Posts Tagged 'Mundo Gay'



!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

– ESPECIAL –

UUUUUIII! UM GRITINHO DEMOCRÁTICO NO CENTRO DE MANAUS!

Foi um deslumbre só! Muita música, alegria, gente lindíssima, sem confusão, com muita confraternização! Foi assim ontem o Grito da Parada LGBT 2008! (Clique nas imagens para ampliar).

Organizado pela presidente da ALGBT de Manaus, Bruna La Close, o evento é um preparatório para a Parada Gay 2008. Bruna, belíssima, com todo o charme e gentileza, recebeu esta colunéeeesima, e ficou combinada uma entrevista, que nossos leitores e leitoras poderão em breve curtir aqui n’O Mundo Gay. Afinal, maninha, a noite era de festa, e todo mundo queria mesmo era cair na gandaia, já que o engajamento não combina com seriedade, mas sim com alegria!

E a festa rolou até o sol raiar, com muita alegria e gente bela dançando e se divertindo!

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Pouco antes da festança começar, esta colunéeeeeesima compôs alegrias através do encontro e um rápido bate-papo com o companheiro Rosinaldo Rodrigues. Rosinaldo é um dos fundadores do movimento LGBT em Manaus. Atualmente, está como presidente da ONG Garotos da Noite, que trabalha com profissionais do sexo, tanto homens quanto mulheres. Também atua como presidente da Rede Norte de Profissionais do Sexo, Conselheiro Estadual de Saúde e Municipal dos Direitos Humanos.

Rosinaldo falou conosco sobre homofobia, crimes com motivação homofóbica na cidade de Manaus e a atuação das instituições manoniquins em relação à comunidade LGBT. Também ficou combinado com Rosinaldo um papo mais longo, onde ele vai falar sobre a história do movimento e a sua atuação comunitária. Mas enquanto isso, meninos e meninas, fiquem com um aperitivo político-engajado do companheiro Rosinaldo:

Mundo Gay – Os políticos amazonenses são homofóbicos?

Rosinaldo Rodrigues: Os políticos não são homofóbicos, mas também não temos aquele apoio 100%. O governador hoje é nosso aliado? Aliado veio tomar o lugar do simpatizante no GLS, agora o simpatizante é chamado de Aliado. O governador não é nosso aliado. Ele ajuda por que? Porque a gente vai para a imprensa, briga, larga a porrada e pronto. Mas que tenha compromisso com a comunidade, não. Para não se queimar, eles não dizem ‘não’ nem ‘sim’, e ficam neutros. Se há algum projeto ou solicitação de apoio tramitando na Assembléia ou na Câmara, a bancada evangélica vai logo atuando no sentido de vetar, e os outros acabam cedendo. Não querem perder os votos dos evangélicos, mas também não querem ficar sem o voto gay.

MG – Mesmo com as pressões contrárias, houve algum avanço?

RR: Nós tivemos a lei estadual de combate à discriminação, e apareceu um monte de ‘padrinhos’, uns dizem que foi de Fulano ou de Cicrano, mas ninguém sabe realmente. Só sabemos que foi aprovado. Falta só regulamentar essa lei, e o movimento está cobrando agora que ela seja regulamentada. A lei fala sobre a discriminação nos órgãos públicos, porque muitos homossexuais já foram discriminados dentro da Assembléia, da Câmara, da Prefeitura, órgãos públicos. E também em locais públicos, como restaurantes, por exemplo. Às vezes você sai com seu namorado, ou se for mulher, com sua namorada, e não pode entrar. Enfim, você é tratado diferente. Queira ou não queira, há um tratamento diferente quando percebem que você é um gay, uma lésbica ou um travesti.

MG – E a cidade, a população, as instituições?

RR: A população ainda é homofóbica, ainda tem muita discriminação. Esses crimes que acontecem contra os homossexuais por aí. Ainda não foi divulgado, mas só em Manaus até agora foram mortos 12 homossexuais só este ano. Ainda não chegamos nem no fim do ano, mas estamos quase batendo 2004 e 2003, quando foram 14 pessoas. Em 2005 foram 15, inclusive o presidente da associação, o Adamor. Por aí você vê que por mais trabalho de conscientização que nós realizamos em escolas, faculdades, os seminários que a gente realiza, a homofobia ainda é grande.

MG – E a Justiça? Como atua nestes casos?

RR: Hoje eles estão reduzindo o descaso, porque o movimento está aí há 18 anos na cidade e faz pressão, vai pra cima mesmo. Mas assim, eles não dão resposta. Por mais que a gente brigue, faça ato público, vá com carro de som para a frente do prédio da justiça, porque tem um monte de homossexuais aí, assassinado, e os caras [os assassinos] estão todos aí, lindos, maravilhosos, livres, e a justiça nada. A polícia faz a parte dela, prende, como prenderam os assassinos do Adamor. Em 90 dias os caras foram liberados, e os três vivem por aí. E o caso foi arquivado. Segundo as últimas informações obtidas, por falta de provas. Pegaram os caras, eles assumiram na delegacia, sem pressão nenhuma, mas e aí? Quer dizer que não tem provas, soltaram os caras por falta de provas? Quer dizer, a justiça não está nem aí pra gente.

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E NÃO PERCAM:

VIII PARADA DO ORGULHO LGBTT MANAUS

AME! VIVA! VOTE CONSCIENTE!

MANAUS

28 . 09 . 2008

Praia da Ponta Negra

16:00h

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A AIDS COMO DOENÇA DA SOCIEDADE (MAIS…)

Na outra edição desta colunéeeeesima conversamos sobre o encerramento da Conferência Mundial da UNAIDS, na Cidade do México. Também rolou um papo sobre alguns equívocos no entendimento da AIDS como uma simples doença, já que ela evidencia uma sociedade estratificada, no sentido de que a moral e o modo de existir na sociedade de consumo produzem “nichos” de disseminação e de produção da epidemia, e que eles sim, são a causa, e não efeito da contaminação massiva pelo HIV.

Esta semana, outra informação chamou a atenção do público LGBT: dados da UNAIDS, de 2006, mostram que menos de 1% do investimento no combate ao vírus HIV é usado para prevenção em homens que fazem sexo com outros homens. A razão principal? Lógico, a homofobia.

Segundo Craig McClure, diretor-executivo da Sociedade Internacional de AIDS, “é muito difícil prestar serviços aos homens gays nos países que não reconhecem a prática do sexo homossexual”.

Ban Ki-Moon, secretário geral da ONU, na conferência da UNAIDS, falou em Educação, Comunicação Social e movimentos sociais para disseminar a diversidade e enfraquecer o preconceito.

Mais do que evidenciar que a homofobia institucional mata tanto ou mais que a entendida como individual, os dados mostram que ainda há muito a fazer neste campo.

Se um homoerótico vai a um posto de saúde em Manaus, ou qualquer cidade do país, e o médico olha de esguelha, toca com receio o corpo na hora do exame, ou insiste em tratar a pessoa pela sua denominação sexual biológica e não social, falamos em homofobia institucional ou individual?

Embora existam médicos e profissionais da saúde pública que teriam este comportamento fóbico (sociofóbico?) com qualquer paciente, independente da orientação erótica, fica claro o desconforto e o desestímulo a que homoeróticos, principalmente jovens, continuem ou mesmo iniciem tratamento ou adiram à práticas de prevenção.

A diferença entre institucional e individual pode ser importante no aspecto legal. Uma vez que o médico é, naquele momento, um agente público, ele corporifica o Estado, e portanto, é instituição. Mas com as recentes leis que buscam diminuir a homofobia no atendimento público de saúde (e que você, compadre e comadre desta colunéeeeesima, tá por dentro), de onde vem a causa da homofobia?

Da mesma maneira que a prevenção ao uso abusivo de substâncias tóxicas (as chamadas drogas) não passa apenas pela moralidade ou pelo discurso do amedrontamento, o combate à homofobia não pode se reduzir ao âmbito legal, mas tem que transbordar na cultura, em todas as produções humanas. Passar da intolerância não para a tolerância, mas para a convivência desejante, querer a diferença, entendê-la como necessária à produção de linhas de comunalidade e aumento da potência social de existir.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ ATENÇÃO, MENINOS, TEM VACINA CONTRA A RUBÉOLA. Pra quem gosta de recordes, em tempos de olimpíadas que nada têm a ver com as Olympiadas gregas, trata-se da maior campanha de vacinação que já se fez no mundo. O objetivo é imunizar a população brasileira – principalmente a masculina – contra a rubéola. Nos anos anteriores, as campanhas eram mais focadas na população feminina e infantil, mas a incidência da doença em homens fez com que a campanha atual focasse nos machinhos-machinhos que se revelam na hora da vacina. Revelam-se uns medrosos, claro. Nada a ver com o homoerotismo, que não se esconde. Mas a estes que temem a agulha e a picada, um alento: a vacina é subcutânea, e não intra-muscular, portanto, dói menos que um beliscão, ou como diria aquela enfermeira, dói menos do que ficar doente. É só procurar as unidades básicas de saúde (postos e casinhas), ou os comitês em escolas, igrejas e centros comunitários. Tu já foste, Rubeolnita? Sentiu a brisa, Neném?

Φ JUSTIÇA MANDA UFF REGISTRAR DEPENDENTE HOMO. O servidor federal Luiz Carlos da Gama Bentes, da Universidade Federal Fluminense, garantiu esta semana, através da 2a Vara Federal de Niterói, o direito de incluir como dependente previdenciário o seu companheiro, o cabeleireiro Juarez Manoel Ferreira. O casal vive junto há 18 anos, e desde o ano passado, tem um contrato de união civil estável. No seu despacho, o juiz Fábio de Souza escreveu: “o conceito de família não pode ser interpretado de modo restritivo, sendo inviável incluir em seu conteúdo apenas as opções das maiorias. Ao contrário, faz-se mister lançar um olhar de alteridade, reconhecendo-se a diversidade social e tutelando todas as estruturas familiares, mesmo aquelas eleitas por minorias”. Gostou, Gervásia? Só não vale utilizar o conceito de famílias a partir dos mesmos vícios burgueses das buonnas famiglias hetero, com suas trincheiras e guerras emocionais que atravessam gerações. Aí é marcação de touca, Argemira! Sentiu a brisa, Neném?

Φ MILITARES IMPEDIDOS DE PARTICIPAR DA PARADA GAY DE AMSTERDAM. Na semana passada, todas as monas sentiram o gostinho da parada gay de uma das cidades onde a homofilia é mais intensa. Esta semana, militares manifestaram descontentamento em terem sido impedidos de participar. Pertencentes ao Exército da Holanda, os militares enviaram comunicado aos seus superiores questionando as razões da não-permissão de participar no desfile, já que o governo holandês é pró-diversidade e as forças armadas são favoráveis ao alistamento de homoeróticos. Não é que eles tenham sido proibidos de participar: mas, assim como a polícia local abriu o desfile uniformizada (ou seja, participou institucionalmente), os militares queriam também marcar presença da corporação no desfile, e não apenas como cidadãos comuns. Nada de inveja da política desejante dos Oranges, menin@s. Um dia, com muita luta, alegria, humor e brisas gays, as Forças Armadas braziniquins chegam lá! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A AIDS COMO DOENÇA DA SOCIEDADE

Foi encerrada ontem a XVII Conferência Internacional de AIDS, realizada pela UNAIDS, na Cidade do México. Dentre diversas discussões, o resultado final foi de que, embora tenha havido diminuição do contágio e do adoecimento no mundo em geral, ainda não se pode falar em arrefecimento da epidemia.

Vivem hoje no mundo cerca de 33 milhões de pessoas infectadas com o HIV, sendo 2,7 milhões infectadas em 2007, tendo sido registrados cerca de 2 milhões de óbitos decorrentes da doença. A perspectiva oficial é de que 7500 sejam infectadas a cada dia. No segmento de homens que fazem sexo com outros homens, o risco de contágio, estatisticamente, é 19 vezes maior. Ainda não há, na maioria dos países, pesquisas confiáveis sobre a incidência de contaminação em segmentos sociais. Os dados são do relatório da UNAIDS.

No últimos anos, a doença tem avançado, sobretudo em mulheres casadas, infectadas pelos maridos. Mas do ano passado para cá, a incidência de contágio em trabalhadores sexuais, homens que fazem sexo com outros homens e usuários de drogas injetáveis, que antes era estável, começou novamente a preocupar.

No Brasil, junto com as políticas de valorização e de visibilidade social do segmento LGBT, o governo federal criou uma CAMPANHA ANTI-AIDS para atingir o público gay, que tem ao seu dispor um dos mais eficientes sistemas públicos de tratamento da doença, mas que assiste mesmo assim um crescimento do contágio nessas pessoas. O assunto já foi tratado nesta colunéeeesima (leia mais nos links aqui disponibilizados, se informa, maninha!)

A tendência dos organismos internacionais é de tratar a epidemia global como um problema de saúde pública, não restrito a grupos sociais. Mesmo assim, vez por outra, alguém retorna ao tema dos chamados “grupos de risco”.

Mesmo com este entendimento da maior parte das entidade em tratar a AIDS como um caso de saúde pública, é preciso entender que seu ciclo de contágio não se reduz à biologia do vírus. A AIDS não é uma doença como as outras. O seu contágio, desenvolvimento e letalidade estão intimamente ligados com as contradições e estratificações sociais dos sistema capitalista.

Vejamos um exemplo: a pesquisa da UNAIDS diz que a chance de um homem que faça sexo com outro homem contrair o vírus é 19 vezes maior do que a de um homem que faz sexo com uma mulher. Um enunciado que silogisticamente leva à conclusão de que homoeróticos são mais propensos a se contaminar. Uma armadilha da linguagem, que encobre o fato de que a maior parte dos contaminados ainda é de homens, independente da orientação erótica/sexual.

As produções das estratificações sociais (os rótulos, os padrões, as “verdades” instituídas, o que é ou não socialmente aceitável) são resultado do modo de produção capitalista, na medida em que a produção social condiciona a existência. Quem veio primeiro? O homoerótico ou o comportamento de risco? O comportamento é de risco, mas qual é este risco, e para quem é este risco?

Há um discurso da sexualidade que procura enquadrar o sexo no plano da sociedade de consumo, como bem colocou o filo-homo-eroticus Michel Foucault. O objetivo de uma tecnologia da sexualidade é um maior controle e o estabelecimento de um poder sobre o corpo e a existência do outro. Daí a conclusão de Roland Barthes, quando afirma que há sexualidade em tudo, menos no sexo.

Com os comportamentos bem localizados, esquadrinhados, definidos e rotulados dentro da moralidade, o “dentro” e o “fora” se complementam no jogo do não-jogar da sociedade burguesa. É assim que homens casados e pais de família são infectados “na rua” e voltam pra casa para contaminar as esposas. É preciso retirar do sexo seus dois elementos revolucionários, capazes de abalar as estruturas da sociedade de controle/consumo: o seu aspecto libertador, o orgasmo que desestabiliza o existir, o êxtase dionisíaco que desterritorializa o humano da sua humanidade demasiado humana, inclusive política, o a sua característica de gratuidade, afinal, se o sexo é uma relação, que seja ao menos uma relação entre consumidor e produtor, um mercado do sexo. Assim ele se torna sexualidade: inodoro, insípido, incolor.

O que desvia da norma social deve ser tolerado, a não ser que ameace a própria norma. Assim, um pouco de pornografia em ditaduras é permitido, desde que envolvidas numa embalagem de “proibição”. Assim, a prostituição, mesmo sendo contra a lei, é tolerada pela norma. A prostituta moralmente condenada a ser a palmatória do mundo, inclusive do sexo mal resolvido. São elas/eles também consideradas um grupo de risco. Entendimento equivocado da boa moralidade cristã-paulina, do qual Elena Reynaga, do grupo RedTraSex (Rede Latinoamericana e Caribenha de Trabalhadoras Sexuais), que defende o trabalho sexual livre de estigmas e exploração daninha, não faz parte. Esta argentina lindíssima mostrou em seu discurso na conferência, aplaudido efusivamente, que enquanto os homens incentivam o comportamento de risco, não usando camisinhas e procurando prostitutas na clandestinidade, a parte da discriminação e da responsabilização fica todo para elas. Na Conferência, ela diz que indigno não é o trabalho da prostituta, mas sim as condições a que são expostas. Para a entidade, as políticas de repressão ao trabalho sexual (sem exploração ou coação) são prejudiciais às trabalhadoras e leva à estigmatização e violentação por agentes governamentais. Ela critica ainda a política estadunidense para a prevenção, intitulada ABC (Abstinência, Fidelidade, e – em último caso – camisinha), mostrando que ela só vale (e nem isso!) para os “normatizados”.

Todas estas estratificações sociais, cujos sintomas são a prevalência de grupos sociais que precisam existir sob o julgo da discriminação e da repressão, são um produto do modo de produção do capital. Assim, a AIDS vem evidenciar que o verdadeiro foco da epidemia não está no chamado comportamento de risco, mas num (des)entendimento de mundo que faz com que seja possível existir estes comportamentos.

Enquanto não se compreender isto, estaremos longe de debelar esta epidemia, que é social, no sentido em que expõe de forma clara as contradições em que vivemos.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ JUSTIÇA CONCEDE PENSÃO A EX-COMPANHEIRO DE SOLDADO. A justiça do Distrito Federal concedeu esta semana ao pintor Jubton César Alves de Melo, 41 anos, o direito a receber pensão pelo falecimento do seu ex-companheiro, José Roberto Silva, que era praça do Batalhão da Guarda Presidencial. José Roberto faleceu em 2006, e era soro positivo. A juíza Luciana Maria Pimentel Garcia aceitou o pedido da defensoria pública e deferiu o pagamento da pensão. Jubton e José viveram juntos por 13 anos. Quando há bom senso, Jildirlane, não há necessidade de lei específica para os homoeróticos. É esta a diferença entre ser tolerante e desejante, sacou? Sentiu a brisa, Neném?

Φ ALGUMAS LINHAS DA 13a GAY PRIDE DE AMSTERDAM. Podemos nós, aqui do Brasil e da Manô, achar que na Holanda não há mais o que reivindicar em termos de políticas LGBT. Ledo engano, fofucha! A 13a Parada Gay de Amsterdam ferveu nas ruas e nos bastidores. Das críticas de Edgar Bonte, adepto do sex, drugs and tecnopop, ao estilo mais politizado da festa até o desfile de abertura feito pela polícia, esta parada foi uma verdadeira parada para os oranges. Frank van Dalen, atual organizador, envolveu o patrocínio e o engajamento de empresas, além da participação de políticos da esfera nacional na parada. Com foco mais midiático e com um tema que critica o modo normatizador de tolerar o homoerotismo no país, o fundador da ProGay, entidade que organiza a parada da cidade, mexeu com os ânimos, de Norte a Sul. Houve guerra de egos entre os políticos presentes (mais preocupados com a imagem eleitoral que com as lutas – mas isso tem aqui também, né, Braz, né Glória?), homenagem à polícia, que faz um trabalho belíssimo no combate à homofobia, e um público estimado em meio milhão de pessoas. Festa com engajamento, é o mote de van Dalen, para desespero dos adversários. Um engajamento, na realidade, não muito diferente das paradas nacionais, onde o interesse político e da iniciativa privada é mais midiático/mercadológico do que propriamente de envolvimento nas questões homoafetivas. Ao menos nisso a gente tá em pé de igualdade com eles, né Consuelo? Sentiu a brisa, Neném?

Φ LEI PUNE HOMOFOBIA NO EXÉRCITO… ARGENTINO. E ainda tem quem não goste dos argentinos. A ministra da defesa Nilda Garré apresentou um projeto de lei que cria punições para discriminações e assédio sexual nas forças armadas argentinas. O projeto substitui e revoga o Código de Justiça Militar, que previa pena de morte e outras punições a soldados homoeróticos. Cruuuzes! A nova lei foi aprovada por unanimidade no senado portenho, e entra em vigor daqui a seis meses. Não por acaso, Argentina e Uruguai, os irmãos do Rio da Prata, são referência em avanços nas políticas LGBT. Neste quesito, los hermanos ganham do Brasil brincando. E olha que lá também tem Assembléia de Deus e IURD! Então, minha nêga, vamos “se” nos movimentar pra argentinizar/uruguainizar esse Brasil! Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A DISCRIMINAÇÃO COMO IDÉIA-SUPERSTIÇÃO

No Amazonas, nativos – chamados índios – da etnia Ticuna são discriminados por serem gays. São chamados de “meia coisa” e outros nomes pejorativos, além de sofrerem agressões físicas. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, há registro de comportamento homoerótico entre os chamados índios desde o século XIX.

Qual é o corpo/corporeidade dos chamados indígenas? Em que sentido ainda é possível compreendê-los como etnicamente “diversos”? Com cinco séculos de exploração, desde os jesuítas, ainda se pode falar em um povo sem contaminação pelos signos do chamado homem branco?

No cinema Aguirre – A Cólera dos Deuses, do alemão Werner Herzog, quando nativos e europeus se encontram pela primeira vez, o conquistador espanhol mostra uma pequena bíblia ao nativo, que a examina visualmente e joga no chão. Antes da bíblia tocar a madeira da jangada, porém, é o corpo do chamado índio que cai no chão, assassinado com um golpe de espada.

Haviam, entre índios e brancos, naqueles tempos, diferênças no modo de ver o mundo irreconciliáveis. Hoje em dia, o que ainda persiste é uma pálida ilusão de que é possível manter esses povos com a sua cultura intacta. Qual indígena não sente a imobilidade decorrente do esfacelamento da relação naturante-naturada que o ligava ao seu território? Por que há tantos suicídios, alcoolismo e violência entre eles? Há diferença no modo de sintomatizar a existência no modo de produção capitalístico entre índios e brancos?

Para a lógica do capital, a discriminação não é necessária: todos são consumidores. Não há mais exclusão, como querem as pastorais e muitos dos movimentos sociais que ainda estão no início do século XX. Daí o espanto pseudo-antropológico com as manifestações de discriminação entre os indígenas. Para o moralismo burguês, que estabelece um sistema de julgamento onde o “certo” é sempre o emissor da sentença, é uma festa (do ressentimento). É um cheio e dois derramando…

A discriminação é fruto de um conhecimento errôneo, de um olhar para o mundo ainda despido da faculdade da razão. Vê-se o negro, o branco, o amarelo, o azul. Sente-se o doce, o salgado, o amargo, o azedo. Acredita-se na percepção imediata. Há gostos, há cores. Há também exploração e um mundo onde alguns são mais iguais que os outros. Cenário preparado para os equívocos da percepção xuxeada. Ou melhor seria dizer Kakazada?

Pela razão, existem outras perspectivas, análise, produção de saberes e dizeres, e não julgamento a partir de algo impreciso, inexistente. A discriminação é produto da superstição, que nada mais é do que acreditar nas coisas de imediato, sem o uso da faculdade da razão. Contra essa doença social, só o conhecimento, o saber não engessado pelo academicismo, mas potente pela alegria de ser carregado por bons encontros.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ CARTA MAGNA DO EQUADOR IGUALA UNIÕES CIVIS. Todos os jornais brasileiros deram destaque aos poderes do poder executivo indicados na nova constituição equatoriana, como se o poder executivo do país se reduzisse a Rafa Corrêa. No entanto, a inteligência LGBT imediatamente perguntaria: como pode ser centralista uma constituição que teve ampla discussão e partipação dos grupos sociais? Fato é que na nova constituição não há diferenças entre uniões civis hetero e homoeróticas. Os direitos são iguais, justamente pelo entendimento de que a diversidade não deve ser uma imposição ideológica, mas uma linha intensiva desejante. Que o diga María Soledad Vela, do Acuerda País, e que luta pela emancipação afetiva-afetante das mulheres. Na terra onde a maioria é de nativos – os chamados indígenas – a última década foi de convulsões sociais e três presidentes depostos. No entanto, em matéria de avanços nas política públicas LGBT, o Equador deu show na maior parte dos chamados países democráticos. Vamos à la playa, bombom? Sentiu a brisa, Neném?

Φ NESTA ELEIÇÃO NÃO SEJA OTÁRIO. VOTE EM CANDIDATO QUE SAIU DO ARMÁRIO. Semana passada foi a campanha para que as entidades LGBT apresentassem aos candidatos a pauta de reivindicação do segmento. Esta semana, o site Mix Brasil, em parceria com a ABGLT lançou a lista de candidatos assumidamente homoeróticos, para que o eleitor possa saber quem é quem no jogo da bicha. De qualquer forma, não adianta votar no candidato apenas porque ele é simpático às políticas LGBT. Por acaso o mundo – que é gay – se reduz aos LGBT´s? De nada adianta aprovar a lei anti-homofobia se não tiver água na torneira ou se o transporte coletivo urbano for uma imobilidade, não é? Portanto, meninas, pensem bem, e sigam a máxima da campanha espinosista de combate ao mau candidato deste Bloguinho. A lista ainda é provisória, e não tem nenhum gay manoniquim candidato – assumido, pelo menos, nenhum! – mas você pode dar uma olhada nela por aqui. Por que tu não te candidatas, Gegê? Sentiu a brisa, Neném?

Φ SARGENTO LACI FINALMENTE EM LIBERDADE. Desta vez o ministro Gilmar Mendes acertou: de tantos habeas corpus distribuídos com “facilidades” por aí, ele também deu um ao sargento Laci, que apelou ao STF depois de ter recurso negado no STM. Acontece que, ao menos com Laci, o ministro acertou. Preso desde o dia 04 de junho, Laci, além de sofrer violência institucional e psicológica na prisão, não oferece riscos, portanto deve, por lei federal, aguardar seu julgamento em liberdade. Mas o episódio dos sargentos não termina aqui. Primeiro, porque o processo continuará correndo na justiça, e Laci pode ser condenado por deserção. Além disso, Laci foi vítima de uma violência institucional, o que cabe, além de processo, uma discussão pra além do lugar-comum sobre as forças armadas e sua relação (ou não-relação) com a população. Houveram realmente avanços no trio da defesa nacional, da ditadura para cá? Tudo indica que não… Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Acesse esquizofia.wordpress.com

esquizofia.wordpress.com

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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