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DILMA ASSINA ONZE DECRETOS DE DESAPROPRIAÇÂO DE TERRAS PARA PROPRIEDADES QUILOMBOLAS

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

É tempo de Consciência Negra, por isso alguns que nunca pensam o negro se fazem simpáticos e solidários a causa. Outros são Consciências Negras em todos os seus momentos, porque o corpo humaniora, como diz o filósofo Kant, requer sentimento simpatia e comunicação íntima universal como humanidade. Daí não se pretender uma data para ser sentimento simpático ou simular simpatia com as raças.

O caso dos governos populares não é de esperar data para compor simpatia e cumplicidade às raças. Como diz Lula, nunca dantes nesse país os negros tiveram seus direitos garantidos oficialmente. Há um Ministério exclusivo de políticas para os negros, além de outras políticas voltadas aos negros, como o regime de cotas. Embora faltem ainda muitas conquistas, não só para o benefício dos negros, mas também para os índios.

Assim, a decisão da presidenta de assinar 11 decretos de desapropriação de terras para propriedades quilombolas, que beneficiam 2.457 famílias, não é um ato que deve se resumir na comemoração da data do Dia da Consciência Negra. Faz parte das comemorações, porque ocorre no tempo da Consciência Negra datada, mas não é um fato simplesmente de data. Extrapola a data, visto ser um fato de direito humano de todo o sempre. Como humano, o negro é tempo-histórico contínnum como devir.

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

“Alegra-me assinar o decreto de desapropriação de terras em favor das comunidades quilombolas. Com esse processo mais famílias passarão a plantar com segurança de ter terra para viver, para produzir, para honrar e preservar as suas tradições.

Nós sabemos que o povo brasileiro nasceu da miscigenação racial. Somos uma nação plural com características africanas marcadamente impressas em nossos costumes, em nosso DNAs, em nossa língua, nas manifestações artísticas que nos enchem de orgulho”, disse a presidenta durante a cerimônia ao entrega títulos definitivos aos representantes quilombolas.

Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário, presente a cerimônia falou das ações do governo referentes às terras entregues aos quilombolas.

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

“São 34 selos entregues em todo o Brasil em benefício de 400 agricultores familiares. Além disso anunciamos hoje uma chamada pública da Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Ater) que atenderá mais de 10 mil famílias quilombolas com recursos de R$ 45 milhões para o primeiro trimestre de 2016 e, com ela, serão 13.315 famílias atendidas pela política de Ater”, afirmou o ministro.

Valeu, Zumbi!

MULHERES REALIZAM A POTÊNCIA-NEGRA NA 1° PRIMEIRA MARCHA NACIONAL DAS MULHERES NEGRAS

2bf8a287-414f-4485-ab33-b3d43af87cb1Ciente do quadro estarrecedor referente aos assassinatos de mulheres negras que o Mapa da Violência mostra que em dez anos, 2003-2013, houve um aumento de 54% de assassinatos dessas mulheres no Brasil, e mais todas as formas de exclusão impostas pela cultura-paranoica dominante que discrimina, persegue e explora, mais de 15 mil mulheres, de todo o país, se reuniram em Brasil para realizar a marcha reivindicatória de defesa de seus direitos.

c4b2d3c5-3916-435d-a9b9-257d2e61380a 88d6b5ed-5cd7-4b4a-bf37-646254b637f6A marcha teve a concentração no Ginásio Gilson Nelson de onde partiu para a Praça Três Poderes contando com a participação da diretora executiva da ONU Mulheres e ex-vice presidenta da África do Sul, Phumzile Mlambo e a ex-militante do grupo Panteras Negras que atuava pela s causas libertárias negras nos Estados Unidos e membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis. Além da participação da escritora, ativista da causa feminina nos Estados Unidos, Gloria Jean Watkins, também conhecida como bell hooks.

“Nos últimos anos tivemos um grande processo de reformulação de mudanças, de ampliação de direitos, de acesso a politicas e a bens de serviços. No entanto, quando a gente faz um recorte racial e de gênero, identificamos que as mulheres negras, um quarto da população, estão em condição de vulnerabilidade, de fragilidades, sem garantias.

 A marcha que falar de como um país rico como o Brasil não assegura o nosso direitos à vida. Queremos um novo pacto civilizatório para o país. O pacto atual é falido e exclui metade da população composta por mulheres e homens negros”, analisou Valdecir Nascimento, coordenadora da Marcha e coordenadora executiva do Instituto da Mulher Negra da Bahia (Odara).

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Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por sua vez, Vilma Reis, ativista do Movimento de Mulheres Negras, Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia e socióloga, disse que os negros querem ser senhores de suas próprias vozes e não que outro se passem como seus defensores. Para ela as reivindicações devem ser feitas no poder pelos negros mesmos.

“O Brasil vive um momento de fazer o desenvolvimento das mulheres negras fora da pauta. Nós não admitimos isso. Agora queremos decidir no poder, não vamos delegar nossa representação a ninguém. Essa é a grande virada”, se posicionou Vilma Reis.

Leia as pautas reivindicatória das mulheres negras.

– O racismo, o machismo, a pobreza, com a desigualdade social e econômica, tem prejudicado nossa vida, rebaixando a nossa auto-estima coletiva e nossa própria sobrevivência;

– O fortalecimento da identidade negra tem sido prejudicado ao longo dos séculos pela construção negativa da imagem da pessoa negra, especialmente da mulher negra, desde a estética (cabelo, corpo etc.) até ao papel social desenvolvido pelas mulheres negras;

– As mulheres negras continuam recebendo os menores salários e são as que mais têm dificuldade para entrar no mundo do trabalho;

– A construção do papel social das mulheres negras é sempre pensada na perspectiva da dependência, da inferioridade e da subalternização, dificultando que nós possamos assumir espaços de poder, de gerência e de decisão, quer seja no mercado de trabalho, quer seja no campo da representação política e social;

– As mulheres negras sustentam o grupo familiar desempenhando tarefas informais, que as levam a trabalhar em duplas e triplas jornadas de trabalho;

– Ainda não temos os nossos direitos humanos (direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais) plenamente respeitados.

Durante a marcha as mulheres negras manifestaram suas indignações contra o inimigo das mulheres, Eduardo Cunha defensor do aberrante Estatuto da Família cuja família unida se corrompe unida.   

FALSOS EVANGÉLICOS ESCONDIDOS ATRÁS DA BÍBLIA APEDREJAM CRIANÇA ADEPTA DO CANDOMBLÉ

tumblr_lxnulydl8U1qhwi0mo1_500O filósofo Nietzsche diz que só se deve falar daquilo que se ultrapassou, caso contrário só se tagarela. Ou seja, do que se conhece por experiência e inteligência. O conceito de evangelho nos remete ao entendimento de um discurso que pode ser laico ou religioso. Ser científico ou sagrado.

Para que alguém possa evangelizar se faz necessário que esse alguém examine todos os elementos que constituíram o discurso como corpos semióticos dominados pelos evangelistas, seus criadores. Corpos históricos, políticos, econômicos, sociais, religiosos, artísticos etc. O que necessita um grau de sabedoria além da mediana. Sem esses instrumentos epistemológicos não se pode ter o poder de evangelizar, visto não se ter o conhecimento.

Como diz Nietzsche: não se pode falar porque não se ultrapassou o corpo evangelista. Não se compreendeu. O resto é só superstição produzida por uma mistificação e mitificação dos elementos que constituem o discurso, que foram levados ao plano abstrato do psiquismo de quem se diz evangelizador e confunde com crença. A crença é produto incontestável como realidade que saiu da experiência e da inteligência. Ou pode também ser significada como crença, como afirma o filósofo Clèment Rosset, aquilo que não tem objeto real que possa ser atingido pelo exame crítico. É só um devaneio. Uma fantasmagoria saída de um ente imaginado. Essa a crença dos falsos evangélicos.

Como os evangelistas, autores do discurso evangélico, Marcos, João, Matheus e Lucas apresentam um texto que mostra a necessidade da tolerância, compreensão e amizade para que alguém se torne evangelizado e representante de Cristo, toda intolerância, discriminação e rivalidade que são usadas apara eliminar o outro, não podem ser tidas como evangelização. Trata-se nada mais do que projeções das frustrações desses praticantes em forma de sadismo-dominador. Perseguição aos homossexuais, aos travestis, a imposição de um modelo familiar restrito ao patriarcalismo castrador, etc., não testemunham evangelização. Testemunha o uso calculista e interesseiro da Bíblia em benefício próprio. Como fazem falsos pastores e parlamentares, também, falsos evangelistas.

Pois foi exatamente por esses falsos evangélicos, que escondidos atrás da Bíblia, à menina de 11 anos adepta do Candomblé, moradora do Bairro Vila da Penha, em Irajá, Rio de Janeiro, foi apedrejada. Caso registrado na 38ª Delegacia de Irajá. Diante da violência que constitucionalmente é caracterizado de intolerância religiosa, membros da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) destacaram um advogado para representar a criança.

“Ela estava com um grupo de pessoas e um grupo de evangélicos, que estava do outro lado da rua, começou a demonizá-los e a xingá-los. Não se contentando com isso, jogou uma pedra. Eles estavam arrumados tinham bíblias e acusavam os praticantes de Candomblé de serem demoníacos.

Isso é ruim para a religião. Eu sei que a grande maioria dos evangélicos não é assim e cabe a eles ajudarem a identificar esses agressores. Eram pessoas da igreja, pessoas que estavam com bíblia”, disse Ivanir Santos, babalawo e membro da comissão.

A violência, para Leniete Couto, coordenadora da Coordenadoria Especial de Políticas Raciais de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro, trata-se de ignorância e racismo.

“Há uma distorção histórica de colocara a cultura negra no sentido global, tanto a pessoa física quanto seus costumes sempre em um lugar de não existência ou um lugar negativo.

Não se respeita as religiões de matriz africana porque se diz que são do mal, que são ruins e com isso vem a invisibilidade e a negação da existência dessas pessoas. A invisibilidade cria um desconhecimento da história que faz com que as pessoas sejam rejeitadas e apedrejadas por ignorância e também por racismo”, analisou Leniete Couto.

Em nota a Polícia Civil afirmou que o caso foi registrado como lesão corporal no Artigo 20 da Lei 7716 – praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

O que se constata no Brasil atual é que há uma virulenta propagação da ignorância dos sentidos do que seja evangelista, evangelizador, evangelizar e evangélico. O que significa que o conceito real foi descartado da palavra para que a palavra, em sua forma vazia de conceito, sirva para garantir formas variadas de poder. Como poder de pastor e poder de parlamentar. Uma sórdida trapaça com o sentido livre e feliz da religião.

LEMBRANÇAS DO FILÓSOFO SPINOZA AOS FALSOS EVANGÉLICOS

O filósofo holandês Spinoza (1632-1677), autor da obra Ética, o melhor livro sobre os afetos alegres, a potência da vida ativa, entre outras obras escreveu uma que revela os erros, equívocos e enganos dos falsos profetas que transformaram a religião, em uma fonte de lucros para si através da exploração da superstição do povo. Trata-se do Tratado Teológico-Político onde o filósofo afirma ser a Bíblia um tratado político da formação do Estado do povo hebreu. Somente.

Eis aqui um breve trecho do tratado que ao ser comparado com a atuação dos falsos profetas se mostra profundamente atual.

“Inúmeras vezes fiquei espantado por ver homens que se orgulham de professar a religião cristã, ou seja, o amor, a alegria, a paz, a continência e a lealdade para com todos, combaterem-se com tal ferocidade e manifestarem cotidianamente uns para com os outros um ódio tão exacerbado que se torna mais fácil reconhecer a sua fé por estes do que por aqueles sentimentos.

Procurando então a causa desse mal, concluí que ele se deve, sem sombra de dúvida a se considerarem os cargos da igreja como títulos de nobreza, os seus ofícios como benefícios, e consistir a religião, para o vulgo, em acumular de honras os pastores. Com efeito, assim que começou na igreja esse abuso, logo se apoderou dos piores homens um enorme desejo de exercerem os sagrados ofícios, logo o amor de propagar a divina religião se transformou em sórdida avareza e ambição; de tal maneira que o próprio templo degenerou em teatro em que não mais se veneravam doutores da igreja mas oradores que, em vez de quererem instruir o povo, queriam era fazer-se admirar e censurar publicamente os dissidentes (…). Daí surgirem grandes contendas, invejas e ódio que nem com o correr do tempo foi capaz de apagar.

Não admira, pois, que da antiga religião não ficasse nada a não ser o culto externo (com que o vulgo mais parece adular a Deus que adorá-lo) e a fé esteja reduzida a crendice e preconceitos. E que preconceitos, que de racionais transformam os homens em irracionais, que lhes tolhem por completo o livre exercício da razão e capacidade de distinguir o verdadeiro do falso, parecendo expressamente inventados para apagar definitivamente a luz do entendimento”.

E Spinoza nós mostra qual o corpo que mantém os exploradores do vulgo dominado pela superstição. O medo!

Diz Spinoza: “A que pontoo medo ensandece os homens. O medo é a causa que origina, conserva e alimenta a superstição”.

Os falsos evangélicos agridem os que eles elevam como inimigos por medo estimulado pela irracionalidade dos falsos pastores que ambicionam nada mais do que o lucro. Por isso esses templos não passam de empreendimentos capitalistas cuja mercadoria é a superstição do fiel consumida por estes pastores como passagem para o especulativo paraíso.

A “NOITE NEGRA” SE MOSTROU NEGRITUDE NO PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN COMO CINEMA, PALESTRA, MÚSICA, POESIA, CAPOEIRA E, PRINCIPALMENTE, CRIANÇA

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A intenção era atualizar o virtual ou realizar o possível. E aconteceu. Artistas, capoeiristas e crianças como composto-estético produziram outras formas de sentir, ver, ouvir e pensar no Pórtico das Artes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) no Bairro Nova Cidade, em Manaus.DSC01804 DSC01809 DSC01825 DSC01832 DSC01834

Foi uma Noite Negra que se mostrou singularmente Negritude: a consciência livre do negro sobre si mesmo fora da brancura opressiva do sistema capitalista. Seu engajamento história em viver por si mesmo, sem modelo macho, homem, branco e europeu, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari.

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A Negritude do eu-mesmo como liberdade do negro, negando a história branca que o oprimiu, como diz o filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre. A estrutura ontológica do negro como resultantes da reflexão que fez sobre a a-história imposta pela voracidade branca. O negro deixando de ser objeto de dominação do olhar do branco para se tornar sujeito de seu próprio olhar sobre o branco. Mostrar o branco como objeto do olhar do outro. Sendo o olhar do negro sua potência criadora livre. Sua Negritude.

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Já na quinta-feira, membros da Afin estiveram na Escola Francisco Guedes de Queiroz, no Bairro Tancredo Neves, mais um bairro pobre da pobre Manaus. Lá, realizaram, junto com os estudantes, professores e pedagogos, a conferência, O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito de Negritude. Foi uma festa filosófica-política, já que trata-se de poiesis e práxis. Os corpos que produzem transformação.

DSC01909 DSC01914 DSC01915 DSC01916DSC01922 DSC01924 DSC01925Como a vivência não pode ser traduzida em palavras, visto que viver é atuar em consistência e existência em presença, como dizem os filósofos existencialistas, oferecemos aos acessantes deste blog algumas imagens, movimentos e sons, criados nos acontecimentos Negritude. 

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DIZERES E FAZERES DA VIOLÊNCIA CONTRA OS NEGROS ENTENDIDOS POR QUEM QUER SER SUJEITO-HISTÓRICO

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Eis aqui alguns dizeres e fazeres da violência contra o negro no Brasil. O Mapa da Violência 2014, já mostrou a realidade perversa e cruel desse quando onde apresenta que entre os jovens os negros são os que mais são assassinados em comparação com os brancos. E mais, são os jovens negros da periferia que sofrem essa letal exclusão.

Embora esse quadro seja muito preocupante por trata-se de pessoas com direito à vida, em um passado recente o quadro era ainda pior. O número de negros assassinados, discriminados e perseguidos em todas as funções era gritante. Comparado com hoje, a situação melhorou, mas exclusivamente pela própria política-humana adotada pelos negros que passaram a tentar serem autores de suas próprias histórias. Embora nos governos Lula, pela primeira vez na história brasileira, se passou, oficialmente, a criar políticas que visassem os direitos dos negros.

Depois da reflexão sobre a história de sua opressão eles passaram a querer a construção de suas consciências como sujeitos de si mesmos. Querer o seu ser-no-mundo, seu Dasein, como reflexo de suas produções. A criação de sua negritude: a liberdade de construir a sua consciência fora da consciência opressora do branco. Deixar de ser negro na concepção capturadora do brando para ampliar suas atitudes originais. Escapar da brancura-imperial imposta pelo opressor branco em forma do capitalismo-antropofágico-negro.  

Leiamos algumas compreensões desses sujeitos-históricos.

“Ele tem que estar morto em certa idade ou, se conseguir resistir, vai para uma unidade de internação e, quando ficar maior de idade, para uma penitenciária. Existe um plano traçado para ele. A carta branca do Estado, tanto para a polícia que mata quanto para o encarceramento em massa, é uma estratégia montada para um negro de periferia”, analisa o educador social e Happer, Henrique QI, 22 anos.

“Segurança pública é a área de maior preocupação, porque não nos sentimos seguros. Na verdade, as políticas de segurança pública são erguidas contra essa população e não para promover o direito à vida e à segurança”, afirmou Elder Costa, coordenador do Fórum Nacional da Juventude Negra.

“O crime de genocídio diz respeito à eliminação física, cultural e espiritual de um povo inteiro em sua fase mais produtiva. É isso o que está acontecendo. A saída é a organização dos negros e a conscientização dos demais grupos.

Se nós não forjarmos a nossa própria existência com luta, com radicalidade e com força, não seremos nada daqui a 60 anos”, observou Hamilton Borges, membro do Movimento Negro Unificado (MNU).

“Uma das formas com que o Estado costumou se relacionar com a população negra, já no pós-escravidão, foi por meio dessa política sistemática de escravidão. O primeiro passo nós demos, que é o reconhecimento dessa política. O segundo passo é um conjunto de ações coordenadas, a partir do governo federal, articulando de forma inédita 13 ministérios para enfrentar um problema comum: o extermínio da juventude negra”, disse a presidenta do Conselho Nacional de Juventude e integrante da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, Ângela Guimarães.

A Anistia Internacional Brasil com o objetivo de lutar contra a violência que atinge os negros, lançou a campanha Jovem Negro Vivo em que pede as assinaturas de pessoas para elaborar um documento para ser entregue à presidenta Dilma e os governadores dos estados.

Não se omita! Assine o documento aqui na página da Anistia Internacional Brasil. E veja mais dados sobre a violência contra os negros no vídeo elaborado pela anistia. http://www.anistia.org.br/entre-em-acao/peticao/chegadehomicidios/

PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN ENUNCIA: “UMA NOITE NEGRA”

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“O pistão d’Armstrong será no dia do Juízo Final o intérprete dos sofrimentos do homem”

Paul Niger

“África guardei tua memória África

Tu estás em mim

Como o espinho na ferida

Como um fetiche tutelar no centro da aldeia

Faz de mim a pedra de tua funda

De minha boca os lábios de tua chaga

De meus joelhos as colunas quebradas de sua queda

E no entanto

Quero ser apenas de vossa raça operários camponeses de todo os países”.

Jacques Roumain                                                                                                                                                                                                         A Associação Filosofia Itinerante (Afin) é um corpus filosófico, político e estético que sendo apanhada pelos dizeres dos não-filósofos estoicos, Epicuro, Spinoza, Machiavel, Nietzsche, Marx, Engels, Michel Foucault,  Deleuze, Guattari, Toni Negri, Jean Baudrillard, Clément Rosset, Bárbara Cassin, entre outros e outras tenta produzir  novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. E dessa forma, possibilitar novas formas de existências que transcendam os sentidos e os entendimentos cristalizados pelo sistema dominante alienador. A imagem do pensamento dominante  como Estado-paranoico.

Para que essas produções se tornem enunciações políticas, filosóficas e estéticas, a Afin parte de alguns vetores como o teatrosófico, cinemasófico, esquizosom, poiesofia, letrasófica, marionetesófia e etc. O que significa trabalhar com a inteligência coletiva como devir-produtivo continuou.

“Aguardas o próximo chmadao

A inevitável imobilização

Porque tua guerra só conheceu tréguas

Porque não existe terra onde não tenha corrido teu sangue

Língua em que tua cor não tenha sido insultada

Sorris, Black Boy

Cantas,

Danças,

Embalas as gerações

Que em todas as horas partem

Para as frentes do trabalho e do tormento

Que vão lançar-se amanhã ao assalto das bastilhas

Rumo aos bastiões do futuro

Para escrever em todas as línguas

Nas claras páginas de todos os céus

A declaração de teus direitos menosprezados

Há mais de cinco séculos…”

Césaire

Trata-se de uma práxis e poiética que já desenrola, em Manaus, há 13 anos, e sempre sem quaisquer fins lucrativos.  E quase sempre nos território menos atingidos pelas políticas públicas dos governos locais. Que em verdade, são historicamente, omissos por limitação de inteligência política e falta de sentido de solidariedade social.

Embora a Afin sempre esteja envolvida pelas questões das etnias, como a indígena e negra, todavia, como estamos na semana de comemoração da Consciência Negra, ela decidiu produzir uma festa na noite de hoje em seu singular território rizomático filosófico, político e estético: Pórtico das Artes. Local cujo nome foi influenciado pelo templo Pórtico das Pinturas da Escola Estoica (Stoá Pokilé).

“Me devolvam minhas bonecas pretas quero com elas brincar

Os jogos ingênuos de meu instinto

Ficar à sombra de suas leis

Recobrar minha coragem

Minha audácia

Me sentir eu-mesmo.

De novo eu-mesmo como eu era

Ontem

Sem complexidade

Ontem

Quando chegou a hora do desenraizamento…

Eles arrombaram o espaço que era meu”.

A festa cujo título é Uma Noite Negra contará com alguns enunciados como a conferência O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito Negritude. E mais cantos-negros, poesia-negra, sambas, hip-hop, candomblé, uma roda de capoeira sob a movimentação do Contra Mestre, Salvador, da Academia Manduca da Praia cuja escola é no próprio Pórtico das Artes. Serão apresentadasm, também, algumas iguarias da culinária negra. A festa tem uma cor especial, porque irá compor com os moradores do bairro que são desprovidos de qualquer enunciação política, filosófica e estética. 

 O Pórtico das Artes fica no Bairro Nova Cidade, rua 72, n° 4, quadra 149. É um dos  bairros mais pobres de Manaus, entre tantos.

“Minha negritude não é uma pedra, surdez que é lançada contra o clamor do dia,

Minha negritude não é uma catarata de água morta

Sobre o olho morto da terra

Minha negritude não é nem torre nem catedral

Ela mergulha na carne rubra da terra

Ela mergulha na ardente carne do céu

Ela fura o opaco desânimo com sua precisa paciência”.

“O negro não é uma cor, mas a destruição desta clareza

De empréstimo que cai do sol branco.

A liberdade é cor da noite”.

Césaire

Uma Noite Negra.

MAPA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL MOSTRA QUE EM CADA DUAS HORAS SETE JOVENS NEGROS SÃO ASSASSINADOS

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Um dos principais sintomas apresentados no corpus patológico das organizações sociais é o assassinato de jovens negros. A violência física, psicológica, moral e humana desfechada contra os negros historicamente no Brasil não terminou com a chamada libertação dos escravos.

Os corpos étnicos-antropológicos clivados pelos códigos de dominação do branco sobre o negro permanecem como chagas incuráveis tanto no espaço urbano como no espaço rural da alcunhada modernidade. Sua exclusão não é só uma questão de uma perspectiva, mas de várias. Política, econômica, social, estética e até moral. Moral, porque o negro é visto como alguém que não tem fundamentos de valores que lhe permitam uma confiança por parte do branco-dominador. O negro é sempre o outro, o estranho, ou seja, aquele que ameaça por sua estrutura primitiva.

Essa psicologia nazifascista cunhada na estupidez do desconhecimento genético-humano leva por parte dessa classe discriminadora, a perseguição de todas as formas contra os negros. Sejam perseguições explícitas como faz a polícia, ou de forma implícita como no caso da procura de um emprego. Esse racismo ostensivo comprova o grau de irracionalidade da patologia que domina o corpus das organizações sociais, que Marx diz que só se transforma quando tiver uma nova direção que escape do capitalismo.

O capitalismo promove o racismo principalmente porque ele representa o espírito condutor da maioria da população como elemento das posses. Como o negro é tido, pelas forças repressivas do capital, como uma alteração moral é também clivado como uma ameaça aos chamados bens pessoais. Diante de um assalto em que estejam por perto dois jovens, um branco e um negro, é do negro de quem a polícia, primeiro suspeita. Mesmo que o branco tenha cometido o delito, a suspeita sobre ele é posterior. É como se a polícia já estivesse robotizada em relação ao racismo. Tudo isso, porque ela faz parte do corpo repressivo do sistema capitalista a quem deve defender.  

Foi a partir desse quadro racistante, que o sociólogo Júlio Jacobo Weiselfisz, tomando os dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, trabalhou o Mapa da Violência no Brasil que mostra a cruel realidade que em duas horas sete jovens negros são mortos no Brasil.

A pesquisa que 82 jovens que morrem por dia, 30 mil por ano, e todos entre as idades de 15 anos a 29 anos. Desses jovens assassinados, 77% são negros, 93,30% são do sexo masculino. São moradores dos espaços periféricos das regiões metropolitanas dos centros urbanos.

Uma parte que chama atenção de forma preocupante na pesquisa é quanto a diminuição dos homicídios entre os jovens. Enquanto homicídio de brancos diminuiu, o número de vítimas negras aumentou. Em 2002, havia um número de 19.846 vítimas brancas. Em 2012, caiu para 14.928. Um percentual de queda de 24,8%. No mesmo período, 2002 e 2012, o numero de vítimas negras passou de 26.656 para 41.127. Um percentual de crescimento de 38,7%.

Não precisa ser cristão ou pertencer a uma sociedade humanista para saber que essa cruel realidade tem que mudar. E os princípios mutantes capazes de efetuaram essa mudança são a educação, o direito ao respeito, a inclusão na sociedade, como sujeito de produção de novas formas de existir e a ética social que tenha o homem como um ser vocacionado para a vida.

POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA TEM QUE SER REVISTA, DIZ DOUTORA MARIA INÊS BARNOSA, DA OPAS

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Já como parte das manifestações da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra q1ue ocorrerá no próximo dia 20, A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) pede que a Política Nacional de Saúde da População Negra faça uma revisão transversal em sua atuação focando mais os indivíduos. A preocupação encontra-se, principalmente, no fato de que os negros representam a maior parte da população brasileira.

Para Maria Inês da Silva Barbosa, doutora em saúde pública, e consultora da Opas, embora a política de saúde das populações negras seja transversal, a maioria dos gestores não a entendem. Para ela, a política de saúde dos negros depende também de vontade política, porque é tão complexa como o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Falar da Política Nacional de Saúde da População Negra é falar de mais da metade do Brasil. E a política é tratada como uma política especial. Para que o sistema de saúde dê certo, a política tem que tratada coma propriedade que merece.

Temos mais tem de experiência em escravidão do que em liberdade. Temos que voltar atrás para gestar o novo. É preciso querer e estar preparado para isso.

Me parece que só sermos maioria não está sendo suficiente. É preciso reconhecer limites e possibilidades. É uma política complexa, assim como o SUS é complexo. Precisa haver compromisso efetivo e desracializante. Estamos falando da imensa maioria da população brasileira. Não é um problema localizado”, observou a doutora Maria Inês Barbosa.

Falando sobre a questão do racismo contra os negros, Maria Zenó Soares, coordenadora-geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme, doença hereditária que atinge mais os afrodescendentes, disse que vivenciou em si própria e necessidade de que é preciso avanço.

“Não há como falar de doença Falciforme sem falar de dor. A dor física, coma morfina, passa. Mas a dor que a gente carrega na alma, do racismo e da falta de atendimento não passa. Já esperei seis horas por atendimento. Rolava no chão de dor – a ponto de fazer minhas necessidades fisiológicas ali mesmo, na roupa”, disse Maria Zenó, para quem a primeiro passo é reconhecer que existe o racismo institucional e depois focalizar a política de saúde no indivíduo.

A LENDÁRIA ATIVISTA NEGRA DO BLACK POWER, ANGELA DAVIS, EM ENTREVISTA NA TV BRASIL, MOSTRA O QUE É SER UM DEVIR-POLÍTICO

Uma das personagens mais importantes da luta intensiva pelos direitos dos povos oprimidos, principalmente os negros, a lendária ativista do movimento, Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis, esteve no programa Espaço Público, da TV Brasil.

Angela Davis, na década de 70, em função de sua luta, foi presa pelo FBI e colocada na lista dos mais procurados pela força policial norte-americana. Sua atuação pelos direitos humanos era tão forte que gerou o movimento coletivo “Libertem Angela Davis” que produziu uma reverberação internacional envolvendo artistas, intelectuais, filósofos, sociólogos, antropólogos, políticos ente outros.

A filósofa, escritora, conferencista, professora veio ao Brasil para participar do Festival Latinidade 2014: Griôs da Diáspora Negra, que ocorreu em Brasília, e terminou na segunda-feira. Ela foi entrevista pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, apresentador do programa, a jornalista Juliana César Nunes, da Radioagência Nacional e o jornalista Florestan Fernandes Jr, da TV Brasil.

A visão que o Brasil tem de você ainda é muito conectada a Angela desse movimento Black Power da década de 1970, quando brasileiros faziam campanha pela sua libertação e pela libertação de Mandela e, ao mesmo tempo, pensavam em como libertar a Angela e o Mandela que existiam entre nós, entre homens e mulheres negras. Hoje, em que Angela as pessoas precisam pensar em libertar, em deixar fluir?

A campanha pela minha libertação foi de fato um momento importante. Eu sempre digo que meu nome só é conhecido hoje não tanto pelo que eu fiz, mas pelo que fizeram por mim. Nunca vou esquecer o enorme movimento de solidariedade que mobilizou pessoas em quase todos os continentes. Mas eu era apenas uma, e já naquela época, tinha consciência de que havia muitos outros presos políticos. Percebi que o problema não era só a repressão aos presos políticos, mas também o papel racista e repressor do sistema carcerário. Nas últimas décadas, venho batalhando pela libertação dos presos políticos e combatendo a indústria carcerária e muitos militantes desse movimento anticarcerário nos autodenominamos “abolicionistas”, porque defendemos a abolição da cadeia como forma dominante de punição.

Angela, você popõe a extinção dos presídios. A pessoa quando comete um crime, um crime bárbaro, um crime hediondo, ela tem que ser punida, tem que pagar pelo crime que cometeu e ser ressocializada para voltar à comunidade. Se acabam os presídios, que eu concordo que virou depósito de pessoas, o que fazer com os criminosos?

Concordo plenamente que quem tem conduta antissocial, quem faz mal a outras pessoas deve responder por isso. Mas isso não significa que basta punir. Quando simplesmente punimos os culpados, em geral o que acontece é que eles saem da cadeia pior do que entraram para cumprir a pena. As cadeias contribuem para reproduzir a violência e a conduta antissocial. A grande questão é como transformar a sociedade e lidar com essa questão da violência de tal forma que o agressor retorne à sociedade com uma perspectiva de vida melhor, sem revolta, sem recaída, mas disposto a contribuir com a sociedade. Acredito muito na reabilitação. Mas não acredito que ela seja possível na cadeia. É por isso que precisamos encontrar outras formas de responsabilizar as pessoas pelos crimes que cometem. E o pior é que muitas pessoas estão presas não porque cometeram um crime, mas por serem negras, jovens, ou porque estavam no lugar errado, na hora errada.

Angela, você tem criticado as políticas de combate à violência doméstica. Como garantir proteção para as mulheres de uma outra forma que não seja a criminalização dos agressores?

Estou com as pessoas que acreditam que simplesmente criminalizar a violência doméstica não basta para erradicá-la. Eu me preocupo com as vítimas da violência conjugal. E também porque é uma das formas mais comuns de violência no mundo. É uma forma de violência que ocorre em quase todo o mundo, inclusive nos países onde ela foi criminalizada. O índice de violência contra a mulher, de violência de gênero, não diminuiu. Alguma coisa está errada. Não podemos continuar simplesmente mandando as pessoas para a cadeia. Isso nos faz esquecer o problema. É por isso que sou contra o uso da pena de detenção. De certa forma, isso nos exime da responsabilidade de descobrir como acabar com essa violência horrível que tantas mulheres sofrem. Em muitos lugares, já surgiram alternativas à execução penal. Elas incluem Justiça restaurativa, ou até censura pública. Evidentemente, a perspectiva evolucionista não sugere que o agressor não deva responder pelo que fez. Em muitos aspectos, é mais difícil para o agressor encarar a vítima de frente e encontrar uma forma de se redimir do que ir para a cadeia. É mais fácil ficar na cadeia. É muito mais difícil localizar a raiz da violência dentro de si e encontrar uma forma de erradicá-la do mundo.

Onde fica o centro da sua força, essa força com que luta pelos direitos dos negros, tanto na África, quanto na diáspora?

De onde tiro minha força? Acho que posso dizer que ela vem das minhas comunidades, das pessoas com quem trabalho, meu sentimento de união com as pessoas que se dedicam às lutas por justiça e igualdade. Costumo contar uma história que aconteceu na época em que eu estava presa. O FBI foi me buscar. Fui levada para um presídio onde eu fiquei incomunicável, sem poder falar com ninguém. Puseram-me em uma ala do presídio reservada para pessoas com problemas psiquiátricos. Fiquei deitada ali na cela, sentindo-me totalmente sozinha. De repente, ouvi umas vozes ao longe. Mal dava para entender o que diziam. De repente, percebi o que estavam dizendo: “Soltem Angela Davis!”. As pessoas se aglomeravam fora do presídio, tarde da noite, e isso antes mesmo da campanha pela minha libertação. Elas vieram e aquilo me fez sentir que eu não estava só. Fiquei com essas lembranças, essa ligação com as pessoas e percebi que, por piores que fossem os meus problemas, eles não chegavam aos pés dos problemas das pessoas que passam a vida na cadeia, das pessoas na Palestina, das pessoas que têm de lutar pela própria liberdade de várias maneiras. Enfim, também tiro muita força dos jovens, porque continuo trabalhando com ativistas. Vejo que eles estão cada vez mais jovens. E eu estou cada vez mais velha. Isso é bom, é muito importante trabalhar com outras gerações. Vejo que os jovens estão dispostos a correr mais riscos que os mais velhos, porque às vezes somos prudentes demais.

Atualmente, temos algumas mulheres no comando de países. Aqui na América Latina, temos três mulheres coordenando três países, temos uma mulher na Europa. Como a senhora vê a atuação dessas mulheres no poder ? Houve uma modificação dos rumos do capitalismo? Agora, é a hora, depois de um negro, os EUA terem uma mulher?

Acho positivo que tenham elegido mulheres para cargos políticos na América do Sul e na Europa. Assim como foi bom um negro ter sido eleito nos EUA. Mas não sei se isso resolve nossos problemas. Não sei se ficar tentando apenas mudar o rosto das pessoas que estão no topo das hierarquias políticas ou econômicas vai mudar a realidade dos que estão na base. Como já disse algumas vezes, quando Obama disputou as eleições, se houvesse um candidato de outra identidade racial concorrendo com um programa mais ousado, com certeza ele teria o meu voto. Eu preferiria mil vezes um candidato branco que propusesse uma crítica ao capitalismo, ao inter-racismo e ao sistema carcerário a um candidato negro que deixasse as coisas como estão. É uma questão política. Precisamos superar essa mentalidade de que trocar apenas um rosto vai trazer uma revolução e entender que é preciso criar movimentos de massa, é preciso promover mudanças na base do sistema.

Como você vê o papel da mídia nesse contexto, basta democratizar o acesso? É preciso que haja uma mudança, na forma, no discurso da mídia, especialmente sobre a população negra, para mexer nas estruturas do racismo?  Aqui no Brasil, a imprensa, de maneira geral, é contra as cotas. Quase todo dia sai alguma notícia criticando a distribuição de cotas tanto nas universidades, quanto no serviço público.

Acredito que a mídia tem um grande poder de mudar a forma de pensar das pessoas, mudar a nossa forma de ver o mundo. Com o advento das mídias sociais, estamos nos deparando com a ampla influência de ideias que se propagam instantaneamente. Vejo que nos EUA, a grande mídia continua a promover algumas ideias retrógradas. O sistema de cotas – não gosto muito de usar o termo “cotas” porque ação afirmativa não é sinônimo de cotas, não é a mesma coisa, e quando chamamos assim, como a mídia costuma fazer, isso transmite uma impressão de que estamos jogando as pessoas umas contra as outras, quando, na verdade, trata-se de uma tentativa de começar um processo para reverter algo que já há muito […] Um processo que vem de muito longa data. Costuma-se falar em ação afirmativa como se fosse um homem branco contra, digamos, uma mulher negra, por exemplo. Mas quando se entende que a ação afirmativa é uma forma de modificar a distribuição demográfica no mercado de trabalho, nas universidades, não se trata só de indivíduos, trata-se de comunidades, é uma questão de permitir a ascensão de comunidades, e isso também acaba beneficiando indivíduos. Mas acho que é preciso começar a mudar essa concepção de ação afirmativa como mera oposição entre brancos e negros. Ela está aí para mudar o mundo, para promover justiça e igualdade.

“MAPA DA VIOLÊNCIA 2014” MOSTRA QUE HOMEM, JOVEM E NEGRO É O PERFIL DOS QUE MORREM VIOLENTAMENTE NO BRASIL

Capa da publicação do Mapa da Violência 2014

O Mapa da Violência 2014 divulgado mostra que 100 a cada 100 mil jovens entre 19 e 26 anos morrem violentamente no Brasil. O estudo descreve como morte violenta as mortes por homicídios, suicídios e acidentes de transportes terrestres e também barcos e aviões.

O perfil desses jovens é: homem, jovem e negro. Mas para o estudo esse quadro não é recente. Já no ano de 1980, a taxa era de 146 mortes para 100 mil jovens. Quando comparada a taxa com mulheres entre os anos de 1980 e 2012 a comparação fica assim: taxa de 2,3 para 4,8 de homicídios por 100 mil; entre os homens, 21,2 para 54,3, correspondendo um aumento de 156%.

Quando o estudo compara a cor, fica visível a diferença entre as mortes de jovens negros e brancos. Em 2012, morreram 146,5% mais negros que brancos. De 2002 a 2012, a vitimização dos negros duplicou comparada com a dos brancos. Neste mesmo período, o número de homicídios de homens brancos diminuiu 32,3%, enquanto o número de homicídios de negros aumentou 32,4%.

Para o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenar da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, e responsável pelo estudo, essa diferença é decorrente das políticas públicas e enfrentamento da violência que foram aplicadas mais em locais onde a maioria da população é branca, e o acesso à segurança privada.

“Isso faz com que seja mais difícil a morte de um branco do que a de um negro”, afirmou  Jacobo.

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER ATVISTAS SE MOVIMENTAM PARA MAIORES DIREITOS NA POLÍTICA

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/mulheres-saem-as-ruas-por-igualdade-autonomia-e-contra-violencia-e-exploracao-sexual-5491.html/dia-internacional-das-mulheres/image_preview

Com a consciência de que a condição-oprimida da mulher mudou muito nas últimas décadas, e que resultou do próprio envolvimento dela na luta por sua emancipação, a mulher ainda tem muito que produzir como seus direitos. É assim que a consciência das mulheres ativistas se move. Na data que se comemora – nem todas as pessoas como os machistas /fálicos e as mulheres réplicas desses – o Dia Internacional da Mulher as mulheres negras fazem manifestação – manifestar: fazer surgir por si mesmas – reivindicando maior participação nos círculos político legislativo e executivo e outras esferas sociais onde sua participação é muito limitada.

Portadora de consciência libertária, Sandra Mariano, coordenadora da Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras do estado de São Paulo, falou, em entrevista a Rede Brasil Atual, sobre o desempenho, hoje, das mulheres negras no Brasil e pediu sua maior participação, notadamente, nas manifestações de ruas.

“Nós queremos estar dentro do Parlamento, aumentando o número de mulheres na bancada. É claro que é muito importante termo no alto comando uma mulher, mas nas centrais sindicais, a maioria é comandada por homens. E nos partidos políticos, a maioria dos presidentes também é formada por homens”, analisou Sandra.

Ela ainda falou sobre a importância da luta que resultou a Lei Maria da Penha, mas que é ainda muito ineficaz em função do número reduzido de delegacias das mulheres.

“Em São Paulo, por exemplo, existe apenas uma Delegacia da Mulher, o que limita demais o número de denúncias”, observou a ativista.

PRAÇA 14 DE JANEIRO, ONDE A FESTA É CONTÍNUA

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De janeiro a janeiro a Praça 14 é festa. Para quem não conhece Manaus, a Praça 14 de Janeiro foi um dos primeiros bairros a se constituir como realidade urbana. Mas não é por essa ordem cronológica que esse bairro é ponto de referência de um existir alegre. A sua singular referência encontra-se constituída no fato de ter sido um território de expressivas produções coletivas.

Historicamente foi o território escolhido pelas primeiras comunidades negras para servir de habitação. Território para formação dos signos necessários ao habitar. Uma antecipação prática do diria posteriormente o filósofo alemão Heidegger sobre ser: “Ser é Habitar”. Quando não se habita não, ontologicamente, não se pode ser tomado como ser. E essas comunidades negras concretizaram na Praça 14 de Janeiro sua morada.

E foi nessa morada, habitação, que foi possível ser constituída o folguedo nordestino, vindo do Maranhão, o Bumba-Meu-Boi que depois passou a ser chamado, inicialmente, em Manaus, de Boi-Bumbá. A 14, como é carinhosamente chamada, territorializou o Bumba-Meu-Boi que foi desterritorializado da terra do poeta Gonçalves Dias. Como território singular dos negros, se manifestou como quilombola manauara. Formas de relações culturais que preservaram os signos afros. Mostrar a 14 como território-morada das primeiras famílias negras, não significa torná-la a única expressão dessa etnia em Manaus. Existem outros territórios como Seringal Mirim, onde outras famílias negras foram habitar, e onde também surgiu o Boi-Bumbá Mina de Ouro, além de manifestações do Candomblé, Macumba, Umbanda, como já haviam se manifestado na 14. O que se enfatiza, é que a 14 promoveu com menos acanhamento a cultura negra.

Foi também da Praça 14 que saiu a primeira personagem engajada da luta pelos direitos dos negros. Quer dizer: foi na Praça 14 que foram encadeadas as primeiras manifestações de lutas política, social e cultural dos negros revelada na práxis do negro Nestor Nascimento, membro do PCB. Foi na Praça 14 que o rizoma Consciência Negra se emaranhou pela Manaus. Até então, falar em defesa do negro era uma temeridade. Visto trata-se de uma manifestação étnica-política em plena a ditadura militar-civil que se fixou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Ditadura que prendeu e torturou Nestor Nascimento.

Como território de manifestações coletivas, a Praça 14 não podia ficar de fora de uma alegoria que se encontra estreitamente ligada a sua expressividade cultural: o carnaval. Depois de muita experiência com o samba, onde as rodas de samba já haviam se tornado tradição, os moradores resolveram criar usar seus talentos musical e dançante e criaram a Escola de Samba da Praça 14. A Verde e rosa, lembrança carinhosa da “Mangueira, teu cenário é uma beleza”. Reduto contínuo do samba. Território da festança anual. Da festança singular de moradores que não arrefecem nem mesmo com todo descaso que as chamadas autoridades administrativas lhes submetem.

Hoje, é 14 de janeiro, e janeiro, com todo respeito a São Sebastião e ao Rio de Janeiro, janeiro é Praça 14. Parabéns, Praça 14, por confirmar que “costume de casa vai à praça”!

DILMA DISCURSA COM VERACIDADE NOS FUNERAIS DE NELSON MANDELA ENQUANTO OBAMA TENTA GANHAR PONTOS COM SEU POVO E OUTRAS NAÇÕES

Depois do gesto diplomático e cortês que a presidenta Dilma Vana Rousseff realizou ao convidar os ex-presidentes do Brasil Fernando Collor, José Sarney, Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva para participarem junto com ela nas cerimônias dos funerais do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, ela proporcionou ao povo brasileiro e ao mundo o conhecimento do sentimento veraz que move seu governo. Um sentimento de sobriedade e solidariedade com a democratização do mundo.

Dilma discursou, dentro do tom protocolar, mas deixou visível o sentimento de humanidade que é possuidora. Uma expressão que mostra ao mundo porque o Brasil é hoje uma nação respeitada internacionalmente. O seu discurso, foi uma demonstração de reconhecimento da importância de Nelson Mandela para a humanização do mundo. Um discurso que foi possível ser criado porque Dilma é uma mulher que também carrega muitos afetos que Mandela carrega. Seu discurso não saiu de um intelecto abstraído do mundo real, como ocorre com a maioria dos chamados chefes-de-Estado. E mais, Dilma não falou apenas por seu governo, o povo brasileiro, mas também por todos os povos sul-americanos, como bem frisou.

Dilma não apresentou um discurso que busca um propósito pragmaticamente pessoal, como foi o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, que aproveitou a oportunidade para fazer publicidade de seu governo e com isso tentar conseguir alguns pontos diante do povo norte-americano, visto que há muito tempo vem tendo queda na aprovação de seu governo. Ele procurou ao mesmo tempo, discursar para comunidade internacional para tentar, também, diminuir o péssimo conceito que seu governo passou a ter internacionalmente com as espionagens executadas pela Agencia de Segurança Nacional (NSA) nos governos, órgãos públicos e cidadãos de vários países. A encenação de Obama foi tamanha que ele chegou a pegar na mão de Raul Castro, e dá um beijinho no rosto de Dilma. Uma espécie de convite para a presidenta visitar seu país, depois que ela se negou em virtude das espionagens.

Aí a diferença dos dois discursos das duas principais personagens presentes. Dilma não discursou para se defender ou fazer marketing de seu governo e sua pessoa. Ela falou da forma como é. O que a assemelha a Mandela. Já Obama, tinha que aproveitar e se mostrar também humanizado como Mandela: um lutador da paz. Só que sua administração não diz o mesmo, principalmente sua política internacional de intervenção em países considerados por seu governo como inimigos. Intervenção que mata criança, idosos e inocentes. Ato que nunca Mandela executou. Obama exaltou o sentimento de paz de Mandela e disse que Mandela fora o último herói do século XX. Se Mandela que lutava pela paz é o herói de Obama, por que Obama não o imita? Ou Obama vai aproveitar a morte de Mandela para liberar sua sanha imperialista e parafrasear a filosofia que diz: “Se Deus estar morto, agora tudo é possível”? Embora se saiba que, para os impérios, tudo já era possível.

“Nós os brasileiros, que carregamos com orgulho o sangue africano nas veias, choramos e celebramos o exemplo desse grande líder que faz parte do grande panteão da humanidade.

Ele soube fazer da busca da verdade e do perdão os pilares da reconciliação nacional e da construção da nova África do Sul. Devemos reverenciar essa manifestação suprema de grandeza e de humanismo representada por Nelson Mandela.

Sua luta transcendeu suas fronteiras nacionais e inspirou homens, mulheres, jovens e adultos a lutarem por sua independência e pela justiça social. Ele deixou lições não só para seu querido continente para todos aqueles que buscam paz, justiça e liberdade no mundo.

Trago o pesar de toda a América do Sul. Esta personalidade que conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea, o fim do apartheid na África do Sul”, diz parte do discurso de Dilma.

AMANDLA! AWETHU! MANDELA PASSA, SEM APARTHEID, COM O PODER COM O POVO

Amandla ( Poder), gritava Mandela! Awethu (Poder o Povo), respondia o povo! Foi sempre assim sua ativa existência. Sempre lutando pelos oprimidos, junto com os oprimidos. Uma luta que vem desde criança quando escapou da morte, ocorrência banal para um negro no apartheid da África do Sul. Uma luta que se prolongou pela adolescência, juventude, maturidade e velhice.

Nelson Mandela, nascido em 1918, um nome que gerações ouviram falar como homem inquieto, lutador pelos princípios fundamentais da vida: a liberdade. Não bastaram 27 anos de condenação para lhe tirar a voz. Muito pelo contrário, na minúscula cela em que passou mais de duas dezenas de sua existência heroica, clamou, e estimulou seu povo para lutar por sua liberdade do julgo imposto pela força opressora dos brancos colonizadores que exploravam sua terra.

Nelson Mandela, um Prêmio Nobel da Paz que não pretendia reconhecimento a não ser a concretização de seu ideal: a liberdade de seu povo e a liberdade de todos os povos oprimidos. Uma luta que desdobrou em uma luta internacional deixando seu cunho regional. Mandela não necessitava do Prêmio Nobel da Paz. Seus prêmios eram suas conquistas juntos com povos humilhados que conseguiam seus direitos. Não precisava do reconhecimento da paz que carrega por um órgão que já concedeu o mesmo prêmio a Barack Obama, um homem que não pode ter sua existência comparada com a de Mandela em função de sua prática bélica internacional. Se Obama ao receber o prêmio se sente elevado, com Mandela é o contrário. É a instituição premiadora quem é elevada por Mandela. Nelson Mandela transcendia a qualquer premiação. Sua movimentação existencial não podia ser englobada por qualquer órgão premiador.

Em 1964, ano em que seria condenado à prisão perpétua, diante de um tribunal racista e discriminador, cúmplice de um poder opressor e insolente, Nelson Mandela proferiu seu discurso que iria marca sua história e a história de todos que lutam pela liberdade e os direitos que pretendem viver um mundo democrático.

“Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”, disse Mandela.

Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela, aos 70 anos, foi libertado depois de muita pressão feita pelo Congresso Nacional Africano (CNA) que fora banido em 8 de abril de 1960, permanecendo clandestino por algum tempo, e que ele, Mandela, certa vez presidiu, e por grande maioria da opinião pública internacional e autoridades de várias partes do mundo. Antes de sua liberdade, em 1990, nos anos 70 ele não aceitou a revisão de sua pena e, em 1988, recusou a liberdade condicional que lhe impunha a obrigação de não incentivar a luta armada.

“Quando me vi no meio da multidão, alcei o punho direito e estalou um clamor. Não havia podido fazer isso faz 27 anos, e me invadiu uma sensação de alegria e de força”, disse Mandela no momento em que deixou a prisão e foi carregado nos braços do povo em uma festa da liberdade.

 Em 1994, Mandela foi eleito presidente da África do Sul. O primeiro presidente negro deste país em que a apartheid dominou por longos anos. Foi só uma consequência dos comprometimentos de lutas. O cargo não alterava sua jornada de homem inquieto que luta pelas igualdades, só lhe permitia tratar algumas políticas de modo oficial. Mas nada que pudesse mudar seu fator liberdade. Fez uma grande administração, além de estimular uma existência entre a população negra e branca com menos desconfiança. Existir de forma cortês e tolerante. Embora existissem os resistentes às mudanças. Mesmo os tempos sendo outros.

A existência de um homem não pode ser medida. Mas se acaso alguém quiser medir, não pode ser pelos seus anos de vida marcados pelo tempo pulsado. Uma existência transcende a essa pontuação. A existência de homem são suas produções. Assim, os 95 anos de Mandela são mínimos para a infinitude de sua aventura existencial que envolve princípios anteriores ao seu nascer, sua transição e a futuração da existência. Princípios que ele soube muito bem comprometê-los.

Sua infinitude é tão graciosa e pulsante que ele é um homem do século XX e XXI, mas sempre adiante. Essa singularidade que lhe moveu tocou em grande parte da sociedade mundial, por isso é o maior líder dos tempos contemporâneos. Daí porque Mandela é tão amado no Brasil. Amigo de Lula, dos governos populares. E tema de expressões culturais brasileiras. Daí se poder afirmar que Mandela, no Brasil, é cantado em verso e prosa. Um homem sempre homenageado. Sempre lembrado por suas lutas. Ele está nas vozes dos sambistas. Nas vozes de Beth Carvalho, Leci Brandão, entre outras e outros.

Viva, Vivo, Mandela!

ESPECULAÇÃO CAPITALISTA AMEAÇA COMUNIDADES QUILOMBOLAS

De acordo com Fundação Cultural Palmares (FCP) das 2.408 comunidades certificadas por ela, somente 207 tem título de terra. E em muitas delas os moradores não quilombolas ainda não saíram da terra ocupada por eles. Nenhum deles ainda não foi indenizado. Entre os problemas trazidos pela falta da regularização das terras quilombolas se encontra as especulações feitas pelo capital empresarial que ameaça as tradições e a herança ancestral dos negros.

Segundo Alexandre Reis, diretor do departamento de proteção ao patrimônio afro-brasileiro da FCP, a Constituição protege os direitos de terra dos quilombolas. O Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias é claro sobre o assunto.

“A posse da terra é maior dificuldade enfrentada atualmente pelas comunidades quilombolas. A titulação é um direito fundamental prevista na Constituição Federal. Esse é o grande gargalo da questão quilombola nos dias de hoje.

“Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”, diz o Artigo 68.

À medida que isso não ocorre, a gente acaba prejudicando a comunidade porque outras pessoas acabam ocupando a terra quilombola. Vamos ter problema de expulsão, violência no campo, violência contra essas famílias, atuação de grileiros e atravessadores até na atividade produtiva da comunidade. Titular a terra é algo fundamental para a comunidade quilombola no Brasil e é o grande desafio que temos hoje”, analisou Alexandre Reis.

Falando sobre a questão, o secretário Viridiano Custódio, da Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal, disse que o problema é que estas terras às vezes se encontram em litígio.

“Disputa política de território. Alguns setores, principalmente do meio agrário, são contra essa legalização porque os territórios, muita vezes, ficam dentro ou perto de alguma terra que está em litígio”, disse o secretário. 

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA!

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DAS NEGRAS CORES DE MINHA VIDA

A consciência é negra

O desatino é branco

 A cor é negra

O cutelo é branco

A potência é negra

O poder é branco

A essência é negra

O padrão é branco

A singularidade é negra

O clone é branco

A razão é negra

O contra senso é branco

A alma é negra

O peso é branco

A música é negra

O grunhir é branco

A terra é negra

O pé é branco

A flor é negra

O ódio é branco

A linha é negra

O ponto é branco

A atriz é negra

O bufão é branco

A alegria é negra

O pranto é branco

A liberdade é negra

O medo é branco.

* Assim Faço-me Inconfundivelmente Negra (AFIN).  

LULA É RAÇA NEGRA

Em função de suas políticas afirmativas e em particular, da política da igualdade racial, o ex-presidente Lula, mas contínuo metalúrgico, recebeu em cerimônia realizada na Faculdade Zumbi dos Palmares, o troféu Raça Negra. Participaram também do evento, que comemora os 10 anos da Faculdade e os 50 anos da morte de Martim Luther King, o reverendo norte-americano Jesse Jackson, representantes do governo angolano e Alpha Conde, presidente da Guiné.

Lula falou sobre a oposição que fizeram contra a criação do Ministério da Igualdade Racial e a oficialização das terras quilombolas. Lula disse ainda, que o preconceito está enraizado na cabeça da elite.

“Eu lembro quantas vezes nos acusaram porque estávamos fazendo uma política de legalização das terras de quilombos nesse país. Eu lembro quantas pessoas diziam: ’Já não chega a terra dos índios, já não chega os sem-terra invadindo terra, agora vem esse Lula querendo que os negros recuperem as terras dos negros neste país’.

O preconceito está enraizado na cabeça da elite. Não é, companheiros, uma batalha fácil. Porque muito além da lei, nós temos que enfrentar a história, temos que enfrentar o preconceito e temos que enfrentar a falta de vontade.

Muito mais do que as conquistas materiais é conquista da consciência política. A conquista da dignidade. Porque nós não queremos tirar nada de ninguém. Queremos apenas o que é nosso. E estamos conseguindo”, discursou Lula.

Por sua vez, em seu discurso, José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, afirmou que Lula é o presidente negro do Brasil. Ele lembrou que foi Lula quem nomeou a primeira ministra negra do país, Benedita da Silva. Também comentou a nomeação por parte de Lula, de Joaquim Barbosa para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O reitor só não analisou as diferenças entre os dois negros, Benedita da Silva e Joaquim Barbosa. A primeira uma militante da causa negra, o segundo uma espécie de Pelé, sem nenhuma militância pela causa racial.

LUTA DA CONSCIÊNCIA NEGRA É A LUTA DA LIBERDADE CONTRA A PATOLOGIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA ABSTRAÍDA

São vários os entremeios em que a opressão se manifesta visivelmente ou ocultamente. Os filósofos Deleuze e Guatarri mostram esses entremeios em sua obra Mil Platôs. Há uma forma de opressão no princípio da binaridade: adulto-criança, homem-mulher, negro-branco. Sempre a posição dominante da maioria como modelo padrão que deve ser respeitado e seguido. Um assalto à mente do outro, diria o filósofo Sartre.

Desses entremeios pode ser extraída a opressão do branco sobre o negro que foi segmentarizada por múltiplos agenciamentos de dominação: econômico, social, cultural, religioso, antropológico, estético, moral, etc. Como o negro é um ser dotado das faculdades sensorial e cognitiva, que o fazem homem, ele pôde fazer a leitura desse modelo de dominação da consciência branca e daí partir para a luta da construção de sua consciência negra livre.

As comemorações do Dia da Consciência Negra não resultam de ações de brancos bonzinhos, cheios de compaixão cristã- paulina, que entenderam essa dívida histórica em forma de violência contra os negros e que a mesma deveria ser paga. Não, esse dia é resultado do entendimento que o negro teve de ser capaz de produzir sua liberdade distante das imposições da consciência branca, uma consciência anômica, avariada moralmente. Uma consciência abstraída de si mesma, como diria o filósofo Marx. Entender essa abstração foi a grande guinada epistemológica do negro. A efetuação de uma variável que escapa como devir-liberdade. Não querer estar aprisionado na abstração branca constitui-se em sua primeira saída. O negro compreendeu que estar em uma abstração era ser pior que essa abstração, e ele não queria essa condição de não-existir, condição da consciência branca abstraída. Uma condição alienada em uma consciência patológica.

O líder negro Zumbi dos Palmares, que nasceu em 1655, teve esse insight étnico que o conduziu à luta pela liberdade de seu povo. A criação da enunciação negritude. A negritude como um estar ontológico liberto, como mostra o filósofo da liberdade Sartre. Compor sua negritude é expressar sua originalidade através de seus atributos humanos de ser negro. A compreensão mundividente que a consciência branca abstraída não pôde e não pode atingir.

Entretanto, o princípio ôntico negritude, como ser que se manifesta em sua originalidade histórica, compreende que a consciência branca abstraída não é só representada pelos homens e mulheres brancas, mas também em alguns homens e mulheres negras que não atingiram o princípio ontológico da negritude. São negros capturados pelo modelo binário do padrão branco e, como sujeitos-sujeitados, assim se comportam. Reproduzem os valores corrompidos da cultura branca/patológica. A sociedade brasileira encontra-se repleta desses tipos de negros-embranquecidos que defendem esses valores corrompidos que são os suportes dessa patologia de dominação. Negros que até se opõem às políticas de cotas implementadas pelos governos Lula e Dilma (Ludi ou Dila). Negros que são instrumentalizados pela consciência abstrata branca para atacar esses governos. Como ocorre com as mídias acéfalas e todas às formas de seguimentos direitistas da sociedade brasileira. A cota nazifascista dessas consciências.

Em 1694, depois de ter escapado do julgo religioso/econômico lhe imposto pelo padre Antônio Melo, que o submeteu à violência étnica/linguística, batizando-o com o nome de Francisco – que não tinha nada a ver com Chico -, Zumbi conseguiu novamente fugir da violência dos colonizadores na pessoa do bandeirante Domingos Jorge Velho que invadiu o Quilombo dos Palmares, comandado por Zumbi, e o destruiu.

Construindo um novo esconderijo, Zumbi foi descoberto pelos perversos portugueses exploradores, em 20 de novembro de 1695. Foi submetido à tortura e logo depois, no mesmo dia, morto. Zumbi só foi encontrado pelos perversos portugueses exploradores, porque foi delatado por um de seus amigos. Um negro de consciência branca abstraída. Um negro que não alcançou a dimensão ontológica da negritude.

“OS NEGROS NO TRABALHO”, BOLETIM DIVULGADO PELO DIEESE, MOSTRA QUE ELES CONTINUAM INFERIORES NO SALÁRIO E POSIÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO

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Pesquisa feita pelo Dieese junto com a Fundação Seade e o Ministério do Trabalho que foi divulgada mostra dados que já são do conhecimento público: os negros são muito discriminados na questão do trabalho, como por exemplo, salário. Sua maior participação no mercado do trabalho não lhe garante igualdade com os que não são negros, assim como o fator escolaridade não influi para que eles ocupem postos hierárquicos melhores. Nas regiões metropolitanas eles representam 48,2%, mas seu salário é 36,1% inferior aos que não são negros.

A pesquisa estudou as regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, São Pulo e Salvador.

“De fato, o acesso dos negros à universidade e à qualificação é menor. No entanto, quando aumentam o grau de escolaridade, individualmente tem uma melhora de renda, mas não suficiente para reduzir desigualdade, porque apesar de melhor remuneração ela continua menor se comparada com a dos não negros.

Os negros, em todas as estruturas produtivas, estão em ocupação de menos prestígio. E mesmo quando têm maior escolaridade, estão em níveis mais precarizados. Os dados são uma comprovação de que existe um papel grande da discriminação racial no mercado de trabalho. A despeito do aumento da escolaridade, o negro vai se manter na ocupação que exige menos escolaridade. Porque é aquele emprego que é oferecido a ele, que destinado a ele.

O mercado teve melhora como um todo, isso é fruto do desempenho econômico, do crescimento, da melhoria de condições gerais. A população negra em alguma medida se beneficiou, aumentou sua ocupação, mas a desigualdade de inserção se mantém.

A política de cotas teve impactos positivos, pois cria mais oportunidade e ela a escolaridade da população negra, mas não é único elemento para acabar com a desigualdade no mercado de trabalho.

O movimento sindical tem iniciado esse debate, tem aparecido bastante nas negociações coletivas, para que esse tema seja debatido no espaço da empresa. Preconceito racial é subjetivo às vezes, embora tenha um reflexo objetivo no mercado. É importante incluir todos no debate, para ir aos poucos saindo do esquecimento, dessa capa de que há igualdade no mercado”, analisou Adriana Marcolino, socióloga do Dieese.

GRITARAM-ME NEGRA

Da poetisa, teatróloga e muito mais Victoria Santa Cruz


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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