois nos cultos afro não existe discriminação de espécie alguma, estava a moçada do FOPAAM – Fórum Permanente Afrodescendente do Amazonas, que puxa a luta da negritude na cidade de Manaus e atua pela inclusão do negro e da igualdade racial.

Cigana Mãe Emilia 41 por você.

A companheira Dulci Batista, que é coordenadora do Fórum, assessora da Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Militante do Movimento Negro, falou sobre a participação deles nessa noite na casa de Mãe Emilia:

Hoje nós estamos aqui na Fucabeam, enquanto Fórum, celebrando 100 anos da Umbanda, juntamente com esta festa Cigana, que é uma tradição daqui da casa, e celebrando também o 20 de novembro, que é o dia que nós temos como o Dia Nacional da Consciência Negra, no Brasil todo, então a nossa presença aqui faz parte das atividades do Fórum durante todo esse mês de Consciência Negra, dizer que estamos aqui, que somos solidários e defendemos a liberdade de culto.

Cigana Mãe Emilia 17 por você.

Cigana Mãe Emilia 14 por você.


Mandaram um recado para mim,

dizendo que Marabô ia chegar.

.

Também mandaram me dizer

que ele vem acompanhado de mulher.

.

É Maria Mulambo, cigana de fé,

É Maria Padilha, rainha do Candomblé.

Cigana Mãe Emilia 19 por você.

Cigana Mãe Emilia 16 por você.

Cigana Mãe Emilia 25 por você.

Pombogira é mulher de sete maridos

Pombogira é mulher de sete maridos

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Ô, não mexa com ela, ela é um perigo

Cigana Mãe Emilia 26 por você.

Cigana Mãe Emilia 24 por você.

E finalmente eis que chegou Dona Cigana, trazendo ao terreiro seus cantos, suas rezas, seu perfume, suas flores e sua graça de dançar, recebendo o carinho e respeito de pais e mães de santo, filhos e convidados e distribuindo sua alegria contagiante e suas bênçãos a todos os presentes nessa noite de luar, noite de magia.

Cigana Mãe Emilia 28 por você.


Eu vinha numa longa madrugada

Numa longa estrada encontrei as cachoeiras

Eu vinha numa madrugada

Eu encontrei uma linda cachoeira.

.

Sentei naquela pedra

E procurei meu cigano Wladimir

Me banhei nas cachoeiras

E procurei meu cigano Wladimir.

.

Eu sou Cigana, ciganinha

Sou Cigana do Amor

Eu sou aquela Cigana

Protetora das mulheres.

Cigana Mãe Emilia 30 por você.


Conversamos com Mãe Emilia, que nos falou apaixonadamente dessa Cigana que veio à vida dela auxiliar as pessoas necessitadas de ajuda espiritual, curar, dar conselhos desde que ela muito jovem.

Ela é uma Cigana oriental, sempre que ela vem ela dança com qualquer um espírito que tiver, mas ela é uma Cigana oriental. Ela veio do Egito. Ela não trabalha somente como cigana, ela trabalha como aquela mulher maravilhosa, uma enfermeira, uma médica, que cura. Chegam pessoas aqui loucas, com câncer… Ela tá pronta pra ajudar. Vou pelos interiores, ela desce, faz cura, faz tudo. Ela cruza vinte e uma linhas, por onde ela passa, a linhagem dela, os fundamentos dela. Ela cura muito, trabalha também em desunião, uma pessoa que tá precisando de uma paz, um amor na vida, ela ajuda demais. E não é à custa disso [dinheiro], porque ela diz que tá desempenhando a missão dela aqui na terra. Por caridade. E eu trabalho por caridade. Cobro sim os meus búzios que eu boto, feitura, que o filho tem de comprar as coisas pra poder se preparar. Mas durante a minha vida, ela nunca, nenhum deles nunca cobrou nada de ninguém.

Cigana Mãe Emilia 43 por você.


Dizem que a Cigana é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Dizem que a Cigana é uma rosa

A Cigana é uma rosa

Que vai iluminar os teus caminhos.

Cigana Mãe Emilia 31 por você.

Cigana Mãe Emilia 35 por você.

Veio até um babalaô que viu pela internet e veio aqui para comprovar se era aquela Cigana que ele encontrou na Turquia, e ele chegou aqui e comprovou que era ela. Eu nem sabia. Ele ficou no cantinho, escondido, pra ver se ela conhecia. E ela deu a volta todinha e foi lá com ele e deu o bauzinho dela, que ela ganhou, ela tinha ganhado um lindo baú, pois ela foi lá e deu pra ele: “Tá aqui pra provar que sou eu.” Impressionante. E ele disse: “Olhe, diga pra Mãe que eu quero vir aqui conversar com ela, porque eu encontrei. Ele é até turco. Sempre vinha gente turca na minha casa pra conversar com ela, porque ás vezes ela vinha como a Deusa do Sol, então ela se comunicava com eles, e eles me disseram que voltariam pra fazer um templo de mármore pra ela. Eu estou esperando que um dia possa acontecer. Esse eu não sei nem como é que ele estava, as moças que depois me falaram. Talvez quinta-feira eles vão vir…

Cigana Mãe Emilia 39 por você.


Então a roda foi formada para a distribuição da deliciosa e abençoada farofa. Os filhos viam de um em um para comer a farofa que Mãe Emilia e Mãe Maria colocavam em suas mãos, alguns convidados também foram provar, enquanto os da roda cantavam e dançavam…


Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Coma a farofa que Exu vai lhe dar

Cigana Mãe Emilia 46 por você.

Cigana Mãe Emilia 47 por você.

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Fa fa rô fê fa fa ró fá

Levanta a farofa que Exu já comeu

Cigana Mãe Emilia 48 por você.

E chegou a hora de Dona Cigana receber os parabéns, cortar seu bolo e distribuir seus diversos presentes. Todos cantaram, comeram e ficaram felizes com o que receberam de Dona Cigana.

Cigana Mãe Emilia 49 por você.

Cigana Mãe Emilia 50 por você.


Mas os tambores continuaram a festa propagou-se pela noite, contagiando a todos por essa bela comemoração da Cigana, que veio através de Mãe Emilia cantar, bailar, distribuir suas palavras aos atentos ouvidos e todos a admiraram em beleza, graça, suavidade, ternura e sabedoria. Axé!


Cigana Mãe Emilia 53 por você.

Eu sempre digo assim pra Deus: “Meu Deus, botaste essa Cigana no mundo, essa mensageira?” Desde a minha infância eu sonhava com ela. A primeira vez eu fiz uma saia (na época só se usava comprido), e vesti a saia vermelha, com folho, e não sei como foi, eu senti assim que me rodaram. Ela veio: “Essa roupa me pertence.” Desde esse dia, pronto, lutar eu lutei muito. Eu perguntava pra Deus: “Como tu me botaste numa outra missão, eu, pura, pra me casar contigo, Senhor?” Mas hoje eu agradeço a Ele até o dia em que Ele quiser. Tô cumprindo a minha missão até quando Ele quiser. Peço que Deus e Eles dêem a benção a todos aqueles aflitos e desesperados, que Deus dê muita paz e muito amor pra todos.

Cigana Mãe Emilia 54 por você.

Cigana Mãe Emilia 57 por você.

Cigana Mãe Emilia 56 por você.

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Sou Cigana bonita, que vem do Egito

Meu pai é rei da Turquia

Meu pai é rei da Turquia

CONVERSA COM SEU BAIANINHO DO TAMBOR-DE-MINA

Seu Baianinho 13 por você.

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No sábado passado fomos até a casa de Pai Miguel de Vondoregi para conversar com o encantado Baianinho do Tambor-de-Mina. No momento em que publicamos essa conversa e algumas descontraídas imagens do encontro, Pai Miguel já se encontra em São Luís do Maranhão, para participar das festas de comemoração dos 50 anos da Casa da Fé em Deus, sua casa. Seu Baianinho é a primeira entidade das Minas que conversamos. Com uma voz possante, metálica, e sotaque arrastado, bem humorado, perspicaz, contagiante, ele nos falou sobre si, sobre os conhecimentos das Mina, a relação dela com as outras religiões afro, teceu lúcidos comentários o papel das religiões em geral, e até, quando conversamos sobre o Bumba-Meu-Boi do Maranhão, o verdadeiro boi, e lhe falamos do boizinho afinado Rizoma, ele se comprometeu a participar de uma apresentação. Com a participação da Isá Donquê (correspondente à Mãe Pequena do Candomblé) da casa, Taíssa, de Seu Marinheiro e a filha mais nova foi agradável a conversa que ora deixamos aqui…

Seu Baianinho 02 por você.

Ero sou um encantado chamado Baianinho. Sou chamado, não é meu nome. Dentro das Mina, da Umbanda, dos encantados de Angola, todos nós damos um nome que vocês chamam pra cá de apelido. O nosso nome é uma coisa que dentro das obrigações, dentro da família de santo, nós usamos; fora dali nós temos dito de várias formas. Você vai encontrar caboco, encantados: Ave-Seca, Rompe-Mata, a própria encantada chamada Mariana; Mariana não deixa de ser um nome que ela botou, mas ela tem o nome dela. Quando chega nessa parte de nome, todos nós temos um nome. Todos nós temos uma descendência. Nas Minas, ela é dividida em famílias de encantados, como também têm cabocos.

com a Isá Donquê da casa

com a Isá Donquê da casa

Na Mina tem famílias de gentis, que vem ser Dom Luís, Dom Sebastião (também conhecido como Rei Sebastião, Dom Manuel, Dom Miguel, várias famílias. Aí vem, pelo lado da encantaria, João da Mata, conhecido como caboco da andeira ou caboco rei da bandeira, tem a família dos Bastos, que é uma família húngara, que foi encantada no juncal…

O junco virou

Na lagoa virou junco

O junco virou

Na lagoa do juncal

…tem a família de Dom Miguel, Rei da Gama, que é uma família que vem da Espanha, tem a família de Dom Sebastião, de Portugal, que foi encantado nas águas do Maranharo, tem a família de Légua Mogiboá, com encantaria no Codá, que também vem dos Áfricas. Então, são várias famílias dentro da Mina. Seu Marinheiro tem a família dele, família da marinha, dos marinheiros, o qual tem um que eles chamam de Pai. Tem a família dos Botos, governada por João de Lima, encantado peruano que desceu pelas águas do Amazonas e fez encantaria dele no Pará, tem a família da Baía, que é a minha.

Não sou da Bahia de São Salvador. A nossa Baía é baía. Às vezes eu canto para a Bahia de São Salvador como respeito, como uma saldação. (Seu Marinheiro canta)

Eu não sou daqui

Marinheiro sou

Eu não tenho amor

Marinheiro sou

Eu sou da Bahia

De São Salvador

Aqui [em Manaus] tem encantarias bonitas, que o povo daqui não sabe, porque encantou-se aqui, mas desceu e foi fazer encantarias em outras águas. Como alguns desceram de outras águas e vieram pra cá. Nós somos de uma baía. A única família que é verdadeira maranhense chama-se a família do Codó. Não tem a família dos turcos? Mas o chefe da família já é cambinda. E assim vai.

Eu não tive vida terrena. Nãro, nãro. Alguns encantados tiveram vida terrena. Se você fizer alguma leitura, vai encontrar muita coisa do povo que teve vida terrena e se encantaram, não morreram, porque dentro da Mina não tem como morrer. O se encantou ou já veio encantado para o mundo. O senhor não conhece estas histórias: “Ah!, o fulano sumiu.” Como sumiu? Morreu afogado e nunca mais encontraram o corpo. Não morreu afogado; teve encante, se encantou. E isso tem. O povo pode até não acreditar, mas tem. Tem muitas coisas. O senhor vai se perder um dia só em querer saber. Às vezes nem o próprio pai de santo sabe. Ele sabe se atuar. Recebi num sei quem, mas não sabe nem quem é aquela entidade, aquele espírito que ele tá recebendo.

com Seu Marinheiro

com Seu Marinheiro

O senhor pensa que esse pessoal que recebe espírito e vira evangélico recebeu encantado algum dia, recebeu caboco? Recebeu um espírito obsessor dando o nome de encantado, de caboco. Sabe o que acontece? O senhor chega na minha casa: “O seu nome é Mariana, seu nome é Mariano, é Balanço.” E ali o pai de santo não viu que pode ser uma energia negativa, um espírito obsessor. Aí bebe, fumar eu sou o tão, aí a vida da pessoa vai pra [sinal para baixo], aí vai pras igreja. A igreja reza, a reza tem poder, tira aquele espírito obsessor, Mariana, Pombagira… Nunca foi nada disso coisa nenhuma. Nas casas de religião africana também se tira espírito obsessor, tem ebó, tem limpeza, tem banho de descarrego para tirar energia negativa. Agora o que que acontece, eu quero minha casa cheia, então eu não quero nem saber. Às vezes o pai de santo não tem visão, é por isso que tá essa marmotagem todinha.

Nós somos Nagô. Não tem encantado Jêjo. Na Jêju só tem vodun, e é dividido por família: família de Savaluno, Damirá, Davisse, Quevê Osô… Cada família tem os seus voduns. Nós todos somos Nagô, porque o Nagô abraçou a todos. Você vai ver que tem orixá que chega dentro do Nagô e dá nome português, mas se você for ver é o mesmo orixá, ele é um vodun, só que de uma outra água. Têm os cambindas, têm os cachéus, e têm voduns, mas que estão no Nagô, dentro do Jêjo não estão. O Ketu não tem vodun, só vira orixá. Mas tem muito orixá do Ketu que é Jêjo: Oxumaré, Nanã, Euá, todos são Jêjo, mas migraram. O próprio Nagô, Nagô Abioton: dança vodun, você vê orixá dançando e vê encantado dançando, todos naquela mesma alegria.

A origem das Mina vem dos África, vem o Jêjo de Benin e da Nigéria vêm os Nagôs. O nome Mina é porque os negros que vinham para o Maranhão saíam do porto de São Jorge del Mina, na Costa do Ouro. Quando chegavam no Maranhão, diziam assim: “Chegou os negros mina.” E esse nome, Mina, ficou. Pra Salvador foram os ketus, os marris, todas tribos com dialetos diferentes. No Maranhão é o Jêjo, com a língua Euê. Lá em Salvador tem o Jêjo Marri; tem muita coisa parecida, mas chega num patamar que muda.


Manaus começou com as Mina. O que aconteceu? As velhas mineiras vieram pra cá, abriram terreiro. O primeiro terreiro aberto aqui foi o do Morro, depois do Seringal. Mas por egoísmo, eu digo, a Mina se perdeu, porque elas foram morrendo e não foram passando. Chega um lá de não sei onde: “Ah!, eu sou isso.” O povo não tava acostumado, só tava acostumado com caboco. E os encantados daqui não tem patente como nós temos na Mina. No dia que você vier à minha casa, o senhor vai me ver cantar o Jêjo, cantar o Nagô, eu posso está em cima de seu Miguel, mas tem todo um ritual pra vodun, todo um ritual pra orixá, todo um ritual pra encantado, cada um diferente. E os filhos da minha casa já sabem como é. Se um dia forem pra qualquer lugar: “Olha, eu sou isso, sou isso e isso.” O senhor já deve pegado algum pai de santo: “Eu não sei isso, tenho primeiro que consultar meu vodun, meu caboco.” Não. É aquilo que eu lhe disse: “Tem coisa que eu posso lhe dizer. Olhe, daqui pra frente eu não posso mais lhe falar.”

Aqui não existia Pombagira. Quem trouxe Pombagira foi seu Osvaldinho e dona Léa, do Rio de Janeiro, dos cariduzocas. Hoje em dia todo mundo tem Pombagira. A essência veio com eles. Quem expandiu Tambor de Mina aqui? Mãe Nina. Quem expandiu Tambor-de-Mina aqui? Foi erro. Você pode ver que eu vou em qualquer lugar. Em qualquer lugar eu faço festa. Na Umbanda tem muitos encantados que vem de Mina. O que aconteceu? É assim: a senhora chegou no Maranharo, o que você gosta de comer? No Maranharo não tem jaraqui não, tem melro. O que a senhora vai fazer: “Vou comer esse aqui.” Se acostuma. Assim é os encantados. Vieram, chegaram aqui, não tinha Tambor-de-Mina, só tinha Umbanda. Eu sou assim. Me convidam pra festa do Pombagira, eu vou, não danço, mas sou amigo de todas e de todos. A pessoa me convida: “Seu Baianinho, vamo ali escutar a missa.” Eu vou, só não fico a missa inteira. No Marnharo isso é normal: nós sair em cima dos filhos, tomar uma espumosinha com os filhos, amigos. Aqui, quando seu Miguel chegou aqui há vinte anos atrás, diziam que eu era doido, que era o capeta. Aqui eu não ando mais.

Dentro da Casa de Iemanjá, no dia de São Jorge, tem uma festa muito bonita. O pai de santo de seu Miguel, seu Jorge, foi presidente da Federação durante muitos anos. Todo mundo sabe que todo umbandista gosta de São Jorge, e, queira ou não queira, Umbanda é a coisa que mais cresce em todo o Brasil. Então ele começou a fazer essa festa, o meu pai, João Guerreiro de Alexandria, turco, entregou essa festa pra ele comandar. Depois que ele saiu da presidência, sempre teve essa festa muito grande. Então, tem a missa de manharo, depois vem da missa em procissão, chega no terreiro, toca o tambor, de manhã cedo, 8h, toca até umas 11h, aí vem o armoço, aí tem outra procissão, a gente acompanha a procissão, quando chega, todo mundo lava seus cavalos, aí já começa o tambor de noite, pra Ogum. Nós estamos lá sentados numa roda, acabou o tambor umas 11h da noite, lá vem o padre da Igreja da Conceição e umas cinco beatas. Entrou no tereiro, recebemos direito, o andor tava lá todo arrumadinho, e ele foi lá pra conhecer São Jorge, que ele não conhecia. Isso tem. Aqui só tem uma festa que fazem junto, que é São Benedito, mas mesmo assim…

Na Mina não tem esse negócio de linha não, esse negócio de bem e de mal. Em todo sabadoro a gente tá aqui pra atender os que precisam. Não tem coro, não tem qualidade, não tem bandeirinha. O senhor pode ter milhões, a senhora pode ter milhões, essa aqui é pobrezinha, eu atendo ela do jeito que atendo todos vocês. Chegou aqui, tá precisando: “Pega as velas, se não tiver vela grande, sete dias, acende uma pequenininha”, mas eu não deixo sair da minha casa sem uma resposta, sem nem pelo menos o peito pra cima. Não sei se isso é uma dádiva da Mina, pois quase todo mineiro tem esse coração… O senhor quer amarrar quem? Não tem amarração, isso não existe. É tipo: “Fulano matou fulano com feitiço.” Ninguém mata ninguém com feitiço, quem mata é Deus. Se alguém faz feitiço pra senhora, feitiço espiritual o feitiço é espiritual , se a senhora vai ter que morrer, a senhora morre, mas senão aparece alguém que bate na sua porta: “A senhora tá com problema, vamos fazer um banho de sal grosso”, e a senhora fica boazinha. Por que? O espiritual ali se transforma em material, porque ninguém morre de feitiço, aquilo é jogado, aquela energia negativa é jogada, e se transforma numa coisa material, e aquilo lhe leva. Ninguém tem poder de matar ninguém, tem maldade no mundo. Assim como tem a caridade, tem a maldade.

as filhas com o caçula de Seu Miguel

as filhas com o caçula de Seu Miguel

Do jeito que o mundo anda, tão atravancado, cheio de doenças, cheio de um monte de pais fazendo esganeira com as filhas, um monte de gente passando fome, que às vezes não tem nenhum grão de arroz pra pelo menos socar no pilão e fazer uma água pra poder tomar, que as religiões, em vez de se apedrejarem, se unissem, já que todas se dizem levar ao mesmo Deus, se unissem num propósito de engrandecimento não só de uma nação, mas de um mundo todo. É tão bonito o senhor chegar na minha casa, eu posso não ter ouro pra lhe cobrir, mas tem pelo menos mingau de farinha branca com sal pra eu lhe dar pro senhor tomar. É bonito o senhor chegar na porta da minha casa com problema, eu não sou Deus pra resolver todos os seus problemas, mas sou encantado, e quando o senhor sair da minha casa o senhor vai sair leve e puro, confiante e guerreiro para destruir qualquer coisa que vier pela frente. Então, seria muito bom isso, o senhor vir na minha casa, uma casa de nação afro, caminhos afro, uma casa de espiritualidade, eu lhe dar um conforto, o senhor chegar numa igreja evangélica e lhe darem um conforto, o senhor chegar numa igreja católica e lhe darem um conforto, o senhor chegar num Hary Chrystmas e lhe darem conforto, chegar numa carismática e lhe darem conforto, mas tudo com um denominador comum: o grande, o arquiteto do mundo. Isso não vai acontecer se o senhor chegar na minha casa e disser lá só existe demônio, porque dentro da religião africana não existe demônio. Demônio é aquela coisa negativa que cada um tem dentro do peito, dentro do coração, aquela maldade que você deseja ao seu próximo, aquilo é demoníaco.

com a moçada da Afin

com a moçada da Afin


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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