Archive for the 'Sincretismo' Category



DONA GIRA NO SÍTIO DE MÃE MARIA DO SEU JACAÚNA

Ela vinha caminhando a pé

Para ver se encontrava uma cigana de fé

Ela parou e leu minha mão

E disse, e falou toda a verdade:

Amigo, você não se engana

Pombogira Cigana é um Exu de fama.

Bem que eu lhe avisei

Pra que você não jogasse essa cartada com ela,

Você parou no valete e ela parou na dama.

Amigo, você não se engana

Pombogira Cigana é um Exu de fama…

Mãe Maria Gira 01 por afinsophiaitin.
Clique nas imagens para vê-las de perto.

Essa maravilhosa festa, nesse magnífico ambiente, na estrada do Brasileirinho, foi a festa realizada todos os anos há mais de três décadas no terreiro de Mãe Maria do Seu Jacaúna.

Mãe Maria Gira 02 por afinsophiaitin.

Mãe Maria Gira 16 por afinsophiaitin.

Conversamos com seu Gilson, que é presidente do terreiro de Mãe Maria, que nos falou dos significados dessa festa dentro da Umbanda e, especificamente, para o Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição, nome oficial do Terreiro de Mãe Maria.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.


Dona Jarina (Socorro) e Dona Padilha (Graciete)

Mãe Maria Gira 07 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 09 por afinsophiaitin.
Caboca Jurema (D. Jandira)


Seu Exu Caveira (Socorro) e Seu Exu Veludo (Sr. Marcos)

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 14 por afinsophiaitin.
Seu Sibamba (Pai João)


Mãe Maria Gira 18 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 20 por afinsophiaitin.
Seu Baiano (Mãe Vera)


Mãe Maria Gira 21 por afinsophiaitin.

A Umbanda tem Gira como guardiã, por isso fazemos essa festa pra Dona Gira. Pra nós é uma simbolização, porque eles são do outro lado, nós somos Umbanda. Mas como nós trabalhamos com cura, e a cura sempre vem com feitiço, e feitiço é feito com povo de rua. A gente agradece porque nós fazemos trabalhos através dela, Dona Gira, e a pessoa fica bom. Então, todos os Exus, Dona Gira, seu Tranca-Rua, todos, na Umbanda, são guardiães.

Mãe Maria Gira 23 por afinsophiaitin.
Seu Zé Pilintra (Pai Carlos de Xangô)


São várias Giras, várias Pombogiras. Nós conhecemos, dentro da Umbanda, sete; mas são mais, por que já existem outras e outras. Tem Maria Padilha, Maria Molambo, Pombogira Cigana, Pombogira da Praia, Pombogira do Pandeiro, Pombogira do Baralho… Mas a Pombogira do Baralho é a Gira Cigana. Tem gente que pensa que são duas; não, a Gira Cigana é a mesma do Baralho.

Mãe Maria Gira 27 por afinsophiaitin.


Aqui nós recebemos a Dona Gira Cigana. Por isso, com a festa de Seu Jacaúna e de Se Zé Pilintra, a festa da Dona Gira é uma das três grandes festas da casa. Só de terreiro, faz 34 anos que nós viemos acompanhando Dona Maria e todos os anos nós fazemos essa festa. A festa da Dona Gira esse ano começou sábado, entrou pelo domingo, segunda-feira era feriado, então continuou. Nós começamos aqui no terreiro, daqui fomos pro sítio e foi assim três dias de festa. Vem muitos pais de santo, vem pessoas olhar.

Mãe Maria Gira 26 por afinsophiaitin.

Mãe Maria Gira 31 por afinsophiaitin.

No sítio é especial porque é perto da natureza, tem mata, e a nossa maior falange é Oxóssi, e na Umbanda nós temos a Dona Jurema, que é a Rainha das Matas. Então na mata virgem a gente toma banho nas águas, faz o descarrego. Pra dar banho em médium não pode ser em água parada, temd e ser em água corrente. A mata é sagrada, então a gente tem mais confiança.

Mãe Maria Gira 28 por afinsophiaitin.

Todo mundo gostou da festa. Tudo muito ótimo. O sítio tava muito enfeitado. Os zeladores de santo que foram lá saíram todos muito bem satisfeitos. Esse ano foi uma festa muito linda Dona Gira, muito linda pra todos.

Mãe Maria Gira 32 por afinsophiaitin.

CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

MÃE MARIA DO SEU JACAÚNA

Beco Cel Bolsinha, nº 119 — Zumbi I (Manaus-AM)

DONA GIRA NO TERREIRO DE PAI JOÃO DO SIBAMBA

Abre essa cova, eu quero ver tremer

Abre essa cova, quero ver balancear

Maria Padilha das Almas

O cemitério é o seu lugar

É no buraco que a Padilha mora

É lá na rua que a Padilha vai girar

Pai João Gira 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

A Tenda de Santa Bárbara Cabana Nego Gerson, também conhecido como Terreiro de Pai João do Sibamba, afinal são 75 anos de idade, com mais de 50 dedicados ao culto da Umbanda. Mas deixemos que o próprio Pai João conte um pouco de sua trajetória nesse dia 30 de agosto, quando da Festa de Dona Gira, na qual Pombogira Maria Padilha completava 36 anos na cabeça de Pai João.

Eu tenho 75 anos de idade. Eu sou da Paraíba, me criei em Fortaleza, em Fortaleza me desenvolvi. De lá eu cheguei aqui em 66; moro há mais de 40 anos em Manaus. De santo, eu tenho mais de 50 anos. Quando eu cheguei em Manaus em 66, botei um centro lá na Cachoeirinha. Depois fui pro Coroado. Do Coroado eu trabalhei 14 anos com Umbanda em Porto Velho. Aqui nessa casa eu tô com 9 anos. O padroeiro da casa é Oxóssi.

Pai João Gira 04 por você.


O minha primeira entidade foi Nego Gerson Feiticeiro, quando eu tinha lá pelos meus 17 anos. Aí eu fiquei trabalhando com ele, desenvolvendo. Daí eu passei a ser perseguido pelo Sibamba. Como aqui no Amazonas o pessoal todo só procurava o Sibamba, aí começaram a me chamar de João do Sibamba. Seu Sibamba completou na minha cabeça 50 anos agora em junho passado.

Pai João Gira 09 por você.


Pai João Gira 13 por você.

De lá pra cá eu fiz um serviço para um senhor que era prefeito de Santo Antônio de Içá. Foi o primeiro serviço dela na minha cabeça. Foi resolvido. Ele ficou muito admirado. Eu pagava prestação da minha casa, aí um dia ele chegou na minha 7h da manhã, tinha vindo do interior, pra pagar o terreno pra mim. Ele pagou o terreno e disse que ia ajudar a fazer a casa do seu Sibamba. Aí foi quando nós começamos a fazer esse centro de alvenaria e organizamos tudo isso.

Pai João Gira 10 por você.

Pra animar mais ainda a festa chegou caboco Sibamba, o beberrão, sempre alegre, sempre brincalhão, um dos mais reconhecidos curadores em todo o Brasil. E junto com Sibamba outras entidades vieram firmar seus pontos.


Seu navio está em terra

A luz no mar já clareou

Seus marujos são de guerra

Sibamba bebo chegou

Ele vem no banzeiro da água

No tombo da maresia

Pai João Gira 14 por você.

A minha Umbanda é uma Umbanda limpa. Eu só trabalho na linha de Umbanda astral. Faço minhas obrigações de Exu. Quando eu vou fazer meu trabalhos, faço minha obrigações. Quando vou fazer serviço pesado, faço descarga de pólvora, sacudimento de pipoca, pra poder eu tratar do cliente. Eu não sei qual foi o serviço que foi feito, então eu tenho que descarregar o cliente pra aquele mal não cair dentro da casa também.

Pai João Gira 21 por você.

Dona Caldeirão na cabeça de Max, filho de Pai João.


Meus trabalhos são mais com Sibamba, Nego Gerson e Maria Padilha. Agora o atendimento vai de 5h da tarde e vai até umas 11h da noite, dia de sexta e dia de segunda. Tem época que dá muita gente, aí o atendimento começa 2h da tarde. Cliente meu, pode ser rico, pode ser pobre, na minha casa é um tamanho só.


E pra completar o axé do terreiro cheio de médiuns e entidades, Mãe Maria do Seu Jacaúna, filha de santo de Pai João, veio com seu axé para distribuir suas bençãos e receber a saudação dos presentes.

Pai João Gira 18 por você.


Os trabalhos que mais aparecem é com cura, remédio pra doenças e negócio de amarração. Não faço serviço assim com bode, trabalho pesado, eu nunca gostei de trabalhar. Quando a gente faz um trabalho pesado, fica um pouco de energia pesada na casa. A demanda fica e é preciso descarregar a casa pra não ficar aquele fluido mal. Por isso que eu pouco trabalho com Exu.

Pai João Gira 26 por você.

Foi então que baixou a homenageada do dia, Pombogira Maria Padilha das Almas, que, na ponta dos pés, veio cantar, beber, bailar, compartilhar com todos sua força e luz.


Ela é uma rosa que nasceu no meu jardim

Ela é uma rosa que nasceu na encruzilhada

É ela, Maria Padilha, Maria Padilha

Maria Padilha, a mulher de Lucifer

Pai João Gira 17 por você.

Essa foi a Festa da Gira. Todos os exu-mulher é Gira. Tem a Pombogira Maria Padilha, tem a Pombogira Cigana, tem a Pombogira das Águas. Dona Maria Padilha completou 36 anos na minha cabeça. Meu sobrinho veio de Roraima, porque no dia que ele nasceu au ainda não trabalhava com ela. Mais ou menos 3h da tarde ela me pegou no terreiro de casa. Me cortou todo, queria ver o menino, queria ver meu sobrinho que tinha nascido, filho da minha irmã que morava na minha casa. Aí levaram ela, a Dona Padilha no hospital pra ver o menino. E ela só saiu quando viu o menino. Isso faz 36 anos.

Pai João Gira 29 por você.

Pai João Gira 32 por você.

Dona Cigana debaixo de uma figueira

Ela sambava em cima de uma fogueira

Dona Cigana deu uma gargalhada

E chamou todos os Exus para sua encruzilhada

Pai João Gira 30 por você.

No Coroado eu tinha 45 médiuns. A Maria eu puxei da Cachoeirinha pro Coroado. Aí foi quando eu viajei pra Porto Velho, e as que podiam ter centro, eu fiz a banquinha. Quando eu abri aqui, eu queria trabalhar só, não queria saber de ‘média’ nem de ninguém. A Maria era que trazia as dela pra cá. Aí os meus clientes diziam: “Seu João, por que o senhor não bota umas média?” Aí foi quando eu comecei de novo. Tá com 6 meses, rapidinho já tenho 16 média. Além das média, tem aparecido muitas pessoas que me ajudam. Muitos clientes vem, eu faço uma caridade, e por meio dessa caridade a pessoa arranja mais outras pessoas, que acabam me ajudando muito.

Pai João Gira 31 por você.

Dona Cigana e Dona Maria Padilha.


Pai João Gira 33 por você.

Com a idade que eu tenho, os meus trabalhos direitinho, tanto tempo, pra mim me incorporar com o guia não precisa muita coisa não. Firmei o pensamento, ele já vem. E se for preciso o guia passa três dias na minha cabeça, mas porque eu já sou veterano. Pela lei, eu já sou babalorixá.Daqui, 31 de dezembro, eu ia trabalhar no Rio de Janeiro, só pra dar passe no pessoal. Fiz trabalho em São Paulo. O pessoal gostava de mim, me levava, doutor, trabalhei pra juiz que me levou pra trabalhar pra família. Hoje eu já tô mais cansado, já não quero mais andar por aí, quero mais é ficar no meu centro.


Dona Maria Padilha, já na cabeça de Marlene, e seu Zé Pelintra na cabeça de Socorro.

Dizem que pombogira é uma rosa

Que nasceu no meio dos espinhos

Pombogira é uma rosa, pombogira é um rosa

Que abre os teus caminhos

Pai João Gira 40 por você.

●●● TENDA DE SANTA BÁRBARA CABANA NEGO GERSON ●●●

PAI JOÃO DO SIBAMBA

Rua Maçarico, nº 119 — São José II (Manaus-AM)

Telefones: (92) 3249-7802 / 8152-5116

SEU ZÉ PELINTRA NO TERREIRO DE PAI CARLOS DE XANGÔ

Aê Palmeirão dos Índios

Aê Bouqueirão de Arara

Sou eu José Pilintra de Pernambuco

Boqueirão de Arara

Sou eu José Pilintra de Pernambuco

Palmeirão de Arara

Pai Carlos - Zé Pilintra 01 por você.

Que festa animada foi a festa de seu Zé Pelintra no terreiro de Pai Carlos de Xangô, ocorrida no Novo Israel II. O simples estava cheio de filhos de Pai Carlos, de convidados de outras casas e de pessoas que simpatizam com toda a beleza e alegria das religiões afro.

Pai Carlos - Zé Pilintra 02 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 03 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 04 por você.

E logo veio seu Exu Marabô trazendo um falo pendurado no pescoço, e trazendo para todos com ele uma mensagem de amor, fertilidade, prosperidade e sorte, como nos explicou a bela cambona Diane de Oxum (à direita na foto abaixo).

Pai Carlos - Zé Pilintra 07 por você.

Mara, Mara, Mara, é Marabô

Exu é pequenininho

Mas Exu é do amor

Exu é pequenininho

Mas é bom trabalhador

É Marabôôô…

Pai Carlos - Zé Pilintra 05 por você.

Eu quero que todo mundo fique acomodadinho. Façam de conta que você estão na casa de vocês. Que minha casa seja a casa de vocês, que casa de santo é a casa da prosperidade. É a casa da alegria. Que a casa bata na porta de vocês, que traga muita fartura, muito ouro. O dinheiro que não falte no bolso de vocês, nos cofres. Porque o meu está guardado, bem guardadinho. Então, sorte para todos que estão aqui! Sorte e Alegria! Que os inimigos de vocês não possam mais do que vocês! E a tristeza vai caminhar…

Pai Carlos - Zé Pilintra 06 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 40 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 08 por você.

Chegaram então as pombogiras com seus maravilhosos cantos, suas vigorosas danças e suas gargalhadas. Como diz a entidade que se chama Exu Maria Quitéria do Cruzeiro das Almas (ao centro na foto abaixo), entidade que acompanha Pai Luiz de Iansã há 24 anos: “Exu é alegria! Exu é prosperidade! Exu é abertura de caminhos!

Pai Carlos - Zé Pilintra 24 por você.

Cai chuva no meu terreiro

Cai chuva no meu quintal

No meio da encruzilhada

Maria Quitéria, uma gargalhada


Quando a palmeira pendia

Quando a palmeira pendia

Um olho d’água rolava

No meio da ventania

Eu perguntei a Lúcifer

Que iluminava esse dia

Abriu as portas do inferno

Saiu Maria Padilha


No meio da festa, um acontecimento inesperado: caiu um dos tambores. Dada a importância maior dos tambores dentro de um terreiro, acompanhamos didaticamente o que se seguiu. Imediatamente seu Marabô ordenou total silêncio no terreiro, pediu uma espada (pana) branca, uma taça com água e uma vela acesa para o ritual de levantar o tambor, e firmou um cântico enquanto levantava.

Pai Carlos - Zé Pilintra 11 por você.

Caminhou, caminhou

E a tristeza caminhou

Marabô veio girar

E a tristeza caminhou

Passou-se então à distribuição da apimentada, saborosíssima farofa de Exu. Todos fizeram fila para receber das mãos de seu Marabô a abençoada farofa e junto com ela as bênçãos dos santos.

Pai Carlos - Zé Pilintra 14 por você.

Farofê, farofá,

Farofa amarela que Exu vai dar

Farofê, farofá,

Farofa amarela que Exu vai dar

Pai Carlos - Zé Pilintra 16 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 15 por você.

Pai Carlos - Zé Pilintra 18 por você.

Antes de ir seu Marabô colocou o chapéu no meio do terreiro para quem quisesse colocasse uma moeda, algum dinheiro no chapéu e fizesse o seu pedido para o Exu do Amor.


No reinado de meu pai

O ouro é moeda falsa

Quem tem, tem-tem-tem

Quem não tem

É quem quer dá


Pai Carlos - Zé Pilintra 23 por você.

E eis que chegou o dono da festa. Uma das mais conhecidas e respeitadas entidades das religiões afro: trazido ao terreiro por Pai Lala, seu Zé Pelintra. Conversamos com o mestre da Jurema e deitamos abaixo essa conversa, entremeada com imagens e cantos da magnífica festa.

Pai Carlos - Zé Pilintra 26 por você.

São 35 anos que eu trabalho na cabeça do seu Carlos, e hoje é um dia de alegria pra mim porque eu sou um caboco velho da Jurema, venho como mestre da Jurema. Então digo para o povo que estude o espiritismo, porque o espiritismo é como uma escola: o yaô entra para iniciar o santo e segue… Se os pais souberem o que estão fazendo, a religião vai ser sempre uma coisa muito linda. Todas as religiões são muito bonitas, e a nossa é muito bonita se levada a sério. O santo é uma coisa maravilhosa.

Eu me criei em 1974 na cabeça dele, no primeiro barracão, na Praça 14, na casa de Pena de Arara, que era casa de Mãe Francisca. Nessa casa, completou agora no dia 29 de junho passado 23 anos de casa aberta, que foi comemorado pelo santo da casa, que é Badé, que no Candomblé é chamado de Xagô. Nós somos da Mina Jejo Nagô, nós somos mineiros aqui. Badé que reina nesse terreiro. A casa aqui é de Badé com Oxum. Hoje, a gente tem uma história, um projeto onde a gente pode falar assim: “É lindo o espiritismo!”


Eu tenho muitas vitórias na cabeça de seu Carlos, com pessoas que eu já trabalhei, pessoas aleijadas, pessoas doentes que às vezes até a medicina não consegue entender, porque eu sou um doutor. Então, coisas no passado, que a medicina não conseguia dizer, não conseguia fazer, e como eu sou um espírito, nós podemos fazer um milagre através de Deus. A pessoa quando chega com fé leva toda a esperança, leva toda a alegria, e toda a tristeza vai embora. Às vezes um doente chega dentro da casa da gente doente, e a gente faz uma reza simples, mas o poder de Deus é maior.

Pai Carlos - Zé Pilintra 29 por você.

Lá se vem do outro mundo

Com grande saber profundo

Ele vem do outro mundo

Lá vem Zé, lá vem Zé lá da Jurema

Lá vem Zé, lá vem Zé do Juremar…

E quem é Zé? Saravá, saravá…

E quem é Zé? Saravá, saravá…

Pai Carlos - Zé Pilintra 42 por você.

A gente faz todo tipo de ebó. No caso, o ebó pro amor, quando um homem tá sem uma mulher, uma mulher sem um homem, aí a gente ajuda. Amor é uma coisa que Deus deixou no mundo, não faz mal a ninguém. A gente procura unir as pessoas, e não desunir, porque o amor traz prosperidade, porque o amor. Aqui ninguém mata, ninguém esfola, nada desse tipo de coisa, a gente só faz trabalho pra trazer o amor, pra ajudar quando a pessoa está desempregada, tá doente. A religião não é muita das coisas que muita gente fala, muita gente discrimina. Mas me disseram que formaram uma lei que é correta, que ninguém pode falar mal assim da religião de ninguém, mas ainda existem pessoas que comentam o que não deve ser comentado.

Eu digo assim: “Acima de Deus não há, abaixo de Deus não tem, acima de Deus, dos astros, nós somos mensageiros do bem.” Eu sou conhecido mundialmente. Nos quatro cantos do mundo, em toda parte do mundo nós temos uma forma de trabalho, porque a humanidade, em toda a parte, precisa da gente. O povo até vai em outras igrejas, mas sempre ele tá junto com a gente, porque, na saúde ou na tristeza, o povo procura muito a gente, pois quando ele chega dentro da nossa religião ele consegue tudo que buscava, consegue vencer muito.


Ele se chama José Pelintra

Nego do chapéu derramado

Quem mexer com Zé Pelintra

Ou tá doido ou tá danado

Ou tá doido ou tá danado

Pai Carlos - Zé Pilintra 30 por você.

O povo tem que educar bem os sus filhos, para que ele saiba o tipo de religião que pratica. Muitas vezes o povo diz assim: “Não vai pra macumba, menino, que é coisa da parte do Diabo.” Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Se fosse, não teria tanta gente com a gente em nossa casa. O Diabo leva muita culpa, e ele está em cima das pessoas mesmo, não é a gente não. A gente não pode ser responsável pelo que as pessoas fazem. Às vezes a gente tá dentro do barracão, chega o cicrano, quer pagar, quer matar. A gente aconselha: “Não faça isso. Tenha amor no coração pelo próximo, você tem tanta coisa boa pra fazer nesse mundo.” Eu, Zé Pelintra, mestre da Jurema, gosto de trabalhar para as pessoas que necessitam do meu trabalho. Bateu na porta da nossa casa, eu só não posso é tirar da morte, porque da morte só Deus. Mas tudo nesse mundo eu já fiz, já levantei aleijado, já tirei gente do hospício, do hospital desenganado dos médicos, não somente em cima da cabeça desse bablaô, mas em cima das cabeças de muitos médiuns bons por aí.

Eu ainda chamo o seu Carlos de “meu menino”. Ele já vai fazer 50 anos, eu comecei a trabalhar na cabeça dele ele tava com 13 anos de idade. Ele sempre foi uma pessoa muito correta e gosta das coisas certas. Tudo que ele faz ele pede a mim, ou então eu faço na cabeça dele. Ele é muito dedicado ao santo. Os pais e as mães que bem souber, eduque seus filhos no caminho certo.

Pai Carlos - Zé Pilintra 31 por você.

Seu Zé passou então para a linha de malandro, e pela alta madrugada a festa continuou no pique do tambor e do repique.

Pai Carlos - Zé Pilintra 32 por você.

Caboco bom, caboco bom

Caboco bom é o que sabe trabalhar

Caboco bom é o que sobe no coqueiro

Tira o coco, bebe a água

E deixa o coco no lugar

Segura o coco, Margarida

Não deixa o coco cair


E assim nesse ritmo o sol raiou e a festa continuou, agora já numa roda de pagode, que começou com Adoniran Barbosa e passou por vários mestres do samba brasileiro. Enquanto a cerveja não parava de cair, o ogan Irã segurava na batida, e os convidados e até entidades presentes caíram no samba no pé até não mais parar…

Pai Carlos - Zé Pilintra 35 por você.


Na Baixa do Sapateiro

Formou-se uma confusão

Era o malandro Zé Pelintra

Sambando de pé no chão

Pai Carlos - Zé Pilintra 36 por você.

●●● PAI CARLOS DE XANGÔ ●●●

Rua Fábio Lucena, nº 55 — Novo Israel II (Manaus-AM)

Telefones: (92) 3636-5770 / 9161-8342 / 8119-4415

OBRIGAÇÕES NO CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJE NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Dinho e Flor 01 por você.
Da esquerda para a direita: Pai Lairton da Oxum, Mãe Emília de Toy Lissá, Pai Dinho (Júlio César) de Azaá Ká, Floriza de Navé, Pai Brasil de Lissá, Simone (esposa de Pai Brasil), Pai Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Badé.

Essa foi uma grande e maravilhosa festa no terreiro de Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá, ocorrida nos dias 31 de julho e 01 e 02 de agosto passados, nos quais se comemorava o aniversário do Centro dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá e sendo também realizadas as obrigações de dois filhos da casa, Pai Dinho (Júlio César) de Azaá Ká e Floriza de Navé.

Dinho e Flor 04 por você.
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Dinho e Flor 06 por você.
Pedro Nunes e família, presidente da Federação Amazonense de Pugilismo.

Dinho e Flor 05 por você.

Dinho e Flor 07 por você.

E quem nos fala sobre os preparativos anteriores e os significados desses três dias de festa é sua maior responsável, Mãe Emília de Toy Lissá:

Faz 26 anos que eu vim da Praça 14 pra cá, 26 anos que esse terreiro foi inaugurado aqui. E teve também a obrigação de dois filhos, meu filho carnal, o Dinho (Júlio César) de Azaá Ká, que estava atrasada, e a Floriza, que está se preparando pra noviça, está iniciando, dando as primeiras obrigações. Mesmo ela sendo noviça, ela já tinha várias atividades, já era oborizada. E dentro da Fucabeam ela é meu braço direito, é como uma guia da casa. O Dinho é meu filho carnal, e é a segunda pessoa dentro desse terreiro. Ele está pagando a obrigação dele de anos e anos que estava atrasada. A primeira obrigação ele deu em São Luís do maranhão, com Jorge Itaci de Oliveira. Ano que vem ele dá outra obrigação, aí terminam os graus dele.

Dinho e Flor 11 por você.

Dinho e Flor 10 por você.


Dinho e Flor 08 por você.

Antes dos três dias de festa pública houve sete dias de preparação interna, só com os da casa. São as oferendas, são as obrigações que se faz. Durante estes sete dias, é só pra fazer isso dentro de casa. Tem que fazer antes de começar as festas maiores. Depois se toca três dias. No primeiro dia toca-se pra Lissá, que é Oxalá; no segundo dia é pros voduns; no terceiro dia, pros encantados. Quando vem pais de santo de outras nações, nesse último dia é liberado pra eles cantarem pras nações deles.

Dinho e Flor 19 por você.Dinho e Flor 15 por você.

Dinho e Flor 18 por você.

Dinho e Flor 20 por você.

Veio muita gente, irmãos de santo do Maranhão, de Belém, sobrinhos, vieram participar da festa. Pai Brasil, que é de Lissá também, filho também de Dom Jorge, como eu. Pretendo ir no Pará conhecer a casa dele. Pai Miguel, irmão de santo, que conheço há muitos anos. Ele vem toda festa de aniversário do terreiro, desde que inauguramos, ele sempre vem, sempre ele está presente.


Dinho e Flor 23 por você.


Pai Brasil de Lissá, da casa Mawukwê (“O Sopro da Vida”), de Belém-PA, irmão de Mina de Mãe Emília também estava presente e nos falou do que viu e sentiu no terreiro de sua irmã:

A Mãe Emília é do vodun Lissá, da família de Kevê Ossô, e, por coincidência, eu também sou untó e vodunon desse mesmo vodun. Então, a energia já soma duas vezes, não só por ela ser uma irmã minha, de descendência de uma mesma casa, que é a Casa da Fé em Deus, de São Luís, no Maranhão, como do próprio vodun que a gente carrega, que é o mesmo vodun. Logicamente que existem em cada região algumas diferenciações no toque, nas cantorias, devido ao próprio linguajar e tudo. Mas a essência, o contexto de uma maneira geral, na forma ritualística que aconteceu o toque para o vodun é o que acontece no meu axé, é o que acontece no axé do meu pai de santo, e aqui eu também tive a alegria e o prazer de ver um Tambor de Mina, ver um orixá, que foi a Oxum, ver o vodun Azaá Ká, ter o meu irmão comigo, Pai Miguel, que veio de São Luís pra comandar esse tambor.


Dinho e Flor 22 por você.

Dinho e Flor 38 por você.
Mestre Cristiano, da capoeira Legião Brasileira.

Enfim, eu acho que isso que o Tambor de Mina está precisando, é isso que a afro-religiosidade está precisando, é de unir. Se não existir união, os evangélicos cada vez mais vão se fortificando, cada vez mais vão se unindo, e nós afro-religiosos brigando até por um poder – acredito que cada um tem o seu axé, cada um tem sua força -, então, em cima dessas coisas, em cima dessa fala é que eu acredito que há necessidade de unir. Tendo união, vai ter paz, e, tendo paz, com certeza o Tambor de Mina, não só no Maranhão, como também no Pará, como também no Amazonas, só vai evoluir cada vez mais. Mãe Emília está de parabéns por tudo aquilo que eu vi, e hoje ainda é a primeira noite, vão haver mais duas noites, eu tenho certeza que vai ser tudo como manda o figurino do Tambor de Mina.

Dinho e Flor 32 por você.

Dinho e Flor 33 por você.

Dinho e Flor 34 por você.


Dinho e Flor 37 por você.

Pai Dinho, que é filho carnal de Mãe Emília, e que, segundo ela, é a segunda pessoa dentro do terreiro, demonstra na conversa que nos concedeu uma vida de envolvimento com as religiões afro:

Dentro de qualquer nação, cada obrigação tem um propósito, cada obrigação tem um grau, ou seja, aumenta o conhecimento da gente. Então, na minha nação, Mina Jejo Nagô, aumentam os meus conhecimentos, confirma os meus voduns, os meus orixás, porque eu paguei a minha última obrigação, de deitar, foi em 1989, em São Luís do Maranhão, com Dom Jorge. Como eu não tinha mais feito nenhuma obrigação, agora essa obrigação é pra confirmar tudo o que eu já fiz, ou seja, pra me atualizar. Daqui a um ano eu vou fazer uma outra obrigação, que é mais um outro grau que eu vou receber dentro da nação Mina.

Dinho e Flor 39 por você.



Devido à experiência que eu tenho, devido ao tempo que eu tenho de nação, é necessário eu fazer essa obrigação pra serem confirmados os meus orixás, serem confirmados os meus voduns, pros meus voduns poderem trabalhar e aumentar meus conhecimentos. A única coisa que a gente leva é o nosso conhecimento e a nossa experiência, isso nunca vai se acabar. É uma obrigação muito valorizada pra mim, principalmente porque eu sou a raiz da casa da Mãe Emília, que é minha genitora, e eu sou o herdeiro nato desse terreiro de Toy Lissá/Agbê Manjá. Então, isso tudo faz parte do tempo da Mina, do tempo da minha Mãe de Santo.

Dinho e Flor 46 por você.


Dinho e Flor 47 por você.

Então veio um dos momentos mais bonitos da festa, o momento que Azaá Ká liberta os pássaros que estavam presos. Pai Dinho fala sobre o significado desse ritual:

A cerimônia dos pássaros simboliza o quê? Prosperidade. Do meu vodun, Azaá Ká, qual é a palavra principal? “Não prenda os animais! Deixem soltos para que eu possa caçar.” É até uma mensagem ecológica, em um ritual que simboliza prosperidade. E a gente pede para as pessoas que pegam no terreiro pra não prender, para soltar.

Dinho e Flor 51 por você.


Dinho e Flor 54 por você.

Também Mãe Emília nos falou desse belíssimo ritual:

Essa foi uma saudação de liberdade de soltar os pássaros, por Azaá Ká. Os pássaros estavam presos, e ele veio e soltou todos. É como se fosse um abrimento de caminhos, uma luz que libertou as vidas daqueles pássaros. Isso faz parte de Oxóssi, de Azaá Ká. Significa o quê? Que eles não matam, só matam por necessidade, o que tem que comer. Mas os pássaros devem continuar soltos. Se estão presos, eles libertam, eles não gostam de ver bichos presos. Fizemos simbolicamente o ritual das matas.

Dinho e Flor 55 por você.

Dinho e Flor 57 por você.

Dinho e Flor 60 por você.

Dinho e Flor 62 por você.

E já ia pelo segundo dia de festa, então colocamos aqui a continuação da conversa com Pai Dinho sobre seu vodun, Azaá Ká:

Essa obrigação não deixa de ser um casamento confirmado. Toy Azaá Ká já era fundamental pra mim, e passa a ser mais fundamental ainda. Toy Azaá Ká pra mim hoje é tudo. É uma lição de vida, é uma lição de comportamento, é uma transmissão de poder pra eu poder ajudar muita gente, poder transmitir a calma, poder ajudar as pessoas a resolver alguns problemas através da mão dele. Ele é um vodun da linha de Oxóssi, que é um caçador, e eu espero prosperar muito com ele, que é um vodun das matas, e por isso veste o verde – suas cores são verde, vermelho e branco.

Dinho e Flor 72 por você.

Dinho e Flor 64 por você.



Dinho e Flor 66 por você.

E também Floriza de Navé, conhecida no terreiro de Mãe Emília simplesmente como Flor, também nos falou de sua obrigação, de sua vodun, Navé:

Eu tenho quatro anos na casa, mas a obrigação de vodun é a primeira. Eu passo a receber um vodun, no caso, Nochê Navezuarina, que no Candomblé chamam Oxum. Hoje é como se fosse o meu batismo, é a confirmação, é um renascimento. A gente cresce dentro da religião, tendo um costume de tudo, é todo um aprendizado que a gente recebe aqui dentro, mediunicamente, espiritualmente. Eu já recebo, com isso, um grau dentro da casa, e assim vou poder participar de rituais que eu não podia. Na minha família, a religião vem de berço, veio de minha avó, de minha mãe, meus filhos, tá no sangue. Navê pra mim é tudo, ela é dona das riquezas, é uma grande mãe. Ela é superprotetora, ela é graciosa. Com a presença dela eu passei a ver de outras formas as coisas.

Dinho e Flor 74 por você.


Dinho e Flor 78 por você.

Dinho e Flor 77 por você.

Tanto Mãe Emília quanto Pai Dinho e Floriza teceram elogios ao papel fundamental de Jéssica de Iemanjá (ao centro na foto abaixo), como guia da casa, em conduzir as obrigações com o empenho e a dedicação exigidos, como salienta Mãe Emília:

A Jéssica é uma guia da casa, cumpre o seu dever, respeita a religião. E tem aquele amor, aquela dedicação, filha de Iemanjá, como ela é.

Dinho e Flor 112 por você.

Dinho e Flor 79 por você.


Dinho e Flor 80 por você.

Pai Dinho, em mais uma fala sua, deixa uma mensagem para todos que cultuam os cultos afro, seus irmãos e a todos que simpatizam com essas fundamentais religiões, que fazem parte da história de nosso povo:

Uma coisa que eu digo pra todos que frequentam nosso culto, que todas as nações se possam dar as mãos, procurar ser diferente, porque é uma coisa que falta ainda, a gente ainda é carente disso, a gente ainda é carente de vestir a camisa, de dizer eu faço parte dos cultos afro, sem vergonha e sem demagogia, com peito aberto, de cabeça erguida. Temos que estudar bem nossos orixás, nossos voduns, se aprofundar, levantar essa bandeira, não só de cultuar, mas mostrar pra sociedade, fazer um trabalho social também.

Dinho e Flor 82 por você.

Dinho e Flor 83 por você.

Dinho e Flor 89 por você.


Dinho e Flor 90 por você.

Dinho e Flor 91 por você.

Dinho e Flor 92 por você.

E Mãe Emília, com sua serenidade e sua sabedoria, deixou mais uma vez seus votos de amizade, esperança, todos os bons afetos, bons fluidos para todos os adeptos e gostam da proximidade com as religiões afro:

Que esses 26 anos sejam de muito axé, de muitas forças de Toy e Lissá, de Agbê Manjá, de luz para todos aqueles que participam do culto. Daqueles que vem em busca de uma paz, que eles sempre batam nessa casa. Que Lissá, que é o próprio Deus, nos dê força, luz, muito axé pra eu continuar por muitos e muitos anos junto com meus irmãos, com os visitantes, é o que eu desejo a todos, paz, amor, esperança.

Dinho e Flor 100 por você.

Dinho e Flor 93 por você.

Dinho e Flor 94 por você.

Dinho e Flor 97 por você.

Dinho e Flor 102 por você.


E deixamos aqui mais algumas imagens dessa imensa e magnífica festa, com suas cores, seus sons, suas comidas singulares, contagiantes aos olhos e ao espírito…

Dinho e Flor 104 por você.

Dinho e Flor 106 por você.

Pai Edson de Codoense e seu Zé Raimundo (Pai Válter).

Seu Baianinho (Pai Miguel) e Pai Tota.

Pai Tota incorporado e Pai Lala.

Dinho e Flor 115 por você.

Dona Chica Baiana (à esquerda).

Dinho e Flor 120 por você.

Dinho e Flor 84 por você.

Dinho e Flor 86 por você.
Dinho e Flor 87 por você.

CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJO NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

– Mãe Emília de Toy Lissá –

Rua Pintassilgo, nº 100 — Cidade Nova II – Núcleo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9995-3894

FESTA DE CABOCO NO CENTRO DE UMBANDA OGUM ROMPE-MATO

O que caboco lá na mata serenou (bis)

Já mandei içar bandeira pra caboco baiador (bis)

Mãe Regina 01 por você.

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Para quem gosta de ver Umbanda boa, velha Umbanda de pé no chão, em casa simples, mas cheia de devoção, espiritualidade e muito axé, terá de ir um dia numa festa lá na grande Compensa, no terreiro de Mãe Regina, Centro de Umbanda Ogum Rompe-Mato.

Mãe Regina 03 por você.


Mãe Regina 02 por você.

Tem hora pra começar, não tem hora pra acabar”, foram umas das primeiras palavras que Seu Sibamba falou logo que chegou na festa, ocorrida no sábado passado, onde se comemorava seus 27 anos na cabeça de Marco Antônio, filho de santo de Mãe Regina, e 18 anos de Caboco Roxo na cabeça da mãe de santo, além do aniversário de 30 anos da médium Sônia.

Mãe Regina 06 por você.


Eu quero ver quem vem

Eu quero ver quem é

Eu quero ver caboco bom

É no balanço da maré

Mãe Regina 10 por você.

Mãe Regina 13 por você.

Entre um ponto e uma pitada de fumo, conversamos com o sempre festeiro, alegre, um dos maiores catimbozeiros da Umbanda: Seu Sibamba. Conversa essa que deitamos aqui acompanhadas de imagens de diversos outras entidades que viam saldar o terreiro e todos os presentes:

Mãe Regina 09 por você.

Sou Caboco Sibamba da Vera Cruz Trindade. Sou um cearense de 76 anos. O negoceiro aqui não é pra matar ninguém, é pra salvar as pessoas, com a força de nosso senhor Jesus Cristo, com a força de Deus e meu padim Pade Ciço. Trabalho com meu filho há 27 anos. Pela primeira vez, que meu filho vai fazer 41 anos, que ele sentiu força, sentiu confiança, e eu pedi pra ele fazer essa obrigação pra mim, essa festa que tá acontecendo hoje. 27 anos na coroa de meu filho, trabucando, fazendo caridade a quem precisa sem precisar de um vintém, sem precisar de um pataco formoso, porque tudo que tá acontecendo cá é as pessoas que tão dando. Essa festa não é pra mim, é do povo, é pro povo.


Mãe Regina 14 por você.

A pessoa vem atrás de uma palavra, saber uma palavra, vem também atrás de cura, e quando a pessoa chega dentro dessa casa, todo ser humano tem seu livre arbítrio pra pensar o que pensa, mas a partir do momento que você fala o nome de nosso senhor Jesus Cristo, Ele tá lá. Essa Umbanda que você tá vendo aqui é Umbanda velha, de caboco, numa casa pequenininha, de coração aberto. Todas as pessoas que entram nessa casa vem com seus próprios pés, vindo em busca de uma felicidade, em busca de pelo menos uma palavra, ou que sim ou que não, e sai daqui com a sua alegria, com as suas coisas realizadas.

Mãe Regina 22 por você.

O meu navio tá no porto

A lua no céu clareou

Meu marujo de guerra

Sibamba bebo chegou


Muitas vezes chega alguém dentro do terreiro e diz: “Quero que o senhor me fale.” Não. Eu preciso conhecer tua essência, eu preciso saber o que você tá vivendo pela primeira vez. Eu prefiro te conhecer, pra não te falar mentira, pra não te dizer coisa que você não quer saber. Nós somos apenas um instrumento, e isso já vem de muito tempo. Já veio dos escravos que vieram lá da África pra cá, e que foram colocados nesse Brasil velho, onde já existiam os índios cultuando a nossa origem, existiam os pajés, só que ninguém sabia da cultura. O povo acredita naquilo que vê. A língua é o chicote do mundo: às vezes fala a verdade e às vezes fala a mentira. A vida é como a palma da mão, não tem um dedo certo. O maior é o que a gente dá cotoco pros outros. Você começa aqui, nasce nu, aprende a se vestir, você chega aqui, e aqui é o dedo maior, você faz de tudo pra não cair dele, porque se você cair você vai começar tudo de novo. Se você sente vontade de fazer uma coisa, vá lá e faça. Se você errou, mas você foi lá e fez. Se você acertou, você foi lá e fez. Você não ficou naquele “porém”: será se eu faço? Será se eu deixo de fazer?



Aqui acontece coisas que muito não vê. Você chega aqui flagelado e sai daqui, com a força de Deus Pai, bom. Mas nem toda vez é assim. Porque aqui também acontece aquilo que às vezes acontece no mundo dos homens de branco, as pesoas só procuram quando já tá no final do seu negoceiro. A fé cura. Aí as pessoas dizem: “a Macumba”. Macumba é um instrumento de couro que existe na Bahia. Isso aqui é uma nação, assim como Ketu, Jejo, Candomblé. A Umbanda é velha, é muito antiga. Caboco continua aqui trabalhando. Se quiser acreditar, acredite; se não quiser, eu não vou dizer pra acreditar. Mas aqui é bom. Cada qual procura seu cada qual, procura sua melhora, pra ouvir, pra aprender o caminho, porque Deus não escreve certo por linhas tortas não. Deus escreve certo por linhas retas. O ser humano é que entorta a conversa. A língua tem o poder de derrubar um homem de dois metros e meio. E o ouvido ouve o que quer.

Mãe Regina 26 por você.

Zé Pelintra, Zé Pelintra

Boêmio das madrugadas

Vem na linha das almas

E também das encruzilhadas


Isso aqui não é meu, é de Ogum Rompe-Mato, mas eu tenho terreiro em Belém, Salvador, Recife, Fortaleza, já fiz muita coisa nesse mundo pra quem já foi desenganado dos médicos, mas dentro dessa casa aqui eu fiz um negoceiro pr’um filho meu que já tinha andado em muito terreiro, já tinha ido pras igrejas, e ninguém tinha dado a cura do moço. São oito anos de pertubação, de disse-me-disse. Com três meses eu botei ele bonzinho.

Mãe Regina 27 por você.


Mãe Regina 28 por você.

Mãe Regina 32 por você.

Conversamos ainda com o vigoroso Caboco Roxo na cabeça de Mãe Regina, que não só fez os agradecimentos e saudações, como também colocou sua firmeza e posição sobre as principais questões das religiões afro, como preconceitos e difamações. Uma conversa que entra em proximidade justamente sobre o principal motivo do trabalho deste bloguinho com as religiões de matrizes africanas. Também esta conversa deitamos aqui, entremeadas com imagens da continuação da festa:

Mãe Regina 33 por você.

Se as pessoas tivessem consciência, não faziam o que fazem, porque é daqui dos cabocos, do espiritismo que os outros crescem em religião, porque o povo evangélico faz o mesmo que nós faz aqui dentro. Aonde que Jesus Cristo diz que pra você ter um pedaço no céu você tem que pagar? Ele veio na terra pra dizer isso pra você? A palavra do pecador, do homem da terra, é que diz isso. Você cai se você quiser. O que ele quer é bandeira [dinheiro]. Mas Jesus veio e lutou pra fazer o mundo dEle. Quando Ele chegou no templo e viu que tinha mais era bandeira, ele passou a destruir tudo aquilo. Eu quero dizer que aqui nessa casa humilde quando a gente vem nessa casa a gente não vem por acaso, a gente vem pra trabalhar. A gente vem pra ajudar o ser humano dessa vida. Se ser pra nós, a moça bonita diz que é pra nós; se não ser pra nós ela manda ir pros moços da farda branca [médicos].

Mãe Regina 34 por você.

Mãe Regina 30 por você.
Dona Jô, Seu Flexeiro, Seu Zé Pelintra, Josiane

Chama papai, mamãe, para me ajudar

A lua nasceu, ela foi feita pra clarear

É o Caboco Roxo, mamãe, que vem saravá


Mãe Regina 37 por você.

Aqui nas águas doce nós não federação que luta por nós, como tem nas águas salgadas. Belém, Bahia, Rio de Janeiro. Lá tem quem luta por nós. Aqui nas águas doce, o povo não respeita nós. Aonde a gente vai arriar uma obrigação, o povo chega lá e chuta. Pra dar oferenda, pra dar ao nosso povo aquilo que eles precisa, a gente vai arriar na beira da praia, se bota um bebericador, ele vai lá e toma, ele vai lá e mexe. Mas ele não sabe depois a volta do que der. Vem depois a volta, vem depois a cobrança. Eu acho assim no mundo do pecador, respeite a religião de cada um. Não queira ser mais do que ninguém se Deus é só um. Não adianta você pedir uma coisa e seu pensamento ser outro.



Mãe Regina 43 por você.

Ó, Senhor, abençoa essa filha que eu tô nela! Dona Regina, que é a zeladora de santo aqui dessa casa, filha de Ogum Rompe-Mato. Eu estou esperando uma oportunidade pra eu falar o que eu tenho engasgado dentro de mim pra defender a minha religião. Porque aqui não existem federações. Federações são pra lutar, pra defender a sua religião. Eu quero falar, porque os evangélicos da Universal já vieram aqui dentro da nossa casa pra querer levar minha filha pra lá, e tudo que eles fazem lá dentro é o mesmo que a gente pratica aqui. É o sal bento, é a rosa, é tudo. Se é o mesmo, por que eles falam mal da gente? Por que eles discriminam? Quem crê em Deus crê em Deus. Por que a primeira palavra que eles diz é o Diabo? Não, o erro quem faz é o ser humano na terra. O Diabo já tá tão escabriado, poque dizem de tudo ruim que é ele o culpado; mas o culpado é o ser humano. É ele que pratica o erro e depois diz que é o Diabo. A minha filha quer falar essas coisas, porque ela só é pequenininha, mas ela tem axé. Ela tá com 36 anos nesse cavoucador dela, mas ninguém nunca venceu ela. E eu tô aqui com ela. Eu me chamo caboco Roxo e eu não vim em vão. Eu vim aqui fazer o bonito junto com meu irmão, nosso boniteiro formoso.


Mãe Regina 44 por você.

Senhor, meu pai, orixalá

Senhor, meu pai, orixalô

Vamos festejar nosso reinado

Que é feito de paz e amor

Mãe Regina 46 por você.


Mãe Regina 51 por você.

E como Seu Sibamba falara, a madrugou chegou e se foi e a festa não parava, porque os pontos continuavam rezados com devoção, o toque no tambor cada vez mais contagiante e dança tomava conta da área de fora do terreiro, irradiando axé para toda a grande Compensa…

Mãe Regina 49 por você.


Se o tambor tocar eu danço

Até o amanhecer

Olha, quase que eu não vinha

Até o dia amanhecer

Mãe Regina 48 por você.

●●● MÃE REGINA DE SEU ROMPE-MATO ●●●

Rua São Pedro, nº 151 — Compensa II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3625-7897

CONVITE MINA JEJE NAGÔ

O Centro dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá,

na pessoa de Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá,

Convida

Toy Lissá

O Ilê Asé e adeptos para mais uma Comemoração de ano

dos Tambores de Mina Jeje Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá

e também para a saída da obrigação de

Azaá KáNavé

.

Julio César de Azaá Ká

e

Floriza de Navé

.

.

.Nos dias: 31 de julho e 01 e 02 de agosto.

Com início às 20h (31 e 01),

No domingo, dia 02, às 17h.

Agbê Manjá

Os Negros Mina, tão valentes e tão fortes,

onde não alcançaram com os braços,

alcançarão com sua Fé e tradição.”

Atenciosamente,

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá

Endereço: Rua Pintassilgo, nº 100 Cidade Nova II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9995-3894

OBRIGAÇÃO E SAÍDA DE OGANS NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Wagner-Junior 01 por você.
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No sábado (11) e segunda-feira (13) tivemos uma obrigação de três anos, do garoto Wagner de Oxóssi, e uma saída, de Junior de Oxaguiã, no terreiro de Mãe Valkíria.

WAGNER DE OXÓSSI, ALAGBÊ DE IANSÃ

Wagner-Junior 02 por você.

Conversamos com o alegre garoto Wagner, que nos falou que desde os seis anos participa dos cultos afro no terreiro de Mãe Valkíria, que é sua avó carnal, e que aos sete anos fez sua saída como Alagbê de Iansã. Aqui ele, junto a Iansã, sendo conduzido por Pai Gilmar de Yemonjá, faz sua obrigação de três anos.



Mãe Valkíria acrescenta algumas histórias a respeito da trajetória do pequeno Wagner no Candomblé em seu terreiro:

Wagner-Junior 05 por você.

O Wagner é alagbê de Iansã. Ele é meu neto. Foi feito pelo Pai Gilmar de Iemanjá, confirmou ele pra minha Iansã. Ele é de Oxóssi. Então Oxóssi confirmou ele pra entregar pra minha Iansã. Sábado ele pagou obrigação de três anos. Apesar de ele ter dez anos de idade, ele já faz a obrigação de três anos, porque ele foi feito bem novo, com sete anos. Graças a Deus, hoje ele é uma pessoa sadia, é uma criança meiga, uma criança boa. Em vista do que ele era nós podemos dizer que tivemos um grande sucesso com o Wagner, que só no fato de que ele vivia doente, Oxóssi acolher ele e hoje ele não ter mais os problemas que ele tinha já é uma vitória.


Ele é filho do meu filho Nato, também de Oxóssi, também ogan confirmado. No dia que o pai dele tava fazendo sete anos de santo ele foi confirmado. Hoje ele tem três anos de santo, quando o pai dele fizer quatorze anos de santo ele faz sete. Vão dar obrigação juntos mais uma vez. Dentro da minha casa Oxóssi é tudo, por isso pra mim é uma satisfação.

Wagner-Junior 11 por você.

Wagner-Junior 10 por você.

Wagner com Brasinha, erê de Iansã.

JUNIOR DE OXAGUIÃ, AXOGUM DE IEMANJÁ

Na continuação na segunda-feira (13), houve a saída de mais um ogan da casa de Mãe Valkíria, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá, um rapaz ativo e envolvido em diversas atividades religiosas e comunitárias.

Wagner-Junior 21 por você.

Conversamos com Junior, que além de candomblecista, cultua outras religiões e outras práticas, faz parte de uma banda heavy metal, publica com outro parceiro um zine na zona Leste de Manaus e já tem publicada uma novela literária. Deixamos aqui esta conversa, entremeada com imagens de sua saídaWagner-Junior 18 por você.

Faz cinco anos que eu convivo com a religião, e faz alguns meses que eu aderi como minha religião. Mais uma religião que eu participo, não propriamente religiões, mas práticas. Eu ainda tenho ligação com o hinduísmo. Eu resolvi adentrar ao Candomblé pela paixão que eu comecei a sentir pelos orixás e a grandeza que é tudo isso. Então eu quis participar não só de fora, mas dentro da religião.

Wagner-Junior 12 por você.


Wagner-Junior 19 por você.

Afora isso, eu tenho um zine também que trabalha com heavy metal, no meio underground. Foi desse meio justamente que me veio a curiosidade de conhecer o Candomblé. Foi ao contrário do que geralmente o pessoal vê de fora, com preconceitos. Eu comecei a ver de outro lado. E eu vou continuar com a Umbanda, todas as minhas práticas, eu participo também de alguns rituais, como o Calendário da Paz, que é do Tizoco Maia. Uma coisa não impede a outra, o Candomblé é uma religião pagã, sem preconceitos.

Wagner-Junior 13 por você.

Wagner-Junior 16 por você.

Wagner-Junior 20 por você.

Vou procurar me desenvolver, porque eu gosto muito de ser radical, no sentido de na raiz das coisas, e misturar o que eu consigo, indo buscar os panteões de antigas religiões, um pouco de cada, procurando sempre ascender. Eu procuro conhecer um pouco e ver se tem alguma coisa a ver comigo. Eu conheço um pouco de Umbanda, e conheço um pouco de Candomblé, e pretendo conhecer mais ainda agora que eu confirmei a entrada na religião.

Wagner-Junior 22 por você.


Wagner-Junior 17 por você.

Mãe Valkíria falou-nos também de suas espectativas quanto à saída desse novo babá de corte de sua casa, Junior de Oxaguiã, axogum de Iemanjá:

Pra mim é uma satisfação eu ter o Junior como meu ogan, de minha Iemanjá. É uma honra ter mais um ogan na minha casa. Cada filho de santo que a gente tira na casa da gente é uma satisfação. O Junior, em especial, é uma pessoa muito cativa à religião, é uma pessoa muito sábia. Eu espero que ele leve à frente, com cada vez mais gosto. Esta é uma obrigação que ele fez com muito sacrifício, que todo mundo que passa pelo roncó sabe que é muito sacrificante. E ele venceu, e por isso eu espero que, por ele ser uma pessoa muito dedicada e sendo uma pessoa meiga, como ele é, uma pessoa boa, ele entenda que a lei do santo é essa. Às vezes a gente sofre um pouco, mas depois a gente vence e é recompensado. Tudo que a gente faz pros orixás, a gente tem recompensa. Orixá não é riqueza; “eu vou fazer um santo hoje, amanhã tô rico”. Ele dá luz, dá proteção, prosperidade, abre os caminhos da gente, e a gente trabalha e vai pra frente. Só desejo pra ele muita saúde, muita paz, prosperidade, caminhos abertos pra ele e pra todos que estiverem na minha casa.

Wagner-Junior 26 por você.


Wagner-Junior 29 por você.

Wagner-Junior 30 por você.

●●● MÃE VALKÍRIA DE IANSÃ ●●●

Rua Coiama, nº 20 — João Paulo II (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9117-3545

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN: 14 ANOS NA POTÊNCIA DO CANDOMBLÉ

14 Anos de Pai Geovano 01 por você.
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Essa festa, ocorrida no sábado trasado, foi a festa dos 14 anos de santo do babalorixá Pai Geovano de Ajagunnon, nesta casa que foi onde iniciamos estes trabalhos com as religiões afro, e mais uma vez esse respeitado pai de santo fala a este bloguinho com toda a singela e sabedoria que o acompanha sempre, numa entrevista longa que distribuímos com imagens do santificado ritual:

Essa festa foi uma das minhas obrigações, que no axé de Ketu nós temos primeiro a feitura, a iniciação, depois disso temos obrigações de 1, de 3, obrigação de 7, que quando recebe-se o ibaxé, que é chamado de decá, que quando nos tornamos pais ou mães de santo, zeladores de orixás. Depois disso as obrigações só serão repetidas de sete em sete anos, geralmente em uma festa só. Depende tanto da questão financeira quanto do tempo. Hoje em dia não dá mais pra se fazer um mês de festa, porque todo mundo trabalha, todo mundo tem seus afazeres. O Candomblé não é feito de pessoas desocupadas. São pessoas que trabalham, que estudam, que fazem faculdade, fazem cursinhos, pra um dia vencer na vida também, é um direito deles e que os orixás apoiam e ajudam, pois só assim eles irão progredir em suas vidas.

14 Anos de Pai Geovano 05 por você.


14 Anos de Pai Geovano 04 por você.

Essa festa foi de 14 anos. Já estava atrasada, eu já estou com 17 anos de santo, raspado, porque eu já havia passado mais de 4 anos de abiã, antes de iniciar, mas isso não conta. Já estava atrasada, uma porque é uma obrigação muito grande, tem de ser tudo muito certinho, tem de dar de comer aos santos todos, fazer todos os fundamentos da casa, a cumeeira, o entoto, os exus, os santos. A gente se prepara anos pra fazer uma obrigação destas. Graças a Deus foi uma obrigação muito bonita, não faltou nada. Com muita gente bonita, muita gente do axé, muita gente que veio prestigiar, me senti muito honrado. Agora vem a de 21, até lá da para a gente se preparar.

14 Anos de Pai Geovano 08 por você.


14 Anos de Pai Geovano 06 por você.

14 Anos de Pai Geovano 07 por você.

Eu vejo a minha trajetória como muito boa, porque com 14 anos de santo, eu já estou na terceira casa, uma casa mesmo e este é meu segundo barracão. Para quem conhece minha trajetória, pode dizer muito bem que da minha feitura de santo pra cá a minha vida foi simplesmente progresso visível ao olho de qualquer um. Pra mim é muito satisfatório, é muito reconfortável saber que meus santos me apoiam, meus santos me dão luz, meus santos me dão caminhos, me dão retorno de tudo que eu faço.

14 Anos de Pai Geovano 10 por você.

14 Anos de Pai Geovano 11 por você.

14 Anos de Pai Geovano 12 por você.

14 Anos de Pai Geovano 21 por você.

A COMPANHIA DE PAI RIBAMAR DE XANGÔ

O que me deu aquele tchan pra eu entrar mesmo na religião, saber que aquela era realmente a minha religião foi o simples fato da presença do orixá, principalmente no Seringal, onde é o axé do meu pai. Na primeira vez que eu fui lá, a primeira vez que eu entrei num terreiro de Candomblé, estava saindo um Oxalufã, de um irmão de santo meu, aquilo me tocou muito. Eu senti a presença do santo, eu senti a presença do orixá ali naquele instante. Então isso foi um incentivo muito grande. E foi a maior satisfação conhecer meu pai, que hoje em dia ele não é só meu pai, é um irmão, é uma pessoa que eu tenho muita consideração, a gente tem até nossas desavenças, que todo mundo tem, como em toda família tem, mas jamais eu lhe faltei com o respeito, nunca ocorreu algo que me impedisse de acrescentar deposi que ele é um grande amigo, em todos os sentidos. Se não fosse por ele, a minha obrigação não tinha saído, porque hoje em dia o comércio da religião é muito grande. Você tem que ter um amigo, uma pessoa que já vem contigo há muito tempo, uma pessoa que tu confie, que não te engane, da qual você conheça a índole, e isto eu tenho na minha família de santo, que é meu pai. E pretendo dar também a mionha obrigação de 21 com ele, enquanto ele tiver vida e eu também, eu espero estar com ele.

14 Anos de Pai Geovano 14 por você.


14 Anos de Pai Geovano 15 por você.

14 Anos de Pai Geovano 18 por você.

E Pai Ribamar de Xangô, em seu discurso no decorrer da festa, exalta a dedicação de Pai Geovano à religião, ele que o fez e sempre o auxiliou nessa jornada que os santos vem abençoando a cada dia com mais axé, porque a cada dia de devoção, de aprendizado, o babalorixá vai tornando especial sua forma de culto aos orixás.

Essa obrigação de meu filho Geovano de Oxaguiã. Pra mim é uma satisfação imensa, porque ele iniciou na minha casa, ficou muito tempo, depois fez o santo, deu a obrigação de 1, deu a de 3, a de 7, e hoje estamos na festa de 14 anos dentro do ilê dele. Aqui tem muitos filhos de santo dele, ogans, ekédis. Pra nós é muito motivo de satisfação acima de tudo ver uma casa dentro dos cultos afro prosperar.

14 Anos de Pai Geovano 19 por você.

14 Anos de Pai Geovano 17 por você.

14 Anos de Pai Geovano 24 por você.

14 Anos de Pai Geovano 25 por você.

14 Anos de Pai Geovano 26 por você.

O MAGNÍFICO RUM DE PAI LÍDIO DE OXAGUIÃ

Quando indagamos a Pai Geovano quem era o senhor que puxava o xirê com tanta simplicidade, leveza e alegria, ele explicou-nos ser nada menos do que o conhecido e respeitado bablorixá baiano Lídio de Oxaguiã:

14 Anos de Pai Geovano 42É meu avô de santo, Lídio de Oxaguiã. É pai de Pai Ribamar de Xangô, meu pai. Ele é do axé Opô Afonjá, e tem um dos maiores axés de Salvador, em Itaparica, onde ele mora. Um dos maiores axés de Salvador é o axé de Lídio de Oxaguiã, em Itaparica. Ele está aqui em Manaus dando obrigações de alguns irmãos de santo. Como era minha obrigação, ele veio dar uma volta aqui em casa, que foi uma surpresa muito grande pra mim, porque ele deixou de fazer o compromisso dele pra vir pra minha festa. Foi uma alegria muito grande. É difícil a gente ter uma pessoa vinda de longe, com o respaldo que ele tem, pra prestigiar nossas festas. Então, eu só tenho é a agradeceer a Oxaguiã e à presença dele na minha festa. O rum que ele deu no meu santo foi muito bonito, de muito bom gosto, ele é uma pessoa muito centrada no que faz. Então, eu só tenho a agradecer.

14 Anos de Pai Geovano 22 por você.

Pai Lídio de Oxaguiã, Pai Ribamar de Xangô, Pai Geovano de Oxaguiã e Pai James d’Ogum


14 Anos de Pai Geovano 29 por você.


ROBSON DE OXÓSSI, OGAN DE OXAGUIÃ

Também foi dada a obrigação do ogan Robson, segundo ogan da minha casa. Também estava atrasada, pois ele deu a de 3, e já está chegando a de 7. Dentro da religião o Robson tem sido muito bom, mas como ele é muito jovem é claro que às vezes ele não tem toda aquela responsabilidade que uma pessoa de 30, 40 anos tem. É um caminho árduo pra ele, mas ele vai se aperfeiçoando, tomando mais conhecimentos das coisas. É um ótimo ogan, um querido filho, eu tenho um apreço muito grande por ele. É uma pessoa que eu não meço esforços de ajuda para que ele continue na religião, continue o amor que ele tem pelo santo.

14 Anos de Pai Geovano 31 por você.

O Robson é meu filho. Eu crio ele desde 10 anos de idade, hoje em dia ele tem 26 anos, é uma pessoa que se eu estiver chorando ele chora comigo, se eu estou rindo ele tá rindo comigo, se eu estiver doente ele está perto de mim, e a mesma coisa eu faço por ele. Então é por isso que ele tem esse apreço grande por mim e eu também por ele. Agradeço muito a Oxalá por um dia ter aberto as portas da minha casa e ter adentrado o Robson pra dentro dela, que hoje em dia ele é um dos alagbês da minha casa que tem muito conhecimento, tem um aprendizado muito grande de atabaque, sem ele minha casa para de tocar porque ele é um incentivador, ele é o chefe dos atabaques da minha casa.


E conversamos com o próprio Robson sobre sua trajetória como ogan, sobre seu longo e contínuo aprendizado e sobre sua expectativa em tocar e cantar aos orixás, pois, como ele mesmo nos falou uma vez, a importância dos ogans é tão grande, na medida em que os próprios atabaques na África são cultuados como orixás.

Essa obrigação é de três anos, que estava atrasada, e já tem a outra de sete, que também está atrasada, e que eu pretendo pagar ano que vem. Eu estou muito contente. Eu comecei a participar do Candomblé desde criança, entre os 10, 11 anos. Desde quando eu morava em outro bairro eu já era simpatizante e frequentava terreiro de Umbanda, eu ia pra festas de Cosme e Damião, ia pegar bombom. Eu via o pessoal tocando e achava legal, o pessoal às vezes deixava eu tocar, eu não sabia muito, mas como deixavam eu fui aprendendo.

14 Anos de Pai Geovano 33 por você.

Eu ainda não conhecia o Candomblé, aí quando eu conheci melhor a religião, quando eu vim pra cá pro Geovano, que hoje é meu pai de santo, eu me interessei e até hoje estou aqui. Ele me ensinou a tocar, e eu comecei a frequentar outras festas, em casas pra ver como era o ritmo que eles tocavam. Fui prestando atenção e aprendi um pouco. Aqui é que nem a gente tá na escola, é um idioma, a cultura afro-brasileira, que a gente tem que aprender. Quando a gente vai vendo o que as rezas em yorubá querem dizer aí fica mais fácil. Dá pra eu tocar e cantar o básico de Exu a Oxalá, mas ainda não sei o bastante Porque há uma importância muito grande do ogan dentro do Candomblé, principalmente o alagbê, é ele que toca, que canta e anima as festas. Se o pai de santo não estiver por perto é o alagbê que tem de iniciar tudo.

14 Anos de Pai Geovano 34 por você.

A DESENVOLTURA DOS PEQUENOS OGANS

Foi a saída de mais dois ogans da minha casa, duas crianças, com a autorização da mãe e do pai. São crianças muito cobradas pelo santo, não pelo que eles fizeram, mas pelo que eles passaram, pelas promessas que a mãe fez para que eles vivessem, porque eram crianças muito doentes; então, chegou um momento que o santo em si queria a obrigação deles, fizemos. Tem um que tá com três anos, o outro vai fazer dois anos.

14 Anos de Pai Geovano 35 por você.

São jogados búzios para ver o que os orixás falam, se é pra iniciar, a gente inicia. (Todo o ritual, com toda a obrigação que por ventura se venha a fazer para uma pessoa, ela tem de ser autorizada automaticamente pelo orixá dela.) O menor é de Oxóssi e o maior de Oxaguiã. Não é porque sejam crianças que vai fugir da hierarquia, não foge, tem de ser como o orixá manda, tem de ser como o antigo. Se for um aleijado, a mesma coisa; se for um mudo, a mesma coisa; se for um rico, a mesma coisa; se for um pobre, também. O fundamento é um só. Pra ogan, por exemplo, são sete dias de recolhimento; pra ekédi, também; pra yaô, depende do orixá, tem orixá que faz com 21 dias, tem orixá que faz com 16, com 12, e assim vai.

14 Anos de Pai Geovano 36 por você.

Eles não apresentaram nenhuma dificuldade. Da limpeza de corpo deles, que eles tiraram ebó, aliás, todos nós, porque o Robson e eu também tiramos ebó. No caso deles, minha maior surpresa e alegria foi começar os preceitos e ver que parece que eles nasceram pra isso mesmo. Quando foram colocados os preceitos neles, no caso contra egun, pra evitar de espíritos ruins encostarem neles, eles aceitaram com a maior tranquilidade e, detalhe, quando um contra-egun desatava, eles corriam imediatamente pra eu amarrar de novo, pra que não ficasse caído, como se eles já soubessem que aquilo era uma proteção pra eles. Se fosse rezar de manhã, como aconteceu, eles acordavam, estavam caindo de sono, mas estavam ali, falando não sei o que, que eles não falam direito, só fazem escutar, na hora de bater palmas eles batiam. Quando terminava a reza, eles simplesmente viravam pro lado e dormiam. Na hora de tomar banho, eles iam tomar banho, tudo assim com uma maior naturalidade, como se eles já tivessem vivido essas experiências há tempos. E na festa, como todo mundo viu, eles estavam muito à vontade.

14 Anos de Pai Geovano 38 por você.

A IMPORTÂNCIA DA BANDEIRA DA NIGÉRIA PARA O CANDOMBLÉ

Eu quis fazer assim com essas bandeiras. É uma interligação, do Brasil para o Amazonas e à Nigéria, que é o berço dos nossos orixás, do Ketu, que foi lá a primeira cidade de Ketu. Então, esta bandeira nós temos de levantar, porque apesar de estarmos no Brasil, vivermos no Amazonas, mas é a África que nós cultuamos, é a África que nós temos em comum.

14 Anos de Pai Geovano 41 por você.

Então você vê, eu quis fazer uma homenagem também de história, você vê que na minha parede tem 16 orixás, todos muito bem desenhados. É uma homenagem que eu fiz, porque a gente está acostumado a ir pelos barracões, chega lá tem um monte de imagem de Santa Bárbara, de São Benedito, de São não sei que, São não sei de onde. E as nossas imagens, dos nossos orixás, por que não tem? Santa Bárbara é Santa Bárbara, não é Iansã. Quem diz isso está falando uma coisa muito errada. Tem sim uma ligação de se esconder atrás dessas imagens, mas isso foi no passado, hoje em dia nós temos mais porque nos esconder atrás de imagens que não sejam as dos nossos orixás. Então eu quis fazer uma homenagem a mais ao berço dos orixás, à Nigéria, por isso eu coloquei a bandeira da Nigéria.

14 Anos de Pai Geovano 39 por você.

Teve a presença de muitos pais de santo, que não deu pra gente olhar bem tudo, poRque numa obrigação grande assim, a gente fica meio atarantado, fica desnorteado, depois incorpora com o orixá, aí é que não se vê mais nada. Graças a Deus, o que deu para eu perceber, eu só não vou citar nomes para não ser injusto para com outros. Eu agradeço a todos, podem contar que nas festas na casa deles, sempre que for convidado, irei retribuir a presença deles aqui, porque eu fiquei muito honrado.

14 Anos de Pai Geovano 40 por você.

PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN ●●

Travessa Guape, nº 173 — Jorge Teixeira IV (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3682-5727 / 3638-7472 / 8111-5335

LANÇAMENTO DO CD “ALESSANDRO DE OGUM CANTA AOS ORIXÁS” E OUTROS EVENTOS LIGADOS À CULTURA E RELIGIÕES AFRO

CD Orixás 01 por você.Clique nas imagens para ampliá-las.

Além da importância político-cultural-religiosa do lançamento do CD Alessandro de Ogum Canta aos Orixás por ser a primeira gravação musical dos cultos afro no Amazonas, o evento, organizado numa parceria da Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (Abucabam) e a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Amazonas (Fucabeam), realizou-se como uma confraternização e fortalecimento dos laços afetivos entre as diversas vertentes dos cultos afro existentes em Manaus.

CD Orixás 12 por você.

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá (presidente da Fucabeam), Babalorixá Alessandro de Ogum e Pai Lairton da Oxum.

O evento ocorreu na sede da Fucabeam, e quem falou a este bloguinho foi Pai Lairton de Oxum, presidente da Abucabam:

Hoje é um momento importante pra nós, porque estamos lançando, em parceria com a Fucabeam, o primeiro CD da religião, um CD com rezas da nação Ketu. O CD é do babalorixá Alessandro de Ogum. E hoje é especial também porque nós estamos aqui reunidos não somente a nação Ketu, estamos fazendo a reunião de várias nações: Angola, o Tambor de Mina, Mina Jêjo Nagô, babalorixás, yalorixás de várias nações estão se juntando hoje aqui nesse lançamento. Todas as religiões já gravaram CD’s com louvações, com rezas, orações; nós estamos lançando o primeiro hoje no estado do Amazonas. Hoje, no lançamento, a gente aproveita para mostrar um pouco da cultura afro-brasileira. Está sendo apresentada uma exposição do tambor de Mina, uma exposição de livros da coleção da editora Pallas, com livros referentes às religiões afro-brasileiras, e haverá ainda a apresentação do balé afro Mutalembê e de uma roda de capoeira. Tudo isso vai fazer parte desse evento em torno do lançamento do CD.

CD Orixás 14 por você.

Na alegria de ter realizado um feito singular e de fundamental importância para as religiões afro do Amazonas, o jovem babalorixá Alessandro falou-nos que desde pequenino vive na religião afro, cultuando-a sempre com devoção e responsabilidade, e nos disse dos motivos que o levaram a realizar este trabalho:

É o primeiro CD que tá sendo gravado aqui do Amazonas. A gente tá colocando aí para as pessoas ouvir e gostar da música dos orixás. De Exua a Oxalá, e um xirê completo. Foi um trabalho muito grande pra mim e pros meus irmãos que fazem parte do CD, mas graças a Deus, a Ogum e todos os orixás estamos aí de bom axé. O povo vai gostar…

CD Orixás 10 por você.

Para quem desejar ouvir o CD:

Alessandro Canta aos Orixás

Fones: (92)3645-9161 // 8133-7392 (Entrega a domicílio)

Disponível também em diversas cabanas de produtos afro.

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O povo gosta de tudo que auxilia na afirmação da cultura afro, e não apenas os filhos e pais de santo estão gostando, mas também os simpatizantes e todos que são contrários à intolerância religiosa, a qualquer forma de intolerância.

Com essa espiritualidade, saímos para dar uma olhada nas belas exposições presentes no amplo terreiro.

EXPOSIÇÃO TAMBOR-DE-MINA

CD Orixás 03 por você.
Roupa de Oxalá e Rosários (fios de contas, guias), acima alguns instrumentos musicais, como o gã (ferro) e o xequerê (cabaça)


Roupas das Tobossis (Princesas meninas do Daomé) e bengalas dos Voduns e Nagô Gentil

CD Orixás 06 por você.

E o Boi dos Encantados; aqui o Estrela do Oriente, que você já ouviu mugir aqui neste bloguinho.

CD Orixás 08 por você.

EXPOSIÇÃO DE LIVROS AFRO-RELIGIOSOS

CD Orixás 32 por você.

Havia ainda uma exposição/stand de obras da Pallas Editora, que tem um projeto desde 1980 de publicar livros privilegiando temas ligados às nossas origens étnicas e culturais, inclusive com linha infanto-juvenil, escritos por estudiosos e autoridades religiosas afrodescendentes.

APRESENTAÇÃO DE CAPOEIRA: LEGIÃO BRASILEIRA

CD Orixás 15 por você.

E quando entrou Mestre Cristiano e a moçada da Legião Brasileira o terreiro foi preenchido de toda a musicalidade, movimentos e dança da capoeira. Sentindo o axé, o Mestre passou a envolver todos os presentes e aquilo que seria uma demonstração passou a ser um ritual coletivo.

CD Orixás 18 por você.

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

Eu quero ver você bailar

No meu berimbau

E todo mundo é do embalo

Do meu berimbau

CD Orixás 19 por você.

Essa menina é danada

Do meu berimbau

Eu quero ver você tocar

No meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

CD Orixás 16 por você.

Foi então a hora de mostrar as habilidades com o cacetinho, em uma das mais vigorosas modalidades da capoeira: o Maculelê, que Mestre Cristiano, inicialmente explicou não se confundir com a popular Dança do Cacetinho, e falou de sua origem com o Mestre Popó, na Rua da Linha, há tantos passados lá em Salvador.

CD Orixás 21 por você.

Certo dia na cabana um guerreiro

Certo dia na cabana um guerreiro

Foi atacado por uma tribo pra valer

Pegou dois paus, saiu de salto mortal

E gritou pula menino, que eu sou Maculelê

CD Orixás 22 por você.

Então um pandeiro pulou pra roda, e não somente as garotas da Legião Brasileira caíram no samba, muitas das que estavam na platéia foram convidadas e não titubearam.

CD Orixás 24 por você.

Mulher bonita

Do cabelo enrolado

Da boca pequena

O nariz afilado

CD Orixás 25 por você.
Aqui, Flor, representando a Fucabeam.

CD Orixás 26 por você.

Homem para ser livre

Domina sua mente

E jamais será escravo

CD Orixás 17 por você.

DOCUMENTÁRIO SOBRE JORGE BABALAÔ

Na sequência, foi feita a reprodução de um documentário sobre o Babalaô Jorge da Fé em Deus (São Luís do Maranhão), pai de santo de Mãe Emília e um dos mais conhecidos e importantes babalorixás do Tabor-de-Mina do Brasil.

CD Orixás 27 por você.

Falecido em 2003, Pai Jorge era respeitado não apenas pelos conhecimentos das religiões afro, mas também pelo engajamento na luta pela preservação de todos os cultos afro no Maranhão, e assim, por suas atitudes, contribuiu, e contribui, com a resistência das religiões de matrizes africanas em todo o Brasil.

CD Orixás 31 por você.

BALÉ AFRO “MUTALEMBÊ”

CD Orixás 28 por você.

Eis que vieram as garotas do Balé Afro “Mutalembê”, formado em 2005 a partir dos movimentos da negritude em Manaus, com o objetivo de difundir através da dança a beleza, conhecimentos e posições da cultura afro para a comunidade de Manaus. Nesse evento, fizeram alguns números com músicas do cancioneiro popular ligadas à cultura e à religião de matrizes africanas, como a maravilhosa composição de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Guerreira, conhecida na voz da guerreira Clara Nunes.

CD Orixás 29 por você.

Se vocês querem saber quem eu sou

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Ketu e Nagô

Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos

Não temo quebrantos

Porque eu sou guerreira

Dentro do samba eu nasci,

Me criei, me converti

E ninguém vai tombar a minha bandeira.

CD Orixás 30 por você.

Com certeza esse evento foi fundamental para aproximações democráticas dentro dos diversos cultos afro e manifestações afro em Manaus. Uma verdadeira confraternização de todos aqueles que comungam a possibilidade de um mundo sem intolerância, onde todos possam compartilhar sua beleza cultural de forma plena e livre. Axé!

CD Orixás 33 por você.

ARRAIAL DE SÃO JOÃO NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Arraial São João 01 por você.

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Fogueira, iguarias juninas, quadrilha de crianças e um boizinho lá do Maranhão, foi no Arraial de São João no terreiro de Mãe Emília de Toy e Lissá, que mantém a maravilhosa tradição há quase três décadas.

Todo ano, desde quando eu morava na Pça 14, eu faço esse arraial, já faz mais de 25 anos. Sempre assim com alegria, vem os amigos, é uma tradição que a gente sempre faz. Todo ano a gente comemora São João, faz a fogueira, faz esse arraialzinho, tudo é dado de graça.

Arraial São João 02 por você.

E logo veio a primeira atração da noite, uma engraçada e divertida quadrilha de crianças dançantes e sorridentes em brincar de corpo e alma na noite de São João.

Arraial São João 03 por você.


Arraial São João 06 por você.

No intervalo, a meiga Mariana distribuía as fichas para os convidados, tudo de graça, como falou Mãe Emília. E no delicioso cardápio: tacacá, vatapá, milho cozido, bolo de tapioca, mingau de milho, mungunzá. Tudo com direito a repeteco…

Arraial São João 07 por você.

Arraial São João 08 por você.

Arraial São João 09 por você.

Arraial São João 10 por você.

Teve quem agradecesse e quem fizesse os seus pedidos a São João ao redor da fogueira ardente em labaredas.

Arraial São João 11 por você.

Arraial São João 12 por você.

Então chegou a hora do boizinho vir ao terreiro para brincar, hora tão esperada pela moçada afinada, que não chegada ao boi comercializado. Mãe Emília nos faz a apresentação do tão amado boizinho:

O boizinho chama-se Estrela do Oriente. Tá com três anos que veio do Maranhão. Ganhei da casa de santo do Pai Zé Catarandi. Eu fui pra uma festa lá, e quando terminou tudinho, na hora da matança dos bois, me enregaram ele. Aí eu batizei ele aqui, com toda cerimônia. Vem umas entidades do povo de Légua, que vem dançar. No dia do boizinho, elas acompanham, vem comemorar, louvar, porque o boi pertence ao povo de Légua lá, então eles vem também, o povo de Légua.

Arraial São João 14 por você.

Arraial São João 13 por você.

Como anunciou Mãe Emília, a primeira entidade que veio, para dançar como miolo do Estrela do Oriente, baixando em Danilo, filho da Mãe Orny, foi seu Manezinho de Légua, que santificou as evoluções na velocidade da ginga no terreiro.

Arraial São João 15 por você.

Arraial São João 16 por você.

Já em Mãe Orny quem veio foi Dona Suzana de Légua, que já foi entoando toadas melodiosas e dançando sempre vigorosamente.

Arraial São João 31 por você.

Boi, Boi, Boi,

Vaqueiro meu vá se preparar

Se tu vais no Codozinho

Se tu vais no Maranhão

Vá dizer pro meu Pai Légua

Que aqui está melhor do que lá


Arraial São João 22 por você.

As matracas, cada vez mais afinadas, fez empolgar os brincantes, e o boizinho Estrela do Oriente, boi de raça, vindo lá do Maranhão, passou para as mãos de um por um, que o empunhavam com carinho e devoção.

Arraial São João 17 por você.

Arraial São João 18 por você.

Arraial São João 20 por você.

Arraial São João 24 por você.

E assim o boizinho tão amado no Terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá fez, segundo Mãe Emília, apenas uma pequena demonstração, mas que, para este bloguinho, é uma apresentação do autêntico boi, fora da simulação comercial parintinense. Mãe Emília recorda…

Esse boi de hoje tá muito folclórico, não é mais como o boi de antigamente. Meu pai dançava no Mina de Ouro, no Corre-Campo, Tira-Prosa, logo que começou, eu ainda era mocinha e acompanhava ele no boi. Você via aquela trincheira de índio, você dizia que era índio de verdade, agora se acabou desses bois, tá tudo muito artificial.

Arraial São João 23 por você.

Arraial São João 25 por você.

Ainda segundo Mãe Emília, Estrela do Oriente já tem algumas toadas compostas, ela e os filhos irão compor mais, irão ensaiar e no ano que vem fazer uma apresentação maior, com o ritual completo do verdadeiro Bumba-Meu-Boi. Este bloguinho com certeza virá para ver toda a beleza do Estrela do Oriente. Urra, Meu Boi!

Arraial São João 26 por você.

Danilo com o Estrela do Oriente, aqui já sem seu Manezinho de Légua, a entidade-miolo do boi.

Arraial São João 30 por você.

Arraial São João 28 por você.

CONVITE CANDOMBLEZÍSTICO

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A Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM) e a Associação de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM) convida a todos os adeptos das religiões afro para o lançamento do CD – Alessandro de Ogum Canta aos Orixás.

Local: Rua Pintassilgo,100 – Núcleo 2 – Cidade Nova 2, Manaus, AM – sede da Fucabeam

Data: 27.06.09

Horário: 20h

Colktail e apresentações culturais (balé afro e roda de capoeira)

TODOS SERÃO BEM VINDOS…

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Fonte: ArtFolk

FOGUEIRA DE DONA MARIANA PARA SANTO ANTÔNIO NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Rei da Turquia

Já içou sua bandeira

Venha ver como é bonita

A Mariana na trincheira”

Fogueira de Dona Mariana 01 por você.

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Essa festa, com sua ritualidade singular, ocorreu no dia 12 de junho passado lá no João Paulo II, no terreiro da sempre alegre e cativante Mãe Valkíria, que sempre recebe todos os filhos e convidados com muita amizade e carinho. E foi Pai Geovano quem começou a puxar os pontos, que logo tomaram conta da sala, com a participação de todos no canto, na dança e na palma da mão.

Fogueira de Dona Mariana 03 por você.

Fogueira de Dona Mariana 05 por você.

Lá de trás daquele morro

Tem sete espadas guerreiras

Uma é de Santa Bárbara

Outra é de Babá Soeira”


Eu vou passear

Meu pai me chamou pra passarinhar

Passarinhar, passarinhar eu vou

Passarinhar, passarinhar eu vou”

Fogueira de Dona Mariana 02 por você.

Enquanto o tambor soava ritmado e enlevo, com tamanha devoção, logo vários cabocos começaram a baixar e receber dos convidados o reconhecimento e distribuir suas bênçãos. Enquanto isso, pegamos com Mãe Valkíria o significado dessa festa:

Essa festa de Santo Antônio é uma festa que eu faço todos os anos, há sete anos. É por um milagre que se deu a uma sobrinha minha, que teve uma grande necessidade. E foi uma festa que ela se comprometeu de fazer para a caboca Mariana, que foi uma caboca que ajudou a ela sair de uma situação difícil. É uma festa em que Dona Mariana fica muito satisfeita. É uma festa que ela consagra pros clientes, pros visitantes e pros cabocos que vêm, que ela ama os irmãos dela. Ela abre com o tambor, faz a festa dela lá na frente e toca fogo na fogueira dela. Pra mim é uma satisfação ter essa caboca, é uma caboca que eu amo de coração. Ela é uma caboca parteira, curandeira, ela protege muito as crianças. Ela é tudo pra mim. Então, eu agradeço a todos que estão homenageando a ela e a Santo Antônio, que é protetor dos namorados e é protetor dos exus. Mas a Dona Mariana cativa pra ela, mas se os exus aparecem na festa dela são bem recebidos, assim como todos.

Fogueira de Dona Mariana 08 por você.

Quando a lua nasceu

A mata clareou

Ela não é daqui, meu irmão

É lá do interior”


Dona Braba


Seu Sibamba e Seu Zé Raimundo

Fogueira de Dona Mariana 17 por você.

E logo chegou Dona Mariana, como sempre engraçada e falante, aconselhando alguns, brincando com todos que ali estavam, compartilhando essa festa com os filhos e as outras entidades presentes. E ela própria deu as boas vindas aos presentes.

Fogueira de Dona Mariana 11 por você.

Isso é uma brincadeira que fizeram pra mim, e eu agradeço aos filhos de santo que ajudaram, que estão sempre dando uma ajuda pra mãe de santo, e a a todos aqui. Então, todos se sintam à vontade, eu agradeço a todos. Pra mim é uma festa, mais um motivo pra mim tomar umas espumosas. Depois nós vamos parar um pouquinho nosso tamborzinho porque eu quero acender minha fogueira, que é pro povo ver como é que eu acendo minha fogueira.”

Mariana, Mariana,

Teus cabelos é fio de ouro

E a barra da tua saia

É feita de prata e ouro”

Em seguida passou-se à distribuição da deliciosa, santificada e medicinal jurema. Pai Geovano e a Caboca Braba se encarregaram de comandar o canto e a distribuição.

Fogueira de Dona Mariana 12 por você.

Eu vou beber minha jurema

Dê no que der

Se a jurema for boa

Dê no que der

Aqui mesmo eu bebo

Aqui mesmo eu caio”

Fogueira de Dona Mariana 13 por você.


E quem apareceu também bem na hora da jurema foi o baiador caboco Olho d’Água, com seu trote pungente e sua voz estridente.


Gostou do índio

Porque não vem ver

Ele é caboco que só veste pena

Venha ver as forças

Que vem da jurema”

Fogueira de Dona Mariana 18 por você.

Dona Mariana, então, pediu pra fazer uma pausa no tambor, e foi lá pra rua acender sua fogueira. E olha como ela abana o fogo. Todos se deliciaram com as brincadeiras de Dona Mariana e Seu Sibamba. E na presença de todos que estavam ali ou que passavam e paravam pra ver, e na frente da fogueira, a bela turca fez um pacto com seu Zé Raimundo.

Fogueira de Dona Mariana 21 por você.

Na porta da minha casa

Tem uma roseira

Toda enfeitada de flor

Passarinho, me diga

Onde mora o beija-flor”

Fogueira de Dona Mariana 23 por você.

Dona Mariana passou fogueira hoje com seu Zé Raimundo, que é um compromisso que ela faz com os cabocos pra todos os anos eles estarem presentes na festa dela, há cada ano ela passa com um caboco. Ela também faz casamentos, como ela fez hoje o casamento da Val com a Lúcia, que são lésbicas. Não tem preconceito. Ela faz casamento de travestis. Se o pastor, o padre não quer casar, pode vir casar aqui que ela casa. Em Cosme e Damião ela faz batizado de crianças (em primeiro lugar aqui na minha casa são as crianças, porque ela é parteira). Seu Sibamba foi o padrinho de casamento delas. Elas já tem vinte anos que vivem juntas, vivem muito bem, são minhas clientes há muitos anos. Que Deus abençoe elas, que dê muitos e muitos anos pra elas juntas.

Fogueira de Dona Mariana 22 por você.

O PRIMEIRO CASAMENTO HOMOSSEXUAL DO BRASIL

Ao final, tivemos uma conversa com Lúcia e Val, que nos falaram da realização no Brasil desse que foi o primeiro casamento homossexual que ouvimos falar, demonstrando que realmente as religiões afro têm uma abertura democrática natural que só chegará às outras devido à pressão da multidão livre e atuante. Dona Mariana, como disse Mãe Valkíria, está aí pra ajudar na união, na felicidade das pessoas, independente do sexo.

Fogueira de Dona Mariana 24 por você.

Ao perguntarmos pra elas sob qual o significado na existência delas daquele ritual de casamento, Val começou:

A gente vive juntas há 18 anos. Ela vivia dizendo pra mim: “Um dia a gente vai casar”. A gente não casou ainda porque no Brasil ainda não foi regulamentada a lei que permita a casais de mulheres ou de homens casarem-se. Mas no dia que regulamentar a gente vai casar. 18 anos já é uma vida. Pela Umbanda, já era pra ter falado há muito tempo, a gente sempre conversava com a Dona Mariana, e acabava não casando. Eu vivo na Umbanda desde pequena; todos esses cabocos que estavam aqui a gente já conhece de outros carnavais. Até que hoje, de repente, a gente falou com ela [Dona Mariana] e resolvemos casar rapidinho.

Fogueira de Dona Mariana 27 por você.

Lúcia continuou, trazendo detalhes de suas vidas de antes e depois de estarem juntas, que demonstram uma questão muito importante para o mundo gay, que é o fato de não sofrerem preconceitos. Elas sabem que existe, mas da forma como elas se colocam íntegras no mundo, ele não as atinge, porque constroem relações afetivas livres, com pessoas livres.

A gente vive uma vida legal. Já teve muitos altos e baixos, claro, mas a gente conseguiu vencer todas as barreiras e estamos aí. Eu digo que nós somos felizes, a gente já conseguiu juntas realizar vários sonhos. Nós temos filhos. Ela tem uma filha casada. Eu também tenho uma filha, que é casada, e um filho que tá noivo, e a minha nora me recebe muito bem. A minha filha já tem filho, eu já sou avó. As nossas filhas são evangélicas, nós nunca tivemos problema nenhum desde quando eles eram pequenos. Nem com a nossa família também, nossos amigos, todos frequentam a nossa casa, todo mundo nos respeita. A gente é bem querida. Minha família, minhas irmãs, sobrinhas, quase todos são evangélicos; quase não temos amigos gays, nossos amigos, quase todos são casais de homem e mulher, e os filhos deles frequentam a nossa casa, nós vamos na casa deles.

Fogueira de Dona Mariana 25 por você.

Seguindo o relato, ao perguntarmos que se os políticos não aprovam a lei de união civil para homossexuais é por preconceito da classe política, Val arrematou:

Acho que é, porque no meu trabalho eu nunca sofri discriminação, até hoje a gente viaja, tudo, vai pra fora, e pra onde a gente vai a gente é bem recebido. Nós fomos felizes até hoje, e vamos continuar sendo felizes…

Vendo a alegria com que Lúcia e Val falam do amor que vivem, aquilo que Dona Mariana celebrou e que os cabocos e todos os filhos e convidados viram, pela importância política de um casamento homossexual, mas principalmente por ter percebido — além do que tantos casamento civis oficializados uma relação de amizade e ternura, uma verdadeira relação homoafetiva, é que esse bloguinho deseja a Lúcia e Val: Feliz casamento!

Fogueira de Dona Mariana 26 por você.

Eu avistei um morro

Lá no meio do mar

Eu avistei, senhor meu pai

A minha bandeira real”

FEIJOADA DE OGUM NO ILÊ ASÉ OMIM ABAOSÉ OKORO LONAN

Feijoada de Ogum 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Como sempre, o maravilhoso terreiro de Pai James d’Ogum e Mãe Vera d’Oxum estavam impecavelmente organizado para mais um ritual de fé e beleza dos cultos afro em Manaus.

Feijoada de Ogum 02 por você.

Feijoada de Ogum 08 por você.


Feijoada de Ogum 05 por você.

Pai Ribamar de Xangô (abaixo, à esquerda) veio puxar o xirê e Mãe Lucimar (abaixo, à direita) veio participar de mais uma festa na casa de Pai James.



E enquanto os atabaques soavam forte e as rezas eram entoadas com devoção, vários orixás vieram receber as oferendas e abençoar todos os presentes.


Feijoada de Ogum 15 por você.

Feijoada de Ogum 17 por você.


Feijoada de Ogum 22 por você.

Finalmente Ogum baixou no terreiro, e todos que o esperavam sentiram todo o seu vigor nos movimentos e seu cantar potente e vibrante vieram preencher o terreiro, a sua casa.

Feijoada de Ogum 23 por você.

Feijoada de Ogum 31 por você.



Feijoada de Ogum 36 por você.

Ogum, então, vestiu suas paramentas e retornou ao terreiro para o ritual central da festa, que a distribuição da feijoada.

Feijoada de Ogum 38 por você.

Quem explica a esse bloguinho é Clarisse de Yemanjá Ogunté, Yaquequerê (Mãe Pequena) da casa:

Essa é a festa do Ogum, na cabeça do Pai James. Há 19 anos que ele é feito, é a idade que ele tem de santo, que Ogum vem na cabeça dele, e ele faz essa festa, sempre na última semana de abril. Toda festa de Ogum é feita uma feijoada, faz-se o ritual no salão, lá no meio, enquanto Ogum está dançando, aí a gente reza, e depois da pro povo comer. Vêm outros orixás, que dançam com Ogum: Iemanjá, que é sua mãe, Oxóssi, Rei do Ketu, orixá das matas, rei da nação Ketu, Yansã, que foi uma das mulheres de Ogum…

Feijoada de Ogum 27 por você.

Feijoada de Ogum 28 por você.

Feijoada de Ogum 32 por você.


Feijoada de Ogum 34 por você.

E, após a abençoada feijoada, a festa prosseguiu com Pai Ribamar anunciando que Ogum traria ao terreiro algumas pessoas que receberiam dele cargo na casa, assim como vários outros orixás, como falou Clarisse de Yemanjá:

Feijoada de Ogum 43 por você.

Yalorixá Neura, filha de Pai James, que recebeu o cargo de YÁ MORO. Esse é o cargo de quem cuida dos Exus. Quando tem festa de Exu é ela que abre, é ela que cuida da casa do Exus.

Feijoada de Ogum 44 por você.

Yalorixá Gracilene, filha do babalorixá Marcelo da Oxum, de quem Pai James é Pai Pequeno. Ela recebeu o cargo de YÁ ABASÉ, cuja função é comandar a cozinha nas festas e rituais.

Feijoada de Ogum 54 por você.

O babalorixá Rafael, filho de Mãe Vera, que recebeu cargo de BABA EBÉ, que tem por função receber as pessoas, acomodar as mães de santo, pais de santo e convidados.

Nas fotos abaixo, Pai Rafael já está com Oxóssi, que veio participar da festa de Ogum.


Feijoada de Ogum 37 por você.

Além de Oxóssi, vieram também Yansã, em Pai Jeferson, e Yemanjá, na Yaquequerê Clarisse.

Feijoada de Ogum 46 por você.


Feijoada de Ogum 56 por você.

Feijoada de Ogum 57 por você.

Feijoada de Ogum 53 por você.

Feijoada de Ogum 52 por você.

Feijoada de Ogum 49 por você.

E a festa foi efervescente até o final, quando a Dofona Lenita recebeu Yansão, e esta com Ogum realizaram a maravilhosa Dança do Fogo; pois, como nos explicou Clarisse, Yansã é a dona dos raios, é um ritual de quando eles estavam na guerra, no meio dos raios e trovões, por isso todo o vigor e velocidade da dança. Pela primeira vez o amplo terreiro quase fica pequeno diante de tanto axé de Ogum e Yansã, para o regozijo de todos que assistiram o fulgor de tão belo e abençoado ritual…

Feijoada de Ogum 55 por você.

Feijoada de Ogum 60 por você.

Feijoada de Ogum 61 por você.

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (3ª e última parte)

A Mina não é pra quem quer

É só pra quem sabe baiar

Quem tá dentro não queira sair

Quem tá fora só queira entrar

São Benedito 60 por afinsophiaitin.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

RETORNO AO YLÊ AXÉ SESU TOYÃN

No domingo passado, quando se completavam as nove noites de novena, Mãe Vera d’Oxum e Pai James d’Ogum, acompanhados de filhos, amigos e familiares, dirigiram-se ao Ylê Axé Sesu Toyãn para devolver São Benedito e agradecer a honraria de ter recebido o santo negro com tanta alegria e devoção…

São Benedito 61 por afinsophiaitin.

São Benedito 62 por afinsophiaitin.

Encontraram o Ylê Axé Sesu Toyãn completamente reunido e em fraterna comunhão para receber de volta o santo, como se faz aí há tantos anos. Quem explica é mais uma vez é o padrinho da festa, Pai Raulzinho Ti Oxum:

É uma tradição que começou no Seringal Mirim, e já está há dezoito anos na responsabilidade do Pai Gilmar. E já são nove anos com esse que eu sou o padrinho da festa. Festa que congrega todas as casas de axé de Manaus. A gente tenta também com esses rituais visitar outras casas e estabelecer uma maior comunicação, uma maior fraternidade entre os irmãos de axé, independente se for Ketu, Angola, se for Mina Jêjo, Mina Vodun. Nós tentamos isso: por meio de São Benedito, fazer uma sincronia das casas, convidar a todos pra ter-se um diálogo aberto, fraternal, o que é espiritualidade, o que é hoje a união dentro do axé. Então nós usamos o Vodun Toy Averequete, na pessoa de São Benedito, pra fazer essa confraternização de axé.

São Benedito 63 por afinsophiaitin.

São Benedito 64 por afinsophiaitin.

São Benedito 65 por afinsophiaitin.

Todo mundo aconchegado no impecável terreiro, impulsionada por Pai Raul, deu-se início à novena, onde todos participavam respondendo e cantando as rezas e orações.

São Benedito 67 por afinsophiaitin.

São Benedito 69 por afinsophiaitin.

Com direito ainda a participações especiais das crianças. Wagner, que não titubeou na leitura de uma longa reza toda em latim, deixando na maior inveja muitos estudantes de Letras, e Raíssa d’Yemonjá, que se apresentou para ler uma das orações da novena repassada ao público.


São Benedito 66 por afinsophiaitin.

Essa é uma tradição que nós trazemos da Mina, nós trazemos do povo do Maranhão, porque muitas das casas manauaras, de origem, nos primórdios do santo, eram todas de origem Mina Nagô, ou Mina Vodun, ou outras denominações de Mina. As velhas vodunças, que vieram de São Luís do Maranhão, que vieram pelo estado do Pará, vieram de barco justamente para povoar a região amazônica, no ciclo áureo da borracha, e elas trouxeram essa tradição de culto ao Vodun Toy Averequete, que é o grande homenageado, por tabela, pois usamos o São Benedito para na verdade homenagear Toy Averequete.

São Benedito 71 por afinsophiaitin.

São Benedito 72 por afinsophiaitin.

São Benedito 74 por afinsophiaitin.

Quando todos já tinham prestado suas reverências a São Benedito, a festa começou, e logo no momento apropriado Pai Gilmar distribuiu a comida do santo aos filhos e convidados.

São Benedito 75 por afinsophiaitin.

São Benedito 78 por afinsophiaitin.

São Benedito 79 por afinsophiaitin.

Após a realização desse ritual, os tambores pegaram fogo, e então baixou no salão aquela que é, desde 1991, na coroa de Pai Gilmar, vem propagando e preservando o Traslado de São Benedito: dona Herondina.

São Benedito 81 por afinsophiaitin.

São Benedito 80 por afinsophiaitin.


Dona Mariana, que estivera no traslado de ida e na festa de sábado na coroa de Mãe Valkíria, agora baixou na coroa de Mãe Vera.

São Benedito 86 por afinsophiaitin.


São Benedito 89 por afinsophiaitin.

E lá estava novamente, alegre e formoso, seu Josiano, que foi dançar, cantar e regozijar a todos com sua magnífica presença.


São Benedito 99 por afinsophiaitin.

Ê tumba lá e cá

Ê tumba ê caboco

Ê tumba lá e cá

Ê tuba ê meu pai

Ê tumba lá e cá

Ê não me deixe só


São Benedito 103 por afinsophiaitin.

Desde quando saiu, na trasladação daqui já foi uma pré-festa. Na verdade, serão ao todo quatro dias de festa. Começou a festa na sexta-feira, na casa de Mãe Valkíria; sábado na casa de Pai James d’Ogum; hoje na casa de Pai Gilmar de Yemanjá, que é uma festa pública, e amanhã é a varrição, que também é uma festa pública, mas é quando os encantados se congregam com o povo da casa, uma festa nossa, uma festa íntima, pra reunir a família. É o momento de congregar a grande família do axé e a nossa micro família. É a reunião do macrocosmo do Candomblé com o microcosmo daqui de casa. É uma festa que a gente pretende perpetuar enquanto tiver um descendente aqui que seja devoto de São Benedito.

São Benedito 102 por afinsophiaitin.


E Dona Mariana gostou tanto da festa que mal saiu da coroa de Mãe Vera, já voltava na de Mãe Valkíria.

Eu venho na festa de São Benedito porque a dona Valkíria é filha dessa casa, é filha de santo do seu Gilmar, e eu sempre fiz parte da vida do seu Gilmar. O povo não sabe, mas eu sou “madinha” do seu Gilmar. Em toda situação, eu sempre tive com seu Gilmar. Eu sempre disse que nunca vou abandonar seu Gilmar. Aconteça o que acontecer, eu sempre estou nesta casa. Com festa ou sem festa, sempre estou aqui.

São Benedito 101 por afinsophiaitin.


Enquanto tiver a devoção e alegria do povo de Mina, enquanto houver padrinho devotado como Pai Raul, enquanto houver o culto a encantados como dona Herondina, dona Mariana, seu Josiano e tantos outros, enquanto houver Toy Averequete, os festejos de São Benedito serão preservados e, na verdade, já está eternizado na satisfação de todos que participaram de festas como essa, com toda a beleza e vivacidade do culto afro Mina Jêjo Nagô. Axé!



São Benedito 73 por afinsophiaitin.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (2ª Parte)

Averequete, Averequetinho

Dai-me lincença pra baiar um bocadinho

Averequete, Averequetinho

Dai-me lincença pra baiar um bocadinho

São Benedito 03 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Após as apresentações ontem dos fundamentos das manifestações populares em honra a São Benedito, organizadas pelo Ylê Axé Sesu Toyãn, e dando continuidade sobre o Traslado de São Benedito, conversamos com Pai Raulzinho Ti Oxum, padrinho da festa há vários anos.

O ritual começa no Sábado de Aleluia. São nove dias consecutivos de novena na casa em honra a São Benedito. No oitavo dia, o santo é trasladado para a casa de uma pessoa, que é homenageada. Essa pessoa acolhe o santo dentro do ritual Vodun Nagô. No dia da festa da novena, tem uma preleção com as pessoas que vieram à festa para escolher qual pessoa, qual babalorixá ou yalorixá o santo irá visitar no ano seguinte. No último dia de novena, a casa que o santo visitou tem a obrigação de trazê-lo de volta à casa original. Realiza-se o último dia de novena e nós chamamos os encantados da casa pra louvar São Benedito. São Benedito é o santo devoto de dona Herondina, é o santo padroeiro da família da Turquia.

São Benedito 04 por você.

OITAVA NOVENA NA CASA DE MÃE VALKÍRIA

Pai Raul explica ainda por que o traslado fez um corte, passando numa terceira casa, a casa de Mãe Valkíria.

Esse ano, foi feito algo incomum nestes dezoito anos de santo, pois a Mãe Valkíria recebeu uma graça de São Benedito no decorrer do ano passado, então ela chegou com a comissão da festa que somos uma comissão; apesar de eu ser o padrinho, de o Pai Gilmar ser o proprietário da casa, o dirigente espiritual, mas nenhuma decisão é imperativa. Há um conselho que julga as decisões tomadas pela casa. Não é a vontade do Pai Raul, não é a vontade do Pai Gilmar, não é a vontade de fulano. É a união das vontades da casa , então ela chegou dizendo que esse ano ela queria homenagear o santo na casa dela, foi aceito e na sexta-feira o santo foi pra lá.

São Benedito 01 por você.

São Benedito 02 por você.

E para confirmar as palavras de Pai Raul, a própria dona Mariana, na coroa de Mãe Valkíria, explica o novo percurso do traslado.

Esse ano, o traslado passou pelo meu casulo, depois foi pra outra minha casa, em cima de Mãe Vera, mas é minha também. De lá da casa da moça Vera, voltou pra casa do pai de santo Pai Gilmar. A dona Valkíria tem um voto com São Benedito, e por ela ter esse voto ela pediu um ano pra ir pra lá. Depois eu pedi mais um ano, que ele fizesse o Novenário na minha casa, e de lá fosse pra casa da moça Vera, que foi eu que entreguei o São Benedito, no ano que passou, pro meu filho James, que é meu filho também. Entreguei aqui, com a presença da Herondina. E pedi da Herondina, que é minha irmã – nós somos turcas – pra São Benedito ir até a outra minha casa, que minha filha tava precisando de umas ajudas. Levei pra homenagear São Benedito. No voto que a dona Valkíria tem com São Benedito, está bem sucedida, recebeu as graças e tá pagando como pode. A festa é aqui, porque é casa de Yemanjá, e o protetor da casa é São Benedito.

São Benedito 05 por você.

São Benedito 08 por você.

IDA À CASA DE MÃE VERA D’OXUM E PAI JAMES D’OGUM

A ampla e magnífica casa de Mãe Vera d’Oxum e Pai James d’Ogum estava maravilhosamente enfeitada para receber São Benedito.


São Benedito 12 por você.

Após os rituais na porta, São Benedito foi levado ao terreiro por seu Josiano, na coroa de Pai James, e a ekédi Rayssa d’Yemanjá Ogum Té e, depois de enfeitado devidamente por Pai Ribamar, foi colocado no maravilhoso altar que estava preparado para o santo.

São Benedito 13 por você.

São Benedito 14 por você.


São Benedito 21 por você.

O terreiro estava lotado. Então os tambores soaram ritmados e as rezas foram puxadas com devoção e alegria. Logo o terreiro estava cheio de encantados e voduns, que vieram para homenagear São Benedito, assim como receber bênçãos e abençoar o povo todo presente.

São Benedito 16 por você.


E Pai James nos relatou a alegria de sua mãe e sua de receberem no seu terreiro São Benedito como um oferecimento e reconhecimento de estima e amizade dos outros axés:

Na realidade, a tradição da casa do Gilmar, a devoção que ele tem com São Benedito. Essa devoção que ele tem, que todos nós temos. Esse ano foi escolhida a casa de Oxum, de Mãe Vera de Oxum, que é minha mãe carnal. Essa casa foi escolhida para receber São Benedito. O meu catiço, seu Josiano, é o padrinho disso tudo.

São Benedito 29 por você.


São Benedito 20 por você.

E Pai Gilmar trouxe ao salão a cabocla Braba, na coroa de Mãe Vera, que também veio prestar suas ao santo negro São Sebastião.

São Benedito 22 por você.

São Benedito 33 por você.

Tambor de Mina quando rufa lá nas matas

Ele é de Mina! Ele é de Nagô!


São Benedito 47 por você.

Quem também estava presente era a conhecida e respeitada Mãe Lucimar, reverenciada por todos como uma das mais antigas e experientes zeladoras de santo de Manaus, que, segundo Pai James, também recebe seu Josiano, e vem à festa na casa de Pai James para apreciar ele incorporado em outra coroa.

São Benedito 41 por você.

São Benedito 31 por você.

São Benedito 25 por você.

Seu Josiano, na verdade, impressiona a todos pela disposição, pela alegria contagiante, pelo humor cortante, pelos vigorosos movimentos na dança, pelo gosto ritmado do toque, que exige de seus alagbês sempre estarem atentos á batida forte e o ritmo do tambor. Pai James dá algumas informações:

Seu Josiano é um príncipe de Nagô, filho de um rei de Nagô. Fizemos uma festa para receber o santo, e no outro dia fomos entregar o santo de volta à casa dele, Pai Gilmar.

São Benedito 44 por você.


São Benedito 35 por você.

São Benedito 45 por você.

Se seu Josiano joga o chapéu no chão, seus filhos, de um por um vão sambando ao redor.


Eu sou maquinista do trem

Vou embora pro sertão

Que eu aqui não me dou bem

Viola, meu bem! Viola!

Viola, meu bem! Viola!


São Benedito 46 por você.

E quando seu Josiano abre a roda, todos, sejam do santo ou convidados, todos têm de dançar, animando a festa na ginga no pé e nas palmas das mãos.

São Benedito 50 por você.


São Benedito 42 por você.

E assim, nesse pique, a festa continuou madrugada a dentro, até que seu Josiano chamou Mãe Lucimar para segurar suas mãos enquanto ele ia da coroa de Pai James, sabendo que logo mais retornaria, pois já era dia de levar São Benedito de volta à casa de Pai Gilmar.

São Benedito 53 por você.

São Benedito 54 por você.


Amanhã, aqui neste bloguinho, o traslado de São Benedito de volta ao Ylê Axé Sesu Toyãn.

●●● MÃE VERA D’OXUM e PAI JAMES D’OGUM ●●●

Rua Suiça, nº 826 — Grande Vitória (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9977-2393

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (1ª Parte)

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Que fielmente adorastes

A Jesus crucificado.

A Jesus crucificado.”

São Benedito por você.

O Novenário de São Benedito é realizado todos os anos no Ylê Axé Sesu Toyãn, começando no sábado de aleluia. Na oitava noite de novena, o santo faz o traslado para uma outra casa de santo escolhida pelo conselho de São Benedito, que organiza as novenas e festejos. Lá, entidades do culto afro Mina Jêjo Nagô recebem o santo e ocorre uma festa de acolhida. No dia seguinte, o traslado é feito em retorno ao barracão original, conforme as tradições dos rituais religiosos mais populares que perduram como devoção espiritual e beleza plástica.

Publicamos agora, na primeira das três partes que compõem este trabalho, o resumo histórico do livreto distribuído aos participantes do Novenário, segundo o qual “a novena de São Benedito foi textualmente formada por fragmentos de orações e ladainhas fornecidas em 1991, por Dona Creuza, quando da primeira novena realizada inicialmente no Templo de Candomblé Terreiro de Santa Bárbara”. Ao longo dos anos, os babalorixás Gilmar Ti Yemonjá e Vichê Arnaldo de Nochê Abê introduziram outros cantos populares e organizaram o apostilado. Finalmente, o Dofono Raulzinho Ti Oxum fez o trabalho de recuperação de textos e trechos perdidos e deu-lhes a forma atual, “situando-os em uma sequência mais harmoniosa”, constituindo um verdadeiro documento histórico.

NOVENÁRIO PERPÉTUO EM HONRA A SÃO BENEDITO

* Resumo Histórico *

A origem da devoção a São Benedito deve-se ao colonizador português, que por volta do ano de 1610 o trouxe para o Brasil. O santo negro, nascido no ano de 1526, em São Filadelfo, na Sicília, Itália, ganhou a simpatia não somente dos senhores da colônia, mas também dos negros e de todo o povo humilde, que via no santo a manifestação da Providência e caridade Divina. A sua devoção pelas religiões de matrizes africanas está intrinsecamente ligada à devoção ao Vodun Toy Averequete, não sendo possível fazermos referência a um sem citarmos o outro.

Toy Averequete ou Verequete, também conhecido ritualisticamente por Adunoblé, na casa dos Jejes, é tido como um rapaz e vem na frente trazendo os outros Voduns, tendo em vista que o mesmo foi o primeiro Vodun a entrar nas matas “para pegar os caboclos” que lá se encontravam. Já no nagô Abioton, Casa de Nagô, Fanti Achanti e Terreiro de Abê — Manjá, bem como em outros terreiros de Mina do Maranhão, é tido como Senhor; bebe, fuma, fala, louva São Benedito e gosta do tambor de Crioula. Verequete é também considerado chefe dos terreiros de Mina do Maranhão, nos quais recebe o título de “TOY AVEREQUETE VONUKÓN, GAL POSSUÉ NO KEJÁ”, que significa: “O Rei de todas as coisas, que entra nas matas”.

Das terras do maranhenses o seu culto e devoção transportaram-se para o Estado do Amazonas junto com mulheres ousadas que trouxeram consigo não somente suas bagagens e lembranças do Maranhão querido, mas também a sua jóia mais valiosa, sua religiosidade — o culto aos Voduns. Como não poderia ser diferente, Toy Averequete também se tornou o principal Vodun reverenciado nestas terras, destacando-se o seu culto no templo de candomblé Terreiro de Santa Bárbara, como era conhecido o Ylê Axé Oyá Tope Messan Orun, no antigo bairro do Seringal Mirim, hoje chamado de João Alfredo.

Em 1991, a tradição em louvor a São Benedito foi resgatada no terreiro de Santa Bárbara e lá permaneceu ao longo de sete anos, sendo progressivamente difundida pela encantada dona Herondina, na coroa de Pai Gilmar Ti Yemonjá, que juntamente com outros encantados, como o Cigano de Pai Ribamar Ti Xangô, o caboclo Rompe Mato do vichê Arnaldo de Nochê Abê, a encantada Dona Mariana de Frank de Oxóssi, o caboclo Tapindaré do saudoso Luzimário Ti Obaluayê, bem como o caboclo Surrupira da querida dona Miracy Ti Ossãe deram continuidade ao culto em louvor ao santo. O novenário transferiu-se da casa de Pai Ribamar para a casa de Pai Gilmar e manteve-se constante em seu caráter religioso até os dias atuais, com seus rituais específicos e toques característicos dos tambores da Mina do Maranhão, em homenagem conjunta ao Vodun Toy Averequete e ao glorioso São Benedito, protetor dos negros e medianeiro constante da Providência Divina.

Na novena, percorre-se diariamente com o santo negro o caminho da misericórdia e vivencia-se um pouco a ternura humana e divina revelada no Cristo, Jesus, e tão bem cultivada por seu humilde servo São Benedito, como pessoa de fé constante e amor infinito.

Amanhã, aqui neste bloguinho, o traslado de São Benedito para a casa de Mãe Vera D’Oxum e Pai James d’Ogum.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

SÁBADO DE ALELUIA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Mãe Emília Sab de Aleluia 01 por você.

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Como o culto afro Mina Gêge-Nagô cumpre os preceitos da quaresma, a casa ficou fechada para rituais públicos, por isso, somente agora, quarenta dias depois, é que Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá e seus filhos recebem todos os convidados na reabertura da casa com muita alegria e devoção, como se pode perceber na fala de Mãe Emília distribuímos aqui.

Essa festa é uma reabertura da casa. A gente fecha a casa, depois da obrigação da cana verde, por quarenta dias, a Quaresma, todo esse período anterior à semana santa a casa fica fechada. Os vodunços, os orixás são recolhidos. Só ficamos em oração. A gente se guarda e pega as guias, todos os aros são recolhidos. É obrigação ficarem dentro do peji, que é aquele santuário sagrado, onde só tem os vodunços, os orixás, somente coisas sagradas ali dentro. Fica tudo ali dentro e só na Quinta-feira Santa é que se tira, pra lavar, organizar, coloca-se tudo em obrigação, que é pra no Sábado de Aleluia se usar.Só reabre no Sábado de Aleluia. Quinta-feira Santa tem a displantação da cana verde, tem a ceia que a gente faz. Na Sexta-feira Santa tem a procissão, aqueles rituais todos, e só depois de 7h da noite nós começamos a descobrir a casa toda, pra arrumar para a festa do Sábado de Aleluia.

Mãe Emília Sab de Aleluia 02 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 28 por você.

Mas antes de reabrir a casa, participamos da comunhão realizada pelo compartilhamento do santificado geum, que não pode ser registrada por acontecer dentro do peji.

Antes de tudo tem o geum, que se faz antes de abrir a casa. É uma comunhão que se faz com a comida, com o amalá, com coisas que são do santo. Ali naquela hora, já estão entregues as orações, você faz o seu pedido. Você recebe o furá, que é feito com arroz e outros mistérios que têm, come a farofa de amendoim e bebe o aluá, que é feito de abacaxi, milho, essas coisas.


Após o geum, as guias dos filhos foram entregues conforme os cargos dos filhos, e só então se iniciaram os rituais, mas com as luzes ainda apagadas…

Depois é que começa, com as luzes apagadas, somente com as velas. Quando a gente termina de cantar, que louvou Aleluia, é que se acende a luz, aí vem o clarão. Tem que se cantar para todos os vodunços, para todas as mães. Muitos descem, vem mostrar que eles estão ali.

Mãe Emília Sab de Aleluia 07 por você.



Dom João, que é mensageiro de Lissá, senhor da casa e da coroa de Mãe Emília, foi chamado para tomar conta deste reinicio das atividades. Aleluia, Dom João!

Aleluia! Dom João, olha teus filhos

Olha que o mundo mudou

Vamos dar o joelho à terra

Pra adorar nosso Senhor

Aê, manjedor, rompeu alegria

Vodun raiou

Mãe Emília Sab de Aleluia 10 por você.


Mãe Emília Sab de Aleluia 16 por você.

Pai Dinho, Pai Pequeno, segunda pessoa dentro da casa, que, segundo Mãe Emília foi deitado e preparado desde criança, quando ela andou na Bahia e no Maranhão, por isso demonstra tanto conhecimento e segurança em tomar conta da roda e dos tambores. Com sua cavernosa, potente e melodiosa voz, preenche o terreiro, enquanto as entidades vão chegando e preenchendo-o.

Mãe Emília Sab de Aleluia 12 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 11 por você.



Finalmente foram liberados os tambores deitados e chamados a baixar os vodunços para o principal rito da noite: o Abieié, “bolos” nas mãos por uma palmatória. Antes de começar o ritual, por fazer parte de uma tradição que não é mais usual e até condenável atualmente, Mãe Emília e Pai Dinho explicaram alguns significados simbólicos desse ritual, o qual também não pudemos registrar por realizar-se no peji.

Mãe Emília Sab de Aleluia 35 por você.


Depois é que se vira para o povo que vem pra levar o Abieié pros seus filhos. O Abieié é a disciplina que os vodunços vêm ao mundo para dar disciplina pros filhos, pra mostrar que eles são pais, são tudo, que a mesma passagem que passou o nosso Senhor todo poderoso, a gente vai ter de fazer também esse ritual todinho. Por isso se canta para todos os vodunços, todos os orixás. Os encantados descem, os pais espirituais descem para dar disciplina pros filhos. Eles mandam os mensageiros vir. Àqueles que não incorporaram, a obrigação é da mãe de santo da casa dar aquele bolinho pra dizer pro filho que ele cumpriu sua disciplina.

Mãe Emília Sab de Aleluia 44 por você.


Ô abieié! Ô abieié!

Ô abieié!, meu vodunço

Abieié!

Mãe Emília Sab de Aleluia 34 por você.


Seu Ubirajara baixou e veio distribuir seus disciplinantes e santificados “bolos” nas mãos dos filhos e até para os convidados.

O Abieié é, na verdade, uma pedra que é preparada durante sete dias e na qual a gente canta para os vodunços. A palmatória também é preparada durante sete dias. É uma tradição muito antiga. Muitas casas não fazem mais isso, mas a gente continua nossa tradição. Eles descem e vão naquela pedra fazer a obrigação que tem que fazer, se o filho errou a vida toda, se está errando, ou se não. Chama-se Tambor de Alegria. Tambor de Alegria porque todo mundo da comemorando a reinação de Cristo de novo. Esse bolo não é só pra disciplinar, é um bolo que espanta qualquer coisa que estiver em cima de você, se você tem uma força contrária ele vai espantar. Tem muito significado.


Mãe Emília Sab de Aleluia 22 por você.

E o tambor era realmente de alegria e contagiou a todos, tanto quem estava na roda quanto os convidados, todos regozijados pela beleza e espiritualidade do verdeiro culto Mina Gêge-Nagô. Após o Abieié, Pai Alan, que vem de uma família devotada ao santo (segundo Mãe Emília, sua mãe era mãe de santo, a avó dele era mãe de santo, do tempo da pajelança), fez as homenagens à casa e a todos que ali se encontravam.


Mãe Emília Sab de Aleluia 38 por você.

Como já passara da meia noite, então Virou o tambor para dar passagem para dona Maria Légua, filha de dona Légua de Boji Boá, da família Cambinda.

Mãe Emília Sab de Aleluia 42 por você.


Veio ainda seu Zé Pelintra, na cabeça de Pai Alan, e seu Colhe Maneiro, na cabeça de Pai Dinho.


E com dona Légua veio a irmã. Na cabeça de seu Tatá, toda a alegria da melodia empolgante nas rezas e nos volteios da dança de dona Xica Baiana.

Mãe Emília Sab de Aleluia 48 por você.

E assim a festa do Sábado de Aleluia entrou pela madrugada até o raiar da bela manhã do Domingo de Páscoa, com a comunhão de toda a alegria e satisfação de estarem ali no vigor dos cultos afro que, agora, após a Quaresma, seguirão pelo ano a fora…



SEU ZÉ MALANDRO NO TERREIRO DE PAI JOEL DE OGUM

Zé Malandro 01 por você.

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Mais uma vez o terreiro de Pai Joel de Ogum estava arrumado para mais um dia de festa e rituais da Umbanda praticada com devoção e alegria. E então a roda se fez e Mãe Maria, que é mãe de santo de Pai Joel, e Pai João, que é pai de santo de Mãe Maria, puxaram as rezas…

Zé Malandro 02 por você.


Zé Malandro 05 por você.

Zé Malandro 06 por você.

Logo Seu Zé Pelintra baixou em Mãe Maria e Seu Sibamba em Pai João, e tudo estava preparado para o primeiro ritual a ser realizado nessa noite: o casamento de Pai Joel e Dona Joana na Umbanda. A noiva já estava pronta, e o ritual do casamento prosseguiu.

Zé Malandro 07 por você.

Zé Malandro 09 por você.

Zé Malandro 08 por você.

Deixamos aqui a fala emocionada de Dona Joana, por estar realizando agora em sua religião, sob as bênçãos da Umbanda, o casamento com Pai Joel.

Eu agradeço a Deus e ao Seu Zé Malandro. Este é um dia em que me sinto muito vitoriosa, e por isso agradeço a eles e a todos os meus irmãos de santo, todos os filhos do terreiro de Mãe Maria, e também a todos os convidados. (Dona Joana, esposa de Pai Joel)

Zé Malandro 13 por você.


Zé Malandro 11 por você.

Zé Malandro 12 por você.

A noiva ainda jogou o buquê, e olha o sorriso de quem aparou, a bela morena Cíntia, filha carnal de Mãe Maria, que atenção rapaziada solteira, adeptos e simpatizantes dos cultos afro! , perguntada se já tinha noivo, revelou-nos que, ao contrário, estava sozinha. Pretendentes é o que não deve faltar.

Zé Malandro 16 por você.

E os abatazeiros, conduzidos por Seu Gilson, acertaram o vigoroso ritmo dos pontos batidos e cantados com devoção, e logo baixou Seu Zé Malandro e mais várias outras entidades.

Zé Malandro 17 por você.

Zé Malandro 15 por você.

E é pelas palavras de Seu Gilson, presidente do terreiro de Mãe Maria e também neste de Pai Joel que se percebe toda a energia que tomou conta daquele espaço e de todos ali presentes.

Eu agradeço pela força, pela luz, os dias que me trazem com muita força, com muita luz. Seu Jacaúna, que é o Pai da casa de Dona Maria, que é meu pai de santo; eu digo que é meu pai de santo, porque é pai da cabeça de Dona Maria, que é um caboco muito forte, muito formoso, que nos traz muita força e muita luz. Eu agradeço a todos os médiuns da casa de Dona Maria, que me tem respeitado, que me tem um carinho muito grande. Eu vou conduzir essa firmação, e para todos, o que eu posso fazer, eu vou fazer pra todos. A todos vocês, muito agradecido!


Também outros babalorixás presentes foram ao salão compartilhar suas bênçãos e seus pontos com a casa e honra a todos os presentes.

Zé Malandro 23 por você.

Pai Geovano de Ajagunnon

Zé Malandro 25 por você.

Pai Francisco (à direita) e Pai Alberto (ao centro)



Na harmonia que tomou conta de todos na festa, Seu Cardoso, o filho mais velho de Pai Joel, com seu vozeirão, fez um retrospecto sobre a trajetória de Pai Joel e seu caminho e amadurecimento na religião, que trazemos aqui entremeado com imagens dessa maravilhosa festa.

Não sei se estou em condições emocionais, mas quero falar algumas coisas a respeito do homem e do pai de santo também. Este rapaz veio da cidade do Rio de Janeiro aqui para a nossa cidade de Manaus. Chegou aqui, fixou residência. Há uns sete anos atrás, eu tive a satisfação de conhecer este rapaz, e meu pai me deu como um filho, fora do centro, porque aqui no centro ele é meu pai. E eu o recebi com muita alegria, e com muita emoção também. Lutou pra chegar onde está. É um rapaz muito batalhador, é um amigo, é um pai e um irmão, é um filho que Deus me deu depois de grande.


Zé Malandro 36 por você.

Trouxe na bagagem uma entidade muito boa, muito prestativa, muito amigo, chamava-se José dos Anjos da Silva. Nascido em 19 de março de 1843, desembarcou no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Hoje se encontra nesta nossa cidade de Manaus, nesse nosso maravilhoso barracão, ajudando a todos que o procuram, sem olhar a quem, tanto o homem Pai Joel quanto o Senhor Zé Malandro. Nós, os filhos da casa, estamos aqui à disposição de qualquer um cidadão ou cidadã que precise da nossa ajuda. Quero na presente data desejar sucesso, saúde, paz, muita força espiritual. Que o Senhor Deus nos dê força e luz, e para todos aqueles que nos procuram. Pai Joel, muito obrigado!

Zé Malandro 33 por você.

Zé Malandro 34 por você.

Zé Malandro 38 por você.

Zé Malandro 31 por você.

PAI JOEL DE OGUM CONVIDA

ze-malandro-convite

FESTA DE SEU ZÉ MALANDRO

No próximo sábado, Seu Zé Malandro completa 18 anos na cabeça de Pai Joel de Ogum, por isso ele convida babalorixás, filhos de santo, adeptos das religiões afro ou simpatizantes, enfim, a comunidade em geral para participar dessa maravilhosa festa.

Endereço: Rua São Marçal, nº 619 Cidade de Deus (Manaus-AM)

(Por trás da Pousada Laser)

Data: dia 21/03 (próximo sábado), às 20h

Telefones: (92)9155-3632 // 8146-8237

MPF/SP ENTRA COM REPRESENTAÇÃO CONTRA RECORD E GAZETA POR PRECONCEITO A RELIGIÕES AFRO

Como já foi dito aqui neste bloguinho pelo sapiente Pai Gilmar, as igrejas apocalípticas, que não alcançam o evangelho como “boa e nova notícia”, apresentam duas enunciações contraditórias entre si, ao mesmo tempo levando elementos próprios das religiões afro para sua prática (sal grosso, sessão descarrego, rosas, entre outros), principalmente as que usam espetaculares técnicas de tirar “espíritos malignos” até aí tudo bem para todos os pais e filhos de santo, todos são sempre muito abertos e solidários às outras religiões , mas, por outro lado, demonizando todas as entidades da Umbanda, Candomblé, Mina Nagô, Jeju, Umolocô, todas as religiões de matriz africana.

Na sua fantasia mirabolante, a maioria dos disangélicos provavelmente sequer sabia que existem tantas religiões afro, que elas são quase todas milenares, algumas muito mais antigas do que o Cristianismo paulino (não o de Cristo, o filho de Maria, que não carrega preconceitos e violentações), a maioria não sabe a mínima diferença entre Umbanda e Kimbanda, quase todos acreditam que Exu é o Diabo, que tudo é coisa do Diabo — não só os afro-religiosos, mas também os homossexuais, os ateus, as mulheres, não percebendo os incautos que ambos são religiões completamente distintas em sua origem. Os disangélicos não sabem que o próprio Satanás pertencia a uma seita que nada tinha a ver com a ainda seita cristã. E por aí vão desfiando o preconceito e a paranóia totalitários.

Quando as igrejas perceberam que a imagem não podia ficar somente na do Cristo pregado eternamente na cruz, muitos pastores, bispos despontaram na tonitruante tela total da televisão, e muitos passaram a utilizá-la como um  meio, acintosamente, para embrutecer ainda mais o preconceito a outras religiões, como ao próprio Catolicismo e principalmente às diversas religiões afro, denominadas, pejorativamente, de “macumba”. Enquanto a Constituição diz que o Brasil é um país laico, defendendo a pluralidade cultural e liberdade de credo.

Entre outras emissoras de Tv, a Record e a Gazeta, desde seus surgimentos, vêm desfiando esses preconceitos. Por isso, no ano passado, o Ministério das Comunicações aplicou às duas uma multa de R$ 1.012,32.

No entanto, como as discriminações continuaram, o Ministério Público Federal em São Paulo deu entrada na quinta-feira passada (5) numa ação civil pública, com o pedido de uma liminar, “para que as emissoras de televisão Record e Gazeta não exibam mais programas que ofendam às religiões de matriz africana”. A multa pedida, caso as emissoras descumpram a medida, é de R$ 10 mil diários.

Ao final da ação, o MPF pede que a Record e a Gazeta sejam condenadas a pagar, respectivamente, indenização por danos morais coletivos de 13,6 milhões de reais e R$ 2.424.300,00, correspondente a 1% do faturamento das emissoras, a ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.”

Na ação, a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, destacou que a liberdade de comunicação deve andar em consonância com os direitos dos cidadãos, ficando, inclusive, as emissoras em questão responsabilizadas mesmo no caso de as produtoras serem independentes.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(…) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Xangô, o orixá da Justiça, com seu machado de aço, com certeza movimentará os raios e trovões para que seus filhos possam cultuá-lo com livre devoção, e que, com a diminuição da estupidez dos preconceitos, outras pessoas, inclusive os cristãos, possam apreciar toda a musicalidade de uma reza batida no Tambor de Mina, o vigor dos movimentos do Candomblé, a energia positiva na alegria de estar num terreiro de Umbanda…

Veja aqui a íntegra da ACP nº 2009.61.00.005800-6, distribuída à 9ª Vara Federal.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

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CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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