Posts Tagged 'Gay World'

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

SEXO NÃO TEM IDADE. PROTEÇÃO TAMBÉM NÃO” – A “QUALIDADE DE VIDA” E A MORAL DE CLASSE SÃO OS VETORES DA AIDS.

O JARDIM DO AMOR

Fui até o jardim do amor

E vi o que jamais vira antes:

Uma Capela erguida no centro

Onde eu costumava na relva brincar.

E estavam fechados os portões da Capela,

E havia mandamentos inscritos sobre a porta;

Por isso voltei-me para o jardim do amor.

Que tantas flores lindas tinha.

E vi que estava cheio de covas

E lápides onde as flores deveriam estar:

E Padres de negro faziam estas rondas

Atando com espinhos minhas alegrias e paixões.

In “Songs of Experience”, de Willian Blake.

Amanhã é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, e o mote da campanha deste ano no Brasil é: “Clube dos Enta”. Cinquenta, sessenta, setenta, oitenta, noventa. É o novo nicho onde a AIDS tem se propagado.

Esta população, compreendida para a classificação cronológica como a terceira idade, tem se contaminado com impressionante rapidez nos últimos anos. Do ano 2000 para cá, o número de infectados dobrou, passando de 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7/100 mil. Segundo o ministério da saúde, em 1996, na região Norte, haviam 3 casos por 100 mil, e em 2006 este número já era de 13/100.000. Aliás, é nesta região, juntamente com o Nordeste, que a epidemia tem avançado, enquanto no Sul estabilizou-se (ainda que com números preocupantes) e tem recrudescido no Sudeste e Centro-Oeste. Há, no entanto, que se comemorar o aumento da sobrevida dos pacientes acompanhados: de 58 meses/média em 1995, passou para 108 meses/média em 2008.

A explicação para o crescimento na população idosa, segundo alguns especialistas, é a melhoria da qualidade de vida desta população, patrocinado pelo avanço da medicina em relação ao funcionamento de certos processos biológicos, como a reposição/correção hormonal e os tratamentos mara disfunção erétil. Carlos Alberto Moraes e Sá, do hospital Gafree Guinle, no Rio de Janeiro, afirma até que o aumento da contaminação é um sinal positivo, que mostra a efetiva melhoria da qualidade de vida desta população (no link, a transcrição da entrevista dada por ele ao canal Globonews, interessante. Para ver em vídeo, clique aqui).

Um outro aspecto apontado para este aumento impressionante das contaminações nesta faixa etária são as experiências extraconjugais, e aí se insere o tema do homoerotismo. Muitos homens heterossexuais se contaminam em experiências sexuais homo, e contaminam suas parceiras, que nem desconfiam das “escapadelas” de seus íntegros maridos. O mesmo ocorre invertendo-se os papéis, mas culturalmente, a força falocrática coloca o homem como o agente da hipocrisia moral.

O governo, do ponto de vista técnico-científico, faz a sua parte, e a sociedade deve engajar-se nesta luta, que é de todos. Mas, sem o exame dos enunciados que constituem a subjetividAIDS (o conjunto de elementos corporais e incorporais, signos sociais que sustentam a propagação da epidemia), não se poderá combatê-la de modo eficiente.

QUALIDADE DE VIDA?

A sociedade alcunhada moderna (ou seria pós-moderna?) elegeu o mote qualidade de vida como o principal produto do século XXI. Através da ciência e das tecnologias, procura-se ampliar o tempo que é dado ao sujeito existir como corpo bio-social. Seus principais avatares são a medicina (em suas várias vertentes, dadas ao funcionamento do corpo, a boa alimentação, etc) e as tecnologias de facilitação da vida, do contato social, da locomoção, da informação.

No entanto, a sociedade que entende e cultua a vida como prolongação dos sinais vitais biofísicos não se pergunta: “O que é a Vida?”. “E a vida, e a vida o que é, diga lá meu irmão / Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão”, cantou o alegre-revolucionário Gonzaguinha. A sociedade que cultua um modo de existir sem compreender seus bloqueios, rachaduras e transbordamentos, não cultua a Vida, mas é tanática.

Tomemos o que se chama qualidade de vida na terceira idade. A medicina evolui como ciência/nicho mercadológico complementar à indústria alimentícia. Os diversos tratamentos de reposição hormonal visam sanar um problema metabólico criado pelas substâncias contidas nos alimentos processados, conservantes, corantes, realçadores de sabor, hormônios artificiais usados nos animais, manipulação genética e outros sintéticos. Um sintoma da relação de estranheza com a comida cotidiana foi visto numa escola particular de Manaus, cujos alunos se espantam quando descobrem que o animal que estão a dissecar na aula de ciências nada mais é do que o frango que comem no almoço. E o frango dissecado nem era o animal in natura, mas sua versão “supermercado”, congelado e embalado.

Ainda: a chamada terceira idade torna-se, com suas zil doenças, a maioria proveniente do modo de existência da moral de classe, o grande nicho da indústria médico-farmacológica, que tende a reduzir tudo ao espectro biofísico.

Medicina que vai anos-luz longe de uma medicina grega, uma medicina anti-socrática, uma medicina nietzscheana. Medicina que entende a vida como realização e produção existencial-ético-éstética. O que é uma ruga? Para a sociedade de consumo, um sinal indelével do fracasso em paralisar a passagem do tempo. O mote “terceira idade” se traveste: “melhor idade”. Sentença judicativa vinda de fora, falseação do existir. Não há melhor idade, se não se é causa da própria biografia.

O idoso a quem se destinam as políticas públicas – e que excluem o idoso homoerótico! – é uma falseação, tem que viver a existência como simulação decadente do tempo paralisado. Jovens outra vez, sem jamais o ter sido? Impossível. O idoso, improdutivo, preso no enredo dos “anos dourados” de uma nostalgia perversa, tentando resgatar o que lhe foi tomado nos anos de pujança biofísica, este não tem nada a ver com a vida. Vive, sem o saber, no ressentimento de tentar reviver o que não viveu. A sociedade de consumo aprisiona a Vida como devir. Gerações inteiras nascem já com os cabelos brancos, epígonos, ou como afirma o filosofante Nietzsche, os carregadores de valores, os camelos da sociedade, os escravos do “Tu Deves!”.

A sociedade de consumo, o trabalho dissociado da sua função ontológica, as relações humanas calcadas no ressentimento, é difícil escapar à armadilha da decadência, e ela inclui um papel para o velho: não ser velho.

Ser velho, efetivamente, é perigoso para o capital. É encontrar outras intensidades, outros devires, uma outra serenidade. O filósofo Deleuze afirma que tornar-se velho é encontrar/produzir um outro gosto pela existência. Gostar a vida, experimentá-la, não no sentido da experimentação do consumo, mas deixar-se atravessar por outras intensidades e produzir outros modos de sentir e existir. A lucidez e a maturidade não são uma maldição, mas uma beatitude. Nada disso passa pela armadilha terceira idade-melhor idade do capitalismo.

Como ter qualidade de vida numa sociedade que prolonga a performance biofísica/sexual do corpo, mas esta sexualidade é resultante de uma moral castradora? Se os corpos são estranhos a seus donos? O não uso do preservativo, neste sentido, é um dos sintomas de uma sexualidade alheada de si. Como chamar de qualidade de vida uma existência preservada pelos fármacos do mercado laboratorial, resultante da deterioração das funções biofísicas do corpo em virtude dos insumos artificiais produzidos pela indústria alimentícia? Trata-se de uma ciência que não vai às causas, mas confunde-a com seus efeitos. Não há, aí, nenhum rastro de Vida.

A SEXUALIDADE BINÁRIA E A DOMESTICAÇÃO DO HOMOEROTISMO

A sexualidade binária é menos uma função biológica que resultante de uma cultura falocrática. O binômio macho/fêmea não é equivalente ao binômio homem/mulher. Na Grécia, o comportamento homoerótico não tinha este viés sexista que carrega na sociedade capitalista, e mesmo lá, aquilo que era considerado “masculino” e “feminino” tinha a ver menos com a anatomia biofísica que com o comportamento, as atitudes e crenças. Mas foi na sociedade capitalista que esta binariedade passou a excluir qualquer tipo de alternativa, classificando-a como desvio. Percebe-se claramente isto na psiquiatria do século XX, que chamava o homoerótico de invertido.

Mesmo em alguns setores do movimento LGBT, procura-se transformar o homoerotismo numa espécie de terceira via, domesticação da sexualidade. É o que ocorre com os conteúdos pretensamente pró-causa que surgem na mídia, como o propalado beijo gay, ou a presença de gays nas novelas: trata-se mais de uma capturação de ordem consumista do que um aumento da potência política. Todo o elemento intempestivo, do uso e do auto-conhecimento do corpo correm risco à medida em que a ciência/mercado domestica a sexualidade desviante transformando-a em uma inócua (consegue?) prática ordeira.

Daí esta binariedade, esta pseudo-intimidade implodir quando se trata de falar e combater o vírus HIV. O comportamento sexual-padrão (homem-mulher-fidelidade) é, certamente, o menos praticado no mundo, e aquilo que se faz por debaixo das cobertas da moral (ainda que dissimulada) torna-se mais perigoso. A AIDS é uma doença menos eficientemente combatida de um viés médico/clínico (embora este seja essencial), do que por uma desmistificação da moral sexual. A prevenção ao vírus da AIDS passa por um auto-conhecimento do corpo e da própria sexualidade, bem como a sua publicidade, não no sentido do exibicionismo, mas no sentido de ser esta uma relação de honestidade consigo mesmo e com as pessoas do entorno.

Quando isto começar a ocorrer, teremos enfim a possibilidade de acabar com a epidemia.

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

BRASIL SEM HOMOFOBIA”: UM JEITO DE PARTICIPAR

O programa “Brasil Sem Homofobia” foi lançado em 2004, a partir de discussões entre os movimentos LGBT e o governo federal. Desta discussão participaram diversos representantes de organizações LGBT de todo o Brasil, incluindo o ex-presidente da AAGLT, Adamor Guedes, assassinado na cidade de Manaus, crime de réus confessos que jamais foram presos.

O programa tem como objetivo fortalecer entidades públicas e não-governamentais que atuem na promoção da cidadania LGBT, além de capacitação na área de direitos humanos de seus agentes participantes, para que estas entidades possam na informação dos direitos, na promoção da auto-estima e em denúncias à violação dos direitos humanos da população LGBT.

O programa trabalha nos seguintes eixos:

  • Segurança: combate à violência e à impunidade;

  • Educação: promoção de valores de respeito à paz e à não-discriminação por orientação sexual;

  • Saúde: consolidação de um atendimento e tratamento igualitários;

  • Trabalho: políticas de acesso e promoção da não-discriminação por orientação sexual;

  • Cultura: política de cultura de paz e valores de promoção da diversidade humana;

O programa é articulado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (cujo secretário-ministro é Paulo Vannuchi), e envolve todos os outros ministérios, como o da Saúde, o da Educação e o da Cultura.

Mas não se pode esperar apenas iniciativas governamentais. A luta pela equiparação dos direitos civis LGBT é de todas as pessoas. Responsabilidade aqui significa assumir a sua condição (não necessariamente a orientação erótica/sexual) e se colocar em situação no mundo. Quando se assume uma posição, se escolhe um caminho no existir. Inclusive a não-escolha é uma escolha. Pode-se perfeitamente virar as costas e dizer: “não tenho nada com isso”. Mas as consequências do ato cobrarão o preço da sua escolha (mesmo que tenha sido uma escolha de não escolher).

Igualmente, de nada adiantam velhos militantes, que saíram do Brasil ou que se “aposentaram” criticarem, reclamarem, falarem mal das iniciativas governamentais, carregando o velho discurso reacionário “já fiz a minha parte”. O nosso tempo é agora, e não o ontem, e só fez a sua parte quem cumpriu com a sua pendência existencial, e não faz mais parte deste plano de existência. O reacionarismo se manifesta de várias formas, mesmo entre aqueles que se aproveitaram da força da juventude (força física, sem o uso da razão) para fazer a revolução na base da porralouquice.

Envolver-se significa amar, e amar é conhecer. Portanto, meninos, meninas e menin@s, nada de ir pra rua na doidice, tem que estudar, tem que escapar das armadilhas da subjetividade capitalística e sobretudo, tem que se fazer com amor, vigor e alegria. O programa “Brasil Sem Homofobia” está aí tem quatro anos, as iniciativas são muitas, os avanços também, e os problemas que ainda restam, idem. Mas de nada adianta reclamar de dia, ser revolucionário de Orkut ou de MSN, não se engajar e depois reclamar da homofobia do restaurante, da boite, do policial, da tevê, do…

Ame, brinque, goze, se jogue, e se engaje na luta que é sua. Falou?

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ JOINT THE IMPACT, BABY! PROTESTO CONTRA PROPOSTA 8. Mega-hiper-ultra protesto aconteceu neste final de semana em todo o território geopolítico estadunidense, contra a vitória da proposta 8 no Estado da Califórnia. Ontem, precisamente às 14:30h, horário de Brasília, gays, lésbicas, trans, aliados, amigos, parentes e animais de estimação saíram às ruas para mostrar que a população LGBT tem que ter seus direitos civis igualados como qualquer outra categoria social. Os organizadores chamaram o movimento de Joint The Impact, algo como “junte-se ao impacto”, e lembraram que a atuação política dos LGBT está longe da época da batalha de Stonewall, quando surgiu o Orgulho LGBT. Segundo o site da campanha, já são mais de um milhão de pessoas juntas no impacto da cidadania LGBT, em 300 cidades espalhadas por quase todos os Estadunidenses e dez países. É a mostra da organização social do movimento no mundo afora, mostrando que visibilidade não é estar na telinha, esperando que a Globo nos transfigure como hiper-cidadãos midiotizados, mas é indo às ruas, carregando as potências de agir e criando comunalidades. Come on, baby, let’s shake the world! Sentiu a brisa, Neném?

Φ CONFIRMADA CONFERÊNCIA ILGA NO BRASIL EM 2010. Encerrou-se na semana passada a 24a Conferência Mundial da ILGA (International Lesbian and Gay Association), em Viena, na Áustria. Dentre várias discussões relevantes, a realização da próxima edição do evento ficou marcada para o Brasil, em 2010. A razão, segundo Beto de Jesus, da ABGLT, é focalizar a situação dos LGBT do hemisfério Sul, principalmente a África, Ásia e América. O Brasil disputava a indicação com o Canadá. Já ocorreu, em 1995, no Rio de Janeiro, uma conferência internacional, e agora será a oportunidade de se discutir mudanças nas leis e na condição social da população LGBT. Ótima oportunidade para os movimentos sociais ligados à causa se prepararem e participarem desta discussão em nível mundial. É bom lembrar que entidades como a ILGA auxiliam com pressões políticas quando de eventos nacionais que repercutem e não encontram nos governos uma resposta adequada. Como ainda não há a confirmação da cidade onde vai ocorrer, é ir se preparando. Luzineyda e Frankernilda já preparam a apresentação do tema “AIDS: doença da moral capitalista”, para apresentar no dia, com direito a apresentação teatral. E vocês, o que vão apresentar? Sentiu a brisa, Neném?

Φ CASAMENTO GAY NA SUÉCIA SERÁ LEI. O primeiro-ministro sueco, o gatíssimo Fredik Reinfeld, anunciou esta semana que até maio de 2009 a lei que garante o direito ao casamento religioso na Suécia estará em vigor. Atualmente, só é possível a união civil. A igreja Luterana já mandou avisar que celebra os casamentos com o maior prazer. Para quem se sente na necessidade de aprovação divina para sua união, é uma ótima notícia. E pra quem ainda não tem namorado ou namorada, vale a pena procurar um sueco ou sueca de olho azul como os da Vitorinha e se esbaldar no amor! Ui, tamos lá! Sentiu a brisa, Neném?

Φ PAR-LAMENTARES EVANGÉLICOS CONTRA SUS E TRANS. Até que demorou, não é? Mas apareceu a bancada disangélica da Câmara dos Deputados para tentar barrar a portaria do ministério da saúde que implantou a cirurgia de redesignação sexual no SUS. Mais calejados pela laicização do Estado, os deputados Miguel Martini (PHS/MG) e João Campos (PSDB/GO) não apelam para o fogo eterno nem para o ciúme e ódio divinos: afirmam que o SUS não oferece tratamentos básicos de saúde, e portanto não poderia gastar com “supérfluos”. Mesmo não apelando para os preceitos bíblicos da interpretação apocalíptica do livro sagrado, os par-lamentares se equivocam e mostram a fraqueza dos argumentos: primeiro, porque a redesignação sexual é sim caso de saúde pública. Na medida em que o desconforto com a condição biológica exista, e seja causa de constrangimento e de limitação de direitos civis na prática, é imediatamente reconhecido como um problema de saúde pública. É um critério da OMS. Caso contrário, na lógica dos varões da moralidade de classe, qualquer pessoa que precise de uma cirurgia mais complexa deveria ficar fora da cobertura do SUS, já que este, segundo as palavras de João Campos (que deve ter seu planozinho de saúde privado), “não tem condições de atender mulheres durante o pré-natal”. O que, convenhamos, não é verdade. Em qualquer casinha de saúde as cidadãs brasileiras têm acesso a métodos contraceptivos e ao pré-natal, e se não o fazem é, em grande parte, graças ao enunciado teocrático defendido por pessoas como os dois par-lamentares. Outro aspecto da fraqueza intelectual do argumento dos deputados é o fato de eles quererem limitar a ação da saúde pública brasileira: se não existem recursos para tais operações, é obrigação dos deputados, atuantes do poder Legislativo, lutar não para que um lado ou outro da saúde pública seja alijado, mas que TODA ELA tenha recursos para funcionar a contento, tanto a oncologia (citada pelos par-lamentares), as cirurgias, o pré-natal E A operação para redesignação sexual. O argumento dos deputados é uma confissão de inapetência civil e intelectual para a prática da política legislativa e executiva. Ó, povo mineiro e goiano, a quem escolheste como representantes! (Se fossem só os mineiros e goianos…). É realmente par-lamentar, hihihihihihi! Sentiu a brisa, Neném?

Φ CLAUDINHA LEITTE, TÃO BONITINHA, TÃO… Causou espanto as declarações da cantora Claudia Leitte e de seu marido no tal Superpop, na última semana. Embora cause ainda mais espanto que ainda existam gays que acreditem na importância deste tipo de programa, a frase de Claudia é sintomática do Complexo de Tolerância que surge como parte desta subjetividade de fetichização dos homoeróticos. A aceitação e “tolerância” dos homoeróticos na tevê e na moralidade de classe se dá menos do ponto de vista da construção de novas formas de relações do que da incorporação de novos mercados, notadamente no plano econômico. Em nenhum momento na Globo, ou qualquer outra emissora – incluindo a autoproclamada tolerante MTV – os gays, lésbicas, trans, são tratados para além do estereótipo. Isso inclui a vertente-clichê do gay moderninho, o que é inodoro, insípido e incolor, e não ofende a boa família pós-moderna (que nem existe). Enquanto multidões esperam se ver transfiguradas no hiper-real da telinha global, numa novela com happy end, a homofobia mata, e é estimulada por esta mesma televisão. A revolução não será televisionada, até os gays da ensolarada Califórnia sacaram essa. Os códigos são os mesmos, seja na novela das oito, seja no alcunhado humorístico do sábado à noite, onde o rebolado afetado e o chiste em falsete à Lá Cirque des Horreurs reina para deleite da má consciência e mesquinhez intelectiva dos telespectadores-videotas, independente da orientação erótica/sexual. Assim o é também na música, e não nos venham com Ivete, que é clone de Claudinha. Se a dona Leitte falou o que falou, é por ser mais franca do que a diva do Rebolado golpista, e não receia expôr os clichês que sustentam o seu existir. Ivete, afilhada do Carlismo baiano, jamais trocaria um ouvinte fiel por uma declaração sincera. Claudinha é isso, adora os gays, não tem preconceito, tem muitos amigos gays, mas na casa dela, com o filho dela, não. A frase é mais velha do que a psicanálise, e tem quem ainda não a tenha compreendido como libelo da homofobia bem comportada. Como espetáculo do hiper-real, reality show que se assiste exibido na casa da vizinha, tudo bem. Mas quando o artifício se desfaz, e o real aparece em casa de lábios pintados, desmunhecando e dizendo: “mamãe, já sou!”, a coisa muda. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

O ORGULHO DA RAINHA D`ESPANHA

A rainha da Espanha, Sofia, trouxe duas palavras para a discussão. Mas o movimento LGBT espanhol não topou o confronto no campo da razão. Pena, pois teria muito a ganhar.

Matrimônio” e “orgulho”. Segundo o livro “La Reina”, da jornalista Pilar Urbano, que entrevistou sua majestade, Doña Sofia afirmou que os homoeróticos podem realizar todos os requintes da tradição do casamento, mas não podem usar a palavra matrimônio, pois que não se trata do mesmo. Igualmente, afirmou não entender porque os homoeróticos devam ter orgulho de sua condição, e não crê que o contrário – ser hetero – seja também motivo para se orgulhar.

Embora seja uma discussão que há muito já deveria estar superada, ainda existem homoeróticos que defendem o orgulho, assim como ainda há aqueles que acreditam que a redenção virá pelo hiper-beijo na novela das dez.

O orgulho é um afeto/idéia. É orgulhoso quem tem de si uma idéia maior do que realmente o é. O orgulho é, em quase todas as suas manifestações, um afeto decorrente não de produções subjetivas, não de ações, mas de reações – é um ressentimento. O presidente da Federação espanhola LGBT afirmou que a parada do orgulho gay é a manifestação símbolo da luta contra a homofobia. Ele está certo, mas a parada gay não pode ser confundida com o orgulho.

A má consciência, estado de coisas imobilizado/imobilizador que demanda um modo de existir paralisado, indesejante, que existe em função do ódio ao outro, é causa, e o efeito pode ser o orgulho. O filosofante Nietzsche, ao produzir o conceito de má consciência, o faz a partir de uma análise filológica do cristianismo paulino: a lógica do ódio aos senhores, a moral do escravo, “existo porque te odeio”. Nada mais anti-gay. A operação existencial da má consciência exige acreditar num Si superior ao outro apenas pela força da crença supersticiosa. O orgulho é, pois, um afeto triste. Aquilo que faz com que os chamados cristãos se creiam superiores aos demais humanos, e sintam desprezo pelos homoeróticos não é outra coisa senão orgulho.

Portanto, cuidado com o orgulho. Não é necessário se afirmar patologicamente como superior ao outro para exigir respeitabilidade: o que é necessário é produzir comunidades onde o Desejo pela diversidade seja possível. Desejar, não tolerar. Sem orgulho, mas consciente da sua importância para o mundo, seja qual for a orientação sexual/erótica.

Quando à palavra “matrimônio”, o que vale mesmo é questionar não a palavra em si, já que ela se refere a um aspecto de ordem econômico da relação: matrimônio/patrimônio. Mas vale promover discussões sobre os estereótipos e clichês do casamento. Se é para repetir na existência a dois os mesmos enunciados, o mesmo estado de coisas, a mesma aridez dos modos de existir, a luta pela prevalência de uma consciência sobre a outra, melhor mesmo chamarmos de qualquer outra coisa, menos “casamento”, “matrimônio”, etc.

Já que o homoerotismo carrega o elemento intempestivo da diversidade, que ela seja uma diversidade-multiplicidade, e que permita que pela existência se passem outros afetos e perceptos, e que não se repitam os erros dos casais heteros: que o amor não termine no casal, mas que transborde no social, modificando-o. Aí, sim poder-se-á dizer que foi um casamento gay pra valer. Fora disso é o Mesmo, ainda que entre dois homens ou duas mulheres.

No mais, ignorem a rainha como pessoa. Imaginem o quanto ela teve que “cortar”, extirpar da própria existência em termos de produção existencial para exercer, até agora, o penoso papel de rainha. Tadinha, somos mais a Priscylla, a Rainha do Deserto. I will surviiiiiiiiiveeee… Uh!

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ PSICÓLOGOS BRASILEIROS REPUDIAM HOMOGENISMO CATÓLICO. O Conselho Federal de Psicologia mandou avisar ao Papa bento XVI que, ao contrário da igreja católica apostólica romana e de suas co-irmãs disangélicas-apocalípticas, não considera o homoerotismo uma patologia. A categoria profissional, organizada em seu conselho de classe, repudiou e vetou veementemente a atuação de psicólogos na tentativa do Vaticano de barrar candidatos que apresentem, dentre outras características, “dependência afetiva forte, identidade sexual incerta e tendência arraigada à homossexualidade”. Ui, Papai tá aí? Os psicólogos nessa deram uma dentro e bem gostoso! A Resolução 001/99 – quase dez anos, vê só, Genoveva! – determina que nenhum psicólogo poderá participar de eventos ou oferecer serviços que proponham tratamento ou cura da homossexualidade. Além do mais, é proibido por lei quaisquer tipos de preconceitos em processos seletivos profissionais, ainda que o objetivo seja uma profissão sacerdotal. Tem língua maldosa por aí dizendo que as tias enrustidas do Vaticano não querem concorrência. Nada, esta colunéeeeeesima já deu um toque aqui no domingo passado, e essa decisão dos psicólogos já era esperada, apesar do conservadorismo da categoria em alguns assuntos. De qualquer sorte, quem souber d’algum psicólogo ou “a” que resolva participar da lezeira vaticana, que informe sobre o incompetente ao conselho regional competente. Sentiu a brisa, Neném?

Φ PROPOSTA 8 É APROVADA NA CALIFÓRNIA. Parece que a Califórnia não entrou na onda “progressista”do restante do país, que elegeu um negro para presidente dos Estados Unidos. A proposta 8, que acrescenta na legislação do Estado a partícula semântica “união entre um homem e uma mulher” na definição de casamento, foi aprovada com uma pequena mas determinante margem: 52 a 48. Outras propostas semelhantes, no Arkansas, Flórida e Arizona, também foram aprovadas. Para alguns, estranheza, já que o clima era de abertura e tolerância pela eleição de Obama. Ledo engano: a tolerância efetivamente se fez presente, já que Obama foi eleito não por ser negro, mas apesar de sê-lo. A questão é sempre de economia, e Obama surgiu como o mais capaz de resolver o problema da falsa crise, ainda mais quando o seu adversário tinha ligações viscerais com o governo Bush, responsável pelos últimos estertores do neoliberalismo. Mesmo a mobilização de artistas não foi suficiente para arrancar uma derrota da proposta retrógrada. Não seria o caso de pensar se a arte que eles fazem, no seu cotidiano, não é mais afeita à homofobia do que ao engendramento de novas produções existenciais? De qualquer sorte, os estadunidenses não surpreendem, nem mesmo quando elegem um negro, e diga-se de passagem, que gato! “So Cute!”, como afirmou sua esposa, a também bela Michele Obama. Sentiu a brisa, Neném?

Φ NA USP, SÃO OS PSICÓLOGOS QUE COMBATEM A HOMOFOBIA. Enquanto os veterinários desanimalizam o corpo e se escandalizam moralmente com uns amassos homoeróticos, a turma de psicologia aproveitou o tema, o beijaço gay de protesto – que outra “categoria social” tem categoria suficiente pra protestar beijando, hein, hein? – e organiza a festa intitulada “POR AQUI PODE”. A lambança musical-afetiva acontece no próximo dia 14 deste mês, e lá o amor não tem amarras moralistas – com preservativos, é claro. Dois dias antes, é a moçada das Letras que vai organizar um protesto em frente à reitoria para que a instituição se posicione formalmente sobre a agressão sofrida pelos amigos coloridos Jarbas e Eduardo. Esta colunéeeeesima avisa que não poderá estar de corpo presente, mas nas manifestações alegres e autônomas de afeto democrático, tamos lá! Te joooooga, Frankernilda doida! Sentiu a brisa, Neném?

Φ 007 NEGRO PODE, 007 GAY NÃO. HMMMM… SERÁ, MANA? A tolinha produtora de filmes 007, Barbara Broccoli, afirmou que um 007 negro é possível, agora que temos um presidente negro, mas um 007 gay jamais. Segundo ela, uma desmunhecada de Bond, James Bond, seria incompatível com o seu “caráter original”. Ai, mocinha desinformada… Se ela soubesse que o estereótipo do machão, do conquistador, do “comedor”, que anda por aí flertando com belas mulheres e segurando aqueles canos enooooormes e pistolas descomunais (hmmm, nêga, nega…), é o que há de mais gay no imaginário estereotipado do homem comum, segundo a psicanálise. Diferente das mulheres, que usam artifícios e adereços para encontrarem no olhar do homem a sua razão de ser, para os homens é o olhar do outro (homem) que interessa. Daí os adereços materiais e imateriais serem sempre ligados à força. Psicanaliticamente, o homem que coqueteia, que procura ser entre os amigos o famoso “comedor”, não o faz pensando nas mulheres, mas sim em conquistar o amor dos outros homens, o olhar de admiração deles. Ai, James, quantos suspiros masculinos arrancas a cada vez que saca esse armaço do coldre e balanças ele por aí. Bushes mundo afora deliram. “Você é o homem que eu quero ser”, sonham seus fàs. Mais assumido que isso, só assumindo. São as agruras da insegurança sexual: apelar ao clichê machão para ocultar aquilo que está evidente. É o latente se manifestando. O produto 007, com seus músculos, sua força, seu charme irresistível, certamente não foi feito para conquistar os corações femininos. Como produto de consumo, é para tocar exatamente no aspecto homoerótico latente (oculto) do homem: sua insegurança sexual. Barbara, benzoca, como és desinformada! James Bond já nasceu gay, meu amor! Ele nunca nos enganou, ui! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A HOMOGENIA PAULINA DE BENTO XVI

A Igreja Católica Apostólica Romana tem muito mais de Paulo de Tarso do que de Cristo. Aquilo que Jesus, o Palestino, trouxe como mensagem de alegria, uma mensagem política, de libertação das paixões e de atuação comunitária, foi transformado por Paulo – não ele, individualmente, mas auxiliado pela subjetividade da época – em uma igreja cultuadora da dor, da imobilidade, do ressentimento, da inveja, da mentira, da ilusão.

O grande jejuador, aquele que despreza o próprio corpo e o transforma no santuário da privação, independente da igreja ou denominação religiosa que professe, é um decadente. Humano, demasiado humano, portador de uma enfermidade: a daqueles que renegam sua própria natureza – natureza aqui não como essência, mas como condição estética-materialista de existir – e cultuam a autoflagelação. Direcionam o ódio nascido de uma existência passiva contra si mesmos, e são adoradores do sofrimento e da dor. Daí Paulo inserir na sua igreja figuras como o Cristo eternamente crucificado, a Dívida Eterna, impagável pelos mortais que ousaram matar o avatar do Divino, o Pecador, que só resgatará a dívida eterna após a morte, e o próprio Pecado, deterioração de atos humanos sob a ótica corrompida do dever através de uma causa externa. É o comercio entre seres imaginários, segundo o filosofante Nietzsche, que amou Rilke e Lou-Salomé.

Este é o tipo que compõe a igreja católica – e, por tabela, as disangélicas apocalípticas – e que, através de seu sacerdote-mor, Ratzinger, instituiu a figura do psicólogo nos seminários, a fim de identificar e segregar candidatos com perfil homoerótico. Segundo o documento, elaborado pelo próprio Ratzinger a partir de uma ordem do então Papa João Paulo II, os psicólogos deverão identificar traços de “dependência afetiva forte, identidade sexual incerta e tendência arraigada à homossexualidade”. A justificativa é evitar os casos de pedofilia e pederastia que constituem epidemia mundial entre os padres.

Há que se fazer duas observações sobre o caso:

Primeiro, o motivo da segregação – que em alguns países, incluindo o Brasil, é ilegal – não se reduz à discriminação, saída do culto ao esvaziamento da potência política-sexual do corpo, mas envolve interesses econômicos também. Assim o foi com o celibato clerical: a vedação ao casamento e procriação, foi instituída primeiramente no Concílio de Elvira, em 307 d.C., e posteriormente confirmada e transformada em regra no Concílio de Latrão, em 1123. No entanto, ela não é um dogma e nem consta nas leis do Direito Canônico. O motivo principal, portanto, é econômico: os padres, e principalmente os papas, não podiam ter descendência, sob o risco de, pelas leis de linhagem e herança, requererem legalmente as riquezas católicas que eram administradas por seus pais. Da mesma maneira hoje, milhões de dólares, principalmente nos EUA, são gastos com processos jurídicos contra padres, bispos e outras autoridades eclesiásticas acusadas de pedofilia e pederastia. Homos e héteros.

Segundo, o papel da Psicologia e dos psicólogos como portadores do saber necessários à política segregacionista do Vaticano. Não é, também, de hoje que a Psicologia se presta a estudos e práticas nocivas aos Direitos Humanos. A pretensa ciência que se encarrega de estudar o comportamento, motivações e paixões humanas, na sua vertente Organizacional, ou Empresarial, nasceu a partir de estudos neuropsiquiátricos dos exércitos beligerantes, sobretudo na Segunda Guerra Mundial. Segundo aponta o psicólogo existencialista Erich Fromm, a psicologia de estudo dos padrões, e que atualmente é usada em processos de seleção para emprego em indústrias e no comércio, foi originalmente usada em benefício da guerra. Os avanços na psiquiatria forense e na psicologia das habilidades se davam a partir do momento em que o exército demandava pessoas com características individuais precisas para determinada atividade (por exemplo, um caráter detalhista, quase obsessivo, trabalha bem em atividades que exigem grande concentração, como na indústria balística). Para atirar à queima-roupa em um inimigo, é preciso que o soldado tenha algum grau de desvio do senso de solidariedade e de empatia com o outro. Cabe ao psicólogo descobrir os melhores “matadores”. Atualmente, a figura do psicólogo é essencial às forças armadas, desde a seleção dos candidatos até o desenvolvimento de novas armas (como por exemplo, a bomba-gay).

Assim, a questão é de homogenia: a produção de “humanos-padrão”, com os mesmos hábitos, os mesmos gostos, e o mesmo amor à Deus. O homoerotismo faz parte do Cristianismo desde os tempos de Jesus, que escolheu 12 homens para segui-lo, embora amasse mesmo Maria Madalena, com quem, segundo evidências ocultadas pelo Vaticano, casou e teve filhos. No século das Luzes, o filósofo e enciclopedista Denis Diderot usou o humor para evidenciar o moralismo teocrático, em sua obra “A Religiosa”, que mostra o homoerotismo e os abusos sexuais nos conventos europeus. Assim, a igreja apenas coloca em prática mais uma tentativa natimorta de expurgar o estranho. No caso da doutrina da decadência, o ideal ascético, o estranho é o si-mesmo como espectro. O estranho “prazer” de renegar aquilo que Deus, auspiciosamente colocou logo abaixo da cintura, à frente e atrás, para deleite e prazer dos seres humanos na Terra.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ SE O MUNDO É GAY, O FUTEBOL TAMBÉM É. A FA (Football Association), da Inglaterra, promoveu na semana passada o fórum “Homofobia: o fim do tabu no futebol”. Lá, o ex-jogador John Elliot disse ter conhecido pelo menos 12 jogadores homoeróticos nos clubes por onde passou. Elliot jogou no Chelsea, Aston Villa e Celtic (Escócia). Segundo ele, o maior impedimento para que os jogadores assumam a sua orientação sexual é o medo da reação dos fãs. Na mesma linha de combate, o grupo “Kick Out!” pretende lançar um programa de palestras de jogadores em escolas e outros ambientes públicos, sobre a incompatibilidade entre homofobia e futebol. Haverá também, por parte da comissão de direitos humanos, a iniciativa de produzir um vídeo com mensagens contra a homofobia, gravadas por jogadores heteros, e divulgado na MTV, em escolas, e antes das partidas do campeonato inglês. Excelente iniciativa, afinal é o amor, e não o ódio, que leva 22 homens a brincarem juntos tendo uma bola como justificativa. E não nos venham com essa de que futebol é coisa para macho! Nem se fosse pela biologia, seria, afinal, as fêmeas se dão bem no quadrado riscado em giz dos gramados. Não por acaso, a Frangisleyne foi convidada para ser beque-central de um time do torneio do campo do Roma, lá no Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SISTEMA PRISIONAL PERNAMBUCANO DISCUTE HOMOFOBIA. Começou a funcionar na semana passada, em Pernambuco, o projeto “Unidades Prisionais Sem Homofobia”. A iniciativa saiu de um estudo feito pela ONG “Movimento Gay Leões do Norte”, que detectou a situação vexatória dos prisioneiros LGBT em presídios do Estado. O projeto consiste em palestras e encontros com os detentos, a iniciar-se pelos de orientação sexual definida, e nesses encontros, se discutirão questões de saúde e cidadania, além de informações sobre como se define a orientação sexual. O movimento ainda organizou o Centro de Referência Contra a Homofobia, que reunirá advogado, assistente social e psicólogo, e atuará na defesa dos direitos LGBT. Excelente iniciativa, de um movimento que realmente movimenta intensivamente e democraticamente o Estado de Pernambuco. Pena que esta energia, esta potência de agir não contamine outros movimentos Brasil afora. Teríamos certamente um impacto na violência social homofóbica que é reinante neste país. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SÃO JOSÉ DO RIO PRETO TEM AMBULATÓRIO “T”. A cidade do interior paulista acaba de inaugurar o ambulatório de saúde T, localizado na UBS do Jardim Vetorazzo, especializado no atendimento de travestis e transsexuais. O diferencial fica por conta do treinamento dos funcionários que atuarão no ambulatório, e no tratamento especial, que começa pelo uso do nome social. A iniciativa é da ARTTS (Associação Rio Pretense de Travestis e Transsexuais), Secretaria Municipal de Saúde e o Centro de Referência no Combate à Homofobia. O objetivo principal é atrair o segmento para os programas de saúde oferecidos pelo SUS, já que o ambulatório tradicional costuma afastar este público. E não se trata de segregação ou mesmo de beneficiamento de um segmento: aqui vale o mesmo entendimento da Lei Maria da Penha, o de que, na prática, o Estado deve promover ações de diferenciação para garantir a igualdade civil. Sentiu a brisa, Neném?

Φ GOVERNO DO RIO GARANTE PENSÃO A EX-COMPANHEIRO. A Polícia Militar do Rio de Janeiro negou; mas o governador Sérgio Cabral, como chefe maior da polícia, desnegou e concedeu ao companheiro do soldado Franklin Pereira Duarte, morto em serviço há 11 anos, pensão previdenciária. Cabral usou a lei estadual 5034/07, que garante o benefício a casais do mesmo sexo. O casal vivia junto desde 1989, e comprovou através de documentação e testemunhas. Um avanço que mostra que o governo carioca não é aliado somente em época de eleição, e que garante na prática a execução de leis que auxiliem na consolidação da cidadania LGBT. Nesse quesito em especial, o governo do Rio tem sido atuante. Ai, bate 10 Sergito! Sentiu a brisa, Neném?

Φ BEIJAÇO GAY CONTRA A HOMOFOBIA NA USP. Alunos do curso de Letras, Jarbas Lima e José Eduardo foram expulsos e constrangidos de uma festa do centro acadêmico de veterinária da USP, na semana passada. O ato foi registrado como homofobia na polícia, e foi programado um beijaço gay na frente do centro acadêmico, como forma de protestar. O CA de Veterinária contra-argumentou que o ato ocorreu por conta de “excessos”, e não pelo beijo em si. Afirmaram também que existem gays no centro acadêmico (justificativa na ponta da língua de dez entre dez homofóbicos: “eu não sou homofóbico, tenho até amigos gays” – falaremos sobre isso em breve). O certo é que um beijo incomoda a quem já é incomodado pela própria insegurança sexual, e desmonta o argumento de que homofobia e classe social são inversamente proporcionais. Alguém se habilita a ir a este protesto e protestar com a Janderlayne? Sentiu a brisa, Neném?

Φ GLOBO ABUSA DE CLICHÊS HOMOFÁLICOS. Enquanto alguns capturados pelo romantismo sequelado, o mesmo de Lindemberg, esperam a redenção moral pela transfiguração do beijo no hiper-real da telinha plim-plim da homofóbica Globo, a emissora-castradora continua utilizando o homoerotismo no seu aspecto mais pobre para lucrar: o clichê, signo-icônico que fortalece no receptor os enunciados que ele já possui, sem provocar alterações. Ou em outras palavras: fortalece a homofobia. Em uma cena de novela, uma personagem homoerótica, ao ver o amigo dar de presente a um recém-nascido um uniforme do Corinthians, afirmar que a criança será São-Paulina. Clichê vindo do homofóbico futebol brasileiro, fortalecido pelo inseguro-sexual Vampeta, que apelidou os tricolores de “bambis”. Torcedores do time do Morumbi protestaram, telefonando à emissora. Não se sabe de reações de grupos homoeróticos à comparação com torcedores do clube. Nos dois casos, caberia processo, já que o objetivo de uma concessão pública de canal de televisão deve servi a interesses democráticos, e não de disseminação de homofobia e de censura à inteligência. No entanto, além do processo jurídico que cabe neste caso, o processo mais eloquente e determinante pode ser dado individualmente, por cada inteligênciaque ainda não o fez: condenar em primeira e única instância a sequelada Globomofóbica, desligando a tevê. Cruuuzes, Jakelayne, se nenhum programa presta, então desliga essa desgraça! Sentiu a brisa, Neném?

Φ OUTRO MILITAR SOFRE DISCRIMINAÇÃO NA CORPORAÇÃO. Em 2004, o tenente Ícaro Ceita assumiu sua homoeroticidade dentro da corporação da PM baiana. A partir daí, passou a sofrer todo tipo de discriminação, tendo desenvolvido sintomas de depressão, ao mesmo tempo em que sofria processo por suposta deserção. Em entrevista ao jornal Correio da Bahia, o militar relatou sofrer retaliações, e ter sido chamado de “a vergonha da corporação” em público. Esta semana, saiu o parecer do procurador Luiz Augusto de Santana, do Ministério Público da Bahia, que afirma, dentre outras coisas, que a homossexualidade é incompatível com a carreira militar. A revista “A Capa” trouxe alguns trechos do depoimento, que trazemos, a título de humor involuntário do promotor, para os leitores intempestivos. Os grifos são nossos: 1) “…É que no militarismo todas as atividades são coletivas, ou seja, dormimos juntos em alojamentos comemos em ranchos coletivos, tomamos banhos de forma coletiva, usamos os mesmo vaso sanitário …. e por isso não sei quais reações teria um homossexual no meio de pessoas do mesmo sexo despidos, mas certamente não reagiria como os heteros, por que eu por exemplo, afloraria minha libido. Em curtas palavras, ficaria excitado na presença de uma mulher despedia, ou a mulher na presença de um homem, coisa natural a qual quer ser normal”; 2) “Contudo, como cientificamente já provaram que a mente do homossexual funciona igualzinho a mente do hetero do sexo oposto, a coisa ficaria complicada, e possíveis reações de assédio poderiam desaguar em instabilidade disciplinar, com prejuízos sérios para a própria corporação...”; 3) “Um homossexual jamais pode ser apontado como pessoa discreta em suas atitudes e maneiras, e que pode servir de exemplo a quem é alvo do seu preparo moral. Isso pode funcionar até em outra nação, mas ainda não no Brasil, embora tenhamos avançado muito nessa questão…”. Em determinado momento do parecer, o promotor cita a deontologia do militarismo, que versa sobre a “boa” prática, a que beira a perfeição. Pois bem, percebemos o quão distante estão os métodos, crenças e competência técnica do promoto, de um deontologia do Direito. No primeiro trecho, ele usa a si mesmo como exemplo, partindo do particular para o geral, quando o sentido do uso de uma lei é bem o contrário: julgar o particular pelo geral. Se o argumento do promotor fosse verdadeiro, não haveria um só lugar no mundo onde homens e mulheres pudessem estar juntos que não fosse no ato sexual. No segundo trecho, o pseudocientificismo do promotor vai de encontro às últimas descobertas das neurociências sobre o cérebro, além, é claro, do emprego da palavra “igualzinho”, bem coloquial para uma peça jurídica. No terceiro trecho, o promotor julga o Brasil inferior à outros países na questão dos direitos LGBT, que são mais “avançados”, embora acredite que “jamais” um homoerótico poderá se adaptar moralmente à sociedade. Mais paradoxal impossível. Vê-se bem que o poder judiciário da Bahia está muy bem representado, na competência, justeza e progressividade deste representante ora citado aqui. Ironias à parte, a peça jurídica dá abertura para um processo contra o Estado e contra o promotor, já que extrapola os limites do argumento cabível e recai no pseudocientificismo e no “achismo” do promotor, que age de acordo com seus próprios preceitos morais. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

E A HOMOFOBIA? É CASADA? TEM FILHOS?

Leitor intempestivo, até onde vai a sua homofobia? Tem certeza de que sabe onde ela começa e onde ela termina? Em que situações ela se manifesta, e como ela, a homofobia, esse nó constituído da moralidade de classe, perpassa a sua consciência e em quantos planos e em que intensidade consegue se manifestar?

As perguntas surgem a partir da reação de parte da chamada comunidade LGBT em relação ao episódio que ficou conhecido como “propaganda eleitoral homofóbica” na campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo.

A MORALIDADE: “O” MODO DE EXISTIR

A moralidade de classe (de onde sai a homofobia) é um enunciado: significa que carrega valores, dizeres e supostos saberes sobre o mundo e as coisas. Ela enuncia um modo de existir. Um modo peculiar, que não suporta elementos diversos daqueles que o compõem. O filósofo Michel Foucault estudou as contradições do capitalismo a partir da forma como seus dispositivos e produções servem à manutenção deste modo de existir. Deleuze e Guattari, apontados por alguns como continuadores da obra foucautiana – melhor seria dizer “descontinuadores” – mostraram como as produções não-convencionais, a loucura, a arte, o desejo fora dos ditames da “boa ordem” são capturados pelo capitalismo, domesticados, no sentido de seus valores e signos “rebeldes” serem eliminados ou esvaziados da sua potência revolucionária, até se transformarem em parte do “sistema”. O que os freudianos (não Freud) entenderam como sendo a sublimação.

A HOMOFOBIA: DISCURSO SAÍDO DO ENUNCIADO MORAL

Daí o discurso homofóbico partir de um juízo de valor sobre quaisquer práticas estéticas/eróticas sobre o corpo e a partir dele, que apresentem-se como diversas do padrão teo-bio-lógico, que pretendeu – e conseguiu, até certo ponto – clivar nas “ferramentas da sexualidade” uma função e um móbil bem definidos. A procriação e um prazer “familiares”. Prazer este que “deslocou” o gozo da mulher do clitóris para a vagina, e que condenou à não-existência a estimulação prazeirosa por quaisquer outros meios. Mesmo a pornografia de mercado, neste sentido, é ainda uma moralidade do corpo, pois à sobrevivência do capitalismo, é necessário simular o seu oposto. Opostos iguais, ambos desprovidos da potência Eros, a estética do Si produtora de afectos que aumentem a potência de agir.

É CASADO? TEM FILHOS?”

A quem incomodaria estas duas perguntas, que são feitas cotidianamente, de uma entrevista de emprego a uma paquera? Quantas conotações ela é capaz de assumir, dependendo da situação, e que pruridos morais ela movimenta por debaixo da mesa? Vejamos um exemplo: o carinha conhece uma carinha, fica a fim dela na balada, encosta, vai batendo um papo, xavecando, o interesse é mútuo e não fica apenas em uma transa ou uma ficada. Haverá o momento em que ele ou ela perguntarão ao outro: “tens filhos?” Aí pinta a angústia, principalmente das mulheres: boa parte dos homens não pretende assumir compromissos com mulheres solteiras e com filhos. É o complexo de Jacamim ao contrário. Por trás das zil desculpas para não assumir o namoro, os valores morais que a sociedade burguesa adesiva às mulheres solteiras com filhos: o complexo do fracasso – não constituiu família, não casou, não “se deu bem”.

No caso da pergunta da campanha de Marta, ainda que estes fatores sejam importantes politicamente, e que não se reduzam à “privacidade” dos candidatos a políticos profissionais, houve um equívoco, e por uma razão. Marta, psicóloga, militante dos movimentos sociais, que já defendia o direito LGBT décadas antes disso virar IN nas rodas eleitorais até dos partidos de direita, não leu a sociedade paulista, a imprensa paulista, uma das mais retrógradas do Brasil, grande responsável historicamente pelas desigualdades sociais e econômicas do país, a chamada “elite branca”, criticada até pelo seu ex-governador, Cláudio Lembo, do direitista DEM. Se por omissão (ela alega não ter sabido a tempo que o comercial iria ao ar daquele jeito) ou por descuido, o fato é que entregou munição ao adversário, bem mais aparelhado do ponto de vista midiático. Mas a falha não foi uma suposta homofobia de Marta, mas a de utilizar um expediente bem “à direita” de suas tradicionais campanhas: o de atingir o público conservador paulista em um de seus alicerces, a família. Décadas atrasada em sua análise da sociedade de consumo, Marta não sacou que este conceito, em termos políticos e de administração pública, só é importante nos delirantes nichos da ultra-super-übber direita-esquerda, à Lá Heloísa Helena, Jean Marie Le Pen, etc. Usar a intimidade de maneira escatológica é modus operandi deles: a homofobia partiu da interpretação do episódio feita pela imprensa kassabista.

O DISCRETO CHARME DA HOMOFOBIA

A homofobia foi manifestada sim, pela imprensa paulista, que deu tons cinzentos ao cor-de-rosa de parte do movimento LGBT, incluindo o do PT paulista, que se jogou (“te joga, looouca!”) na esparrela-armadilha homofóbica.

As palavras “casamento” e “filhos”, neste contexto, são marcadores de poder. Determinam territórios, fronteiras e estabelecem valores e definições. Ser casado e ter filhos do ponto de vista usado pela imprensa e pela campanha de Kassab, remete-se menos a uma condição jurídica do que a uma condição social-moral: significa ter seguido “o bom caminho”, ter sido justo, certo, reto, honesto, não ser errado, estranho, bizarro, anormal, desviado, viado. Se se é casado e tem filhos, na miopia da moral se está salvo: ufa, não sou gay, pederasta, pedófilo. Se não é, o que será? Tudo, menos um igual. E o que não é igual é perigoso.

A homofobia de cada um nem sempre se manifesta de maneira direta. Se alguém chama outra pessoa de “bicha” em tom de insulto, é um ato homofóbico direto, manifesto, claro. Mas não é homofobia também acreditar no casamento como instituição social-afetiva como única panacéia para todos os males emocionais? Quantos homoeróticos sonham em fazer bodas de ouro, prata, diamante, e não desconfiam do turbilhão de maldições, de ressentimentos, de dores, de censura mútua, de pequenos e grandes ódios, do assassinato frio, premeditado e prolongado das singularidades e potências-ativas de um casal que comemora 50 anos de casados? O que não se esconderá por detrás dos olhinhos brilhantes, dos elogios falsos dos amigos e parentes? Quantas concessões um fez ao outro nesses 50 anos, matando a potência criadora, quantos clones perdidos mundo afora daquilo que cada um quis fazer e não o fez, em nome da preservação desta instituição? Quantos casais têm filhos como apêndices de si, como válvulas de escape para alguma frustração de infância ou adolescência? Quantos cobram dos filhos que façam aquilo que eles próprios não fizeram quando tiveram a chance? Quantos se sentem fracassados quando estes filhos não correspondem às expectativas (incluindo o desejo de que não sejam gays)? Quantos, no afã de não repetir com os filhos a relação fracassada que tiveram com os pais, acabam por fazer igual? Quantas crianças de cabelos brancos, já adultos no seu fazer e se exprimir, no ocaso dos seus 4 anos vemos por aí?

A LUTA DA CIDADANIA CONTRA A HOMOFOBIA É A LUTA DO DESEJO CONTRA A PRIVAÇÃO

Se é para fazer igual ao modelo familiar burguês, esta coluna não é a favor do casamento gay. É a favor sim, de novas relações, não presas a estes territórios áridos, independente de como se chamá-la. E a favor do casamento do ponto de vista jurídico, a fim de preservar as conquistas, os direitos civis e o patrimônio social e econômico conquistado em comum. Um casamento em comum-unidade, comunalidade, expansivo, transbordante, e não paranóide, exclusor e normatizante. O mesmo vale para os filhos, que sejam vistos como pessoas convidadas a este mundo e a transformá-lo com a singularidade que cada criança traz a ele.

Imaginem vocês, leitores intempestivos, agora, se o PLC 122/06 já estivesse em vigor, e os grupos LGBT resolvessem processar a campanha de Marta? Cometeriam um enorme equívoco, pois a homofobia não saiu da campanha, mas da interpretação que a direita fez dela, evocando seus próprios valores, e ativando a homofobia que perpassa ainda muitos movimentos sociais pró-LGBT.

Daí a insistência: a homofobia se combate no plano dos enunciados, culturalmente, o que inclui o aspecto legal (daí esta coluna ser favorável ao PLC 122/06), mas também afetivo, de transformação das relações sociais. O que a psicóloga, política e cidadã Marta Suplicy sabe bem e defende, desde a década de 1970.

A homofobia se constrói na privação: todo preconceito é produto da estupidez, e toda estupidez é produto da repressão. Privação intelectual, afetiva, de participação, de pertencimento. É só ampliando a possibilidade de conexões sociais e existenciais e produzindo o aumento da potência de agir é que se pode combatê-la. Em todos os territórios.

Ufa! Valeu! Na próxima semana retornam as notícias!

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

O SALDO DAS ELEIÇÕES E A POLÍTICA INTENSIVA.

Meniiiin@s!!! Dos candidatos LGBT que estavam na lista da ABGLT, apenas quatro se elegeram em todo o Brasil. Isto até pode ser entendido como uma derrota, ou a exposição do panorama da conscientização política do público LGBT. Mas queremos convidar para um outro olhar sobre a política e as eleições. Vamos lá?

Primeiro, é importante que se entenda uma candidatura LGBT não somente como uma candidatura de um gay, lésbica, trans ou travesti. Pode até ser, e seria interessante que fosse, mas existem candidatos aliados que podem defender tão bem quanto os interesses do público. Destes, também poucos devem ter sido eleitos. A chamada política tem tomado um direcionamento cada vez mais gregário e menos solidário!

Gente, há uma diferença. O gregarismo é número, a comunidade é intensidade. No gregarismo, uma rua, um bairro, uma cidade, um país, só existem no plano burocrático. Quantas vezes vocês ouviram aquele candidato-apresentador de tevê e explorador da miséria social do povo afirmar que defende as comunidades, ou luta pela comunidade tal e qual? Bom, uma comunidade, se é comunidade, não precisa que a defendam. Aliás, defendê-la de quem? Quem é que pode ameaçar uma comunidade além dela mesma e as intempéries naturais?

Um aglomerado de pessoas só deixa de ser um aglomerado a esmo quando há um ou mais elementos materiais e imateriais que produzam uma linha intensiva que perpasse essas pessoas. Uma comunidade é um corpo desejante. E é possível ser um corpo desejante por moradia, por água, por saúde, por segurança, por respeito e dignidade. Mas não é possível reivindicar tudo isso se não há esse elemento “subjetivo” (e toda subjetividade está na objetividade).

No gregarismo, a política profissional se dá bem. No edipianismo dissimulado, o candidato espertinho chega, oferece uma benesse a um indivíduo ou um pequeno grupo. De benesse em benesse, ele consegue os votos que queria, e esse indivíduo ou pequeno grupo consegue aqui e acolá aquilo que precisava imediatamente. Em detrimento do outro. A competição para roer as migalhas da mesa do Papai é árdua, e há quem acredite que ser político se reduz a isso. Por isso, interessa aos governos o esquadrinhamento dos movimentos sociais, conhecer as suas “necessidades” (ou seriam as necessidades de seus representantes?).

Uma comunidade é um corpo-potência intensiva. Dele escapam partículas afetantes que modificam a realidade social. Esta produção desejante vem num processual, numa confluência de linhas intensivas e atuação desejante. É preciso que se ative o corpo social, que o coloque em movimento. Os Sem-Terra, por exemplo, não pleiteiam cargos políticos, mas têm toda uma máquina desejante que começa com as escolas nos assentamentos, onde a educação é zil vezes melhor que as melhores escolas particulares do país, pois que está profundamente envolvida com o cotidiano e com as lutas daquele movimento. Cada Sem-Terra é o movimento, e não individualidades.

Não se trata de evolução, mas de moviment-ação: não esperar que a política se faça apenas pelos meios tradicionais e de dois em dois anos, mas que se atue no sentido de discutir e produzir saberes a partir daquilo que queremos, e saber principalmente que o que queremos não está pronto, mas se constrói no fazer. Através da arte, do trabalho, daquilo que cada um sabe fazer e faz com amor.

Não criar grupos individualizados, corporações de interesses anti-democráticos, como fazem a maior parte das igrejas, quando elegem os seus representantes (onde está a igreja do povo, aquela de Cristo?), mas criar multitudes, instâncias indivisíveis de velocidades constantes e movimentos intensivos, contagiar os corpos, animar o movimento, insuflar o Desejo, aproximar-se do fluxo da Vida. Isso começa, como diriam os psicólogos, dentro de si, cada um lutando contra o Si Mesmo que se impôs desde a infância e que não nos pertence, e passa pela socialidade cada um sendo UM, e não O. Não uma parte do movimento, mas um movimento. Assim, quando menos se esperar, a mudança se deu, e o mundo despertará num grande arco-íris de alegria, quando então as pessoas entenderão porque o mundo é gay.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ SACERDOTE SUGERE TATUAR HOMOERÓTICOS. Existe uma máxima da psicopatologia da vida cotidiana que diz que o agressor violenta as suas vítimas da mesma forma que foi violentado, e que se usa para amedrontar o outro aquilo que amedronta a si. Pois bem, este sintoma descrito pelo bestiário psiquiátrico do século passado apareceu novamente esta semana, na Inglaterra. Peter Mullen, sacerdote de Londres, afirmou em seu blogue que o homoerotismo é inatural, e que, tal como as carteiras de cigarro, eles deveriam vir tatuados com frases como “a sodomia faz mal à saúde” e “a felação mata”. Marcar com dizeres no corpo faz parte da chamada cultural ditatorial: selecionar, classificar, identificar. Na segunda guerra mundial existiam várias formas de identificar os judeus nos campos de concentração, todas com signos inscritos no corpo. Nos EUA, os colonos britânicos costumavam tatuar um A em vermelho no corpo das mulheres adúlteras. Diferente dos povos nativos, tatuados pelo imperialismo mercantilista da época dos descobrimentos como índios, que usam dizeres no corpo para compor outros afetos e aumentar a potência de agir, os tatuadores-tatuados do capitalismo e do enunciado teofastro, muito bem definidos e identificados pelos signos capturadores do desejo que imobilizam e causam dor, precisam vampirizar outras vítimas, disseminar a dor. Daí, impossibilitado de uma produção erótica desejante, o padre – e nem precisava ser padre – procura inocular a sua moléstia moral. Menos uma cura do que uma panacéia. Pobre pastor! Sentiu a brisa, Neném?

Φ SACERDOTE ASSUME EM PLENA MISSA!! “Esse povo da igreja ou é oito ou oitenta”, disse a Frankernilda quando soube que o padre Geoffrey Farrow, da paróquia de Fresno, na Califórnia, assumiu o seu homoerotismo em plena missa dominical. É que o enunciado teofastro dos discípulos de Paulo de Tarso é hermeticamente fechado para práticas eróticas, sejam elas quais forem. Principalmente quando são homo. Mas longe de combater as causas da pedofilia e pederastia igrejal, a Santa Sé prefere esconder tudo debaixo do manto sagrado. O padre Farrow é uma exceção. Não apenas assumiu sua condição, como lembrou aos seus fiéis os avanços na neurologia e psiquiatria, recomendando votar a favor do casamento gay na Proposta 8. Posição, lógico, contrária a dos bispos californianos. Os caminhos do desejo são tortuosos, e por vezes ele fica preso, mas no caso do padre Farrow, nem o enunciado paulino conseguiu impedi-lo de amar o mundo. Ele preferiu Jesus da Palestina. Sentiu a brisa, Neném?

Φ CONNECT-I-CUT NÃO CORTOU CASAMENTO GAY!!! Depois de Massachussets e Califórnia, é a vez do Estado de Connecticut liberar o casamento gay. Por 4 votos a 3, os juízes do Tribunal Supremo do Estado deram ganho de causa a 8 casais que demandavam direitos iguais. Os juízes argumentaram que a decisão encontra jurisprudência na constituição estadunidense, que prevê direitos iguais e não proíbe uniões entre pessoas do mesmo sexo. É para se comemorar, embora não tenha sido fácil. A governadora do Estado, Jodi Rell, expressou desacordo com a decisão, mas deve acatá-la. Se os ganhos na esfera jurídica estão se multiplicando mundo afora, é resultado da atuação política – no sentido que colocamos acima – de grupos do mundo inteiro, no enfraquecimento da subjetividade castradora à estética de Si que fuja do padrão do ideal ascético, o grau zero das relações. Sentiu a brisa, Neném?

Φ EM RECIFE, CASAL GAY CONSEGUE ADOTAR! E não é só em outras fronteiras que a justiça vêm reconhecendo os direitos LGBT. Na belíssima capital de Pernambuco, Recife, terra dos morenos e morenas cor de canela estonteantes, o Juizado da Infância e Adolescência deu sentença favorável à adoção de duas irmãs, de cinco e sete anos, a um casal homoerótico masculino. O juiz responsável pelo julgamento, Élio Braz Mendes, afirmou que é a primeira sentença deste tipo no país, onde a demanda foi feita pelo casal, e não por um dos parceiros individualmente. Ele fundamentou sua decisão na Constituição Brasileira, que 20 anos atrás garantiu direitos iguais para todos. E como não há lei proibitiva, tudo fica a cargo da consciência do juiz. No caso do Exmo. Juiz Élio, uma consciência-mundo, não capturada pela moralidade de classe. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

VOTE GAY, VOTE LIVRE, VOTE CONSCIENTE, VOTE NA GENTE.

Menin@s,

É hoje! E, ao mesmo tempo, não é hoje. Calma, que a gente explica. É que hoje é a chamada festa democrática, o dia em que os eleitores escolhem os seus representantes, de maneira democrática, para atuar durante o mandato em favor da sociedade. Embora, na maioria das vezes, isso não aconteça.

Mas a política não se reduz ao processo eleitoral, e a prática política não se reduz aos chamados políticos profissionais. A política está em cada ato que realizamos, independente de classe, etnia, orientação erótica ou motivação ideológica.

Portanto, antes de ser um ato individual, um direito-dever, o voto é um ato coletivo. Como afirma o filosofante Jean-Paul Sartre, a cada ato que realizamos, a cada escolha que fazemos, escolhemos pela humanidade inteira. Assim, o voto, ato individual e instransferível, salvo em caso de corrupção ou venda do dito, é um ato coletivo. Se escolhemos um candidato corrupto, não importa a razão, somos também corruptos, pois escolhemos uma cidade onde a corrupção existirá. O voto, portanto, não nos pertence, na medida em que sua consequência atinge a todos em nosso redor, incluindo nós mesmos.

Não se avalia um candidato a partir do que ele apresenta somente em tempo de eleição. Ao contrário, uma candidatura não nasce como pretensão individual, mas como agenciamento coletivo de enunciação, linhas intensivas desejantes que se entrecruzam e, num processual comunitário, fazem emergir a candidatura. Um candidato não se escolhe como tal, mas é escolhido através da sua práxis social, da sua atuação e da sua liberdade. Liberdade no sentido de não ser escravo das paixões, afetos imobilizadores do criar e do desejar, mas governar estas paixões e atuar no sentido de produzir possíveis para uma existência mais saudável e alegre.

Claro, tudo isso se dá não apenas numa eleição, mas em várias, e tudo ocorre num processual, onde não se sabe bem onde se vai chegar, mas o objetivo não é, eticamente, o fim, mas os percursos que se fazem ao caminhar. Lula, que muito tem feito em parceria com os movimentos sociais LGBT, não teria governado com o tem feito atualmente, se não tivesse passado pelas derrotas em eleições anteriores, e se não tivesse adquirido experiências no mundo, andando com pessoas, conhecendo lugares e aprendendo com tudo isso muito mais que os doutores que governaram o país antes dele.

Em Manaus, vive-se uma situação anti-democraticamente peculiar: a maior parte dos candidatos que se apresentam para as eleições legislativas ou são as mesmas velhas raposas, ou são novas raposas, tão velhas na velhacaria quanto as outras. Daí o cuidado em não votar em Fulano ou Cicrano porque é amigo, ou porque prometeu emprego, ou porque aparece oportunistamente defendendo o direito dos gays. Vota-se numa candidatura que saiu de um projeto comunitário, de uma ação efetiva e afirmadora da democracia, ainda que sejam poucos estes candidatos. Mas eles existem.

Igualmente, as candidaturas majoritárias que têm aparecido, ou são do mesmo grupo e da mesma semiótica laminadora, ou apresentam a mesma semiótica (os mesmos signos, a mesma forma de compreender o mundo), mesmo sem serem individualmente do mesmo grupo. Dentre os que se apresentaram, quase todos são iguais, mas é preciso, neste caso, seguir o preceito bíblico: “se teus olhos te fazem pecar, arranca-os e joga fora”.

Utilizando-se da ética do utilitarismo, onde o que é individualmente útil é suficiente, sem levar em conta a coletividade, corremos o risco de ter uma cidade que não possui elementos incorporais de comunalidade: uma cidade de individualidades, onde o gregarismo predomina. E onde o gregarismo predomina, também predominam a violência, a estupidez, a repressão e a homofobia, dentre outros males.

Portanto, menin@s, muito cuidado. Hoje é o dia, mas este dia se constrói durante todos os outros dias que o antecedem, sempre a partir da razão, e numa perspectiva de eticidade da potência democrática, e não do utilitarismo esterilizante. Mesmo que o candidato seja homo ou defenda os direitos LGBT em seu discurso, é preciso ver se ele é bom para TODOS. Inclusive para a gente.

Bom domingo para todos, e uma boa votação para todo o Brasil!

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ ABGLT RECEBE MÉRITO CULTURAL. A Ordem do Mérito Cultural, premiação a entidades que prestaram relevantes serviços à cultura nacional, será entregue pelo Presidente Lula, no próximo dia 07 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Será um encontro de presidentes: Lula e Toni. Vai ser brisa para todo lado, meu amor! A Ordem é um reconhecimento ao trabalho da ABGLT nas campanhas e no trabalho de enfraquecimento da subjetividade homofóbica e falocrática que ainda predomina no mundo. Parabéns à ABGLT!!! Sentiu a brisa, Neném?

Φ SARGENTO LACI É PRESO NOVAMENTE. Após a condenação a seis meses de reclusão, na semana passada, na saída do julgamento, novamente o sargento Laci foi preso pelo Exército Brasileiro. A justificativa foi uma viagem que Laci fez em 2007. A previsão era de que a prisão durasse 4 dias, mas mesmo 4 minutos na presença de pessoas contrárias à vida e ao modo de existir da diversidade já é uma tortura. Há muito que o caso ultrapassou a esfera do jurídico, e é preciso envolver entidades de direitos humanos internacionais, sob pena da homofobia institucional se perpetuar na corporação. Sentiu a brisa, Neném?

Φ VI ENCONTRO NACIONAL UNIVERSITÁRIO DE DIVERSIDADE SEXUAL. Muito tecnobrega, maniçoba, pato no tucupi, caldeirada de filhote, carimbó, discussão e produção de saberes e dizeres esperam você no VI Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, que vai acontecer no campus da UFPA, de 09 a 12 de outubro, em Belém, é claro, Mona! Quem for vai entrar em contato com teses e dissertações que tentam explanar e encontrar brechas na condição social de discriminação aos homoeróticos em todas as suas vertentes, além de participar de eventos culturais e mesas de discussão. Oportunidade também para conhecer a cidade das mangueiras, se divertir e quem sabe encontrar um affair por lá. A Genivalda mandou avisar que vai, e que as paraenses que a aguardem! Sentiu a brisa, Neném?

Φ A UNIVERSIDADE DE MANCHESTER DESBUNDOU! AGORA BANHEIRO É UNISSEX, NÊGA! Quando vocês estiverem na cidade inglesa de Manchester, e forem à universidade de lá, nem procurem os ícones do menino e da menina nas portas dos banheiros. Agora a única diferença será entre banheiros e banheiros com mictório. A medida, claro causou polêmica, já que mulheres que se definem como masculinas irão poder usar o banheiro com mictório, enquanto homens que se definirem como femininos poderão entrar nos banheiros comuns. Desmontou toda a história da sexualidade, meu bem! Não tem mais referencial, o urinol deixou de ser um marcador de poder, maninha! Uma medida simples e que desmonta mais de dois mil anos de ensignação da ordem hierárquica dos corpos. Onde tu vais mijar, Genoveva? E tu, Valcicleudo? É muita loucura, fica tudo indefinido, tudo aberto, só não há espaço para a homofobia e a transfobia! O próximo período nesta universidade vai ser uma loucuuuuuuura, uuuuuui! Sentiu a brisa, Neném?

Φ PROFESSORES MUNICIPAIS CONTRA HOMOFOBIA EM FORTALEZA! Mais uma da Terra do Sol. Educadores de todas as zonas regionais da cidade de Fortaleza, da rede municipal de ensino, estão sendo capacitados pelo Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB) a identificar e lidar educativamente com alunos homoeróticos que sofram discriminação em sala de aula. O primeiro módulo do curso se encerrou nesta sexta-feira, com 60 educadores. Enquanto isso, em Manaus, a homofobia institucional continua solta. É que em Fortal, a prefeita é uma das mais ferrenhas defensoras dos direitos humanos LGBT do país, por isso está em primeiríssimo nas pesquisas e deve levar de barbada a reeleição. Isso é que é um bom encontro: bons eleitores produzindo afetos alegres, e aumento da potência democrática, através de seu candidato. Ai, que saudades da praia do Futuro, daquele tira-gosto de camarão, do Carlão… Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

É HOJE…

A PARTIR DAS 17:00H

A COBERTURA COMPLETA

NA EDIÇÃO ESPECIAL DESTA COLUNA

QUE SAIRÁ NA TERÇA-FEIRA.

É HOJE QUE AS PINTOSAS DA AFIN SE JOOOOGAM!!!

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ MP TENTA GARANTIR DIREITOS IGUAIS PARA CASAIS. O Ministério Público Federal do Espírito Santo ajuizou ação civil pública contra a União, para garantir que casais homoeróticos tenham o direito de declarar juntos o Imposto de Renda. Assim como acontece com os casais hetero, onde geralmente um dos dois entra na declaração como dependente, deve acontecer para os casais homo, defende a procuradoria. O argumento é o de que negar este direito é inconstitucional, já que uma cláusula pétrea da Constituição Brasileira é a de direitos iguais, sem nenhum tipo de exceção. Embora a legislação reconheça casamentos somente entre “um homem e uma mulher”, a lei não veda o contrário, e como diz um velho ditado do Direito, o que a lei não veda é permitido. Portanto, é acompanhar e torcer. Quem sabe um dia a Gisleyla, que é professora de ensino fundamental, coloca a Frankernilda na declaração dela! Lindas!!! Sentiu a brisa, Neném?

Φ SEGUNDO ESTUDOS DA UFF, BRASIL MELHOROU NO DIREITO À CIDADANIA LGBT. Segundo a Agência Brasil, a UFF (Universidade Federal Fluminense) realizou, em um seminário sobre direitos humanos, um painel sobre os direitos LGBT, coordenador pelo professor Sérgio Aboud. Segundo ele, embora ainda não haja nenhuma legislação federal que garanta direitos específicos à população LGBT, as leis estaduais e municipais, além das ações na Justiça favoráveis à garantia destes direitos, mostram que houve um avanço na questão nos últimos dez anos. Aboud destaca ainda alguns “paradoxos”: o Brasil foi o primeiro país do mundo a elaborar um Projeto de Lei tratando dos direitos LGBT (o de Marta Suplicy), mas até hoje este projeto não foi votado. É também o país que tem a maior parada gay do mundo (a de São Paulo, com 2 milhões), mas é o recordista de mortes com motivação homofóbica, entre os países não-islâmicos. O que evidencia, em nosso entendimento, o aspecto “fetichizado” do homoerotismo. A cultura gay foi aceita como produto, objeto imaterial de consumo, mas não como modo de existência, como realidade cotidiana. Um beijo gay cai bem na novela, pois polariza emoções e reforça a moralidade como discurso imperativo do comportamento padronizado (e neste sentido o beijo gay na tevê se torna homofóbico), mas vá beijar em plena praça de alimentação do “xopssenter”. Como disse o presidente Lula, parafraseando o psiquiatra Franco Rotelli, a verdadeira mudança não ocorre por força da lei, mas pelas práticas cotidianas que se tornam hábito e engendram a cultura. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SARGENTO LACI É CONDENADO A SEIS MESES DE PRISÃO. Numa sessão tensa, conduzida pela juíza Zilá Pettersen – que votou a favor de Laci – o STM (Supremo Tribunal Militar) condenou o sargento Laci Marinho de Araújo a seis meses de detenção, por ter se ausentado do trabalho por oito dias em abril deste ano. A informação é do site A Capa. Graças a um habeas corpus, Laci poderá recorrer da decisão em liberdade, e mesmo que seja condenado em última instância, o tempo que passou preso já conta na pena que receberá. O exagero do Exército Brasileiro no tratamento ao sargento Laci tem muito mais de homofobia institucional de parte da corporação, a mesma que continua chamando o golpe militar de “revolução”, do que de justiça. Acreditamos que, em última instância, mesmo tendo desertado, o sargento já cumpriu com juros e correção quaisquer penas a que venha ser condenado, e deve-se levar em conta que o exército desertou de Laci antes dele desertar do exército: ao não aceitar o homoerotismo, a instituição militar, através dos seus agentes, segrega elementos homofóbicos que possivelmente tornaram a permanência de Laci e Fernando impossível dentro da caserna. Será que a justiça conseguirá enxergar esses incorporais? Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

UMA NEUTRALIDADE HOMOFÓBICA

Novidades sobre o caso da querida Paola Bracho, da Escola Estadual Cleomenes do Carmo Chaves, no bairro Jorge Teixeira IV Etapa, Manaus.

Primeiro: nesta quinta-feira, funcionários do Ministério Público estiveram na escola para conversar com o diretor, já como parte do processo de averiguação da denúncia feita pelos estudantes. Como não encontraram o diretor – ele cumpre expediente nos horários matutino e vespertino –, os agentes procuraram a pedagoga. No entanto, neste dia ela não se encontrava, por problemas de saúde. Os agentes tiveram que falar com a secretária da escola, que nada sabia do ocorrido,  informou-lhes onde era a turma do 3º Ano “06”. Infelizmente, eles também não puderam falar com Paola, nem com o companheiro Phablo, que articulou junto com os colegas a denúncia. Eles estavam em prova, e os agentes acharam por bem não interromper. Mas prometeram retornar num momento em que pudessem falar com o diretor. Sinal de que o Ministério Público está atuante quanto às demandas que a população faz. Aguardemos novidades sobre este assunto.

A outra novidade, que não é positiva, mas que nos auxilia no entendimento de como funciona a homofobia na sociedade capitalista, foi uma reunião ocorrida nesta sexta-feira, convocada pelos professores do horário noturno. Alguns deles, incomodados com as declarações de Phablo de que “todos” os professores estariam apoiando a iniciativa dos alunos em levar adiante o processo, pediram que o trecho onde Phablo afirma a unanimidade do corpo docente fosse retirado do Bloguinho Intempestivo.

Segundo fontes intempestivas, os professores alegaram que não estavam a favor e nem contra a situação, tentando manter uma pretensa neutralidade sobre a questão. É importante para nosso entendimento os argumentos usados por estes professores. Alguns alegam ser evangélico, não podendo, portanto, concordar com um processo contra uma “irmã”, que apenas cumpriu aquilo que achou certo dentro da sua perspectiva de crença, outros que, embora não tendo nada contra, também não estavam a favor de terem seus nomes incluídos na “unanimidade”, que, por sinal, nem tem no texto.

Quanto aos argumentos teodoxos, é preciso entender que praticamente todas as religiões, em seu corpus disciplinar (dogmas), pretendem um controle sobre os fluxos corporais. Como em todas elas há uma tendência para a diminuição da potência de agir das pessoas, é claro que controlar o corpo em suas produções ético-estéticas, políticas e eróticas, limitando a possibilidade do gozo (aumento da potência de agir), é questão de sobrevivência e de (falsa) sedução: o grau zero de relações, o ideal ascético.

Assim, as chamadas igrejas apocalípticas herdaram do catolicismo – e este continua afirmando a dogmática – a idéia de que o corpo serve somente à reprodução e que a erótica – a estética do corpo como ferramenta do sexo e do prazer – é pecaminosa. Daí a questão não ser a pedagoga enquanto realidade individual o problema, mas os dizeres que ela carrega, os atos que comete em nome da sua “fé”, que não se reduzem ao seu individualismo, mas transbordam no social. Muito da homofobia que existe hoje tem como elemento sustentador a teologia, seja ela cristã, judaica, muçulmana. Embora, claro, haja dentro destas teologias, quem defenda o uso livre do corpo. Cristo, por exemplo, foi um destes.

Quanto à pretensa neutralidade que os professores almejam, não passa de uma idéia inadequada, nascida não do exame do real à partir da Razão, mas do equívoco dos sentidos, num corpo que é vítima dos acasos dos encontros. Soubessem estes professores que a educação é um processual do existir que acontece a partir do uso da Razão pelos encontros que ativam a Vida, e não retenção-evocação de informações a partir de uma memória mecanizada, não cometeriam o equívoco de se colocar “alienados” aos acontecimentos. Como o fato é um corpo social, ele produz afecções no âmbito político, das quais um corpo-intelecto que se diz educador não pode se esquivar: ou examina e afirma que aquele encontro não interessa a um educar ativador da Vida, por ser um corpo carregado de afetos tristes, ou produz afetos que aumentem a potência de agir, num alegre encontro de produção de comunalidade.

Na educação, como na existência, não existe neutralidade. Ou como afirmou outro educador, o filosofante Sartre, não escolher é por si só uma escolha. Ao tentar ficar “em cima do muro”, os professores segregam uma homofobia típica desta época, onde o homoerotismo adquiriu status de sujeito do consumo: dissimulada, escondida, ressentida. Mas ainda assim uma homofobia, sem tirar nem pôr.

Para completar a angústia dos “indecisos”, o assunto, só nesta colunéeeeesima, já está rolando desde o dia 07 de setembro. Fora a comunidade “Homofobia Já Era”, do Orkut, e outras entidades ligadas à temática LGBT que reproduziram e apoiaram Paola. Até organizações na Austrália se manifestaram. Com o tempo real consumido pela hiper-realidade, zil olhos já viram, outros zil ouviram falar. Mesmo que esta coluna retirasse esta partícula da fala de Phablo – o que não faremos – não poderíamos apagar da lembrança das pessoas o que elas leram. No mundo do hiper-real, nem Deus pode.

Houve ainda um outro argumento colocado por alguns professores em defesa da pedagoga/professora Rai: o de que ela teria sido indicada para a função sem passar pelo devido preparo e capacitação para o exercício da administração de uma escola, ainda que em apenas um turno e na ausência do diretor. Não podemos esquecer que a Dona Rai exerce, alternadamente, as funções de professora e de pedagoga. Neste aspecto, esta coluna concorda com os professores: a questão não é de culpabilidade, mas de clínica social-institucional.

Se a pedagoga/professora foi colocada para exercer duas funções, então está sobrecarregada e com desvio de função, e se isto acontece, é por anuência da secretaria estadual de educação. Trata-se então de questionar a política pública para a educação de um governo que se diz plural, mas que não consegue tornar suas escolas linhas de atuação educadora formadora de comunidades de afetos e saberes. Ao contrário, se uma agente pública comete um ato de homofobia sem ter tido acesso ao conhecimento e normas de conduta que levem à convivência plural, ou se nem mesmo existem na normatização da secretaria tais normas, então o caso é de se responsabilizar o governo.

A homofobia, neste caso, é institucional, uma produção de um governo que nega a Vida e cultua a decadência, a improdutividade, a violência e a dor. Sabe-se que na mesma escola, existem turmas que desde o início do ano possuem disciplinas apenas no registro da secretaria estadual de educação, mas na prática nunca tiveram uma aula sequer. Outra informação que esta colunéeeesima obteve foi a de que esta é a segunda escola de Paola este ano, já que teria sido expulsa de outra escola pública estadual, por ter se recusado a tirar a maquiagem.

Diante dos fatos, que sublinham a subjetividade homofóbica alimentada pela dogmática apocalíptica e por um governo decadente, esta coluna não pretende retirar as informações dadas pelo companheiro Phablo. A não ser que os prefessores solicitem legalmente, o que seria a confirmação da homofobia, ainda que dissimulada. Com a palavra, os mestres.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ FORTALEÇA A REDE! ALIE-SE À ABGLT!!. Atenção, todas as entidades que trabalham com o segmento LGBT no Brasil! A ABGLT estará realizando em Belém (PA), a cidade das mangueiras, o seu 3o Congresso. A festa da rede de atuação LGBT vai acontecer de07 a 11 de dezembro, e nela, a associação nacional estará oficializando alianças com entidades que fazem a rede da inteligência coletiva, no combate à homofobia, à exploração sexual, ao turismo sexual e à pornografia envolvendo crianças e adolescentes. O objetivo é o fortalecimento desta rede, com a disseminação mais rápida e eficiente de informações, a produção de conhecimento, além de participação em eventos e capacitações sobre a temática LGBT. Quem se interessou, pode buscar mais informações aqui, ou pelo e-mail da ABGLT, mas as inscrições só vão até o dia 15 de outubro. Tá esperando o que, Vanderlayne? Vamos pra Belém!!! Sentiu a brisa, Neném?

Φ DIREITOS HUMANOS E DESPORTO EM COPENHAGUE. VAMOS? O World Outgames é uma iniciativa da ILGA (International Lesbian and Gay Association) que reúne desporto, cultura, diversão e conferências sobre direitos humanos LGBT. Para a sua versão 2009, que vai ocorrer de 25 de julho a 02 de agosto em Copenhague, na Dinamarca, a entidade organizadora está proporcionando bolsas de custeio para participação e organização de mesas de trabalho para delegações do leste europeu, África, Ásia, América do Sul e Oriente Médio. A informação é da ABGLT, que convida tod@s a participar, para que o Brasil arrase na conferência! Para mais informações visite a página do World Outgames 2009, ou envie email. De nossa parte, já estamos afiando o nosso alemão e francês, não é, Frankernilda?. Sentiu a brisa, Neném?

Φ VEM AÍ A 11a CONFERÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS. De 15 a 18 de desembro deste ano, irá acontecer em Brasília, a 11a Conferência Nacional de Diretos Humanos, com o tema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: superando as desigualdades”. Até agora, segundo a ABGLT, já temos 67 delegados de 17 Estados. Um toque para a querida Bruna La Close, presidente da AGLBTT, que deve estar ocupadíssima com os preparativos para a Parada Gay Manaus 2008 – que aliás, é domingo que vem, visse – é que o Amazonas ainda não indicou nenhum delegado. Ainda tem tempo de organizar uma bela comissão e arrasar com propostas inovadoras! Sentiu a brisa, Neném?

Φ MANAUS É A SEGUNDA CAPITAL DO PAÍS EM DST´S. Preocupante! Segundo o Ministério da Saúde, Manaus ocupa o segundo lugar em incidência de cinco das oito doenças sexualmente transmissíveis monitoradas pela rede pública de saúde. Sífilis, clamídia, hepatite B e duas formas de HPV. A pesquisa envolveu somente seis capitais, mas ainda assim, os dados são preocupantes. Das mulheres examinadas, 45,3% apresentaram incidência de HPV! Cruzes!!! Assim não dá para ser alegre. O pior é que estas DST´s são também resultado da subjetividade hominista. As mulheres em sua maioria têm receio de fazer exame preventivo, ainda que em qualquer casinha de saúde isso seja feito semanalmente. Além disso, a promiscuidade dos maridos e o não uso de preservativos entre os casais cria o ambiente ideal para a disseminação dessas doenças. Por isso, ame a sua gata, mas ame pra valer! Incentive e promova a profilaxia para ter sempre com ela um chamêgo gostoso e saudável. Lembrem-se, meninas: a língua também é transmissora de bactérias!! Sentiu a brisa, Neném?

Φ SÃO 11 OS ASSASSINATOS HOMOFÓBICOS NO AMAZONAS, EM 2008. De acordo com dados da polícia, em parceria com a AGLBTT, foram notificados junto à DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros) 11 assassinatos de homoeróticos no Amazonas! Um aumento em relação a 2007, que fechou em 10, segundo dados da mesma fonte. No entanto, para a AGBLTT, houve um avanço, já que nas décadas passadas, o número era bem mais expressivo. No que, democraticamente, e com todo o respeito, discordamos. Não numericamente, pois efetivamente houve diminuição, mas no fato de que estes dados podem indicar a diminuição da homofobia. Ainda há discriminação e formação de “guetos”, e não se tem homoeróticos assumidos, por exemplo, em cargos políticos. Sequer temos candidatos assumidamente gays de destaque nos partidos políticos. Se Manaus não consegue ter nem uma candidata do gênero feminino à prefeitura, que dirá um homoerótico (assumido, que fique claro). É na participação ativa na elaboração e efetivação de políticas públicas que melhorem as condições de existências das pessoas é que se mede homofobia de uma cidade. Como cidadãos de fato, e não apenas para a sociedade de consumo. Sentiu a brisa, Neném?

Φ LULA É A FAVOR DA UNIÃO CIVIL HOMOERÓTICA. De acordo com dados da polícia, em parceria com a AGLBTT, foram notificados junto à DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros) 11 assassinatos de homoeróticos no Amazonas! Um aumento em relação a 2007, que fechou em 10, segundo dados da mesma fonte. No entanto, para a AGBLTT, houve um avanço, já que nas décadas passadas, o número era bem mais expressivo. No que, democraticamente, e com todo o respeito, discordamos. Não numericamente, pois efetivamente houve diminuição, mas no fato de que estes dados podem indicar a diminuição da homofobia. Ainda há discriminação e formação de “guetos”, e não se tem homoeróticos assumidos, por exemplo, em cargos políticos. Sequer temos candidatos assumidamente gays de destaque nos partidos políticos. Se Manaus não consegue ter nem uma candidata do gênero feminino à prefeitura, que dirá um homoerótico (assumido, que fique claro). É na participação ativa na elaboração e efetivação de políticas públicas que melhorem as condições de existências das pessoas é que se mede homofobia de uma cidade. Como cidadãos de fato, e não apenas para a sociedade de consumo. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

PAOLA BRACHO E A POTÊNCIA ALIADA ATUANTE

O caso da querida Paola Bracho (Alex) deu o que falar! Manifestos do mundo inteiro aplaudiram a atuação dos estudantes da Escola Estadual Cleomenes do Carmo Chaves. Neste bloguinho e na comunidade “Homofobia – Já Era”, do Orkut, houve concordância com a atitude dos estudantes, incentivos à continuidade da ação no MP, e até quem quisesse assinar o manifesto!

Para quem tinha dúvidas sobre como é a nossa querida Paola, aí vai a foto dela, em pose alegre, com a sua amiga inseparável, a linda Késsia. Paola, como quase todos os homoeróticos, carrega a alegria do existir, e, ao mesmo tempo em que afasta aqueles cujo humor (=disposição para o existir ativo) é reativo, aglutina ao seu redor pessoas leves, que não carregam o ressentimento de uma sociedade discriminatória.

No meio de seus amigos, Paola afirma que ficou muito feliz com a atitude dos colegas, e que se sente querida e participante da comunidade estudantil.

Amigo de Paola, o estudante Phablo, seminarista atuante, segundo ele mesmo, na linha do ex-papa João Paulo II, falou a esta colunéeeesima sobre o caso da discriminação contra Paola, que ultrapassa a individualidade dela ou mesmo a institucionalidade da escola, e se inscreve como um embate social de duas subjetividades: uma, decadente, segregadora e laminadora. A outra, diversa, alegre e produtora ético-estética de outros modos de existir.

A turma da Paola. À direita, sentado, Phablo.

A turma da Paola. À direita, sentado, Phablo.

O que aconteceu foi, no meu entender e dos outros colegas, foi que a professora Rai, que também faz o papel de pedagoga no turno noturno, tentou exagerar o poder dela, tentando agredir o aluno Alex de várias formas, tanto religiosamente falando quanto afetando a própria Constituição Brasileira em vários pontos. A atitude nossa, eu vejo que é plausível, tanto que todos os professores, nas assinaturas dos alunos, todos pretendiam ir adiante se a professora continuasse. A nossa briga não é pessoal, é pelos direitos de todos, garantidos pela Constituição. Nós já demos entrada no Ministério Público, denunciando a coação da professora contra o rapaz. Como está em trâmite, a gente vai aguardar; se demorar mais de quinze dias para vir alguma resposta, a gente vai atrás novamente do Ministério Público. A gente vê que não é um caso isolado. Isso já ocorreu em outras escolas. Isso só vai parar se a gente tomar uma atitude de verdade. Nós não estamos brigando contra a pessoa dessa professora, mas contra os pensamentos dela, que não podem ser refletidos dentro da nossa escola, porque isso aqui é um órgão público. É aberta ao público e faz parte de uma sociedade livre, que é o Brasil.

É a moçada da comunidade gay de Manaus botando um quente e dois fervendo contra a homofobia!

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ NOME SOCIAL É NO PRONTUÁRIO DO SUS. A edição anterior desta colunéeeeeeesima deixou uma dúvida nos leitores intempestivos sobre a questão do uso do nome social. Segundo um levantamento feito pela coluna, até o momento, somente na rede do SUS é possível o uso legal do nome social. Caso a nossa queridíssima Paola Bracho queira usar seu nome, escolhido com todo o amor por ela mesma, no seu prontuário do posto de saúde que ela frequenta, por lei, ela pode. Em outros lugares, o nome obrigatoriamente usado deve ser o da certidão de nascimento. Mas o que interessa ao mundo gay não é a designação de um nome, o gênero que ele carrega, mas as distensões e vibrações que ele produz. Bush, por exemplo, não tem nome, mas apenas a designação de uma família decadentista, produto da subjetividade do Capital. Já a querida Paola, mesmo sem saber ou querer, já é uma singularidade, por ter aglutinado uma movimentação intensiva de comunalidade, enfraquecendo a força institucional segregadora e discriminatória. Sacou, Frankernilda? Sentiu a brisa, Neném?

Φ LIZ TAYLOR, ATIVISTA DO MUNDO GAY, NÃO MORREU!!! Há pouco mais de um mês, funestos jornalistas fúnebres, que se alimentam da morte alheia, sem saber que a morte só interessa aos vivos, noticiaram que Elizabeth Taylor estava pulando o muro, puxando o carro, numa cama de hospital. Mas no Mundo Gay, meu bem, a morte é apenas um boato da vida, já sabiam os beatniks. Enquanto os cadavéricos repórteres esperavam o boletim médico com o obituário já pronto para publicação, Lady Liz se recuperava e saía de fininho, para não ser incomodada, e caía na gandaia do nightclubbing gay hollywoodiano! A informação é da revista eletrônica Mix Brasil. A Rosinalva, que é fanzoca da Liz, manda avisar que a atriz precoce (começou aos 10 anos de idade), amiga de Michael Jackson, dos atores galãs (e gays) Rock Hudson e Montgomery Cliff, casada oito vezes, incluindo o hard rocker casório com o talentoso e bonitão Richard Burton, que foi destaque nos antológicos Cleópatra, Os Farsantes e A Megera Domada, foi também uma das primeiras estrelas de cinema a se engajar na luta contra a AIDS. Ainda nos anos 1980, já organizava eventos filantrópicos para auxiliar as fundações de apoio aos soropositivos. Tudo isso emoldurado em hipnóticos olhos azuis e belíssimas e sexies sobrancelhas negras. Como diriam alguns hollywoodianos: all this and brains too. A gente sabemos, Rosi, e sentimos a proximidade aliada da querida Elisabeth, pulsante de vida do alto dos seus 76 aninhos, uma diabetes, um tumor no cérebro, e a certeza de que é necessária ao mundo. Sentiu a brisa, Neném?

Φ DAVID BOWIE FEZ DISCO MAIS GAY DA HISTÓRIA. Os ingleses têm verdadeira compulsão por listas. Sintoma da necessidade patológica de identificar, discriminar, classificar e rotular da máquina imobilizadora do capital. Mas quando se trata de gerar lucro, as listas inglesas animam o mercado, e todos os dias saem zil listas dos “10 More”, tantas que daria para fazer “as 100 listas mais esdrúxulas das listas inglesas”. Uma das que mais rodou o mundo pelas linhas da rede internética foi a dos dez discos mais gays da história. Segundo a revista Out, foram ouvidos 100 pessoas ligadas à música, cinema e crítica musical, e envolvidas de alguma maneira com a temática gay, e eles elegeram em primeiro lugar o disco “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, de David Bowie. O disco é de 1972, e marca o surgimento de Bowie para o rock e a pop music. Dizem que ele simplesmente mudou o compasso do rockabilly e do blues para fazer uma batida de rock “à inglesa” e influenciar quase tudo o que se fez na Inglaterra e EUA em matéria de rock depois dele. Ao menos no aspecto “circense” e midiático, Bowie é pioneiro. Seu personagem, Ziggy Stardust, era andrógino, e são inúmeras as estórias de aventuras homoeróticas de Bowie mundo afora. Reza a lenda que a mulher de Mick Jagger, dos Rolling Stones, teria encontrado seu marido na cama com Bowie, e isto teria dado origem à separação do casal. Jagger e a esposa, claro. De qualquer sorte, para quem curte o velho roquenrol, vai aí um link para baixar o disco. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

– ESPECIAL –

UUUUUIII! UM GRITINHO DEMOCRÁTICO NO CENTRO DE MANAUS!

Foi um deslumbre só! Muita música, alegria, gente lindíssima, sem confusão, com muita confraternização! Foi assim ontem o Grito da Parada LGBT 2008! (Clique nas imagens para ampliar).

Organizado pela presidente da ALGBT de Manaus, Bruna La Close, o evento é um preparatório para a Parada Gay 2008. Bruna, belíssima, com todo o charme e gentileza, recebeu esta colunéeeesima, e ficou combinada uma entrevista, que nossos leitores e leitoras poderão em breve curtir aqui n’O Mundo Gay. Afinal, maninha, a noite era de festa, e todo mundo queria mesmo era cair na gandaia, já que o engajamento não combina com seriedade, mas sim com alegria!

E a festa rolou até o sol raiar, com muita alegria e gente bela dançando e se divertindo!

**************** XXXXXXXXXX ****************

Pouco antes da festança começar, esta colunéeeeeesima compôs alegrias através do encontro e um rápido bate-papo com o companheiro Rosinaldo Rodrigues. Rosinaldo é um dos fundadores do movimento LGBT em Manaus. Atualmente, está como presidente da ONG Garotos da Noite, que trabalha com profissionais do sexo, tanto homens quanto mulheres. Também atua como presidente da Rede Norte de Profissionais do Sexo, Conselheiro Estadual de Saúde e Municipal dos Direitos Humanos.

Rosinaldo falou conosco sobre homofobia, crimes com motivação homofóbica na cidade de Manaus e a atuação das instituições manoniquins em relação à comunidade LGBT. Também ficou combinado com Rosinaldo um papo mais longo, onde ele vai falar sobre a história do movimento e a sua atuação comunitária. Mas enquanto isso, meninos e meninas, fiquem com um aperitivo político-engajado do companheiro Rosinaldo:

Mundo Gay – Os políticos amazonenses são homofóbicos?

Rosinaldo Rodrigues: Os políticos não são homofóbicos, mas também não temos aquele apoio 100%. O governador hoje é nosso aliado? Aliado veio tomar o lugar do simpatizante no GLS, agora o simpatizante é chamado de Aliado. O governador não é nosso aliado. Ele ajuda por que? Porque a gente vai para a imprensa, briga, larga a porrada e pronto. Mas que tenha compromisso com a comunidade, não. Para não se queimar, eles não dizem ‘não’ nem ‘sim’, e ficam neutros. Se há algum projeto ou solicitação de apoio tramitando na Assembléia ou na Câmara, a bancada evangélica vai logo atuando no sentido de vetar, e os outros acabam cedendo. Não querem perder os votos dos evangélicos, mas também não querem ficar sem o voto gay.

MG – Mesmo com as pressões contrárias, houve algum avanço?

RR: Nós tivemos a lei estadual de combate à discriminação, e apareceu um monte de ‘padrinhos’, uns dizem que foi de Fulano ou de Cicrano, mas ninguém sabe realmente. Só sabemos que foi aprovado. Falta só regulamentar essa lei, e o movimento está cobrando agora que ela seja regulamentada. A lei fala sobre a discriminação nos órgãos públicos, porque muitos homossexuais já foram discriminados dentro da Assembléia, da Câmara, da Prefeitura, órgãos públicos. E também em locais públicos, como restaurantes, por exemplo. Às vezes você sai com seu namorado, ou se for mulher, com sua namorada, e não pode entrar. Enfim, você é tratado diferente. Queira ou não queira, há um tratamento diferente quando percebem que você é um gay, uma lésbica ou um travesti.

MG – E a cidade, a população, as instituições?

RR: A população ainda é homofóbica, ainda tem muita discriminação. Esses crimes que acontecem contra os homossexuais por aí. Ainda não foi divulgado, mas só em Manaus até agora foram mortos 12 homossexuais só este ano. Ainda não chegamos nem no fim do ano, mas estamos quase batendo 2004 e 2003, quando foram 14 pessoas. Em 2005 foram 15, inclusive o presidente da associação, o Adamor. Por aí você vê que por mais trabalho de conscientização que nós realizamos em escolas, faculdades, os seminários que a gente realiza, a homofobia ainda é grande.

MG – E a Justiça? Como atua nestes casos?

RR: Hoje eles estão reduzindo o descaso, porque o movimento está aí há 18 anos na cidade e faz pressão, vai pra cima mesmo. Mas assim, eles não dão resposta. Por mais que a gente brigue, faça ato público, vá com carro de som para a frente do prédio da justiça, porque tem um monte de homossexuais aí, assassinado, e os caras [os assassinos] estão todos aí, lindos, maravilhosos, livres, e a justiça nada. A polícia faz a parte dela, prende, como prenderam os assassinos do Adamor. Em 90 dias os caras foram liberados, e os três vivem por aí. E o caso foi arquivado. Segundo as últimas informações obtidas, por falta de provas. Pegaram os caras, eles assumiram na delegacia, sem pressão nenhuma, mas e aí? Quer dizer que não tem provas, soltaram os caras por falta de provas? Quer dizer, a justiça não está nem aí pra gente.

**************** XXXXXXXXXX ****************

E NÃO PERCAM:

VIII PARADA DO ORGULHO LGBTT MANAUS

AME! VIVA! VOTE CONSCIENTE!

MANAUS

28 . 09 . 2008

Praia da Ponta Negra

16:00h

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A DISCRIMINAÇÃO COMO IDÉIA-SUPERSTIÇÃO

No Amazonas, nativos – chamados índios – da etnia Ticuna são discriminados por serem gays. São chamados de “meia coisa” e outros nomes pejorativos, além de sofrerem agressões físicas. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, há registro de comportamento homoerótico entre os chamados índios desde o século XIX.

Qual é o corpo/corporeidade dos chamados indígenas? Em que sentido ainda é possível compreendê-los como etnicamente “diversos”? Com cinco séculos de exploração, desde os jesuítas, ainda se pode falar em um povo sem contaminação pelos signos do chamado homem branco?

No cinema Aguirre – A Cólera dos Deuses, do alemão Werner Herzog, quando nativos e europeus se encontram pela primeira vez, o conquistador espanhol mostra uma pequena bíblia ao nativo, que a examina visualmente e joga no chão. Antes da bíblia tocar a madeira da jangada, porém, é o corpo do chamado índio que cai no chão, assassinado com um golpe de espada.

Haviam, entre índios e brancos, naqueles tempos, diferênças no modo de ver o mundo irreconciliáveis. Hoje em dia, o que ainda persiste é uma pálida ilusão de que é possível manter esses povos com a sua cultura intacta. Qual indígena não sente a imobilidade decorrente do esfacelamento da relação naturante-naturada que o ligava ao seu território? Por que há tantos suicídios, alcoolismo e violência entre eles? Há diferença no modo de sintomatizar a existência no modo de produção capitalístico entre índios e brancos?

Para a lógica do capital, a discriminação não é necessária: todos são consumidores. Não há mais exclusão, como querem as pastorais e muitos dos movimentos sociais que ainda estão no início do século XX. Daí o espanto pseudo-antropológico com as manifestações de discriminação entre os indígenas. Para o moralismo burguês, que estabelece um sistema de julgamento onde o “certo” é sempre o emissor da sentença, é uma festa (do ressentimento). É um cheio e dois derramando…

A discriminação é fruto de um conhecimento errôneo, de um olhar para o mundo ainda despido da faculdade da razão. Vê-se o negro, o branco, o amarelo, o azul. Sente-se o doce, o salgado, o amargo, o azedo. Acredita-se na percepção imediata. Há gostos, há cores. Há também exploração e um mundo onde alguns são mais iguais que os outros. Cenário preparado para os equívocos da percepção xuxeada. Ou melhor seria dizer Kakazada?

Pela razão, existem outras perspectivas, análise, produção de saberes e dizeres, e não julgamento a partir de algo impreciso, inexistente. A discriminação é produto da superstição, que nada mais é do que acreditar nas coisas de imediato, sem o uso da faculdade da razão. Contra essa doença social, só o conhecimento, o saber não engessado pelo academicismo, mas potente pela alegria de ser carregado por bons encontros.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ CARTA MAGNA DO EQUADOR IGUALA UNIÕES CIVIS. Todos os jornais brasileiros deram destaque aos poderes do poder executivo indicados na nova constituição equatoriana, como se o poder executivo do país se reduzisse a Rafa Corrêa. No entanto, a inteligência LGBT imediatamente perguntaria: como pode ser centralista uma constituição que teve ampla discussão e partipação dos grupos sociais? Fato é que na nova constituição não há diferenças entre uniões civis hetero e homoeróticas. Os direitos são iguais, justamente pelo entendimento de que a diversidade não deve ser uma imposição ideológica, mas uma linha intensiva desejante. Que o diga María Soledad Vela, do Acuerda País, e que luta pela emancipação afetiva-afetante das mulheres. Na terra onde a maioria é de nativos – os chamados indígenas – a última década foi de convulsões sociais e três presidentes depostos. No entanto, em matéria de avanços nas política públicas LGBT, o Equador deu show na maior parte dos chamados países democráticos. Vamos à la playa, bombom? Sentiu a brisa, Neném?

Φ NESTA ELEIÇÃO NÃO SEJA OTÁRIO. VOTE EM CANDIDATO QUE SAIU DO ARMÁRIO. Semana passada foi a campanha para que as entidades LGBT apresentassem aos candidatos a pauta de reivindicação do segmento. Esta semana, o site Mix Brasil, em parceria com a ABGLT lançou a lista de candidatos assumidamente homoeróticos, para que o eleitor possa saber quem é quem no jogo da bicha. De qualquer forma, não adianta votar no candidato apenas porque ele é simpático às políticas LGBT. Por acaso o mundo – que é gay – se reduz aos LGBT´s? De nada adianta aprovar a lei anti-homofobia se não tiver água na torneira ou se o transporte coletivo urbano for uma imobilidade, não é? Portanto, meninas, pensem bem, e sigam a máxima da campanha espinosista de combate ao mau candidato deste Bloguinho. A lista ainda é provisória, e não tem nenhum gay manoniquim candidato – assumido, pelo menos, nenhum! – mas você pode dar uma olhada nela por aqui. Por que tu não te candidatas, Gegê? Sentiu a brisa, Neném?

Φ SARGENTO LACI FINALMENTE EM LIBERDADE. Desta vez o ministro Gilmar Mendes acertou: de tantos habeas corpus distribuídos com “facilidades” por aí, ele também deu um ao sargento Laci, que apelou ao STF depois de ter recurso negado no STM. Acontece que, ao menos com Laci, o ministro acertou. Preso desde o dia 04 de junho, Laci, além de sofrer violência institucional e psicológica na prisão, não oferece riscos, portanto deve, por lei federal, aguardar seu julgamento em liberdade. Mas o episódio dos sargentos não termina aqui. Primeiro, porque o processo continuará correndo na justiça, e Laci pode ser condenado por deserção. Além disso, Laci foi vítima de uma violência institucional, o que cabe, além de processo, uma discussão pra além do lugar-comum sobre as forças armadas e sua relação (ou não-relação) com a população. Houveram realmente avanços no trio da defesa nacional, da ditadura para cá? Tudo indica que não… Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4.241.859 hits

Páginas

junho 2021
D S T Q Q S S
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

Arquivos