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LULA, DILMA, ARTISTAS E O POVO FESTEJAM A INUNDAÇÃO DO SERTÃO NORDESTINO

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O Sertão nordestino está em festa. Nunca deixaremos de cantar essa conquista que é a chegada da água no Sertão do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A classe dominante e a seca  foram muito severos com o nordestino. Esse povo comeu o pão que essa elite e os coronéis amassaram. É um povo de retirantes como muito bem cantou João Cabral de Melo Neto no poema Morte e Vida Severina.

A seca expulsou nordestinos para o Sul e para o Norte. No Amazonas tornaram-se soldados da borracha. Para cá vieram levas deles para trabalhar na exploração do látex que promovia o boom da economia no Amazonas. Dessa época, fruto do suor desses trabalhadores foram construídos prédios como o Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Palácio Rio Negro, símbolos da burguesia predadora amazonense. Nos panteões desses monumentos não aparece nenhum nome desses soldados da borracha, desses trabalhadores, trabalhadoras. Só constam nomes dos governantes.

“Setembro passou/ Oitubro já veio/ Já estamos em Novembro/ Meu Deus que a de nós/ Assim fala o povo/ Do seco Nordeste/ Com medo da peste/ Da fome feroz” mandou ver o poeta da roça, Patativa do Assaré.

O eu lírico cantante interrogava, questionava a seca, o medo e a fome. Meu Deus o que a de nós?

As quatro estações que no Sul do Brasil são todas definidas, no Sertão só é Sol e verão. E tem eleições e só os coronéis, classe dominante as ganham e o povo a morrer, tísico, como retirante vai pro Sul, Centro Oeste tornar-se Candango.  Constrói Brasília.

Sempre explorado em todas as partes e a Literatura e as demais artes como o Cinema mostrando o Cangaço, Lampião e Maria Bonita, Padre Cícero e o Juazeiro do Norte, a forma de mistificação e religiosidade usada para cultivar a dominação como se vê em Antônio Conselheiro, Canudos, Os Sertões de Euclides da Cunha, Geografia da Fome de Josué de Castro.

Não podemos esquecer o alagoano, autor de Memórias do Cárcere, Vidas Secas, Angústia, São Bernardo, Graciliano Ramos. E cabe aqui citarmos um trecho de sua obra Vidas Secas intitulado Festa. É uma família que morava no Sertão e um dia foram participar de uma festa religiosa na cidade. As crianças nunca tinham ido à cidade. Quando lá estão a chegar deparam-se com coisas e objetos que nunca tinham visto e não sabiam seus nomes. Ficaram maravilhadas. Será que tudo aquilo tinha nome? Os homens tinha capacidade de memorizar tantos nomes?

É dessa forma que hoje estamos a ver no nordeste do Brasil,  todo mundo maravilhado com a chegada da água da transposição do rio São Francisco feita por Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff e por milhares de trabalhadores que devem ter seus nomes gravados e mencionados nos panteões de concreto dos aquedutos, reservatórios e nos eixos de distribuição. A água eles não conheciam na quantidade e volume que chega hoje. Só ouviam falar, era rara, escassa. Era racionada. Ninguém pulava na água. Hoje, tem peixe e pescadores. Hoje, onde ela chega é motivo de festa e festa porque ela foi idealizada por um grande brasileiro, o maior e melhor presidente do mundo. O turismo e o comércio nas margens dos reservatórios é um sucesso.

Natural de Garanhuns no Sertão de Pernambuco, o maior, pobre, retirante foi pra São Paulo no Pau de Arara e nunca esqueceu os seus concidadãos. Era preciso resolver o problema da seca no Nordeste. Nas duas monarquias que este país teve esse projeto foi pensado. Dom Pedro II e Dom Fernando Henrique Cardoso príncipe sem Trono amigo de um afrodescendente originário de países nórdicos não os concretizaram. Concreto mesmo, só com o nordestino, Doutor Honoris Causa de inúmeras Universidades espalhadas por todo o mundo, Luís Inácio Lula da Silva.Resultado de imagem para imagens de lula e Dilma na transposição do São FranciscoA transposição da água do rio São Francisco para o Sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte é obra iniciada em 2007 com Luís Inácio Lula da Silva. A ida, outro dia lá, do golpista Temer foi só pra nos fazer rir porque o povo do nordeste, do Brasil e até os minerais sabem, principalmente a água que o idealizador do projeto foi Lula e continuado por Dilma a presidenta que foi eleita com 54.501.118 votos.

Os méritos dessa grande, portentosa  e magnífica obra é dos governos populares de Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Vana Rousseff, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Patativa do Assaré, Belchior, Lampião e Maria Bonita, Zumbi dos Palmares, Graciliano Ramos, Lourival Holanda, Glauber Rocha, João Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, todos, todos que trataram sobre as mazelas e misérias do nordeste e especialmente é obra do Povo, dos verdadeiros democratas sem demo do Brasil.

 

ALGUMAS PESSOAS SE INDIGNAM POR NÃO HAVER MULHERES E NEGROS NO ALTO ESCALÃO DO DESGOVERNO GOLPISTA. PODERIA TER?

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A filósofa existencialista da produção libertária da mulher Simone de Beauvoir, afirmou que “ninguém nasce mulher, mas se faz mulher”. Uma enunciação que mostra a potência-política do ser mulher como possibilidade singular de sua própria criação. Há, portanto, nessa enunciação dois direcionamentos que podem ser examinados diante do quadro que se tem sobre a condição da mulher que historicamente se vem desdobrando.

O primeiro quadro nos direciona para o conceito estabelecido e predominante construído com a ausência e a aquiescência da mulher. Trata-se do modo de ser da mulher submissa, reflexo do modelo opressor, homem. Essa mulher, que não pode ser tida como mulher autêntica, porque nenhuma existência pode ser autêntica quando nascida das perspectivas e expectativas do outro-alienador, é produto de um agenciamento coletivo de enunciação que a modelou, serializou, registrou e a caracterizou como representante alienada da semiótica dogmática do estado paranoico capitalista e capitalístico.

Essa mulher alienada de si como representante das perspectivas e expectativas do modelo binário homem-mulher, adulto-criança, jovem-velho, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari, não é um ser, é um vazio objeto de consumo do homem que serve às todas suas voracidades. É um objeto muito bem situado fácil de ser apanhado em múltiplos lugares porque, fantasmagoricamente, encontra-se enredado na mistificação e mitificação da moral patriarcal-hebraica-paulínea-cristã-burguesa. É essa mulher que levou Freud a afirmar que é um ser incompleto. Tão incompleto que o orgasmo clitoriano lhe era negado por ele. Mas, apareceu Lula e com seu conceito de “grelo duro” desbancou Freud.

O segundo quadro nos direciona para a potência-política da mulher. A mulher que se produz como sujeito-histórico de sua existência autêntica. Criadora e criatura de si mesma que escapa da opressão do modelo binário homem-mulher. Ao compreender que “ninguém nasce mulher, mas se faz mulher” ela entendeu também que ninguém nasce homem, mas se faz homem. A questão é da ordem cultural-social-estrutural. Nada a ver com fêmea e macho. Fêmea e macho são da ordem natural sem qualquer tipo de privilégio, opressão e dominação.

A questão é de condição ontologicamente existencial, já que se trata de ser ou não ser. Ser mulher autêntica em sua singularidade. Ou ser reflexo do outro, homem abstraído. Nesse movimento produtivo de si mesma, a mulher entende que seu grande tirano não é o machismo, mas o homemismo que é o conteúdo, a forma e expressão do patriarcalismo construtor do homem-fálico. O homem cuja existência malograda não experimenta o prazer, mas tão somente a simulação dele em todas as facetas que ele se manifeste. Esse um fator de seu ódio-misógino em relação às mulheres autênticas.

Ao entender que não se trata de machismo, já que o macho é natural, a mulher compreendeu, também, que sua luta não é da ordem do feminismo, mas do mulherismo. Porém, também entendeu que a opressão realizada pelo homemismo pode interferir em sua feminilidade. O orgasmo é biológico-erótico-afetivo, mas uma mulher perturbada pelas violências psicóticas do homem-fálico tem sua feminilidade bloqueada. Assim como o homem-fálico tem sua natureza de macho, orgasticamente perturbada.

Compreendendo esses dois quadros, pode-se saber por que não há mulheres no desgoverno despótico do golpista Temer. Uma mulher ontologicamente autenticamente, não se envolve com golpistas de um poder injusto e ilegal. Seria negar sua potência-política. Mesmo que recorresse, como defesa de sua decisão, ao poema de Brecht: “O que você faria para mudar o mundo? Abrace ao carrasco, chafurde na lama, mas tente mudá-lo”, como muitos fizeram na ditadura e não ajudaram a mudar nada, nem eles próprios. O que queriam mesmo era fazer parte do poder, mesmo sendo um poder de exceção como o dos golpistas.

O pensamento da existência autêntica da filosofa Simone de Beauvoir, também envolve os negros. Nenhuma pigmentação de cor é o fator existencial preponderante de qualquer homem e mulher. O existencial é o que ele faz de si. Sua condição cultural-econômica-social-estética-ética-histórica-antropológica. A cor é do macho e da fêmea. A condição existencial é resultado do que eles fizeram de si, ou do que lhes fizeram os opressores. No segundo caso, trata-se de aceitar submissamente o modelo homemista binário opressor patriarcal colonizador. Ou, então, escolher o primeiro: se rebelar contra o opressor para produção de sua existência autêntica.  

No Brasil, já algum tempo os negros produzem, através de seus corpos originais e singulares, suas existências ontologicamente autênticas. Com a chegada dos governos populares de Lula e Dilma, políticas sociais passaram a contemplar com determinação os fundamentos dessas produções. Porém, os indigentes políticos golpistas, estão fragmentando todos os seus direitos conquistados nos últimos 14 anos com os governos populares. 

Daí que a coerência étnica, não permite que nenhum negro, ou negra queira fazer parte desse governo ilegal. O que seria uma ofensa à filosofia política da negritude. Entretanto, se os golpistas acreditarem que podem acabar com a indignação dos que se surpreendem com a ausência de mulher e negro em seu meio homemista, basta nomear a deputada Tia Eron que é mulher e negra, e responde muito bem ao modelo binário opressor patriarcal, com ficou concretizado no momento da tétrica votação do golpe, no dia 14, quando ela, vaidosamente, votou Sim contra a autêntica mulher presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos democráticos: Dilma Vana Rousseff.

Uma nomeação que cairia, como uma luva, nas mazelas dos golpistas, posto que Tia Eron se marquetiza com os atributos: mulher, negra e inteligente. Só que destes atributos só um é incontestável: negra. Mulher e inteligente, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, não procedem.  

DEPUTADAS NEGRAS QUE VOTARAM PELO GOLPE MOTRAM QUE CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA DE RAÇA E DE GÊNERO É SÓ PARA QUEM TEM GRAU SUPERIOR DE HUMANIDADE

destaque_deputados_dentroOs territórios de desejos democráticos que mais foram movimentados pelos governos populares de Lula e Dilma, foram os referentes às chamadas minorias que possuíam pouco poder de influência e decisão no contexto da política dominante. Essas minorias, embora como devir-desejo de luta por seus direitos, sempre foram alijadas do diálogo e do discurso dominante excludente. Nunca tiveram suas vozes reivindicatórias ouvidas e respeitadas. Os desgovernos Fernando Henrique mostraram esta aviltante realidade.

Certo que não foram exclusivamente os governos populares que conseguiram realizar esse direito democrático com suas políticas sociais que possibilitaram a participação das minorias como atores de decisão social. Os movimentos sociais em seus devires multiplicidades tiveram efetivas participações nas concretizações desses direitos produzidos. Foram eles que inspiraram também as decisões dos governos populares para criarem territórios de desejos ativos de suas subjetividades.

Sabe-se que para que alguém seja um sujeito-histórico de seu tempo com atuação produtiva transformadora do estado de coisa dominante através da criação de novas formas de existências, é preciso que esse alguém tenha alcançado um grau superior de humanidade. Grau superior de humanidade que não se nasce com ele, mas que é produzido em liberdade ontológica. A liberdade que leva esse alguém a apropria-se da história, analisar suas formas de desenvolvimento e encontrar seus elos internos para conhecê-la e, assim, partir para sua transformação, como diz o filósofo Marx.

Foi exatamente movimentando esse processual histórico que as mulheres, os homossexuais, os negros, quilombolas, os sem terra e os índios passaram a discursar através de suas próprias subjetividades singulares os seus desejos. Desejos encadeados como forma de políticas públicas e políticas sociais, étnicas e gêneros elaboradas oficialmente pelos governos populares.

Como sujeitos históricos produtores de suas próprias subjetividades as mulheres e os negros hoje se movimentam com mais segurança distante do modelo imposto pelo padrão patriarcal-misógino e o colonial-racista. Porém, nem todas as mulheres escaparam desse padrão patriarcal-misógino e colonial-racista. Muitas mulheres ainda refletem a subjetividade-castrador-patriarcal imposta pelo branco europeu que se enraizou aqui no Brasil como verdade incontestável. Muitas mulheres são cópias fiéis do padrão branco europeu.

Na encenação do teatro Grand Guignol – estilo de teatro caracterizado por cenas grotescas de tortura e chocantes violências – na Câmara dos Deputados comandada pelo grotesco Eduardo Cunha, o grande réu, essa elevação da submissão das mulheres ficou explicita através das deputadas golpistas. Todas elas repetiram os mesmo estereótipos vociferados pelos chamados homens. Uma verdadeira ditadura da igualdade grotesca. E pior, as deputadas negras também reverberam o mesmo texto que carrega os corpos opressivos contra os negros e as minorias. As deputadas negras atrizes do Grand Guignol votaram pelo golpe em favor de uma subjetividade que é contra toda política de defesa das etnias.

É fácil entender: elas não se elevaram ao grau superior da humanidade como se elevou a deputada negra Benedita Silva. Cuja vivência não se reduz apenas na luta por políticas que fortaleçam as etnias, mas toda a democracia. Elas optaram seguira o mais fácil: imitar o padrão dominante-homem. Essas deputadas negras além de votarem em favor do golpe cujos mentores pensam em diminuir os direitos das minorias, também votaram contra todas as políticas de fortalecimento dos negros como o regime de cotas. Essas deputadas podem ser consideras inimigas dos negros em defesa do padrão da subjetividade europeia branca.

Não representam os negros.

GRUPO RACISTA DO AMAZONAS, SEGUNDO O MINISTÉRIO PÚBLICO, FOI UM DOS QUE OFENDERAM A JORNALISTA MAJU

Os nazifascistas do Amazonas mostraram suas caras em espetáculo deplorável, ontem, dia 10, na capital do Amazonas, Manaus. Eles foram abraçar seu líder maior Bolsonaro que recebeu uma medalha oferecida por um de seus seguidores na Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Platini.

Mas alguns desses nazifascistas não ficaram nada eletrizados quando foram  levados ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM)para prestar depoimento sobre seus atos atentatórios as liberdades democráticas de ir e vir das pessoas. O grupo está sendo acusado de usar nomes falsos para fomentar, através de mensagens racistas, lutas entre gangues virtuais.

O grupo, que tem 20 mil seguidores que pregam a ideologia racista, na verdade nazifascista, nas redes virtuais é acusado também de ter sido um dos que desferiram mensagens racistas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, no dia 3 de julho, desse ano.

O grupo que atende pela enunciação indigente de Que Loucura, Cara (QLC), com sede em Manaus, foi um dos grupos racistas do Brasil aprendido pela Operação Tempo Fechado deflagrada nos estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os falsos loucos tiveram aprendido pela operação computadores, tabletes e celulares que passarão por perícia técnica.

Mas que loucura, cara! Os falsos loucos não esperavam por essa: serem descobertos como nazifascistas atuantes. Logo em Manaus que dizem ser uma cidade hospitaleira e ordeira. O que a maioria não assina. 

DILMA ASSINA ONZE DECRETOS DE DESAPROPRIAÇÂO DE TERRAS PARA PROPRIEDADES QUILOMBOLAS

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

É tempo de Consciência Negra, por isso alguns que nunca pensam o negro se fazem simpáticos e solidários a causa. Outros são Consciências Negras em todos os seus momentos, porque o corpo humaniora, como diz o filósofo Kant, requer sentimento simpatia e comunicação íntima universal como humanidade. Daí não se pretender uma data para ser sentimento simpático ou simular simpatia com as raças.

O caso dos governos populares não é de esperar data para compor simpatia e cumplicidade às raças. Como diz Lula, nunca dantes nesse país os negros tiveram seus direitos garantidos oficialmente. Há um Ministério exclusivo de políticas para os negros, além de outras políticas voltadas aos negros, como o regime de cotas. Embora faltem ainda muitas conquistas, não só para o benefício dos negros, mas também para os índios.

Assim, a decisão da presidenta de assinar 11 decretos de desapropriação de terras para propriedades quilombolas, que beneficiam 2.457 famílias, não é um ato que deve se resumir na comemoração da data do Dia da Consciência Negra. Faz parte das comemorações, porque ocorre no tempo da Consciência Negra datada, mas não é um fato simplesmente de data. Extrapola a data, visto ser um fato de direito humano de todo o sempre. Como humano, o negro é tempo-histórico contínnum como devir.

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

“Alegra-me assinar o decreto de desapropriação de terras em favor das comunidades quilombolas. Com esse processo mais famílias passarão a plantar com segurança de ter terra para viver, para produzir, para honrar e preservar as suas tradições.

Nós sabemos que o povo brasileiro nasceu da miscigenação racial. Somos uma nação plural com características africanas marcadamente impressas em nossos costumes, em nosso DNAs, em nossa língua, nas manifestações artísticas que nos enchem de orgulho”, disse a presidenta durante a cerimônia ao entrega títulos definitivos aos representantes quilombolas.

Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário, presente a cerimônia falou das ações do governo referentes às terras entregues aos quilombolas.

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra. Na ocasião, foi entregue título de propriedade a Maria Helena (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília - Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia comemorativa do Dia Nacional da Consciência Negra.Na ocasião, foram entregues títulos de propriedade a diversas comunidades quilombolas (Antonio Cruz/Agência Brasil)

“São 34 selos entregues em todo o Brasil em benefício de 400 agricultores familiares. Além disso anunciamos hoje uma chamada pública da Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Ater) que atenderá mais de 10 mil famílias quilombolas com recursos de R$ 45 milhões para o primeiro trimestre de 2016 e, com ela, serão 13.315 famílias atendidas pela política de Ater”, afirmou o ministro.

Valeu, Zumbi!

MULHERES REALIZAM A POTÊNCIA-NEGRA NA 1° PRIMEIRA MARCHA NACIONAL DAS MULHERES NEGRAS

2bf8a287-414f-4485-ab33-b3d43af87cb1Ciente do quadro estarrecedor referente aos assassinatos de mulheres negras que o Mapa da Violência mostra que em dez anos, 2003-2013, houve um aumento de 54% de assassinatos dessas mulheres no Brasil, e mais todas as formas de exclusão impostas pela cultura-paranoica dominante que discrimina, persegue e explora, mais de 15 mil mulheres, de todo o país, se reuniram em Brasil para realizar a marcha reivindicatória de defesa de seus direitos.

c4b2d3c5-3916-435d-a9b9-257d2e61380a 88d6b5ed-5cd7-4b4a-bf37-646254b637f6A marcha teve a concentração no Ginásio Gilson Nelson de onde partiu para a Praça Três Poderes contando com a participação da diretora executiva da ONU Mulheres e ex-vice presidenta da África do Sul, Phumzile Mlambo e a ex-militante do grupo Panteras Negras que atuava pela s causas libertárias negras nos Estados Unidos e membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis. Além da participação da escritora, ativista da causa feminina nos Estados Unidos, Gloria Jean Watkins, também conhecida como bell hooks.

“Nos últimos anos tivemos um grande processo de reformulação de mudanças, de ampliação de direitos, de acesso a politicas e a bens de serviços. No entanto, quando a gente faz um recorte racial e de gênero, identificamos que as mulheres negras, um quarto da população, estão em condição de vulnerabilidade, de fragilidades, sem garantias.

 A marcha que falar de como um país rico como o Brasil não assegura o nosso direitos à vida. Queremos um novo pacto civilizatório para o país. O pacto atual é falido e exclui metade da população composta por mulheres e homens negros”, analisou Valdecir Nascimento, coordenadora da Marcha e coordenadora executiva do Instituto da Mulher Negra da Bahia (Odara).

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Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por sua vez, Vilma Reis, ativista do Movimento de Mulheres Negras, Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia e socióloga, disse que os negros querem ser senhores de suas próprias vozes e não que outro se passem como seus defensores. Para ela as reivindicações devem ser feitas no poder pelos negros mesmos.

“O Brasil vive um momento de fazer o desenvolvimento das mulheres negras fora da pauta. Nós não admitimos isso. Agora queremos decidir no poder, não vamos delegar nossa representação a ninguém. Essa é a grande virada”, se posicionou Vilma Reis.

Leia as pautas reivindicatória das mulheres negras.

– O racismo, o machismo, a pobreza, com a desigualdade social e econômica, tem prejudicado nossa vida, rebaixando a nossa auto-estima coletiva e nossa própria sobrevivência;

– O fortalecimento da identidade negra tem sido prejudicado ao longo dos séculos pela construção negativa da imagem da pessoa negra, especialmente da mulher negra, desde a estética (cabelo, corpo etc.) até ao papel social desenvolvido pelas mulheres negras;

– As mulheres negras continuam recebendo os menores salários e são as que mais têm dificuldade para entrar no mundo do trabalho;

– A construção do papel social das mulheres negras é sempre pensada na perspectiva da dependência, da inferioridade e da subalternização, dificultando que nós possamos assumir espaços de poder, de gerência e de decisão, quer seja no mercado de trabalho, quer seja no campo da representação política e social;

– As mulheres negras sustentam o grupo familiar desempenhando tarefas informais, que as levam a trabalhar em duplas e triplas jornadas de trabalho;

– Ainda não temos os nossos direitos humanos (direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais) plenamente respeitados.

Durante a marcha as mulheres negras manifestaram suas indignações contra o inimigo das mulheres, Eduardo Cunha defensor do aberrante Estatuto da Família cuja família unida se corrompe unida.   

POLICIAL QUE JÁ HAVIA SIDO PRESO COM ARMAS LANÇA BOMBAS CONTRA PARTICIPANTES DA MARCHA DAS MULHERES NEGRAS

Na semana passada a Polícia prendeu o sargento reformado golpista acampado na Praça dos Três Poderes, em Brasília, com o carro repleto de armas e ficou por isso mesmo. Quer dizer, não ficou por isso mesmo: ele foi solto.

Ontem, dia 18, no momento da Marcha das Mulheres Negras, ele, impulsionada por sua psicopatologia psicopática, lançou bombas caseiras contra as manifestantes. Como o psicopata é incontrolável quando tem diante de si o que difere dele procurando logo uma forma de destruí-lo, puxou uma pistola e disparou para o alto.

Não se sabe se por causa de sua psicopatologia, que mostra que os psicopatas também são covardes, ou se por causa de sentir protegido, ele, logo depois dos disparos foi até a guarnição da Policia Militar e se entregou.

Como o acampamento dos golpistas paranoicos é armado próximo ao Congresso Nacional, o presidente do Senado Renan Calheiros mandou a Polícia Militar e a Polícia Federal investigar se há mais armas com os membros delirantes.

Por sua vez, a senadora Fátima Bezerra (PT/RN) protestou contra o fato bélico homicida.

“Isso é revoltante. A rua é um espaço democrático, onde todos e todas têm o direito de se manifestar, proclamando seus direitos, suas lutas, seus sonhos”, observou a senadora esperando que tudo seja apurado.

A senadora tem razão, mas mais razão teria se quando o psicopata fora detido pela primeira vez, ele tivesse sido punido. Só que ele não foi. E ele ainda afirmou, no momento da primeira prisão, que queria matar a presidenta e jogar uma bomba no Parlamento.

Veja e clica o vídeo que registra o momento dos tiros.

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MAPA DA VIOLÊNCIA MOSTRA QUE HOMICÍDIOS DE MULHERES NEGRAS NO BRASIL AUMENTARAM EM 54%, EM DEZ ANOS

9a93b469-2d04-4fef-b4b9-bea82b2f70c9O Mapa da Violência 2015 divulgou estudo realizado pela Faculdade Latino-Americano de Ciências Sociais (Flacso) em que afirma que em dez anos os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% no Brasil, saltando de 1863, em 20023, para 2875, em 2013. Ao contrário dos homicídios de mulheres brancas nos mesmos períodos que passou em 2003 de 1747, para 1572, em 2013. Significando 9,8% de queda.

Um dado que muito incomoda quanto à violência contra as mulheres negras do Brasil é que o estudo mostra que 55,3% dos homicídios foram praticados no ambiente doméstico sendo que 33,2% foram de autoria dos parceiros ou ex-parceiros das mulheres. E mais, 50,3% dos assassinatos são cometidos por membros das famílias.

Já em relação à idade das vítimas, até os 9 anos há baixa incidência, subindo, entretanto, até os 18 e 19, declinando a partir dessas idades até a velhice.

O estudo mostra, também, um trabalho apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em que consta que o Brasil ocupa a quinta posição no mundo em homicídios de mulheres negras correspondendo 4,8 homicídios para 100 mulheres.

Os estados de Roraima e Paraíba foram os estados que triplicaram a violência contra as mulheres. Já os estados de Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, entre os anos de 2006, ano da promulgação da Lei Maria da Penha, até 2013, foram os que tiveram o baixo índice de violência contra mulheres.

Em relação às capitais, Vitória, Maceió, João Pessoa e Fortaleza aparecem, em 2013, com taxas mais elevadas. São mais de 10 homicídios por 100 mil mulheres. Já São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais com menor taxa.

O Mapa da Violência é um projeto desenvolvido desde ano de 1998 pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz cujo lançamento da pesquisa conta com o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Para conhecer o estudo geral sobre o tema homicídios de mulheres basta cessar o site do Mapa da Violência.

FALSOS EVANGÉLICOS ESCONDIDOS ATRÁS DA BÍBLIA APEDREJAM CRIANÇA ADEPTA DO CANDOMBLÉ

tumblr_lxnulydl8U1qhwi0mo1_500O filósofo Nietzsche diz que só se deve falar daquilo que se ultrapassou, caso contrário só se tagarela. Ou seja, do que se conhece por experiência e inteligência. O conceito de evangelho nos remete ao entendimento de um discurso que pode ser laico ou religioso. Ser científico ou sagrado.

Para que alguém possa evangelizar se faz necessário que esse alguém examine todos os elementos que constituíram o discurso como corpos semióticos dominados pelos evangelistas, seus criadores. Corpos históricos, políticos, econômicos, sociais, religiosos, artísticos etc. O que necessita um grau de sabedoria além da mediana. Sem esses instrumentos epistemológicos não se pode ter o poder de evangelizar, visto não se ter o conhecimento.

Como diz Nietzsche: não se pode falar porque não se ultrapassou o corpo evangelista. Não se compreendeu. O resto é só superstição produzida por uma mistificação e mitificação dos elementos que constituem o discurso, que foram levados ao plano abstrato do psiquismo de quem se diz evangelizador e confunde com crença. A crença é produto incontestável como realidade que saiu da experiência e da inteligência. Ou pode também ser significada como crença, como afirma o filósofo Clèment Rosset, aquilo que não tem objeto real que possa ser atingido pelo exame crítico. É só um devaneio. Uma fantasmagoria saída de um ente imaginado. Essa a crença dos falsos evangélicos.

Como os evangelistas, autores do discurso evangélico, Marcos, João, Matheus e Lucas apresentam um texto que mostra a necessidade da tolerância, compreensão e amizade para que alguém se torne evangelizado e representante de Cristo, toda intolerância, discriminação e rivalidade que são usadas apara eliminar o outro, não podem ser tidas como evangelização. Trata-se nada mais do que projeções das frustrações desses praticantes em forma de sadismo-dominador. Perseguição aos homossexuais, aos travestis, a imposição de um modelo familiar restrito ao patriarcalismo castrador, etc., não testemunham evangelização. Testemunha o uso calculista e interesseiro da Bíblia em benefício próprio. Como fazem falsos pastores e parlamentares, também, falsos evangelistas.

Pois foi exatamente por esses falsos evangélicos, que escondidos atrás da Bíblia, à menina de 11 anos adepta do Candomblé, moradora do Bairro Vila da Penha, em Irajá, Rio de Janeiro, foi apedrejada. Caso registrado na 38ª Delegacia de Irajá. Diante da violência que constitucionalmente é caracterizado de intolerância religiosa, membros da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) destacaram um advogado para representar a criança.

“Ela estava com um grupo de pessoas e um grupo de evangélicos, que estava do outro lado da rua, começou a demonizá-los e a xingá-los. Não se contentando com isso, jogou uma pedra. Eles estavam arrumados tinham bíblias e acusavam os praticantes de Candomblé de serem demoníacos.

Isso é ruim para a religião. Eu sei que a grande maioria dos evangélicos não é assim e cabe a eles ajudarem a identificar esses agressores. Eram pessoas da igreja, pessoas que estavam com bíblia”, disse Ivanir Santos, babalawo e membro da comissão.

A violência, para Leniete Couto, coordenadora da Coordenadoria Especial de Políticas Raciais de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro, trata-se de ignorância e racismo.

“Há uma distorção histórica de colocara a cultura negra no sentido global, tanto a pessoa física quanto seus costumes sempre em um lugar de não existência ou um lugar negativo.

Não se respeita as religiões de matriz africana porque se diz que são do mal, que são ruins e com isso vem a invisibilidade e a negação da existência dessas pessoas. A invisibilidade cria um desconhecimento da história que faz com que as pessoas sejam rejeitadas e apedrejadas por ignorância e também por racismo”, analisou Leniete Couto.

Em nota a Polícia Civil afirmou que o caso foi registrado como lesão corporal no Artigo 20 da Lei 7716 – praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

O que se constata no Brasil atual é que há uma virulenta propagação da ignorância dos sentidos do que seja evangelista, evangelizador, evangelizar e evangélico. O que significa que o conceito real foi descartado da palavra para que a palavra, em sua forma vazia de conceito, sirva para garantir formas variadas de poder. Como poder de pastor e poder de parlamentar. Uma sórdida trapaça com o sentido livre e feliz da religião.

LEMBRANÇAS DO FILÓSOFO SPINOZA AOS FALSOS EVANGÉLICOS

O filósofo holandês Spinoza (1632-1677), autor da obra Ética, o melhor livro sobre os afetos alegres, a potência da vida ativa, entre outras obras escreveu uma que revela os erros, equívocos e enganos dos falsos profetas que transformaram a religião, em uma fonte de lucros para si através da exploração da superstição do povo. Trata-se do Tratado Teológico-Político onde o filósofo afirma ser a Bíblia um tratado político da formação do Estado do povo hebreu. Somente.

Eis aqui um breve trecho do tratado que ao ser comparado com a atuação dos falsos profetas se mostra profundamente atual.

“Inúmeras vezes fiquei espantado por ver homens que se orgulham de professar a religião cristã, ou seja, o amor, a alegria, a paz, a continência e a lealdade para com todos, combaterem-se com tal ferocidade e manifestarem cotidianamente uns para com os outros um ódio tão exacerbado que se torna mais fácil reconhecer a sua fé por estes do que por aqueles sentimentos.

Procurando então a causa desse mal, concluí que ele se deve, sem sombra de dúvida a se considerarem os cargos da igreja como títulos de nobreza, os seus ofícios como benefícios, e consistir a religião, para o vulgo, em acumular de honras os pastores. Com efeito, assim que começou na igreja esse abuso, logo se apoderou dos piores homens um enorme desejo de exercerem os sagrados ofícios, logo o amor de propagar a divina religião se transformou em sórdida avareza e ambição; de tal maneira que o próprio templo degenerou em teatro em que não mais se veneravam doutores da igreja mas oradores que, em vez de quererem instruir o povo, queriam era fazer-se admirar e censurar publicamente os dissidentes (…). Daí surgirem grandes contendas, invejas e ódio que nem com o correr do tempo foi capaz de apagar.

Não admira, pois, que da antiga religião não ficasse nada a não ser o culto externo (com que o vulgo mais parece adular a Deus que adorá-lo) e a fé esteja reduzida a crendice e preconceitos. E que preconceitos, que de racionais transformam os homens em irracionais, que lhes tolhem por completo o livre exercício da razão e capacidade de distinguir o verdadeiro do falso, parecendo expressamente inventados para apagar definitivamente a luz do entendimento”.

E Spinoza nós mostra qual o corpo que mantém os exploradores do vulgo dominado pela superstição. O medo!

Diz Spinoza: “A que pontoo medo ensandece os homens. O medo é a causa que origina, conserva e alimenta a superstição”.

Os falsos evangélicos agridem os que eles elevam como inimigos por medo estimulado pela irracionalidade dos falsos pastores que ambicionam nada mais do que o lucro. Por isso esses templos não passam de empreendimentos capitalistas cuja mercadoria é a superstição do fiel consumida por estes pastores como passagem para o especulativo paraíso.

A “NOITE NEGRA” SE MOSTROU NEGRITUDE NO PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN COMO CINEMA, PALESTRA, MÚSICA, POESIA, CAPOEIRA E, PRINCIPALMENTE, CRIANÇA

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A intenção era atualizar o virtual ou realizar o possível. E aconteceu. Artistas, capoeiristas e crianças como composto-estético produziram outras formas de sentir, ver, ouvir e pensar no Pórtico das Artes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) no Bairro Nova Cidade, em Manaus.DSC01804 DSC01809 DSC01825 DSC01832 DSC01834

Foi uma Noite Negra que se mostrou singularmente Negritude: a consciência livre do negro sobre si mesmo fora da brancura opressiva do sistema capitalista. Seu engajamento história em viver por si mesmo, sem modelo macho, homem, branco e europeu, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari.

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A Negritude do eu-mesmo como liberdade do negro, negando a história branca que o oprimiu, como diz o filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre. A estrutura ontológica do negro como resultantes da reflexão que fez sobre a a-história imposta pela voracidade branca. O negro deixando de ser objeto de dominação do olhar do branco para se tornar sujeito de seu próprio olhar sobre o branco. Mostrar o branco como objeto do olhar do outro. Sendo o olhar do negro sua potência criadora livre. Sua Negritude.

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Já na quinta-feira, membros da Afin estiveram na Escola Francisco Guedes de Queiroz, no Bairro Tancredo Neves, mais um bairro pobre da pobre Manaus. Lá, realizaram, junto com os estudantes, professores e pedagogos, a conferência, O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito de Negritude. Foi uma festa filosófica-política, já que trata-se de poiesis e práxis. Os corpos que produzem transformação.

DSC01909 DSC01914 DSC01915 DSC01916DSC01922 DSC01924 DSC01925Como a vivência não pode ser traduzida em palavras, visto que viver é atuar em consistência e existência em presença, como dizem os filósofos existencialistas, oferecemos aos acessantes deste blog algumas imagens, movimentos e sons, criados nos acontecimentos Negritude. 

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DIZERES E FAZERES DA VIOLÊNCIA CONTRA OS NEGROS ENTENDIDOS POR QUEM QUER SER SUJEITO-HISTÓRICO

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Eis aqui alguns dizeres e fazeres da violência contra o negro no Brasil. O Mapa da Violência 2014, já mostrou a realidade perversa e cruel desse quando onde apresenta que entre os jovens os negros são os que mais são assassinados em comparação com os brancos. E mais, são os jovens negros da periferia que sofrem essa letal exclusão.

Embora esse quadro seja muito preocupante por trata-se de pessoas com direito à vida, em um passado recente o quadro era ainda pior. O número de negros assassinados, discriminados e perseguidos em todas as funções era gritante. Comparado com hoje, a situação melhorou, mas exclusivamente pela própria política-humana adotada pelos negros que passaram a tentar serem autores de suas próprias histórias. Embora nos governos Lula, pela primeira vez na história brasileira, se passou, oficialmente, a criar políticas que visassem os direitos dos negros.

Depois da reflexão sobre a história de sua opressão eles passaram a querer a construção de suas consciências como sujeitos de si mesmos. Querer o seu ser-no-mundo, seu Dasein, como reflexo de suas produções. A criação de sua negritude: a liberdade de construir a sua consciência fora da consciência opressora do branco. Deixar de ser negro na concepção capturadora do brando para ampliar suas atitudes originais. Escapar da brancura-imperial imposta pelo opressor branco em forma do capitalismo-antropofágico-negro.  

Leiamos algumas compreensões desses sujeitos-históricos.

“Ele tem que estar morto em certa idade ou, se conseguir resistir, vai para uma unidade de internação e, quando ficar maior de idade, para uma penitenciária. Existe um plano traçado para ele. A carta branca do Estado, tanto para a polícia que mata quanto para o encarceramento em massa, é uma estratégia montada para um negro de periferia”, analisa o educador social e Happer, Henrique QI, 22 anos.

“Segurança pública é a área de maior preocupação, porque não nos sentimos seguros. Na verdade, as políticas de segurança pública são erguidas contra essa população e não para promover o direito à vida e à segurança”, afirmou Elder Costa, coordenador do Fórum Nacional da Juventude Negra.

“O crime de genocídio diz respeito à eliminação física, cultural e espiritual de um povo inteiro em sua fase mais produtiva. É isso o que está acontecendo. A saída é a organização dos negros e a conscientização dos demais grupos.

Se nós não forjarmos a nossa própria existência com luta, com radicalidade e com força, não seremos nada daqui a 60 anos”, observou Hamilton Borges, membro do Movimento Negro Unificado (MNU).

“Uma das formas com que o Estado costumou se relacionar com a população negra, já no pós-escravidão, foi por meio dessa política sistemática de escravidão. O primeiro passo nós demos, que é o reconhecimento dessa política. O segundo passo é um conjunto de ações coordenadas, a partir do governo federal, articulando de forma inédita 13 ministérios para enfrentar um problema comum: o extermínio da juventude negra”, disse a presidenta do Conselho Nacional de Juventude e integrante da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, Ângela Guimarães.

A Anistia Internacional Brasil com o objetivo de lutar contra a violência que atinge os negros, lançou a campanha Jovem Negro Vivo em que pede as assinaturas de pessoas para elaborar um documento para ser entregue à presidenta Dilma e os governadores dos estados.

Não se omita! Assine o documento aqui na página da Anistia Internacional Brasil. E veja mais dados sobre a violência contra os negros no vídeo elaborado pela anistia. http://www.anistia.org.br/entre-em-acao/peticao/chegadehomicidios/

PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN ENUNCIA: “UMA NOITE NEGRA”

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“O pistão d’Armstrong será no dia do Juízo Final o intérprete dos sofrimentos do homem”

Paul Niger

“África guardei tua memória África

Tu estás em mim

Como o espinho na ferida

Como um fetiche tutelar no centro da aldeia

Faz de mim a pedra de tua funda

De minha boca os lábios de tua chaga

De meus joelhos as colunas quebradas de sua queda

E no entanto

Quero ser apenas de vossa raça operários camponeses de todo os países”.

Jacques Roumain                                                                                                                                                                                                         A Associação Filosofia Itinerante (Afin) é um corpus filosófico, político e estético que sendo apanhada pelos dizeres dos não-filósofos estoicos, Epicuro, Spinoza, Machiavel, Nietzsche, Marx, Engels, Michel Foucault,  Deleuze, Guattari, Toni Negri, Jean Baudrillard, Clément Rosset, Bárbara Cassin, entre outros e outras tenta produzir  novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. E dessa forma, possibilitar novas formas de existências que transcendam os sentidos e os entendimentos cristalizados pelo sistema dominante alienador. A imagem do pensamento dominante  como Estado-paranoico.

Para que essas produções se tornem enunciações políticas, filosóficas e estéticas, a Afin parte de alguns vetores como o teatrosófico, cinemasófico, esquizosom, poiesofia, letrasófica, marionetesófia e etc. O que significa trabalhar com a inteligência coletiva como devir-produtivo continuou.

“Aguardas o próximo chmadao

A inevitável imobilização

Porque tua guerra só conheceu tréguas

Porque não existe terra onde não tenha corrido teu sangue

Língua em que tua cor não tenha sido insultada

Sorris, Black Boy

Cantas,

Danças,

Embalas as gerações

Que em todas as horas partem

Para as frentes do trabalho e do tormento

Que vão lançar-se amanhã ao assalto das bastilhas

Rumo aos bastiões do futuro

Para escrever em todas as línguas

Nas claras páginas de todos os céus

A declaração de teus direitos menosprezados

Há mais de cinco séculos…”

Césaire

Trata-se de uma práxis e poiética que já desenrola, em Manaus, há 13 anos, e sempre sem quaisquer fins lucrativos.  E quase sempre nos território menos atingidos pelas políticas públicas dos governos locais. Que em verdade, são historicamente, omissos por limitação de inteligência política e falta de sentido de solidariedade social.

Embora a Afin sempre esteja envolvida pelas questões das etnias, como a indígena e negra, todavia, como estamos na semana de comemoração da Consciência Negra, ela decidiu produzir uma festa na noite de hoje em seu singular território rizomático filosófico, político e estético: Pórtico das Artes. Local cujo nome foi influenciado pelo templo Pórtico das Pinturas da Escola Estoica (Stoá Pokilé).

“Me devolvam minhas bonecas pretas quero com elas brincar

Os jogos ingênuos de meu instinto

Ficar à sombra de suas leis

Recobrar minha coragem

Minha audácia

Me sentir eu-mesmo.

De novo eu-mesmo como eu era

Ontem

Sem complexidade

Ontem

Quando chegou a hora do desenraizamento…

Eles arrombaram o espaço que era meu”.

A festa cujo título é Uma Noite Negra contará com alguns enunciados como a conferência O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito Negritude. E mais cantos-negros, poesia-negra, sambas, hip-hop, candomblé, uma roda de capoeira sob a movimentação do Contra Mestre, Salvador, da Academia Manduca da Praia cuja escola é no próprio Pórtico das Artes. Serão apresentadasm, também, algumas iguarias da culinária negra. A festa tem uma cor especial, porque irá compor com os moradores do bairro que são desprovidos de qualquer enunciação política, filosófica e estética. 

 O Pórtico das Artes fica no Bairro Nova Cidade, rua 72, n° 4, quadra 149. É um dos  bairros mais pobres de Manaus, entre tantos.

“Minha negritude não é uma pedra, surdez que é lançada contra o clamor do dia,

Minha negritude não é uma catarata de água morta

Sobre o olho morto da terra

Minha negritude não é nem torre nem catedral

Ela mergulha na carne rubra da terra

Ela mergulha na ardente carne do céu

Ela fura o opaco desânimo com sua precisa paciência”.

“O negro não é uma cor, mas a destruição desta clareza

De empréstimo que cai do sol branco.

A liberdade é cor da noite”.

Césaire

Uma Noite Negra.

MAPA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL MOSTRA QUE EM CADA DUAS HORAS SETE JOVENS NEGROS SÃO ASSASSINADOS

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Um dos principais sintomas apresentados no corpus patológico das organizações sociais é o assassinato de jovens negros. A violência física, psicológica, moral e humana desfechada contra os negros historicamente no Brasil não terminou com a chamada libertação dos escravos.

Os corpos étnicos-antropológicos clivados pelos códigos de dominação do branco sobre o negro permanecem como chagas incuráveis tanto no espaço urbano como no espaço rural da alcunhada modernidade. Sua exclusão não é só uma questão de uma perspectiva, mas de várias. Política, econômica, social, estética e até moral. Moral, porque o negro é visto como alguém que não tem fundamentos de valores que lhe permitam uma confiança por parte do branco-dominador. O negro é sempre o outro, o estranho, ou seja, aquele que ameaça por sua estrutura primitiva.

Essa psicologia nazifascista cunhada na estupidez do desconhecimento genético-humano leva por parte dessa classe discriminadora, a perseguição de todas as formas contra os negros. Sejam perseguições explícitas como faz a polícia, ou de forma implícita como no caso da procura de um emprego. Esse racismo ostensivo comprova o grau de irracionalidade da patologia que domina o corpus das organizações sociais, que Marx diz que só se transforma quando tiver uma nova direção que escape do capitalismo.

O capitalismo promove o racismo principalmente porque ele representa o espírito condutor da maioria da população como elemento das posses. Como o negro é tido, pelas forças repressivas do capital, como uma alteração moral é também clivado como uma ameaça aos chamados bens pessoais. Diante de um assalto em que estejam por perto dois jovens, um branco e um negro, é do negro de quem a polícia, primeiro suspeita. Mesmo que o branco tenha cometido o delito, a suspeita sobre ele é posterior. É como se a polícia já estivesse robotizada em relação ao racismo. Tudo isso, porque ela faz parte do corpo repressivo do sistema capitalista a quem deve defender.  

Foi a partir desse quadro racistante, que o sociólogo Júlio Jacobo Weiselfisz, tomando os dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, trabalhou o Mapa da Violência no Brasil que mostra a cruel realidade que em duas horas sete jovens negros são mortos no Brasil.

A pesquisa que 82 jovens que morrem por dia, 30 mil por ano, e todos entre as idades de 15 anos a 29 anos. Desses jovens assassinados, 77% são negros, 93,30% são do sexo masculino. São moradores dos espaços periféricos das regiões metropolitanas dos centros urbanos.

Uma parte que chama atenção de forma preocupante na pesquisa é quanto a diminuição dos homicídios entre os jovens. Enquanto homicídio de brancos diminuiu, o número de vítimas negras aumentou. Em 2002, havia um número de 19.846 vítimas brancas. Em 2012, caiu para 14.928. Um percentual de queda de 24,8%. No mesmo período, 2002 e 2012, o numero de vítimas negras passou de 26.656 para 41.127. Um percentual de crescimento de 38,7%.

Não precisa ser cristão ou pertencer a uma sociedade humanista para saber que essa cruel realidade tem que mudar. E os princípios mutantes capazes de efetuaram essa mudança são a educação, o direito ao respeito, a inclusão na sociedade, como sujeito de produção de novas formas de existir e a ética social que tenha o homem como um ser vocacionado para a vida.

ANISTIA NACIONAL LANÇA O “PROGRAMA JOVEM NEGRO VIVO”

Em cada duas horas, no Brasil, são assassinados sete jovens negros. Esse quadro violento que mostra a verdade cruel do racismo no Brasil tem mudar. Mas esse quadro só pode mudar com as participações dos governos, instituições, partidos políticos, movimentos sociais e toda a sociedade civil. É preciso entender que ninguém se salva sozinho.

Veja, ouça, analise o vídeo e tome sua posição.

POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA TEM QUE SER REVISTA, DIZ DOUTORA MARIA INÊS BARNOSA, DA OPAS

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Já como parte das manifestações da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra q1ue ocorrerá no próximo dia 20, A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) pede que a Política Nacional de Saúde da População Negra faça uma revisão transversal em sua atuação focando mais os indivíduos. A preocupação encontra-se, principalmente, no fato de que os negros representam a maior parte da população brasileira.

Para Maria Inês da Silva Barbosa, doutora em saúde pública, e consultora da Opas, embora a política de saúde das populações negras seja transversal, a maioria dos gestores não a entendem. Para ela, a política de saúde dos negros depende também de vontade política, porque é tão complexa como o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Falar da Política Nacional de Saúde da População Negra é falar de mais da metade do Brasil. E a política é tratada como uma política especial. Para que o sistema de saúde dê certo, a política tem que tratada coma propriedade que merece.

Temos mais tem de experiência em escravidão do que em liberdade. Temos que voltar atrás para gestar o novo. É preciso querer e estar preparado para isso.

Me parece que só sermos maioria não está sendo suficiente. É preciso reconhecer limites e possibilidades. É uma política complexa, assim como o SUS é complexo. Precisa haver compromisso efetivo e desracializante. Estamos falando da imensa maioria da população brasileira. Não é um problema localizado”, observou a doutora Maria Inês Barbosa.

Falando sobre a questão do racismo contra os negros, Maria Zenó Soares, coordenadora-geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme, doença hereditária que atinge mais os afrodescendentes, disse que vivenciou em si própria e necessidade de que é preciso avanço.

“Não há como falar de doença Falciforme sem falar de dor. A dor física, coma morfina, passa. Mas a dor que a gente carrega na alma, do racismo e da falta de atendimento não passa. Já esperei seis horas por atendimento. Rolava no chão de dor – a ponto de fazer minhas necessidades fisiológicas ali mesmo, na roupa”, disse Maria Zenó, para quem a primeiro passo é reconhecer que existe o racismo institucional e depois focalizar a política de saúde no indivíduo.

A LENDÁRIA ATIVISTA NEGRA DO BLACK POWER, ANGELA DAVIS, EM ENTREVISTA NA TV BRASIL, MOSTRA O QUE É SER UM DEVIR-POLÍTICO

Uma das personagens mais importantes da luta intensiva pelos direitos dos povos oprimidos, principalmente os negros, a lendária ativista do movimento, Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis, esteve no programa Espaço Público, da TV Brasil.

Angela Davis, na década de 70, em função de sua luta, foi presa pelo FBI e colocada na lista dos mais procurados pela força policial norte-americana. Sua atuação pelos direitos humanos era tão forte que gerou o movimento coletivo “Libertem Angela Davis” que produziu uma reverberação internacional envolvendo artistas, intelectuais, filósofos, sociólogos, antropólogos, políticos ente outros.

A filósofa, escritora, conferencista, professora veio ao Brasil para participar do Festival Latinidade 2014: Griôs da Diáspora Negra, que ocorreu em Brasília, e terminou na segunda-feira. Ela foi entrevista pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, apresentador do programa, a jornalista Juliana César Nunes, da Radioagência Nacional e o jornalista Florestan Fernandes Jr, da TV Brasil.

A visão que o Brasil tem de você ainda é muito conectada a Angela desse movimento Black Power da década de 1970, quando brasileiros faziam campanha pela sua libertação e pela libertação de Mandela e, ao mesmo tempo, pensavam em como libertar a Angela e o Mandela que existiam entre nós, entre homens e mulheres negras. Hoje, em que Angela as pessoas precisam pensar em libertar, em deixar fluir?

A campanha pela minha libertação foi de fato um momento importante. Eu sempre digo que meu nome só é conhecido hoje não tanto pelo que eu fiz, mas pelo que fizeram por mim. Nunca vou esquecer o enorme movimento de solidariedade que mobilizou pessoas em quase todos os continentes. Mas eu era apenas uma, e já naquela época, tinha consciência de que havia muitos outros presos políticos. Percebi que o problema não era só a repressão aos presos políticos, mas também o papel racista e repressor do sistema carcerário. Nas últimas décadas, venho batalhando pela libertação dos presos políticos e combatendo a indústria carcerária e muitos militantes desse movimento anticarcerário nos autodenominamos “abolicionistas”, porque defendemos a abolição da cadeia como forma dominante de punição.

Angela, você popõe a extinção dos presídios. A pessoa quando comete um crime, um crime bárbaro, um crime hediondo, ela tem que ser punida, tem que pagar pelo crime que cometeu e ser ressocializada para voltar à comunidade. Se acabam os presídios, que eu concordo que virou depósito de pessoas, o que fazer com os criminosos?

Concordo plenamente que quem tem conduta antissocial, quem faz mal a outras pessoas deve responder por isso. Mas isso não significa que basta punir. Quando simplesmente punimos os culpados, em geral o que acontece é que eles saem da cadeia pior do que entraram para cumprir a pena. As cadeias contribuem para reproduzir a violência e a conduta antissocial. A grande questão é como transformar a sociedade e lidar com essa questão da violência de tal forma que o agressor retorne à sociedade com uma perspectiva de vida melhor, sem revolta, sem recaída, mas disposto a contribuir com a sociedade. Acredito muito na reabilitação. Mas não acredito que ela seja possível na cadeia. É por isso que precisamos encontrar outras formas de responsabilizar as pessoas pelos crimes que cometem. E o pior é que muitas pessoas estão presas não porque cometeram um crime, mas por serem negras, jovens, ou porque estavam no lugar errado, na hora errada.

Angela, você tem criticado as políticas de combate à violência doméstica. Como garantir proteção para as mulheres de uma outra forma que não seja a criminalização dos agressores?

Estou com as pessoas que acreditam que simplesmente criminalizar a violência doméstica não basta para erradicá-la. Eu me preocupo com as vítimas da violência conjugal. E também porque é uma das formas mais comuns de violência no mundo. É uma forma de violência que ocorre em quase todo o mundo, inclusive nos países onde ela foi criminalizada. O índice de violência contra a mulher, de violência de gênero, não diminuiu. Alguma coisa está errada. Não podemos continuar simplesmente mandando as pessoas para a cadeia. Isso nos faz esquecer o problema. É por isso que sou contra o uso da pena de detenção. De certa forma, isso nos exime da responsabilidade de descobrir como acabar com essa violência horrível que tantas mulheres sofrem. Em muitos lugares, já surgiram alternativas à execução penal. Elas incluem Justiça restaurativa, ou até censura pública. Evidentemente, a perspectiva evolucionista não sugere que o agressor não deva responder pelo que fez. Em muitos aspectos, é mais difícil para o agressor encarar a vítima de frente e encontrar uma forma de se redimir do que ir para a cadeia. É mais fácil ficar na cadeia. É muito mais difícil localizar a raiz da violência dentro de si e encontrar uma forma de erradicá-la do mundo.

Onde fica o centro da sua força, essa força com que luta pelos direitos dos negros, tanto na África, quanto na diáspora?

De onde tiro minha força? Acho que posso dizer que ela vem das minhas comunidades, das pessoas com quem trabalho, meu sentimento de união com as pessoas que se dedicam às lutas por justiça e igualdade. Costumo contar uma história que aconteceu na época em que eu estava presa. O FBI foi me buscar. Fui levada para um presídio onde eu fiquei incomunicável, sem poder falar com ninguém. Puseram-me em uma ala do presídio reservada para pessoas com problemas psiquiátricos. Fiquei deitada ali na cela, sentindo-me totalmente sozinha. De repente, ouvi umas vozes ao longe. Mal dava para entender o que diziam. De repente, percebi o que estavam dizendo: “Soltem Angela Davis!”. As pessoas se aglomeravam fora do presídio, tarde da noite, e isso antes mesmo da campanha pela minha libertação. Elas vieram e aquilo me fez sentir que eu não estava só. Fiquei com essas lembranças, essa ligação com as pessoas e percebi que, por piores que fossem os meus problemas, eles não chegavam aos pés dos problemas das pessoas que passam a vida na cadeia, das pessoas na Palestina, das pessoas que têm de lutar pela própria liberdade de várias maneiras. Enfim, também tiro muita força dos jovens, porque continuo trabalhando com ativistas. Vejo que eles estão cada vez mais jovens. E eu estou cada vez mais velha. Isso é bom, é muito importante trabalhar com outras gerações. Vejo que os jovens estão dispostos a correr mais riscos que os mais velhos, porque às vezes somos prudentes demais.

Atualmente, temos algumas mulheres no comando de países. Aqui na América Latina, temos três mulheres coordenando três países, temos uma mulher na Europa. Como a senhora vê a atuação dessas mulheres no poder ? Houve uma modificação dos rumos do capitalismo? Agora, é a hora, depois de um negro, os EUA terem uma mulher?

Acho positivo que tenham elegido mulheres para cargos políticos na América do Sul e na Europa. Assim como foi bom um negro ter sido eleito nos EUA. Mas não sei se isso resolve nossos problemas. Não sei se ficar tentando apenas mudar o rosto das pessoas que estão no topo das hierarquias políticas ou econômicas vai mudar a realidade dos que estão na base. Como já disse algumas vezes, quando Obama disputou as eleições, se houvesse um candidato de outra identidade racial concorrendo com um programa mais ousado, com certeza ele teria o meu voto. Eu preferiria mil vezes um candidato branco que propusesse uma crítica ao capitalismo, ao inter-racismo e ao sistema carcerário a um candidato negro que deixasse as coisas como estão. É uma questão política. Precisamos superar essa mentalidade de que trocar apenas um rosto vai trazer uma revolução e entender que é preciso criar movimentos de massa, é preciso promover mudanças na base do sistema.

Como você vê o papel da mídia nesse contexto, basta democratizar o acesso? É preciso que haja uma mudança, na forma, no discurso da mídia, especialmente sobre a população negra, para mexer nas estruturas do racismo?  Aqui no Brasil, a imprensa, de maneira geral, é contra as cotas. Quase todo dia sai alguma notícia criticando a distribuição de cotas tanto nas universidades, quanto no serviço público.

Acredito que a mídia tem um grande poder de mudar a forma de pensar das pessoas, mudar a nossa forma de ver o mundo. Com o advento das mídias sociais, estamos nos deparando com a ampla influência de ideias que se propagam instantaneamente. Vejo que nos EUA, a grande mídia continua a promover algumas ideias retrógradas. O sistema de cotas – não gosto muito de usar o termo “cotas” porque ação afirmativa não é sinônimo de cotas, não é a mesma coisa, e quando chamamos assim, como a mídia costuma fazer, isso transmite uma impressão de que estamos jogando as pessoas umas contra as outras, quando, na verdade, trata-se de uma tentativa de começar um processo para reverter algo que já há muito […] Um processo que vem de muito longa data. Costuma-se falar em ação afirmativa como se fosse um homem branco contra, digamos, uma mulher negra, por exemplo. Mas quando se entende que a ação afirmativa é uma forma de modificar a distribuição demográfica no mercado de trabalho, nas universidades, não se trata só de indivíduos, trata-se de comunidades, é uma questão de permitir a ascensão de comunidades, e isso também acaba beneficiando indivíduos. Mas acho que é preciso começar a mudar essa concepção de ação afirmativa como mera oposição entre brancos e negros. Ela está aí para mudar o mundo, para promover justiça e igualdade.

“MAPA DA VIOLÊNCIA 2014” MOSTRA QUE HOMEM, JOVEM E NEGRO É O PERFIL DOS QUE MORREM VIOLENTAMENTE NO BRASIL

Capa da publicação do Mapa da Violência 2014

O Mapa da Violência 2014 divulgado mostra que 100 a cada 100 mil jovens entre 19 e 26 anos morrem violentamente no Brasil. O estudo descreve como morte violenta as mortes por homicídios, suicídios e acidentes de transportes terrestres e também barcos e aviões.

O perfil desses jovens é: homem, jovem e negro. Mas para o estudo esse quadro não é recente. Já no ano de 1980, a taxa era de 146 mortes para 100 mil jovens. Quando comparada a taxa com mulheres entre os anos de 1980 e 2012 a comparação fica assim: taxa de 2,3 para 4,8 de homicídios por 100 mil; entre os homens, 21,2 para 54,3, correspondendo um aumento de 156%.

Quando o estudo compara a cor, fica visível a diferença entre as mortes de jovens negros e brancos. Em 2012, morreram 146,5% mais negros que brancos. De 2002 a 2012, a vitimização dos negros duplicou comparada com a dos brancos. Neste mesmo período, o número de homicídios de homens brancos diminuiu 32,3%, enquanto o número de homicídios de negros aumentou 32,4%.

Para o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenar da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, e responsável pelo estudo, essa diferença é decorrente das políticas públicas e enfrentamento da violência que foram aplicadas mais em locais onde a maioria da população é branca, e o acesso à segurança privada.

“Isso faz com que seja mais difícil a morte de um branco do que a de um negro”, afirmou  Jacobo.

DILMA SANCIONA LEI QUE GARANTE 20% DE VAGAS PARA NEGROS EM SERVIÇOS PÚBLICOS FEDERAIS DO PODER EXECUTIVO

Já se encontra valendo a lei que estipula 20% de vagas para negros nos concursos públicos federais no Poder Executivo. A lei que teve seu nascedouro em um projeto do Poder Executivo e foi enviada ao Senado no ano passado e que no dia 20 ele aprovou, foi sancionada pela presidenta Dilma Vana Rousseff.

A presidenta, durante seu discurso da sanção da lei, disse esperar que essa decisão possa servir de estímulo aos outros poderes e a iniciativa privada o que seria o reconhecimento dos direitos dos negros. Para ela o mérito ainda é o grande fator de classificação. A lei vai ter direito de existência durante dez anos.

De acordo com a lei poderão concorrer aos concursos as pessoas que se identificam como pretas ou pardas em inscrições de concursos público de acordo com o quesito de cor ou raça apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com sua classificação nos concursos, os negros concorrerão às vagas reservadas e às vagas relativas à ampla concorrência.

“Esta é a segunda lei que eu tenho a honra de promulgar com ações afirmativas, para fechar um poço secular de direitos e oportunidades engendrados pela escravidão e continuados pelo racismo, ainda existente entre negros e brancos em nosso país”, discursou Dilma.

Por sua vez, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse que a lei é um passo muito importante para superação das desigualdades raciais. Ela falou também sobre a celeridade do projeto enviado pelo governo.

“A discriminação é maior quanto mais é valorizada a ocupação, o que nos obriga a tomar dentro do mercado, medidas para corrigir esse tipo de distorção.

Em função de existirem em tramitação várias propostas sobre a população negra e igualdade racial, se deixássemos ao sabor de processo de discussão no Parlamento, poderia demorar. Como a aprovação da lei teve um apoio suprapartidário é um indicativo de aceitação que ela tem no conjunto da sociedade brasileira”, observou a ministra.

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER ATVISTAS SE MOVIMENTAM PARA MAIORES DIREITOS NA POLÍTICA

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/mulheres-saem-as-ruas-por-igualdade-autonomia-e-contra-violencia-e-exploracao-sexual-5491.html/dia-internacional-das-mulheres/image_preview

Com a consciência de que a condição-oprimida da mulher mudou muito nas últimas décadas, e que resultou do próprio envolvimento dela na luta por sua emancipação, a mulher ainda tem muito que produzir como seus direitos. É assim que a consciência das mulheres ativistas se move. Na data que se comemora – nem todas as pessoas como os machistas /fálicos e as mulheres réplicas desses – o Dia Internacional da Mulher as mulheres negras fazem manifestação – manifestar: fazer surgir por si mesmas – reivindicando maior participação nos círculos político legislativo e executivo e outras esferas sociais onde sua participação é muito limitada.

Portadora de consciência libertária, Sandra Mariano, coordenadora da Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras do estado de São Paulo, falou, em entrevista a Rede Brasil Atual, sobre o desempenho, hoje, das mulheres negras no Brasil e pediu sua maior participação, notadamente, nas manifestações de ruas.

“Nós queremos estar dentro do Parlamento, aumentando o número de mulheres na bancada. É claro que é muito importante termo no alto comando uma mulher, mas nas centrais sindicais, a maioria é comandada por homens. E nos partidos políticos, a maioria dos presidentes também é formada por homens”, analisou Sandra.

Ela ainda falou sobre a importância da luta que resultou a Lei Maria da Penha, mas que é ainda muito ineficaz em função do número reduzido de delegacias das mulheres.

“Em São Paulo, por exemplo, existe apenas uma Delegacia da Mulher, o que limita demais o número de denúncias”, observou a ativista.

DILMA DISCURSA COM VERACIDADE NOS FUNERAIS DE NELSON MANDELA ENQUANTO OBAMA TENTA GANHAR PONTOS COM SEU POVO E OUTRAS NAÇÕES

Depois do gesto diplomático e cortês que a presidenta Dilma Vana Rousseff realizou ao convidar os ex-presidentes do Brasil Fernando Collor, José Sarney, Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva para participarem junto com ela nas cerimônias dos funerais do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, ela proporcionou ao povo brasileiro e ao mundo o conhecimento do sentimento veraz que move seu governo. Um sentimento de sobriedade e solidariedade com a democratização do mundo.

Dilma discursou, dentro do tom protocolar, mas deixou visível o sentimento de humanidade que é possuidora. Uma expressão que mostra ao mundo porque o Brasil é hoje uma nação respeitada internacionalmente. O seu discurso, foi uma demonstração de reconhecimento da importância de Nelson Mandela para a humanização do mundo. Um discurso que foi possível ser criado porque Dilma é uma mulher que também carrega muitos afetos que Mandela carrega. Seu discurso não saiu de um intelecto abstraído do mundo real, como ocorre com a maioria dos chamados chefes-de-Estado. E mais, Dilma não falou apenas por seu governo, o povo brasileiro, mas também por todos os povos sul-americanos, como bem frisou.

Dilma não apresentou um discurso que busca um propósito pragmaticamente pessoal, como foi o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, que aproveitou a oportunidade para fazer publicidade de seu governo e com isso tentar conseguir alguns pontos diante do povo norte-americano, visto que há muito tempo vem tendo queda na aprovação de seu governo. Ele procurou ao mesmo tempo, discursar para comunidade internacional para tentar, também, diminuir o péssimo conceito que seu governo passou a ter internacionalmente com as espionagens executadas pela Agencia de Segurança Nacional (NSA) nos governos, órgãos públicos e cidadãos de vários países. A encenação de Obama foi tamanha que ele chegou a pegar na mão de Raul Castro, e dá um beijinho no rosto de Dilma. Uma espécie de convite para a presidenta visitar seu país, depois que ela se negou em virtude das espionagens.

Aí a diferença dos dois discursos das duas principais personagens presentes. Dilma não discursou para se defender ou fazer marketing de seu governo e sua pessoa. Ela falou da forma como é. O que a assemelha a Mandela. Já Obama, tinha que aproveitar e se mostrar também humanizado como Mandela: um lutador da paz. Só que sua administração não diz o mesmo, principalmente sua política internacional de intervenção em países considerados por seu governo como inimigos. Intervenção que mata criança, idosos e inocentes. Ato que nunca Mandela executou. Obama exaltou o sentimento de paz de Mandela e disse que Mandela fora o último herói do século XX. Se Mandela que lutava pela paz é o herói de Obama, por que Obama não o imita? Ou Obama vai aproveitar a morte de Mandela para liberar sua sanha imperialista e parafrasear a filosofia que diz: “Se Deus estar morto, agora tudo é possível”? Embora se saiba que, para os impérios, tudo já era possível.

“Nós os brasileiros, que carregamos com orgulho o sangue africano nas veias, choramos e celebramos o exemplo desse grande líder que faz parte do grande panteão da humanidade.

Ele soube fazer da busca da verdade e do perdão os pilares da reconciliação nacional e da construção da nova África do Sul. Devemos reverenciar essa manifestação suprema de grandeza e de humanismo representada por Nelson Mandela.

Sua luta transcendeu suas fronteiras nacionais e inspirou homens, mulheres, jovens e adultos a lutarem por sua independência e pela justiça social. Ele deixou lições não só para seu querido continente para todos aqueles que buscam paz, justiça e liberdade no mundo.

Trago o pesar de toda a América do Sul. Esta personalidade que conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea, o fim do apartheid na África do Sul”, diz parte do discurso de Dilma.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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